Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem à Masashi Kishimoto e esta fic à Naruko.

Título original: 8 Semanas

Autora: Oo-Naruko-oO

Tradutora: Kappuchu09

Cap 13: Só a incerteza mata os ciúmes

- Sem identificação nem horário marcado não podem ver o Kazekage. – lhes disse resoluta a recepcionista de rosto cinzudo e velha que os atendia do outro lado do balcão. Colocou os óculos em um precário equilíbrio sobre a ponte do nariz, e distraidamente começou a folhar a agenda, até olhar uma página em branco. – Se quiserem, posso marcar um horário para a semana que vêm.

O loiro pousou os cotovelos sobre o balcão, inclinando-se ligeiramente para ela.

- Veja bem, senhora... – Naruto olhou rapidamente a placa que estava adornada sobre o blaiser da mulher, enquanto lhe dedicava mais um de seus encantadores sorrisos. - ... Chiyo-san. Sou amigo do Kazekage e é urgente que ele nos atenda hoje. Sabemos que ele tem uma agenda apertada, mas viemos de muitos longe somente para vê-lo. Seja amável, e diga à ele que Uzumaki Naruto está aqui.

- Vou ter que repetir, senhor Uchumaki – respondeu ela deixando de mostrar certa hospitalidade em sua voz – O Kazekage está em reunião neste momento e não pode ser incomodado.

- Nesse caso esperaremos até que possa nos atender. – concluiu.

- Duvido que possa atendê-los hoje, senhor. – voltou a indagar e nesta ocasião com clara determinação em sua voz – A agenda do Kazekage para o dia de hoje está completa. Lhe aconselho que marque para a semana que vem.

- Não. Tem que ser hoje. – reinteirou tanto com rudeza quanto com impaciência.

- E eu lhe informo que hoje será impossível. – cruzou os braços na altura de seu peito em atitude decisiva.

Sasuke se viu obrigado a intervir quando Naruto, com a paciência completamente esgotada, indicou a velha que faria com que a investigassem e se descobrisse que continuava trabalhando mesmo depois de estar fichada, faria com que a demitissem.

- Me deixe tentar. – se interpôs, obrigando-o a afastar-se à um lado.

Do bolso interior de seu paletó extraiu um talão do qual se apressou em escrever uma cifra de vários zeros.

- Desculpe meu amigo, ele é um pouco lerdo em palavras. – explicou com um brilho de resignação em suas púpilas. Com um lento e dissimulado movimento extendeu a mão, oferecendo o cheque à velha sem deixar de olhá-la intensamente. - É importante que vejamos o Kazekage esta manhã, não estaríamos aqui se o assunto que temos que tratar com ele não fosse de extrema urgência. Achas que esta cifra poderia fazer algo para que nos receba?

A anciã parecia ter perdido a respiração quando contemplou a mais que considerável quantidade de dinheiro inscrita no talão. Com um condescendente sorriso, oculto atrás das rugas, e os olhos iluminados de quem está em frente a um objeto lustroso, apressou-se a retirar o olhar do cheque, introduzindo-o em seu caido seio.

- Verei o que posso fazer. – indicou discando apressadamente o telefone e marcando várias extensões no teclado do aparelho.

Sasuke girou o rosto para o loiro, erguendo o queixo com certa presunção, deixando a mostra a fileira de dentes brancos em um altivo sorriso. Naruto rodou os olhos com sofrida paciência, enquanto resmungava algo parecido a "bastardo arrogante"

- Sentem-se, em breve serão atendidos. – lhes comunicou segundos depois a mulher, indicando com indolência a larga fileira de cadeiras de espera.

Uma vez acomodados, um ao lado do outro, Sasuke inspecionou com indagador olhar sua volta. A antesala, bastante grande para ser uma simples recepção, era de cor marrom. Suas paredes estavam recobertas por uma grossa capa de areia, utilizada como isolante do calor e janelas redondas pelas quais infiltrava um resquício de ventilação, o que provocava uma atmosfera pesada, e a impressão de encontrar-se em um formigueiro sem saída. A maioria das construções em Suna estavam adaptadas ao árido clima da zona, algo realmente necessário se tivessem em conta que a cidade estava erguida em meio ao deserto.

- Havia esquecido que fazia calor aqui. – comentou Naruto distraido, passando uma mão por sua úmida testa. – é difícil se acostumar com esta alta temperatura, quando se está habituado com o ambiente fresco de Konoha.

Sasuke emitiu um leve grunhido como única confirmação de que coincidia com suas palavras. Fechou os olhos e em sua mente se formou a pergunta que desde horas se repetia insaciável.

O que demônios fazia alí?

Ah, sim, já se lembrava. O idiota sentado ao seu lado havia recorrido a sujas táticas de chantagem para confundí-lo, enrredá-lo e lhe fazer mudar suas prioridades na vida. Nada novo, o mesmo que fazia desde o momento que o conheceu.

Ainda lhe resultava patética a forma com a qual Naruto conseguia, com uma simples frase, transpassar honestamente as barreiras que com tanto esforço vinha levantando ao longo dos anos, como meio de proteger sua debilidade e as coisas que o faziam vulnerável.

- Por quê? – Sasuke franzia o senho, enquanto que sua testa se cobria de finísimas rugas – Por quê se esforça tanto para me ajudar? Por quê não se afasta de mim? Por quê continua aqui mesmo depois de tudo o que te fiz?

Naruto sorriu ternamente antes que seus lábios acariciassem os do moreno em uma tênue carícia. Sasuke quis aproximá-los, mordê-los, saboreá-los com intensidade, mas Naruto se afastou, golpeando-lhe suavemente a testa com um dedo.

- Alguém me disse uma vez, que se de verdade você gosta de alguém, você tem que estar disposto a sacrificar tudo por essa pessoa. E mesmo que as vezes essa pessoa tente aparentar que não tem coração... Ou seja lá o que bombeie entre seu peito e esse lodo negro que chama de sangue nas suas veias – ressonou suavemente, dedicando-lhe um olhar merguhado em ternura – Eu sei que você é uma boa pessoa. Arrogante, insensível, orgulhoso, definitivamente um maldito bastardo, mas depois de tudo... Você é o meu bastardo.

Escutar aquilo de seus lábios de forma tão sincera e repentina, havia provocado em Sasuke um agradável estremecimento na boca do estômago e que o coração palpitasse com força. Impetuoso, agarrou com ambas as mãos o rosto do detetive e o beijou com veemência. Tal foi a excitação do momento, que apenas bastaram uns segundos para lhe tirar toda a roupa e lhe encurralar contra o primeiro móvel o suficientemente resistente como que para suportar uma apremiante e tórrida sessão de sexo.

Mesmo que ao final, e como vinha sendo de costume, havia sido ele mesmo quem havia acabado aprisionado entre a mesa da cozinha e o corpo do loiro. Sasuke teve que admitir. Sua respiração cardiovascular havia melhorado consideravelmente desde o início dessas desenfreadas e ardentes sessões de sexo, mas droga, não fazia nada para manter o controle e o domínio em cada encontro sexual.

O que o havia levado a render-se a justificada cólera e raiva com a qual havia começado aquele dia, a vontade do detetive. Concordando, contrariado, a acompanhá-lo naquela viagem, mesmo sabendo que isso só atrasaria a prisão de seu pai e sua própria vingança.

- Me pergunto por quê ninguém em Suna tem ar codicionado. – reflexionou o loiro em voz alta – Realmente seria um negócio muito rentável aqui.

Sasuke estudou o rosto de Naruto, tentando ler o mesmo. Seu gesto alegre e de aparente desinteresse era forçado, igual desde que havia entrado no país do vento.

