Título original: 8 Semanas
Autora: Oo-Naruko-oO
Tradutora: Kappuchu09
Disclaimer: Naruto pertence à Masashi Kishimoto, e essa fic pertence à Naruko-chan.
0o0o0o0
Notas da Autora¹: Este capítulo foi bastante sufocante para mim. Agora seguramente dirás, Naruko-baka, continua a dizer isso em três capítulos seguidos... Bem, ultimamente todos os capítulos estão me sufocando xD Mas me dá aimpressão de que este foi o que mais me sufocou. Por sua ocmplexidade, seriedade e porque desta vez me restava desvendar uma grande parte dos segredos, e queria fazê-lo de uma forma simples, sem sobrecarregar a informação, nem deixar a trama pesada.
Não sei se consegui, vocês me dirão.
Obrigada novamente a Nammy por outra de suas lindas covers para está fic. Podem as encontrar no meu perfil.
0o0o0o0
Cap 12: Sofrimento de uns, ambição de outros
Três semanas antes...
Havia estado cego por tempo demais.
Desde a morte de seu irmão havia deixado passar os dias, os meses e os anos sem preocupar-se, ou ao menos se interessar, nas causas que o haviam levado a tirar a vida. Como um estúpido bobo que se deixou cegar pelas palavras de seu pai sem dar a atenção suficiente que as circuntâncias requeririam.
Tarde demais se deu conta de que tudo formava parte de um elaborado e astuto plano de álibi.
Uma realidade tão próxima a ele e não havia sido capaz de advertir, no estranho comportamento de seu irmão, o tormento que habitava ao seu redor. E agora, dois anos depois, se perguntava com frustração por quê havia se comportado como um completo idiota e não havia recapacitado a declaração que seu irmão fez de que toda a família estava corrompida, palavras que nunca tiveram explicação e que agora por fim resultavam com sentido. Como peças de um quebra-cabeas que ele nunca havia se preocupado em completar.
Estava claro que Itachi havia lido a carta, sabia tudo, e por isso queria que abandonasse o país, para se afastarem da corrupção que se formava em torno de sua família.
- O que exatamenete procuras? – lhe perguntou repentinamento o vendedor ambulante mostrando todo o seu arsenal extendido ao longo do porta malas do carro – A maioria é automática, de nove ou dez milímetros, ainda que se realmente quiser uma rápida e sem retrocesso, recomendo essa.
Os olhos de Sasule se pousaram sobre o objeto que o vendedo lhe mostrava, mas seus pensamentos ainda continuaram por um longo tempo em outra coisa.
A carta.
Para Sasuke se resultava curioso que algo tão liviamo e pequeno como uma carta lhe houvesse desmontado por completo sua tranquila e pacífica vida, chegando a convertê-la em um autêntico pesadelo. E inconscientemente, começou a recordar os sucessos mais importantes que relatava seu primo Shisui no dito documento...
As primeiras linhas iam dedicadas ao perdão. Nelas, Shisui pedia desculpas ao seu irmão Itachi por ter se deixado manipular como uma marionete e haver acatado sem oposição alguma as ordens do clã; ser sua sombra e manter cada um de seus movimentos vigiados. A profunda inimizade que Itachi mantinha com grande parte de sua família e a rejeição de suas obrigações para com o clã, haviam sido a origem da desconfiança.
Na carta Shisui confessava que não estava orgulhoso de suas atitudes e se arrependia de seus atos. Entre eles sempre havia existido uma estreita relação de amizade e respeito mutuo, chegando a considerá-lo como um apreciado irmão menor, mas não havia tido o valor suficiente para se opôr às decisões do clã, e como uma formiga trabalhadora sem voz nem voto, havia aceitado o encargo. Na carta não fazia nenhuma menção especial ao homem que o havia encomendado ditas ordens, mas Sasuke estava completamente seguro de que esse havia sido seu próprio pai.
A relação entre Itachi e seu progenitor ia-se deteriorando ao longo dos anos, até chegar a ser nula.
O segundo que Shisui mencionava era uma importante conversa, que por casualidade teve a oportunidade de escutar as escondidas, quando buscava finalizar sua jornada de seguimento, havia ido ao escritório do diretor dar o boletim de sua missão. De dentro, escutou três vozes masculinas, que claramente as identificou como Yashiro, Teyaki e seu próprio pai Uchiha Fugaku, os três dirigentes mais velhos do clã. Discutiam abertamente sobre a escassa eficiência do espião que haviam infiltrado na impresa risal do clã Seiju, outra companhia armamentista que controlava metade de Konoha.
Semans atrás, temendo a desvantagem de seu clã e a forte opressão do clã rival, levaram a impresa a ruina, Teyaki o mais radical dos três dirigentes, sugeriu se desfazerem do líder de uma maneira sigilosa, mas não por isso menos violenta, sendo apoiado por Yashiro. Não só conseguiram o controle total de Konoha, como também desistabilizaram o comando de seu oponente, para que quando quisessem voltar a se restruturarem, eles já teriam se consolidado, conseguindo uma força maior de forma que tomaria por completo a cidade. Fugaku, o líder principal dos três, não negou a proposta, ainda adicionou que infiltraria seu filho mais velho, Itachi, como o espião encarregado de descobrir o horário mais vulnerável para levá-lo a cabo.
Mas Itachi havia se negado retundamente a proposta, mostrando assim seu desacordo com a violência. A chantagem e a coerção fizeram com que não tivesse outro remédio a não ser ceder.
