- Gosto de você Katniss, por isso estou te falando isso... Não é porque te odeio, porque quero que o namoro de vocês dois acabe... Mas porque sei que tudo foi uma aposta que Peeta fez com Gale. Sei que isso foi uma brincadeira envolvendo você e acho errado continuarem se divertindo as suas custas. Realmente... Você não merece nem em um milhão de anos uma sujeira dessas.

Não quero acreditar nas palavras de Savannah, mas sei que ela jamais mentiria para mim. Somos amigas, ela é muito boa para mentir em vão. O que mais me dói é saber que tanto Peeta quanto Gela seriam capazes de fazer uma coisa assim. Gale porque odeia Peeta e iria querer me ver queimada com ele. Essa tal aposta é motivo suficiente para mim nunca mais querer por os olhos naquele riquinho idiota. E Peeta... Porque é um desgraçado. Sempre foi. Eu sempre soube. Somente me enganei. Vi o que queria ver.

- Mas... Como você sabe disso Savannah? Como pode provar e... – aperto em punhos as mãos ao lado do corpo. As lágrimas perigam cair, mas contenho-as ao máximo. Não vou fraquejar. Não posso agora!

- Ashley e eu ouvimos quando Peeta e Gale conversavam no celeiro sobre a aposta. Já sei disso desde o começo, Katniss, apenas não te contei porque acreditava que você e Peeta jamais iriam ter alguma coisa – seus olhos são tristes e me pedem desculpa a cada momento. Nem parece que já faz uma hora que estamos conversando em baixo dessa árvore, afastadas de todos. Foi realmente estranho Savannah querer passear comigo tão longe antes do anoitecer.

- Como você descobriu sobre nós? – tenho vergonha de cada palavra que falo ou escuto, me sinto um lixo, mas preciso saber dos detalhes. De cada palavra suja de Gale e Peeta.

- Vocês mantiveram o relacionamento em segredo, mas era nítida a forma diferente como estavam agindo. Tive certeza quando Ashley me contou que viu vocês se beijando no lago – abaixo o olhar quando uma lágrima cai – ah meu Deus, me perdoe Katniss! Perdoe-me por ter dito tudo, mas... Não posso deixar isso continuar sem que você saiba!

Ela também está chorando e isso aumenta minha certeza de que Savannah jamais mentiria para mim. Seco a lágrima em minha bochecha duramente. Sinto uma parede crescendo ao redor de meu frágil coração.

- Eu... Não sei o que dizer... Eu... – Savannah coloca uma mão sobre meu ombro.

- Juro que não queria dizer. Ashley foi fraca demais, teve medo de te contar – não consigo olhar para ela. Não consigo acreditar que tudo o que vivi com Peeta nesse verão fora uma... Maldita aposta! Para piorar, entre ele e meu melhor amigo! – Katniss, meu irmão é um idiota. Ele não te merece!

- Uau... Estou atrapalhando alguma coisa?

Afasto de minha mente a cena mais marcante que tenho de Savannah Mellark. À tarde onde tudo acabou para mim... À tarde onde fiquei sabendo que Peeta era a pior espécie de homem que existia. Caio na real, no hoje, no agora, onde estou enrolada em uma toalha e Peeta sem camisa atrás de mim na frente dela. Exatamente da pessoa que me alertara o quão idiota esse cara poderia ser.

- Savannah? Não... Tudo certo, nós... – tento falar, mas as palavras simplesmente me faltam.

- Entra logo Savannah, para de ser chata! – diz Peeta se aproximando, me empurrando para o lado delicadamente e abrindo passagem para ela, que sorri ao adentrar ao apartamento.

- Estou impressionada! Então... Vocês dois...

Peeta fecha a porta com tudo e para atrás dela depois de passar o trinco. Fico do lado dele, encarando Savannah parada em meio à sala. É obvio que está pensando que temos um caso. É obvio que tudo isso é doentio a ponto de ser ridículo! Ela nos encara com os olhos azuis cautelosos, porém satisfeitos.

