Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem à Masashi Kishimoto e esta fic à Naruko.

Título original: 8 Semanas

Autora: Oo-Naruko-oO

Tradutora: Kappuchu09

AVISO IMPORTANTE:O cap 14 foi postado um dia depois do cap 13, por isso, certifique-se que você já leu o cap 13 para iniciar a leitura do cap 14. Obrigada \õ

Cap 14: A missão.

Duas semanas antes...

Poucas coisas conseguiam esgotar tão facilmente a paciência de Uchiha Sasuke.

E uma delas era que lhe repetissem as coisas mais de duas vezes. Como se não tivesse o suficiente tendo que acatar ordens que iam contra sua vontade. Se a pessoa em questão não se tratasse desse idiota teimoso, do qual começava a considerar seriamente em socar até deixar inconsciente, já lhe teria cortado a língua e cozinhado a boca.

Era uma agressão justificada.

- Só precisamos da confissão direta do seu pai, nem sequer o nome dos demais acusados, isso podemos conseguir uma vez que seja preso, entendeu? – explicou Naruto tentando aparentar calma, enquanto que vários técnicos colocavam com eficiência os microfones ocultos colados ao peito de Sasuke.

Se encontravam em um polígono deserto fora da cidade repassando todos os detalhes antes do começo da missão. A brigada de Gaara já estava distribuida pela cidade vigiando cada um dos altos cargos da corporação Uchiha, a espera de uma ordem de ataque, enquanto que eles preparavam oanzol.

- Não seja imprudente nem faça nada perigoso, não se coloque em perigo desnecessariamente, nem fique lá mais tempo do que o necessário. – lhe recordou Naruto com vigor. – Se limite a mostrar a carta, mostrar que conhece todos os detalhes e sobre tudo que apoia todas as decisões que ele toma pelo bem do clã, faça-o ver que é um deles. E quando seu pai confesse seu crime, a brigada de Gaara entrará no edifício e prenderá todos. Nós nos encarregaremos do resto.

Sasuke rodou os olhos com fastídio. Sabia aquele discursso de memória. Naruto vinha recitando-o desde a primeira hora da manhã e começava a cansar-se. Deixando de lado sua irritação, ao menos por um momento, recolheu com fastídio a camisa e começou a abotoá-la, ocultando os microfones.

- Eh, eh! – reprovou o loiro rapidamente com uma crítica expressão nos seus olhos. – Onde está o colete a prova de balas?

- Não preciso. – replicou, complacido pela crescente preocupação do loiro – Não acontecerá nada, idiota.

Naruto suspirou ruidosamente.

- Isso não é algo que se possa prever. – grunhiu apontando a peça jogada entre os diversos materiais policiais. – Coloque-o, são pessoas perigosas e não sabemos como podem reacionar. Além do que, não quero ter que te retirar de lá feito um coador.

Os lábios de Sasuke se curvaram ligeiramente – um gesto mais que assombroso, dado a sua aversão a sorrisos. -, e ignorando suas palavras, continuou colocando-se a camisa até ter cada botão em seu lugar. Apenas terminou de fechá-los, para que seu olhar se tornasse carrancudo e seu corpo rígido ao perceber a presença não grata invadindo repentinamente a atmosfera pessoal entre eles.

Esse maldito Gaara...

A infeliz dupla se contemplou desafiante por um longo tempo, segregando tanta tensão e de má vontade, que qualquer um ao seu redor houvesse optado por fugir tão rápido quanto suas pernas pudessem ou fazer-se de morto e não respirar até que houvesse passado o perigo. Mas Naruto, mais do que cego para as coisas óbvias e catástrofes naturais, se divertia examinando com tensão o colete a prova de balas.

- Gaara, diz para ele colocar. – recriminou o loiro, apontando a peça, buscando apoio no kage como o máximo dirigente, ao passo que lhe dedicava um olhar desaprovador a Sasuke.

O olhar límpido do kazekage passou da proteção à Sasuke várias vezes e a expressão de antipatia em seu rosto podia-se ler claramente " Se o matam, um a menos" bastou para deixar clara sua resposta.

- Encontramos o esconderigio que escondiam Kiba. - Anunciou repentinamente sem nenhum tipo de cuidado – Meus homens acabaram de prender um dos máximos dirigentes do clã, Teyaki Uchiha.

- Kiba? – inquiriu alterado o loiro – E como está? Ele... Ele está bem?

- Está inconsciente e sofre de graves feridas devido aos fortes interrogatórios, aos que foi submetido, mas os médicos dizem que sua vida não corre perigo. – aclarou.

- Graças a deus. – suspirou aliviado.

- Nossa missão deve começar imediatamente – Gaara deu uma fugaz olhada para Sasuke, para aclarar que se referia a ele, antes de centrar de novo sua atenção em seu amigo. – Antes que a notícia da prisão chegue aos ouvidos do resto do clã. Se algo assim ocorre não nos será fácil prender o resto.