Por essa razão queriam que Shisui vigiasse os movimentos de Itachi, para que este, em momento algum de acordo com as ordens de seu pai, não pudessem opôr-se, nem trair o clã, e no momento em que tentasse alguma das duas coisas, fosse eliminado.
Seu filho continua sendo um problema, leva duas semanas atrás deles e ainda não conseguiu resultados, respondeu um homem, é evidente que esconde algo.
Meu filho conhece qual é o preço que pagará se ousar trair seu clã, havia assegurado Fugaku eu mesmo me encarregarei de matá-lo.
A má sorte, quis que a conversa terminasse naquele instante e a porta do escritório se abrisse. Três rostos descobriram atrás da porta um Shisui estupefado e incapaz de não confirmar com o rosto a surpresa que lhe produzia ter descoberto essa relevante informação. Corupção, conspiração e assassinatos. Se nesse instante o homem houvesse pensado com racionalidade, havia aceitado ser mais um dos cúmplices para salvar seu pescoço, mas não o fez, suas pernas decidiram correr. Essa foi sua saída e sua condenação.
O último que escutou antes de abandonar a última planta do edifício, escadas àbaixo, foi um contundente, mate-o.
- Vamos, cara. Não tenho o dia inteiro. – lhe insistiu o vendedor ante sua nula atenção – Não é um policial, não é?
Esse mesmo dia Shisui escreveu a carta. Bem sabia que voltar a ver Itachi ou tentar falar com ele o levaria a cair em uma armadilha, que seguramente já tinham planejada. Fez as malas, e antes de tentar sair do país, conseguiu depositar o documento na caixa forte do banco, deixando instruções precisas de que a chave fosse entregue a Itachi.
Dois dias depois, o encontraram morto.
Insólita e a por sua vez surrealista, lhe resultava toda aquela informação.
Se o que disse na carta era verdade, não só culpava toda a sua família de corrupção e conspiração contra um clã rival que atualmente havia sido dissolvido e com seu chefe com paradeiro desconhecido, e sim que tinham sobrado motivos para pensar que a morte de seu primo Shisui não havia sido um suicidio e talvez nem sequer culpa de seu irmão, como seu pai ao princípio o fez pensar...
Mas quanto mais pensava nele, mas dúvidas o assaltavam.
Talvez a carta não era real, talvez nem sequer havia sido escrita por Shisui, talvez podia tivesse sido escrita por algum outro interessado em conspirar contra o sobrenome Uchiha.
Por isso não duvidou em submeter a carta a diversas técnicas de autenticidade e estudos comparativos em uma importanete empresa dedicada a perícia caligráfica, e suas dúvidas foram reduzidas. Era de Shisui, tinham provas físicas que o confirmavam com completa segurança. Ainda que tão pouco, podia descartar a ideia de que o próprio afetado não houvesse pretendido afetar o orgulho da família escrevendo tais acusações.
Não. Sua caligrafía eram de traços desiguais e alguns difíceis de ler, havia lhe confirmado o perito, o que denotava um claro nervosismo e pressa em terminá-la. Por regra geral não é apenas seu estado mental que adotas quando vais escrever algo que tens previamente deliberado e calculado usar como prova ante um juíz.
Tudo o que contava era real.
Sasuke cerrou fortemente as pálpebras e, confusas e turvas visões da última ocnversa que teve com seu irmão, confundiram durante alguns breves instantes sua mente. Tentava protegê-lo, seu irmão querido que o acampanhasse, que abandonasse o país imediatamente com a intenção de afastá-lo de toda a corrupção que existia em torno de sua família. Algo que ele mesmo rejeitava profundamente.
Não era um assassino. Havia descoberto tarde demais que seu irmão era inocente. Não matou Shisui, e definitivamente, nenhum dos dois se suicidou.
Sim. Tudo começava a ter sentido.
Com indiferença, deu um vistaço rápido em todas as armas de fogo que o traficante lhe oferecia, antes de ordenar com segurança.
- Me dê a mais potente que tiver.
0o0o0o0
Os nervos o corroíam por dentro.
Naruto havia estado meditando durante vários dias sobre a conversa que teve com Shikamaru, e sempre chegava a mesma conclusão. Podia continuar a fingir que sua vida era perfeita como estava, que aceitava as condições de ser um amante, que se conformava com o pouco que Sasuke podia oferecer-lhe, mas não era assim. Ele queria mais. Queria o mesmo que teria qualquer casal, uma relação aberta e sincera junto a pessoa que desde algumas semanas atrás ocupava cada um de seus pensamentos, cada um de seus minutos, aquele que havia devolvido a plenitude ao seu coração o preenchendo de desejos, de alegrias, de fortes e eufóricas batidas. Com Sasuke sentia como o sangue corria quente por suas veias, dando-lhe força para enfrentar qualquer desafio, qualquer obstáculo que se botasse entre eles. Não queria receber as migalhas, o queria inteiro ou não queria nada.
E não havia outra forma de saber-lo se não era falando com ele.
Tinha uma ligeira ideia de qual seria sua primeira reação, seguramente obssecada e de rotunda negação. Mas tinha confiança de que pelo menos aceitasse escutá-lo, e fazê-lo entender quais eram seus sentimentos, que pudesse ver as coisas de uma maneira mais otimista. Se Sasuke realmente estava interessado nele, se realmente esses sentimentos que ocultava cuidadosamente em seu interior fossem tão fortes e necessitados como os seus próprios, se lhe faltava ar ante a simples ideia de terminar a relação, Sasuke aceitaria começar uma nova vida ao seu lado. Não importava o trabalho, a família, o dinheiro, nem o status social, enquanto tivesse um ao outro. Por acaso era um pensamento egoísta querer passar o resto de sua vida junto a pessoa que ama?
