Titulo original: 8 Semanas
Autora: Oo-Naruko-oO
Tradutora: Kappuchu09
Beta: Lyra Kaulitz
Disclaimer: Naruto pertence a Masashi Kishimoto, e essa fic pertence a Naruko-chan.
Cap 15: O princípio do fim.
Uma semana antes...
Lentamente abriu os olhos e quase no mesmo instante teve que fechá-los novamente com dor. A forte luz do sol, brilhante e cálida que entrava pela janela do quarto, iluminava por completo o pequeno cubículo branco e estéril no qual se encontrava. Piscou repetidamente tentando sair do seu estupor e inspecionou novamente sua volta não reconhecendo o lugar. A sua direita escutou a rítmica apitada que emitia uma máquina vital e não foi até este momento, em que notou os cabos e sensores conectados ao seu braço, que compreendeu que o monitoravam.
Tentou se incorporar na cama, sentindo-se torpe e pesado, e uma dor lacerante latejou em seu ombro esquerdo, descobrindo que o tinha enfaixado.
- Sasuke-kun!
Ergueu o olhar a tempo de descobrir o familiar rosto de sua noiva sentada em um pequeno banco próximo a cama. Seus olhos verdes brilharam com uma inusitada feliciade. Verdes, não azuis, os olhos que ele havia esperado contemplar. Seu sorriso amável e seu rosto ovalado lhe acompanhavam com um gesto de fiel devoção daquele que transmite amor e carinho. Rosado, não dourado, nem com três marcas em cada bochecha, o semblante que ele havia desejado ver.
- Sakura.
- Graças a Deus que você despertou. Eu estava tão preocupada, havia perdido tanto sangue que eu por um momento pensei que... que você não... – com fervor segurou uma mão entre as suas, beijando ternamente a palma – Fico feliz de que esteja bem. Como você se sente?
- Onde estou? – perguntou fechando os olhos em cansaço. A cabeça dava voltas e lhe ardia a garganta.
Ela negou lentamente com a cabeça.
- Uma ambulância te trouxe faz alguns dias com um ferimento de bala no ombro esquerdo. Tinha uma forte contusão na cabeça e havia perdido muito sangue, meu Deus, todos os médicos pensavam que não sairia vivo da operação. Se a bala chegasse a atingir apenas dois centímetros mais para a direita teria dado em cheio no coração.
O disparo, isso sim se lembrava. Encontrava-se no escritório de seu progenitor quando este sacou a pístola e lhe atirou a sangue frio.
- Meu pai... – aventurou-se a perguntar.
- Tranquilo, tudo está bem agora. – lhe sorriu afável – Já não pode mais te ferir. Você está a salvo.
Sakura lhe mostrou a capa do jornal de Konoha na qual se podia ler claramente a manchete: "Preso o mais alto cargo da máfia"
"Agentes da polícia de Konoha em uma operação conjunta com Suna desarticularam um clã organizado dedicado a extorção de cargos públicos, de acordo com eles, negociações ilegais e tráfico de armas, assim como vários assassinatos nunca antes resolvidos. Fugaku Uchiha, o cabeça da organização e a quem se denegam delitos de homicídio e corrupção, foi preso e está sob a disposição judicial. A polícia não descarta que seja o autor material do assassinato do seu filho primogênito e primeiro herdeiro da companhia; Uchiha Itachi, que teve seus restos mortais encontrados fora de Konoha. Os relatórios da forense apontam uma morte por impacto de bala no crânio. A insvestigação criminal se encarregará de comparar os resquícios de bala com os recentes encontrados na companhia Uchiha, onde Fugaku tentou eliminar seu segundo filho. Seu estado é sigiloso, igual ao do detetive de Konoha, também envolvido na operação."
- Por que não me disse nada? Por acaso pensava solucionar tudo sozinho? – lhe repreendeu Sakura sacudindo a cabeça angustiada. - Sempre me mantém a margem de todos os seus assuntos, nunca me conta nenhum dos seus problemas. Se eu soubesse, se tivesse me dito que seu pai era... – calou, resultava doloroso demais utilizar a palavra assassino, ainda mais depois de conhecer todos os delitos pelos quais o culpavam – Poderíamos ter solucionado juntos.
- Era muito perigoso.
- Sasuke, somos um casal, mas também somos uma equipe. Você e eu. – se levantou e com afeto lhe retirou várias mechas de cabelo de sobre a testa. – E os problemas devem ser superados por nós dois. Eu sou o seu apoio, da mesma forma que você é o meu. – se inclinou, e com suavidade apoiou a testa contra a de seu noivo. – Me promete que nunca mais voltará a me esconder nada. Você sabe de sobra que pode confiar em mim.
