Sem controle

O sol surgia no horizonte naquela manhã e Zoro sentiu como se tivesse sido o primeiro a vê-lo aparecer.

Tinha uma de suas katanas na mão. Estava sentado na grama, com as costas apoiadas no balanço. Ergueu a arma na altura dos olhos e observou-a refletindo na luz clara da alvorada. Era a primeira vez que ele via o sol surgir enquanto estava de vigília porque normalmente estava dormindo a esse horário. E aquele clima lhe passava uma sensação agradável.

Mesmo assim, não havia pregado o olho um minuto sequer. Suou frio durante horas a fio enquanto olhava as nuvens se moverem muito devagar com o ventinho fresco e fraco da madrugada. Estava exausto, mas ainda queria matar. E queria muito.

Ouviu a porta do quarto masculino bater e virou-se para olhar quem vinha lá. Sanji o olhou com sua expressão de sempre. O cozinheiro sempre acordava mais cedo para preparar o café da manhã, e naquele dia em especial, tinha que fazer um desjejum muito mais reforçado porque eles tinham muito que fazer. E teriam que reunir-se para que Zoro e Robin contassem a respeito do homem.

Sanji percebeu que havia umas olheiras arroxeadas em volta dos olhos pequenos do nakama e estreitou seu próprio enquanto olhava para ele. – Quer cortar a carne pro Luffy pra me ajudar? Quem sabe te faça sentir melhor. – Disse o cozinheiro enquanto acendia seu primeiro cigarro do dia. Zoro revirou os olhos.

- Algo me diz que você está se divertindo com isso.

- Não estou me divertindo... Muito pelo contrário. Só estou querendo ajudar.

- Não é o que parece. – O espadachim se levantou e guardou a katana na bainha. Sentiu uma vertigem e pensou se era por ter levantado-se muito rápido, mas... Francamente, com aquela saúde de ferro, até parece que algo do tipo o influenciaria assim. Nunca. Ele sabia muito bem o que era aquilo... Olhou para Sanji e respirou fundo. – Acho que você tem algum prazer sádico com isso tudo.

- Não seja idiota, marimo. Eu te odeio, mas não é pra tanto. – Começou a dirigir-se para a cozinha, mas acabou tendo seu pulso segurado antes de chegar ao terceiro degrau. Virou o rosto e viu a cabeça verde de seu nakama encarando o chão. – Zoro?

- Cook...

- O quê? Me solte, preciso ir fazer o café.

- Eu preciso sair...

- Então vá. E vê se não se perde na volta. – Sanji puxou o braço para longe do espadachim e pôs-se a subir novamente. Zoro correu para alcançá-lo e parou na frente dele, um degrau acima. O cozinheiro tragou longamente e assoprou a fumaça no alto da cabeça do outro. Quando Zoro ergueu a cabeça e o encarou, Sanji só confirmou o que estava pensando. Era só o segundo dia e estava começando a ficar sério demais. – Você precisa matar, não é? – O outro não respondeu; nem precisava, certamente. O loiro suspirou e balançou de leve a cabeça. – Não posso ir com você. Eu tenho que fazer o café da manhã.

O espadachim revirou os olhos, deu um passo para o lado e saltou do Sunny para o cais. Sanji debruçou-se no navio e olhou o nakama andar com o corpo todo rijo enquanto ia para a cidade. Sacudiu de leve a cabeça e foi para a cozinha porque... Francamente, não podia fazer coisa alguma.

Quando foi para a dispensa pegar ingredientes e voltou à cozinha, pensou que o que fez foi um erro porque era 110% de chance de Zoro perder-se na hora de voltar para o navio. Mas também, não podia dar uma de babá enquanto o cara ficava matando geral por aí... Suspirou, pensando em adiar o café e ir atrás do nakama, mas uma certa ruiva entrou na cozinha acompanhada de uma certa morena.

- Nami-san, Robin-chan, bom dia! – Cumprimentou um Sanji sorridente, dedilhando o ar num aceno feliz. Robin apenas moveu a cabeça e Nami cumprimentou-o da mesma forma que o loiro havia feito. – O que querem para o café da manhã?

- Um café para mim está bom, cook-san.

- Eu quero aquele bolo de creme que você sempre faz, Sanji-kun.

- Saindo. – Ele fez um gesto polido e delicado e pôs-se a concentrar no desjejum das meninas antes de fazer o peixe, arroz e miso para os outros membros do bando; sem falar na carne de Luffy. E um doce qualquer que sempre fazia de sobremesa.

- Cook-san, o kenshi-san não ficou de vigília essa noite?

- Sim.

- E onde ele está? – Robin fechou o livro que tinha nas mãos e olhou para o cozinheiro. Ela tinha um curativo na sobrancelha e uma pequena marca perto dos lábios, o que deixava Sanji completamente revoltado. Como eram capazes de ferir uma criatura tão linda como ela?

- Hum? Ah, ele saiu... Precisava, sabe...

- E você deixou ele ir SOZINHO? – Nami se ergueu do banco, olhando para Sanji como se ele fosse um completo idiota. O cozinheiro fez uma expressão esquisita e respirou fundo.

- Eu não podia ir com ele, Nami-san, eu—

- Esqueça o café, e se ele for capturado? E se ele for morto? Pelo amor de Deus, Sanji-kun!

