Titulo original: 8 Semanas
Autora: Oo-Naruko-oO
Tradutora: Kappuchu09
Disclaimer: Naruto pertence à Masashi Kishimoto, e essa fic pertence a Naruko-chan.
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Cap 06: O jantar
Seis semanas antes...
- Te disse pra não se aproximar dele.
- Oh, vamos Sai. Não te contei pra que ficasse me reprimindo.
Com um gesto contundente Naruto abriu a porta do escritório e ambos entraram no interior. A enorme quantidade de pastas e arquivos que receberam acumulados sobre sua mesa não o fez se sentir melhor. Havia se descuidado da papelada durante muitos dias e agora tinha trabalho acumulado, ainda que para seu benefício a maioria só requeria o selo de empresa e o arquivo correspondente. Com um resignado suspiro tirou o casaco que deixou colocado sobre o cabideiro e se sentou ante sua mesa, começando a classificar eficazmente os dossiês enquanto Sai se apoiava no canto da mesa sem deixar de observá-lo com expectativa.
- Então vai ir essa noite no jantar? – lhe perguntou de novo.
- Já te disse que não. – rebateu enrrugando o nariz. – Depois vou ligar pra Sakura pra me desculpar. Vou dizer que surgiu um compromisso de última hora que não posso adiar.
- E por que lhe disse que sim? – perguntou confuso
Naruto levantou o rosto e um largo e travesso sorriso se formou sobre seus lábios.
- Você não via a cara que o bastardo fez. Parecia que estava a ponto de sofrer crises nervosas e ter um colapso. - riu inclinando-se nas costas da cadeira, levando ambas as mãos à nuca. - Foi divertido.
Sai se limitou a piscar enquanto balançava o rosto com sua mesmo expressão indefinida.
- Continuo sem entender. - pronunciou após um tempo.
- Não importa, não esperavam mesmo que fosse entender. - Naruto suspirou e se incorporou retomando de novo seu trabalho com eficiência. - Bem, como foi à noite? Conseguiu tirar mais informações do garçom? O estranho da máscara.
Em seu interior Naruto jurou e perjurou pela segunda vez não voltar a pisar nesses antros de reputação mais duvidosa. Na noite anterior ambos haviam ido ao local do bairro Akatsuki e haviam encontrado com o estranho garçom chamado Tobi, um bom garoto ainda que bastante idiota. Logo descobriram que toda informação tinha um preço, que tinha-se que pagar.
Naruto não soube se alegrava-se por Sai ter levado seus pincéis.
Depois de terem chegado a um acordo claramente obsceno, informante e detetive desapareceram atraz de uma porta que tinha pendurada um cartaz de reservado. Depois, a Naruto só restou os esperar durante tediosas horas mortas e várias insinuações pecaminosas por parte do garçom com uma foice.
Naruto concluiu que a investigação havia chaga ao seu fim quando Hidan insistiu em lhe mostrar as diferentes utilidades das quais podiam ser aplicadas com o artigo afiado. Agarrou o casaco e sai do local.
Havia repensado, e a verdade é que não havia muita urgência em resolver o caso.
Sai deu um quase sorriso enquanto assentia com a cabeça e procedia a relatar sua profunda investigação.
- Depois de entrar no quarto, Tobi me empurrou contra a parede como se pretendesse me estuprar, eu notei. - enfatisou - Disse pra ele que não queria me deitar com ele porque eu com os homens tenho bom gosto, então ele tirou a máscara e...
- Não quero saber esse tipo de detalhes, Sai. - o loiro apressou em cortá-lo com um tom de aviso. - Se concentra só no assunto de Itachi.
- Sabe, li faz pouco tempo em um livro que a frustração sexual...
- Tão pouco quero saber o que dizem esses livros degenerados que você lê diariamente... - grunhio em um tom perigoso apontando um dedo acusador. - Fale de uma vez.
O moreno cruzou os braços indiferente.
- É muito chato, por isso nunca têm nada de interessante pra contar.
Naruto levantou a cabeça em um gesto de sofrida paciência enquanto contava mentalmente até dez em uma tentativa de acalmar-se, até que finalmente Sai sedeu.
- Não sabe com certeza onde se encontra Itachi, já que desde sua fuga não voltou a saber nada dele. - declarou estóico - Mas acha que podia encontrarsse em um lugar escondido aos arredores da vila da rocha; aldeia em que nasceu Deidara, o homem que o acompanhava. - Sai retirou de seu casaco uma pequena fotográfia que estendeu ao detetive. - Esta é sua foto na idade de vinte anos.
Naruto jogou o olhar sobre a fotografia e seus olhos abriram na surpresa. A mesma cor de cabelo, o mesmo tom pálido de pele, os mesmos olhos negros inquietantes e essa expressão no rosto de eterna indolência. Eram realmente parecido, ninguém poderia negar que fossem irmãos. Ainda que o rosto de Itachi, além da ligeira diferença de idade, podia-se apreciar algo que faltava em Sasuke. Seus olhos, igualmente negros, igaulmente intensos, mas com um brilho diferente, perturbador, melancólico... Triste.
Naruto não pôde evitar de pensar que coisas haviam ocorrido à ele para que mostrasse uma expressão tão amarga.
- E o que você sabe do outro cara? - perguntou curioso - O que disse que o acompanhava.
- São amantes.
O loiro levantou tão rapidamente o rosto que por um momento creu não enfocar bem a visão. Assim que o irmão de Sasuke também era homossexual. Agora compreendia melhor de onde saiu essa preferência masculina do bastardo. Genética pura.
- Pelo visto Itachi mantinha um relacionamento sentimental com Deidara, oculta aos olhos do pai, que é um rígido homofóbico. Até que seu primo, Uchiha Shisui, os descobriu. No principio concordou em não revelar o segredo a ninguém, mas com o passar dos dias Shisui começou a desenvolver sentimentos afetivos por Itachi, até que finalmente o ameaçou contra a verdade a toda a família se caso não finalizasse a relação que mantinha com o outro homem. Ao que parece tiveram uma briga que terminou com a morte de um deles.
- Então Itachi desapareceu dois dias depois. - concluiu.
- Sim. - Asseverou. - Tobi disse que ao que parece existe uma prova fundamental que a família Uchiha ocultou para que a policia não pudesse encontrar o assassino. A carta de suicídio que Shisui deixou antes de morrer.
- Uma carta... - sussurrou o loiro emocionado. O caso cada vez mais parecia mais interessante. - Mas o enigma ainda não se encaixa ao todo. Se realmente o assassinaram, por que Shisui escreveria uma carta de suicídio? Não faz sentido. E o que é mais suspeito... Por que queriam escondê-la? Ela poderia ter sido a desculpa perfeita que o assassino precisava para ser absolvido de todas as acusações.
Sai simplesmente deu de ombros.
- Não consegue fazer o Tobi me dizer mais nada. Os pinceis deixaram de surtir o efeito desejado depois que acabou a vaselina...
Fazendo-se de surdo ao último comentário, Naruto levou a mão ao queixo, pensativo.
- Em qualquer caso temos que voltar a falar com ele e fazer que nos conte tudo o que sabe. E o mais importante. – salientou – temos que encontrar essa carta.
- Disse que é possível que Sasuke a tenha.
Um desagradável estremecimento correu pela sua espinha ao escutar esse nome. Pela segunda vez, o loiro levantou o rosto rapidamente ainda que seus olhos pareciam não perceber nada com exatidão. O que havia dito? Quem a tinha... ? As palavras entraram em sua mente, incapazes de assimilar-se com exatidão.
- O que? – gritou desconcertado.
- Talvez Sasuke tenha a carta. – repetiu Sai com paciência.
A cadeira do escritório foi empurrada bruscamente quando Naruto se levantou precipitado e com o coração a mil por hora.
- Já te escutei! Mas... De onde tirou essa ideia de que o bastardo a tenha? – questionou intrigado, surpreendido ao notar sua própria voz insegura.
- São rumores – esclareceu – Quando a policia começou a pegar o testemunho dos familiares da vitima, revelaram que Itachi foi a última pessoa que o viu com vida, e Sasuke o último que viu Itachi antes que desaparecesse. O provável é que Itachi aproveitou esse último instante para entregá-la ao seu irmão mais novo, para que caso as coisas piorassem houvesse algo que o agarrar-se.
- E se sabe algo sobre o conteúdo da carta?
Sai negou lentamente com o rosto e Naruto começou a analisar rapidamente a situação.
Por que demônios sempre aparecia Sasuke metido em tudo?
Ainda que fosse uma informação completamente confiável, tinha que investigar essa pista, ainda que fosse só para descartá-la. Mas havia um problema. No caso da existência dessa carta e que estivesse nas mãos de Sasuke, tinha certeza que o bastardo jamais iria mostrá-la por vontade própria. Perguntar-lhe ou tentar chegar a um acordo com ele também eram uma perda de tempo. Podia por a mão no fogo que ele preferia passar a vida no celibato a ter que contar-lhe a verdade.
Em tal caso não lhe restava outra solução senão entrar em sua casa e buscar-la ele mesmo. Mas isso não era invadir a casa dele? ... Não necessariamente. Porque recém Sakura havia lhe convidado para jantar essa mesma noite... Sua desculpa perfeita.
