Titulo original: 8 Semanas
Autora: Oo-Naruko-oO
Tradutora: Kappuchu09
Disclaimer: Naruto pertence à Masashi Kishimoto, e essa fic pertence à Naruko-chan.
Cap 11: Dor e egoísmo
- Um suicídio falso? –gritou alarmado – Está brincando, ero-senin?
Jiraya voltou-se brusco até o jovem detetive, repreendendo-lhe com um dedo sobre a boca para que moderasse seu tom.
- Shh, já disse que fale mais baixo, moleque. Por acaso quer que nos descubram?
O loiro inflou as bochecas, e como uma criança pequena a quem acabam de renegar algo, cruzou os braços girando o rosto no sentido contrário com obstinação.
- Talvez se deixaswse de violar os direitos privados dessas garotas que fica espiando através do cânhamo¹, não teria porque se preocupar. – repreendeu carrancudo – Velho pervertido.
- Esse trabalho é investigação. – contradizeu Jiraya, colocando de novo um dos olhos no buraco, enquanto ria baixo, pecaminosamente – Isso não tem nada haver com a idade, e sim com o espírito... E o meu tem até acne.
Naruto rodou os olhos com visível esgotamento. Definitivamente, a próxima vez pensaria duas vezes antes de arriscar seu traseiro e seguramente outras partes de seu corpo para acompanhar ao seu chefe naquelas águas termais. No final das contas, um pervertido sempre seria um pervertido.
- Que seja – grunhiu retirando o pano úmido da cabeça – Mas por que disse que poderia ser um suicídio falso? Já te disse antes. Tenho absoluta certeza de que Itachi está morto. De nenhuma maneira fingiu um suicídio para poder escapar.
- E como que você está tão seguro disso? Tem alguma prova que confirme? Por acaso sabe onde está enterrado o corpo? – inquiriu indagador. Viu como Naruto torcia o rosto com gesto dissimulado, sem intenção de responder nenhuma de suas perguntas e adicionou contundente. – Se sabe onde está o corpo, deve me dizer. Poderíamos pedir uma ordem de exumação do cadáver.
O loiro abriu os olhos desmensuradamente, e alarmado, atravessou as termas agitando a água ao seu passo, até ficar de frente ao mais velho, com visível desconformidade.
- O que? Não vamos desenterrá-lo. – negou retundante. Um certeiro golpe caiu inesperadamente sobre sua cabeça, repreendendo-lhe por sua efusidade. Do outro lado do cânhamo das mulheres havia deixado de falar des preocupadamente, e receiosas, olhavam à barreira que separava as termas.
- Já disse que baixe a voz, moleque. – lhe repreendeu carrancudo – Por acaso tem coragem de enfrentar uma manada de mulheres ferozes e com sobonetes em mãos? Se quer se suicídar, faça. Mas não me arraste junto.
Naruto rodou os olhos, mas não objetou.
- Não podemos desenterrá-lo. – sussurrou, retomando o tema com interesse – Isso... Isso não estaria bem. Não é bom romper com o descanso dos mortos.
E além do que, ele perderia toda a confiança que Sasuke lhe depositou contando-lhe o segredo que tão cuidadosamente guardava. Trairia sua confiança, romperia esse frágil laço que os unia. E lhe havia custado tanto conseguir sua aceitação, que não estava disposto a deixar que tudo o que havia ganhado entre eles se destrui-se em milhares de pedaços.
- Isso quer dizer que sabe onde está. – espetou com acrimônia seu chefe, piscando os olhos, tanto que sua mirada ficou desenhada em uma finissíma linha horizontal – Olhe garoto, nosso trabalho se baseia em provas e confirmações, coisa da qual precisamos neste momento. Não sei porque te empenhas em ocultar informação, mas se trata-se de algum tipo de chantagem por parte do seu amigo Uchiha, esse...
- Não, não é nada disso. – negou convincente – Se trata de um acordo de confidencialidade – Jiraya abriu a boca para protestar, mas o loiro o interrompeu antes que pudesse objetar – Não posso dizer mais, só confie em mim. Continuarei investigando por minha conta, mas não quero descartar o homicídio.
No relato de Sasuke, havia algumas coisas que não lhe terminavam de enquadrar ao todo. O que se referia dizendo que toda sua família estava corrompida? Por que queria que Sasuke o acompanhasse em sua fuga? Com qual propósito Itachi o chamou naquele lugar? Eram perguntas demais sem resposta.
O velho negou pesadamente com o rosto.
- Assassinato ou suicídio, não posso deixar que continui investigando, garoto – negou rotundo – Já fez o que podia, mas isto está fora de suas atividades. Falarei com meu cliente e arquivaremos o caso, dando-lhe como resolução o desaparecimento de Itachi. Mas apartir de agora quero que se mantenha longe do caso.