Estava nervoso. Mesmo que tentasse por todos os meios manter-se sereno, seus olhos se moviam frenéticos de um lado para o outro, lhe delatando. Só uma coisa consegue perturbar Naruto a esse extremo.

Gaara.

Não conhecia as causas das ruptura, porém tampouco havia posto muito interesse em descobrí-las, mas o gesto áspero e reflexivo de Naruto lhe confirmava que nada de bom havia saído dessa relação. E isso não fazia mais que acrescentar a curiosidade do moreno.

Perguntar um simples "O que aconteceu?" seria ridículo. Sasuke não lhe perguntaria sobre seu passado amoroso, não deixaria entrever sua agonizante necessidade de saber qual tipo de relação mantiveram, não rebaixaria seu orgulho de tal modo, mesmo que isso germinasse uma nova semente de dúvida em sua alma.

Mas necessitava saber.

Como se houvesse podido escutar em voz alta seus pensamentos, Naruto se girou para ele e lhe dedicou um de seus mais amplos sorrisos. Um elaborado e feliz gesto que com frequência utilizava para ocultar seus verdadeiros sentimento, e impedir que alguém pudesse cruzar a linha invisível que separava a imagem perfeita que mostrava as pessoas, daquela que guardava zelosamente em seu interior.

Odiava quando Naruto não era sincero com ele.

Seria assim também com Gaara?

- Está um pouco pálido. Você está bem? – pergntou o detetive com clara preocupação na voz – Vou te trazer um pouco de água. Esse calor vai acabar asfixiando nós dois.

Necessitava saber. E tinha que ser agora.

Antes que Naruto pudesse avançar até o filtro d'água, Sasuke o agarrou por um dos braços, detendo seu avance. E em silêncio avaliou meticulosamente sua pergunta durante uns instantes antes de formulá-la com certa irritação contida.

- Por quê terminou com o Gaara?

O loiro franziu os lábios até convertê-los em uma fina linha. Seu senho estava claramente franzido e seu olhar se tornou escorregadio. Abriu a boca para falar, mas dela apenas brotou um cansado suspiro.

- Naruto...

A repentina voz, fez com que o corpo do chamado se tornasse rígido e a respiração se cortasse. Sasuke desviou o olhar à uma lateral para averiguar de quem provinha essa voz profunda, e junto a porta descobriu um homem jovem, de tez pálida e olhar água marinha, com os cabelos de um intenso vermelho vivo, do qual ficou olhando em silêncio durante um longo tempo.

Percebeu um movimento ao seu lado e pelo canto do olho observou como Naruto girava lentamente.

- Gaara.

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Havia passado muito tempo desde a última ocasião em que Sabaku no Gaara havia se visto frente a Naruto, no mesmo cômodo. Tão perto, que apenas bastava extender a mão para alcançar o corpo daquele que um dia foi sua primeira amizade sincera e seu primeiro amor.

Desde a turbulenta ruptura, há mais ou menos um ano, Gaara havia querido voltar a ter um encontro com ele. Lhe doeu na alma perdê-lo como companheiro sentimental, mas nada comparado ao sentimento desgarrado de perdê-lo como amigo. Naruto não lhe guardava rancor por todas as dificuldades nas quais sua relação estava envolvida, ou pelo menos essas haviam sido suas últimas palavras de despedida. Mas conhecia o loiro, no fundo de seu ser estava machucado. Por esse motivo Gaara se viu obrigado a tomar uma decisão unilateral de pôr distância entre ambos e deixar que o tempo colocasse juízo em suas mentes e acalmasse a dor.

Um tempo que ao seu ver, resultou-se longo demais.

E ao final não havia servido para nada. Pois quando pousou seus olhos sobre aquele rosto bronzeado, sobre aqueles cabelos dourados, sobre aquele par de olhos brilhantes, tão azuis, tão belos, Gaara compreendeu que nem a distância, nem o tempo havia mudado seus sentimentos.

Não percebeu quanto tempo levava contemplando absorto a figura do loiro, por tempo mais que necessário, até que alguém ao seu lado se ergueu. Alguém que apesar de não reconhecer, já lhe despertou uma sensação de desagrado.

Naruto não vinha sozinho, o que lhe indicava claramente que os assuntos que o levaram a visitar o país dos ventos, e mais concretamente ele em pessoa, não deviam ser por mera cortesía.

Não tardou muito em verificar suas suspeitas.

A educação nunca havia sido um impulso cotidiano do Kazekage, por isso não fez questão de os convidar a entrar em sua sala, até que Naruto amavelmente o pediu. Foi quando percebeu em seu rosto o contraste drástico tanto de preocupação, como de nevosismo. Uma vez dentro, e acomodado atrás de sua ampla mesa cheia de papeis, Gaara cravou seu indagador olhar em Naruto e permanceu em silêncio, deixando que sua falta de palavras, não de curiosidade, pressionasse seu ex-namorado a revelar a inesperada visita. Algo inusual, mas que sempre havia funcionado com Naruto.

E as palavras, caindo pesadas como pedras, começaram a encher os minutos seguintes. Os argumentos do detetive não surpreenderam de todo o Kazekage, pois não era a primeira vez que chegavam aos seus ouvidos escabrosos rumores referentes aos altos cargos da corporação Uchiha. Entretanto, conhecendo Naruto, e Gaara era um dos poucos que podia dizer que o conhecia bem, soube distinguir em seus disimulados gestos que a visita tinha com a única intenção dar parte desses incidentes curruptivos, não era a verdadeira razão pela qual o incitava a solicitar sua ajuda.

E não se equivocou.

A menção de vários possíveis homicídios dentre os quais se encontrava o filho mais velho do chefe da companhia, seguido de vários olhares ao jovem de cabelos negros sentado ao seu lado, não foi inusitada para Gaara. Como tampouco foi o intrigante silêncio do homem de olhar e pose arrogante, mesmo que Gaara quase o preferiu assim. Tinha a impressão de que se o escutasse falar, seu desagrado iria rapidamente aumentar.

A irritação se fez latente no rosto do Kazekage quando Naruto finalmente apresentou o seu acompanhante, Uchiha Sasuke.

E por fim tudo ganhou sentido.

Naruto estava ali por esse homem.

Depois de um ano sem ligações, sem contato, acalmando seu desassôssego com a pouca informação que chegava por terceiras pessoas, era Naruto quem dava o primeiro passo para um reencontro. Mas não como Gaara havia desejado. Não por vontade própria, não porque necessitava tanto quanto ele voltar a saber da sua existência, não porque não houvesse noite na qual não tivesse em mente sua lembrança.

Fazia por esse homem.

Em sua mente continuou a repetir essa frase como um mantra interminável.

O Kazekage girou lentamente o rosto para Sasuke com um frio receio e uma interrogante pergunta assaltou sua mente. Que tipo de relação existia entre eles? Meramente profissional ou algo mais? A descarada passividade da qual Sasuke sustentava seu agessivo olhar e os lábios curvados, escondendo um sorriso malicioso, lhe deram a resposta.

- Gaara.

A atenção do ruivo se viu desviada para Naruto. Poucas pessoas, fora de sua família mais próxima, utilizava seu nome de batismo para se dirigir a ele. Desde que ascendeu ao posto de chefe da polícia da vila da areia, o único que escutava era Kazekage-sama. Voltar a ouvir a voz de Naruto com essa familiariedade que em ocasiões resultava um tanto quanto irrespeitosa, lhe produziu um agradável bem estar.

- Posso abrir uma investigação. – declarou sem interesse, respondendo à insistência do loiro – Mas as provas que vocês têm não são suficientes para que eu possa decretar sua prisão. A carta é uma prova dubia. Perante provas que podem tanto exonerar, como culpar o suspeito, o tribunal interpreta como empate e se coloca ao lado do acusado, presumindo sua inocência. Ao final, ficaria livre.