Naruto teria feito por ele, sem duvidar em nenhum momento.
Além do que, também queria comentar as frustradas tentativas de Sakura, conttratando novos detetives particulares, as importantes acusações que recaiam, ultimamente, sobre seu pai, e segundo o que Jiraya havia lhe informado naquela mesma manhã, o desaparecimento de Kiba; o detetive que até pouco tempo investigava o caso Uchiha. Poderia seu pai ter alguma relação com isso?
Definitivamente, tinha que falar com ele.
Com o firme pensamento de solucionar o quanto antes todos esses pontos questionáveis, se agachou, na última hora da tarde, entre uns carros estacionados na calçada da casa. Havia tentado seguí-lo várias horas atrás, quando o veículo circulava pelos subúrbios de Konoha, mas o tráfico e a imprudente condução do bastardo o fizeram perder a pita cinco minutos depois. De forma que, decidiu esperá-lo no único lugar onde tinha certeza que cedo ou tarde o encontraria. A casa que dividia com Sakura.
Duas horas mais tarde, com o estômago embrulhado pela fome, o cansaço formigando suas pernas e um tic nervoso o fazendo piscar freneticamente o olho esquerdo, produto de uma considerável irritação, viu estacionar em frente a porta uma BMW negra, e Sasuke saindo com um gesto cansado.
Naruto respirou profundamente, concentrando-se em reunir força o suficiente para enfrentá-lo antes de sair de seu esconderigio e deixar-se ver com total clareza a uma distância prudente. Seus olhos não tardaram em se encontrar, assim como para ver o desconcerto no rosto do moreno. Com um ligeiro movimento de cabeça, Naruto o convocou sem palavras para que o seguisse a pé até um lugar mais discreto. Estava tão seguro que sua mensagem havia sido recebida corretamente que não conseguiu sair de seu assombro quando avistou como este girava o rosto com desprezo e subia os poucos degraus que o levaram a se refugiar dentro de sua casa.
O havia ignorado, o bastardo havia tido o descaro de sair, ignorando deliberadamente sua presença.
O desprezo não fez mais que acrescentar em sua fúria. Apertou fortemente os punhos, rigídos de cada lado de seu corpo e com arrebatamente o seguiu até ficar a escassos centímetros da porta que havia sido fechada em seu nariz. Em frente, com o punho em alto e claras intenções de bater na madeira, se deteve em seco. Durante a espera, não havia visto Sakura entrar na casa, mas isso não significava que a jovem não já não estivesse no interior.
Irritado por suas frustradas intenções, tirou o celular se suas calças, e nervoso, digitou agilmente o número completo do celular desse desgraçado Uchiha. Antes que sua ofuscada mente o fizesse apertar deliberadamente a tecla verde, a lúcidez voltou a sua cabeça. Com o fim de não levantar mais suspeitas inecessárias por parte da jovem noiva, Shikamaru lhe havia informado que a linha telefônica de Sasuke continuaria grampeada até que as dúvidas de Sakura desaparecessem. Portanto, ligar para o celular dele para lhe dizer todo o tipo de impropérios já existentes e os por inventar, era uma opção descartada.
- Kuso!
Esse bastardo desgraçado...
Era evidente que estava fugindo. Mas por qual razão? A última vez que haviam se visto foi na semana passada no cinema, e a realidade, é que Sasuke não havia saído precisamente descontente do banheiro.
Ligeiramente mancando, sim. Mas não irritado com ele.
O que o levava a escolher outra linha de ataque, um pouco mais agressiva. Se não queria vê-lo por bem, o faria por mal.
Dois dias depois, voltou a tentar pegá-lo.
Na rua em frente, apoiado cansadamente sobre a carroceria de seu carro, Naruto consultou pela terceira vez a hora em seu relógio de pulso. Nove em ponto, da manhã. Estava cansado. De repente avistou pelo canto de olho um movimento suspeito, e como bem havia suposto, fazendo uso de seu perfeito sentido de pontualidade para ir ao trabalho, a BMW preta, ingressou no estacionamento subterrâneo das indústrias Uchiha.
Havia chegado a hora.
0o0o0o0
Estacionou o veículo em sua vaga, e soltando um pesado suspiro, colocou ambas as mãos sobre o volante, deixando cair a cabeça, que ficou oculta entre os braços. Informação demais para assimilar, teorias demais sem respostas, coisas demais em que pensar em tão poucos dias.
- Eu só tenho que falar com ele. – disse a si mesmo. Do porta-luvas, extraíu a mesma pístola semi-automática que havia comprado alguns dias atrás, naquele bairro baixo de Konoha. Escondeu a arma nas suas costas, cruzada nas calças e oculta pelo casaco. – E se o que estava escrito na carta é verdade, eu acabarei com o que ele mesmo começou.
Teria motivos de sobra para não sentir por seu pai mais do que ódio e desprezo, mas não querer ver nunca mais seu rosto, para sepultá-lo há um metro abaixo da terra.
Decidido, desligou o motor do carro, com os dedos alcançou o botão para abrir as portas e o acionou. Ia sair do veículo quando uma brusca sacudida abriu a porta do carona, deixando entrar um indivíduo que sentou-se ao seu lado. Olhou para sua direita e o coração pulou uma batida ao contemplar de tão perto esses conhecido, intensos e vivos olhos azuis.
Naruto.
- O que demônios está fazendo aqui? – inqueriu franzindo o cenho. Com movimentos nervosos inspecionou sua volta, assegurando-se de que se encontravam sozinhos no estacionamento, e que nenhum rosto conhecido da empresa os tivesse visto juntos. Era perigoso demais, de maneira alguma dentro da zona frequentada por seu pai.
