Música-tema deste capítulo: "I Turn to You", de Christina Aguillera

Ato III – Um lugar ao lado dele

Já é madrugada e Mu não conseguiu dormir nem um pouco sequer. Esse é um comportamento que sempre se repete nas noites que antecedem a minha partida. Meu pobre Áries sofre por antecipação: sabe que ainda hoje, antes das seis da tarde, terei de me despedir dele. Por trás daquele Cavaleiro tão sério e compenetrado no campo de batalha, esconde um homem que sofre ansioso por ter de se afastar do amado mais uma vez.

Nesse momento, está sentado em um banquinho de frente para a janela do quarto, admirando o céu estrelado. Com certeza pensa que estou dormindo e não quer me incomodar. Engana-se: também não consigo dormir direito. No máximo cochilei um pouco após termos feito amor pela última vez mas custei a pegar no sono. A ideia de partir não me agrada e eu pensei muito sobre o que Mu me disse a respeito de Jamiel. Realmente, é aqui que me sinto em casa.

Nesses quatro dias que passamos juntos, revisitamos quase todos os oásis próximos da Torre. Fizemos piqueniques, exploramos as trilhas, subimos nas árvores para colher frutas silvestres, voltamos ao oásis da pedra para nadar no lago e retirar o musgo que ameaçava encobrir o coração que entalhamos. Também ajudei Mu com suas atividades domésticas, auxiliando-o na fornalha, fazendo o jantar, lavando a louça, ajeitando uma coisinha ou outra que havia ficado para trás na reconstrução da Torre…

E claro, namoramos e fizemos amor sempre que nos deu vontade.

Contudo, pensei muito na situação de Mu e acredito que agora finalmente compreendo a angústia que estava em seu peito e a solidão que ele enfrenta diariamente. Não há primavera que resolva quando estamos tristes por dentro, quando nos falta algo tão importante quanto a própria vida. Tudo perde a graça. As lembranças são a única maneira de tentar amenizar essa situação, mas ao mesmo tempo em que trazem alegria e prazer, também trazem dor e o sentimento da falta.

Alegria, prazer, dor e falta. Quatro dos ingredientes que formam essa ambiguidade inexplicável chamada de saudade. A primeira vez que tentei explicar o significado dessa palavra pra Mu, ele ficou bastante confuso. Agora, ele não só a compreende como a sente queimando na alma. É a saudade quem lhe fará companhia quando eu partir amanhã. É a saudade que me manterá são quando eu voltar para Atenas.

Posso ter muitas obrigações no Santuário – o treinamento de recrutas, o serviço burocrático, missões, um Templo para proteger –, porém, nada disso faz sentido quando eu estou longe dele. Não que eu seja um desleixado: seria uma vergonha para a linhagem dos Cavaleiros de Touro se eu tratasse meu serviço de modo displicente! Tenho cumprido com meus deveres com a mesma tenacidade e esmero. Deveria ser o suficiente para que eu me sentisse orgulhoso, porém, não sinto nada. Cumpro minhas obrigações sem qualquer senso de dever, sem o prazer que sentia antigamente. Ajo por puro egoísmo, uma vez que minha eficiência, somada à minha submissão, é meu salvo-conduto para vir a Jamiel.

Touro é um signo regido pela terra, pé no chão. Mas eu juro que queria ter asas, para poder voar para cá, para junto de meu parceiro, abandonando aquele hospício. Não há razão ou argumento que justifique as ações do Santuário nos últimos tempos. Como pode uma instituição que deveria prezar pela paz agir com tanta violência e arbitrariedade? Dessa vez não tive coragem de dizer nada a Mu, mas sinto que estou na mira do Santuário. O Grande Mestre já deu a entender que está insatisfeito com meus relatórios – afinal de contas, não o descrevo o ferreiro lemuriano como um conspirador fanático que precisa sofrer uma intervenção por parte de Atenas – e creio que isso me acarretará problemas no futuro.

Na verdade, eles já deram o pontapé inicial. Meu companheiro ainda não digeriu bem a ideia de me mandarem até aqui não apenas como guia de Aiolia, mas também para oferecer o meu sangue para a restauração da Armadura de Leão. Nesse estúpido jogo de poder, não há lugar para mim e o Alto Comando sabe bem disso. Creio que se eu fosse um "João Ninguém", o Santuário não hesitaria em me fazer desaparecer, contudo, sou um Cavaleiro de Ouro e, por isso, têm de me tratar com respeito pela frente enquanto me apunhalam pelas costas.

Quando retornei à Atenas, recebi uma missão digna das de um Cavaleiro de Bronze recém-formado: refazer o inventário do depósito de armas. Todos os funcionários do local se surpreenderam ao me verem ali, mas eu cumpri o serviço com a mesma seriedade com que faria qualquer outro. Não duvido que passarei o resto dos meus dias assim enquanto a situação não mudar. Relegado aos bastidores, cumprindo missões maçantes que ninguém quer fazer. Mas o que são algumas pedras no sapato para um homem que desafia a montanha todos os meses?

Apesar de tudo, mantêm-se as aparências. O Santuário já tem problemas demais com Cavaleiros de Ouro. Um ariano "desertor". Um geminiano desaparecido. Um leonino insubordinado. Um libriano idoso demais para lutar. Um sagitariano que foi morto após atentar contra a vida do bebê Athena e do Grande Mestre. Um capricorniano que nunca superou o trauma de matar o melhor amigo e está definhando psicologicamente. A lista é grande. Não precisam de um Touro furioso e contestador para completar a trupe.

Tenho vontade de jogar tudo para o alto. Que se danem os cargos, as promoções, as obrigações! Que enfiem tudo naquele lugar! Só não faço isso porque a segurança de Mu depende de mim. Enquanto ele estiver ao meu lado, sinto que posso suportar qualquer coisa. E dessa vez, voltarei à Atenas revigorado, pois agora sei que finalmente tenho uma casa, um lar onde posso esquecer do mundo e ficar a sós com meu amado.

Parte-me o coração vê-lo acordado assim tão tarde, cheio de angústias. Levanto-me devagar e caminho sorrateiro até ele, envolvendo-o em meus braços. Ele leva um pequeno susto – estava distraído – mas logo deita em meu peito como um gato manhoso. Beijo-lhe o lado esquerdo do pescoço, subindo com a boca até a orelha, seu ponto fraco, mordiscando-a levemente. Ele geme baixinho…

- Não acha que está muito tarde para estar acordado?

- Não consigo dormir.

- Então não durma. Apenas deite-se comigo e deixe eu te fazer companhia. Será mais confortável.

Conduzo-o de volta à cama. Ele se deixa levar sem protestos. Sento-me e o acomodo em meu colo, voltando a beijar-lhe o pescoço e também o ombro, que escapou da túnica larga. Ele se entrega, buscando minhas mãos para que eu o abrace pela cintura.

- Você precisa mesmo ir embora amanhã?

Continuo a beijar-lhe sem nada dizer. Não quero entrar nessa discussão novamente. Isso nunca facilita o processo e sei que acabaremos indo dormir de coração partido. Ah, Mu! Por que tornar as coisas ainda mais difíceis? Entretanto, o carneiro também é bastante cabeça dura quando quer: insiste no assunto, não se dá por vencido.

- Eu queria ficar. Você sabe disso.

- Então fique!

Suspiro pesadamente. Estou irritado mas não com ele. Queria resolver isso do modo mais fácil, dizer "sim, eu ficarei" e ver o rosto dele se iluminar com um sorriso e ele tomar minha boca para desencadear uma nova transa. Infelizmente, não posso.

- Você sabe, o Santuário…

- Eu sei.

Fornecer explicações sobre esse assunto é uma tarefa muito mais complicada do que parece. Tentei formular alguma coisa, alguma frase sem sentido na qual provavelmente acabaria me perdendo. Mu foi bondoso o suficiente para me interromper. Ambos conhecemos muito bem nossa situação mas, como disse antes, a despedida não é um processo fácil – a todo instante, o coração fala mais alto do que a razão. Assim, por mais que ele tenha plena consciência de que um mais um são dois, me perguntará diversas vezes porque não pode ser três, oito ou infinito. E por mais que eu tenha argumentos para lhe convencer, nem mesmo eu acreditaria neles, pois também desejo alterar o resultado da conta.

Por mais que tentemos passar momentos agradáveis juntos, o último dia de minhas estadias é sempre encarado com uma espécie de luto, o fantasma do tempo que não nos cansa de avisar que devo descer a montanha antes do sol se pôr e tomar o jipe militar em direção ao aeroporto. Buscamos prolongar nossos momentos juntos ao máximo e Mu me acompanha por parte do caminho, mas depois vem a despedida… e nada é capaz de nos consolar.
- Alde…

- Sim?

- Aiolia manteve a promessa?

- Sim – respondo com um sorriso tranquilo, procurando também acalmá-lo.

- Acha que ele continuará assim?

- Não se preocupe com isso. Ele pode ter todos os defeitos do mundo, mas é uma pessoa bastante leal.

Minha resposta parece reconfortá-lo e ele se aninha em meu peito. Não tenho motivos para desconfiar de Aiolia, do mesmo modo que ele não tem motivos para quebrar a promessa. Levei algum tempo para me acostumar à ideia de que outra pessoa tinha conhecimento de minha relação com Mu – ainda mais que essa pessoa era um colega de trabalho aparentemente instável – mas agora estou tranquilo. Além disso, creio que Leão ficou bastante impressionado com o modo que Mu lhe pediu, ou melhor dizendo, exigiu aquilo.

Após a luta contra Iapetos, Mu estava em péssimo estado. Mesmo assim, negou qualquer tipo de socorro e decidiu reparar a Armadura danificada, aproveitando o sangue que estava perdendo. Aquela ideia não me agradou, mas ele estava impassível. Além do mais, era meu papel fornecer o sangue para aquele processo. Quando mencionei isso, Mu lançou-me um olhar entristecido e disse, resignado, "é muita crueldade deles brincar assim com os nossos sentimentos" Não era uma frase racional, pragmática. Ele não estava me dizendo "ei parceiro, meu sangue está jorrando a cântaros, então deixe que eu use esse aqui, sim?". Foi uma frase carregada de emoção. Aiolia, que não é idiota, logo captou que havia algo a mais entre nós dois.

O tempo todo, fiquei junto de Mu. Ele protestou, mas nem que tentasse me teleportar para longe eu o abandonaria naquele momento. Ajudei-o a ficar de pé quando ele não tinha forças; trazia-lhe os instrumentos que me pedia; acendi e regulei o fogo até a temperatura ideal; tomei-o no colo quando foi necessário; disse-lhe palavras de coragem e carinho quando o cansaço tentava detê-lo. Acompanhei-o durante todo o processo, trabalhando noite adentro. Aiolia tomou certa distância, mas assistia tudo. Lithos, apesar de bastante preocupada, foi vencida pelo cansaço e adormeceu nas primeiras horas da madrugada.

O sol havia acabado de nascer quando concluímos o serviço. Eu estava coberto de sangue e extremamente apavorado pelo que poderia acontecer a Mu. Faltou-me o ar quando ele desmaiou em meus braços. Ele podia ter salvo a Armadura de Leão, mas esse esforço parecia que ia custar-lhe a vida. Deitei-o em um colchão de palha que ele mantinha guardado no depósito anexo à forja e que felizmente não havia sido danificado com o ataque de Iapetos.

Agarrei Aiolia pelo colarinho da camisa e exigi que ele voltasse à vila para comprar medicamentos e tudo o mais que fosse necessário para que eu pudesse tratar de Mu. Retirá-lo dali seria muito perigoso e eu sabia que meu companheiro não desejava a interferência do Santuário naquela situação. O Cavaleiro de Leão e Lithos partiram imediatamente. Quase quatro horas depois, somente ele voltou trazendo tudo o que havia encontrado nas redondezas. Havia deixado a garota na vila por considerar o local mais seguro.

Eu já havia preparado o leito para Mu e limpado parte de suas feridas com o pouco de medicamentos que tinha conseguido salvar dos escombros. Imediatamente, apliquei-lhe o soro na veia e continuei o tratamento com os materiais que Aiolia havia me trazido. Por sorte, havia assistido todas as aulas de treinamento médico e tinha as lições bem frescas em minha memória. Também me lembrava que Aiolia era doador universal e praticamente implorei para que ele oferecesse sangue em uma transfusão improvisada. Apesar de surpreso, ele não se negou a ajudar.

Mu acordou pouco depois do meio-dia, mas estava febril. Usei alguns cobertores que havia encontrado na Torre em ruínas para protegê-lo do frio, dei-lhe os remédios necessários e implorei para que repousasse. Ele balbuciou qualquer coisa que não pude entender e pareceu adormecer em seguida. Beijei-lhe a testa antes de colocar uma compressa fria sobre a mesma, me afastando para deixá-lo em paz. Caminhei sem desgrudar os olhos dele. Foi então que a exaustão me atingiu em cheio e eu cai a poucos passos da cama. Sabia que, naquele momento, tudo não passava de uma questão de tempo, o que me deixava ainda mais nervoso. Restava a mim apenas esperar.

"É ele, não é?", Aiolia me perguntou com um certo receio na voz, como se temesse uma nova reação explosiva da minha parte. Não havia razão para mentir. Leão já havia visto e ouvido demais para ser enganado, sem mencionar que subestimar a inteligência alheia é uma atitude que combina muito melhor com o Santuário do que comigo. Eu e Mu havíamos prometido esconder nosso relacionamento diante dos outros, mas na hora do desespero, o medo de perdê-lo falou mais alto. Eu o havia beijado no rosto e acariciado as mãos trêmulas durante a restauração da Armadura, enquanto ele, por vezes, abraçava-se a mim ou encolhia-se em meu colo como se buscasse proteção. Qualquer um com o mínimo de bom senso notaria que mantemos algo muito além de uma simples amizade.

"Sim, é sim", respondi com um breve sorriso em meus lábios, "Sempre foi ele. E sempre será". Nesse momento, os olhos de Aiolia se arregalaram de espanto, talvez pela constância da minha voz em dizer aquilo. Mas não o culpo. Levamos uma vida conturbada, de modo que é difícil encontrar algum colega que tenha certeza de outra coisa que não seja sua missão – e às vezes nem isso! Tenho a sorte de poder confiar em Mu e no seu amor.

"E vale a pena?" Não pude deixar de rir daquela pergunta. Levantei-me devagar, sentindo todo o meu corpo tomado pela dor, como se fosse quebrar em mil pedaços. Caminhei novamente até a cama e ele me seguiu, curioso e um tanto irritado com a minha risada. A curiosidade pode matar os gatos e Aiolia, como um bom felino, não deve escapar a esse paradigma. "Sim. Talvez você ainda não seja capaz de compreender, mas quando encontrar alguém que realmente ame, verá que tudo vale a pena se é para o bem dessa pessoa".

Umedeci a compressa em uma bacia de água limpa que havia ao lado da cama e voltei a colocá-la sobre a testa de Mu. "Parece um jeito doloroso de levar a vida", Aiolia respondeu com um leve tom de arrogância. Nem mesmo olhei para ele. Afaguei os cabelos do meu anjo, sentindo os dedos afundarem em sua maciez e ele pareceu se acalmar com a segurança da minha mão.

"Amor é um fogo que arde sem se ver. É ferida que dói, e não se sente. É um contentamento descontente. É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer. É um andar solitário entre a gente. É nunca contentar-se de contente. É um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade. É servir a quem vence, o vencedor. É ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

Enquanto declamei o poema, mantinha todas as minhas atenções voltadas para Mu. Eu já havia lhe declamado esse soneto camoniano várias vezes, tanto em português quanto em grego ou no dialeto de Lhasa. Ele sempre preferiu a versão original por apreciar a beleza dos versos. Daquela vez, tive de dizê-lo em grego, pois eu não tinha melhor resposta para a constatação fria de Aiolia. Leão pode não ser um grande entendido de literatura, mas minhas palavras, ainda que emprestadas, surtiram o efeito desejo. "Talvez eu não esteja em condições de julgá-los", disse-me finalmente.

"Você precisa ir agora. Lithos está te esperando e é perigoso atravessar a montanha à noite. Além do mais, deves voltar ao Santuário. Se alguém perguntar, diga que fomos atacados mas que a situação está sob controle e estou cuidando da recuperação dele". "Certo", Aiolia respondeu um tanto seco e aproximou-se da cama, examinando Mu atentamente, "não é comum que eu diga isso a alguém, mas muito obrigado, Áries". Sim, apesar de carregar tristezas profundas, Aiolia tem um coração bom e justo.

A face de Mu se contraiu e ele abriu levemente os olhos ainda cansados, observando o nosso visitante. "Fiz somente o meu trabalho. Eu é quem devo lhe agradecer por atender aos pedidos de Aldebaran, trazendo os equipamentos e doando sangue para mim", ele respondeu com uma voz fraca, porém nítida, expressando sua gratidão. "Contudo, preciso lhe pedir mais um favor, Leão". Aiolia e eu nos entreolhamos. Mu fazia um tremendo esforço para falar e tossia em meio às palavras.

"O que é?"

"Prometa que não contará nada que não seja estritamente relacionado à missão. O Santuário não deve saber o que acontece aqui em Jamiel".

"A vida pessoal de vocês não é de minha conta. Muito menos do Santuário", Aiolia respondeu de modo um tanto seco, mas Mu e eu interpretamos essa frase como um "sim".

"Obrigado, Leão. Confiamos na sua lealdade. Mas lembre-se: se algo acontecer a Aldebaran, minha fúria cairá sobre você".

"Eu sou um homem de palavra".

Aiolia se despediu sem muita cerimônia e partiu.

"Você está bem, Alde?"

"Sim. Não se preocupe comigo agora. Apenas descanse".

"Alde… você pode dizer que me ama?", meus olhos se encheram de lágrimas com esse pedido.

"Eu te amo, Mu. Eu te amo de todo o meu coração".

"Eu também, Alde. Não sei o que faria sem você…"

"Depois você pensa nisso. Agora, trate de descansar, sim?"

Seguiram-se então os dias de angústia e trabalho duro até que Mu se recuperasse completamente. Por sorte, ele também é um Cavaleiro de Ouro, duro na queda e orgulhoso de sua posição. Se fosse uma pessoa comum… bem, não gosto nem mesmo de pensar nisso. O que importa agora é que o pior já passou. Ele está novo em folha: trabalha na forja, cuida da Torre, treina diariamente, devora-me na cama e me faz o homem mais feliz do mundo.

- Alde, o que acha de ficar aqui até amanhã à noite? Posso te teleportar de volta para Atenas. Eu tenho treinado, você sabe disso.

O pedido dele desperta-me de minhas lembranças. Ele aguarda ansiosamente por minha resposta. Não posso desapontá-lo.

- Bom, quem pode me teleportar à noite também pode me teleportar logo cedo no dia seguinte, antes de o sol nascer na Grécia, o que acha?

- Mesmo? – ele me sorri, como se carregasse no coração toda a alegria do mundo.

Apenas aceno com a cabeça, indicando que sim com um leve sorriso nos lábios. Ele me toma a boca num beijo apaixonado, deitando-me sobre o colchão, pronto para me exigir prazer novamente – e eu estou disposto a me entregar mais uma vez, sem reservas. Nosso tempo é curto e precioso. Sendo assim, nada mais justo do que aproveitá-lo da melhor maneira possível.