Naruto afirmou efusivamente e o kage retrocedeu em direção ao furgão improvisado como base de controle de operações, não sem antes dedicar-lhe um furioso olhar ao Uchiha, advertindo-lhe silenciosamente que suas diferenças ainda não estavam quitadas.

Se arriscavam demais nesta missão. Um passo em falso e as consequências poderiam ser terríveis, começando pela vida de Sasuke. Ainda que Naruto tinha a segurança de que todo o edifício estava cercado por agentes policiais de Suna, a angústia que aquela missão lhe infringia não lhe abandonava. Como o bastardo poderia estar tranquilo em uma situação assim?

Sasuke poderia acabar como Kiba.

- Não faça essa cara, não vai acontecer nada comigo.

Naruto notou como o calor subia para suas bochechas e envergonhado afastou o olhar para um lado.

- Quem é que está se preocupando, idiota? – protestou sem muita convicção.

Avançaram em silêncio até o carro de Sasuke, do qual conduziria sozinho até introduzir-se como todos os dias na corporação Uchiha. O moreno pegou a chave e abriu a porta do carro. Era a hora da despedida.

Naruto tardou uns segundos em centrar o olhar nele, e alguns mais para decidir falar.

- Tenho pensado...

- Sempre há um aprimeira vez.

- Cala a boca, idiota! – replicou fulminando-o com o olhar. Grunhiu e tomou ar para prosseguir – Bem, você sabe que quando tudo isto termine, não poderá voltar a sua antiga vida. Terá que passar um tempo oculto baixo a proteção policial em um programa de proteção a testemunhas. Farão você mudar de nome e de cidade, não poderá ver seus amigos, nem eles poderão saber onde você está. Por assim dizer, começará uma nova vida do zero.

Sasuke afirmou com a cabeça. A polícia lhe havia informado previamente de todos esses detalhes. Ainda que conseguissem prender os altos cargos de seu clã, sua vida seguiria correndo perigo dada a quantidade de lacaios que os corruptos dirigentes possuiam. Nem sequer necessitavam uma ordem de assassinato, tomariam a traição para com o clã como um alívio.

- No início será um pouco difícil de se adaptar, os começos nunca são fáceis. Uma vez tive que me mudar para outro país por questões de trabalho e passei uma longa temporada fora de casa. Foi uma experiência interessante, fiz muitos amigos...

Sasuke franziu o senho ligeiramente sem terminar de compreender muito bem do que Naruto tentava dizer-lhe.

- ... Ainda que eu esteja seguro de que para um bastardo arrogante e irritante como você não será nada fácil.

E então se perguntou o que seria primeiro, sua dor de cabeça ou a conclusão de Naruto.

- Se pelo menos deixasse de estravasar sua frustração sexual nos outros, eu acho que...

Sua dor de cabeça, sem dúvida alguma.

- Além de me insultar. – interrompeu Sasuke com irritação e um tic severo em seu olho esquerdo – Tem algum sentido esta conversa?

- Sim, bem – com nervosismo, mordeu internamente uma das bochechas – Sakura... duvidou – O que vai fazer com ela?

Sasuke suspirou. Essa era uma ótima pergunta.

Já era hora de ir colocando cada peça em seu lugar no quebra-cabeças, começando sendo honesto com a mulher com a qual havia compartido tantos anos de sua vida. Não estava seguro do que diria, já que nem sequer ele compreendia com total claridade como de um dia para outro havia chegado a despertar esse tipo de sentimentos por um homem. Mas ela tinha que saber que continuava gostando dela, ainda que de forma equivalente a uma melhor amiga ou como parte de sua família. Simplesmente não podia continuar mantendo uma relação que carecia tanto de paixão quanto de amor.

- Eu falarei com ela. Se afastar de mim é o melhor que eu posso oferecer.

- Bem, nesse caso – com um nervosismomexeu na perpétua bagunça que eram seus cabelos louros – Eu irei com você.

- Comigo? – questionou, erguendo uma sobrancelha.

- Foi o que eu disse.

Um riso suave e sussurrado que não reconheceu como seu se escapou por entre os lábios de Sasuke, enquanto uma agradável e cálida sensação de bem-estar inundava seu peito. Era um sentimento consolador, de afeto, um que lhe dizia que ainda era necessário para alguém, que todavia se preocupavam por ele. E naquele momento, isso era precisamente o único que precisava ouvir. Saber que quando tudo isso terminasse, já não estaria sozinho.

Nunca mais.

- Não tenho certeza. – replicou com diversão – é uma boa oportunidade para me desfazer de você de uma vez por todas.

- Bastardo, em todo caso eu é que me desfaria de você! – vociferou indignado.