- Sabemos, por isso estamos aqui. – adicionou o detetive nervosamente – Precisamos de mais provas. O que nos sugere?

- O cadáver. – prosseguiu o ruivo tratando de manter uma atitude fria e inexpressiva. – Se pudessemos ter acesso a algum dos corpos, a polícia científica poderia diagnosticar mediante uma autopsia clínica como se produziram as causas de sua morte e assim confirmar se foi um suicídio ou homicídio.

Gaara viu como as finas sobrancelha de Naruto se ergueram em dúvida, e insatisfeito reprimiu um sorriso. Conhecia esse gesto, tanto quanto o seu dono, Naruto desconhecia os processos que passavam um corpo pela autopsia, ou seja, iria fazer alguma pergunta.

Três...

Dois...

Um...

- Como podem fazer isso?

Era tão previsível.

Pela segunda vez Gaara reprimiu um gesto de satisfação.

- Através dos restos se pode detectar se houve forcejo ou não. Neste caso ao haver sido usado uma arma de fogo, o ângulo que assinale o disparo sobre sua cabeça será algo determinante. Em um suicídio, a posição do disparo deve ser uma em que a vítima tenha completo acesso e comodidade. O homicídio, deve ser um ponto mais longe e difícil no qual as articulações da vítima não tem um bom ponto de apoio. – explicou.

Naruto pousou os olhos sobre Sasuke com uma expressão de falsa ansiedade. A proposta não lhe pegava desprevinido. Semanas atrás, Jiraiya já lhe havia dito que exumar o cadáver de Itachi era o mais indicado, mas conhecendo o moreno e sobre tudo sua extrema reserva em questões fraternais, desistiu. Mas bem como Gaara havia explicado, essas provas eram necessárias, ou então por nada no mundo desejariam intervir no descanso de Itachi.

- Sasuke... – murmurou sossegado.

Era perceptível a tensão que ocupava o corpo de seu acompanhante, suas mãos fortemente fechadas em dois punhos o delatavam. O moreno respirou fundo, como se encher os pulmões de ar fosse fazer a resposta ser mais fácil, e assintiu com um ligeiro movimento de cabeça.

- Te diremos onde ele está enterrado. – informou finalmente o detetive rompendo a tensão sobre Gaara – Será suficiente?

Este encolheu os ombros com indolência.

- Passaram-se três anos desde a sua morte, seria interessante recolher mais provas, no caso de terem desaparecido com o cadáver. – informou – Uma confissão direta de algum dos envolvidos na carta seria a maneira mais rápida de trancá-los atrás das grades. Para isso normalmente empregamos um agente desfarçado, alguém que possa ser entroduzido dentro da organização com microfones ocultos a fim de obter a informação que precisarmos. Essas seriam provas rotundas.

- Eu posso fazer. – interviu Naruto com pressa.

- Não vai. – retificou Sasuke com desaprovação, entrecerrando seus olhos, sobre um par de púpilas determinadas. Não iria permitir que o idiota se envolvesse em algo tão perigoso e muito menos arriscando sua vida. – Eu farei.

- É muito arriscado para você. Eu estou acostumado a seguir pessoas – replicou com uma nota inquieta em sua voz e uma forte sacudida com a cabeça.

- Isso não é algo a se discutir. Não vai fazer e ponto.

- Mas Sasuke...

A atitude dos dois homens conseguiu atrair a curiosidade de Gaara, coisa geralmente difissílima de se conseguir. Em silêncio, estudou o rosto de Naruto com afinco e certo mal humor. Seus gestos despreocupados, a curva de chateação que arqueavam seus lábios, a confiança na qual inclinava o corpo a ele, e sobre tudo, o modo em que seu febril olhar pousava no outro, deixavam ao descoberto a evidência. Não era uma relação meramente amistosa, Gaara soube no instante em que o solhos negros deixaram de lado a gélida indolência com a que até agora havia utilizado para olhá-lo, para o mirar com uma calidez quase palpável.

Mas por quê se surpreendia? Por acaso havia esperado que Naruto não retomasse sua vida? Que não se permitisse a liberdade de encontrar outro parceiro? Um ano era tempo mais que suficiente.

Talvez o melhor que poderia fazer naquele momento era simplesmente aguardar, esperar até o momento ídoneo em que pudesse conversar a sós com ele.

- Gaara, poderia dizer para esse bastardo arrogante porque é melhor que eu investigue? – proferiu sinalando a Sasuke com um dedo acusador. – No final das contas, o detetive aqui sou eu.

Com tranquilidade o Kazekage se ergueu, ladeando a mesa do escritório até ficar de frente para o loiro.

- Acho que deveria ser ele. – respondeu asceptico. – Ele conhece melhor que você as pessoas envolvidas e sua presença não seria estranha, de forma que será mais fácil dispor de informação. Afinal de contas... – enfatizou utilizando suas próprias palavras - ... é o problema dele.

Naruto mordeu alíngua com desagrado obrigando-se a não replicar e prosseguir com outro tema igualmente importante.

- E quando a Kiba? O último que soubemos é que estava seguindo um dos cabeças quando desaparecu. Não há rastro dele.

- Provavelmente já se desfizeram do corpo – disse cruelmente – Na melhor das possibilidades o prenderam em algum esconderigio e o submeteram a fortes interrogatórios, sondando toda a informação que lhes possa oferecer. Se esse é o caso, eu deixaria de me preocupar com Kiba. – o olhar intenso do Kazekage transpassou duramente a Naruto – O seguinte será você.

- Não deixarei que isso ocorra. – refutou energicamente Sasuke, entrecerrando os olhos com hostilidade.

Gaara o olhou receioso. Claro que não ia deixar que nada de mal acontecer com Naruto. Se afastá-lo desse Uchiha era a solução, ele com gosto o faria.

- Falarei com a minha brigada. – informou ao fim de algum tempo, tão áspero quanto veneno. – Quando tiver todos os detalhes prontos poderemos começar a missão.

- Obrigado.

O Kazekage se afastou dele, com receio de ir-se.

- Posso hospedá-los na minha casa por enquanto. Ordenarei que preparem dois quartos de hóspedes.

- Um será o suficiente para nós dois. – replicou Sasuke com um brilho retalhador em seus rasgados olhos.

Contrariado, Gaara cravou seu olhar indagador em Naruto, buscando em seus gestos algo que rebatesse tal sugestão. Mas o loiro, longe de fazer qualquer comentário, inclinou o rosto concordando com o olhar.

- Bem. – musitou irritado, dirigindo-se até a porta. Ele próprio se encarregaria que Naruto não roçasse os mesmos cobertores que esse Uchiha.

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Sai teria quisto poder entender melhor as mulheres. Não muito, mas apenas o suficiente como que para não ser atacado violentamene cada vez que lhe surgisse uma pergunta em seu estudo pessoal da compreensão humana.

Em várias ocasiões havia tentado aproximar-se delas, mais por curiosidade do que por atração, ma cada vez que tentava, alguma parte do seu corpo, normalmente o rosto ou suas apreciadas partes baixas, sofria algum tipo de dolorosa barreira. Mesmo que continuasse perguntando-se internamente se isso era devido a algum gene feminino obssionado com a castração. Muitas vezes havia sentido a necessidade de buscar respostas às suas perguntas, mas no interesse de continuar conservando em funcionamento e intacto seu membro viril, resistiu.

Definitivamente as mulheres não eram como os homens, nem física, nem psicologicamente, além do que, Sai cada vez estava mais convencido de que mesmo que conseguisse entende-las isso não lhe permitiria dominá-las.

