Titulo original: 8 Semanas

Autora: Oo-Naruko-oO

Tradutora: Kappuchu09

Disclaimer: Naruto pertence à Masashi Kishimoto, e essa fic pertence à Naruko-chan.

Cap 08: Necessidade Extrema

Cinco semanas antes...

- Realmente, estou surpreso em te ver aqui. Não me lembro de termos marcado nenhum encontro. Qual é o motivo da sua visita, Sasuke?

O moreno cerrou os olhos e um lânguido suspiro escapou de seus lábios.

Realmente, não sabia. Apenas recordava ter entrado no carro, e dirigir por um longo tempo sem um rumo estipulado. Contudo, quando deu-se conta, havia parado o veículo em frente a aquele consultório sentimental, que tantas vezes havia jurado interiormente vingar-se. Talvez involuntariamente, buscava alguém com que pudesse desabafar, consultar suas dúvidas, alguém confidencial, uma pessoa intransigente, da qual não possuísse relação em sua vida diária e não pudesse julgá-lo.

Alguém como Kakashi.

- Acho... – pronunciou vacilante, enrugou o cenho e os olhos negros se tornaram pensativos. – Acho que estou ficando louco.

O consultor deu um meio sorriso, oculto por detrás das páginas do livro erótico que costumava ler.

- Por que acha isso?

Porque desde que esse dobe havia desaparecido de sua vida há uma semana atrás, uma asfixiante sensação de vazio havia se instalado em seu peito e seu mau humor havia alcançado limites inesperados, quis ter respondido. Essa reação não tinha nenhum sentido. Definitivamente tinha que ter perdido a cabeça.

Havia sonhado todas as noites com ele. A maioria deles eram sonhos úmidos nos quais as caricias e os beijos sucediam sem descanso. Até que chegou a tal ponto, de ofuscação que inconscientemente se levantava de madrugada e sonolento ia a um quarto que não era o seu, a outra cama, a outras cobertas, buscando o suave aroma que os cabelos dourados haviam deixado impregnados no travesseiro. Algo realmente preocupante para uma pessoa que reafirmava encarecidamente ser um heterossexual convencido.

Em um acesso de raiva as jogou fora.

Doente, simplesmente doente.

Concentrar-se plenamente em seu trabalho sempre havia isolado-o dos problemas, fazer esportes, treinar na academia até ficar exausto. Mas não encontrou em nenhuma delas o remédio par a sua dor de cabeça. E Naruto continuava sendo o centro de seus pensamentos.

Queria voltar a vê-lo, ainda que seja completamente inadmissível quando ambos haviam decidido afastar-se por completo da vida um do outro. Mas como já sabia, sempre que se tratava de Naruto: Os juramentos tendiam a ficarem no esquecimento, e seus mais febris desejos iam tomando força em sua mente de uma forma esmagadora e impossível de ignorar. Dos quais não duvidou nem por um segundo em recorrer aos seus contatos, se com eles saciava essa imperiosa necessidade por saber dele. Pouco depois Neji, o detetive contratado, lhe informou cada um de seus passos.

- É uma pessoa bastante inquieta. Se torna complicado segui-lo. Trabalha em um escritório de detetives do qual vai todos os dias e no qual, relativamente, fica pouco tempo. Na maioria do dia passa fora, indo de um lugar ao outro, como se buscasse alguém. As vezes pára para comprar comida em uma barraca de ramen ambulante, e à noite saí para visitar alguns bares no bairro Akatsuki, sempre acompanhado por um homem moreno de olhos negros.

- Quem é ele? – perguntou mais ansioso do que gostaria de demonstrá-lo

- Sai, um colega de trabalho.

- Continue vigiando-o. – ordenou – Os dois.

Mas contar a Kakashi todas aquelas coisas que lhe atormentavam era impossível. Depois de tudo não era uma pessoa completamente desconhecida, e sabia de sua relação com Sakura. Mão queria lhe dar motivos para suspeita, que pudesse futuramente usar contra si.

- Sasuke?

A voz do conselheiro lhe retirou de seus pensamentos, fazendo-o erguer o rosto em sua direção.

- Hn?

- Deixe-me adivinhar... – prosseguiu vendo a pouca participação da qual dispunha o moreno para lhe perguntar – É Sakura está te deixando louco? Teve algum problema com ela?

Sasuke suspirou torcendo o rosto para um lado, deixando novamente a pergunta sem resposta. Sua noiva estava sendo ultimamente, outro problema a se somar entre outros muitos.

Desde que haviam começado com os preparativos para o casamento, Sasuke havia se esforçado para evitar sutilmente qualquer participação na tradicional festa. Para qualquer pessoa havia ficado claro a indiferença ou desinteresse que mostrava nesse assunto, mas Sakura pertencia a essa minoria com dificuldade de compreensão indireta, e durante toda a semana havia insistido em lhe perguntar a sua opinião em cada insignificante detalhe. As roupas, os anéis, a comida que colocariam no banquete do casamento... Em que isso lhe importava? Ele não se importava, qualquer coisa que ela escolhesse estaria bem, não iria discutir, mas Sakura não se conformava com sua inteira aprovação, e a dor de cabeça aumentava.

Soube que havia perdido a pouca paciência que havia lhe restado quando Sakura o recordou em que data do calendário estavam, e com ela, a acostumada viajem a Okaido para visitar seus sogros. Durante muitos anos, normalmente no inicio do mês, sua namorada o arrastava para passar um fim de semana na casa de seus pais fora da cidade, algo que sempre lhe havia provocado uma profunda irritação. Não porque fosse uma família má, ou não lhe tratassem com estima, sobretudo a mãe de Sakura, fiel e devota de sua pessoa, e sim porque isso implicava voltar a criar falsas aparências de namorado perfeito, considerado e agradável, que tanto detestava. Do qual Sasuke não duvidou em se desculpar por um inexistente mal-estar estomacal, e com a promessa de ir visitá-los outro dia.