- O que? E por que isso? – perguntou carrancudo.
O velho ergueu o rosto, respirando profundamente em atitude pensativa.
- Não deveria te contar isso, já que é altamente confidencial, mas nosso escritório está trabalhando junto com o FBI, investigando o líder de um clan reinvindicativo altamente perigoso. Suspeita-se que as Indústrias Uchiha poderia ser só uma fachada para a sociedade, enquanto por dentro estão liderando um movimento para realizar um golpe de estado em Konoha.
Naruto abriu os olhos desmensuradamente assimilando a importante informação.
- Um golpe de estado? – perguntou duvidoso. Sasuke nunca havia dito nada similar e durante o período que esteve o investigando nada ao seu redor o fez suspeitar de uma complicação de tal magnetude. – Isso não é possível, Sasuke nunca faria uma coisa dessas...
- Não estou me referindo a Sasuke, por agora, dúvido que seu amigo saiba algo a respeito – asseverou – E sim seu pai, Fugaku Uchiha. Ele é o líder.
O loiro franziu as sobrancelhas com visível confusão. O pai de Sasuke metido em um golpe de estado? Não sabia nada dele além da breve conversa com Sasuke e que era o máximo responsável pela empresa. O havia visto somente uma vez, em uma foto. Não era um homem que se pudesse esquecer com facilidade.
- Está bem, verei o que posso...
- Não me entendeu, moleque. – negou Jiraya levemente com a cabeça. – Não vai se meter dessa vez. Kiba está encarregado de investigá-lo.
- Kiba? – perguntou contrariado. – Aquele cão? Por que não me enviou?
- É muito perigoso.
- E o que isso tem haver? Já solucionei casos mais perigosos que esse. – replicou testarudo. Jiraya simplesmente rodou os olhos com paciência. Estava claro que suas palavras não o convenceriam, então logo escolheu outra linha de ataque – Sabe que sou o mais indicado para o caso. Poderia falar com Sasuke, tenho certeza de que se seu pai está metido...
- Já disse que não. – cortou rotundo.
- Maldito seja! Quando vai deixar de me tratar como uma criança? – estalou inflexível, erguendo-se impulssivo. – Sou um detetive perfeitamente qualificado. O melhor que tem. O que tenho te mostrado durante todos estes anos, mas se nega em me reconhecer.
- Não se trata disso e você sabe. – contestou com calma – Está metido emocionalmente com uma das possíveis testemunhas, por isso se te desse o caso não seria nem objetivo nem neutro. Por acaso acha que não me dei conta do interesse que tens por esse Uchiha? – questionou ironicamente, erguendo o rosto desafiador. – Conhece as regras e isso te obriga a manter-se longe de tudo.
- Não me importa o que dizem as porcarias de regras! – brandou indignado, girando-se e começando a caminhar para a saída. – Não vai me tirar do caso, não vou deixar que outro faça meu trabalho.
E sem esperar qualquer resposta por parte de seu chefe, cruzou a porta abandonando as termas.
- Caráter difícil. – resoplou com cansaço. Não era a primeira vez que se encontrava com um temperamento tão impulssivo, anos atrás já havia sido avisado da mesma teimosia quando conheceu sua mãe. Sempre era tão difícil de se enfrentar e raras vezes as que não terminava irritado, mas ainda assim por mais estranho que pareça, terminou acostumando-se a esses arrebatos, tanto que, inclusive se chegasse a perdê-lo não duvidava que deixaria por muito menos. – Ninguém pode dizer que não seja seu filho, Kushina...
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Com um longo suspiro, Sasuke fechou o computador portátil e se deixou cair pesadamente sobre as costas da cadeira do ecritório.
Havia sido um dia esgotador.
Depois de pôr em dia seu trabalho e assistir a um par de reuniões com redundantes clientes, havia saído no meio da manhça com a intenção de encontrar um lugar desejado onde pudesse disfrutar seu almoço na solidão e assim livrar-se do estresse que carregava, mas nem sequer isso conseguiu. Pelo telefone Sakura havia se encarregado de lhe recordar até o cansaço do encontro para a degustação que teria com o chefe que ia se encarregar do banquete e a escolha dos convites. O que não só havia acrescentado em seu mau humor, como também havia se convertido em uma coisa a mais a somar as suas milhares de coisas que condicionavam sua terrível dor de cabeça.
O casamento.
Maldito dia que consentiu que o levasse a cabo.