Com um sorriso de orelha a orelha, foi até o cabideiro e colocou o casaco, avançou com passos firmes até a saída.
- Aonde vai? – escutou Sai lhe perguntando atrás.
Abriu a porta com um gesto contundente, e antes de fechá-la pronunciou com astúcia.
- Vestir-me apropriadamente. Tenho um jantar para ir.
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A toalha de mesa, de um tom cru com os rebates bordados habilidosamente em dourado, estava perfeita mente alinhada e colocada sobre a mesa de jantar. Louças, talheres e copos importados italianos, que Sakura escolheu a dedo para sua amiga de infância, foram distribuídos ao longo da mesa estrategicamente colocados em frente aos quatro lugares à ocupar. O jantar, saboroso e fumegante, bem cozido no forno, a espera de sua degustação. O único que faltava, o único que os mantinha expectantes e a esperada de começar a 'festa', era a ausência dos convidados.
- Naruto esta atrasado. – grunhiu Sakura olhando pela quinta vez o relógio de ponteiros que estava preso na parede da sala de jantar. Já passava das seis e quinze da tarde. Consultou de novo seu celular verificando que não tinha nenhuma chamada perdida do loiro. – Se não iria vir pelo menos podia ter avisado. Esse idiota...
Sasuke, sentado comodamente em um sofá de couro negro, sorriu e deu um leve murmúrio que pareceu com o de uma risada escapou de seus lábios enquanto continuava acariciando em silêncio o pelo do gato ronronando placidamente instalado entre suas pernas.
Havia lhe enganado, o dobe não iria vir ao jantar, e sua alegria era grande. Por fim poderia assegurar que havia desejo de tal presença insuportável, e agora, com sua paz interior reunida novamente, podia voltar a relaxar e deixar para trás o nervosismo que havia lhe incomodado durante todo o dia ao pensar que, em algum momento da noite e submergidos em uma desafortunada conversa, o dobe pudesse delatá-lo e mostrar a sua noiva aqueles vergonhosos acontecimentos, dos quais foi surpreendido.
Melhor assim, na realidade não queria voltar a vê-lo...
- É uma pena – replicou Ino aproximando-se da mesa para servirsse um copo de vinho branco que levou aos lábios com lentidão. – Eu teria gostado de conhecê-lo. Sobretudo se for tão lindo quanto Sakura me disse.
Sasuke arqueou uma das sobrancelhas e girou o rosto até sua noiva, da qual evitou claramente seu olhar inquisidor enquanto tossia fortemente atrás de uma das mãos, com as bochechas coradas pelo comentário.
- Disse que é muito bonito – prosseguiu Ino com um ar sonhador. – Bem, na realidade suas palavras foram: atrativo, encantador, de cabelos loiros, olhos azuis e com uma voz muito bonita... É exatamente o que o médico me receitou.
- Ino... – reprovou sua amiga com um sorriso forçado. Notava como os olhos negros de seu noivo se cravavam com força em sua nuca. – Eu não disse tudo isso...
- Sim, disse. – asseverou, mesmo sabendo que Sasuke as escutava. – O que será que me esqueci de explicar? O quanto babava falando dele?
- Ino! – replicou irritada – Eu não estava babando.
- Claro, claro...
A Sasuke lhe deu a impressão, pelo estremecimento que acorria no corpo de sua noiva, que logo se converteria em uma bola de fogo. Iria ser interessante descobrir se a tintura de cabelo era tão inflamável como sua cor.
- Acompanhe-me um momento a cozinha. – grunhiu Sakura.
- Nada disso, testuda. – declinou dirigindo-se melosamente até o sofá. – Já que não tenho acompanhante prefiro ficar com Sasuke-kun. Faz muito tempo que não conversamos...
- Insisto. – reclamou agarrando à tempo um dos antebraços puxando-a bruscamente e dando-lhe a entender que não aceitaria um não como resposta.
Quando a irritante conversa feminina cessou, coberta entre quatro paredes da cozinha, Sasuke permitiu-se cerrar os olhos com um longo suspiro. Reclinou a cabeça para trás, sem deixar de acariciar a longa pelagem do gato. Esse pequeno e insignificante gesto sempre lhe relaxava.
Será que Sakura realmente acreditava que o dobe era atrativo?
Seu cenho se franziu copiosamente.
Que estupidez...
Naruto não era atrativo. Ao invés disso, era o anticristo da sensualidade. Sempre usava roupas desalinhadas, o cabelo eternamente arrepiado... E dizia que sua voz era bela? Por Deus, estava claro que quando Sakura lhe disse isso, a única coisa que não pretendia era ser sua amiga. Era irritante, exasperante, desgastante... Berrante.
O dobe não tinha nenhum ponto bom a favor.