Não contava com a preocupação que podia despertar em Sakura, da qual insistia encarecidamente em fazê-lo passar por uma lavagem estomacal no hospital. Apesar da insistência e de seus contínuos pedidos, por fim logrou persuadi-la para que fosse apenas ela no encontro e fazê-la entender que o mais importante era passar esse único fina de semana ao mês com sua família.

Com o que conseguiu que o deixasse com uns dias de tranqüilidade.

Quando Sakura saiu um tanto reticente pela porta da casa com uma bagagem para todo o final de semana, a máscara indisposta do moreno caiu e ansioso correu ao celular, pressionando com rapidez o número de Neji. Ele tinha esperado por vários dias, mas já não podia mais. Necessitava confirmar com urgência que tipo de relação Naruto mantinha com esse desgraçado que o seguia por todas as partes. Conhecer o presente de Sai, o seu passado, todos os assuntos escabrosos de sua vida, assim como seus pontos fracos. Absolutamente tudo aquilo que lhe beneficiaria em possíveis chantagens emocionais, se este se convertesse em uma ameaça que pudesse afastar Naruto dele.

Antes do primeiro tom soar, desligou.

Havia dito ameaça? Por acaso, sentia ciúmes desse miserável? Que estupidez! Foi então que compreendeu que o que havia começado como uma atração corria o risco de converter-se em uma perigosa obsessão.

Isso... Se já não havia se convertido.

- Sasuke. – insistiu Kakashi – Compreendo que esteja reticente em responder certo tipo de perguntas, mas... Quero que saibas que vou te cobrar igualmente, você falando ou não.

O moreno respirou fundo levando ambas as mãos as temporas, massageando energicamente. Talvez se falasse de seu problema de maneira concisa e sem demasiados detalhes Kakashi não poderia tirar conclusões precipitadas do assunto, mas ele poderia resolver sua indecisão.

- Tenho dúvidas. – pronunciou minutos depois do silêncio.

- Que tipo de dúvidas?

Para começar, o que Naruto tinha que lhe assombrava tanto? Não era a primeira vez que contratava serviços de homens para satisfazer suas atividades sexuais, em todos os casos era unicamente atividades orais, mas uma vez que tudo havia acabado e seu desejo estava satisfeito, nunca havia tentado encontrar a nenhum desses homens novamente como fazia com Naruto, nenhum deles desatou essa doentia necessidade que o corroia por dentro e acelerava seu coração praticamente morimbundo.

Realmente estaria arrependido?

Sim, claro que estava. Sobre tudo depois de tê-lo visto abatido e inclusive mirar-lhe o rosto. Não queria admitir, mas a situação havia saído de seu controle. A principio apenas quis que Naruto reconhecesse a atração que sofria por ele e aceitasse ser o substituto desses boqueteiros, dos quais havia deixado de procurar. Depois de tudo a culpa era sua, por não poder libertar a tensão muscular da forma que desejava. Mas quando provou sua boca...

Passou a língua por seus lábios, buscando o sabor de Naruto.

Não pôde conter-se.

E cada vez que recordava os carnosos lábios, a úmida e faminta língua, e a apaixonante intensidade de seus beijos, o desejo de voltar a prová-los lhe arremetia por uma violenta cobiça.

Por Deus, havia beijado um homem!

Reconhecer não era fácil, tão pouco olhar dentro de seu coração. Mas o que estava claro é que nunca havia sentido aquele desejo por Sakura. A queria, a respeitava, mas ela nunca havia acendido sua alma daquela maneira. Não nublou seu juízo, não acelerou seu coração, não lhe assombrou ao ponto de desatar um monstro tão voraz como o eram os ciúmes. Contudo, ela lhe traz estabilidade emocional a sua vida, calma e sossego. Uma estabilidade que estava sendo destruída por esse dobe barulhento, sugestivo, e tremendamente hábil com as mãos.

Com um cansado suspiro, Sasuke se recostou sobre as costas do sofá, meditando durante uns segundos a pergunta correta.

- E se o que eu acho estupendo é, mas não tanto quanto algo melhor? – questionou duvidoso, fazendo comparação entre um e outro.

Kakashi ergueu preguiçosamente o rosto do livro, cravando seu único olho visível em Sasuke.

- Por acaso, está traindo sua namorada? – perguntou segundos depois.

- Que? Claro que não! – apressou em responder. Sua negação havia sido segura, mas a maneira profundo em que respirava delatava o nervosismo, que tratava de ocultar. Como demônios havia descoberto? Em sua pergunta não havia dito nada com que pudesse fazer essa conjectura. O coração começou a palpitar a um ritmo frenético enquanto um suor frio corria por suas costas. Esse homem com aparência de idiota crônico era perigoso, muito perigoso.

- Então não entendo da onde veem suas dúvidas. – prosseguiu o consultor preguiçosamente, retomando sua leitura. – Nada deveria te fazer duvidar, se mantem uma relação estável e nunca provou algo mais tentador do que o que tens em casa.

Sasuke abriu a boca para contestar, mas segundos depois voltou a fechá-la. Isso era certo, ninguém havia lhe feito repensar sua relação sentimental até que Naruto cruzou sua vida.

- Você já provou. – assegurou rindo sarcasticamente, por baixo.