- Não, nós dois nada! – explico com a mandíbula destravada, finalmente – nós dois não existe!

- Mas... – sorri um pouco – gente... Qual é! Olhe para vocês! - olho para Peeta e ele faz o mesmo, me encara em seguida. Ele sem camisa. Eu de toalha, nua. Engulo a respiração – é obvio que estavam em um momento de intimidade e atrapalhei tudo!

- Não Savannah, não é nada disso! – tento dizer.

- É claro que é! Nós estamos juntos Savannah, diga oi para sua cunhadinha... – ironiza Peeta. Olho para ele em total choque por seu tom bruto - nós somente moramos aqui juntos. Somente isso.

Savannah perde o sorriso e ajeita a bolsa no ombro. Coro com o tom rígido de Peeta, mas parece que a postura dele a convenceu. Savannah cruza os braços em frente ao peito.

- Moram juntos é? – fala livre de pretensões.

- Sim, infelizmente – dou de ombros. Estou acuada, praticamente não me reconheço. Talvez por ser Savannah, não qualquer pessoa. Talvez porque essa garota conheça bem demais nossa história para presenciar um momento desses entre nós.

- Olha... Katniss... Vai tomar seu banho e colocar uma roupa enquanto explico as coisas para Savannah – sugere como se quisesse me retirar da sala às pressas. Nem penso em negar sua vontade. Estou louca para sair desse meio pesado que nos envolvemos – eu e minha irmã temos muita coisa para conversar.

- Exatamente. Muita coisa! – diz ela se sentando no sofá com uma postura elegante e impecável. Parece trazer novidades não tão boas... Novidades estas que Peeta não quer que eu ouça. Hum...

- Ok. Vou tomar banho e já volto para conversarmos Savannah. Faz muito tempo que não te vejo, é sempre legar te reencontrar – ela sorri para mim com ternura. Assente positivamente.

- Claro que sim Katniss. Pode ir com calma que estou sem pressa – e pisca para mim.

- Certo. Com licença.

Lanço um olhar furtivo para Peeta antes de deixar a sala e recebo de volta uma piscadinha. Idiota. Adentro ao quarto do meio depois de pegar minhas roupas no banheiro dos fundos e, apenas quando fecho a porta, a voz deles ecoa pelo apartamento. Não consigo ouvir tudo nitidamente, porém faço o maior esforço! Noto que ao me aproximar da janela as coisas ficam mais claras.

- Fiz um esforço danado para te encontrar! Porque veio para tão longe? – diz Savannah em tom ríspido.

- Porque era o único lugar onde papai não pensaria em me procurar. O único lugar onde posso ficar longe de toda a loucura que aconteceu comigo nos últimos tempos... – responde um Peeta sem muito animo.

- Bem que mamãe disse que você é um covarde! Eles estão certos em ter te deserdado... É o mínimo que você merece depois de ter feito o que fez!

- Qual é Savannah! Pensei que você e Ashley não fossem se meter nesse assunto! E se veio aqui para ficar me jogando na cara tudo o que fiz é melhor ir embora! Não estou fugindo, se é o que acha... Já fui deserdado, minha herança já foi para quem deveria ir, agora a situação está toda resolvida! – uau. Está bravo.

- Resolvida? Acha que está tudo resolvido com dinheiro? Acha que é só isso que importa? Você é um babaca Peeta... Um babaca!

- Sei disso também. Mais alguma coisa? – foi irônico agora.

- Sim! Sei muito bem que você não está fugindo... Sei que se está aqui não é para ficar longe de papai ou do que você fez, mas sim para ficar bem perto de Katniss!

- O que? Do que está falando Savannah?