Mas algo, em todo esse assunto, o fazia desconfiar. No dia anterior, depois de voltar de uma breve escapada ao cinema com o dobe, se surpreendeu ao encontrar sua noiva em casa, quando supostamente teria que trabalhar até mais tarde no hospital. O caráter afetivo e a omissão de perguntas sobre seu paradeiro desconhecido não fizeram mais que aumentar suas dúvidas. Pegou as alianças? Foi a única coisa que perguntou, e por um momento Sasuke achou que o mundo abriria sob seus pés. Não, claro que não os havia pego. A obrigação foi completamente esquecida no momento que outra ideia, muito mais suculenta, havia vindo à sua mente, ver ele. Por sorte Sasuke nunca teve problemas em elaborar desculpas convincentes, pouco discutíveis. Ah, tudo bem. Não importa. A sossegada contestação confirmou suas suspeitas. Ela normalmente por um erro assim teria gritado aos céus, ou pelo menos o reprenderia.
Não estaria tramando pelas suas costas?
O melhor era não ver Naruto por um tempo.
Se pôs de pé e uma desagradável pontada nas nádegas, o fez apertar os punhos com um chingamento.
Pelo menos até que seu traseiro estivesse completamente recuperado.
Não compreendia o que esse idiota fazia para confundí-lo ao extremo de ficar submetido aos seus caprichos, mesmo quando era Sasuke quem achava, durante todo o tempo que mantinha o controle da situação. Mas para ser sincero, aquilo era o que meno o desconcertava naquele momento. A proximidade de Naruto havia começado a ser algo indispensável para ele. O que antes achou ter entiquetado como sexo, um desafogo básico sem sentimentos, um simples ato carnal, agora assumia seu significado como algo totalmente incerto. Sasuke quis lutar contra o calor que inundava sua alma, contra essa inesperada e desconhecida alegria, contra as emoções que Naruto tão abertamente expressava. Quis lutar tanto para deixar-se vencer pela satisfação que lhe proporcionava sua presença, disfrutar suas conversas sérias e as vezes tão descabeladas, seus resmungos e piadas, das quais havia dado conta que as disfrutava imensamente. Era tão fácil provocá-lo e deixá-lo irritado...
Se enfrentar a circunstância de um afastamento forçado o irritava, muito mais sabendo as causas que o originavam e o ridículo de um sentimento tão pueril. Maldição, não! Ele não era possessivo...
... Mas se alguma vez esse estúpido do Sai se atrever a aproximar-se de algo que um Uchiha decidiu que lhe pertence por ler, juraria que não seria um mal entendido o que acontecessria entre seu punho e aquele rosto pálido.
O telefone pousado sobre sua mesa o tirou de seus pensamentos, e com mais energia o que habitualmente, pressionou a tecla para atender. Era seu secretário, Juugo.
- Sim – respondeu secamente.
- Desculpa incomodar Sasuke, mas Suigetsu ligou pela treceira vez, da aldeia da névoa, e continua insistindo em organizar uma reunião conosco para ultimar os detalhes da corporação Taka. Solicita uma resposta.
- Está bem, diga que nos reuniremos amanhã pela tarde aqui, na empresa.
- Em seguida ligo. Também acaba de chegar o seu pai, disse que não vá sem passar em sua sala antes, para falar com ele.
Sasuke franziu o senho e mentalmente repassou o que seu pai poderia querer com ele.
- Te disse por quê? – perguntou curioso.
- Bem... Não. – respondeu o jovem – Quer que na próxima vez pergunte?
- Não, tudo bem. Vou agora.
Desligou e pensativo encaminhou seus passos até a sala de seu progenitor, situado no último andar do edifício. Um lugar suficientemente exilado e vigiado como para deixar entrar alguém sem hora marcada, nem pessoal autorizado.
Uma vez que chegou ao seu destino bateu na porta com dois ligeiros golpes, com o nó dos dedos e entrou ao escutar do outro lado a profunda e seca autorização de seu pai.
O homem, de uns cinquenta anos de idade, estava sentado atrás da mesa com o rosto submergido em um relatório que lia com especial atenção. Salvando a diferença de idade entre pai e filho, ninguém poderia negar que entre eles existia um claro laço familiar, por serem extremamente parecidos fisicamente. Mesmo complexo muscular, forma rasgada e cor dos olhos, nariz reto, testa despejada e o negro cabelo preso. Assemelhavam-se no conjunto de feições, mas afortunadamente isso era tudo. Fugaku era conhecido por seu forte caráter autoritário e a frieza com que tomava as decisões.
Alguém realmente inquietante, inclusive para seu filho.
- Queria me ver? – interrompeu ao ver que seu pai, como de costume, não lhe prestava a mais mínima atenção.
Fugaku levantou o olhar e cravou nele seu indagador olhar.
- Sim. – fechou o relatório que deixou largado em uma lateral antes de cruzar os braços, na altura do peito. – Faz tempo que não conversamos entre nós sobre coisas que não seja trabalho, mas isso não significa que não me interesse a vida do meu filho.