Tarde deu-se conta que seu silêncio havia sido sua resposta.

- Isto é uma perda de tempo.

O moreno se pôs de pé com claras intenções de abandonar o local. Pressentia que se continuasse ali, não ia lhe ajudar no mais o mínimo. Apenas havia falado e Kakashi já tinha descoberto mais coisas de sua vida privada que Sakura em três meses.

- Você é quem veio buscar respostas comigo. Não é assim? – inquiriu com parcimônia o conselheiro passando distraidamente uma página do livro. – Não questione minha profissionalidade, sabe que este é um consultório privado e que não vai ser divulgada nenhuma noticia... por muito comprometedora que ela seja.

Sasuke estudou minuciosamente a metade do rosto oculto de Kakashi buscando alguma amostra de falsidade em suas palavras. Ao não encontrar mais que um olhar de sufrida paciência, sacudiu energicamente a cabeça aceitando sentar-se novamente.

- Bem – prosseguiu Kakashi – Para dissipar essa indecisão, o primeiro que faremos será começar com umas perguntas básicas. Se não quiser, não precisa respondê-las em voz alta, mas o importante é que seja sincero contigo mesmo. Senão nunca resolverás suas dúvidas.

Não acreditava que valesse a penas responder, mas ainda assim cabeceou afirmativamente.

- A causa principal de que muitas pessoas caiam na infidelidade é porque não são felizes em suas relações ou não estão satisfeitos com o que a sua parceira lhe oferece, ou seja pela monotonia ou pela rotina que fez com que a relação perdesse o sabor. A pergunta é simples: É feliz com ela?

Sasuke franziu o cenho pensativo.

Não estava seguro de compreender o que realmente era a felicidade. Estava há tantos anos com ela que não conhecia outra forma de vida. Se a estabilidade emocional era a felicidade, então provavelmente, era feliz.

- Pela cara que fez de uma de dois; ou necessita ir ao banheiro ou realmente a resposta é negativa. – zombou – Nesse caso, te formularei o contrário. É feliz com a sua aventura?

Sasuke bufou contrariado.

Obviamente, que não. No geral Naruto sempre o frustrava e lhe fazia perder os nervos com facilidade, não tinha nada bom que se pudesse assemelhar a felicidade. Bem, isso se deixasse de lado o habilidoso que podia chegar a ser no âmbito sexual.

- Se nenhuma delas duas resolve suas duvidas pense friamente quais são os benefícios que receberia nessas duas relações. Sempre encontrará aquela que se fará ser mais apreciada por ti.

Intensa paixão ou estabilidade e calma? Não achava que pudesse viver com uma sem dispor da outra.

- Parece que essa pergunta tão pouco ajudou. – alegou com um ápice de fadiga. – Nesse caso imagina que já é um ancião e tem passado toda a sua vida ao lado de uma dessas pessoas. Sua vida é como sempre havia sonhado, suas expectativas estão cumpridas e és plenamente feliz. Talvez isso seja o mais difícil para ti, imaginar-te sorrindo e isso... – pigarreou – Enfim, qual dessas duas pessoas é a que você vê ao seu lado?

Sasuke arrugou as sobrancelhas ladeando o rosto de forma pensativa.

Era difícil imaginar-se vivendo essa situação, já que sempre havia pensado que preferiria deixar de respirar antes de se converter em um ancião débil e deteriorado. Mas se por alguma razão altamente improvável chegasse a essa idade e sua vida houvesse transcorrido como sempre quis, longe de falsas aparências e obrigações, Sasuke podia vislumbrar com claridade um rosto ancião, porém belo, sentado ao seu lado, com um olhar claro e terno entornado por suas pálpebras pesadas, dos quais deixavam observar dois grandes olhos brilhantes e cheios de vida, seu sorriso continuava sendo amplo e travesso, e as inevitáveis rugas cruzariam seu rosto bronzeado, tapando as marcas que um dia cruzaram suas bochechas.

Esse era Naruto.

Aquela visão foi suficiente para que os batimentos de seu coração golpeassem fortemente contra seu peito e a respiração se acelerasse. Isso era certo? Inconscientemente queria passar o resto de sua vida junto desse dobe barulhento?

- E se estou equivocado? – exclamou exasperado pela inesperada revelação. – E se é somente uma dúvida passageira?

Sasuke ergueu o olhar e contemplou aturdido o gesto seguro e conciliador que lhe dedicava Kakashi.

- Então, só te resta perguntar ao seu coração, é o único que nunca mente. – disse suavemente. – A pessoa que o incendeia e o faça palpitar será a correta.

O moreno cerrou os olhos e se inclinou para frente, deixando os flácidos braços apoiados nos joelhos. Não precisava perguntar, sabia de sobra a resposta. Tarde demais chegou a conclusão de que aquela pergunta havia sentenciado definitivamente sua relação com Sakura.

- Aí tens a resposta que buscavas.

Sasuke cabeceou conforme se levantava com um gesto cansado. Havia sido muitas revelações em um dia.

- Acho que já está na hora de ir.

- A próxima vez que tenha dúvidas, pode me chamar pelo meu telefone pessoal. – Kakashi estendeu a mão, oferecendo um cartão publicitário da consulta. – Ainda que pode ser que não esteja disponível muitas vezes. Não posso te assegurar.

Sasuke contemplou distraído o cartão por longos segundos antes de decidir sair da sala. O que deveria fazer agora? Falar com Sakura e dizer-lhe que realmente não a amava? Falar com Naruto e admitir que talvez ele seja gay? Definitivamente, não. Sasuke faria o que qualquer um faria em seu lugar, depois de descobrir que estava apaixonado por outro homem.