- Oe, oe, o que está acontecendo? – Franky entrou na cozinha. – Do que estão falando?

- O Zoro saiu do navio e o Sanji-kun não foi atrás dele! Meu Deus, temos que—

- Espere... Deixa que eu vou achá-lo. – O cyborg fez um sinal com a mão e Nami voltou a sentar-se onde estava. – Eu volto logo, ele não deve ter ido muito longe. Se bem que... Conhecendo o Zoro, provavelmente ele está perdido na floresta. Talvez o Chopper possa me ajudar?

- É uma boa, vá acordá-lo e vão vocês procurar o marimo estúpido.

Franky fez um novo sinal e foi atrás da rena para irem à cidade. Assim que estava tudo certo, ambos os mugiwara saltaram do Sunny e foram caminhar pela região. Chopper ficou em sua forma realista de rena e foi cheirando o ar atrás do aroma característico de Zoro. Bem, ele conhecia o cheiro de todos eles, então não era difícil.

- E então, no que resultou sua análise?

- Parece ser algum tipo de vírus... E é difícil curar um vírus, sabe? – Explicou Chopper. – Há tratamentos para amenizá-los e mesmo assim, demora muito tempo para estudar isso... Não posso fazer nada que não seja a longo prazo. – Suspirou. – Sendo assim, apenas Zoro e seu sistema poderão combater o vírus.

Franky não sabia o que dizer.

- Onde você acha que o Zoro pode ter ido?

- Francamente, é uma incógnita – disse a voz aguda de Chopper. – Quer dizer, depois que ele começa a andar sozinho é difícil encontrá-lo assim. Pode estar em qualquer lugar...

O cyborg não respondeu, e o outro não continuou conversando. Apenas permaneceram numa caminhada aleatória, andando por aí tal como Zoro certamente faria. Olhando em volta para procurar um punhado de cabelos verdes, ou talvez algum corpo morto perdido por aí desse algumas pistas... E foi exatamente isso que encontraram quando estavam na entrada da floresta que se dirigia à outra cidade.

E havia um rastro de sangue adentrando as árvores.

- Acho que ele foi por aqui.

- Hum... Devíamos segui-lo?

- Acho melhor chamar mais gente pra ajudar. Você poderia ir indo enquanto eu corro pra chamar companhia, mas vá sempre em linha reta, certo? – Franky explicou, fazendo um gesto curto com as mãos e os antebraços ridiculamente grandes. – Eu volto rapidinho!

- M-mas, F-franky... E se eu encontrar o Zoro e ele não estiver em linha reta?

- Então tá, vamos juntos e eu—

- Não. – Disse a rena de repente. – Eu vou sozinho, não se preocupe. Não vai ser difícil me achar, eu farei umas marcas nas árvores pelo caminho, ok?

- Certo. Volto logo! – O cyborg pôs-se a correr pela rua e Chopper observou até que desapareceu numa esquina, rumando para o Thousand Sunny. A rena começou a caminhar pela floresta, olhando em volta. Estava um pouco inseguro, isso era bem óbvio, mas ainda assim precisava continuar seu caminho. Marcou algumas árvores com seus chifres enquanto caminhava, seguindo o cheiro do sangue daquele corpo morto que encontraram, e de Zoro, cujo caminho coincidia obviamente.

Estava tenso demais, mas Chopper ainda acreditava que precisava dar o melhor de si. E fugir não seria, nem de longe, dar o melhor de si mesmo. Ele não era tão inútil desse jeito, nunca.

O problema é que o cheiro de Zoro parecia afastar-se cada vez mais. E tomava um caminho completamente esquisito, fazendo a rena andar quase em círculos pela floresta visto que passava por árvores que já havia encontrado antes e então, estava perdendo muito tempo. Mas ele sabia que era bem provável que seu nakama estivesse muito mais perdido que ele, portanto, eventualmente o encontraria. Começou a ir mais rápido porque Zoro parecia se movimentar com mais rapidez, e...

E só então que percebeu que havia parado de marcar as árvores e assim, nem ele mesmo conseguiria voltar para fora da floresta... Ok, talvez usando seu olfato, mas como fazer seus nakamas não se perderem no meio daquelas árvores?

Começou então a tentar voltar para onde estava, procurando manter o mesmo caminho, e quando estava a alguns passos dali, ouviu um ruído esquisito atrás de um monte de mato e um cheiro estranho tomou conta do ar; a rena não conhecia aquele aroma. Olhou em volta e respirou fundo, tentando se acalmar... Quem poderia ser?

Houve um tiro e Chopper só conseguiu desviar porque voltou ao seu tamanho pequenino. – Ugh, essa foi por pouco... – Suou frio. Olhou em volta e dois homens e uma mulher apareciam por trás daquele mato. – Q-quem...?

- Ah, o bichinho de estimação? – Disse a mulher.

Chopper ficou bem ofendido com isso.

- Tudo bem, vai atrair os outros. Peguem ele!

O homem do meio ordenou e parecia ser o líder deles, pelo menos entre aqueles três em específico. Chopper desviou quando foi atacado e imediatamente mordeu uma de suas Rumble Balls para lutar... Tinha que lutar, não ia fugir. Mesmo que seu corpo estivesse tremendo de medo feito louco. Não podia fugir e deixar seus nakamas na mão, de forma alguma.

E começou a lutar. A mulher tinha em mãos uma arma de fogo gigantesca e o homem que o atacara tinha duas facas. Não pareciam ser muito fortes, se comparado com o trio destruidor do bando dos mugiwara, mas Chopper não era nem de longe tão forte quanto Zoro, Sanji e Luffy.

Lutou o quanto conseguiu, é claro. E conseguiu derrubar aquele homem e suas facas usando o Horn Point, depois de encontrar a fraqueza dele que era o torso – aparentemente tinha algumas fraturas antigas nas costelas. Acertou-o em cheio ali com os chifres, perfurando a barriga e evitando os órgãos vitais. Chopper não queria matá-los, apenas derrotá-los, como sempre faziam.

Mas a mulher era tão rápida e aquela arma era tão poderosa... Esquivava-se com mais facilidade dele por ter baixa estatura e ser estranhamente magra. Chopper procurou pela fraqueza dela e era nos joelhos. Tentou a acertar, mas não conseguiu atingir aquele lugar específico. Já estava machucado de cortes de faca e cansado. Acabou sendo atingido numa explosão que ergueu boa quantidade de terra e fumaça e foi capturado pela mulher.

Não muito longe dali, Franky, Usopp e Robin se encaminhavam pela floresta. E ouviram o barulho que ergueu um cogumelo de fumaça relativamente pequeno, mas suficiente para ser digno de um bom susto. Robin começou a correr na frente e os outros a seguiram obedientemente. Quando chegaram ao local que havia explodido, só encontraram árvores caídas, um pequeno rombo no chão e marcas de sangue.

- Merda, eu não devia ter deixado o Chopper sozinho!

- Doctor-san...

- E AGORA, O QUE VAMOS FAZER? – Gritou Usopp.

- Acalmem-se. Temos que encontrar o kenshi-san.

- Robin, Franky, Usopp, oe! – Zoro apareceu do outro lado da clareira formada por causa da pequena explosão. Ele aproximou-se dos nakamas e parou perto deles, passando a costa da mão na testa. – O que aconteceu aqui?

- Aparentemente alguém pegou o Chopper. – Explicou Franky para o espadachim, colocando a mão no alto da cabeça.

- Não, não... Eu...

- Você o quê, Zoro? – Usopp virou-se para o rapaz e franziu de leve as sobrancelhas.

Sem dizer absolutamente nada, o espadachim começou a correr através das árvores para ir atrás de seu nakama. – Kenshi-san! – Robin correu atrás do rapaz.

- Oe, Robin! Zoro! – Usopp gritou, mas não foi o bastante para pará-los. Franky olhou confuso para os dois e para o garoto que ainda permanecia ao seu lado. O atirador retribuiu o olhar e respirou fundo, parecendo nervoso demais. – O que fazemos agora?

- Temos que chamar o mugiwara e o resto do pessoal...

A poucos metros dali, Robin corria atrás de Zoro.

- Kenshi-san, espere! – Ela gritou mais uma vez antes de desistir e mover a mão em movimentos delicados. – Duo fleur! – Exclamou, e duas mãos surgiram na terra e agarraram os tornozelos do espadachim, fazendo-o cair com o peito no chão. Ele apoiou a testa ali. A arqueóloga foi até o nakama e ficou de pé ao lado da cabeça dele. – O que pretende fazer?

- Salvá-lo como fizemos com você.

- Dessa vez não vai ser tão fácil. Duvido que eles o levem para o mesmo lugar que me levaram... Afinal, já sabemos onde é.

- NÃO POSSO DEIXÁ-LO LÁ, ROBIN!

A mulher projetou a cabeça alguns centímetros para trás. Ah... Robin não sabia o que pensar porque começava a ficar complicado entender o que se passava na cabeça do espadachim. Já era difícil naturalmente, mas naquelas circunstâncias parecia quase impossível.

- Estou cansado dessa merda, eu vou pegar e matar quem está fazendo isso!

- Kenshi-san! – Robin exclamou, calando-o.

Zoro respirou pesado, olhando a nakama que mantinha aqueles olhos azuis diretamente em seu rosto. Droga, era de dar nos nervos. Como ela podia ser tão compreensiva assim? E ter aquela voz paciente?

- Vamos voltar ao Sunny, chamar os demais e irmos juntos. – Ela disse com um tom de voz calmo e liberou os tornozelos do espadachim, fazendo aquelas mãos desaparecerem em pétalas rosadas. Zoro levantou-se e passou a mão no peito para livrar-se da terra, embora tivesse uma mancha de sangue em sua camiseta que acabasse fazendo limpar-se da sujeira algo completamente inútil. – Temos que falar a eles a aparência de quem foi que nos capturou, ainda. E com certeza vai ser mais difícil encontrar o doctor-san agora. Vamos ter que esperar um deles aparecer...

Quando o rapaz ia responder, sentiu aquela dor piorar— aquela maldita pontada na cabeça, parecia que estava sendo perfurado pelos olhos. Trincou os dentes e curvou um pouco as costas, e de repente, sentiu uma das mãos leves de Robin tocarem-lhe uma das clavículas. Segurou o rosto e apertou-o um pouco para ver se engolia aquele ímpeto.