- Bastardo, não tive outro jeito. Estou tentando falar com você há vários dias, mas não para de me evitar. – proferriu franzindo o senho e cruzando os braços com obstinação. – Por que está fazendo isso?
Sasuke apartou o olhar e respirou profundamente, tratando de dissimular de maneira efetiva os desenfreiados batimentos de seu coração contra o peito.
Por acaso não era evidente? Se o que a carta narrava era verdade, se as fortes acusações que recaíam sobre seu pai eram corretas, qualquer pessoa ao seu redor estava exposta ao perigo. O mais mínimo erro e Naruto seria o próximo de sua larga lista de vítimas.
Tinha que se desfazer do loiro o quanto antes, não ia permitir que ninguém de fora da família participasse em algo que só cabia a ele.
Internamente se obrigou a anular seus sentimentos e recompôr a máscara fria na qual se escondia dos demáis.
- Deve-se ter alguma razão para não querer ver outra pessoa? – inquiriu rude – Vá embora, não tenho tempo a perder com um dobe como você.
- Certo – cabeceou conforme, Naruto. O bastardo começava a empregar esse tom irônico que utilizava como defesa, cada vez que se escondia atrás de seu coração. Havia tensão em cada um dos seus músculos, e seu rosto estava pálido e tenso. Podia até mesmo detectar um pequeno começo de olheira sob os olhos. Seguramente não devia ter dormido muito nos últimos dias. – Já ficou bem claro para mim, que aqui está acontecendo algo. Agora, comece a me contar. – ameaçou templário e firme.
- Desça do carro e não volte a se aproximar de mim. – reclamou friamente como resposta, controlando de canto de olho a nula atividade no recinto.
- Primeiro vamos conversar.
- Eu disse para descer do carro, agora mesmo. – replicou com maior vígor, apertando com dureza o volante do carro.
- Maldito seja, Sasuke! – do bolso interior de seu casaco, extraíu várias das fotos que Shikamaru o havia entregado – Sua noiva contratou outro detetive para que te siga e nos descobriu em cheio, mentendo-nos a mão. Quer conversar agora, ou quer que eu desça e as dê eu mesmo?
A expressão de Sasuke se tornou brusca, e enquanto contemplava a distância as claras fotos deles dois trocando fluídos e roces pouco decorosos, um grunhido irritado lhe escapou sem querer, por entre os denter fortemente apertados. Fechou os olhos e com cansaço, esfregou as pálpebras.
Sinceramente, o que menos o preocupava naquele momento era que Sakura descobrisse as incontáveis infidelidades que havia cometido, além do que, começava a crer que se fossem descobertas conseguiria se desfazer de outro de seus muitos problemas. Mas essas fotos concretas revelavam o rosto de Naruto, e apesar de ter a certeza de que a jovem não as utilizaria de forma vingativa, não podia se arriscar que o rumor chegasse até o escritório do último andar, onde seu pai, botaria um novo rosto ao seu crime.
Abriu os olhos e de canto de olho dedicou um olhar duro, quase agressiva ao detetive.
- Que seja rápido. – ordenou secamente.
Naruto o contemplou estranhado. Podia ocmpreender até certo ponto sua irritação, estava acostumado que as pessoas ao seu redor o obdecessem e não a desobedecer, mas nenhuma dessas razões tinham peso suficiente para justificar aquele olhar gélido nos olhos de Sasuke. Incômodo pela tensa atmosfera que respirava, se inclinou para frente, chocando as palmas das mãos contra as coxas, pensando com rapidez quais seriam as palavras apropriadas com as quais começar.
- Foi uma sorte que eu conhecia o detetive. Shikamaru e eu estudamos juntos na mesma escola. É um bom amigo. – assegurou guardando de novo as fotografias, no bolso. – Por isso que decidiu falar comigo antes de entregá-las diretamente a ela.
Naruto esperou pacientemente algum comentário porparte do moreno, e ao não receber nem sequer um olhar, adicionou entre dentes.
- Isso não pode continuar assim, Sasuke. – suspirou, examinando com atenção o rosto destemido e carente de emoção de seu companheiro – Desta vez pude parar tudo a tempo, mas se a Sakura continuar suspeitando e contratando mais gente no final descobrirá da pior forma possível.
- Esse é meu problema. – replicou austero.
- Não, Sasuke. O problema é de nós dois. – refutou – Tanto seu quanto meu. Estou metido nisto desde o momento que comecei a dividir o risco com você, desde o momento que eu me converti em seu amante.
- Então, é só deixar de ser. – bufou apático.
- Como que é?
Era a oportunidade perfeita para desencadear uma forçada ruptura, e mantê-lo longe dele, a salvo.
- Se veio me dizer que não é o suficiente para você ser apenas um amante, que precisa de mais e qualquer outro estúpido argumento sentimental, poupe-se.
Naruto apenas conseguiu arquear abruptamente suas finas sobrancelhas.
- Eu também estou cansado desse jogo. – prosseguiu Sasuke e desta vez muito mais contundente. – E estou de acordo em acabar com isto. Por isso que eu comecei a guardar as coisas que eu não preciso dentro de uma caixa.
Naruto enrrugou bruscamente o cenho, se endireitou e seu rosto se tornou desconfiado.
- O que você quer dizer com isso? – bufou tão irritado como receioso.
- Que o seu lugar está dentro dessa caixa.