Embebedar-se.

- Com certeza... – interviu Kakashi antes de que o moreno saísse completamente da sala. - Alguma vez já tentou fazer com um homem? Sabe, alguém que trabalhe em ti tendo o mesmo jogo de ferramentas a mão.

Sasuke apertou a boca, notando como o calor que tinha em suas bochechas era de um vistoso vermelho, e sem replicar, nem dar a entender com gestos se era correta ou não essa insinuação, deu meia volta e saiu do consultório. Internamente, Sasuke jurou vingar-se dele por... Já foram quantas? Cinco, seis? Não importava se vingaria dele e quando tudo estiver terminado, voltaria a se vingar.

Kakashi esboçou um sarcástico sorriso, retomando sua leitura.

- Sim, aposto que sim.

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Naruto entre abriu os olhos com estranheza.

Esse som estridente que escutava era a campainha de sua casa? Desconcertado, olhou a hora no relógio despertador sobre o criado-mudo. Qual desalmado iria apresentar-se em sua casa as três da manhã? Com certeza havia sido um sonho. Ainda adormecido, cerrou os olhos dando meia volta na cama simulando não haver escutado.

Instantes depois a campainha voltou a soar e desta vez com maior insistência.

Naruto voltou a abrir os olhos com irritação.

- Juro que vou matar quem esteja naquela porta. – grunhiu.

Irritado, retirou as cobertas, ligou o interruptor da luz e se levantou com preguiça. Seguro de que era o inoportuno Sai, que vinha de investigar ao fundo algum garçom do bairro Akatsuki. E isso que já havia avisado em ocasiões anteriores que esse tipo de informação insustancial não era tão urgente como para que tivesse que cortar-lhe de madrugada. Por acaso não dormia nunca? Naruto chegou a conclusão em várias ocasiões de que a única coisa em comum entre eles era que ambos eram humanos. E as vezes até duvidava disso.

Caminhou as escuras pela casa bagunçando despreocupadamente os cabelos mais do que já estavam, até chegar a porta principal. Desconfiado pôs um dos olhos pelo olho-mágico. Não era a primeira vez que apresentava-se em sua porta algum indigente buscando comida, dinheiro, teto que o abrigasse, ou as três coisas. Mas para sua surpresa do lado de fora não visualizou nada. Confuso, piscou varias vezes e esfregou os olhos antes de voltar a olhar.

Seguia sem haver ninguém.

Voltaram a soar os ligeiros golpes na porta.

- Quem é? – perguntou alto e claro sem sinalizar que abriria.

Segundos depois, uma voz débil e rouca lhe respondeu.

- Abre a porta.

Mas o que Naruto abriu foi os olhos, notando como seu estomago se embrulhava angustiantemente. Conhecia perfeitamente aquela voz masculina e o tom altivo que sempre empregava. O loiro tragou saliva com dificuldade, e durante um instante que lhe resultou eterno, duvidou se abriria ou não.

Finalmente fazendo algo corajoso, decidiu enfrentar a ameaça.

Destrancou e logo após abriu a porta. Como supunha, do lado de fora não encontrou ninguém, olhou para os lados, e a esquerda, sentado no chão com as costas apoiadas na parede, encontrou seu visitante.

- Sasuke. – disse incrédulo – O que demônios 'ta fazendo aqui?

O moreno ergueu o olhar, mais lento do que o normal, e um som estranho, parecido com o de uma risada brotou em sua garganta.

- Hey, dobe. – disse com dificuldade.

Naruto franziu o cenho, vendo o estado deplorável do qual se encontrava o moreno. Roupa desalinhada, cabelos revoltos, olhos brilhantes e entrecerrados, só poderia ser uma coisa. Agachou-se e comprovou, o que era indiscutível a primeira vista.

- 'Ta fedendo a álcool! – inquiriu fazendo uma careta. – Quantos copos de whisky você tomou?

- Esse whisky tinha copos? – perguntou entrecortado.

- Está bêbado.

Sasuke tentou levantar-se, mas seu precário equilíbrio o fez fracassar no mesmo instante, caindo de bunda, de novo, contra o chão. Fez uma segunda tentativa, flexionando as pernas e colocando ambas as mãos no centro como apoio, mas seu estado de embriaguez era suficientemente alto como para que as forças voltassem a falhar.

A ideia de deixá-lo ali atirado e fechar a porta como se não houvesse ocorrido nada, cruzou em grande velocidade pela mente do loiro, mas sabia que era algo impossível, sua sofrida consciência nunca lhe deixaria livre da culpa se o fizesse. Apesar de como o bastardo lhe tratava o tempo todo.

Naruto mordeu a língua irritado antes de inclinar-se e rodear-lhe o corpo por debaixo dos braços para levantar-lo e ajudar-lhe a entrar em sua casa. Sasuke se deixou fazer, docilmente.

- O que demônios aconteceu? Por que está assim? – lhe perguntou fazendo um custoso esforço para manter-lo em pé e cerrar a porta ao mesmo tempo.

- Não posso mais. – murmurou recostando a cabeça contra o ombro do loiro.

- Não pode mais? O que quer dizer com isso? – Naruto deu um vistasso rápido na casa, sem saber exatamente onde colocá-lo. O sofá era um ideia mais recomendável que deitá-lo em sua cama. Em passos lentos, tentou guiá-lo até ali. – Não me diga, esvaziou o estoque do bar que você foi.

- Eu tentei. – pronunciou pesadamente notando a língua inchada e enrolada. – Não queria, mas não posso continuar lutando, não continuar a perder. Cheguei ao meu limite... Broag!