- Agora que a vi aqui com você tudo ficou muito claro para mim... – fala mais baixo. Preciso fazer esforço para ouvir tudo – a mamãe sabia que Katniss iria vir morar aqui porque a mãe dela ligou em casa e desabafou. Você se ligou para onde ela iria e veio correndo para cá, em busca de ficar do lado dela. Assume irmãozinho. Eu sei muito bem qual é a sua...

- E se fora Savannah? – responde na lata, sem demora, enquanto ainda estou impressionada com o fato de minha mãe ter contado a mãe de Peeta sobre minha saída de casa – qual é o problema?

- Problema nenhum. Fico feliz que estejam juntos.

- Nós não estamos juntos...

- Não? E o que acabei de ver?

- Foi só um problema com o chuveiro. Eu jamais relaria um dedo nela, você sabe...

- E porque não? Não me diga que mudou com o que houve em Londres? Agora é um homem de respeito por acaso?

- Não. Eu jamais encostaria um dedo em Katniss porque já a machuquei muito. Porque alguém disse coisas que ela nunca deveria ter escutado sobre mim... Porque alguém quis abrir os olhos dela e tudo o que fez foi tirar de mim minha única chance de ser feliz. Ou será que você já se esqueceu disso?

Deixo alguma coisa cair e faço bastante barulho. Tremendo, tapo a boca com uma das mãos e me viro para ver o que foi. A voz de ambos para na sala, sinal de que me ouviram. Droga! Um enfeite está no chão e rapidamente o levanto, ajeitando no lugar correto. Corro para o banheiro com minhas coisas e travo a porta, para em seguida ouvir claramente o momento em que a porta do quarto foi aberta. Ligo a torneira quando escuto uma batida leve na porta do banheiro.

- O que? – grito fingindo estar tranquila.

- Está tudo bem ai? – diz um Peeta preocupado.

- Aham... – berro – vá embora!

- Ok. Desculpa.

Escoro-me na banheira quando ele sai, me afundando e relaxando. A água quente me faz bem... Faz-me se acalmar, mas não esquecer o que aconteceu. Tudo o que ouvi. Céus! O que Peeta fez de tão grave? O que tudo aquilo significa? Savannah foi sempre tão complacente com o irmão mais novo, sempre tão compreensiva e defensora... Para ela e Ashley estarem contra ele à coisa deve ser sido mesmo pesada! O problema é que nada do que foi dito naquela sala faz sentido para mim.

Para quem foi à herança dele?

Porque Peeta queria fugir do pai?

Porque Savannah jura que ele veio ficar... Comigo?

Ao final da conversa, estaria Peeta jogando na cara de Savannah que fora ela a causadora de nosso rompimento?

Isso é injusto! Ele acabou com tudo, não ela!

Lavo-me demoradamente. Trabalho em meu cabelo uns bons minutos, usando o banho como desculpa para não regressar aquela sala. Mas terei que ir... Eu mesma disse para Savannah que queria conversar. Coloquei-me nessa situação e devo encarar as coisas seguramente. Deixar de ser uma idiota. Afinal... A pior conversa que tive com Savannah já passou há muito tempo. Nada pode ser pior do que aquilo. Nada! Coloco um short e uma blusa de alças. Saio do quarto com o cabelo pingando e a pele cheirando creme de morango. A coisa mais enjoativa que já cheirei, diga-se de passagem. Enquanto vou até a sala, cheiro-me com raiva do creme que impregnou minha pele.

- Creme idiota... Porque comprei essa porcaria fedorenta? – murmuro ao notar que ambos estão conversando na sacada. Talvez porque lá seja um lugar mais reservado, onde com certeza eu não poderia ouvi-los.

- O que foi? Alergia? – questiona Savannah deitada em uma das espreguiçadeiras cor de laranja. Peeta está calado ao lado dela, sentado de frente na outra espreguiçadeira. Não me resta opção a não ser sentar do lado dele. Faço isso sem hesitar, ficando a um palmo de distancia de seu braço.