Quando Sai compreendeu esse príncipio fundamental do ser humano, depois que uma delas com um bastão de beisebol em mãos ameaçara exterminar sua futura descendência caso voltasse a aproximar seus 'pincéis sujos' à menos de trinta metros, decidiu afastar-se da fonte de dor, as mulheres. Não lhe agradavam, eram complicadas, agressivas, diferentes, hormonalmente instáveis e nunca sabia como iriam reacionar. Excassa havia sido sua interação com o sexo feminino e Sai já podia afirmar duas coisas com segurança: Primeira, não importa o que digam ou perguntem, elas sempre se irritam e posteriormente atacam sem piedade suas partes baixas. E a segunda, propôr sexo sem perguntar antes seu nome não era um bom começo de conversa.

Logo, Sai chegou a conclusão de que se relacionava melhor com a espécie masculina, muito mais simples e propensa às relações sexuais ilícitas e altruístas. Não com todos, Sai logo aprendeu que certos homens também atuavam de forma agressiva ante suas perguntas ou comentários, pelo menos os machos suscetíveis a excassa longitude de seu membro, ou os que eram rápidos no gatilho, ou os com números inesperados de testículos...

...Bem, o número de homens com os quais Sai se dava bem era bastante reduzido. Mas ainda assim era um número muito maior que o de mulheres.

As mulheres eram uma espécime à parte.

Mesmo que do seu ponto de vista, todas as tensões acumuladas poderiam ser consideravelmente reduzidas se praticassem mais sexo ou pelo menos havia lido algo assim em um livro.

- Quer... Quer dizer fisicamente? – balbuciou.

- Não, já sei que as mulheres não tem pênis, e fisicamente são muito diferente dos homens. A maioria são feias, violentas, e outras parecem homens. Curiosamente, faz um par de dias cruzei com uma mulher que era as três coisas juntas... – comentou – Eu me refiro, quer dizer, o comportamento de vocês é tão instável, lhe perguntei se era travesti e se irritou.

Hinata suspirou impacientemente, precentindo que esse seria o começo de outra conversa infrutífera e que seguramente lhe deixaria com profundas sequelas mentais e calorosos pesadelos.

- Sai-kun, não deveria dizer coisas como essas para uma garota. – lhe aconselhou.

- Por quê não? – perguntou com a simplicidade de quem não sabe que fez algo mal – Não é bom sempre dizer a verdade?

- As vezes não. Em ocasiões é melhor manter as opiniões de cada um em segredo. – explicou suavemente – Considera-se grosseiro e atrevido dizer esse tipo de coisa a uma garota que não se conhece.

- Por quê é grosseiro? – arqueou uma das sobrancelhas, ainda mais confuso – Não é como se tivesse pedido que transasse comigo... – torceu o rosto pensativo - ... ainda.

Hinata notou como suas bochechas começavam a se avermelhar e inclinou o rosto um tanto cohibida. Falar com Sai sempre era difícil, além de ser um grande desgaste mental tentar fazê-lo entender, explicar pacientemente conteúdos sexuais que para ela mesma resultavam embaraçosos. Tinham aproximadamente a mesma idade, então... Como era possível que fizesse perguntas tão óbvias e às vezes tão comprometedoras? Sai era uma pessoa rara, e quando Hinata o classificava com a palavra raro, já era ser amável.

- Sai-kun, as garotas não gostam que digam esse tipo de coisa. Nós gostamos de homens amáveis que nos elogiem educadamente, sobre como somos belas ou a boa que é a nossa companhia. – explicou esperaçosa, memso que no fundo não acreditava que seu companheiro fosse entender tão facilmente.

- Mas eu não me sinto bem com ela. – refutou com uma piscar de olhos confusos. – Me pegou, me machucou de propósito, e quando começou a me insultar, percebi algo estranho aqui. – levou uma das mãos ao peito, apontando-o – Era incômodo, as vezes se agitava, me apertava, estava quente... E comecei a sentir uma estranha cóssega no estômago. Fui fazer uma revisão médica, mas todos meus exames deram normais.

A garota sorriu amavelmente.

- Sai-kun, o que aconteceu é algo muito normal. Creio que você gosta dessa garota. – pronunciou timidamente.

- Gostar? Eu gosto de você. – declarou com um dos seus sorrisos inexpressivos.

- Mas não da mesma maneira que ela. – contradisse Hinata, rindo pela simplicidade com a qual o detetive havia feito sua afirmação – Sai-kun, há muitos tipos de amor.

O detetive torceu ligeiramente a cabeça para um lado de forma pensativa.

- Quantos?

- B...Bem, tem o carinho e afeto que podes sentir por teus amigos ou familiares – explicou de forma concisa – Àqueles que aprecias e com os quais quer passar seu tempo livre ajundando-os, protegendo-os, isso faz você e eles felizes. E... o amor também reúne todas essas coisas, mas faz com que tudo seja mais... intenso. – timidamente inclinou o rosto e de uma forma mecânica começou a frotar nervosamente seus dedos indicadores. – Quan... Quando se está apaixonado por alguém, só... Só consegue pensar nessa pessoa. Quer estar com ela, precisa vê-la, escutar sua voz, abraçá-la – sua voz foi diminuindo até ficar em um ligeiro sussurro – Isso é amar.

Sai assintiu com a cabeça. Podia assimilar a teoria, isso era algo fácil, mas sem prática não lhe servia muito. Até agora não havia sentido esse tipo de emoção com ninguém. Era a primeira vez que algo diferente ao seu constante apetite sexual sobressaltava seu peito e para Sai tornava-se curioso e estranho, que houvesse sido com aquela travesti feia, plana e de mal gosto para tintas de cabelos, com a qual esbarrou na rua.

Não sabia nada do amor, de forma que era muito difícil para Sai discenir com claridade essas estranhas e novas emoções vividas podiam ser comparadas com a descrição que lhe dava Hinata sobre o amor.

Talvez se voltasse a abraçá-la, suas dúvidas seriam respondidas. Talvez então poderia compreender porque seu coração batia tão rápido ao recordar a cor esverdeada de seus olhos, o agradável odor de sabonete da sua pele, ou a calidez que desprendia de seu pequeno corpo preso em seus braços.

- Hinata...

A jovem levantou o rosto a tempo de ver como os braços de Sai lhe rodeavam os ombros estreitando-a fortemente contra seu peito. Hinata quis afogar, sem êxito, uma exclamação de surpresa, assim como dissimular a tensão que adotava automaticamente seu corpo e o sufocante calor que tinha em suas bochechas, encendiando-as de um vistoso vermelho escarlate. Tão desconcertada ficou com o imprevisível gesto de seu companheiro, que não conseguiu articular palavras até passados uns instantes.

- Sa...Sai-kun? – pronunciou com claro nervosismo na voz.

O homem a estreitou ainda mais forte em seus braços.

- Não noto nada. – proferiu o detetive ao cabo de algum tempo depois como resposta, aspirando profundamente a essencia que desprendia os longos cabelos lilás, concentrando todos os seus sentidos em perceber um certo movimento ou queimação dentro de seu peito. – Você sente algo?

- Me... Me... Medo. – balbuciou ela torpemente.

Sai ignorou sua resposta e acariciou com suavidade as costas da jovem. Esse abraço também era quente e agradável, Hinata tinha um corpo igual de frágil, uma pele suave, além de um volumoso peito, fazendo um mais que sugestivo contato contra seu próprio peito. Mas algo o diferenciava do primeiro, não era o mesmo, com ela não sentia nada. Seu coração não palpitava desbocado, não lhe apertava, não lhe queimava, nem lhe doia, não sentia esse vazio na boca do estômago que sentiu com aquela duvidoda mulher de olhos claros.

- Sa... Sa... Sai-kun – chamou de repente Hinata, com o rosto alarmado e completamente vermelho até a raiz do cabelo. – Con... Continua pensando nessa garota?