Um sorriso malicioso assomou pelo canto dos lábios do moreno, do qual devagar e com um ar pensativo, cruzou os braços elevando o olhar ao céu.

- Bem, já que você está se oferecendo e de acordo com você não será nada fácil fazer novos amigos. – zombou com um reflecxo intenso nos olhos – pode vir comigo. Mas de nenhuma maneira comerei ramen sete vezes por semana. Não penso me submeter a um suicídio estomacal. Tampouco você. Alguém tem que controlar sua má nutrição.

- Esqueça o que eu te disse então – grunhiu franzendo a boca com repulsão – Não viverei com um bastardoque se acha demais, arrogante e obssionado com tomates como você, nem que minha vida dependesse disso.

Uma careta de triunfo e um flash malicioso cruzando as púpilas negras foi o último que vislumbrou com claridade Naruto antes de que sua nuca fosse agarrada com força e um impetuoso Sasuke depositasse um ávido beijo sobre seus lábios.

Naruto gemeu e contagiado pela fogosa carícia, lhe rodeou a cintura com os braços, empurrando lascivo seu corpo contra o do outro para sentí-lo mais próximo. Entre abriu os lábios e ansioso deslizou a língua entre eles, buscando a de Sasuke. Se morderam, acariciaram, pegaram e se saboreram durante longos minutos.

O tempo parecia ter parado.

Ao fundo escutaram um policial anunciar o início da missão, e reticentes ao responder a ordem, se separaram, mas não seus rostos. Naruto cerrou os olhos e apoiou a testa na de seu companheiro, tomando lentas e fortes bocanadas de ar, que acalmaram seu nervosismo. O forte nó fechado sobre sua garganta o impediu de falar.

Tinha medo.

De perdê-lo, de que a missão não terminasse bem e que lhe tirassem aquele sentimento confuso que era o amor, querer incondicionalmente alguém com todo o bom e o mal de uma relação. A felicidade que lhe proporcionava sentir-se correspondido. Sasuke era seu eixo, seu mundo, seu princípio e seu final.

E se ele o perdesse...

- Sasuke... – logo notou uma sensação angustiosa e fria deslizar-se pela sua pele ante tal pensamento. Apertou os punhos e sacudiu a cabeça lutando contra essa ideia. Queria lhe dizer tantas coisas, mas nenhuma saia de sua boca.

- Ficarei bem. Te prometo.

Com esse juramento e um último beijo nos lábios, Sasuke se separou dele e subiu ao carro.

A missão se dava início.

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Sentiu que alguém a perseguia e com cuidado olhou para trás, mas em um primeiro momento não localizou ninguém com exceção de várias senhoras repletas com sacolas e duas estudantes que falavam animadamente em frente a uma vitrine de uma loja. Sakura não pensou duas vezes, habilmente cruzou a rua e variando sua habitual rotina ao hospital, adentrou em uma das ruas mais afastadas da zona.

Caminhou várias quadras, infiltrando-se entre as pessoas para despistar seu perseguidor ao passo que olhava para trás tentando reconhecê-lo. Até que, a escassas ruas do hospital, decidiu aumentar o passo de dobrar em um beco escuro e estreito onde se escondeu atrás de umas altas latas de lixo.

O escutou entrar no beco e tal como havia suposto, o homem passou por alto seu esconderígio. Quando Sakura teve a sua mercê as coistas descobertas do misterioso jovem o agarrou pelos braços com força e o jogou de cara contra a parede, imobilizando-o por completo.

- Quem demônios é você e por quê está me seguindo, estúpido? – gritou exaltada.

O jovem não parecia surpreendido, ou ao menos não mostrava nenhuma expressão em seu rosto, simplesmente se limitou a cravar seus olhos negros nos da jovem e ela conteve a respiração ao reconhecer por fim esse rosto inexpressivo e impávido.

- Você de novo! – brandou indignada. De todas as pessoas do mundo com as quais poderia encontrar, tinha que ser aquele idiota repulsivo e intratável. – Maldito perseguidor, pode-se saber por que está me seguindo?

- Queri ver você.

- Por quê? – inquiriu dando um passou para frente, de forma ofensiva, pressionando com mais intensidade o corpo do jovem contra a parede – Por acaso a bofetada que te dei da outra vez não deixou claro que sou eu quem não quer voltar a te ver?

Sai enrrugou as sobrancelhas e ficou pensativo durante uns segundos, tentando reviver em sua mente aquela primeira conversa.

- Você disse que eu era um pervertido, mas não que não poderia voltar a te ver. – mencionou com o mais inocente dos olhares.

Tão sincera soou sua desculpa que Sakura não pode fazer mais que contemplá-lo desconcertada uns segundos, antes que lentamente desse vários passos para trás sontando-o de seu agarre.

- Você... Por acaso é um imbecil completo? – perguntou ironicamente.

Sai não respondeu. Como se aquele insulto não houvesse sido pronunciado ou não houvesse percebido a acidez de suas paavras, girou o corpo na direção de Sakura e susteve o olhar sem piscar, com um vistozo e inexpressivo sorriso.

- Vejo que sim. – confirmou a jovem com um pesaroso suspiro.

Esperou que o jovem psicopata – não podia classificá-lo de outro modo – explicasse os motivos que o levavam à seguí-la, mas Sai longe de quer dar seus motivos, permaneceu em silencio. Sakura estreitou os olhos, começava a sentir uma ligeira curiosidade.

- E então? – o contemplou tão intrigada como desconfiada – Por que queria me ver?

No mesmo instante a expressão risonha do jovem mudou para um gesto sério, quase reflexivo.

- Acho que eu gosto de você. – declarou com total desenvoltura e sem um ápice de vergonha, com a simplicidade dos que não conhecem sutilizea ou medida em suas palavras. – Ou pelo menos isso foi o que Hinata me disse, ainda não estou seguro. Ultimamente tua cara aparece muito em minha mente, sobre tudo nos sonhos e nos imagino fazendo coisas, uma única coisa em realidade, mas em muitas posturas diferentes e você usa um disfarce de coelhinha...

Sakura ficou muda, com os olhos como pratos e rígida como uma gárgula de monastério. Parecia tão deslocada e sua expressão era de tal desconcerto que distorcia completamente seu rosto. Quando ao fim pôde reacionar, apenas piscou repetidas vezes.

- O que? – conseguiu articulr ao fim, incrédulo e incapaz de assimilar que um lunático, demente e pervertido tinha sonhos úmidos com ela.

Porque vestindo um disfarce de coelhinha poucas coisas podiam fazer...

Essa imagem mental lhe custaria muitas sessões de terapia.

- Eu gosto de você – repetiu Sai tal coisa sem deixar de sorrir artificialmente – Mas para estar mais seguro disso, preciso te abraçar.

O detetive fez um gesto de que ia se aproximar dela, mas esta ergueu ambas mãos apressadamente e com firmeza, cortando o acesso.

- Olha seu louco – grunhiu, fulminando-o com os olhos tão bravos como desorbitados, sobre sua testa havia aparecido uma pequena, mas consistente veia palpitante – estou a ponto de quebrar tua cara e será a primiera vez que não terei remordimentos por iso, assim que nem pense em se aproximar de mim.

- Certo, mas vai ser difícil que tenhamos sexo se não me aproximo. – respondeu confuso.

- Você ganhou.

Sakura ergueu um punho ameaçante e mais confuso que assustado, Sai tirou do bolso traseiro das calças um pequeno livro que começou a folhar com uma vistosa urgência. Tão desconcertante foi a ação, que a jovem não soube se continuar com sua tentativa de golpeá-lo ou perguntar-lhe por que demônios havia pegado aquilo de repente. Tão curiosa como brava, inclinou o rosto para um lado e leu o título na lombada.

"Como compreender melhor as mulheres" leu na lombada.

- Definitivamente não está bem da cabeça... – murmurou para si mesma, mais por sua própria incapacidade para julgar a surrealista situação, do que pelo feito de ver-lo passar as páginas, enquanto murmurava algo.

- Sexo, abraços, beijos, presentes, menstruação – Sai continuou passando rapidamente as folhas do pequeno livro, até achar o capítulo que buscava – Encontros!

O semblante da jovem mudou bruscamente de incípida curiosidade para súbito receio em questão de segundos. Por acaso estava brincando? Todavia o olhar expectante e sereno do jovem de cabelos negros a fez duvidar.

- Antes do sexo devem ter um encontro. – pronunciou Sai como se houvesse descoberto como se criou o mundo.

Não adicionou mais nada, mas Sakura soube por essa viva luz agitando-se em seus olhos negros o que estava pedindo.

- Um encontro? Com você?

O moreno assintiu efusivamente com um sorriso embaraçado.

- Tem que ser uma brincadeira. Preferiria me esfregar com uma pinha de cima àbaixo antes de sair contigo – não quis fazê-lo, mas terminou rindo – Vá por onde veio e para de me seguir, louco. – finalizou com uma voz furiosa.

Deu meia volta, na proximidade do frágil corpo de Sai, mas este se moveu para um lado cortando-lhe o caminho. Rapidamente voltou a olhar o manual de auto-ajuda e a murmurar as instruções que ali diziam.

- Insista, insista, insista, não escute os nãos, insista, e se continua a negar-se, minta e insista.

- Pare de ler esse lixo! – com movimento brusco o tirou das mãos e o atirou ao solo, o pisando fortemente.

Se continuasse escutando esse psicótico paranormal, com certeza iria deixar sérios e irreversíveis danos psicológicos em sua mente.