Sasuke simplesmente se limitou a assentir com a cabeça, ainda que interiormente dava graças que seu pai fosse um homem suficientemente ocupado como que para nunca meter-se em sua vida privada.
- Como vão as coisas com a Sakura?
A inesperada pergunta lhe tomou por surpresa. Nunca antes havia se preocupado em averiguar nada referente ao por menores da relação que mantinha com a jovem. Saber se continuavam juntos e se o casamento seguiria, lhe bastava. O que o fez suspeitar que esse seria o inicio de uma conversa infrutífera na qual ele, inevitalmente, não teria participação ativa. O pior estava por chegar;;;
- Bem. – respondeu esquívo e sério sem mudar nem sequer um ápice sua expressão serena.
- E o casamento? – prosseguiu Fugaku com interesse. – Já está tudo organizado?
- Sim, praticamente está totalmente concreto.
- Muito bem.
Fugaku arqueou uma sobrancelha, rodeou a mesa do escritório, e sem sequer dedicar-lhe um olhar ao seu descendente, se aproximou à grande janela, de onde podia contemplar as magnifícas vistas que o último andar do edifício oferecia.
- Você sabe como é importante esse casamento para as indústrias Uchiha. – prosseguiu o maior com certa exigência. – Há rumores de que Tsunade já está organizando todos os detalhes para sua aposentadoria e deixará o hospital a encargo de sua melhor discípula, Sakura. A únião de vocês reafirmará os laços de poder da nossa empresa, preservará a ordem social e aumentará o patrimônio familiar. – gritou-se, e em seu petrificado rosto Sasuke pode apreciar com desagrado a linha astuta de seus lábios arqueando-se em um proveitoso sorriso, assim como o inteso e calculador olhar de seus olhos entrecerrados. – Fizemos uma boa escolha.
Sasuke tentou de todas as formas ocultar a raiva que essas palavras lhe produziam. Isso era tudo o que importava ao seu pai; poder, estatus social e dinheiro. Não importaria qual fosse sua vontade, muito menos seus sentimentos, enquanto ele conseguisse seu propósito.
Não, aquele homem despresível e sem escrupúlos não tinha semelhança alguma com ele. E dava graças por isso.
- Uma vez que tenhamos o hospital sob o nosso comando, o venderemos pelo melhor valor, e com o dinheiro obtido nossa impresa passará a ser uma multinacional. Criaremos diversas companhias ao redor do mundo com as quais expandiremos a produção, tanto de venda como de compra. Poderemos controlar não só o mercado de Konoha, e sim de todas as cidades ao seu redor.
- Vender o hospital? – murmurou Sasuke confuso. Isso não era o que ele havia imaginado que ocrreria uma vez casados, era certo que seu pai nunca antes havia comentado nada a respeito – Não acho que Sakura esteja de acordo com a ideia, e muito menos uma vez que tenha o controle absoluto do hospital. Ela vive para sua profissão, disfruta ajudando as pessoas, além do que...
- Aceitará – cortou tangente seu pai – Você se encarregará de persuadí-la. Depois de tudo ela vai estar muito ocupada centrando-se em criar os herdeiros que nascerem, um homem. – requiriu minucioso, aproximando com passos lentos dele – Que será respeitado e criado como o orgulho da família.
Sasuke respirou profundamente sem mover-se de seu lugar. Tinha que ocntrolar-se, acalmar a fúria que emergia arrolhada de seu interior. Logo, tudo acabava de cobrar sentido ante seus olhos, agora tinha bem claro os planos futuros que seu pai tinha para ele...
E com certeza não o surpreendia em absoluto, pois desde que teve consciência e razão sempre havia sido tratado como uma marionete sem voz nem voto.
O som de ligação do celular de Fugaku distraiu a atenção de ambos. O maior olhou o número refletido na pequena tela, e depois de reconhecê-lo, atendeu com um gesto enérgico.
- Já disse para só me ligar quando se tratar de um assunto urgente. – rugiu cortante, dando as costas ao seu filho. – O que?! E como demônios conseguiram essa informação? – prosseguiu segundos depois – Bando de inúteis. Mande imediatamente que Inabi prossiga com o combinado, não me importo com quantos são, acabe com todos.
Rapidamente afastou o telefone e o pressionou a tecla para encerra a ligação. Com receio Sasuke o obserou ir e vir pelo escritório completamente alterado, removendo arquivos e papeis até encontrar os que pareciam indicados. O rosto de seu pai mostrava uma clara expressão rude e furiosa, além da tensão em cada um de seus músculos. Pelo visto as notícias recentes não deviam ser muito boas.