Ainda que as vezes certas partes de seu corpo assinalaram com decisão própria, o contrário.
Uns leves golpes na porta da entrada reclamaram atenção. Não tinha consciência de quando havia se levantado, nem quando havia ordenado a suas pernas para caminhar até a entrada, e muito menos, quando demônios havia pego na maçaneta da porta, fazendo-a girar.
E ali, no vestíbulo de sua casa, estava esperando com um amplo sorriso o último convidado da noite. Uzumaki Naruto.
- Eu sei, estou atrasado. – espetou o detetive como uma saudação. – O carro não queria funcionar.
Sasuke não pôde evitar observá-lo de cima à baixo.
Usava uma calça preta ternamente apertados a cada linha de seu quadril e pernas fortes. A camiseta em um tom laranja claro remarcando belamente seu abdômen, braços e ombros, com uma suculenta abertura no pescoço, por ela podiam-se apreciar o firme peito bronzeado de onde ressaltava um curioso, e a primeira vista, caro colar com uma pedra azul. Semelhante a cor viva de seus olhos. Os cabelos continuavam igualmente bagunçados como sempre, ainda assim observando com atenção podia chegar a apreciar o brilho do gel com o qual, seguramente havia tentado dominar seus rebeldes cabelos. E seus olhos, tão azuis como o céu, brilhavam de uma maneira sedutora, como jamais os havia visto antes.
Sasuke ficou sem ar.
O loiro estava pertubadoramente imponente.
Continuou erguido e tenso, com os olhos fixos em Naruto, sem poder apartá-los, sem decidir se falaria ou não. Havia se preparado mentalmente caso tivesse alguma possibilidade altamente improvável do dobe aparecer, mas a realidade superava suas expectativas. Definitivamente não estava preparado para confrontá-lo, não quando v estia essas roupas e seu olhar destilava tanta luz.
Notou um estremecimento recorrer-lhe todo o corpo, e como um calor abrasador subia insistentemente desde o estomago até as bochechas. A mão que se encontrava ao redor da maçaneta começou a tremer incontrolavelmente, tanto que teve de apertar com mais força para detê-la.
- Quem é Sasuke? – escutou a pergunta de Sakura de dentro da casa. Seu coração começou a bater bruscamente.
Não. De forma nenhuma. Não ia permitir que ele entrasse. Não ia suportar sua presença toda a noite e tolerar os olhares, as palavras e os gesto tensos que provavelmente criariam.
- Ninguém. – negou bruscamente enquanto ameaçava fechar a porta. Faltava pouco para conseguir, a não ser pelo pé que Naruto colocou no meio, trancando a porta.
- Vamos bastardo. – o detetive balançou a cabeça e um sorriso sarcástico se desenhou em seus lábios. – Quem te vê diria que não se alegra em me ver.
- É que não me alegro em te ver, dobe. – grunhiu defensivo, sem deixar de pressionar a madeira que não cedia tanto quanto o desejado.
- Que consideração a sua. – bufou e a decepção se refletiu em suas pupilas, mas não foi por isso que deixou de sorrir amavelmente. – Vim com a intenção de que enterremos faixas de guerra por uma noite, mas vejo que você não esta de acordo. – suspirou com um fingido pesar. – Nesse caso não vou ter outra solução a não ser recorrer ao plano B.
- Que consiste voltar por aonde veio? – musicou irônico.
- Não. – riu – Se não me deixar entrar vou gritar suficientemente alto para que sua noiva e metade da vizinhança saiba da tua homossexualidade, logo da tua infidelidade, e para assegurar-me que ficou claro, vou gritar quais são os teus hábitos sexuais, com ilustração de imagens incorporadas. Assim que, se quer saber o que é a autentica humilhação, atreva-se a fechar essa maldita porta.
Tic nervoso no olho esquerdo, tic nervoso no olho direito, veia palpitando sobre a testa, som de dentes cerrados e grunhido gutural e perigoso saindo da garganta. Sim, eram sinais suficientes para advertir que havia conseguido irritar Sasuke.
Mas Naruto estava tranquilo, sabia que o bastardo não mas solução a não ser ceder...
... E finalmente a porta se abriu.
- Se você disser algo... – sussurrou rouco, antes que o loiro entrasse por completo.
- Relaxa. – Naruto o olhou de canto de olho suavizando a voz. – Não tenho intenção de faze-lo. Sou um homem de palavra.
- Eu espero.
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Se havia algo que Sasuke tinha muito claro à base de más experiências, era que a comida feita por Sakura nunca teve um bom sabor. Soube na primeira vez que provou sua sopa de miso. Intragável. Também na segunda vez quando querendo compensar a primeira, insistiu em preparar uns onigiris. Todos infumáveis. Também soube na terceira vez, na quarta, na quinta vez que tentou fazer legumes fritos. Carbonizados até não pode mais. Depois de dez tentativas e uma decomposição estomacal, Sasuke chegou a duas conclusões claras. Primeira, Sakura não se dava nada bem com a cozinha. Segunda, contratariam uma empregada que cozinharia por ela. Por isso, naquela ocasião nenhum dos dois pôde sair de se pavor quando o loiro, com um sorriso satisfeito, devorou o conteúdo do prato e quis repetir. Definitivamente o dobe havia nascido sem papilas gustativas. A única coisa que alegrou a noite à Sasuke foi saber que logo sofreria uma dolorosa dor de estomago.
Mas para a sua surpresa, o jantar estava discorrendo com total tranqüilidade. A atitude de Naruto havia sido durante todo o tempo amistoso e conciliador, sem comentários irônicos ou sarcásticos que pudessem gerar incomodidade ou desconfiança. Ainda que podia-se dever isso a pouca, ou melhor nula, participação do moreno. Em nenhum momento abriu a boca, nem sequer para comer.
Ainda assim não pôde deixar de ficar tenso a cada minuto. Parecia ter percebido em alguma ocasião os rápidos olhares que o loiro lhe dedicava, penetrantes e sugestivos. Algo que desconcertantemente lhe havia provocado um agradável estremecimento.
- Eu trabalho em uma floricultura. – explicou Ino, sentada ao lado do loiro. – As pessoas sempre dizem que eu cheiro a flores. Quer me cheirar?
Sem esperar pela resposta, a mulher se aproximou do loiro com o rosto erguido, mostrando sua garganta clara e esbelta. Primeira fase de sedução, concluiu Sasuke sem deixar de observá-los. Estava mais do que farto de sofrer essas constantes atenções por parte das mulheres... E algum que outro homem. E Ino parecia ter gostado do dobe...
- Claro. – o loiro se aproximou alegre pela oferta, chegando a roçar a ponta do nariz contra o pescoço oferecido, sem pressa. – O aroma é muito suave.
- Sim, sim.
Sasuke notou novamente a onde de calor que se expandia rápido por suas entranhas, mas diferente da ocasião anterior, esta vez se unia à extrema necessidade de golpear algo com os punhos. O rosto bobalhão do loiro sentado em frente lhe trazia muitos pontos a favor. Talvez em outro momento e lugar, aquele descarado havia sido ignorando estoicamente em uma de suas cantadas. Mas era impossível faze-lo quando uma das duas pessoas se tratava dele.
Por Deus, ele estava tão desesperado querer se atirar para a Ino?
- E você? Trabalha em que? – perguntou de novo a jovem.
Sasuke parou de respirar. Olhou de canto de olho até o assento ao lado, recordando com gratidão que Sakura se encontrava na cozinha preparando o chá. Acertado por uma grande incerteza, cravou seu olhar de critica em Naruto, pedindo internamento para que o dobe inventa-se qualquer profissão banal menos a sua.
- Sou detetive privado. – respondeu
Maldito dobe do demônio!
Sasuke jurou internamento vingar-se dele quando tudo isto houver terminado.
Nervoso e a ponto de sofrer outra das muitas crises nervosas que havia padecido desde que conheceu o loiro, o moreno espremeu entre suas mãos o guardanapo como se fosse o pescoço de Naruto. Não contente com a pouca descarga de frustração que isso produzia, tomou impulso antes de soltar uma patada por debaixo da mesa, que pretendia golpear a pessoa à sua frente, se viu inesperadamente desviada até a pessoa incorreta.
- Auch! O que foi isso? – se queixou Ino levando uma mão à panturrilha atingida.
Sasuke cerrou os olhos, e tentou recordar como se respirava adequadamente. A situação fugia de seu controle por momentos. Um passo em falso, um comentário fora do lugar e toda sua vida acabaria lançada ao mar. O coração bombardeava com tanta violência que lhe custou grande esforço continuar escutando a conversa dos dois jovens.
- E o que investiga?
- De tudo um pouco. – musicou sem querer olhar diretamente o moreno. – Procurar pessoas desaparecidas, resolver casos de assassinato, conseguir provas acusatórias de infidelidades... – fez uma pausa na qual se permitiu sorrir com presunção. Percebia como Sasuke lhe observava com expectativa. – Essas coisas.
- Que interessante...
Ino se aproximou ainda mais do loiro invadindo claramente seu espaço pessoal, deixando pousada intencionalmente uma mão sobre o músculo do detetive, onde pego de surpresa fazendo com que suas bochechas adquirissem um vistoso tom carmesim. Incomodo, Naruto tratou de afastar-se o máximo que lhe exigia a boa educação, girou o rosto para frente e seu olhar cruzou com o de Sasuke. Com estranheza viu como apertava fortemente a mandíbula enquanto entrecerrava inquisitoramente seus olhos, nos quais lhe pareciam uma ligeira cor avermelhada impregnada em suas pupilas. Talvez estivese a ponto de chorar sangue, ou algo do tipo...
Confuso por um repentino e inexplicável sentimento de culpa, Naruto se pôs de pé em um salto, cortando todo o contato com a jovem. Maldição. Ele não estava ali para se deixar seduzir por uma mulher, e sim para buscar provas para sua investigação. Deu a volta na cadeira antes de perguntar inquieto.
- O banheiro, por favor?
- Segue reto pelo corredor. – lhe explicou Sakura que recém entrava novamente no ambiente com um bule e várias xícaras. – A segunda porta a esquerda.
- Obrigado.
Com torpes passos se afastou da mesa, entrando no corredor. Uma, duas, três e até quatro portas pôde ver distribuídas ao longo. Olhou por ambos os lados e contou mentalmente até a segunda no lado esquerdo. Essa era a do banheiro. Ainda que não fosse precisamente o lugar que pretendia entrar. E sim à alguma das três portas restantes.
Sabendo do escasso tempo que dispunha antes de que dessem sua falta na mesa, optou por começar com a que havia justo em frente ao serviço. Em algum lugar devia estar esocndida a maldita carta.
Abriu a porta e tateou em busca do interruptor de luz. Quando o local ficou plenamente iluminado se surpreendeu de ver que a primeira a olhar não era nada mais que o quarto de Sasuke, coisa que deduziu pela cama de casal que estava no centro.
Aproximou-se até a alta cômoda do canto e começou a examinar por cima cada gaveta, não encontrando nada parecido com uma carta. Dirigiu-se então aos pequenos bidês, colocados um de cada lado da cama. Uma dela continha lingerie feminina de renda, a maioria transparente. Naruto ergueu com curiosidade uma das peças.
- Sempre disse que se podia descobrir muito de uma mulher por suas roupas de baixo...
Deixando para trás a quantidade de pensamentos impuros que começaram a discorrer por sua mente, prosseguiu sua busca no armário. Mas além daqueles já conhecidos e caras roupas do bastardo e sua roupa esportiva, não encontrou nada.
- Onde demônios ele pode ter escondido... – sussurrou para si mesmo.
Deu meia volta deposto a buscar em um segundo quarto. Quando estava a pode de alcançar a saída, a figura do bastardo se atravessou no caminho, cortando-lhe o passo.
- Este não é o banheiro. – grunhiu Sasuke em tom inquisidor.
Fudeu.
- Disso já me dei conta. – replicou com a mesma segurança cruzando os braços. Os olhos do moreno se estreitaram e soube que a resposta não lhe parecia o suficientemente convincente, por isso se apressou em adicionar. – Sempre confundo direita com esquerda.
Tentando aparentar menos importância do que tinha, quis passá-lo para continuar seu caminho, mas as fortes mãos do moreno lhe agarraram pela camiseta, impulsionando-o de novo ao interior do quarto que foi fechado logo depois. Naruto soltou uma ligeira queixa quando suas costas se chocaram bruscamente contra a parede mais próxima e suas mãos foram imobilizadas em cima de sua cabeça.
Havia lhe encurralado.
- Por que veio? – exigiu mais que perguntou o moreno a escassos centímetros de seu corpo. – Pensava que havíamos chegado a um mutuo acordo. Você desaparecia da minha vida e eu da sua.
Naruto se abalou ao notar o alito quente roçando sobre seus lábios, a respiração acelerada, salpicada de pequenos suspiros contrariados, e a tensão dos braços que prensava suas mãos. Tragou saliva com dificuldade e notou como o pêlo da nuca se eriçava quando contemplou os brilhantes olhos negros que a excassos centímetros o observava.
- Mudei de opinião. – pronunciou rogando para que sua voz tivesse soado convincente. – Pensei que podia ser divertido. Sua namorada é realmente um encanto, e Ino é muito bonita. Não é todos os dias que tenho a honra de jantar com duas belezas.
Sasuke produziu um grunhido gutural e indecifrável ao tempo em que redobrava a força com que o apertava contra a parede. Não havia gostado nada dessa confissão. Deslizou uma perna entre as do detetive roçando intencionalmente a entre perna com o músculo. Naruto respirou pesado, e uma onda abrasadora de calor se expandiu por todo o seu corpo. Recordou o beijo, como ambos haviam se excitado ao contato de seus corpos, os tórridos sonhos molhados e os remédios manuais no banho. Negar era impossível, ainda que suas palavras pronunciassem o contrário, Sasuke lhe atraia mais que qualquer outra coisa.