- Olha, eu estou noiva, vê? – ergueu a mão na qual portava um anel de compromisso e moveu os dedos para captar sua atenção. – Vou me casar dentro de duas semanas com meu namorado.

- Por quê? – perguntou candidamente como uma criança que não entende a explicação de seu professor – O casamento é causa número um do divórcio. Estatisticamente falando, cem porcento dos divórcios começam com um matrimônio.

Sakura entrecerrou os olhos e em silêncio o observou. Aquela conversa não tinha lógica nenhuma e aquele homem era do tipo mais excêntrico, raro e sem um ápice de decoro, muito mais do que o considerável socialmente aceitável, com o qual já havia cruzado em vida.

Claro que seu transtorno foi unido ao do outro.

- De qualquer forma – prosseguiu Sai, encolhendo os ombros despreocupado – você pode me usar sexualmente para se separar de seu parceiro. Já estive com homens casados, também com mulheres casadas, inclusive com travestis casados...

Sakura não conseguia desfarçar seu assombro.

- Vou chamar a polícia.

À pouco metros de sua posição, se escutou um derrapar de carros, seguido por vários gritos, e Sakura centrou sua atenção ao final da rua, onde vários transeuntes corriam e gritavam por uma ambulância.

Uma ambulância, pensou.

Isso significava que haviam feridos.

Instintivamente deu um passo para a saída, ela era médica. E teria dado mais passos se Sai não a tivesse pego por um braço a retendo no lugar.

- Solte-me, idiota! Não é o momento para...

Não conseguiu terminar a frase.

Sai selou os lábios com um repentino beijo que lhe arrancou um gemido de surpresa desde o mais profundo de seu ser. Umas mãos fortes rodearam sua cintura mantendo-a encerrada entre um peito firme, mais consistente do que a primeira vista imaginou. Calor, le ardeu as bochecas e seu peito havia iniciado uma enlouquecida pulsação. Tentou se afastar, ao menos pensou, mas o gosto deoce daquela boca ou o embriagador aroma de seu corpo apagando qualquer intento.

Havia muito tempo que não sentia uma terna carícia, um beijo roubado, umas mãos cálidas e acolhedoras deslizando lentamente por suas costas.

Sasuke.

A lembrança de seu amado a fez baixar de sua nuvem e por os pés firmes sobre a terra. Sakura abriu subitamente os olhos, perguntando-se quando os havia fechado, e com um enérgico empurrão o afastou dela.

Envergonhada e trêmula pelo sucedido, levou o dorso da mão a boca com as bochechas vermelhas.

- Maldito sejas, estúpido.

A sonora bofetada que o dedicou se escutou retumbar pelo solitário beco instantes antes da jovem, entre injúrias, blasfemias e cinco improprérios bem escolhidos, desaparecia com passos firmes.

Nada melhor para libertar o estresse do que um pouco de violência gratuíta e por outro lado, bem merecida.

- Que agressiva...

Ainda com a dor latente e o sangue palpitando nas bochechas, Sai desceu lentamente o olhar para seu baixo ventre, agora visivelmente avultado e suspirou arrependido.

- Sim, já sei que gosto de você.

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- Você tem certeza de que esse amontoado de coisas funcionam?

Dentro do furgão e usando grandes fones auriculares nas orelhas, Naruto contemplou com dúvida as luzes dos diferentes aparatos eletrônicos instalados piscando ao seu redor.

Haviam estacionado o carro – improvisada base de operações – a vários metros da corporação Uchiha, e não muito longe dali, todo um regimento de policiais pessoais de Suna, vestidos à paisano e camuflados por medidas de segurança, resguardando a zona.

Qualquer medida era pouca para o enimigo que enfrentavam.

- Funcionam perfeitamente – grunhiu Gaara ao seu lado, com a habitual indiferença, observando com cuiddo como seu companheiro loiro esfregava as mãos uma contra a outra em perceptível sinal de nervosismo.

- E por que não se escuta nada?

- Pois não entrou ainda.

- E o que esse idiota espera?

Se tivesse sobrancelhas, Gaara teria levantado uma.

Realmente Naruto não havia mudado durante todo esse tempo. Seguia sendo tão impaciente, ruidoso, impulsivo como quando o conheceu. Ainda que certamente algo novo se via naqueles grandes e expressivos olhos. Não sabia exatamente como definí-lo, inusual brilho febril, uma profunda onda preenchida por afeto, viva, cálida e bela, um olhar que só emergia na companhia de Sasuke.

Só com ele.

- Por quê ele? – se escutou perguntando em voz alta, de tão metido que estava em seus pensamentos.

Naruto olhou desconcertado para o Kazekage e o nervoso tic de sua perna direita ficou repentinamente paralisado. Não teve que perguntar sobre o que se referia, o rosto reto e destilado em desprezo do ruivo evidenciava claramente sobre o que, ou melhor, sobre quem se referia.