Quando estava a ponto de recostar-lo no sofá, Sasuke se inclinou à frente, levando uma mão com rapidez a boca. Estava a ponto de vomitar.

- Merda. Melhor irmos ao banheiro. – apressou a retificar o loiro, dando meia volta. – Agüenta até chegarmos. Nem pense em vomitar em cima de mim.

Sasuke apenas lhe escutou. A cabeça dava voltas, tinha o estomago revolvido e suas pernas claramente se resistiam a aguentar seu peso por mais tempo. De novo, havia cometido outro erro, e desta vez com o álcool. Mas que outra coisa podia fazer? Compreender a magnitude dos sentimentos que despertava por Naruto era realmente aterrador, do qual não duvidou em mitigar esse medo com um ou dois copos. Quando finalmente assimilou que a pessoa que amava não era sua noiva e sim esse loiro barulhento, não viu nenhum motivo em parar em apenas um copo.

O táxi de deteve e a duras penas conseguiu reconhecer a rua na qual se encontrava, nem sequer era capaz de recordar quando havia dado ao motorista, inconscientemente, a direção de uma casa que não era a sua.

Com bom passo chegaram ao banheiro. Naruto ligou o interruptor de luz e sentou o moreno com cuidado no chão perto do vaso.

- Toma-te teu tempo. – lhe ofereceu sem quer olhá-lo mais do que exigia a boa educação. Fez sinal de levantar-se com a intenção de sair quando a mão de Sasuke lhe agarrou o pulso, obrigando-o a ficar.

- Não vá. – disse mansamente. – Tinha a cabeça inclinada para frente e a larga franja cobria seus olhos por completo, naquele momento cerrados.

- Não vou ir a nenhum outro lugar. – respondeu o loiro com um ápice de cansaço. – Se você se lembra, está é a minha casa.

- Então, não se afaste.

Com energia retirou a mão fazendo com que Naruto praticamente caísse sobre ele. Antes que pudesse reacionar lhe rodeou os ombros com os braços, enterrando o rosto no pescoço bronzeado.

- O que... O que 'ta fazendo?

- Ignorando as palavras temerosas do detetive, Sasuke inspirou profundamente, enchendo seus pulmões desse aroma que tanto lhe enlouquecia e que tanto havia ansiado respirar. Realmente havia perdido de menos em essa longa e difícil semana. Com avareza o estreitou ainda mais forte entre seus braços. Fazia o que seu coração lhe pedia, o que sua alma ansiava, o que sua mente exigia. Sempre poderia culpar seus atos aos efeitos do álcool.

Desejoso, roçou a língua ao pescoço bronzeado que tão vulnerável se mostrava e absorvido pela sucção daquela boca.

Um violento estremecimento eriçou a pele de Naruto. Notou como o calor inundava suas entranhas e a respiração se tornava entre cortada.O que demônios estava fazendo? Por acaso não havia ficado claro que não voltara a ser seu cúmplice nesse tipo de jogo? Recuperando parte de sua postura, pôs ambas as mãos nos ombros de Sasuke, afastando-o em um receoso movimento.

- O que você precisa é de um banho frio. – asseverou entre cortado. E provavelmente seriam duas duchas frias se a coisa continuasse nesse rumo.

Com firmeza lhe obrigou a se incorporar e inclinar a cabeça para baixo sobre o ralo da ducha. Orientou a mangueira sobre a nuca e abriu o chuveiro. Sentir a água fria resvalando pela cabeça e parte de seu rosto fez Sasuke estremecer e encolher-se por reflexo, mas não tentou detê-lo. Desejou que a água arrastasse todo seu estupor e devolvesse a lucidez aos seus pensamentos.

Minutos mais tarde, quando acreditava ter recobrado a sanidade, lhe fez um sinal com a mão.

- Para a água, dobe.

- Poderia deixar de me chamar assim e usar meu nome de uma maldita vez? – respondeu com um tom de enfado.

- Idiota, para a água. – disse revirando os olhos.

- Teme!

Com um puxão fechou o chuveiro, tirou a mangueira e girou buscando uma toalha seca. As vezes realmente chegava a deixa-las fora de suas gavetas. Rodou com a toalha em mãos e quase caiu com a impressão. Sasuke havia se incorporado, tinha a franja colando na testa, os olhos entrecerrados sensualmente e seu rosto mostrava a expressão mais pacifica e bela que jamais chegou a ver. Milhares de gotas resvalavam de seu rosto ao pescoço, chegando a morrer no peito abaixo da roupa. Quis afastar o olhar, mas foi impossível. A visão era realmente perturbadora.

Sasuke percebeu que o loiro lhe observava boquiaberto e sorriu de forma arrogante. Não foi até esse momento que Naruto percebeu que tinha estado contendo a respiração.

- Ve... Vejo que já esta bem melhor. – pronunciou ocultando sua perturbação. – Então, com certeza já pode ir embora da minha casa.

Com um gesto que pretendia aparentar desinteresse, Naruto lhe atirou a toalha na cabeça e deu meia volta.

- Naruto... – sussurrou suavemente.

O loiro se deteve no batente da porta. Escutar seu nome pronunciado dessa maneira tão sensual lhe havia eriçado a pele e acelerado o pulso. Quase preferia que seguisse lhe chamando de dobe ou idiota. Temeroso, girou lentamente até ele. Ainda conservava a toalha sobre a cabeça e a havia inclinado para baixo, ocultando seu rosto.

- Por que não foi? – perguntou em um sussurro com uma calma pasmosa.

Naruto ergueu as sobrancelhas sem compreender ao que se referia.