- Sakura... – realmente aquele não era o melhor momento para lhe confessar sua condição sexual e forçar uma ruptura anunciada, mas era algo que levava retrasando por tempo demais. Gostava dela, sim, como uma irmã ou uma melhor amiga, mas não a amava. Ela não era a pessoa com a qual queria despertar cada manhã, nem passar o resto de sua vida. O idiota do Naruto havia ocupado esse posto e era algo irreversível.
Com sua imagem traçada na mente recordou a última vez em que o viu, justo antes de começar a missão, e logo em sua mente vieram as últimas palavras do jornal, nas quais anunciavam o quadro clínico reservado de outra pessoa implicada na prisão.
- Onde está o Naruto? – perguntou com urgência.
- O Naruto você disse?
Repentinamente Sasuke sentiu uma incomoda sensação de sufoco, como um mal presentimento, e seu coração começou a palpitar com força.
- Por que está perguntando por ele?
- Onde está – exigiu ignorando a pergunta da jovem.
Sakura ficou sem resposta durante uns instantes, observando a inquisidora atitude impaciente de seu noivo antes de responder com cuidado.
- Pelo visto estava colaborando com a polícia de Konoha na prisão, quando um veículo não identificado o atropelou. Agora mesmo se encontra ingressado na emergência com traumatismo céfalo-craniano.
Ingressado?
Sasuke notou como um forte nó opressor tomava conta de sua garganta, enquanto o pulso se acelerava até um ponto doloroso. Tentou falar, mas durante uns segundos ficou mudo, com os olhos muito abertos e cravados em Sakura. O que demônios havia feito esse idiota para acabar assim?
- Ele... Está bem? – pronunciou a duras penas entre fortes náuseas, lhe agitando a garganta.
- Está em coma. – sussurrou aflita – Tem uma perna quebrada e alguns ferimentos, mas o golpe mais forte foi na cabeça. Não se sabe o dano que sofreu sua mente até que acorde. Tudo depende de sua evolução.
Uma asfixiante dor subiu repentinamente desde seu estômago até sua cabeça, cortando-lhe de golpe a respiração. Ao seu redor tudo começou a perder a definição, não escutava e não sentia mais nada que não o violento palpitar de seu coração, martelando o peito. Os braços começaram a formigar-lhe e seu corpo se tornou pesado e débil, tanto que por um momento Sasuke acreditou que estava sofrendo um ataque do coração.
Veemente afastou o lençol e tentou incorporar-se, ignorando a dor de suas feridas. Tinha que vê-lo, comprovar por si mesmo que se encontrava perfeitamente e despertá-lo a golpes se necessário.
- Esse idiota. – resmungou irracível tentando desfazer-se da agulha do soro em seu pulso. Se não tivesse se metido no caso, não teria lhe ocorrido nada.
- O que está fazendo? No seu estado, você não pode se mover! – Sakura tentou sujeitá-lo contra a cama, opondo resistência – Você acabou de sair de uma cirurgia, por acaso você quer que os pontos se abram?
- Me dê as muletas. – demandou uma vez que conseguiu sentar-se na borda da cama, era o máximo que podia conseguir dado ao seu débil estado físico.
- Não vai se levantar. – negou ela decidida – precisa descansar.
- Sakura – pronunciu com uma voz severa e autoritária. Ergueu o braço bom e o estendeu apontando demandante aos apoios – me dê.
Tão firme era seu olhar, sua voz e seus gestos inexoráveis, que a jovem não pode fazer outra coisa senão complacê-lo.
- O que demônios está acontecendo com você? – questionou ajudando-o com cuidado a se pôr de pé. – Da onde vem tanta urgência em vê-lo?
- Você não entende.
Com passos instáveis avançou até a porta, mas apenas deu dois passos quando a jovem se interpôs em seu caminho, obrigando-o a parar.
- Claro que não entendo. – disse com o cenho franzidoe com as mãos no quadril – Porque você nunca me conta nada. Sendo assim, me explique.
Sasuke suspirou pesadamente esfregando os olhos em cansaço. Bem, se era isso que queria, lhe daria uma merecida explicação.
- Estou apaixonado por ele.
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Branco.
A maioria das vezes, não conseguia visualisar em sua mente nada mais que um extenso espaço de um branco absoluto. Sem formas, nem odores, sem objetos, nem cores.
Apenas branco. Uma cor que sempre lhe havia produzido uma sensação de alívio e conforto, que em ocasiões lhe ajudava a aclarar seus pensamentos e seu espírito, mas que naquele momento, fechado nesse etéreo espaço, lhe deixava solitário e frio.