Fugaku girou-se com tanta seguração até seu ilho que este inevitavelmente adotou uma atitude defensiva.
- Tenho que sair. – lhe informou um pouco mais calmo, mas com a mesma expressão em seu rosto. – Continuaremos com essa ocnversa mais tarde. Não esqueça do que falamos.
E o ato seguinte foi abandonar a sala.
Sasuke permanceu inerte durante uns instantes, analisando mentalmente os últimos acontecimentos.
Sempre havia sido assim, não entendia como depois de tudo o que aconteceu ainda terminava se surpreendendo com seus atos. Estava repetindo com ele a mesma estratégia que havia empregado com seu irmão mais velho, vários anos atrás. O pressionou fazendo-o crer que herdaria o negócio da família, mas sua verdadeira intenção sempre havia sido utilizar um matrimônio por conveniência para ampliar seus horizontes.
Mas contra tudo o que havia planejado Itachi havia se negado retundantemente. Não aceitou casar-se com ninguém que não fosse de sua escolha, e assim, desatou a disputa entre eles. Teria ele a mesma força para enfrentar a vontade de seu pai? Seria capaz de renunciar a tudo por causa de Naruto?
Ia abandonar a sala quando seus olhos captaram algo que chamou especialmente a atenção, na parede mais próxima da mesa. O quadro de tamanho grande onde refletia o símbolo de um leque vermelho, originalmente o emblema ancestral do sobrenome Uchiha, estava torcido para uma lateral, deixando entrever um cofre, presa contra a parede.
Estava aberta.
Curioso, o jovem se aproximou dando uma rápida olhada por cima. A maioria das coisas alí guardadas se tratavam de escrituras, dinheiro em efetivo e diversos documentos irrelevantes ao mesmo tempo que incompreensíveis. Mas pode debaixo daquele amontoado de papeis, oculto na parte mais profunda do cofre, Sasuke achou uma carta que lhe roubou o ar. No dorso, escrito em uma pulcra caligrafia, lía-se perfeitamente como destinatário um nome de sobra conhecido para ele.
- Uchiha Itachi...
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- Me tirou do caso, pode acreditar? Tirou a mim e pediu ao Kiba que o investigasse no meu lugar... Em que demônios esse velho demente estava pensando? – gritou Naruto dando um forte golpe sobre a mesa do posto ambulante de ramen, onde se sentava junto a Sai – Não pode me fazer ter interesse e me informar do assunto, que consiga provas e testemunhos para logo depois me tirar como se não tivesse feito nada. Ele sabe perfeitamente que sou o detetive melhor qualificado para ocupar o caso. Kiba não consiguirá reunir informações de primeira mão como eu poderia. Se ero-senin acha que vou abandonar o caso, todavia não conhece Uzumaki Naruto...
O loiro girou exaltado o rosto até seu companheiro pedindo seu apoio e compreenssão, mas Sai omo sempre, se manteve em silêncio mostrando uma expressão supérfula, carente de emoção.
- Diga algo, merda – insistiu.
- Está tenso – respondeu. Naruto suspirou abatido, e apoiando os braços osbre a mesa, deixou cair a cabeça que ficou oculta. A falta de empatía de Sai nunca lhe ajudava em nada – Faz muito tempo que eu lí um livro que dizia que a melhor forma de liberar estresse é com sexo. Tem fodido ultimamente?
Sabia que as pessoas normalmente não davam muita importância ao conteúdo dos livros, mas Sai era um homem bem informado.
- Que eu saiba não teve nenhuma desde que acabou com Gaara – insistiu.
- Sai, Da onde vêm essa sua obsseção por contar quantas fodas eu já tive? – recriminou irritado – Posso te afirmar que me irrita que fale essa palavra.
- Desculpa – se desculpou. Arecia que isso era tudo o que tinha a adicionar a respeito, até que instantes depois retifícou – Transar, parece melhor?
Um tic começou a piscar freneticamente o olho esquerdo de Naruto.
- Aqui está, garotos. – interrompeu o garçom colocando em frente a eles dois fumegantes ramens – O de Naruto com o dobro de ovos.
- Obrigado tio.
Depois do costumeiro Itadakimasu, oloiro pegou dois palitos e de uma só vez, grande parte do conteúdo do prato terminou dentrod e sua boca, e enquanto fazia, prazenteiros grunhidos ressonavam de sua garganta. Nada como o ramen para levartar o ânimo.
- Além do que, eu tenho um plano para resolver tudo isso... – prosseguiu Naruto com um perspicáz sorriso.
- Esperar nu na cama de um homem com um preservativo, sabor creme? – perguntou Sai.
- O que? – Naruto girou enérgico o rosto até ele com um gesto desaprovador. – Não idiota, me refiro ao caso Uchiha, não a tensão.