Conteve a respiração quando o moreno se inclinou à frente, tanto que seus narizes se roçaram e suas bocas ficaram a escassos centímetros. E durante uma fração de segundo temeu por sua integridade, por sua sanidade mental, por sua súbita vontade de empurrá-lo contra o armário e sobretudo por que sua dureza fosse tão evidente como a cor púrpura em suas bochechas.
- Mas você não era gay? – questionou mordaz o moreno com um meio sorriso. Mudou levemente de postura golpeando novamente o músculo contra a ingle.
Naruto teve que conter um gemido angustiado quando constatou que parte de sua sanidade menta e total do corpo havia deixado de obedecer-lho. Respirou fundo, tratando de acalmar seu baixo ventre que latejava. Já nem sequer podia pensar racionalmente em outra coisa que não fosse libertar-se das mãos e apertar com elas, os dois globos que o bastardo tinha por traseiro.
- Não é só porque você seja que eu também tenho que ser, teme. – falou com grande dificuldade. Havia começado a hiperventilar.
- Sério? – riu levando o rosto até o ouvido do menor, tomando-se um tempo antes de perguntar sarcástico. – E por que voltou a se excitar?
Naruto abriu desmenssuradamente os olhos a se ver descoberto, mas não protestou nem tratou de afastar-se. Limitou-se a sorrir maliciosamente e em silêncio. Sasuke não era o único que havia notado uma dureza pressionando contra seu músculo. Novamente voltavam a reacionar em par.
- Creio que não sou o único. – ronronou em seu ouvido.
O detetive mordeu os lábios tentando reprimir um sufocante gemido quando a língua de Sasuke começou a lamber-lhe o pescoço em toda a sua extensão. Por instinto ergueu o rosto para dar-lhe maior acesso a sua pele quente, apertou a rígida coluna contra a parede e cerrou os punhos com força. Seus beijos queimavam, e sua língua lhe provocava incontroláveis ondas de prazer. Nem sequer foi consciente de quando seu quadril havia começado a se mover, compassadas com a fricção enlouquecedora de Sasuke sobre seu músculo.
- Não se aproxime dela... – escutou o que lhe dizia entrecortadamente ao ouvido sem deixar de chocar seu quadril. Mas Naruto não estava no melhor momento para questionar se referia-se a Ino ou a Sakura.
Sasuke não continuou degustando do pescoço bronzeado, e sim buscou com seu olhar o de Naruto, até encontrá-lo. Depois de alguns segundos incertos, o loiro viu como Sasuke virava o rosto e lentamente o inclinava até ele, no mesmo instante soube com total certeza o que iria acontecer pela segunda vez. E nesse glorioso instante, depois de haver observado as ternas bochechas coradas do bastardo e as pupilas dilatadas pela excitação, Naruto confirmou o que sempre havia suspeitado.
Não era uma simples atração. Realmente gostava de Sasuke.
Estou fodido. Foi o última coisa que pensou antes de cerrar os olhos e aproximar o rosto oferecendo seus lábios. Estou fodido.
- Sasuke-kun?
O moreno escutou a voz de sua noiva perto do quarto, e instintivamente deu um salto para trás assustado, com os olhos abertos como pratos e as bochechas avermelhadas. Girou o rosto até a porta do dormitório confirmando que ainda continuava fechada e ninguém havia visto nada do que estava acontecendo. Com um grunhido frustrado pela abrupta interrupção, se obrigou a se recompor em sua habitual máscara de indiferença, recuperando parte de sua compostura.
Ao devolver novamente a atenção sobre Naruto, seus olhos piscaram confusos. Tinha o rosto inclinado à frente com os cabelos caídos sobre a testa, os ombros tremiam pavorosamente presos pela angustia que o convulsionava, e suas mãos rígidas se orpimiam com força, incapaz de conter os tremores que o sacudiam.
Sasuke franziu energicamente as sobrancelhas. O que demônios aconteceu?
- Oye... – quis indagar. Ergueu uma mão, mas antes de sequer roçar com ela o ombro do loiro, este já havia dado um tapa nela antes de sair correndo do quarto.
O detetive topou com Sakura no corredor, que de costas para ele, discutia com Ino sobre o paradeiro de Sasuke. Ao passar ao seu lado nem sequer as olhou. Com o passo acelerado, foi até a cozinha e depois de pegar o casaco que descansava nas costas da cadeira, girou até as jovens esboçando a melhor cara que podia fazer.
- Sinto muito, preciso ir. – indicou breve – Já abusei o suficiente de sua hospitalidade. – avançou até a porta de costas forçando um sorriso. – Muito obrigado pelo jantar. Sério, estava maravilhoso.