Outras vezes, poucas, esse branco impecável começava a diluir-se, a tornar-se menos túrbio e cegador, e de repente tudo cobrava forma e vida, e Naruto se surpreendia revivendo durante escassos momentos a turbia lembrança de disparos, gritos, um forte golpe contra um carro e o som estridente de uma sirene de ambulância.
Não se lembrava de mais nada, nem rostos nem nomes.
Nem sequer sentia dor.
- "Hinata, o que significa ter uma metade da laranja?"
E era tão agradável a sensação de encontrar-se livre de cargas, de sofrimento, de tristezas e solidão. Não havia nada, e isso lhe proporcionava uma inusitada felicidade. A vida lhe parecia distante, junto com todos os seus problemas.
- "Jiraiya-sensei disse que as garotas que gostam de beber sêmen são chamadas de sua outra metade da laranja, mas não consigo entender. Que relação tem as laranjas com o pênis?"
Mas escutava, claro que escutava. Aquela voz lhe havia chegado em várias ocasiões desde alguma parte de seu subconsciente. Masculina e curiosa, um pálido eco que evocava frases sem sentido ao passo que carentes de decoro.
- "É por causa da vitamina C? Por que assim como as laranjas eu farei que cresçam sádias e fortes?"
Então Naruto começou a suspeitar que talvez se encontrasse em uma espécie de sono profundo, do qual não era capaz de despertar, mas tampouco conseguia desfazer-se dessa voz tão familiar. Estaria ficando louco? Ao menos que essa fosse a vulgar definição que se aplicava a aqueles que ecutavam vozes em suas cabeças.
- "Sai-kun, não é educado manter esse tipo de conversa com uma mulher."
- "Por quê? Por acaso você é outra metade da laranja de alguém que eu conheço?"
Naruto sorriu internamente. Ele também tinha uma outra metade da laranja. Algo estóico, emocionamente tosco e com um muito mau caráter, mas com uma língua prodigiosa. Se apenas utilizasse mais essa úmida boca para outras funções mais prazenteiras e não para insultos a alguém...
Esse bastardo do Sasuke.
Sasuke
Sasuke
Abriu os olhos em um golpe, lutando desesperadamente por emerger de seu sono forçado para a realidade, e se incorporou com ansiedade.
- Sasuke! – gritou quando ao fim pôde recordar tudo. A missão, Fugaku, o disparo, as balas, o golpe, a ambulância, médicos gritando ordens ao seu redor.
Tentou mover-se, sair da cama onde se encontrava preso, mas uma dor lacerante em suas costelas e um grosso gesso em torno de sua perna esquerda lhe impediram de qualquer tentativa. Deslocado e ansioso, moveu rapidamente a cabeça para ambos os lados, recorrendo os rostos conhecidos dos espectadores reunidos em torno de si.
- Na.. Naruto-kun, como você se... sente? – perguntou uma tímida Hinata ao seu lado esquerdo.
- Onde está?
- Vo... Você está no hospital – vacilou a jovem, dando um significativo olhar a Sai, justo em frente a ela, ao lado direito do loiro – Você sofreu u... um acidente e...
- Eu não, ele! – interrompeu veemente. Estendeu uma mão até conseguir agarrar a gola da camisa de Sai e aproximá-lo ameaçante, sondando-o com o olhar. – Onde está o Sasuke!
- Está em um quarto no terceiro andar. – informou calmamente.
O rosto de Naruto mudou para um grave.
- Também está no hospital? – perguntou em dúvida, com os olhos desorbitados – O que aconteceu com ele?
- O pai dele atirou contra ele.
- Atirou nele? – repitiu com a voz tremula, enquanto que um aterrado gesto de pânico cruzava seu rosto – Mas ele está bem, não é? Ele não... Ele não... – afogou um lamento, e com raiva agarrou Sai por um braço, sacudindo-o bruscamente. – Me diz que ele está bem.
- Está bem – concluiu com sua habitual falta de expressão facial e raro transtorno psicológico – Sakura-san disse que logo despertará.
- Graças a Deus.
Com pesades e um longo suspiro de esgotamento, Naruto se deixou cair novamente sobre a cama, levando uma mão às suas costelas doloridas. Estava lhe passando o efeito da morfina.
- Sasuke... – pronunciou inesperadamente Sai, atraindo de novo a atenção dos presentes – é o homem com quem você está saindo.
Não era uma pergunta senão uma afirmação, da qual Naruto se absteve de responder o evidente e simplesmente girou o rosto para o lado contrário, fugindo de seu olhar.
- E também o noivo da Sakura-san. – prosseguiu Sai, levemente mal humorado.