- A tensão é sempre algo... Problemático de se solucionar. – apontou uma terceira voz, próxima a ele.
Ambos os homens giraram o rosto sobressaltados para um lado, para poder ver o recém chegado. Um rosto conhecido estava parado em pé perto de Naruto, com ummeio sorriso pintado nos lábios e as mãos dentro dos bolsos de forma distraída.
- Shikamaru! – saudou animadamente o loiro, dedicando-lhe um amplo sorriso ao seu companheiro de trabalho – Faz muito tempo que não nos víamos, acho que depois do casamento com Temari havia ido morar em Suna.
- E fui. – afirmou fastidiosamente que parecia que lhe incomodava até mesmo falar. Se sentou no taburete perto de Naruto e suspirou abatido. – Mas Temari insistiu em voltar a Konoha e já sabem, nunca discuto com ela – encolheu os ombros indiferente – Não gosto de interrompê-la.
Naruto assentiu efusivamente. Qualquer um que conhecesse minimamente o terrível caráter de Temari sabia que uma discussão com ela sempre era uma batalha perdida. A não ser que quisesse ter um novo rosto...
- A propósito, como ela e as gêmeas estão? – perguntou curioso, retomando sua comida – Todavia, não me explicou como foi capaz de ter dois, e ainda mais seguias... Sempre pensei que gostasse de ser livre...
- E gosto – asseverou – É um pouco problemático de explicar,mas pode-se dizer que aquele dia fui praticamente estuprado.
Naruto soltou uma sonora e alegre gargalhada que sacudiu todo o seu corpo.
- Suspeitava de algo assim.
Falaram durante um longo tempo, recordando dos velhos tempos, quando ambos estudavam na mesma escola para detetives até o dia em que seus caminhos se separaram. Naruto naquele tempo já se encarregava de pequenos trabalhos no gabinete de Jiraya, seu tutor legal, enquanto Shikamaru ingressava em outra prestigiosa agência que Asuma dirigia. E enquanto narravam curiosos por menors de suas vidas, as taças vazias de ramen foram se acumulando sobre a mesa.
- Oye, está acontecendo alguma coisa com seu amigo? – perguntou discretamente Shikamaru ao perceber que durante toda a conversa, Sai não havia falado, e o que eramais suspeito, não havia variado nem sequer um ápice da expressão de seu rosto, semelhante a uma máscara de porcelana, perante tanta falta de expressividade – Parece que teve um sincope.
Naruto levantou uma osbrancelha e olhou avaliativamente para Sai.
- Não, tudo bem. Essa é sempre sua cara. – explicou não dando importância. – E o que te traz a esse bairro? Veio seguir alguém? – perguntou curioso derivando a conversa. Shikamaru limitou-se a assentir ligeiramente com o rosto. – E encontrou?
- Temo que sim.
Do bolso interior do casaco extraiu um par de fotos que estendeu ao seu amigo de forma dissimulada, e como um autômato, Naruto as examinou. Tarde demais deu-se conta de que o que aparecia ante seus olhos era sua própria imagem junto com a de Sasuke, em atitude mais que carinhosa. Sintiu como um frio extremo se extendia rapidamente por todo o seu corpo, paralizando-lhe o sangue e diminuindo as batidas de seu coração. O ar não chegava com facilidade aos pulmões e seu rosto havia ficado completamente contorcido.
O que demônios? Foi a primeira pergunta que cruzou por sua mente. Alarmado, ergueu o olhar para Shikamaru, perguntando interiormente se era a Sasuke a quem haviam pedido que seguisse, e este como se estivesse o escutando pelo viva voz, assentiu firme e em silêncio.
Naruto não replicou. Depois de dar uma rápida olhada de novo nas fotos, as pôs com rapidz no bolso da calça.
- Sai – o chamou com um imperceptível tom inquieto sem querer olhá-lo diretamente – Shikamaru e eu temo que conversar sobre um assunto particular. Não preciso que me leve para casa, quando terminar eu pego um metrô.
Sobre a mesa do estabelecimento depositou umas quantas notas, suficientes para pagar toda a comida, e se ergueu seguido do detetive.
- Posso esperar – ofereceu Sai com uma curiosidade mais que desperta. Desde sua posição não havia conseguido ver que tipo de fotografias eram, mas tinha uma ligeira ideia.
- Não – sentenciou secamente o loiro, e no mesmo instante moderou seu tom à um mais agradável, tratando em vão de sorrir semq ue parecesse um gesto forçado – É melhor que vá para casa. Nos vemos amanhã no escritório.
Tão rapidamente como falou, se afastou dele e os dois detetives começaram a caminha rua àbaixo. Vários minutos depois, depois de se afastarem das ruas principais e rebuliciosas, entraram em um beco solitário, onde o silêncio era apenas rompido plo ruído de algum ocasional gato buscando comida entre o lixo.