Essas mesmas palavras rudes, tanto no significado como na forma nas quais estavam sendo pronunciadas, voltaram a se repetir lentamente na mente de Naruto de maneira sucessiva, e uma angustiosa sensação opressiva se enroscou ao redor de seu peito.
- Entendo. – disse sentindo sua própria voz débil e insegura.
Não é que não houvesse pensado anteriormente em uma resposta negativa, que fosse ele quem sentenciara definitivamente aquela patética relação, mas no fundo, estupidamente havia tido a esperança de que Sasuke concordasse com ele que permanecerem juntos valía apenas. Só foi consciente do vazio que produzia aquela negativa até que a escutou de sua própria boca.
E o sangue de suas veias deixou de ser quente.
- O que esperava? – prosseguiu Sasuke piscando os os olhos, esboçando sobre seus lábios um mordaz sorriso. – Que renunciaria a tudo o que exigiu esforço para levantar, por alguém como você? Que escolheria você ao invés de uma vida de êxito assegurado? Não seja estúpido, você era apenas um brinquedo, e como todo brinquedo acabei me cansando de você. Agora desapareça de uma maldita vez da minha vida, da mesma forma que eu fiz da sua.
Naruto conteve o ar nos pulmões durante uns segundos, sentindo como que por momentos um desagradável mal-estar crescendo atropeladamente dentro dele. Calor, notava como a enxurrada candente vinha até seu rosto, lhe nublando o juízo e uma violenta raiva inundava todo o seu ser, trazendo consigo uma irresistível vontade de golpear aquele rosto reto e orgulhoso.
- Um brinquedo. – repetiu o loiro aplacando a tempo em uma posição tensa e altiva a raiva que pugnava por surgir de seu interior. Apertou com força os punhos, até que os nós dos dedos se tornassem brancos – Essa é a sua melhor desculpa, Sasuke? Que se cansou de mim?
- Por que iria buscar uma desculpa? – grunhiu entredentes – Você que é o idiota que não entende...
- Porque as coisas estão se tornando sérias entre nós e isso te assusta. – acusou mostrando um semblante decisivo e sério, aproximando o corpo, até ficar de frente para ele a pouca distância.
Sasuke enrrugou energicamente as sobrancelhas em um gesto irritado. Não lhe gostava o giro inesperado que estava tomando a conversa. Não era para onde ele queria que descorresse e terminasse.
- Eu te conheço, muito mais que todas as pessoas que te rodeiam, não pretenda me fazer crer que o que nós tivemos foi só uma brincadeira – inquiriu Naruto – Sei que não é feliz no lugar onde se encontra agora, é algo que você mesmo me confessou. Como também sei que tem passado muitos anos escondido atrás desse muro impenetrável que levantou em seu coração, tentando se proteger do amor, daquilo que acha que te faz débil, e sem se dar conta baixou a guarda, e permitiu que, alguém como eu, entrasse na sua vida, e se resulta que pela primeira vez você gostou de ter encontrado alguém que te entende e aceita o que é. E isso te apavora.
A situação estava fugindo de suas mãos. O que tinha que fazer era afastar Naruto, criar-lhe dor suficiente como para que o ressentimento e o orgulho lhe impedisse de aproximar-se novamente de si.
- Você não tem nem ideia de...
- Porque deixar que eu entre na sua vida significa romper com a mísera resitência que conhece. – prosseguiu ignorando suas palavras – Você pensa que para ser digno da sua família deve aceitar o destino que eles te reservaram, cumprir com suas espectativas e assim se converter em um filho modelo que esperam que você seja, mas não se dá conta de que isso só te converte em um covarde incapaz de enfrentar uma família egoísta e interessada unicamente em seu próprio benefício, demonstrando com esse acordo matrimonial que nunca o respeitaram o suficiente como que para te deixarem tomar suas próprias decisões.
- Cale-se. – grunhiu cerrando fortemente a mandíbula.
- Você se conforma em ser a marionete de um ambicioso pai que não duvidaria em se desfazer de ti, se ousar contradizer sua vontade. Isso não é amor, isso é desprezo. Te trata igual que os seus sócios, como se fosse uma inversão financeira da qual espera obter benefícios.
- Cale-se!
- Calando-me não será menos verdade o que eu te digo!
Sasuke cerrou os punhos com força, e raivoso se lançou contra o loiro, do qual deteve sua investida sem problemas. Sentia como lhe ardia o peito e lhe palpitava sua cabeça com força, como se toda aquela conversa houvesse colapsado sua mente e seu corpo.
- Não diga nenhuma mísera palavra mais. – ordenou tanjante.
Maldição, já sabia de tudo isso! Não precisava que o lembrassem cada uma das misérias que haviam em torno de sua vida, não naquele momento. Não quando havia acumulado tanta raiva, tanto rancor durante todos esses anos, sendo consciente de que para seu pai ele não era nada mais que um indesejável pedaço de carne, uma moeda de câmbio.
- E o que você sabe pelo o que eu estou passando? Você não tem pais, nem irmãos, não pode entender minha dor. – disse inclinando-se desafiante sobre ele – Por acaso sabe como me sinto? Por acaso acha que sabe pelo que estou passando? – com ímpeto encheu os pulmões de ar – Você não sabe de nada!
Sem piscar Naruto sustentou o olhar desafiante, e surpreendido descobriu sob aquelas escuras púpilas algo que algo impreciso se agitava, quebrando sua máscara impenetrável. A dor e a impotência de quem se sente vulnerável, tão frágil que apenas reconhecia nele o homem arrogante e seguro de si mesmo, que tanto alardeava ser.