Descobriu isso poucas horas depois que transferiram Sasuke para um quarto próprio. Ela era sua noiva, e como tal, permaneceu imóvel ao seu lado o tempo todo. Ela era a cliente que solicitou os serviços de Naruto para investigar as supostas infidelidades de seu namorado. Infidelidade que Sasuke perpetuou posteriormente junto a Naruto, enquanto ela vivia na ignorância.
Mas isso não foi tudo. A prova definitiva veio pouco tempo depois.
- Eu vi as fotos que você esconde na gaveta do seu escritório. - confessou o moreno sem remorso, com se o fato de ter violado a intimidade privada de seu companheiro não fosse um delito importante – No final não as entregou.
E Naruto emudeceu da mesma forma que alguém que foi descoberto, mas não se atreveu a pôr em evidência seus pecados. Afinal, as mentiras sempre havia tido pernas muito curtas.
- Você tem que contar. – ordenou repentinamente Sai (ordenou Sai, repentinamente bravo) bravo.
- Não posso. – sacudiu o rosto em forma negativa e replicou – Não corresponde a mim tomar essa decisão.
- Por que não? – insistiu.
- Porque não é ético, Sai. Porque ela não merece saber de tudo por alguém que faz parte das infidelidades. Entende?
Mas fazer com que Sai entendesse algo, era quase tão impossível como fazer o velho Ero-sennin deixar de visitar seus habituais clubes.
- Então farei eu. – sentenciou Sai.
Confuso, Naruto franziu o cenho, fazendo com que os extremos de suas sobrancelhas quase se tocassem.
- Por que você tem tanto interesse em que Sakura saiba? – inquiriu em dúvida.
Sai moveu os lábios, mas deles não saiu nenhm som.
O certo era que nem mesmo ele sabia.
Qual interesse ou benefício lhe podia proporcionar que ela estivesse a par de tudo isso? Nenhum evidentemente. Ele não era do tipo de pessoa que perdia seu tempo em assuntos triviais que não lhe cabiam, e menos ainda em assuntos de alguém com quem nem sequer havia dividido nenhum tipo de prazer carnal. Mas, por alguma estranha razão, um agudo desassossego se agitava dentro de seu peito ante a imagem de uma Sakura submergida na tristeza, afogada em lágrimas, vivendo uma mentira e casada com um homem que jamais a amaria.
Não, não poderia permitir isso...
Sai desviou ligeiramente o olhar para seu baixo ventre.
... Pelo menos até conhecer a relação que tinham as laranjas, o pênis e o favoritismo por beber sêmens. Mais tarde passaria pela biblioteca para investigar isso da vitamina C.
Sem prévio aviso, o detetive deu meia volta e começou a caminhar para a saída.
- Aonde você vai? Sai! Sai! – gritou Naruto, mas se o jovem escutou sua ordem, não deu indício algum disso e continuou seu passo até desaparecer pela porta. – O que demônios está acontecendo com ele?
- Eu acho... Acho que ele gosta dessa mulher. – comentou a jovem.
- Ele gosta dela? – piscou em assombro. – Mas ele não era gay?
Hinata afastou o olhar rapidamente com um leve rubor sobre suas bochechas enquanto seus dedos índices começaram a se frotar entre si, em um claro gesto nervoso.
- Me ajuda a levantar. – lhe indicou seguidamente Naruto, afastando com um gesto enérgico o lençol e estendendo um braço par a mulher – Quero ver o Sasuke. E claro, onde está o Gaara?
- Aqui.
No batente da porta descobriu-se o dito cujo com uma bolsa de papel entre as mãos, e ao seu lado, a alta e conhecida figura do seu velho chefe Jiraya, que com um ladino sorriso nos lábios e com os braços cruzados relaxadamente, o olhava com certa ternura.
- Garoto, já estava achando que você estivesse com um pé no outro lado. E não me equivocava quando disse que você é um imã para problemas. Se há algum perigo em um raio de três milhas de distancia, ele irremediavelmente te encontrará. – comentou raivoso Jiraya, aproximando-se da cama até ficar sentado nos pés dela – Moleque, você reduz o tempo da sua vida e de todas as pessoas que te rodeiam cada vez que o seu obstinado cérebro crê ter uma ideia brilhante. Então, simplesmente deixe de pensar.
- Você está brincando, não é? Não há nada nesse mundo que consiga derrotar Uzumaki Naruto. – gabou-se arrogante.
-Uzumaki, o idiota fica melhor. – respondeu mordaz – A próxima vez faça o favor de não sobreviver à catástrofe.
Ah nada como estar de volta com a família para que te levantem o ânimo caído.
- Eu também estou feliz em te ver, Ero-sennin.
Jiraya grunhiu insípido, como a única confirmação de que ele também estava feliz em vê-lo, ainda que não conseguisse esconder um meio sorriso.
- Graças a você eu tenho trabalho acumulado. – recriminou
- E com certeza a maioria são vídeos pornôs que ainda não foram revisados. – rebateu mordaz o loiro.
O desavergonhado e contagiante riso de Jiraya ressonou fortemente no local.
- O pornô é a inspiração, e a inspiração é a musa que nos faz sonhar. Ou você por acaso acredita que as minhas novelas se escrevem sozinhas?! – acrescentou indignado – E falando de vídeos, olha o que eu te trouxe.
No chão, ao lado de Gaara, Naruto conseguiu ver uma caixa de papelão de dimensões estranhas e logotipo ainda mais estranho. Icha Icha Paradise... O nome lhe era familiar, mesmo quando não recordasse de onde.
- Hinata, abra. – lhe indicou risonho o velho.
Naruto não se surpreendeu ao encontrar no interior da caixa um esconderijo para a pornografia barata dos vídeos, e centenas de livros escritos e dedicados diretamente a ele. E não é que Naruto não lhe agradecesse, mas sua libido estaria em um estado de ânimo muito melhor se toda a porção de obscenidades da caixa não fosse exclusivamente hétero, e ele não fosse gay.
- Desta forma você poderá saciar seu apetite até que lhe deem alta.
- Você fez de propósito, não é? – repreendeu Naruto carrancudo.
Com um gracioso movimento Jiraya se inclinou sobre ele, tanto que este se viu forçado a jogar a cabeça para trás para poder olhá-lo sem que lhe embaralhasse a visão.
- O que você precisa é ter um dia de putas comigo. – sussurrou com um sorriso enviesado, erguendo repetidamente suas brancas sobrancelhas em um claro gesto degenerado. – Daí você não iria querer apertar nada mais duro do que os firmes e macios peitos de uma mulher com cento e seis. Desta forma iria se livrar de uma vez de toda essa besteira de ser gay. Conheço uns movimentos pélvicos que fariam com que todas gritassem o seu nome como loucas.
E para dar mais ênfase em suas palavras, se levantou e começou a mover o quadril obscenamente.
- Velho pervertido. – recriminou, e esboçando um mordaz sorriso, Naruto adicionou – Na verdade quem precisa mudar de gênero é você. Eu soube que não faz muito tempo você fez sondagens permitidas na parte traseira do seu motor.
- O que está querendo insinuar, pirralho? – se exaltou, apontando-o com um dedo acusador. – Os supositórios foram receitados pelo médico. Não são por vício!
Naruto riu relaxadamente, ao passo que levava uma mão ao seu lado direito dolorido.
- Não me faça rir, porque se eu rir a única costela saudável que me resta vai quebrar.
Era tão gratificante poder compartilhar o tempo com seus seres queridos.
- Eu te avisei para não se aproximar desse maldito clã.
O loiro ergueu o rosto a tempo de ver um gesto reprovador impresso no rosto de Jiraya. Ali vinha sua primeira repreensão.
- Se te tirei do caso, não foi porque não confiava nas tuas capacidades e sim para evitar precisamente esta situação. – o velho moveu a cabeça com desaprovação, como um padre que repreende ao seu filho – Por que não escuta o que eu te digo?
- Eu te escuto, só não te dou muita atenção. Você é um paradoxo. – girou o rosto para o lado evitando cruzar-se com o olhar acusador, com a esperança de que com o gesto evitasse ouvir um sermão mais que justificado.
- E olha o que tem conseguido com essa sua irresponsabilidade, com essa sua falta de juízo. – recriminou com firmeza – Estar vivo é um milagre. – buscou o esquivo olhar de Naruto, que envergonhado, enterrava o rosto em seu peito – Nunca me escutas, nunca escutas a ninguém mais que a você mesmo. Tão obstinado, tão idiota, insubordinado e insensato.
- Para não dizer teimoso, inflexível, imprudente. – adicionou Gaara.
- Eh, isso não vale – recriminou o loiro erguendo um dedo acusador – São dois contra um.
Mas como sempre, de nada serviria brigar com Naruto. Por mais impulsivo que fosse, por mais que camuflasse com perfeição essa parte imatura e inflexível que o habitava, ver seus lábios contraídos e o olhar caído em sinal de profundo arrependimento sempre terminava abrandando-lhe o coração.
- Volte a me dar um susto como esse e juro que eu mesmo te matarei. – ameaçou Jiraya, relutante a permitir que sua, justificada, fúria se rendesse aos pés de seu enérgico discípulo.
Com um gesto rápido, evitando que pudesse ver o pequeno sorriso que havia arqueado seus lábios, Jiraya girou e retomou seus passos para a saída.
- Vamos Hinata. Vamos deixar esses dois garotos a sós.
Uma vez que a porta se fechou, o ambiente diluiu-se em um incômodo silêncio.
- Você também vai me repreender? – sussurrou Naruto alisando distraidamente as milhares de dobras que estavam no cobertor.
- Não.
- Bem, porque eu já tive o suficiente com o velho. – sorriu e com um gesto despreocupado com a cabeça, assinalou para o pacote. – O que tem na sacola?
Gaara ergueu a sacola e um mal dissimulado sorriso se desenhou em seus lábios.
- Ramen. – respondeu. Os olhos de Naruto se encheram de estrelas.
- Ahh, ninguém te entende melhor que a família.
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Encontrá-la não foi difícil.
Bastou um par de perguntas para a pessoa certa para localizá-la em um pequeno terraço, sentada nas escadas de emergência do hospital.
Para Sai nunca lhe havia perturbado nenhum tipo de cena, na realidade, poucas coisas conseguiam perturbar seus nervos de aço, mas aquela imagem na escada conseguiu inquietá-lo; Sakura, com os ombros curvados, mãos ocultando seu rosto e encurvada para frente, soluçava trêmula e cansada.
- Sakura-san.
Não obteve uma resposta imediata. Lentamente, como se custasse a própria vida, ela ergueu minimamente o rosto e o olhou por entre as mãos que ocultava seu rosto. Sua primeira reação foi de assombro, depois, de desconcerto calmo, até acabar em uma total preguiça.
- O que está fazendo aqui? – perguntou baixando o olhar de novo para o solo.
- Estava te buscando.
- Vá embora, por favor. – lhe pediu baixo – Hoje não tenho forças para brigar contigo.
Mas Sai não moveu um só músculo. Nem sequer quando a olhou apertar fortemente os punhos e soluçar.
- Me deixa – insistiu – Quero ficar sozinha – inclusive o simples fato de falar lhe causava dor.
Pensou em ir embora, em lhe conceder o desejo de chorar com sua própria intimidade. Sai não era bom exteriorizando sentimentos e o apoio emocional que poderia lhe proporcionar naquele momento – e seguramente em qualquer outro – seria o equivalente ao de uma pedra. Entretanto não o fez. Permaneceu quieto com seus grandes e inexpressivos olhos negros cravados nela, questionando suas próprias dúvidas.
Pensou brevemente tentando encontrar uma explicação para o seu desconsolo, mas Sai tão pouco era bom dando respostas às perguntas mais óbvias. E naquele momento o único que desejava era abraçá-la, protegê-la, cuidar de sua dor, e nunca mais voltar a olhar para esses grandes olhos verdes tão vazios e carentes de vida.
Desejava confortá-la, mas estava muito perdido para saber como fazê-lo.
- Aconteceu algo? – se aventurou a perguntar.
Os lábios pequenos de Sakura sorriram, mas não seus olhos.
- Não é do seu interesse.
- Pode me contar – lhe animou calmamente – Não direi a ninguém.
- Não há nada para se contar – grunhiu irritada.
- Então por que choras?
- Não estou chorando! – gritou esfregando com força seus olhos, borrando o caminho úmido. – Maldito seja, te disse que me deixasse tranquila, por acaso não escutas?
Sakura se levantou, e Sai não pôde mais que assombrar-se de seu aspecto adorável. Aquele rosto contorcido era a máscara da angústia, tão pálido e contorcido que se tornava quase doentio, emoldurado por um profundo caminho de lágrimas, pálpebras inchadas e olhos injetados de sangue.
Sai sentiu que a imagem lhe atravessava de fora a fora.
A jovem começou então a caminhar para a saída e Sai inconscientemente a seguiu, alcançando-a justamente quando girava a maçaneta da porta entreabrindo-a. Com um golpe brusco do punho o detetive voltou a fechá-la, cobrindo a passagem com o outro braço.
- Foi ele? – perguntou com um tom mais áspero que o habitual – Seu... Noivo?
Sakura afogou um soluço e trêmula abraçou os ombros em um gesto tão desesperado, quanto doloroso. Não respondeu, mas tão pouco foi necessário. Sai se aproximou lentamente, tão próximo que podia perceber seu doce aroma, tanto como o estremecimento de seu corpo, e com ternura levou uma das mechas róseas para trás da orelha.