- Fui contratado faz dois dias para que seguisse de perto Sasuke – explicou Shikamaru entrando diretamente no tema – Minha cliente suspeitava que seu namorado estava tendo uma aventura, assim que grampiei o número de telefone e comecei a seguí-lo. Mas não imaginava que por trás de tudo isto fosse me encontrar contigo. Sabe que está noivo?
No mesmo instante que Naruto fugiu de seu olhar, Shikamaru soube tão claramente como se seu amigo houvesse confessado. Claro que sabia.
- Que problemático. – suspirou cansadamente, enquanto recostava-se contra a parede mais próxima e cruzava os braços na altura do peito – Esperava que não soubesse, logo tudo seria bem mais fácil. Mas se sabe, quer dizer que está de acordo com o papel que lhe cabe, e consciente de ser o segundo prato de alguém.
- Não sou o segundo prato de ninguém – rebateu o loiro na defensiva – Está tendo uma ideia equívocada de Sasuke, minha situação não tem nada haver com o que pensa. Não sou uma fuga nem um joguete novo, foi o primeiro que me preocupei em deixar claro antes de começar com tudo isso. E ainda assim ele continua me procurando uma e outra vez, precisa de mim... – tanto como ele mesmo precisava, coisa que omitiu evidenciar.
Shikamaru respirou ruidosamente.
- Olhe, para mim tanto faz o que faça com a sua vida sentimental, não sou ninguém para julgá-lo sobre o faz com a sua vida. Mas se está tão certo de tudo isso, por quê não larga a namorada? – comentou indiferente.
- Não pode fazê-lo – explicou inclinando o rosto para ocultar o gesto disconforme – Está sujeito a um contrato verbal com o pai, se cancelar o compromisso perderá tudo pelo que lutou; sua casa, seu trabalho, seu dinheiro... É um casamento forçado.
Shikamaru assentiu compreendendo perfeitamente as palavras de Naruto. Era uma prática que se vinha repetindo por tempos e tempos, já a séculos, afortunadamente cada vez com menor frequência. Pais gananciosos e interesseiros que tratam seus filhos como moeda de câmbio paea seus próprios benefícios, e filhos arrastados irremediavelmente a um destino que não escolheram por vontad própria. Submetidos, obrigados a viver uma vida que é tudo menos sua. Mas com possibilidade. Talvez não as melhores nesses casos, mas com uma opção sempre ao alcance de sua mão. Escolher a vida que lhe elegeram que vivas ou abandonar tudo e começar desde o princípio, assumindo todas as consequências. Não era fácil, mas sim simples.
- Já disse alguma vez que te ama? – inquiriu repentinamente.
Naruto desviou o olhar, torcendo o rosto para um lado.
- Não. – murmurou – Sasuke não gosta de falar de sentimentos, na verdade, é que é difícil saber se os tem... Mas sei que estão lá. – asseverou com ímpeto – Ele não se dá conta, mas as vezes quando estamos sozinhos deixa cair essa pesada máscara insensível em que se esconde dos outros, e por um momento vejo um homem livre, humano e feliz... – ele é feliz ao meu lado, quis dizer.
Shikamaru negou lentamente com a cabeça.
- Para mim parece uma atitude covarde – inquiriu estalando a língua com fastídio – Se limita a assentir e obedecer as ordens de um pai que nem ao menos lhe estima. Se quisesse, poderia lutar por seus direitos, por fazer-se respeitar e por viver uma vida unto com a pessoa que escolha, mas não se interessa. Porque lutar por todos esses valores significa romper com muitos outros que lhe dão comodidade e estabilidade, tanto econômica quanto social. – acusou duramente.
Contrariado, Naruto enrrugou o senho com desagrado. Não eram as palavras de Shikamaru que o incomodavam, e sim o feito de não tê-las considerado antes, sabendo o quão certas eram. Culpavam seu pai de egoísmo e materialismo, quando o mesmo Sasuke o utilizava a seu favor, manipulando-o para satisfazer seus desejos, impedindo-lhe a oportunidade de encontrar uma pessoa a quem amar sem restrições, incondicionalmente.
- Se não é capaz de renunciar a tudo isso por ti... Que tipo de amor é esse? – adicionou.
Desconcertado, Naruto não soube o que responder.
- Não vim até aqui para dar uma bronca em você, é muito problemático e cansativo de explicar – admitiu encolhendo os ombros – Mas suponho que alguém tem que fazer. Já pensou o que fará quando esteja oficialmente casado com essa mulher? Quando formarem uma família? Quando o tempo que agora dedica a você seja ocupado pelos seus filhos? – prosseguiu.
