*Oi princesa. Sei que está sentindo minha falta, mas irei demorar uns dias mais. Beijo.
*Bom dia garota do bundão. Mais um dia talvez... Me liga quando chegar em casa. Beijo.
*Porque não me ligou ainda? Pare de fingir que não sente minha falta. Pare de não atender as minhas ligações. Boba.
*Não vai mesmo ligar?
*Eu sei que você me ama.
A casa está limpa. Tudo no lugar. Posso ouvir os passarinhos cantando no parque e sei que deveria realmente ficar de pé e ir passar uma tarde no parque, mas... Onde está minha vontade? No momento estou de pijama jogada no sofá da sala vendo um filme bem romântico na tela plana. É sábado à tarde. Já faz cinco dias que ele foi viajar com o pretexto de ir apenas dois dias. Certo... Não me importo. Pelo menos a casa está limpíssima, consegui manter a organização da forma que desejei. Posso andar nua, posso cozinhar dançando sem ser interrompida e também assistir filmes melosos sem aquele brutamonte me irritando. É como eu sempre quis... Mas ao ouvir sua voz na caixa postal tudo mudou.
Aquele babaca me liga todos os dias para falar alguma coisa besta. Não atendo porque estou fora, mas quando me peguei sorrindo para o telefone no segundo recado, decidi que a melhor coisa que poderia fazer era ficar longe. Realmente sinto dentro de mim que algo falta por aqui... Olho para o corredor onde o vi pelado e suspiro. Sinto falta da companhia dele. Daquela risada estrangulada e idiota. De sua cara de babaca, mas lindo. Ok... Também sinto falta dele me chamando de gostosa. Engulo o brigadeiro de panela que descansa em meu colo em uma grande colherada. É tão chato viver sozinha. Chego à conclusão de que quase sinto falta dele. Quase.
Alguém está ligando em meu celular. Puxo o mesmo de cima da mesinha e atendo sem ver o número.
- Kat?
Reviro os olhos. Só pode ser uma pessoa.
- Oi Will. E ai cara, como está?
- Bem garota. Vou passar ai no seu prédio para corrermos no parque em quinze minutos. Feito?
- O que? – ironizo com a voz atônita – não! Quero dizer... – olho minha situação calamitosa – estou despreparada.
- Tudo ok. Quinze minutos é tempo suficiente! Por favor... É um sábado lindo, o parque é bem em frente. Vamos vai... – insiste.
Reviro os olhos e sei que preciso disso. De falar com alguém que não seja um cliente ou uma menina da floricultura. De respirar ar livre e me liberar das lembranças de Peeta, que deve estar sabe Deus onde comendo sabe Deus quem.
- Tá legal. Mas vinte minutos ok?
- Ok. Obrigado Kat.
O parque é realmente lindo! Parece coisa de cinema para variar, mais uma maravilha da cidade grande, coisa que não encontro de forma alguma no interior do Texas. Will também é legal. Ele não parece forçar a barra, a única coisa que falou foi "você está bonita" quando me viu usando um top e uma calça de yoga para correr no parque. Eu sorri e agradeci. Tudo ficou ok.
- Então seu nome é Will mesmo ou não passa de uma abreviação? – comento enquanto corremos na pista para atletas.
- Ah, meu nome é Willian na verdade... Igual ao príncipe – ele diz e eu sorrio.
- Não vai me dizer que seu irmão se chama Harry? – ironizo.
- Não tenho irmão. Mas minha irmã se chama Diana, se isso serve de consolo para você... – paro com as mãos apoiadas no joelho e começo a rir muito. Tem gente realmente ridícula no mundo, igual a minha mãe, que tirou nossos nomes de novelas.
- Bom príncipe, acho que vou subir. Já está no crepúsculo e é melhor eu voltar e tomar um banho.
William assente positivamente e voltamos caminhando em silêncio pelo parque, não sem antes ele me oferecer um sorvete. Aceito porque estou com calor e enrolamos mais um pouco. Quando percebo, já são quase nova da noite. Subo pelo elevador ao lado dele dando risadas. O cara é legal e não me cantou, apenas me proporcionou um passeio e horas legais. Descubro que mora ali no prédio mesmo, no andar nove. Convida-me para uma visita e me dá um beijo no rosto amigavelmente quando chegamos ao corredor cinco. O elevador se vai e me sinto feliz por estar livra de sua companhia, porém a melancolia da solidão me pega de surpresa quando lembro que estou sozinha nesse apartamento enorme. Destravo a porta e adentro com os fones no ouvido. Passo correndo pela sala e vou direito para meu quarto pegar uma roupa, uma vez que estou grudenta e pegajosa de suor. Sinto-me cansada e sei que assim que cair na cama apagarei até o meio-dia do domingo, me livrando de horas de solidão.
Apanho um short e uma blusinha de alças. Pego a toalha e meu shampoo. Saio do quarto sedenta por tomar banho e quando abro a porta do banheiro...
- Quem é você?
Sussurro ainda com a mão na maçaneta ao ver uma garota loira e nua na banheira cheia de espuma. Paraliso com certo receio, mas a garota é tão inofensiva que não tenho porque gritar. Ela me olha com certa confusão e nem se preocupa em tapar os seios a mostra. Era o que me faltava... Ter que ver gente nua, ainda por cima, mulher.
- Sou Tiffany. Quem é você? – sua voz é calma.
- Eu moro aqui – esclareço com um sorriso falso. Não preciso nem perguntar como essa cidadã chegou ao meu banheiro. Isso só pode significar uma coisa...
- Katniss?
Exatamente como previ, viro as costas ao ouvir o meu nome ser pronunciado por ele do outro lado do corredor. Vejo-o em pé na porta de seu quarto usando apenas cueca, o que não é mais nenhuma novidade. Não fecho a porta, deixo aberta para que a tal garota escute cada palavra que tenho a pronunciar. O rosto de Peeta está meio confuso e corado, um misto de emoções distintas. Cruzo os braços na frente do peito e puxo o ar com força, tentando ser compreensiva. Ele não sabia que eu estava aqui. Além disso, tenho o direito de reclamar? O apartamento também é dele e não temos nenhum compromisso selado e nunca teremos. Somos apenas duas pessoas presas pelo destino.
- Ok. Não tenho nada contra você trazer suas amiguinhas aqui para o apartamento. Porém não sou obrigada a ser privada de tomar banho porque o banheiro está sendo usado – digo com calma e paciência. Peeta me olha em total silencio – quando for assim, use o quarto motel no meio do corredor e me prive de ficar vendo gente nua como num filme pornô – passo por ele como um vulcão, o empurrando. Entro no quarto motel, onde tem outro banheiro. Antes de fechar a porta, digo – Ah... Você tem cinco minutos para tirar esse projeto de Pamela Anderson da banheira.
Fecho a porta com força na cara dele.
Ando de um lado para o outro no quarto fechado. A janela aberta anuncia que o dia abafado terminará com chuva forte e não demora nem uma hora para as primeiras gotas começarem a descer do céu cinzento. Fecho a janela e me sento de frente para o vidro úmido com as pernas cruzadas e a unha do polegar entre os dentes. O nervosismo me corrói. Já penteei o cabelo com os dedos até secar, já cortei a unha dos pés e até contei quantos desenhos tem no forro da parede. Tudo isso porque não tenho coragem de abrir a porta do quarto do meio, onde tomei banho, e dar de cara com aquele safado. A chuva cai e luto contra as lágrimas que veio controlando desde o banho. Desde a hora em que vi Peeta de cueca, pronto para entrar na banheira com aquela loira.
Porque ele me abala desta forma? Porque mexe tanto comigo?
Sei que sou ligada a uma lembrança de um verão distante, um tempo em que fui inocentemente feliz ao me entregar a um amor patético e infantil. Mas porque isso ainda me atormenta? Será que pelo final catastrófico que a história obteve? Fecho os olhos e é como se eu pudesse ver as cenas se formando a minha frente, exatamente sob uma chuva de verão como a que cai agora. Tudo começou em um festival que era tradição em minha cidade há cinquenta anos, mas sumiu depois daquele verão. Um festival de verão chamado Summer Wishes.
A família de Peeta havia acabado de chegar a Fazenda de minha madrinha para curtir o Festival que levava o mesmo nome que a fazenda dela. Ver aquele garoto novamente não estava nos meus planos imediatos, mas era consequência. A fazenda de minha madrinha, Summer Wishes, é vizinha a fazenda de meus pais, portanto, nos depararmos por ai seria quase certo. Sem contar que Terry e Ben adoravam brincar com Ashley e Savannah se aproveitava muito de minha boa vontade de mostrar para ela a cidade. Savannah adorava ficar na praça paquerando os caipiras e me pagava um sorvete para que não contasse a Michael, seu pai. Porém, apesar de sempre estar ajudando minha mãe nos afazeres, quando a família Mellark estava na cidade minhas atenções eram voltadas para eles o tempo todo. Mamãe e madrinha insistiam para que eu e meus irmãos brincássemos com eles... Terry e Ben sempre ficavam com Savannah e Ashley na lagoa e como eu e Peeta éramos crianças adoentadas facilmente, sempre tínhamos que ficar no quinta e juntos. A companhia dele me era imposta e não havia nada que eu pudesse fazer. É claro que sempre subi em árvores melhor do que ele; sempre corri mais, sempre fui mais moleca por ser adaptada ao campo... Já ele ficava lá com cara de bobo tentando seguir meus passos em vão. Na maior parte do tempo brigávamos.
Até que no último verão do festival Summer Wishes, aos meus treze anos, Peeta me mandou um desejo de verão. Era uma espécie de correio elegante com nome diferente. A pessoa escrevia um desejo para aquele verão e enviava a outra, que faria o possível para tornar isso real... Se quisesse. Em suma, era utilizado por amantes. Aquele papel que caiu em meu colo quando sai da roda-gigante mudou todo meu conceito sobre Peeta Mellark, o garoto filho de mamãe e enjoado que vinha perturbar meus verões. Simples palavras fizeram desabrochar meu jovem coração.
Se eu pudesse fazer um desejo, pediria que você fosse minha alma gêmea.
Hoje em dia suspeito da veracidade daquelas palavras, pois chegou a meu ouvido que o que vivemos naquele verão fora apenas uma aposta que Peeta fizera com Gale, meu melhor amigo. Gale me disse que Peeta jurou que conseguiria me namorar antes de Gale e tudo por um orgulho bobo. Um dos motivos pelo qual meu verão fora arruinado junto a nossa história. Porém, no momento em que li tudo mudou. A minha vida fez sentido. Tudo o que eu queria era ficar com Peeta. Os olhos dele me encontraram através do parque. Ele me observava parado em frente ao carrinho de doces, seus olhos azuis esperançosos e as bochechas coradas... Algo me fez se mover. Ajeitei o suéter branco ao meu redor, ajeitei os pés na sapatilha prateada para me garantir que não cairia e me movi em meu vestido lilás até Peeta. Escondi o rosto parcialmente pelo cabelo escuro e parei em frente a ela espiando-o por um olho. Coloquei o papel na mão dele, que se fechou ao redor de meus dedos antes que eu pudesse puxá-los. O papel caiu no chão quando começamos a andar de mãos dadas e não sei onde foi parar, porém as palavras prosseguirão para sempre marcadas em meu coração. Nunca irei esquecer aquela tarde, quando fugi de tudo com o menino que eu mais odiava no mundo e ficamos juntos na beira do lago.
Nós paramos em frente aquela paisagem perfeita de verão quando começara a chover e nos protegemos sobre as árvores. Os braços hesitantes dele ao meu redor fizeram o mundo parar. Não era a primeira vez que aqueles lábios cálidos e macios tocavam os meus, mas a sensação era a exatamente a mesma de quando ele roubou um beijo contra a casinha de bonecas. Tudo havia se convertido em um sonho porque naquele dia pensei que fosse uma brincadeira, mas naquele momento, perto do lago, eu sabia que era real. Sabia que Peeta... Peeta gostava de mim de verdade!
Nós vivemos uma história linda durante aquele verão. Eu cumpri com a vontade de Peeta, tornei o desejo de verão dele possível. Tornei o meu verão inesquecível. Mas parti meu coração, porque ao final daquele sonho descobri que era tudo uma aposta dele e de Gale. Ao final daquele verão, sem antes mesmo terminar comigo, vi Peeta beijando Dorothy, uma menina que eu odiava, atrás da árvore do meu quintal. Porque ele fez isso? No que eu falhei? Afundei-me em lágrimas por dois segundos, mas me recompus. Peeta Mellark havia brincado comigo. Havia me usado para se divertir no verão. O único garoto que amei foi o responsável por acabar com todos os meus sonhos assim, de uma hora para a outra. Então ele foi embora e nunca mais o vi... Não até me deparar com o Peeta idiotamente bonito e irresponsável que conheço agora. Aquele que me trata como se nada houvesse acontecido no passado. Como se aquele verão tivesse sido exatamente o que pensei, uma diversão para ele.
Bateram na porta do quarto. Bateram. Sequei as lágrimas que por ventura escaparam.
- Entra!
A porta se abriu e a luz forte do corredor invadiu o quarto. Somente assim me dei conta de que estava no escuro durante todo esse tempo. Peeta se aproxima usando roupas agora. Tem o cabelo molhado, usa uma blusa de moletom cinza e uma calça escura. Está com uma das mãos no bolso e para ao meu lado um pouco hesitante. A porta está fechada. Voltei novamente para o escuro e ele está comigo. A cortina aberta proporciona uma leve rajada de luz fraca no ambiente. Não o suficiente para que me sinta segura junto a Peeta.
- Uau. Está usando roupas... – ironizo tentando esconder meu tom tristonho. Por um minuto agradeço pelo escuro. Assim Peeta não pode ver nitidamente meu rosto inchado e vermelho.
- Rá. Posso me sentar do teu lado?
- O que você quer hein? – tento virar o rosto quando ele se senta ao meu lado. Um palmo distante está meu ombro do seu – Tiffany já foi embora? – falo o nome dela em tom de brincadeira.
- Ah. Já. Logo depois que você bom... Pegou a cena – senti uma pontada de ressentimento. Mas não vergonha – fico feliz que você não se importe com isso. Comigo e as garotas.
- É claro que não! – minto. Eu me importo! É difícil admitir, mas não consigo ficar mentindo para mim mesma. Odeio quando ele está com garotas e isso dói de uma maneira proibida para mim – quero dizer... É normal não é? Tudo ok.
- Não vou mais ficar no banheiro. Quando elas vierem, fico no quarto. Prometo – somente aceno positivamente. Mordo os lábios.
- Sem problemas. Como foi de viajem? – tento não soar tão rígida. Ser... Compreensiva. Aquele clima está insuportável.
- Bem... Eu consegui o emprego na Empresa de Tio Josh. Começo semana que vem – sinto a empolgação vibrar em sua voz e fico feliz pelo tema relacionamento ter deixado nosso papo. Suspiro aliviada.
- Meus parabéns.
- Eu sei que você julga tudo fácil na minha vida... Mas fique sabendo que não foi. Eu exigi ao meu tio que me submetesse a um teste admissional como qualquer outro funcionário – orgulho. Era o que estava estampado em sua voz gostosa de ser ouvida. Arrisquei um olhar furtivo para ele de canto.
- Uau. Estou... Surpresa. Você foi bem?
- Tudo foi bem...
Silêncio. O sorriso nos lábios dele morreu e senti naquele momento que havia algo na ponta da língua dele pronto para ser dito a mim. Temi por aquilo. Temi pelo que estava por vir. Esse cara ainda me deixa louca.
- Porque você não me ligou de volta Katniss?
- Porque eu deveria ter ligado?
Surpreendi-me com a rapidez com que disparei a resposta. Mas era exatamente o que eu sentia... Queria ligar, mas não via motivos. Para dizer o que? Para manter um laço que não existia?
- Porque eu estava preocupado com você.
- Não precisa se preocupar. Eu já disse. Sou de maior e vacinada, muito obrigado – apertei os olhos diante de minha aspereza, mas é incontrolável. Quando vi... Já falei! Mas sei que é certo. Espero uma resposta mal-educada, uma ironia, mas o que vem me pega de surpresa...
- Eu estava com saudade.
Engulo em seco. Aperto os olhos fortemente. Como suportar isso? Saudade. Ele tem saudade porque gosta da minha companhia... Não porque me ama. Não porque sente algo além disso. Se sentisse por certo não estaria com aquela loira na banheira.
- Você comeu? – minha pergunta o pega de surpresa. Ele alisa a calça nas coxas e pensa.
- Depende do que você está falando.
Não posso evitar. Um sorriso bobo aparece no meu rosto com a piada suja que ele solta. Isso vira uma risada alta e compartilhada por nós dois.
- Estou falando de comida. Sei muito bem que disso ai você está muito bem alimentando.
- Estou mesmo.
Bato meu ombro com o dele querendo ser amigável. Simpática. Não posso ficar com a cara enorme durante tanto tempo. Ele se volta para mim e sorri. Pela primeira vez vejo seus olhos em mim naquela noite. Ficamos sorrindo feio tolos até que me levanto.
- Comeu ou não?
- Não. Na verdade não – dá de ombros enquanto se espreguiça e alonga os braços – estou morto de cansaço e fome.
- Certo. Vou fazer alguma comida para Vossa Majestade.
- Ui. Pensei que você não fosse minha empregada... – saio na frente e ele está a meu encalço. Por sorte descongelei alguns legumes hoje e posso fazer uma salada com eles ou algo assim. Comecei a pegar as panelas da cozinha impecavelmente limpa e Peeta se contentou em ficar parado na porta me olhando caçar os utensílios culinários.
- E não sou. A sua sorte é que eu também estou com fome – pisco para ele colocando meu avental.
- Posso te ajudar?
- Nem pensar!
- Por quê?
- Porque quero minha carne perfeita, não um pedaço de boi mal passado. Sai daqui e vai limpar o fundo da banheira com cândida para tirar todos seus líquidos seminais de lá.
Ficamos implicando com o outro até o jantar sair. Consegui ao menos deixar de lado aquela história e viver o presente. Ser compreensiva com Peeta. Comemos e ele me contou sobre a viajem, falando até das garotas com que ficou. Isso me embrulha o estomago, mas a falta de sentimentos que ele nutra por elas ao pronunciá-las em meio ao assunto me conforta. É nítido que tudo não passou de diversão, como fora comigo. Por um minuto penso em mim deslizando nas palavras de Peeta. Será que ele fala assim para seus amigos sobre aquele verão, como se eu fosse mais uma? Será que ele lembra tudo ou realmente esqueceu? Impossível... Ou fora somente importante para mim? Vou dormir antes dele depois de comer. Deito-me e fico entregue a pensamentos durante um bom tempo, lembrando seu sorriso largo durante o jantar que fizemos no chão, segurando nosso prato um de frente para o outro.
Novamente a porta é aberta. Desta vez do meu quarto, onde estou deitada há um bom tempo. Fico calada, esperando ele dizer algo, com os olhos fechados, fingindo dormir. Não escuto nada além de passos... Então sinto a respiração dele bem próxima. Está ajoelhado ao lado de minha cama! Não me move. Finjo dormir quando sinto sua mão e meu cabelo delicadamente, numa caricia leve. O que ele está fazendo? Grito por dentro, mas me mantenho imóvel por fora. Meu corpo está pegando fogo com a proximidade, estremecendo de nervosismo. Meu coração bate errático. Sinto medo de tremer a ponto de ele perceber que estou acordada, mas perco os sentidos com o que vem depois.
Inesperadamente sinto os lábios dele roçando os meus delicadamente, num gesto doce e inocente.
- Eu só queria ouvir sua voz.