- Me conte – sussurrou-lhe fechando os braços em torno de seus ombros, protegendo-a em seu peito.
As defesas de Sakura se quebraram naquele instante.
- Me mentiu. – sussurrou em um fio de voz – Durante todo esse tempo estava grosseiramente me traindo. Uma mentira depois da outra, uma desculpa depois da outra. Não era eu, nunca fui eu. Não gostava de mim, não me desejava – apertou com raiva os punhos e tomou ar enchendo bruscamente os pulmões – Nunca me amou!
Inclinou-se para frente, segurando os antebraços do detetive como se fosse um náufrago à sua tábua de salvação e novas lágrimas começaram a brotar de seus olhos.
- Eu teria compreendido – soluçou entre gemidos – se me tivesse sido infiel com uma mulher, eu... Não o teria perdoado, mas teria aceitado a minha derrota. O amor tem prazo de validade, não é verdade? O casal depende que a chama nunca se apague. Mas com um homem... Alguém do mesmo sexo... – negou lentamente com a cabeça – Não é uma questão de competição entre mulheres, tão pouco de virtudes ou defeitos. Trata-se de gostos completamente diferentes, de uma condição sexual totalmente oposta. Está apaixonado por um homem!
Sakura se sacudiu, girando para o detetive com um movimento decidido, e com os braços rígidos prendeu fortemente entre os dedos a camisa do moreno.
- De um homem! – repetiu ainda incrédula. – Estou há quatro anos com ele e agora me confessa que está apaixonado por um homem. Diga-me então, em que posição ele me deixa em tudo isto? O que eu tenho sido para ele até agora, senão um prêmio de consolação? Nada mais do que uma grosseira cobertura para seus atos!
Inclinou o rosto, e notando como algo em seu interior se rompia em mil pedaços, Sakura rompeu em prantos. Necessitava dele, verdadeiramente necessitava descarregar toda essa raiva e frustração que apertava seu peito. Chorar até esgotar suas lágrimas, gritar até ficar exausta. Sua vida, seu mundo, sua felicidade, seu coração. Tudo havia sido quebrado em pedaços pela pessoa que supunha passar o resto de sua vida; por seu amigo, seu companheiro, seu único amor.
Notou uns braços rodeando-a os ombros com um terno afeto, embalando-a com seu doce tato, e tentou resistir. Não precisava de compaixão, nem da dele, nem da de ninguém. Mas foi apenas por alguns segundos que acreditou ter mantido o controle, antes que cedesse ante o necessitado abraço e desejasse que as quentes mãos de Sai a sustivesse, a esquentasse, a mimasse e a consolasse. E desconsolada, se fundiu com ele, apertando-lhe a cintura com as mãos fechadas, entregando-se completamente ao acolhedor sossego.
E Sai disfrutou daquele instante, mesmo com toda a dor que havia nele.
Deixou que ela chorasse longa e fortemente sobre seu peito, tentando em vão acalmar com seu braço as fortes tremedeiras de cada lamento, envolto em uma atmosfera de intimidade inabitual. Ao seu redor o tempo parecia ter parado. Era a primeira vez que a distância entre eles se encurtava tanto, e Sai não pôde evitar querer aderir a essa sensação acolhedora e cálida pelo resto de sua vida. Apoiou o queixo sobre sua cabeça rosada e levou alguns minutos para conseguir encontrar palavras de apoio e compreensão necessárias. Mas como sempre, nada normal e não erótico lhe vinha à mente, desta forma preferiu – acertadamente – guardar silêncio.
Quando conseguiu apaziguar o choro e que o corpo dela parasse de estremecer-se, Sakura se afastou um pouco, com os dedos ainda firmes na camiseta e o rosto cabisbaixo.
- Me desculpe. – se desculpou esfregando o dorso da mão contra a bochecha. – Eu molhei a sua camiseta.
Não estava muito segura do que aconteceu depois, mas logo se viu impulsionada pela nuca até o detetive e seus lábios se chocaram contra a boca ansiosa deste. Aturdida pela língua feroz que lhe invadia, Sakura se agitou em uma lânguida tentativa de recusar o úmido contato, segundos antes que ela mesma o atacasse com a sua, o beijasse, o mordesse, lhe roubasse o ar e empurrasse seu corpo contra o firme torso deste. Rendida ao carinho que Sai lhe proporcionava, se descobriu ansiosa por uns braços que a consolassem, uns lábios que a acalmasse com ternos beijos, um corpo que a abrigasse, a protegesse, e acalmasse o acelerado batimento de seu peito.
Ansiava tanto sentir-se amada, sentir-se correspondida.
Em um impulso Sai a levantou, fazendo-a lhe rodear o quadril com suas pernas, enquanto retrocedia até uma parede próxima e a empurrasse, deixando-a aprisionada entre seu corpo quente e o duro muro. Os beijos se tornaram mais ávidos, mais necessitados, os gemidos lascivos, suplicantes, sufocados, as respirações entrecortadas, e o calor asfixiante irradiando de seus corpos.
E de repente um incômodo som de algo eletrônico quebrou a apaixonada atmosfera.
Com um gesto torpe, Sakura afastou um pouco o rosto, momento que Sai aproveitou para deslizar sua faminta boca pelo pescoço da jovem, mordendo, lambendo, subjugando, enquanto ela retirava algo de dentro do bolso de sua saia.
- Me... Me procuram. – balbuciou sufocada olhando o aparelho.
Sai se deteve, e contemplou assim como ela a mensagem na brilhante tela.
- É uma chamada de emergência. – informou estranhamente. Com facilidade saiu da cerca que eram os braços de Sai, e abriu a porta de emergência que comunicava o terraço com o hospital.
Ao seu redor, as enfermeiras iam e vinham com passos rápidos e de diferentes direções, gritando algo sobre assistência médica urgente para um paciente e para o corpo de polícia. Notando uma insipiente angústia fria estendendo-se sob seus pés, Sakura se introduziu no corredor de onde saia todo o alvoroço, e sua respiração se cortou em um golpe.
Era o quarto de Sasuke.
Rapidamente abriu passo entre as enfermeiras até chegar ao quarto, só para contemplar uma cena que gelou ainda mais seu interior. Sasuke se encontrava na cama com uma parada cardíaca, enquanto os médicos e enfermeiros ao seu lado usavam o desfibrilador, tentando recuperar seus sinais vitais.
- Sasuke! – correu até ele como uma alma levada ao diabo e retirou de forma violenta o posto do médico que utilizava os eletrodos. – O que demônios aconteceu?
- Não temos certeza – informou o docente – mas acreditamos que tentaram matá-lo.
- O que?! – gritou com o rosto envermelhado e os olhos desmesuradamente abertos, enquanto não cessava em seu empenho para lhe recuperar o pulso. – Como isso foi possível?!
- Uma enfermeira disse que viu sair precipitadamente do quarto um homem de pele pálida e com um leque vermelho no ombro, depois de ter injetado nele algum tipo de droga no soro.
Maldição, esse era o emblema do clã Uchiha. Por acaso o seu pai não o deixaria tranquilo nem mesmo em um hospital?
- Sasuke! – a jovem mordeu os lábios com raiva, e engoliu as lágrimas que ameaçavam surgir. Não podia perdê-lo daquela forma, não podia tirá-lo dela assim. Pediu mais uma carga para uma enfermeira e procedeu a efetuar novamente a massagem cardíaca – Reaja, maldição!
Um apito incessante no monitor a fez erguer o rosto e aterrada comprovou como a linha horizontal na tela se modificava afinal.
- SASUKE!
Já não havia solução.
Continuará...
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N/A: Eu e meus finais de infarto... definitivamente se tornou um vicio insano para mim. Será a primeira vez que eu carrego um personagem... ah, que dilema xD Pelo menos não morrerá sem ter revelado seu segredo para a Sakura.
Com disse a princípio, um capitulo a mais e isto terá terminado. Me dá um pouco de tristeza, mas como sempre digo, coisas novas devem nascer, e como já começam a me acumular ideias (leia-se devaneios) na mente.
Dúvidas, reclamações, ameaças e extorções, na caixinha da review. Nos vemos no último capítulo.
Beijos, Naruko.
Obrigada por suas reviews.
Notas da tradutora: Acho que o primeiro que lhes devo é uma big: DESCULPAS. Esta fic é fabulosa e Naruko é fabulosa, então depois de conversar com a Lyra Kaulitz (beta *-*) –sim o destino nos uniu ;) - eu me senti culpada e decidi acabar esta tradução! Se ainda houver alguém lendo isto eu lhes peço: não desistam, pq agora eu acabo! 8 semanas é perfeita demais para ficar no vácuo!
Sobre uma review estúpida e infantil eu só tenho a dizer: falem o que falem, a opinião de vcs é preconceituosa e fedorenta u.ú
Quero agradecer aos leitores: Joly, Guilherme, Cris UchihaxSasuNaru Freak, Izzi Ryuzaki, Camila Uchiha, Dani-chan, Cami, ProngsPink.
Em no máximo uma semana estarei postando o cap 16!
Beijos ;**
p.s.: realmente me desculpem por não ter postado antes!
Kappuchu09