Naruto apertou fortemente os punhos, mas não disse nada. Estava certo, tudo o que Shikamaru disse era inegável. Como havia podido acreditar que sua relação com ele se manteria a mesma depois do casamento? Como podia continuar se deitando com ele, com a firme ideia de que tudo se manteria igual? Por quê continuava deixando Sasuke entrar cada vez mais em seu coração, sabendo que mais cedo ou tarde, acabaria sozinho?
A mentira era o recurso de quem vive uma vida de vergonhas, e ele não tinha nada do que se envergonhar, nenhum motivo para ocultar sua condição homossexual, nada para reprimir seus sentimentos como havia estado fazendo até agora.
- Você merece algo melhor – disse seu companheiro – Mas se é ele que você quer...
Com lentidão Shikamaru endireitou, pôs as mãos nos bolsos, e tirou o envelope que continha os negativos dessas comprometedoras fotos.
- Só espero que não cometa o mesmo erro que com Gaara – balbuciou ao mesmo tempo que o entregava. Com isso estava tudo arranjado. Não era necessário dizer que manteria oculta a relação, apesar de não estar de acordo. Valorizava mais sua amizade.
Shikamaru jogou a cabeça para trás e suspirou languidamente.
- O amor é tão problemático.
Com uma amistosa espalmada no ombro, deu meia volta, começando a caminhar sem pressa até a saída do beco.
- Shikamaru – o chamou Naruto com impaciência.
Este se deteve antes que a luz dos postes que iluminavam a rua transversal chegasse a refletir completamente a sua figura.
- Obrigado – disse Naruto com um sincero sorriso. Mais pela conversa que o havia aberto os olhos, do que pelas fotografias. – Realmente é um bom amigo.
Não trocaram mais palavras. Naruto ficou alí de pé, vendo como su companheiro desaparecia pela esquina, enquanto movia despreocupadamente a mão no ar.
Por muito que lhe custasse e lhe doesse admitir, muitas coisas em sua relação com Sasuke, Shikamaru tinha razão.
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Abatido, Sasuke se deixou cair pesadamente sobre o sofá, inclinando o cpor para frente, apoiando os braços osbre os músculos e crispando o rosto naufrágo em uma expressão dolorosa, que ficou oculta pela franja negra.
A raiva e a impotência que ferviam candentes por suas veias lhe fizeram apertar fortemente as mãos, onde sustentava a agora amassada, carta.
- Estúpido nii-san – murmurou enquanto deixava que uma solitária e amarga lágrima deslizasse por seu rosto, como há muito tempo não permitia.
Continuará...
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Notas da Autora: O final me deixou com um mal sabor na boca, mas são coisas que necessitava ir contando e desvendando da trama, que pouco a pouco irá entrando em uma situação mais complicada. Por fim apareceu a bendita carta, e seu conteúdo será a príncipal causa dos problemas. Estou me dando conta de que é o primeiro capítulo, que não faço esse dois se encontrarem... Mas com o ritmo que levam, não os fará mal um pouco de distância, pelo menos.
Sei que não é o que esperavam ler de Shikamaru, tinha em uma bandeja a possibilidade de desvendar tudo e não o fez. Porque desde que comecei a estória, tinha claro até onde queria chegar com ambas as relações, e todavia não é o momento de destampar a caixa dos conflitos amorosos. Ainda que Shikamaru já desatou um deles devolvendo-lhe um pu pouco de conduta ao ingênuo Naruto. E que fazia falta. Pensar que pode conseguir algo frutífero de uma relação dupla, é um erro.
Beijos, e obrigada por continuarem a ler apesar do muito que tardo em atualizar.
Notas da Tradutora:
¹: É tipo, um buraco que tem entre as fontes termais masculinas e femininas.
Faço minha as palavras de Naruko (em especial dessa última linha \o) Bem, acho que esse cap foi bem tenso, não? Divino, mas tenso. Agradeço por acompanharem a tradução dessa excelente fic e gracias a Naruko por me permitir ter o prazer de traduzir \o Agradeço a todos que acompanham e aos que mandam/ não mandam reviews. E desculpem-me pela demora, a coisa anda meio tensa por aqui nos últimos tempos.
Beijos ;*
Agradecimentos das Reviews: Nya, Lyra Kaulitz' (Olá! Bem, vindo da Naruko nunca se pode afirmar algo com certeza, mas levando em conta que ela ta em uma fase onde ela está muito gamada com o Naruto seme, creio que o Sasuke em 8 semanas será definitivamente uke, \o), Gb !, Lady Yuraa –pptusachan-, vrriacho, I'm ama'ah, Mag-x-x, Kowai-chan, Ab Winchester, Camis, minimini-san, Deza-L.