- Aonde? – perguntou desconcertado.

- Estive te esperando. – voltou a pronunciar Sasuke como se não houvesse escutado. – Mas não foi.

- Não entendo o que quer dizer.

Não, claro que não entendia, ele tão pouco saberia explicar. Dizer a si mesmo que havia buscado um desculpa para embebedar-se no bairro Akatsuki, no qual lhe disse Neji que ele costumava freqüentar, e assim poder aproximar-se de novo dele, era mostrar uma atitude mais do que desesperada.

Sasuke avançou com passos tranqüilos, retirando por sua vez a toalha da cabeça, mas sem levantar o rosto até que não estivesse justamente em frente ao detetive. Naruto girou o rosto inconscientemente, fechou os olhos e um gemido inoportuno brotou de sua garganta quando a mão de Sasuke começou a acariciar-lhe lenta e delicadamente as marcas em suas bochechas e a mandíbula, deslizando até roçar os lábios entre abertos. Prescindiu o hálito quente do moreno golpear-lhe a boca e soube com total segurança o que iria acontecer, e ainda que tivesse tempo o suficiente para afastar-se, não quis evitar-lo.

O contato ocorreu. Um beijo terno, suave, uma delicada caricia tortuosa que lhe preencheu aos poucos. Suas bocas voltaram a se encontrar, desta vez com mais força, mais ânsia, Sasuke deslizou a língua pelo lábio inferior do loiro antes de introduzi-la lentamente na úmida cavidade que se abria desejosa. E enquanto Naruto sentia que toda a sua sanidade o abandonava novamente, subjugada pelas caricias de Sasuke, pode apreciar aquele beijo, doce e por sua vez tão necessitado, não se parecia em nada com nenhum dos beijos que havia recebido antes.

Estava carregado de sentimentos.

Logo a garganta de Sasuke emitiu um estranho som, seu corpo se convulsionou para frente e com uma mão afastou rapidamente Naruto enquanto ele se inclinava até o vaso sanitário. Varias arcadas lhe fizeram descarregar a grande quantidade do liquido que retinha em seu estomago e outras ao tossir sonoramente. Quando a sensação de mal-estar deixou de lhe angustiar, afastou-se do vaso e se deixou cair no solo percebendo o corpo flácido e pesado.

Naruto continuou erguido, tenso e com a respiração a mil por hora durante uns segundos a mais, incapaz de reacionar. Havia voltado a fazer, havia caído nas tretas sedutoras do bastardo sem nenhuma resistência, e para seu assombro, pode constatar a euforia de seu corpo, como havia o deixado. Lentamente desviou a atenção até o moreno e o observou durante um longo tempo. Era a primeira vez que o via derrubado e tão indefeso, sem sua máscara destemida, que o escondia do mundo.

O que vou fazer contigo? Ressonou ternamente em pensamento.

Derrotado, o que foi definitivamente dado por perdido, deixando ao acaso, Naruto se aproximou dele e o ajudou a erguer-se. Com passos tranqüilos, entraram no dormitório e com cuidado o depositou sobre a cama. Sasuke parecia meio morto, seguramente pelo grande esforço que fez para vomitar. O melhor era que descansasse, reanimar-lo, para expulsá-lo de sua casa, mas pareceu uma crueldade.

Com sutileza o descalçou, lhe retirou a camisa molhada e as calças úmidas e manchadas de restos não identificados. Quando a única peça que restou da roupa, a vista foi de uma boxer preta e apertada, contudo pela mente de Naruto começaram a cruzar ideias contraditórias.

Tira-lhe. Não a tire. É só curiosidade. Não é decente. Quer voltar a vê-lo nu. Está doente Uzumaki.

Naruto sacudiu a cabeça energicamente eliminando essas ideias maliciosas que lutavam para dominar seus bons impulsos éticos. Tentando não olhar mais além do que o essencial lhe cobriu com os cobertores, dos quais apressou a cobri-lo até o pescoço. Quanto menos visse desse corpo provocador e luxurioso melhor.

- Por que veio me ver, Sasuke? – sussurrou para seus pensamentos, retirando com delicadeza os cabelos molhados que estavam sobre sua testa.

Fosse pelo que fosse que havia voltado a buscá-lo, o único que estava claro é que o moreno não terminou de demonstrar-lo abertamente. E sua atitude imprevisível continuava a desconcertá-lo tanto como lhe atraindo.

- Acho que nem sequer você sabe...

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Já haviam passado vários minutos desde que seu relógio interno decidirá despertá-lo, mas reticente a mover-se daquela cama tão quente e confortável, Sasuke tratou de estender o tempo de descanso um pouco mais. Adormecido, inspirou profundamente, enchendo seus pulmões daquele agradável aroma, que estranhamente o tranqüilizava. Resultava-se vagamente familiar. Parecia o mesmo que desprendia do dobe. Já não havia retirado àqueles lençóis?

Sasuke abriu seus olhos em um rompante e piscou várias vezes tentando centrar sua visão. Demônios sim, recordava perfeitamente como havia os jogado no lixo vários dias atrás. Então, por que continuava com aquele cheiro?

Com brusquidão incorporou-se na cama e uma dolorosa fisgada em suas temporas o fez levar ambas as mãos a cabeça.

- Merda. – grunhiu baixo.

Seu olhar em seguida começou a percorrer rapidamente o local não reconhecível em um primeiro instante. Como diabos havia parado ali? Roupa jogada para todos os lados, cômodas repletas de revistas ou outros objetos de utilidade duvidosa, centenas de papeis divididos pelo criado mudo, nada parecia lhe ajudar a saber onde estava. Olhou para a esquerda e viu um quadro pregado na parede com um estranho símbolo vermelho em forma de espiral chamou sua atenção.

- Naruto. – sussurrou sem compreender por que.

Algumas cenas começaram a tomar forma em sua mente. Recordava ter entrado em vários bares e ter ingerido mais do que orbitantes de álcool. Depois havia pego um táxi e havia o levado a uma casa que não era a sua.

Sasuke sorriu para si mesmo, quando conseguiu atar os cabos soltos. Assim que se encontrava na casa do dobe, concretamente em seu quarto, até agora desconhecido. Ao retiras as cobertas para sentar-se na ponta da cama automaticamente seus olhos pousaram sobre a única roupa que vestia.

Onde esta minha roupa? O que demônios aconteceu à noite? Vagamente podia recordar as palavras que trocou com Naruto, mas estava seguro de que nenhuma delas fora de caráter sexual. O único que recordava com total clareza era de ter vomitado no banheiro. Depois disso, uma sombra negra, chamada de inconsciência absorveu todo o seu mundo, incluindo-o a ele.

Poderia ser que houvessem voltado a ter sexo? Não tinha absoluta certeza. Teria certeza se recordasse de algo, pelo mínimo que fosse.

Com o olhar buscou por todo o quarto suas roupas, encontrando apenas seus sapatos. Levantou-se com esforço e abriu várias gavetas buscando algo para pôr. Em uma delas encontrou umas curiosas cuecas repletas de horrendos corações. Os lábios de Sasuke alargaram-se e com dificuldade conteve uma risada que ameaçava surgir. Bem, o dobe realmente era infantil.

Lembrando-se que ele não sorria nem que sua vida depende-se disso, Sasuke fechou a gaveta e se dispôs a sair do quarto em busca de sua roupa ou talvez o dobe que havia as escondido.

Ao entrar no corredor escutou um murmúrio apagado de vozes conversando. Uma era a de Naruto, mas a outra não lhe era conhecida. Dominado por uma incipiente curiosidade, aproximou-se em silêncio até que a conversa podia se escutar com clareza.

- Não tem como encontrá-lo, parece como se tivesse sido tragado pela terra. Fui ao lugar onde se supunha que havia começado uma nova vida, mas lá ninguém o conhece, não existe, ninguém o viu. Nem a ele nem ao seu amante. Quando voltei ao bar perguntei ao Pein se sabia algo do assunto, e me disse que com certeza o liquidaram em um ajuste de contas.

- Pein? 'Ta falando do dono do bar Akatsuki? Tenha cuidado com esse tipo. Não gosto, tem algo escuro, sinistro que me dá arrepios, para não dizer a quantidade de piercings que tem no nariz. Sabe o que significa isso?

- Que você gostaria que te metessem no nariz?

- Você é doente, Sai.

- Tudo isso só nos leva a uma saída: Interrogá-lo.

- E eu farei, mas ao seu devido tempo. Não tem ideia de como é difícil falar com esse bastardo. Tenho que ser sutil ou acabará suspeitando.

- Sua delicada abordagem não nos leva a lugar algum. Se você não fizer isso eu vou arrancar seu pincel extra plano¹. Só tem que perguntar pra ele onde está o irmão.

Sasuke enrugou o cenho, sentindo uma estranha sensação de alusão a sua pessoa. Estariam falando de Itachi? A ideia realmente não parecia tão descabelada. Desde seu desaparecimento muitos outros detetives haviam tentado localizá-lo antes deles, e todos haviam fracassado retundantemente. Mas por qual razão Naruto lhe buscaria?

- Não será necessário, Sai. E agora por favor, se me desculpa, tenho coisas para fazer.

- Vai continuar a passar ferro na camisa?

- Err... Sim, mas mal passada ferro. Para que vá ridículo... é isso.

- Como era, como era? Há uma palavra para definir tua conduta. Hm... ah sim, bichano².

- Caí fora da minha casa.

Sasuke escutou um leve riso, seguido pelo barulho da porta sendo fechada e soube que a conversa havia terminado, mas em vez de sair, continuou escondido no corredor durante mais alguns minutos, sumindo em seus pensamentos. Conhecia a razão porque continuavam a buscar seu irmão, ainda que este houvesse ficado livre de todas as acusações feitas a ele. Muitos de seus familiares não ficaram felizes com sua liberdade no caso, por falta de provas e continuavam a acusá-lo de traidor e assassino. Contratando de tempos em tempos diferentes detetives para que continuassem remexendo no caso e buscando provas.

E com certeza agora havia chegado o tempo de Naruto.

Com um fastidioso suspiro, Sasuke saiu de seu esconderigio, aproximando-se do loiro, que de costas para ele, se encontrava passando ferro enquanto tagarelava uma animada canção infantil. Observando discretamente por cima de seu ombro e reconheceu a peça de roupa.

- Essa é a minha camisa?

Naruto deu um pulo de susto e virou-se resolvido, com o cenho franzido.

- Merda, não ande sorrateiramente, me assustou. – lhe deu um rápido olhar de cima a baixo, e ao recordar que levava apenas a boxer, desviou o olhar para outro lado conturbado, oferecendo a camisa. – Eu lavei. As calças estão em cima da cadeira.

Confuso o moreno arqueou uma das sobrancelhas e por um momento não conseguiu dizer nada. Não havia nenhuma razão para fazer algo assim, a relação que mantinham nem sequer podia se classificar como amizade, mas apesar disso Naruto havia sido amável e havia lavado e passado sua roupa. Um meio sorriso se formou em seu rosto deixando-se levar por uma feliz emoção.

- Também tem café feito se quiser. – lhe ofereceu o detetive entrando na cozinha. Depois de pôr as roupas, o moreno o seguiu, enchendo uma xícara.

Os dois permaneceram em silencio, notando a estranha tensão no ambiente. Naruto com o olhar sobre o amargo líquido de sua xícara, enquanto Sasuke o observava distraído. Essa mancha violeta que tinha no pescoço era um chupão?

- E então? Não tem nada para me dizer? – perguntou o detetive ao fim de um tempo. Sasuke se limitou a observar cuidadosamente a mancha. – A respeito do que ocorreu a noite – lhe recordou.

As finas sobrancelhas de Sasuke se franziram energicamente quando não restou nenhuma dúvida. Demônios sim, era um maldito chupão. Quem o havia feito? Quando? Onde? Havia sido esse desgraçado do Sai? Sasuke jurou internamente o adicionar a sua longa lista de vinganças.

Naruto inclinou o rosto esperando pacientemente o que o moreno lhe responderia, e ao não fazê-lo, prosseguiu.

- Continuo sem entender por que veio na minha casa, mesmo que eu ache que não se dignará a me dar uma resposta. – cerrou os olhos e esfregou a nuca com cansaço antes de adicionar em um tom calmo. – A única coisa que eu peço é que não me envolva no assunto quando tiver que dar uma explicação para a sua noiva de por que não foi para casa dormir, certo?

- Está de viagem, nem sequer saberá.

- Bem que eu acha que você 'tava muito tranquilo.

Naruto deu uma última tragada de seu café antes de deixar a xícara sobre a pia. Ia sair da cozinha quando a voz de Sasuke o deteve em seco.

- Eu também tenho uma pergunta pra te fazer. – na realidade eram várias, a do chupão no pescoço era uma delas, mas optou pela de maior urgência. – Por que 'ta procurando o meu irmão?

Naruto abriu desmensuradamente os olhos, sem poder ocultar a surpresa. Não estava esperando que perguntasse algo assim, mas em seguida compreendeu.

- Nunca ninguém te disse que é má-educação escutar conversas alheias? – espetou com rudeza.

Escutou passos atrás dele e soube que Sasuke havia parado as suas costas.

- Por que 'ta procurando ele? – exigiu novamente.

Naruto suspirou, e com calma virou-se enfrentando-o.

- Só quero falar com ele. – explicou. – Me contrataram para investigar a morte de Shisui Uchiha, e pensei que teu irmão poderia me dar mais pistas osbre o que aocnteceu naquele dia.

- Abandone o caso. Não vai encontrar ele nunca. – Sasuke negou várias vezes com a cabeça antes de sair da cozinha em direção ao quarto.

- O que? Por que? – o detetive o seguiu, encontrando-o segundos depois sentado na ponta da cama, enquanto colocava os sapatos. – Não pretendo acusá-lo de nada, não vou julgar ele, só quero descobrir o que é que aconteceu e por que foi embora tão rápido.

- Você não entende. – inquiriu erguendo-se abruptamente, com o rosto inclinado e os punhos fortemente apertados, em cada lado de seu corpo.

- O que não entendo?!

Naruto o contemplou confuso, sem entender por que se negava retundantemente a lhe dar informações. Pouco a pouco Sasuke foi erguendo o rosto e em seus olhos pôde distinguir um brilho melancólico e triste que lhe doeu o coração.

- Meu irmão... Está morto.

Continua...

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Notas da Autora: E no final Itachi apareceu, não fisicamente, mas sim de forma indireta. Evidentemente há aqui uma contradição porque Sakura nos capítulos anteriores falou de Itachi com Sasuke, e dá a entender que está vivo. E agora Sasuke acaba de dizer o contrário. Não pensem que estou louca, é algo que revelarei mais tarde.

Não sei vocês, mas eu adoro o Kakashi xD É um personagem que eu gosto tanto pq ainda que tenha sempre esse ar despreocupado é muito intuitivo, e sempre sabe de todas as coisas ainda que não as contem. Mas graças a ele, por fim, Sasuke esclareceu seus sentimentos (já era hora, bastardo) agora está na hora do Naruto, que ainda que os tenha claros, lhe resta render-se totalmente a sedução Uchiha (já vai por bom caminho)

No capitulo seguinte tem premio. Já sabem do que me refiro, nee?

Notas da tradutora:

¹ : A frase original seria: "Si no lo haces tú le sacaré los pinceles extra planos" Eu simplesmente não sabia como traduzi e deixei daquela forma.

² : No original seria "nenaza" que se traduz como bichano, provavelmente algo como submisso. Devo confessar as falas de Sai são muito difíceis de se traduzir sem tirar o sentido aoksoaksoaks

Olá! Pelo amor de Deus, não me matem, eu sei que sempre demoro para traduzir essa fic, mas perdão, eu ando bem ocupada (feliz, mas ocupada) e devemos admitir os caps da Naruko são gigantes (maravilhosos, mas grandes D: ) Bem, como ela mencionou na N/A haverá premio no próximo cap, ou seja, LEMON *-* Vou adorar traduzir isso, e prometo que não demorarei.

Mais uma vez peço perdão pela demora da tradução, e pelos erros (não consegui betar), aqui está a tradução do cap 8 dessa fic maravilhosa que a Naruko me permitiu traduzir, espero que tenham gostado. Também gostaria de agradecer as reviews de todos vcs é muito bom saber que mesmo mtos acompanhando a fic em espanhol, continuam lendo a tradução, mto obrigada. E se não for pedir demais, reviews?

Beijos ;*