- Sim. – afirmou inocentemente com um sorriso bobo.

- P... Por favor, para!

A jovem se afastou bruscamente, cobrindo com amabas as mãos seu rosto totalmente envergonhada. Tentou dizer algo, mas de seus lábios só surgiram balbucios incoerentes, e com a mesma rapidez que havia se soltado, deu meia volta, indo o mais longe que pudia dele.

Sai piscou desconcertado. Havia feito algo mal de novo?

Quis seguí-la, mas não o fez ao notar uma ligeira tensão em seu pênis. Baixou o olhar em direção ao seu baixo ventre, e ali de forma visível e abultada, descobriu para sua surpresea uma tremenda ereção.

- Pênis... – pronunciou alegremente com um inocente sorriso.

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- Pare de me olhar como se eu fosse uma miragem, okay? – repreendeu Naruto suavemente – Vai fazer com que eu me sinta incômodo.

Mas longe de obdecer, Gaara esboçou um leve sorriso e continuou observando com cuidado o rosto bronzeado. Havia passado muito tempo desde a última vez que pode contemplá-lo tão de perto.

- Já disse, estou bem. – prosseguiu o detetive, com cuidado – Continuo vivendo no meu pequeno apartamento, comendo grandes quantidades de ramen que você tanto odeia e trabalhando para o Sannin pervertido de más influências.

- Há coisas que não mudam com os anos. – zombou o kage, ainda que seu olhar era amável e intenso, tanto que Naruto não pode evitar estremecersse até os ossos.

- Tampouco parece que você mudou muito. – replicou e seu sorriso de zombaria se fez muito mais pronunciado – Pareces igual, tirando as olheiras. Agora elas estão muito mais marcadas. Você continua com essa mania de dormir só duas horas?

- Durmo bem. – replicou mansamente.

- Não, não dorme. Se dormisse bem não as teria. – replicou de forma irrefutável – Se lembra daquilo que conversamos? De esgotar sua energia antes de dormir e tudo mais.

- Já não tenho quem me esgote. Nem física, nem mentalmente – comentou com sarcasmo.

Um rápido sorriso curvou os lábios do detetive, sem mácula.

- Muito engraçado.

Gaara lhe devolveu o sorriso, ainda que de leve.

- Mas já chega de falarmos de mim. – o loiro agitou uma mão no ar despreocupadamente – Me conta o que tem feito durante esse tempo, é muito difícil ser kazekage?

Gaara não contestou de forma rápida. Se limitou a olhá-lo, com os olhos cheios de alguma emoção que Naruto não conseguiu compreender, antes de que seus passos o guiassem de forma automatomática para sentar-se ao seu lado sobre o tatami do dojo.

- É chato. Devia ter ficado com você.

O loiro inclinou o rosto, sentindo-se estranhamente insignificante.

- Não diga isso. Seu povo era mais importante que eu.

Gaara negou secamente com a cabeça. Odiava quando Naruto pronunciava essa frase.

- Você era o mais importante e deixei que fosse embora.

- Eu aceite, se lembra? – replicou suavemente.

"Também lembro uma promessa", ressonou a mente de Gaara.

A relação que mantiveram apenas havia chegado a um ano, mas ainda assim Gaara recordava esses tempos como os mais felizes da sua vida. Por assim dizer, Naruto era a luz e a alegria que faltavam à ele.

O conheceu através de Shikamaru, o atual marido de sua irmã mais velha, Temari. O casamento seria em Konoha e aproximadamente um mês antes, todos os familiares mais próximos se deslocaram para a cidade, para a festa. Bastou-lhe uma tarde em sua companhia para saber que esse homem era especial. O amor não surgiu de repente, seus sentimentos ambivalentes foram crescendo pouco a pouco, até alcançar a empatia. Em muitos aspectos de sua vida, Gaara se via refletido em Naruto; uma pessoa vulnerável, mas forte, ansioso para ser aceitado em uma sociedade cruel e egoísta, com uma trágica infância marcada pela morte dos pais e uma adolescência rebelde, em uma busca particular para encontrar seu lugar na vida. Naruto era igual a ele.

Não foi até uma noite, justamente na despedida de solteiro de Shikamaru, que Naruto, vários copos depois, se animou a lhe perguntar algo que ninguém em são juízo haveria questionado.

-"Oye, Gaara... – enfatizou alargando a última vogal – Você é gay?"

Para o ruivo lhe foi impossível descobrir que tipo de palavras ou situações haviam ocasionado inconscientemente para que Naruto chegasse a semelhante conclusão. Poderia ignorar a pergunta, ou simplesmente substituí-la por outra do mesmo gênero, mas algo lhe fez responder com a verdade.

-"Sim."

-"Bem, isso faz as coisas muito mais fáceis."

As seguintes imagens estavam um pouco difusas.

Recordava como Naruto havia encurtado por completo a distância entre seus rostos e ao não sentir rejeição alguma por sua parte, o havia tomado como um convite a mais. Quando puderam se dar conta, ambos saiam apressados do local, entre furiosos beijos e roces pouco decorosos. Quando Gaara despertou na manhã seguinte, desnudo e com a cabeça do loiro apoiada em seu ombro, soube com total segurança que queria despertar o resto da sua vida assim.

E se mudou para Konoha junto a ele.

Dez meses se passaram de intensa convivência, conexão, risos, alguma que outra disputa pelo alarmante vicio que o loiro sofria com o ramen e o desequilibrado metabolismo de Gaara com a falta de sono.

Mas sobre tudo... Sexo.

Selvagem, desejosos, em ocasiões cálido e tocante, em outras sufocante e desenfreado. Logo o laço que se criou entre eles foi tão forte que parecia que nunca nada nem ninuém conseguiria separá-los.

Mas então Gaara recebu a carta de seu pai.

Nela explicava que sua aposentadoria logo chegaria e com ela a escolha de um novo kazekage na aldeia. Seu pai estava disposto a perdoar o inadequado comportamento de seu filho, culpando sua imaturidade e falta de ética moral para com seu povo se Gaara se responsabilizasse e voltasse para cumprir com suas obrigações como herdeiro.

Algo que Gaara nunca ambicionou, um sonho que nunca desejou fazer realidade, um futuro que o afastaria por completo de Naruto. Renegou rotundamente a oferta, pois com ela perdia mais do que ganhava. E então seu pai jogou a última carta. Se ele negasse o cargo, Akasuna no Sasori ocuparia o posto.

Sasori o ser mais cruel, soberbo, sórdido, violento e corrupto que já tivesse nascido em Suna. Que macabro futuro seu povo esperava com um líder assim? Gaara meditou muito. Se apresentava a possibilidade de modificar as coisas, de fazer grandes mudanças na forma de vida de sua aldeia. Mudanças positivas que ajudariam a levantar seu povo e deijar a violência dos anteriores líderes, incluindo a seu pai, que estabeleceram no passado, terrorismo que Sasori incrementaria no futuro se chegasse a ser o líder.

Em troca, teria que se afastar de Naruto.

Não foi fácil para Gaara tomar uma decisão. Sacrificar sua felicidade por um povo sumido na desgraça. Por ele, antes de ir-se fez uma promessa. Uma vez que assegurasse a proteção de seu país, quando nada nem ninguém pudesse revogar suas decisões, quando fosse ele quem pudesse eleger como viver sua vida sem as ameaças de seu pai, voltaria por ele.

O tempo transcorreu rude, imparável. Suna se converteu em um país seguro e potencialmente influente e Gaara se consolidou como o maior alto cargo da polícia. Mas para alcançar esse objetivo teve de se aliar com seus países vizinhos, o que originou um casamento com a filha do líder do país da Pedra, e seu distanciamente total com Naruto.