- Não é ele, Gaara. Sou eu. – murmurou com compreensivo afeto. – Não duvide, às vezes eu também me faço essa mesma pergunta. Por quê ele?

Gaara grunhiu, não satisfeito com a resposta dada, de forma que Naruto prosseguiu.

- Em muitas ocasiões é odioso, tem um muito mal caráter, passaria o dia inteiro chutando o traseiro dele, é egocêntrio e um bastardo sem sentimentos. À primeira vista não nos parecemos em nada, temos caracteres completamente diferentes. As coisas que eu gosto para ele são chatas e as coisas que ele gosta... Bem, não que ele goste de muitas coisas realmente – refletiu – Enfim, se somos tão diferentes por que continuo buscando-o sem remédio quando a diferença entre nós é abismal?

Gaara não podia estar mais de acordo com essa última pergunta.

- Porque na realidade tudo é uma fachada – sussurrou, e o tom de sua voz pareceu o de alguém ausente, que conta seus segredos ao ar – De baixo de todas essas barreiras de defesa, de toda a nossa aparência, pode-se perceber que somos muito semelhantes. Nós passamos a maior parte do tempo discutindo, mas isso não é mais do que nossa peculiar forma de demonstrar nosso afeto. Nós dois carregamos um sentimento de solidão que ninguém conhece, uma dor que só a companhia um do outro permite que se cure. – entrecerrou os olhos melancólico e um fugaz sorriso preencheu seus lábios – Pelo meu lado de ver as coisas, ele é a tranquilidade que eu preciso e eu sou a ação que ele precisa.

- Não é muito diferente de mim – apressou a adicionar Gaara com mais rancor do que quis demonstrar.

- Certo – coincidiu rindo, mas sem se atrever a olhá-lo diretamente – Acho que por isso gosto tanto dele.

- "Adiante."

A rude e desconhecida voz que chegou de surpresa aos auriculares, alertou ambos os jovens. Sasuke já havia entrado.

- "Finalmente aparecestes, Sasuke. Ultimamente estive me perguntando onde estarias. Não te vi por aqui toda a semana."

A voz furiosae caústica de Fugaku, conotava forte caráter intimidante e de autoridade, o suficiente como para que pensasse com calma a resposta. Naruto conteve a respiração até que por fim escutou sua voz.

- "Trabalhando."

- "Disso... Não me cabe a menor dúvida."

Algo estranho destilava em seu tom de voz, talvez algo de sarcasmo.

- "E diga-me, Sasuke. No que tem estado trabalhando?"

- "Talvez isto te dê uma ideia."

Durante um tempo que para Naruto lhe pareceu eterno, nenhum som saiu do microfone. Sentia como lhe palpitava o peito com os desaforados golpes de seu coração a ponto de sair pela boca. Estaria lhe mostrando a carta?

- "Já vejo. Assim que por fim a descobriu." – se ouviu depois de alguns segundos que pareceram horas – "Ainda que não me surpreenda em absoluto, depois de tudo, não criei filhos estúpidos. Ou talvez sim. Demoraste dois anos para se dar conta. Seu irmão apenas lhe bastou um mês."

A respiração de Sasuke se tornou irregular, entretanto, optou por calar-se. Eram muitas as emoções que o recorriam e nenhuma parecia lhe agradar.

- "Mas está claro que você não é ele, caso contrário não estariamos mantendo essa conversa" – Fugaku riu cinicamente – "E então, o que quer saber? Se o que está escrito é verdade?"

- "Me mentiu" – sussurrou sem ocultar em seu tom de voz a repulsão que lhe causava olhá-lo – "Disse que tinha se suicidado. Me fez acreditar que meu irmão era um assassino. Me fez odiá-lo durante dois anos e ainda continuaria odiando-o se não tivesse encontrado esta maldita carta!"

Pelo auricular se escutou o golpe em seco, como de punhos se chocando frustradamente sobre a madeira de uma mesa e Naruto deu um gemido assustado.

- "Como pôde matar o seu próprio filho..." – masculou com os dentes apertados.

- "Itachi não era o tipo de pessoa que você acha que conheceu, Sasuke. Todos temos uma vida oculta. Você melhor do que ninguém deveria saber disso."

O sátirico sorriso de seu pai nunca antes lhe causou tanta repulssão.

- "O que quer dizer com isso?"

- "Era meu filho, mas também meu sucessor. Nasceu com um objetivo na vida, preservar a continuação do clã Uchiha, ampliá-lo e acabar com todos aqueles que se interpusessem no nosso caminho. Ele sabia, desde o dia em que nasceu me encarreguei de que isso ficasse gravado em sua mente. E o cumpriu. Se converteu em meu maior sucesso, meu maiors orgulhos, um digno sucessor. Jamais pensei que se aliaria ao inimigo. Deu as costas ao seu clã, e o que é pior, a sua família. Se converteu em um cabo solto, um perigoso fio desencapado."