- Você não é ninguém! – brandou com o rosto desencaixado em uma expressão dolorida – Não tem nenhum direito de falar assim do meu pai. O único com esse direito sou eu, entendeu? Eu!
- Sasuke...
- Eu acreditei como um estúpido cada uma de suas palavras, cada uma de suas mentiras, uma atrás da outra. Tenho vivido odiando injustamente, durante os últimos anos, uma pessoa inocente, a única pessoa que tentou me salvar. Não diga que me conhece... Não se atreva a dizer que sabe o que eu sinto!
- Está chorando...
Naruto tratou de pousar uma mão sobre seu ombro, mas Sasuke o impediu com um seco tapa.
- Não me toque! – lhe cortou tanjante, com uma índole impassível. Com movimentos enérgicos se limpou o rosto, eliminando todo o rastro de umidade, sem ser consciente de quando havia começado a chorar – Se afaste de mim.
Naruto contemplou encolhido, incapaz de mover um músculo, nem articular alguma palavra, com a sensação de ter cometido um fatídico erro ao ter obrigado Sasuke a ter aquela conversa, sem ter reparado antes o grande peso que suportava em suas costas. Arrependido e sem poder afastar os olhos daquele rosto, que pela segunda vez via arrasado pela impotência e o sofrimento, pousou suavemente uma mão sobre seu ombro e docilmente o fez girar até que o corpo trêmulo, ficasse encaixado em seu colo.
- Se afaste de mim. – murmurou debilmente Sasuke, escondendo o rosto na curvatura do pescoço, agarrando-se com desespero sua cintura.
- Está bem – sussurrou acariando-lhe as costas consoladoramente – Está bem.
Minutos depois, quando a calma foi relaxando os tensos músculos e a respiração se tornou compassada, Sasuke se afastou lentamente sem poder sustentar por muito tempo o olhar contra esses cálidos e belos olhos azuis.
- Aconteceu algo, não é? – perguntou com calma Naruto, ainda sem poder evitar que sua voz soasse preocupada.
O moreno torceu o rosto de forma lânguida, sem afirmar nem negar nada.
- Me conte, Sasuke – insistiu inclinando-se com cuidado, até ele – Você sabe que pode confiar em mim.
Sim, Naruto era uma das poucas pessoas nas quais podia seguir confiando. Mas essa não era a questão. Fezê-lo conhecedor de todos esses dados, de toda essa informção, o convertia automaticamente em um cúmplice, o faria participar daquele perigo. Não estava disposto a perder novamente uma pessoa importante em sua vida, não a Naruto. Mas por outro lado estava seguro de que cedo ou tarde o detetive acabaria enterando-se por outras fontes, e talvez correndo maior perigo.
Com cansaço, jogou a cabeça para trás e suspirou derrotado.
- Encontrei a carta.
0o0o0o0
Seu lugar, essa cálida casa que desde vários anos dividia com seu parceiro sentimental, já não lhe resultava tão agradável e acolhedora como antes. O silêncio do qual anteriormente soube aproveitar, agora lhe parecia triste e claustrofóbico, como um poço sem fundo. A solidão, que tanta paz interior havia lhe proporcionado, agora lhe perturbava, lhe incomodava, lhe recorria com estremecimento a coluna, eriçando-lhe os pelos, enroscando-se em seu estômago, agitando-lhe o peito. Não, para Sakura já não se resultava agradável voltar para casa depois do trabalho, sobre tudo sabendo que alí dentro não haveria ninguém para recebê-la.
Sauske voltava novamente a suas escapadas, a chegar tarde em casa, a não responder suas chamadas, a não lhe dar explicações...
A jovem suspirou abatida e de canto de olho observou seu desanimado reflexo na janela.
Se acabavam as ideias, e começava a estar cansada de lutar por um amor cada vez mais murcho, mais morto, a primeira vista condenado ao fracasso. Se apenas pudesse ser de novo o centro de atenção, foco de seus desejos, de seu mal caráter, escutar o tom forte de sua voz, deixar-se arrastar pela sua luxúria, ou simplesmente tê-lo junto a ela, ao seu lado, dormindo na cama, deleitar-se novamente as escondidas com a beleza de seu tranquilo sono...
Se apenas sobesse como se conectar novamente com seu parceiro...
Uma fresca brisa se ergueu, abarrotando-lhe os rosados cabelos. Com ambas as mãos os penteou, recolhendo as mechas dianteiras atrás das orelhas.
Talvez era hora de voltar a fazerem uma visita a Kakashi. Não era como se quisesse voltar a ver aquele homem de aspecto folgado, desinteressado e frouxo, por não falar do preço que era a consulta, mas seus conselhos eram eficientes, e isso era o único que importava.
Um pouco mais animada girou seus passos rua abaixo, em direção do consultório. Sabia que sem consulta marcada previamene ia ser difícil ser atendida, mas não lhe pareceu má ideia esperar um pouco, de todas as formas não tinha nada melhor que fazer.
Tudo ocorreu tão rápido que não pôde freiar nem esquivar a tempo da pessoa com a qual chocou de frente ao girar a esquina. A surpresa mais que o tropeço, lhe fez perder o equilibrio e precipitar-se torpememte para trás. Ouviu um repentido "cuidado" e seu corpo, como um mecanismo de defesa, se tensou preparado para a queda, algo que nunca chegou a acontecer. Em tempo uns fortes braços, conseguiram a rodear com destreza pela cintura, deixando a parte superior de seu corpo pendida no ar.