- Você quer matar alguém, kenshi-san?

Ele não respondeu, mas Robin sabia que ele queria. Era óbvio, pelo amor de Deus. A arqueóloga começou a caminhar e Zoro a seguiu e andaram até que chegaram próximos à periferia da cidade. Havia algumas crianças brincando e a morena estreitou os olhos; não podia dar uma criança para ele matar, assim, simplesmente...

- De todas as pessoas, Robin... Eu não imaginei que você concordaria em me ajudar a matar alguém. Você e o Luffy eram os que eu tinha certeza que não iam simplesmente...

- Não é como se eu concordasse. – Ela disse num tom de voz enigmático enquanto seus olhos procuravam alguém. – Não concordo, na verdade. – Completou, e parou por aí. Logo, um homem passava perto de onde estavam. A arqueóloga pensou se ele seria um homem de família, um pai, avô, marido... Mas, ela tinha sua própria família para defender. E parte dela estava ali, ao seu lado. E para continuar em frente ele tinha que tirar a vida dos outros.

A morena pensava se o que quer que o feria poderia causar algum revertério no espadachim caso ele não seguisse seus ímpetos. Se dominaria seu corpo. Se o deixaria descontrolado, a ponto de não saber o que estava fazendo, e simplesmente matar quem quer que estivesse na sua frente. Porque mesmo querendo matar, ele sabia o que estava fazendo... Porque o desejo era recente. Mas e se, a algum momento, ele não pudesse se controlar?

E Robin não queria que o bando do Chapéu de Palha se desfizesse como aconteceu com todos os bandos nos quais ela entrou... Só que estava começando a acontecer.

Zoro franziu as sobrancelhas. Não sabia o que ela queria dizer com aquilo, porque seu cérebro não conseguiu processar a informação nas entrelinhas, mas achava que devia ser importante.

- Trinta fleur. – Resmungou e moveu as mãos, prendendo o homem e começando a arrastá-lo para perto dos dois. O sujeito até tentou se manifestar, mas tinha a boca tapada por uma das mãos de Robin. E assim, ele caiu diante Zoro e o espadachim não demorou nem um segundo para sacar a katana e perfurar-lhe o coração.

A morena franziu a sobrancelha, olhando o corpo morto cujo sangue vertia do golpe para então, usar suas mãos para atirá-lo dentro da floresta.

Zoro pensou em agradecê-la, mas não era de seu feitio. Apenas olhou para a nakama com uma expressão de gratidão e Robin deu um pequeno sorriso desconcertado. Voltaram a andar em silêncio, e o espadachim foi seguindo a mulher para o Sunny novamente. Zoro mexeu a cabeça de forma negativa, pensando que era meio idiota por ela pegar alguém para ele matar. Não que ele precisasse disso, mas... Ela fez mesmo assim.

Foi então que ele percebeu que seus nakamas estavam valorizando sua vida acima das outras. E por isso, teria que fazer o possível para evitar mortes desnecessárias.

Quando caminhavam pela cidade, Franky e Usopp estavam dirigindo-se ao cais e eles correram para alcançá-los. – Usopp, Franky! – Chamou o espadachim, parando os dois nakamas e eles viraram-se para olhar os dois. Pararam no meio do caminho e os quatro se reuniram no cais.

- O que houve?

- Nada... Vamos falar com os outros. – Robin tomou a dianteira e os outros a seguiram. Instantes depois, entravam na cozinha e os demais já haviam tomado café da manhã; Sanji digitou a senha da geladeira e pegou porções individuais separadas para servir aos nakamas recém-chegados, e nem percebeu que...

- Oe, cadê o Chopper? – Nami esticou-se para olhar e Brook fez o mesmo. Luffy virou a cabeça para trás a fim de olhá-los, também.

- Ele... – Usopp suspirou. – Foi capturado.

- QUÊÊÊ? – O capitão saltou e parou diante dos quatro que estavam perto da porta. – Como assim? Onde ele está, onde?

- Não sabemos, Luffy. – Zoro falou seriamente. – Mas vamos encontrá-lo e—

Luffy até tentou sair correndo pelo navio, mas Nami gritou e Robin o segurou usando as mãos que brotaram na grama do convés; o jogaram de volta para a cozinha, fazendo-o cair com o traseiro no chão. – Acalme-se, Luffy, nós ainda temos que ouvi-los! Vamos lá, sentem-se, Robin, Zoro. – Nami fez um sinal e os dois aproximaram-se junto com os demais. Sentaram-se e Sanji colocou um prato de comida na frente de Franky e um na frente de Zoro, visto que os outros dois já haviam tomado o café. Mesmo assim, ele pôs um pequeno bolinho de amora na frente da morena, com uma xícara de café quentinho.

- Obrigada, cook-san. – Sorriu ela; pegou a peça de louça pela alça e bebeu um gole. Zoro sentou-se ao lado da morena, mas não sentiu vontade de falar... E depois de segundos de silêncio, Robin achou melhor falar ela mesma. – Bem... Antes, o doctor-san disse algo sobre o que acontece com o kenshi-san?

- Ele me disse que não pode fazer nada porque é um vírus. Só Zoro poderá combater com seu próprio sistema.