- Não... Comprei um creme idiota e fedorento. Agora não tem como tirar esse cheiro até a boa vontade de minha pele. Credo – reclamo. Savannah sorri para mim. Seu sorriso é familiar e acolhedor.

- Katniss... Katniss... Nunca mude garota. Eu te adoro! – me dá um tapinha no joelho. Retribuo o sorriso, porém o mesmo logo some quando sinto o rosto de Peeta próximo a minha nuca. Paraliso. Não sei se recuo, se lhe meto um tapa na cara... Apenas fico quieta.

- Hum... Cheira morangos.

Oh! Ele estava mesmo me cheirando? Engulo a respiração e simulo que isso não me afeta. Simulo muito mal, diga-se de passagem, uma vez que Savannah nos encara com os olhinhos brilhantes de expectativa. Peeta e eu mantemos o canto visual quando nosso olhar se cruza. Ele todo bobo e eu nervosa por seu comportamento na frente de Savannah.

- Eu odeio morangos! – sou incapaz de desviar o olhar dele.

- Eu adoro morangos... – dá de ombros graciosamente e sorri.

- Ok... – sussurro e me viro para Savannah, que acabou de rir bem alto. Está achando graça de nós? – e como vai o seu filho Savannah? Deve ser um homenzinho! – é a primeira coisa que me vêm à cabeça para desviar esse assunto bobo.

- Oh sim. Christopher já é um homenzinho, fará dez anos... Aliás, será uma grande festa, você está convidada Katniss. Você não – ela aponta para o irmão, que revira os olhos – brincadeira! Você sim! Christopher nunca me perdoaria se seu amado padrinho não estivesse em seu aniversário de dez anos.

- Você é padrinho dele? – cutuco Peeta nas costelas. Ele dá de ombros – Uau. Que péssima escolha Savannah...

- Eu sei querida, mas meus dois irmãos são os únicos que eu confiaria para apadrinharem meu filho. Se bem que Chris tem dois padrinhos, uma vez que Ashley... Bom... Você sabe – concordo com um aceno e pisco, dando a entender que compreendo. Peeta me abraça pelos ombros despreocupadamente. Isso me irrita, mas sei que se começar a bater boca com ele por causa disso nossa discussão vai dar o que falar na frente de Savannah. O que menos quero aqui é um show a mais – porém ela é ótima! Vai ver o menino todo mês e sempre está lá quando ele precisa. Ao contrário de certa pessoa... – a indireta para Peeta é nítida.

- Ah... Qual é Savannah! – parece entediado – você sabe que sempre fui muito chegado ao menino. Só parei de ir visita-lo quando vim morar aqui. Você sabe... Não quero ficar indo para Londres. O que menos desejo é dar de cara com o papai.

- O papai não tem nada a ver com você e Christopher.

- Ela tem razão... – comento baixinho para ele.

- Ah não... Você também vai defender ela? – choraminga Peeta me olhando de cima. Dou de ombros e mordo os lábios – Ok. Não posso fazer nada! Ele terá que me desculpar pela festa, porque também não irei.

- O que? – tiro o braço dele de meu ombro – como assim não vai?

- Como assim não vai? – repete a irmã dele – Christopher nunca vai te perdoar, Peeta, nem eu! Escuta, é aniversário dele, ele te ama muito... Quero fingir que não ouvi o que acabou de ser dito aqui! – os olhos dela pegam fogo em direção a Peeta.

- Savannah... O papai...

- Katniss vai te convencer. Não vai querida? – eu, quieta em meu canto, sou obrigada a sair do anonimato e me manifestar. O olhar suplicante de Savannah me quebra as pernas diante da insistência de Peeta. Sei que posso chantageá-lo e leva-lo a festinha do garoto, algo me diz que será muito fácil... Porque eu? Penso em Dylan, meu sobrinho. Eu o amo muito e ele também ficaria chateado se eu faltasse em seu aniversário.

- Ela não pode – Peeta desvia o olhar para o chão.

- Acho que sim, eu posso – encaro-o, mas seu olhar não é meu neste momento, mas sim da vista bonita para o parque.

- Ok. Sim. Você pode... Mas porque faria isso? – agora ele me olha. Engulo em seco diante daquele olhar. Meu estomago retrai-se e sinto falta de ficar sozinha com meus pensamentos. É como se Peeta pudesse me controlar apenas com aquele olhar acusatório.

- Vou encontrar um bom motivo.

É o que digo antes de Savannah receber uma ligação e ter que ir embora. Como veio de táxi, Peeta se prontificou em leva-la de volta ao hotel para depois dar uma carona ao aeroporto. Seja lá o que for que Savannah tenha vindo aclarar com Peeta já está resolvido. Prefiro ficar sozinha em casa e fazer o almoço... Apenas ai me dou conta que faltei ao emprego e ligo para Madame Donner em buscar de dar uma explicação. Felizmente, Michelle explicou para ela que passei mal na boate e estou perdoada porque trabalhei no sábado... Livre de todo esse problema, mas infeliz por ter perdido o dia na floricultura, resolvi checar minha documentação da faculdade enquanto o ensopado fica pronto. Quase caio para trás quando me dou conta que meu primeiro dia de aula é... Hoje.

Babaca,

Minhas aulas começam hoje. Esqueci-me completamente! Não estranhe minha ausência... Concerte o chuveiro! Se ficar com fome tem ensopado na geladeira. Até mais tarde,

K.

Simplesmente cheguei à faculdade e peguei o horário. Sai correndo pelos corredores em direção a minha sala de aula, exasperada para reparar o erro de esquecer que exatamente hoje minha vida de estudante recomeçaria. Acomodei-me no auditório ao lado de uma garota ruiva e gordinha, que assistia atentamente as explicações do professor de meia-idade. Era algo sobre geometria, logo me interessei. Peguei todas as anotações com a garota, que se chamava Judy, e até o final da aula trocamos número de telefones. Ela se voluntariou para comer algo comigo no intervalo da aula e aceitei sua companhia... Nosso lanche na cantina principal fora agradável, a conversa entre nós fluía fácil, então acabei falando sobre... Ele.

- Uau! Mas me conta... Como é estar apaixonada por um cara que você deveria odiar? – questionou totalmente excitada com minha narrativa cheia de adulações. Daria um bom livro ou filme tudo o que já passei com Peeta e ainda estou passando. Suspiro e pego minha coca, dando um gole longo no canudo e olhando para as sardas das bochechas dela.

- Não estou apaixonada por Peeta... – finjo desinteresse dando de ombros. Uma coisa é admitir isso para mim mesma, outra é admitir para os demais. Judy parece não acreditar muito.

- Não? Ok... Mas obviamente sente algo por ele. O que é? – tomo mais um gole da coca e penso.

- É Katniss... O que é que você sente por ele?

A voz ecoa acima de minha cabeça. Rapidamente ergo os olhos para Judy, que encara a pessoa parada atrás de mim com certa surpresa nos olhos escuros. Já sei quem é, obviamente, não preciso de uma dica. Essa voz... Eu reconheceria até no lugar mais sombrio do universo. Quase me engasgo com a Coca quando giro meu banco, no qual estou acomodada de frente para o balcão, e encaro aqueles esmagadores olhos azuis vibrantes. Peeta usa uma blusa escura, de mangas cumpridas, gola alta e colada ao peito. Está de jeans, o cabelo penteado e arrumadinho como sempre. Aquele amaldiçoado colar está pendurado em seu pescoço, evidente em seu peito.

- O que está fazendo aqui? – questiono tremula por dentro, mas aparentando tranquilidade.

- O que acha que estou fazendo aqui? – estreita o olhar e vejo que algo está errado.

- Não sei... Eu deveria saber? – volto-me para Judy, calada e tentando desvendar essa conversa, e faço as devidas apresentações – Judy, essa é Peeta. Peeta, essa é Judy.

- É um prazer – cumprimenta Peeta educadamente. Judy cora sob seu olhar e se despede de mim com segundas intenções, querendo me deixar sozinha com ele – finalmente arrumou uma amiga que preste... Ela parece ser legal – comenta quando se acomoda no banquinho em que ela estava.

- Sim, ela é. Ou vai me dizer que também está interessado nela? – coloco o copo sobre o balcão e evito olhar para ele. Fico mexendo no gelo dentro do copo com o canudo.

- Não. Com garotas boas eu não mexo... É claro que existem as exceções – suspiro. Babaca.

- Porque fica nesse joguinho de indiretas? Esquece Peeta. Comigo não funciona... – largo a Coca e olho para ele, que em seguida puxa meu copo e coloca entre os lábios o canudo. Toma sem preocupações.

- Savannah ficou muito feliz em te ver. Adorou saber que estamos morando juntos – comenta despreocupadamente.

- Também adoro sua irmã – puxo meu copo da mão dele.

- E eu? Você me adora? – exibe um sorriso falso. Reviro os olhos.

- O que está fazendo aqui? – insisto.

- Vim te dizer obrigado.

- Ah é? Pelo que? Não podia ter me esperado chegar em casa? – tento soar impressionada.

- Você estava demorando muito...

- Kat? - viro-me rapidamente. Ali está Will, em toda sua beleza, carregando uma pasta e vestido de branco.

- Will! – comemoro sua presença propositalmente, vendo a avaliação minuciosa que Peeta faz do novo membro de nossa conversa – Uau. Você está demais! O que faz aqui?

- Vim para uma palestra. Vão oferecer cursos de outras áreas aqui na faculdade e tem algo que me interessou um pouco... É seu primeiro dia? E ai Peeta? – se aproxima e me dá um beijo na bochecha, apertando a mão de Peeta em seguida.

- Sim. Meu primeiro dia... E sabe de uma coisa? Está na minha hora! – desço do banco e deixo a coca lá, praticamente pela metade – me acompanha até a sala? – digo a Will, que me oferece o braço. Peeta nada diz, apenas assiste a cena calado.

- Claro. Até mais Peeta!

Troco um olhar silencioso com Peeta, aquele com pinta de vitória por deixa-lo ali no vácuo. Porém, o que recebo me parte no meio. Ele simplesmente fica de pé e pega a coca.

- Obrigado por ter me aberto os olhos hoje. Obrigado por me aproximar de minha família e não me deixar decepcionar um garotinho muito importante.

Então me dá as costas e some em meio aos estudantes. Minhas pernas só me movem quando Will me puxa e sou obrigada a caminhar. Ele fala, mas nada penetra em meus ouvidos. Apenas escuto as palavras simplórias e humildes de Peeta ecoando no fundo de minha mente. Palavras de agradecimento a mim totalmente sinceras. Droga. Porque sempre faço as coisas erradas? Ele veio aqui só para me agradecer e eu... Nada da aula penetra em minha mente. Sou obrigada a contar no relógio os segundos para chegar em casa.

Will me leva em casa em seu carro, mesmo que eu tenha negado a carona. Não dou importância, apenas subo pelo elevador com ânsia de reencontrar Peeta. Quero pedir desculpas e ser legal. Quero fazer uma comida gostosa para nós e falar um pouco sobre meu primeiro dia... Quero pedir a ele que me conte sobre seu sobrinho, talvez convencê-lo a se abrir comigo. Finalmente minha mente está livre de reprovações, afinal, ele disse claramente a Savannah que eu era sua única chance de ser feliz. Posso considerar isso um avanço contra o regresso de todos esses anos? Posso perdoar?

Abro a porta do apartamento com um pouco de ansiedade, mas o sorriso em meu rosto morre quando vejo Peeta sentado no sofá... Com uma garota.