- "E por isso o matou, porque se negou a cumprir suas ordens?"

- "Seu irmão morreu por um motivo."

- "Dirá que o matou sem motivos."

Naruto mordeu os lábios. Isto não andava bem, a confissão de Fugaku era mais crua e atroz do que esperava. E Sasuke não parecia estar bem; sua voz cada vez mais apagadae rude não pressagiava nada bom. Ainda que não era de se estranhar, se fosse ele quem estivesse vivendo cara a cara essa situação já teria feito justiça com as próprias mãos duas frases atrás.

- Não é o suficiente, Gaara? – Naruto se voltou para ele ocm impeto – Já confessou. Disse que o matou.

- Não, ainda não disse.

- "Pensei em te matar" – confessou repentinamente Sasuke com a voz baixa e autoritária - "Ideei um plano, não me importava receber a mesma moeda em troca, nada nesse mundo me faria sentir melhor do que acabar com sua vida da mesma forma que você arrebatou a de tantas pessoas inocentes. Sem escrúpulos, sem remorsos. Isso logo me converteria em um digno sucessor, não é?" – fez uma pausa. Parecia estar pensando. – "Mas alguém me fez compreender que o ódio, só trás mais ódio. E minha maior vergonha seria ver-me convertido em alguém como você."

Naruto sorriu ligeiramente, pelo menos agora lhe ficava claro que o escutava e não simplesmente fingia.

- "E depois de tudo, creio que não vou poder cumprir minha promessa" – prosseguiu- "Agora mesmo não me reconforta em absoluto a ideia de te ver esmoecer entre grades" – assegurou com determinação – "Você merece algo mais."

O rosto de Naruto mudou para um extremamente grave quando chegou aos seus ouvidos um sonoro clic de um gatilho de pístola sendo carregado, antes que o riso grotesco e silvante de Fugaku irrompesse o ar.

- "Sinceramente Sasuke, me decepcionas." – comentou seu pai – "Te dei uma boa educação, te ensinei tido o que precisa saber na vida, a ser agudo, ambicioso, a distinguir o mal do pior e assim que me agradeces."

Naruto se voltou para Gaara com ímpeto.

- Qual dos dois tem uma pístola? – gritou alarmado – é o Sasuke? Você deu uma para o Sasuke?

Gaara simpelsmente grunhiu com irritação. Sabia que esse homem lhe iria causar muitas dores de cabeças. Se saisse com vida dalí, ele mesmo o mataria.

- "Te achava mais inteligente, mas já vejo que me equivoquei contigo. Depois de tudo, nunca serviu para nada."

- "Não me substimes."

- "Aquele que me substima é você, Sasuke." – Fugaku riu entre dentes – "é igual a Itachi."

- "Não diga seu nome!" – rugiu potente – "Não se atreva a pronunciar o seu nome."

- "Talvez tampouco queira escutar o nome de Naruto."

As palavras chegaram a ele como em um eco distorcido em um penhasco. Seu nome, Fugaku havia pronunciado seu nome.

- Do que está falando? – conseguiu pronunciar Naruto, com a última comida sendo digerida, subindo do estomago para a garganta.

Ambos intercambiaram um olhar confuso, antes de que Gaara tomasse o walkie talkie e

tentasse se contactar com sua brigada, inesperadamente longe de seu campo de visão.

Ninguém respondeu.

- "Você é tão estúpido, jogando com detetives e policiais como se fosse um deles, que se esqueceu de que em Konoha, eu sou a lei."

Os passos que se sucederam as palavras sussurradas, indicaram que Fugaku havia se aproximado dele.

- "Por acaso acho que poderia enganar o seu próprio pai?" – inquiriu antes de sussurrar premeditadamente. – "Eu sei de tudo."

Naruto sentiu como todo o ar de seus pulmões se esvaziava ao passo que na sua mente se repetia como em um mantra interminável essas últimas palavras.

- "Quer saber onde o seu amigo loiro se encontra nesse momento?" – prosseguiu Fugaku com sarcasmo, antes de voltar a sussurrar – "Encurralado."

O Kazekage dirigiu o olhar ao seu redor com alerta, colocando uma mão instintivamente no cabo de sua pístola, enquanto processava toda essa nova informação a toda velocidade, atanto os cabos soltos.

- Você tem que sair daqui imediatamente. – disse o ruivo segundos depois.

Sem dizer nada mais, abriu a porta lateral do furgão e procedeu a ocupar a parte dianteira do veículo.

- O que está acontecendo? – exigiu Naruto sem poder conter sua impaciência.

- É uma armadilha!

No interior da corporação Uchiha se fez silêncio.