- Você fez o correto. – prosseguiu o detetive. Não habia o menor rastro de falsidade em seus olhos límpidos – Seu povo precisava de você, deixá-lo nas mãos de Sasori apenas teria trazido miséria para seu povo e isso te faria se sentir culpado pelo resto da tua vida. Eu também teria feito o mesmo.

- Mas não cumpri minha promessa. – lhe recordou com um tom amargo.

- Isso... – vacilou enquanto sacudia a cabeça como se lutasse contra essa ideia. – Isso já não tem importância. Você é um home casado, já não tinha sentido cumprir essa promessa.

- É um casamento arranjado. – grunhiu com uma epressão nervosa. – Não estou interessado nela.

- Eu sei. – sorriu com amargura – Mesmo assim, sendo sincero me doeu saber dele pelo Shikamaru. Podia ter sido o padrinho do seu casamento.

Gaara ficou rígido. Essa era uma das razões principais pelas quais não havia dito nada. Se houvesse visto Naruto de novo, estava cpmpletamente seguro de que o casamento não teria ocorrido, inclusive se atrevia a predizer que teria abandonado tudo para voltar a Konoha com ele.

Desejava tanto voltar àqueles dias e retificar seus tantos erros.

- Essa homem com que veio... É seu namorado? – se aventurou a perguntar.

Naruto franziu o senho e arrugou a boca enquanto se debatia internamentre. Não existia nenhum compromisso de fidelidade entre eles, por isso classificar a relação que mantinha com Sasuke como de namorados, era incorreto. Já nem sequer sabia qual seria o termo que definiria com exatidão sua relação.

- Não, não é meu namorado.

Gaara pareceu escutar um grunhido entre dentes muito perto deles, mas não prestou a mais mínima atenção. Isso significava que ainda tinha chances com ele, por mais remota que fosse.

- Mas tampouco são apenas amigos. – afirmou mais do que perguntou o kage.

Naruto não teve de responder para que Gaara soubesse que a resposta era afirmativa. Disso já havia se dado conta.

- Não gosto dele. – inquiriu receioso.

- É que você não gosta de ninguém. – zombou.

- Só te trará problemas.

- Todas as relações são problemáticas.

- Você sabe ao que me refiro. – seu rosto se endureceu – Correrás perigo se continuar perto dele. Sua família é considerada como a máfia mais perigosa de toda Konoha;

- O que vou fazer... – se encolheu os ombros despreocupadamente – sou um cara empreendedor.

- Naruto – proferiu de forma severa, agarrando-lhe o rosto para que lhe prestasse a atenção requerida. Era óbvio que não se satisfazia ver como fazia caso omisso às suas recomendações. – Sei que não é assunto meu, mas quero que se afaste dele.

Naruto sorriu, ainda que seu gesto não fosse alegre.

- Tem razão. – coincidiu com um brilho de amarga nostalgia em suas púpilas. – Já não é assunto seu.

O detetive se ergueu e com desgana começou a caminha para a porta do dojo. Apenas conseguiu cruzar a metade da sala antes de que Gaara lhe prendesse o braço por trás e lhe obrigou a dar a volta, atraindo-o para si rapidamente.

- Não faça isso. – murmurou o kage aproximando tanto seus rostos que respiravam um sobre o outro. – Te perdi uma vez, não quero voltar a perder-te.

Seus olhos se encontraram e Gaara não soube discenir qual emoção foi a mais forte, se o opressivo desejo de beijá-lo até deixar seus lábios vermelhos, ou a fúria que lhe criava contemplar o desconsolo destilado sobre esses claros olhos azuis. O pulso se acelerou ante a ideia de poder provar de novo seu sabor, sua cálida e úmida língua, e ansioso inclinou-se sutilmente sobre ele. Naruto parecia inseguro, mas não evitava o aproximamento. Isso redobrou a confiança do kage, que deixando-se levar por um irrefreável impulso, aproximou ainda mais seus lábios dos de Naruto.

- Fica comigo.

A porta do dojo se abriu estreptosamente e ambos os homens dirigiram sua atenção à porta.

- Solte-o. – rugiu ameaçadoramenteSasuke.

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Sasuke se obrigou a manter a compostura apesar de que interiormente só queria retroceder e voltar para destroçar a golpes esse desgraçados que havia se atrevido a inclinar-se sobre Naruto, a tocá-lo, a tentar beijá-lo. As mãos tremiam em ira, o corpo creptava quente e furioso. Ninguém tinha o direito de tocar o idiota até que ele decidisse o contrário.

Isso no caso de que alguma vez decidisse algo assim.

- O que você acha que está fazendo, bastardo? – grunhiu Naruto, tentanto não cair com os frenéticos passos de Sasuke. Em vão, tentou novamente soltar a mão do férrea pressão que se encerrava em torno de seu pulso e o arrastava corredor adiante. – Me solta!

Sasuke só havia demorado uns segundo para chegar a ostentosa casa do Kazekage e o idiota loiro havia desaparecido. A ideia de lhe por uma coleira atada ao pescoço não lhe pareceu tão descabelada uma vez que tinha inspecionado com minúcia mais de vinte peças da casa, sonsas e carentes de personalidade.

E o mais inquietante de tudo é que nos quinze minutos que levava buscando o loiro tampouco havia se cruzado com o psicopata, abatido e cabeça de cereja chamado Gaara. O que acrescentou ainda mais, se possível, ao seu mal humor e ânsias de matar.

Quando os encontrou finalmente no dojo, Sasuke sentiu uma explosão de ira, espessa, acelerada e asfixiante. Os viu um junto ao outro e no mesmo instante soube que aquele não era um simples encontro amistoso de dois velhos conhecidos. Viu nos olhos dele e nos de Gaara, haviam sentimentos enterrados, agora abertos e exposto à evidência. A infidelidade não era um termo que ele desconhecesse, mas não sabia até aquele instante quanta dor produzia.

Seu primeiro impulso foi abrir a porta e interromper a conversa, mas se deteve ao escutar o como o kage perguntava se eram namorados.

A resposta negativa de Naruto, tão fria e desdenhosa, lhe feriu o peito como uma dolorosa apunhalada. Sasuke não pôde fazer nada mais que apertar os dentes e os punhos com ira.

Talvez tecnicamente não fossem, mas Naruto era seu. Só seu.

O minuto preciso em que perdeu o controle e todo seu sentido comum, foi quando Gaara se inclinou e tentou beijá-lo.

O homicídio estava perfeitamente justificado.

Entrou como uma alma levada ao diabo e se jogou contra Gaara, do qual parecia estar esperando com gosto o enfrentamento. Logo sentiu como todo o ódio que albergava por esse homem se duplicava e ressurgia com força convertida em punhos e chutes. Não foi consciente do espaço nem do tempo, até que o loiro conseguiu separá-los.

Sasuke agarrou o pulso que lhe pertencia por lei, e com uma intimidante ameaça, mais própria de um yakuza do que de um cidadão respeitável, saiu pela porta arrastando-o com ele.

- Eu disse para parar, bastardo! – insistiu o loiro.

Mas Sasuke não atendeu sua ordem até que não estivessem sozinhos dentro do quarto de hóspedes que compartilhavam. Com um chute fechou a porta e o encurralou contra ela.

- Não volte a se aproximar dele. – rugiu, agarrando-o fortemente pelo colarinho da camisa. Seu rosto estava contraido em uma amostra de cólera. Agora a irritação acumulada fluia livremente.

Imediatamente as mãos de Naruto rodearam as de seu companheiro, evitando que pudesse exercer mais pressão sobre seu corpo.

- Sasuke, se acalma.

- Ele ia te beijar. – se inclinou sobre o loiro, fixando-o com mais força contra a porta. – Deixou que se aproximasse, deixou que te tocasse! Você estava flertando com ele!

- O que?