Sem sequer dirigir-lhe um olhar à terceira pessoa que aparecia pelo corredor, atrás das jovens, girou-se, atravessou o pouco que restava de distancia e saiu pela porta.
- É minha impressão ou parecia nervoso? – comentou Sakura.
- Maldita testuda. – intervenho a loira com um suspiro desiludido. – Me fez perder meu encontro com esse pedaço de homem. Aposto que teve uma indigestão por culpa da tua comida.
- E será que não fugiu de ti, Ino-porca? – reprovou
- Que disse testuda?
Aproveitando os minutos de discussão feminina, Sasuke retrocedeu em seus passos, encerrando-se no banheiro. Ele tão pouco podia aparecer com uma protuberância tão chamativa em suas partes baixas.
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Depois de molhar o rosto várias vezes e respirar pausadamente, a urgente necessidade fisiológica de Sasuke havia decaído até anular-se por completo. Agora já podia pensar com mais claridade no que havia acontecido no quarto. Atração eminente. Não era a primeira vez que lhe ocorria com o loiro, e ainda que seu propósito no primeiro instante havia sido de reprovar sua conduta com Ino, não tinha conseguido.
- Já decidiram de uma vez o arranjo floral que vão escolher para o centro da mesa? – perguntou Ino a Sakura enquanto mostrava vários catálogos de flores.
- Ainda não me decidi. Eu gosto d armação das orquídeas, mas não acho que serão suficientemente vistosas para um casamento. – comentou a jovem mordendo o lábio inferior. Ergueu o rosto, dirigindo uma pergunta ao seu noivo, que imóvel em frente da janela, parecia ausente. – O que você acha Sasuke?
Chovia, do outro lado da janela a visão havia se tornado um tanto quanto turva, mas não o suficiente para não distinguir o carro negro estacionado em frente a sua porta, do qual depois de várias tentativas para ligá-lo, não conseguia funcionar.
Sasuke deu um meio sorriso sem deixar de olhar atrás da janela. Estúpido dobe. Levava mais de meia hora metido no carro girando a chave de contato. Por acaso não escutava o ruído ronco que imitia o motor?
- Aconteceu alguma coisa? – escutou em suas costas. Girou o rosto por cima do ombro à tempo de ver sua noiva atrás de si.
- Naruto ficou sem bateria e o carro não quer arrancar. – comentou. Talvez essa fosse a razão de ter chegado tarde no jantar também.
- Ohh, pois será melhor que durma aqui então. É muito tarde para chamar um guincho.
- O que? – o moreno girou com brusquidão até sua noiva, formando sua melhor expressão de homicídio. – Deixa ele, não é nosso problema. Pode chamar um táxi para voltara para casa.
- Não vou deixar que chame um táxi tendo um quarto de hóspedes, Sasuke. – riu cruzando os braços. – Não seja escandaloso.
- Mas é a Ino que ia ficar no quarto de hóspedes, se lembra? – grunhiu dando a entender que não era uma boa ideia que duas pessoas que acabaram de se conhecer e ainda mais se forem de sexos distintos que compartilhem a cama.
- Nesse caso, levamos a Ino ao nosso quarto. Ela pode dormir comigo.
Sasuke pressionou as pálpebras enquanto refletia. Se Sakura e Ino dormiriam juntas em um quarto, por eliminação o dos hóspedes seria ocupado por... Eles dois.
- Não! – vociferou após compreender.
Mas era tarde demais. Sakura já havia descido as escadas rumo à rua.
Continua...
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Notas da Autora: hahaha, Sasuke não sabe o que o espera... Vai 'espirrar' estresse, frustração e alteração hormonal por cada poro de seu ser nesse quarto, concretamente nessa cama. Já disse o quanto eu gosto irritá-lo? xDDD
Como não, sempre que esses dois se encontram saltam fagulhas. Já podem imaginar o que vai acontecer no próximo capitulo. Conseguirá Naruto manter sob controle seus hormônios? Chegará ao primeiro lemon entre esse dois homens? Terão coragem de fazê-lo com Sakura no quarto ao lado? Tudo isto e mias no próximo cap.
Este sim é o último capitulo do ano. Felizes festas a todos. Obrigada por seguir lendo-me e animando-me com vossos comentários. Os agradeço de coração.
Nota de Tradutora: Eu sei, me matem, eu errei. É um fato. Demorei de mais. Mas para compensar eu irei postar o cap 7 na segunda. Por isso. Perdão? E claro reviews? Por favor?
(ps: não pude revisar, por isso perdão pelos erros de português.) A e quero agradecer a todos aqueles que mandaram reviews. Vocês são uns anjos *-*
E claro, mais uma vez. Obrigada a Naruko-chan por me permitir traduzir esta excelente fic.