Pressintiu o calor de uma boca a apenas escassos centímetros da sua e lentamente abriu os olhos, centrando o olhar sobre a pessoa que havia lhe salvado de uma queda sobre sua bunda. Um jovem e masculino rosto surpreendentemente familiar, o que imediatamente provocou que seu coração batesse agitado e suas bochechas se tingissem de um vistoso tom avermelhado. Abriu a boca, mas nenguma palavra surgiu dela.
Sasuke.
- Você está bem? – lhe perguntou o jovem em um tom impertubável.
Sakura piscou confusa, centrando melhor seus olhos. Não, esse não era Sasuke, ainda que era evidente a grande semelhança física que existia entre eles; a mesma cor de cabelo, a mesma palidez no rosto, nariz reto, lábios finos, inclusive a mesma forma rasgada e cor dos olhos, tão negros como a noite, mas algo nele o fazia inquietantemente diferente.
- Sim. – disse debilmente incorporando-se e deixando entre eles o espaço suficiente que exigia a boa educação – Obrigada.
O jovem apenas lhe dedicou um artifícial sorriso, carente de emoção. Parecia que sua silenciosa resposta era tudo o que pretendia adicionar a respeito, até que segundos depois prununciou.
- Me chamo Sai. – lhe extendeu a mão amistosamente.
- Sa... Sakura – em dúvida, lhe estreitou a mão educadamente.
- Sakura – murmurou ingenuamente sem variar nem um ápice o gesto artíficial de seu rosto. – É um nome de mulher.
As finas sobrancelhas da jovem se arqueardam abruptamente, sem terminar de compreender muito bem o que queria dizer aquele comentário. Inclinou o rosto dando um ráido vistaço na sua própria silhueta. Por acaso não era óbvio?
- Sim, é. – assegurou vacilante. Aquele homem lhe resultava cada vez mais perturbador e desconcertante, não sabia como definí-lo, simplesmente não lhe agradava. O melhor nesses casos era sair de forma condescendente, e com sorte não voltaria a cruzar com ele na vida – Novamente, obrigada por antes.
Mostrava um forçado sorriso, deu-se a volta retomando seu caminho. A apenas uns passos antes de que a voz impávida de Sai a detivesse novamente.
- Estou confuso.
Sakura franziu o cenho e lentamente girou-se para ele.
- O que disse? – pergutnou insegura.
O homem toceu ligeiramente o rosto para um lado sem variar um ápice de sua expressão indefinida.
- Seu corpo é muito leve e cheira a perfume de mulher, mas os traços do seu rosto são bastante andrógenos. – expliucou em dúvida. Pouco a pouco Sai foi se aproximando até ficar a escassos centímetros da jovem, examinando com descarada passividade cada feição de seu rosto – Entretanto, não é bonita como uma garota, nem doce, mas veste roupa feminina. – extendeu a mão, e com toda a naturalidade do mundo, apalpou curioso o busto da mulher. – Além do que é reta, não tem peitos. – adicionou ainda mais ocnfuso. – Você é um travesti?
Sakura abriu tanto os olhos que seus orbes ameaçaram sair em disparados. Incrédula, demorou vários segundos em reacionar enquanto o jovem passava descaradamente uma mão por seus seios, comprovando o tamanho.
- Mas o que demônios está fazendo! – gritou escandalizada. Subitamente extendeu os braços empurrando com toda a brusquedão, que Sai se viu impulsionado para trás, perdendo o equilíbrio e seguidamente caindo de bunda contra o chão. Não contente com isso ergueu uma mão e o esbofeteou sonoramente no rosto – Pervertido!
Sai viu como a jovem entre blásfemias, dava rapidamente meia volta e com passo acelerado se perdia rua abaixo. Ainda permaneceu no chão por varios minutos, com o coração batento fortemente em seu peito e a bochecha ardendo onde havia sido golpeado.
- Isso é um sim ou um não? – hesitou franzindo as sobrancelhas em dúvida. – Continuo confuso...
0o0o0o0
Uma vez mostrada a carta no interior do apartamente do loiro, Sasuke se limitou a fingir de pé, inclinado na janela da sala, que sua atenção estava posta na transitada rua. Toda a história ter sido resumida em poucas palavras, escondendo os detalhes mais vergonhosos e escabrosos nos quase se via envolta sua família, mas algo dentro de si lhe impediu de fazê-lo, preferiu entregar-lhe o documento e deixar que Naruto o lesse por si mesmo, permitindo que tirasse suas próprias conclusões pessoais.
Enquanto o detetive a lia, Sasuke não deixou de estudar de canto de olho suas reações; incrédulas em princípio, mudadas em um gesto grave e tenso instantes depois. Distinguindo a cada segundo menos brilho e mais opacidade nos seus olhos azuis, mais tensão e rigidez em seus membros. A mesma tensão que dias atrás havia atingido a ele depois de conhecer o relato.
Foi um tempo quase terno, ou ao menos essa foi sua impressão, o que transcorreu até que finalmente terminou de lê-la. Depois, nenhum dos dois falou.
Naruto depositou o documento sobre a mesa, e lentamente se aproximou por detrás de seu companheiro, mas não disse nada, se manteve em silêncio durante um longo tempo, observando algum ponto indefinido em suas costas. Podia ouvir a respiração acelerada do moreno, assim como percebia a clara tremedeira que recorria seu corpo, esperando que a primeira frase delatora fosse pronunciada.
- Temos que levar essa carta para a polícia. – disse finalmente Naruto.
- Não.
- Por quê não? – refutou franzindo o cenho. – Essa carta é a prova física que pode demonstrar a inocência do seu irmão e o que é pior, o seu assassinato. Se a levarmos ante a polícia, abrirão um expediente criminal aos responsáveis e serão enviados a cadeia – explicou – Só precisamos da declaração de um perito grafólogo, que demonstre que a carta e a letra é autentica.