- Não volte a fazer ou isso termina! – brandou.

Naruto estava perplexo. O menosprezo destilado pelo seu olhar quase podia ser palpável.

- Para isso queria que viéssemos até aqui? – prosseguiu enlouquecido. Suas púpilas, perigosas e transbordantes de raiva se cravaram em Naruto. – Tanta vontade assim tinha de foder ele? Ficou de pau duro ao vê-lo? Me diz uma coisa, era você que o fodia ou ele que te fodia?

Os olhos de Naruto se abriram desmensuradanente quando por fim compreendeu sua atitude.

- Você... Está com ciúmes. – replicou incrédulo – Toda essa merda que você disse de que não precisava de ninguém na tua vida, de que eu não era ninguém importante para você, era mentira. Do contrário não te interessaria o mais mínimo o que eu fizesse ou deixasse de fazer, nem teria me empurrado contra a parede exigindo saber sobre minhas relações passadas. Está com ciúmes!

- Não estou!

- Está sim! – replicou e com um contundente empurrão conseguiu afastar Sasuke dele – Maldito bastardo, sabe o que não é injusto? Que você espere que outro se aproxime de mim, que espere se sentir ameaçado para que decida intervir e mostrar seus sentimentos.

Sasuke tomou ar de forma ostenciva, negando constantemente com a cabeça. A surpresa recorria seu rosto. Não podia ser ciúmes, não tinha nada que invejar ao kage. Só sentia raiva e uma dor inumana ao pensar na possibilidade de que Naruto fosse embora com outro, não voltar a escutar seus estúpidos comentários, seu estridente tom de voz, sua teimosia de adulto imaturo, sua incômoda determinação e voltar para uma inssípida rotina com uma mulher que não amava e uma vida vazia e solitária.

- Foi você que disse que eu não era seu namorado!

- E o que é que eu deveria responder? Que era meu namorado, amante, companheiro de cama? – inquiriu, desafiando-o com os olhos para que respondesse. – Por que não me explica de uma vez por todas o que somos, Sasuke?

Sasuke emudeceu e Naruto não se surpreendeu com o silêncio. Nem sequer ele sabia.

- Amantes. – respondeu Naruto para si mesmo em deboche. – Isso é o que somos, isso é o que você quer. Nada de sentimentos, nada de compromissos por nenhuma das partes. Desfrutamos do sexo sem as obrigações que uma relação de casal séria e fiel requer. Por acaso me equívoco? Não é isso o único que queria de mim?

- Não. - musitou de forma tão débil que Naruto não esteve seguro se queria que o ouvisse.

- Demônios, é você que vai se casar com outra, não é? Me lembre então por que é você que está bravo aqui.

- Maldita seja, porque você é meu!

Sasuke o aproximou com uma forte puxada e o beijou apaixonadamente nos lábios, dobrando-o, subjulgando-o, sufocando-o com sua língua, seus braços e suas mãos explorando o torço até finalmente prensá-lo pela nuca.

- É meu. – repetiu em uma onda de possessividade.

Naruto quis resistir-se, quis deter aquilo até que Sasuke não lhe desse uma resposta clara sobre aquela relação, quis lutar contra essas apaixonadas carícias que o instavam a deixar-se levar e corresponder com outras de igual ou maior intensidade, mas sua vontade apenas conseguiu impor-se ao apremiante desejo, que como sempre Sasuke despertava nele.

Enredou com ânsia os dedos nos cabelos negros e lhe devolveu atropeladamente os beijos, mordendo sua língua, respirando seu hálito, notando como a excitação ardia impaciente.

Não foi até então que para Sasuke tudo esteve tão claro. Ele mataria se alguém tratasse de tirar-lhe Naruto do seu lado. Amor, querer com desesperação com a qual ele queria Naruto o havia convertido em uma pessoa débil e vulnerável. Mas pela primeira vez na sua vida, não lhe importou. Se ele tinha essa debilidade, então ele o protegeria com toda a sua força.

- Meu.

- Deixa de repetir isso, que tal? – lhe reprochou com uma ironia divertida. – Vou pensar que além de ciumento, também é do tipo possessivo. Bastardo, talvez deveria me marcar como sua propriedade ou algo do tipo.

Os olhos de Sasuke adquiriram um repentino brilho malicioso, parecia valorar a oferta seriamente.

- Teme, estava brincando!

Marcas... Como não havia pensado nisso antes? Marcas de propriedade que informavam a exclusividade do indivíduo. Com um rápido movimento pegou a barra da camiseta do loiro e a puxou, até que a teve no chão. Marcaria todo o seu corpo. O kage tinha que aprender de uma vez por todas que Naruto não estava a disposição de ninguém. Cravou os dedos como garras sobre seus quadris e succionou de forma brusca o pescoço e a clavícula, deixando um pequeno rastro de pontos rosados aonde sua faminta boca se apossava.

- Sasuke... – musitou inclinando a cabeça para trás, oferecendo seu pescoço e peito, tudo aquilo que o moreno quisesse beijar. Uma violenta sacudida o convulssionou por completo quando este se moveu mordendo sem compaixão um de seus mamilos.

Sua excitação aumentava em segundos, extendendo-se por todo o seu corpo como uma maresia abrasadora. Deixou cair as mãos sobre a cintura de Sasuke e deslizou os dedos sob sua camisa. Desfrutou do suave tato de sua pele pálida, suave e agora tão quente, enquanto os deslizava desde a espinha dorsal até o pescoço. Ansioso puxou a roupa e vários botões sairam perdidos contra o solo, onde segundos depois também descansou a camisa. Rodeou os ombros desnudos com ambos os braços e deixou repousar cuidadosamente a testa sobre a de seu companheiro.

- Estarei contigo até que você quiser que eu esteja. – sussurrou buscando com os olhos os do moreno – Até que decidas me deixar ir.

Sasuke simplesmente acentiu. Isso não iria acontecer nunca. Ele não o deixaria ir, não deixaria que ninguém o tirasse de si. Recordou como Gaara havia tentado fazer Naruto voltar para ele e seu peito se agitou furioso. Seria um completo idiota se permitisse que outro ser na terra pudesse ter os direitos sobre o loiro além dele mesmo. O beijou desejoso, apremiante, recorreu seu ventre com a palma da mão, acariciando sua lombar até alcançar uma deliciosa nádega, a qual apertou entre seus dedos com veemência.

Escutou satisfeito um leve gemido quando lentamente começou a deslizar para baixo, lambendo o peito e o trêmulo ventre, arrastando os dentes pelo contorno das costelas, undindo a língua no redondo umbigo, enquanto seus dedos iam mais além. Desbotooou as calças e a fez cair. O tecido preto do bóxer ajustado que Naruto levava apenas podia cobrir o erguido e palpitante membro.

Habilmente o fez deslizar entre as pernas torneadas e contemplou com descaro o suave pênis, a pele escura que o envolvia e o pelo dourado em sua base. O tomou entre seus dedos e o acariciou lentamente. Estava muito úmido. Sentiu uma tênue carícia sobre a nuca e instintivamente olhou para cima. Os olhos de Naruto o olhavam desejosos, esperando seu seguinte movimento.

E Sasuke duvidou.

Seria a primeira vez que provaria o sabor de outro homem.

Não é que o desagradasse a ideia se era com Naruto, o fato é que naquele instante não havia outra coisa que quisesse mais do que ver como se retorcia de prazer com suas carícias, ser ele quem dominasse e satisfizesse, levá-lo até a loucura e fazê-lo estalar na sua boca, mas algo dentro dele o impedia.

Ele não era gay. E os homens não chupavam paus entre eles a menos que fossem gays.

De fato, ele não gostava de homens.

Só Naruto.

Bem, esse ponto já havia discutido anteriormente.