Houve um momento de silêncio onde Zoro franziu as sobrancelhas, criando uma ruga bastante saliente em sua testa. Os trejeitos de seu rosto indicavam que ele pressentia que teria que estar três vezes mais forte para poder combater algo do tipo sozinho.

- Hum... Ok. Acho que descrevê-lo é o melhor por enquanto. – Fez uma pausa. – Ele tinha cabelos cinza-escuros tapando as orelhas, olhos pequenos e com os cantos meio altos... O nariz bem saliente na ponte com narinas largas, e uma covinha no queixo... Mas tinha algo nele, que era a coisa mais característica. – Ela tirou o chapéu da cabeça e apontou a sobrancelha. – Tinha um piercing na sobrancelha e ela era bem mais escura que o cabelo. E dentes da frente maiores, como um coelho, ou um rato se preferirem.

- Então é desse nezumi que eu tenho que chutar o traseiro, não é? – Luffy estralou os dedos e os outros olharam para ele. – Afinal foi ele que te machucou e certamente é esse cara que mandou pegarem o Chopper! Ou sei lá, foi ele mesmo que fez isso!

- Sim, mas, como vamos achar esse cara? – Brook moveu a cabeça para olhar a todos e Nami fez um biquinho, pensativa.

- Acho que alguém na cidade vai saber nos dizer... – Robin fez um trejeito com os lábios.

- Eu vou. – Sanji fez-se ouvir. – Sabem que, modéstia à parte, eu sou bom nisso.

- Yoshi, esforce-se, Sanji! – Usopp fez um punho cerrado no ar. A arqueóloga deu uma risadinha e Nami franziu o cenho.

- Quem mais vai junto? – Ela indagou. – Eu também vou.

Zoro, Luffy e Brook também ficaram responsáveis por ir à cidade a fim de encontrar informações sobre o tal homem.

Depois de Zoro terminar de comer, eles saíram do Sunny. Luffy tinha sua mochila com bentou nas costas e fora ele, somente Sanji levava uma mochila também. Separaram-se nos seguintes grupos: Zoro, Sanji e Brook. Do outro lado, Luffy e Nami.

Esses últimos dois caminhavam pela cidade e o capitão parecia interessado em ir comer num restaurante que servia churrasco de carne de baleia, isso claro depois de resolverem os problemas que tinham. – Luffy, não temos tempo pra pensar nisso, temos que encontrar alguém para— ei... Acho que essa é uma boa ideia. Vamos entrar!

- Quê?

- Você faz um pedido e o garçom será legal conosco. Então podemos pedir informações!

- Hum... Ok – Luffy entrou no restaurante, Nami respirou fundo e seguiu seu capitão. Quando entrou no estabelecimento, ele já estava sentado numa mesa e fazia seu pedido gigantesco para o garçom, que o olhava meio assustado. A ruiva acomodou-se de frente para o garoto e o garçom perguntou o que ela gostaria. Pediu uma xícara de chá branco.

- Tudo bem que você vai comer como sempre, mas não entendo como você sente fome depois de ter comido um monte no Sunny!

- Mas eu sinto fome, oras! – Ele a olhou como se fosse óbvio.

A ruiva suspirou. Pelo menos daqui a pouco teria a oportunidade de falar com o garçom sobre o tal cara-de-rato, ou quem sabe com alguém mais relativamente influente, como o chef do restaurante, quem sabe?

A uns bons metros dali, Brook, Sanji e Zoro reuniam-se numa praça que possuía uma fonte em seu centro e vários banquinhos por perto. O cozinheiro fumava seu cigarro tranquilamente enquanto observava as pessoas passarem. Brook fazia o mesmo – embora sem o cigarro – e Zoro segurava a cabeça entre as mãos, olhando para os próprios pés.

- Oe Zoro, se você ficar assim não vai achar alguém com quem possamos falar.

- Só vim porque o Luffy insistiu.

Sanji curvou um pouco as costas e ficou com a cabeça na altura da do espadachim. Aproximou o rosto do ouvido dele. – Você quer, não quer?

- O quê? – Perguntou um Zoro visivelmente ofendido, meio assustado até.

- Matar, idiota. Tava pensando no quê?

- Você é estranho, cook. Você e suas sobrancelhas.

- Ora, seu—

- Oe. – Brook os interrompeu. – Olha aquele cara. – Ele fez um sinal com o dedo ossudo (literalmente), indicando o homem que andava com as mãos nos bolsos e com olhos de quem verificava o que acontecia pela cidade. Era simplesmente... Suspeito.

Sanji levantou-se do banco e foi acompanhado pelo esqueleto até começarem a andar atrás do homem. Zoro os observou por um tempo antes de levantar e ir atrás, mas alguns passos atrasado. Andaram alguns metros até que o homem parou na frente de uma loja, olhou a vitrine e virou-se para olhar o cozinheiro dos mugiwara, que olhava a mesma vitrine que ele.

O homem de sobrancelhas grossas e quase unidas no alto do nariz encarou Sanji. Nada disse. Apenas voltou a caminhar na mesma direção que tomou antes. Andou bastante até que virou numa esquina e aproximou-se daquela floresta; maldita floresta. Os três pararam na esquina e olharam pela curva da casa que se localizava ali. O homem parou de andar, mantendo-se de costas.

Sanji fez um sinal e eles entraram na rua estreita, caminhando um pouco até pararem num determinado lugar e ficaram observando o indivíduo. Logo ele virou, sacou uma pistola e apontou para eles.

- O que querem comigo?

- Queremos saber algumas coisas. – Sanji atirou o cigarro aceso no chão. – Não vamos machucá-lo...

- Não vão mesmo, porque eu não vou deixar.

- Veja bem, só queremos saber se—

Zoro avançou na direção do homem e, com um golpe da katana, derrubou-o ao chão.

- ZORO, QUE MERDA! – Sanji e Brook avançaram rapidamente e quando notaram, o espadachim havia usado o lado cego de sua arma. O cozinheiro respirou aliviado e Brook encaminhou-se para pegar a pistola do homem que havia ido ao chão por causa do movimento rápido do outro rapaz.

- Brook, cook...

- Ehm, meu caro senhor, por acaso poderia responder uma pergunta? – Brook curvou-se um pouco e só então o homem pareceu perceber que estava diante de uma caveira falante que andava. Ele olhou assustado e assentiu rapidamente. – Conhece um homem que tem dentes de rato e cabelos acinzentados? Com piercing na sobrancelha?

- Quê? Vocês não sabem quem é o Zanell-sama?

No restaurante onde Luffy e Nami encontravam-se, o capitão já havia comido quilos e quilos de carne de baleia e agora, estava bem satisfeito. O garçom aproximou-se deles para retirar os pratos. – Mais alguma coisa para vocês?

- Não, obrigada... Aliás! Sim, tenho uma dúvida!

- O que há?

- Sabe, eu vi um homem esquisito na rua, ele tem esses dentes de rato e—

- Sshhh, não fale assim de Zanell-sama.

- Quem?

- Zanell-sama. Ele é o homem que comanda a cidade e os piratas de Zanell. É extremamente respeitado na cidade porque a fez prosperar, mas muito violento com quem fala mal dele. E vemos pessoas observando-nos o tempo todo sobre isso...

- Ahh – a ruiva riu nervosamente. – Sei...

- E onde eu encontro esse nezumi?

- Luffy! – Nami chamou a atenção do capitão, que estava bem sério.

- Eu não sei bem, mas ele mora do outro lado da ilha, na cidade. – Explicou o garçom. – Mas, por que querem saber?

- Err, nada não, muito obrigado. – A ruiva levantou-se e apoiou as mãos na mesa.

- Yoshii, vamos atrás dele e—

- Pague e vamos embora, Luffy!

- EEHHH? POR QUE EU?

- Eu só tomei um chá!

- Ahhh, Namii - choramingou, mas a navegadora o ignorou completamente, tomando seu rumo para fora do restaurante; é... Ele não teria como fugir simplesmente, ia ter que pagar. Fazer o quê?

Voltando àquela rua estreita, Zoro mantinha-se agachado sobre o corpo do homem que havia acabado de derrubar e mantinha os olhos fechados. Via o sangue que escorria da parte de trás da cabeça do sujeito, que se cortou quando caiu no chão. E aquilo era desesperador.

A voz do homem saía um pouco abafada porque o espadachim apertava-lhe a garganta com a katana. – Ele é temido por aqui e por isso todos o respeitam...

- Por isso que quando ele derrubou a Robin e eu fui atacado, ninguém fez nada. – Concluiu Zoro.

- E sabe como encontrá-lo?

- Ele mora na cidade do outro lado da ilha... – Tossiu.

- Hum, já reduz o local onde podemos encontrá-lo. – Esse foi Sanji.

- Que tipo de poderes ele tem? – Perguntou Brook, cruzando os braços.

- Ele comeu uma Akuma no Mi... Francamente? – O homem esticou um pouquinho o pescoço para olhar em volta e, constatando que não havia ninguém por ali fora eles, voltou a falar, largando a cabeça para trás. – O poder é meio esquisito. Ele é rápido e esperto como um rato, parece um sabonete... Cria garras, os dentes crescem e ele é muito, mas muito forte. Sem falar que ele parece ter um sensor de movimento. Não dá pra se mexer perto dele sem ele sentir sua presença. E enxerga muito bem no escuro.

- Parece com uma ratazana de esgoto. – Desdenhou Sanji.

- Pode ser, mas há uma recompensa de 90 milhões pela cabeça dele.

- Nosso senchou vale muito mais do que isso. – Brook falou e ouviu-se uma risada nasal vinda de Zoro que, num movimento rápido, virou a katana e cortou a garganta do indivíduo.

O sangue espirrou em Sanji e Brook, que moveram suas cabeças imediatamente para evitarem ser atingidos nos olhos ou bocas. Não que fosse um problema real para o esqueleto, visto que... Estava morto.

Yohohoho!

O cozinheiro fez uma expressão ruim diante do que via. Zoro respirou ruidosamente antes de levantar-se e guardar a katana na bainha.

Merda, Sanji não aguentava mais vê-lo matando as pessoas assim. Era ridículo. Se continuasse assim, ele ia devastar a ilha inteira... Estava começando a sair do controle como os mugiwara estavam sendo complacentes com assassinatos desnecessários como aquele. Zoro estava agindo como aquelas pessoas que eles desprezavam e derrotavam em suas aventuras. Embora ele obviamente matasse e sentisse algo depois disso, não simplesmente ignorasse as mortes como se não tivessem importância. Mesmo assim, era loucura.

Só que para todos – mesmo para Sanji –, a vida de Zoro era mais importante.

E tanto Sanji quanto Brook sabiam que o espadachim não iria dar uma justificativa idiota para aquilo sendo que o fato de ter assassinado o homem foi simplesmente porque quis. Ou porque simplesmente precisava.

Sanji limpou o sangue da bochecha e do pescoço com a mão, assim como Brook. Zoro não havia se sujado.

Eles saíram daquele lugar em silêncio e quando se guiavam para o Sunny, encontraram Nami e Luffy.

- Nami-saaan - cantarolou Sanji, indo na direção da ruiva. Eles encontraram-se. – Descobrimos quem é o cara-de-rato: Zanell.

- Sim, ele mora na outra cidade da ilha e só isso que eu descobri... Ficaram sabendo mais? – Sanji e Brook confirmaram. – Vamos voltar para o navio e conversar lá.

Depois de algum tempinho de caminhada, chegaram ao Sunny.

Luffy foi o primeiro a saltar para o navio e foi correndo para a cozinha chamar os seus nakamas que haviam permanecido no lugar.

Os outros notaram que o capitão demorou a voltar – visto que combinaram de reunir-se na grama do convés –, então, Sanji e Nami subiram para ver o que estava acontecendo. Luffy não havia encontrado os outros três por ali e corria para fora da dispensa. – FRANKY! ROBIN! USOPP! – Saiu gritando pelos seus nakamas, mas não havia nem sinal deles no navio. Os outros ajudaram a procurar, mas realmente, eles não estavam lá.

O capitão teve o bastante. Saltou do Sunny e pôs-se a correr pela cidade; já era fim de tarde. Zoro e Sanji correram atrás do capitão e Nami impediu que Brook fosse também, visto que tinham que cuidar do navio. Correram por um bom tempo pela cidade, gritando pelo nome dos outros três companheiros desaparecidos. Zoro era o único que não chamava porque estava tão cegamente enfurecido que poderia simplesmente sacar a katana e desossar todos que passavam na sua frente...

Era uma merda como aquilo passava por alguns instantes e voltava como um tiro, sem explicação aparente. O espadachim estava mais calado do que nunca e mesmo ele estava ficando aborrecido com tudo o que estava acontecendo.

E seus nakamas sumindo diante de seus narizes...

- LUFFY!

A voz familiar de Usopp invadiu os ouvidos dos três, que pararam de correr imediatamente e viraram-se para ver o atirador correr na direção dos rapazes com Robin ao seu encalço.

- Robin-chan, você está bem? – Sanji aproximou-se da mulher, que confirmou imediatamente, ofegante.

- QUE FOI QUE HOUVE? Me fala! – Exigiu Luffy. – Onde está o Franky?

- Eu e a Robin estávamos na cozinha e o Franky estava no convés. Ouvimos uma explosão, ele gritou por nós e quando vimos, ele estava sendo arrastado por três pessoas... Tentamos alcançá-los, mas eles conhecem a cidade muito melhor que nós... Então logo nos perdemos.

- POR QUE NÃO FICARAM JUNTOS O TEMPO TODO? Mas que droga! – Gritou o capitão, absolutamente irritado.

- Desculpe senchou-san.

- Não adianta pedir desculpas, Robin! Eu estou ficando mais irritado a cada segundo! Vou encontrar esse cara agora mesmo!

- Luffy... – Zoro aproximou-se do capitão. – Não podemos entrar na floresta agora, já anoiteceu... Vamos nos perder.

- Mas eles podem—

- Eles não vão matar ninguém... Precisam deles vivos para conseguir todos nós. Lembra-se que o Zoro falou que o cara agradeceu pelos oitenta milhões de berries, e disse que voltaria para buscar o resto? – Sanji falou, acendendo um cigarro. – Mas precisamos de um plano, vamos entrar numa floresta pela qual não andamos muito. E se nos perdemos? Vamos para o outro lado da ilha, não ali na esquina. Devemos nos separar ou irmos todos juntos? E o Sunny?

O garoto apertou o rosto com as mãos e trincou os dentes. Zoro sabia que ele estava ficando furioso de ter seus nakamas arrancados do bando assim, mas não podiam fazer nada por enquanto. Além do mais, eles estavam lidando com pessoas obviamente muito espertas.

- Não vou aguentar desse jeito...

- Luffy, estamos em uma situação delicada, não conhecemos bem a cidade, nem as pessoas... E diferente do que sempre acontece, não temos cúmplices que possam nos ajudar. Estamos a nossa própria sorte. Vamos ter que ser mais espertos que eles! – Usopp exclamou e segurou no ombro do capitão.

- Não esqueçam que as pessoas aqui, apesar do medo, respeitam o Zanell porque ele fez a ilha prosperar. – Zoro disse e cruzou os braços.

- Estamos lutando por nós mesmos, não pelo bem das pessoas...

- Não me importa, Sanji. Eu vou chutar a bunda desse maldito porque ele está ferindo meus nakamas! E ninguém tem o direito de fazer isso, independente do quão bem ele faça pra sei lá quem – fez uma pausa. – E pior, o nezumi injetou um treco estranho no Zoro e agora ele está desse jeito! Eu tenho que acabar com ele!

Os que acompanhavam Luffy ficaram em silêncio porque... Simplesmente, porque ele tinha razão. Zoro passou a mão pelo rosto úmido e balançou a cabeça de forma negativa. Se não fizessem algo – e rápido – iam acabar perdendo-se um a um. Robin soltou um longo suspiro de exaustão.

- Temos que voltar para o Sunny, Nami-san e Brook estão sozinhos lá. Vamos logo.

Quando começaram a caminhar, Zoro pegou o braço de Sanji e o impediu de prosseguir. – Cook... Vamos ficar.

- Como é?

- Luffy?

O capitão olhou para o espadachim com uma expressão séria de sobrancelhas ligeiramente franzidas. Mesmo que Luffy parecesse bobo demais, ele era muito mais esperto do que parecia. Sabia as condições de Zoro e por mais que não concordasse com essa chacina deliberada, não queria, como nenhum dos outros, que ele sofresse algum tipo de sequela desconhecida. Não sabiam o que podia acontecer caso ele resistisse. Era melhor que aquela coisa não agisse no corpo dele durante um período de tempo muito grande.

Luffy sustentou o olhar com Zoro por longos instantes. Aquilo devia dizer muitas coisas. Que não concordava. Que era errado. Que aquelas vidas eram valiosas. Mas que, mesmo assim, a vida de seu nakama era muito mais importante para ele. E mesmo não concordando, não iria abrir mão de Zoro nem por decreto. Não era uma droga misteriosa que tiraria o espadachim de seu bando.

O capitão nada disse, porém, tudo ficou subentendido através de seus olhos. Luffy, Usopp e Robin seguiram o caminho para o Sunny.

Sanji e Zoro foram para o local mais afastado, na periferia da cidade, onde o espadachim poderia matar alguém. Eles repararam que a noite na cidade parecia menos cheia do que antes, e certamente isso era reflexo da quantidade de corpos mortos encontrados. Tudo sem explicação alguma.

- Você tem que começar a controlar isso, marimo. Se continuar assim, você vai matar a ilha inteira e essas pessoas não tem absolutamente nada a ver com o que o Zanell fez a você.

- Eu ainda acho difícil me controlar... E eu não quero machucar meus nakamas. Não quero matar essas pessoas. Mas...

Sanji respirou através do trago que deu no cigarro e eles pararam num determinado lugar, onde passavam pessoas sozinhas e que certamente não fariam falta a alguém; ou ao menos assim eles pensavam. E isso era um erro, é claro.

Mas Zoro jamais estaria disposto a perder quem faria muita falta para ele.

- Não mate e desmembre... Começar a deixar a dignidade das vítimas intacta é o primeiro passo para engolir essa vontade. Ok? Tente fazer isso.

O espadachim assentiu de leve.

A pessoa que matou naquela noite foi apenas golpeada no coração, como o que matou quando estava com Robin. Achou que seguir o conselho do cozinheiro era uma boa ideia... Tinha que conseguir controlar seus ímpetos.

Depois de jogarem aquele corpo morto na orla da floresta, Zoro apoiou-se com as mãos nos joelhos, respirou profundamente e ergueu os olhos para encarar Sanji. O cozinheiro o olhou de cima e atirou o cigarro para longe; ficaram observando-se por longos minutos, analisando um ao outro. – Dizem que existem sensações que substituem a vontade por outras. Ou te fazem pensar em outra coisa.

- Como é?

- É como... Comer ao invés de fumar. Beber para fugir dos problemas.

- Eu não bebo para fugir dos problemas.

- Não falei isso. Só quis dizer que talvez fazer outra coisa no lugar de matar te faça parar de pensar nisso...

Zoro ergueu o torso e encarou o cozinheiro por mais longos instantes antes de se manifestar. – Não acredito que existe algo que substitua isso ou me faça pensar em outra coisa. Eu tento mudar o curso dos meus pensamentos, mas isso toma conta de mim. Eu tento me distrair, mas é impossível. E como eu estou furiosamente irritado por terem pegado o Chopper e o Franky, só consigo pensar em matar e sinto que isso está piorando dentro de mim.

- Acho que você acabou de falar mais comigo do que falou durante todo o tempo em que estivemos juntos no bando.

O espadachim revirou os olhos. De repente, percebeu que realmente havia aberto seu peito para ele sem dar-se conta disso e Sanji tinha um sorriso sutil nos lábios, talvez feliz por seu nakama ter confiado nele uma vez na vida – pelo menos para esses assuntos, visto que confiavam muito um no outro em diversas outras coisas. Mesmo que não demonstrassem isso.

- Está melhor?

- Sim...

- Vamos voltar para o Sunny. Que tal ficarmos de vigília juntos hoje à noite e eu te ajudo a se distrair?

Zoro deu de ombros em concordância e eles começaram a andar. Não sabia o que Sanji tinha em mente, mas talvez ele conseguisse pensar em outra coisa que não fosse matar, matar, matar...