Sasuke mordeu a língua irritado. Já sabia. Por acaso achava que era um idiota? Foi o primeiro que se preocupou em conseguir; uma prova contundente de que aquilo era autentico. Mas as coisas não aconteceriam da forma simples da qual Naruto explicava. Por muitas denúncias delictivas que fizesse esse relato escrito por uma pessoa sepultada àbaixo da terra, nada assegurava com completa convicção que o citado nas linhas fosse verdade. Não bastava só acusar e apontar os crimes, deveriam demonstrar essa acusação com feitos que as ratificariam, coisa da qual careciam. Se entregavam a carta, os acusados negariam o sucedido, era palavra contra palavra, imediatamente o caso ficaria arquivado e os acusados livres por pesunção de inocência, enqianto não se demonstrasse legalmente sua culpabilidade.
A única solução viável era falar diretamente com seu pai, fazê-lo confessar e então...
- Eu tenho meus próprios métodos. – sua frente se contraiu como se os pensamentos que cruzavam por sua mente fossem extremamente densos e pesassem sobre seu rosto.
- Está se referiando a isso? – Naruto tentou tocar-lhe a parte baixa das costas, onde se avistava um vulto suspeito, apenas o roçou com os dedos antes que Sasuke girasse rápido e lhe prendia o pulso, o impedindo que tirasse a pístola. – É isso que você quer, Sasuke? Converter-se no mesmo que seu pai?
- Cale-se, você não sabe – espetou arisco – Por acaso sabe contra quem está enfrentando? Realmente nunca ouviu falar do sobrenome Uchiha? – entrecerrou os olhos, dedicando-lhe um olhar nublado e denso – Então não sabe absolutamente nada do meu pai. Tem contatos infiltrados na polícia, a quem suborna em troca de silêncio ou eliminação de provas. Se entregarmos a carta, os únicos prejudicados seríamos nós, idiota.
- Então, falaremos com a polícia de outro distrito. – resolveu raivoso – Pode ser que seu pai seja capaz de manter controlado um círculo de contatos nesta cidade, mas dúvido que possa subornar os de todo o país. Uma vez que entreguemos a prova, eles prenderão os responsáveis.
Sasuke sacudiu com força a cabeça, rejeitando esse procedimento, mas não contestou.
- Além do que, tenho um amigo em Suna que poderia nos ajudar – adicionaou o loiro convincente – É o chefe de polícia na vila da areia.
Sasuke lhe dedicou um olhar inquisidor, antes de peguntar.
- Quem?
O detetive tragou sáliva com dificuldade, molhou os lábios com a língua, e tratou que sua voz não delatasse seu nervosismo.
- Gaara.
Sasuke enrrugou ligeiramente as finas sobrancelhas. Recordava esse nome, era o mesmo que utilizou semanas atrás para chantagear o loiro. E se não lhe falhava a memória, esse era... Seu ex-namorado. Por um momento o rosto pálido de Sasuke se tornou rígido e sombrio, sem deixar de perfurar com seus inquisidores olhos os do homem. Não falou, nem exigiu explicações, tão pouco era necessário, o detetive podia ler nos olhos do moreno como aquele nome não lhe era desconhecido, assim como Sasuke podia ver nos azuis a inquietude que lhe produzia ver novamente Gaara.
Continuará...
0o0o0o0
Notas da Autora: E com isso fica revelada, oficialmente, a história de Itachi. Não sei se era o que esperavam, ou se me excedi em algo. Eu tentei relatar de uma forma concisa e leve, sem sobrecarregar e mantendo de certo modo a relação com o mangá. Muitas de vocês acertaram, o malvado dessa história é o Fugaku.
Creio que agora compreendem melhor as reações de Sasuke, ao fim, debaixo de todo esse indiferente coração, também há uma pessoa humana que em certas circunstâncias de pressão e saturação termina derrubando-se. Naruto não podia ter chegado em melhor momento, ainda que o tema da relação sentimental ficou em um segundo plano. Não se preocupem, se as brigas são grandes, mais grandes serão as reconciliações. xDD
Por outro lado, não tinha a intenção de mostrar Gaara fisicamente, mas enfim, depois de muito meditar acho que se encaixa bem, o papel que eu tenho reservado para ele, e para Sasuke não se vê mal uma boa dose de ciúmes.
Beijos, e obrigada por ler e comentar.
Notas da Tradutora: Olá! Esse cap foi bem complicado para traduzir, acreditem D: O próximo cap não demorará muito, pelo menos isso eu espero D: Quero agradecer à: xz'Mari-chan, mitsuu, Ana, Gabhyhinachan(Olá! Realmente, cada final de cap a Naruko nos deixa com mil e uma dúvidas, mas o próximo cap solucionará várias delas, inclusive a do relacionamento NarutoxGaara. Beijos ;*), vrriacho, I'м. ̽ Λмα'αн(Olá! Sei que parece que o Sasuke é um sem coração, mas acredite, é só uma máscara, e vc verá isso no próximo cap. Beijos ;*), Lyra Kaulitz'(Olá! Realmente, santas tradutoras, sem elas eu estaria frita tbm D: Mas só para constar, a fic original não é em inglês é em espanhol. Beijos ;*), Kowai-chan, pelas reviews. Obrigada. E claro, sem esquecer da Naruko que me permitiu traduzir. Enfim, obrigada pelas reviews e pela paciência ao esperar eu postar a tradução. Até. Beijos ;**