Ele era bissexual.

Enquanto se debatia internamente, visualizou a patética luta que o loiro sofria tentando desfazer-se torpemente do bóxer enrredado em seus tornozelos. Naruto havia feito em várias ocasiões, por quê não devolver o favor?

Reprimindo suas dúvidas e rendendo-se ao seu apremiante desejo, Sasuke se inclinou e com cautela envolveu a ereção com seus lábios, obtendo como recompensa um tortuoso grunhido de satisfação de cima.

Naruto sentiu uma desgarradora pontada de prazer recorrer-lhe as veias, queimando-lhe a pele, comprimindo deliciosamente o ventre. Seu peito iniciou um frenético galope e seus joelhos tremeram estrepitosamente, ameaçando não continuar a sustentá-lo. Desesperadamente olhou ao seu redor, necessitava agarrar-se a algo com urgência ou ele cairia de boca contra o solo. O prazer era intenso demais como que para poder ser controlado. Nada à sua direita, nada à sua esquerda. Naruto fechou os joelhos um sobre o outro e rezou para que se mantivessem assim até o final.

- Merda... – proferiu assustado ante o sufocante prazer.

Cravou o olhar em um ponto fixo na parede em frente a ele e se concentrou em não desviá-lo para baixo. A razão era simples. Se ele desse uma olhada, se ele conseguisse visualizar aquele rosto perfeito tingido com um leve rubor e aqueles lábios finos enrroscados sobre seu pau... Ele gozaria instantaneamente.

Sem lugar para dúvidas.

Era consciente de que sua vontade estava fazendo um exausto esforço mantendo a vista longe de seu amante como para também sufocar seus gemidos. Era impossível contê-los, naqueles momentos era uma cópia exata de seu chefe Jiraya com uma sobre dose de viagra, e atado a uma cadeira de um bar striptease.

Mas por nada no mundo ia parar o que Sasuke havia iniciado por vontade própria.

No fim das contas, era um sonho se tornando realidade.

Sasuke fechou os olhos concentrado em seus sentidos. Tinha um gosto salgado, levemente amargo, mas não desagradável. O odor era intenso e embriagador. A pele estava quente, não era suave, mas tampouco áspera. E quanto as dimensões, de uma proporção longa, mas não o suficiente como para desencaixar a mandíbula. Não tinha nem ideia se estava fazendo bem, dada a sua nula experiência, havia roçado várias vezes a base com os dentes, mas Naruto não parecia ter se queixado. Tão envergonhado, como inseguro, Sasuke ergueu o olhar esperando encontrar um olhar sarcástico, um gesto irônico, mas sua surpresa foi maior.

Naruto claramente não estava em nenhuma classe de estado mental.

E se tivesse que definir algum, provavelmente fosse ao borde do orgasmo.

Sasuke reprimiu um sorriso satisfeito e com o ego aumentado, intensificou as sucções fazendo-as mais profundas e intensas.

O detetive gemeu enardecido e rígido, se inclinando para frente envolvendo entre suas trêmulas mãos as sedosa cabeleira ngra. Todo o prazer concentrando-se sobre aquele ponto. Desejou com fervor que aquilo não terminasse ninca, que fosse além, que a sensações de gozo se extendesse até nublar-lhe o juízo. Se imaginou descarregando sua semente sobre a boca de seu companheiro, gotejando sobre seus lábios rosados, lambendo com luxuria o espesso líquido do orgasmo...

Os olhos azuis se abriram desorbitados.

Perdeu a respiração e a tensão se expandiu rápida por seus músculos. Fogo sobre seu ventre, a fisgada de prazer recorreu suas costas como que uma corrente elétrica.

- Sasuke! – gritou alarmado. – Vou gozar!

O olhar aturdido de seu amante lhe confirmou que não reacionaria a tempo.

O orgasmo, repentino e inesperado, estalou com uma intensidade desmensurada e em um chorro suave e espesso saiu contra a boca. A primeira descarga, caiu diretamente sobre a garganta de Sasuke, que surpreendido, retrocedeu instintivamente para trás. A segunda foi vertida sobre seu rosto e a terceira sobre seu peito, deixando em seu passo um rastro denso e esbranquecido.

Sasuke sorriu com certa satisfação. Apesar de sua inexperiência havia conseguido dobrar seu companheiro. E de que modo. Recolheu a camisa do solo e se limpou com ela o rosto. A primeira tragada havia se resultado imprevista, uma segunda o indicou que a substância era tolerável. Não soube o que lhe desconcertava mais, se o fato dele não ter sentido desagrado algum ou a ideia de que podia se acostumar com o gosto.

Com um longo e extenuado suspiro, Naruto se deixou cair sobre seus joelhos.

- Desculpa – apressou em se desculpar avergonhado – Não queria... Eu não pude...

- Tudo bem, dobe. – lhe sorriu conciliador.

Naruto depositou um suave e casto beijo sobre os lábios de seu amante antes de envolvê-lo calidamente entre seus braços.

- Sinto muito pelo que aconteceu antes – murmurou calidamente o detetive em seu ouvido – Gaara tinha que ter sabido que já não estou disponível. Que agora é você o mais importante para mim. A próxima vez tentarei explicar para ele.

- Se volto a vê-lo à menos de vinte metros de ti, lhe abro a cabeça. – replicou Sasuke em um sussurro.

Naruto estalou em gargalhadas.

E assim, entrelaçados em um íntimo abraços, sustentaram um ao outro durante um longo tempo.

- Naruto... – sussurrou mansamente Sasuke, quando o sono parecia começar a se aproximar deles. Com força rodeou a cintura e ocultou o rosto no pescoço do loiro. Não poderia ser tão difícil de dizer, eram só duas palavras. Ele se sentiria melhor e Naruto saberia que era o mais importante em sua vida. – Eu...

As pontas de suas orelhas se tingiram ante a simples ideia de mostrar tão abertamente seus sentimentos. Apertou ainda mais seu abraço, como querendo fundir-se com seu corpo e rezou para que Naruto compreendesse o que tentava expressar.

O loiro o olhou de canto de olho e um terno sorriso se extendeu em seus lábios.

- Sim, eu também te amo.

Continuará...

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N/A: Realmente, esses dois me fazem sofrer..

O Gaara teve que aparecer para que o Sasuke abrisse a caixa com seus medos e se ver ameaçado ante a possibilidade de perder o que possui-tem. E ante algo assim não resta outra saida além de expressar seus sentimentos de forma sincera e aberta. E ainda que as palavras não são a especialidade de Sasuke... Não é como se Naruto fosse se queixar pela forma em que ele o fez saber... (há, já queria mais de um/a). Sai como sempre, em sua linha sincera e inoportuna. Ao final, vai traumatizar a pobre Hinata. Vocês já imaginam qual casal estou planejando, realmente sinto muito por aquelas que não gostem.

No próximo, a missão. Cada vez falta menos para o final, a fic entrou em sua reta final.

Beijos, e obrigada por continuar lendo e comentando apensar de tanto que eu demoro para atualizar.

N/T: Olá! Certo, acho que eu posso chorar, me ajoelhar e pedir perdão e mesmo assim vcs não me perdoarão. Enfim, eu tive meus motivos, estive meses em pura neura com vestibular (pff _), o cap era longuíssimo e... Certo, vou calar minha boca. Mesmo assim quero agradecer a todos que continuam a ler a fic, prometo que vou recompensar vocês com caps traduzidos mais rápido (o cap 14 será postado amanhã, por volta deste mesmo horário), aproveitando: muito obrigada pelas reviews. Beijos ;*

P.S.: A Naruko é a deusa dos lemons – e pseudo-lemons –, sem dúvida alguma *-* /fato

P.S.: Vai Sasuke #-# , certo: parei D: