- Sonho ou realidade? Sonho ou realidade? Sonhou ou...

- Katniss?

Derramei todo o conteúdo do copo de café que descansava no balcão sobre a superfície plana e, graças a Deus, sem papeis. O liquido já frio se espalha pelo mogno branco quando meus olhos encontram os de minha chefe, Madame Donner, um tanto confusos em minha face. Suspiro morrendo de vergonha! Eu estava falando alto não estava? Estava com a cabeça em Peeta e naquele beijo idiota que ele me deu enquanto pensava que eu dormia quando Madame Donner surgiu e me tirou do devaneio. Não foi sonho, sei disso muito bem, porém não consigo encontrar um meio racional de aceitar o que aconteceu sábado à noite.

- Oh, mil perdões Madame. O dia não está sendo muito bom para mim – desculpei-me quando a moça da limpeza chegou com um pano para passar no balcão e outro para o chão. Ela limpava o assoalho enquanto eu removia o café do mogno branco totalmente desconcertada. Só dou bola fora. Tudo isso é culpa de quem? Daquele idiota!

- Eu percebi querida, percebi... Mas tudo bem. Nada é perfeito todos os dias, certo? Eu também tenho meus maus momentos... – sorriu compreensivamente e agradeci por isso. Agradeci por minha patroa ser uma senhora problemática e que também tem problemas com homens. Minha língua começou a coçar com vontade de perguntar se um idiota que se dizia seu "amigo" e que jurava não te suportar já havia a beijado também.

- É. As coisas estão meio confusas para mim ultimamente – entreguei o pano para a moça da faxina, que me encarou por trás de sua franja longa como se eu fosse maluca. Sorri para ela com certa sensatez e ajeitei minha camisa rosa de mangas, a única peça de roupa exigida pela Madame Donner como uniforme. Também tinha aquele crachá com meu nome pendurado sobre meu seio direito, que me deixava com cara de prostituta de vitrine. Tudo bem. Aqui todas nós somos as garotas das flores.

Madame me passou instruções sobre as vendas e me pediu um relatório detalhado dos últimos gastos na semana passada. Como já terminei tudo e até a última troca de estoque estarei sossegada, resolvi descer e ajudar as meninas no balcão. Aqui é engraçado, você ouve besteira dos clientes o dia todo. Por certo não sou perita em vender flores, meu negócio é mais cálculo, porém há plaquinhas em tudo, então posso me virar. Pareceu uma boa ideia, mas realmente me distraio demais. Principalmente por causa daquele idiota.

- Espero que você não pire minha querida. Eu gosto de você – foi a ultima coisa que Madame disse antes de voltar lá para dentro. Eu também gosto dela. Foi à única que confiou em mim.

Joguei-me na cadeira, uma vez que faltavam quinze minutos para meu horário de saída e a loja estava quase vazia. A noite era fria lá fora, algo que deveria estar afastando a clientela a esse horário. Esfreguei a testa com as mãos pensando na saudade que sinto de casa, de minha família. Sinto saudade do cheiro do campo, sinto saudade da grama quente sob meus pés e do céu límpido e azul dos dias quentes. Posso quase sentir o abraço de urso que meu irmão Ben me dá quando me vê, do jeito meigo como Terry gostava de beijar minha testa. A comida boa de minha mãe, a rispidez cômica de meu pai... A grosseria nata de todos aqueles que amo, a qual herdei diretamente. Sinto saudade da vida simples, mas também não quero voltar. Tudo o que eu queria era poder tê-los ainda e não ser considerada morta por lá.

E agora? O que me resta? Um apartamento chique numa cidade chique com um emprego modesto e uma faculdade difícil. E ah... Um cara problemático que me brincou comigo no passado e, ao que parece, está querendo fazer isso de novo. Ótimo. Grande escolha Katniss...

- Boa noite moça. Será que você poderia me informar o preço de um buquê de orquídeas?

Ergo os olhos repentinamente detrás do balcão quando escuto aquela voz. Ah não. Ele! Peeta está parado com os braços apoiados no mogno branco e aquela cara tosca atrás de um óculos escuro grande. Seu cabelo está úmido pela garoa, ele usa um casaco preto e longo. Posso ver sua blusa marrom de gola alta por baixo e seu jeans escuro. E está cheiroso... Eu coro diante de seu olhar. Nós não falamos nada sobre aquele beijo. Talvez ele nem saiba que eu sei, mas é impossível negar desde que acordei na manhã de domingo com a desculpa de que precisava vir trabalhar para pegar hora extra. A loja abre de domingo, mas não está no meu contrato administrativo vir neste dia. Quando cheguei aqui fui dada como louca e trabalhei no balcão por todo dia, até o ultimo momento. Tudo o que menos queria era ficar em casa o dia todo com Peeta e seu beijo secreto.

- O que está fazendo aqui? – questionei rispidamente.

- Comprando flores, ora essa – deu de ombros de maneira graciosa.

- Você não me engana queridinho. Se quer me encher o saco perdeu a oportunidade. Estou indo embora em cinco minutos! – me apoiei no balcão também e fiquei perto dele, que me encarava com um sorriso. Tirou os óculos e vi seus olhos azuis felizes.

- Eu sei. É por isso mesmo que estou aqui. Vim te buscar para passarmos bons momentos. Fiz uma reserva num restaurante legal para quatro pessoas e você está incluída no topo da lista de convidados – demoro um tempinho para absorver suas palavras.

Bons momentos? Restaurante? Quatro pessoas?

- Sai dessa! Tudo o que eu quero é dormir... Acabei de passar um dia cheio.

- Dia cheio? Katniss, ontem você chegou as sete e se trancou no quarto para dormir! Qual é! Nós nem conversamos... Estou começando a achar que a senhorita está me evitando!

Acertou em cheio! Sim, estou evitando nossos encontros. Estou evitando ao máximo ficar perto de você porque tenho medo do que pode acontecer se eu deixar meus sentimentos tomarem conta. Está bom assim? Engulo a respiração e tento ser racional. Devo dizer não e estou pronta para fazer isso quando Michelle aparece ao meu lado segurando minha jaqueta de couro preta com um sorriso cortando sua face de modelo. Ah não... Ela não!

- Estou pronta! Olá Pepe. Que bom te ver! – ela morde os lábios descaradamente e Peeta sorri para ela largamente. Quase vomito. Pego minha jaqueta começando a entender tudo. Ela também vai! Quem será a quarta pessoa?

Pepe? Céus!

- Olá Michelle. Bom, já que estamos todos aqui, é melhor iremos. Não quero perder a reserva – ele abre passagem e Michelle passa correndo e vai até a calçada enquanto ainda coloco minha jaqueta. Não tenho coragem de dizer não agora e deixar Peeta sozinho com essa atriz pornô. Eu realmente deveria, mas não consigo. Ajeito a jaqueta nos ombros e, quando a vejo longe o suficiente saltitando ao redor do carrão de Peeta, digo:

- Pepe? Essa foi à coisa mais idiota que eu já ouvi! – reclamei. Ele se diverte com minha cara de brava e passo os braços por meus ombros.

- Vamos. Vai ser divertido! – tiro o braço dele de meu ombro.

- Porque você a chamou? – minha voz soa ríspida.

- Porque pensei que ela fosse sua
amiga... – realmente parece convincente. Reviro os olhos – você não gosta dela? Mas vocês trabalham juntas e...

- Não. Eu não gosto dela! – isso pareceu deixa-lo satisfeito. Por quê? Droga. Ele está se achando! Paro do lado do carro com os braços cruzados sobre os seios. Está garoando fracamente, Michelle está louca para entrar no carro e preservar a chapinha. O desespero e futilidade dela me faz rir... Então noto que ela está usando um vestido vermelho e muito bonito, enquanto eu estou de jeans que levanta o bumbum e camiseta de trabalho, sem contar a jaqueta de couro que não combina em nada com o visual simplório. A cara praticamente sem maquiagem, apenas lápis de olhos. Meu cabelo? O pobre está preso desde as sete. Retiro o prendedor e deixo o cabelo cair ao redor do rosto tentando amenizar um pouco a situação. Ajeito-o como dá e entro no carro quando Peeta abre a porta com um sorriso torto – obrigado.

O restaurante é agradavelmente acolhedor e de uma paisagem muito bonita, sendo localizado numa área privilegiada na cidade. As pessoas que frequentam ali parecem ser da alta sociedade, em maioria, adultos entre vinte e trinta anos. Em cima, atrás de um vidro que talvez seja a prova de sons, existe o que parece ser uma pista de dança. Posso ver luzes coloridas girando lá encima e pessoas se movendo. Isso parece ser legal. Nunca fui a uma festa desse tipo em toda minha vida e começo a pensar que ter sido arrastada até aqui posse ter sido uma boa para mim. Peeta nos guia através do restaurante até uma mesa próxima a janela, onde a vista é a mais bela de todas.

- Eu não tenho dinheiro para pagar esse restaurante – comento com ele quando Michelle chega à mesa antes de nós. O paro com o braço para que possa me ouvir.

- Eu estou te convidando, portanto, irei pagar a conta. Relaxa Katniss, relaxa! – faço um bico de descontentamento, porém o mesmo some quando vejo Will sentado à mesa onde Michelle se acomoda. Will! Aquele cara que foi passear comigo no parque, o suposto primo de Michelle...

Peeta e eu ainda estamos parados um pouco longe. Ele avalia minha face desconcertada quando noto a presença de Will e espera uma reação. Simplesmente o encaro com total descontentamento e suspiro pesadamente apoiando a mão na testa.

- Porque você o convidou? – questiono com lágrimas nos olhos. Isso parece um encontro de casais e a minha TPM não está ajudando! Peeta me encara um pouco apavorado por meu estado de carência.

- Porque ele é amigo da Michelle – nossos olhos se encontram e me dou conta do que significa aquela frase. Deixa-me em dúvida agora sobre quem é o casal chave da situação... Ele e Michelle ou... Ele e eu? Somente fico mais irritada. Mas confusa. Com mais vontade de berrar.

- Olha a minha cara! Olha a minha roupa! Estou parecendo uma mendiga e você me trás para esse lugar chique... Eu sou pobre! Não como com mil talheres e... – Peeta seca uma lágrima de minha bochecha, algo que contribui para me calar. Fico quieta no exato momento em que seu dedo toca minha face com delicadeza. O jeito como ele tocou em mim falou mais do que mil palavras. Me fez se sentir estranhamente segura e tranquila.

- Sua cara está ótima. Sua roupa também – admite abaixando a mão. Fico parada, somente ouvindo, sem ser capaz de deixar mais lágrimas caírem. Eu tenho medo do que seu toque me faz sentir. Acho-me a coisa mais estranha do mundo quando nos tocamos – você sempre está linda, mesmo que não queira. Qual é o problema Katniss? Vamos somente se divertir.

O que me faz pensar não é ele ter me chamado de linda, mas o fato de saber que foi sincero. Que não foi apenas para aplacar minha TPM. Concordo com um aceno derrotado e ele me guia pelos ombros através do espaço. Paramos em frente à mesa, ele me puxa uma cadeira e Michelle assiste tudo um pouco ciumenta. Nem ligo, apenas me acomodo.

- Kat. Linda como sempre – diz William, vestido em uma bela camisa escura gola V e um casaco creme. Seu cabelo escuro está penteado para trás, destacando seus olhos verdes naquele rosto bonito. Ele é sim mais bonito do que Peeta, mas não faz sentido para mim. É como se meus olhos pudessem ver beleza apenas no rosto de um... Naquele rosto pálido, naquela pele absurdamente branca, nos olhos divertidos e em seus cabelos loiros disciplinados. Abro um sorriso para Will.

- Não mais do que você.

Peeta me espia de ladinho e abre o cardápio. Eles começam a falar sobre comida e realmente não compreendo. Descubro, em meio a isso, que minha querida Michelle vem de uma família bilionária que faliu quando ela era bebê, e desde então todos passaram a ter que se adaptar a uma vida simples. William, por sua vez, sempre foi de classe média, mas seu pai tem um restaurante e ele sabe mais ou menos sobre os pratos daqui. Escolho algo que tenha frango, o mais próximo do cotidiano que tem ali naquele monte de baboseiras. Fico quieta na maior parte do tempo, até Will desviar a atenção para mim.

- Então Kat, quando vamos passar um final de semana agradável juntos novamente? – e cruza os dedos embaixo do queixo. Paraliso e olho para ele, que está bem a minha frente. Seus olhos verdes estão esperançosos, ao contrário dos olhos de Peeta, que me encaram de lado com certa confusão.

- Espero que em breve. Foi realmente muito agradável – não estou mentindo, porém usei uma entonação interessada demais para responder.

- Hum... Estou vendo que as coisas entre vocês estão interessantes... – é claro que ela tinha que comentar! – não acha o mesmo Peeta?

- Interessantes demais – sua voz é gelada e totalmente distante.

Os pratos são servidos e até que posso engolir aquilo. O melhor de tudo é o vinho. Já bebi umas quatro taças quando desisto de comer, deixando o prato na metade. Não aguento mais fugir do olhar gelado e questionador de Peeta quando o garçom aparece e diz que podemos usufruir da festa lá encima. Pelo que entendi, é o aniversário de um cliente especial e ele permitiu incorporar os convidados mais jovens a comemoração. Entendo o porquê, uma vez que no salão o restaurante é praticamente vazio. Aceito sem pensar e William se candidata no mesmo momento para subir comigo.

- Espera... – Peeta segura meu pulso quando estou saindo, após ter enchido mais uma taça com vinho e estar meio tonta – você não acha que bebeu demais?

- Não. Está tudo bem – minto. Tudo está rodando. Eu quero dançar!

- Katniss, é melhor não.

- Eu quero subir!

Puxo minha mão e ignoro seus olhos gelados. Pego na mão de Will desinteressadamente e saio puxando-o pelo salão escada acima. Posso ver o sorriso vitorioso de Michelle quando fica sozinha na mesa com meu amor de infância. Incorporo-me a multidão de pessoas quando chego lá. Para falar a verdade, está bem cheio, mas as pessoas somente dançam e bebem. Estão todos usando perucas e luzinhas, pulseiras coloridas e óculos grandes em meio à pista, onde toca uma música recente da Lady Gaga. Pego uma peruca laranja de cabelo longo e um cachecol colorido. Também ganho um óculos. Em segundos estou irreconhecível com aquele disfarce e quase choro quando percebo que tem um caraoquê, mas ninguém quer cantar.

Sento-me ao fundo quando um homem se dispõe a cantar uma canção e quase me afogo nas próprias lágrimas quando a musica começa a desenrolar.

Let me raise you me be your love.

Deixe-me levantar-te. Deixe-me ser seu amor.

Eu gosto de Peeta. Sou apaixonada por ele desde criança e isso é impossível ser negado. Se não fosse, porque motivo lembraria o rosto idiota dele cada vez que uma nota dessa bela música ressoa? Porque motivo eu podia ver perfeitamente em minha mente agora o dia em que ele me cantou uma música apaixonante? Porque motivo eu iria querer descer lá e dar na cara daquela idiota por causa dele? Porque motivo eu não posso viver em paz com ele sob o mesmo teto? Porque eu o amo... E sempre amei.