- "Não me enganarás com algo tão ridículo como isso" – assegurou Sasuke. Ainda que não pudesse comunicar-se com o exterior, uma coisa tinha em claro. Gaara estava com ele. Não deixaria que nada de mal lhe ocorresse.

- "Garoto, você já caiu."

- Como que uma armadilha? – gritou Naruto frenético – O que... O que está dizendo, Gaara?

- Fugaku sabia, desde o princípio sabia que seu filho havia feito contato com nós e que estaríamos aqui. Tem estado nos vigiando. Sabe de tudo.

O Kazekage girou a chave de contato. O furgão não parecia querer arrancar de primeira.

- Mas então... – comentou o loiro rapidamente analisando a situação – Temos que tirar o Sasuke dalí!

- Não há tempo para isso!

Tampouco parecia querer arrancar de segunda, nem de terceira. Um suspeito disparo que chocou com o farol dianteiro o impediu de arrancá-la pela quarta vez.

- Merda.

Estavam disparando dois carros negros com desenhos de cristais, que se lançavam simultaneamente para eles, aproximando-se ambos pelos lados.

Em que momento pensou Gaara, que uma missão chata, simples e rápida de se completar, como lhe gostava, ia se complicar de uma maneira potencialmente perigosa.

- "Não me resta outra opção se não te matar, Sasuke."

Insistiu com a chave de contato até que por fim esta ligou o motor. Pôs em marcha ré e pisou forte no pedal de aceleração. Naruto teve que se agarrar nas costas do banco dianteiro quando o carro fez um movimento brusco ao dar umma volta para se colocar de frente.

- Dê a ordem para que entrem, Gaara!

- Cala a boca, você é a isca agora idiota!

- Malditos, vão matá-lo! – gritou ante a falta de resposta de seu companheiro.

Os olhos do kazekage iam e vinham de um lado do retrovisor do carro para o outeo. Maldição, eles estavam perto. Havia sido uma decisão muito estúpida enfrentar o clã Uchiha sem o número suficiente de policiais e efetivos. A essas alturas seguramente já haviam matado mais da metade de sua brigada.

- "Mas antes te farei uma confissão."

Os disparos alcançaram as rodas traseiras do furgão e Gaara teve que dar uma derrapada para estabilizar o carro. A situação cada vez pior, com as rosas traseiras murchas não chegariam muito longe. Mando que Naruto pegasse o walky e tentasse pedir reforços enquanto ele pegava sua pístola e pela janela tentava acertar o condutor entre um giro e outro do volante.

- "Sim, eu o matei."

Pelo auricular escutou-se um disparo e Naruto sentiu como se seu coração por um momento parasse com uma última e violenta batida.

- Sasuke!

Sem sequer duvidar um momento, abriu a porta lateral do veículo e saltou com o carro ainda em movimento. A caída, apesar de ser a mais forte de sua vida, não lhe doeu. As balas, que rapidamente começaram a ser disparads em sua direção, não lhe causaram o mais mínimo terror. Os gritos de Gaara por seu nome, não impediram que se pusesse de pé e corresse como um louco para a corporação Uchiha.

O único que deteve Naruto, foi o impacto de um dos carros negros precipitando-se contra ele.

Conitnuará...

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N/A: Aiss, eu e meu finais cardíacos. Como costuma me dizer Rey, está se convertendo em uma obsseção muito insana criar mais dúvidas e incógnitas do que as respostas para elas, e a probabilidade de ir para o inferno cada vez mais alta... Ou que me linxem se não continuo, o que ocorra antes.

Se não calculo mal faltam tres capítulos para que isto chegue ao fim. Por um lado me dá um pouco de pena, peguei muito carinho desta estória, mas por outro lado tenho vontade de começar novos projetos e one shots que tenho pendentes.

Já sei que com esse final agora mesmo estão me chingando xD mas afinal, a culpa como sempre é do Sasuke. Se simplesmente praticasse isso de seguir as ordens dos outros...

Duvidas reclamações, ameaças e extrorções, na janelinha da review. Sim, eu me vendo por pouco, uns quantos caramelos virtuais, nada mais e lhes dou as partes baixas de Naruto e Gaara, de quem foi que disparou no escritório, ou os detalhes de como Sai se fartou de dar-se amor próprio depois de sua segunda ereção.

Beijos, Naruko.

N/T: Olá! Espero que todos tenham lido a nota no início do cap, o cap 13 e 14 foram postados 'juntos' – um na sexta e outro no sábado – por isso, assegurem-se de terem lido os dois. Bem, eu disse que não iria demorar muito, se tudo der certo, semana que vem eu posto o 15. Obrigada pela paciência. Se não for pedir de mais... Que tal reviews? D:

p.s.: adoro esse cap, ele é muito tenso, te deixa completamente aguniada, é bom *-*

Beijos ;*