Isso é tão forte e soa tão errado que me quebra aos poucos por dentro, mas me sinto, em parte, feliz e aliviada por ter admitido para mim mesma, um grande passo nesse momento. Não é o que quero. Não ficar mentindo e negando meus verdadeiros sentimentos. Isso apenas iria me sufocar e me matar de desgosto... Destroçar-me como acontece quando vejo Peeta e qualquer outra garota. Seja Michelle ou a loira da banheira, minha única vontade e bater nos dois até falar chega, apagá-los do mapa para esquecer a imagem que se forma em minha mente. Contorço os dedos contra a taça em minhas mãos. O calor da bebida faz girar meu estomago e minha cabeça voar de maneira agradável. Sinto-me capaz de tudo agora, apesar de minha parte racionar gritar a única coisa que jamais poderei deixar de lado...

Peeta e eu somos muito diferentes.

Desde a maneira de agir até a de pensar. Ele nasceu no Castelo e eu no celeiro. Ele tem tudo e eu não tenho nada... Ele é um idiota que de jeito nenhum serve para mim, apesar de meu coração clamar seu nome com uma voz implacável que me possui. Tem que ser assim. Não gosto de pensar em amor, porém sempre acreditei que cada um nasce predestinado ao amor de sua vida, e tenho certeza que Peeta e eu não fomos predestinados. De jeito nenhum!

Confesse o seu segredo.

É o titulo da festa de hoje. O aniversariante está no palco falando um monte de coisa, mas nem isso me impede de subir lá também. Abro caminho entre as pessoas aglomeradas ao redor do pequeno palco vermelho. Já perdi Will de vista há muito tempo e realmente não me importo. Chego à superfície do palco e tropeço, caindo encima do cara alto que discursa. É um homem de pele escuríssima, cabelo raspado e que usa terno e tem cavanhaque. Parece ser algum cara importante. Ele me ampara quando praticamente caio e levo nós dois, mas em seguida me coloco de pé novamente. A bebida subiu a minha cabeça e já vejo tudo borrado, mas eu quero contar meus segredos. Arranco o microfone na mão grande dele e trago para perto da boca. Um de meus braços está sobre os ombros altos do homem, como se fossemos amigos de longa data. Não sei onde foi parar a taça quando começo a falar...

- Oi gente! – falo empolgada, com a voz derrotada, porém empolgada, e todos me olham com certa surpresa, alguns me aplaudem e esperam ansiosos por minhas sábias palavras de bêbada – já que é para contar os segredos, eu também quero dividir os meus... Eu meio que preciso disso... – muitos me aplaudem e o cara ao meu lado sorri, incentivando-me – bom... Não sei como começar, na realidade não sei o que estou fazendo aqui! Somente vim nesse restaurante hoje porque um cara absurdamente idiota pelo qual estou apaixonada me fez vir com a desculpa de que seria legal. Para falar a verdade, estou começando a achar que isso tudo fazia parte de um jogo. Que a única coisa que ele queria era ver como eu me comportaria ao lado de outro cara que ele sabe gostar de mim. Se for isso o plano dele dançou... Porque o único sentimento que me preenche agora é o ódio! Ele não só brincou comigo uma vez, mas está fazendo de novo. Me fez se apaixonar por ele quando eu mal havia completado catorze anos e depois me largou por causa de uma aposta... Acabou com meus sonhos, deteriorou minhas ilusões e agora... Fica se esfregando em uma vadia de quinta só para me mostrar o quão bom ele é. Fica metido na minha casa, me obrigando a dividir uma vida com ele, só para mostrar o quão grande são meus sentimentos... Porque por mais que eu tente esquecer tudo, de todos os pedidos que eu fiz naquele verão ao lado dele, eu ainda o amo. E infelizmente sempre irei amar.

O silêncio é acolhedor, porém assustador. Os braços do homem ao meu lado me soltam e me sinto bamba, sinto o chão faltando e a vista ficando turva. Irei mergulhar em meio à multidão e dar de cara no chão antes de desmaiar... Não antes de enxergar em meio a todos os presentes um par de olhos azuis que me assistiam nitidamente surpresos e assustados. Um par de olhos azuis que correram em minha direção quando várias mãos da plateia se ergueram para me segurar.

Contei meus segredos. Mergulhei nessa de cabeça e agora terei que aguentar. E a única certeza que tenho é a de que ele me ouviu.