Fazia um belíssimo dia naquela manhã de primavera e o azul do céu estava mais vivo do que nunca. Isso ressoava nos pássaros que viviam ao redor do castelo onde através de seus cantos mostravam a beleza daquele dia. Paradoxalmente Regina estava se sentindo nublada por dentro. Não conseguia mais comtemplar a beleza da natureza como conseguia antigamente e isso a deixava frustrada por dentro.
E normalmente Regina se deprimia ainda mais ao se levantar da cama e ver alguém que não amava deitado ao seu lado da cama. Ainda mais depois de ter ido dormir embalada pelas lágrimas causadas por Leopold na noite anterior. Regina não era obrigada a saber que Snow era alérgica ao fruto do junípero. Leopold disse que em seu castelo não entrava plantas mágicas e que o junípero como já rezava a superstição tinha propriedades para afastar demônios e espíritos malignos.
Aquele maldito rei ficava bradando e gritando aos quatro ventos que se alguma coisa acontecesse com Snow ela seria a única culpada de tamanha desgraça. Mas não era a intenção de Regina matar Snow com o fruto do junípero. Ela realmente tinha planos para acabar com a vida daquela garota mimada, mas com certeza a mente de Regina tramava ideias mais dolorosas para quando acabasse com a vida de Snow. O sonho da rainha era ver sua enteada agonizando e sentindo muita dor. Queria causar a Snow uma dor pior do que a garota causou para ela e por isso desejava ter os mesmos poderes de sua mãe para poder eliminar Snow através da magia.
A jovem rainha havia acordado naquela belíssima manhã com os olhos inchados de tanto chorar e o Leopold fez questão de obrigar a esposa a falar com os criados a fim de dar instruções sobre o cardápio do almoço real. Justo quando Regina preferia ficar sozinha remoendo as suas próprias mágoas e tristezas ela era obrigada a encarar toda a criadagem. Leopold tinha a fama de ser um rei justo, mas quando queria ele sabia ser um homem desprezível.
Quando desceu aquelas longas escadas em direção a cozinha Regina era obrigada a escutar os murmurinhos que eram ditos ao seu respeito pelas arrumadeiras do castelo que viviam a vida em função de falar da vida alheia, ou seja, da vida da rainha.
- Reparou que a rainha está de luto! Só anda de preto pela casa! – sussurrava uma arrumadeira que aparentava ter no máximo uns vinte anos de idade.
Regina escutava aqueles comentários sobre ela e questionava porque a vida para ela tinha que ser tão difícil. O tratamento que ela recebia no castelo era pior do que eram destinados os animais para abate. Aliás, diariamente ela sentia que estava ali para ser engordada para depois ser condenada a morte.
O coração de Regina estava tão machucado pelas circunstâncias da vida que a rainha sentia que a cada dia perdia a capacidade de nutrir sentimentos por qualquer coisa que fosse. Havia apenas restado em seu coração toda mágoa e ódio que sentia pela aquela ingrata da Snow. E aqueles serviçais inúteis sabiam como se aproveitar de toda vulnerabilidade de Regina apenas para fazer comentários da rainha pela casa.
Mesmo com toda a tristeza que tinha estampada em seu rosto Regina aquele dia estava completando mais um ano de vida. Mas isso nem a estava incomodando mais, pois a rainha havia decidido que nunca mais iria querer comemorar seus aniversários por considerar tudo uma grande perda de tempo. Mas ao mesmo tempo ficou triste porque havia se dado conta de que ninguém havia se lembrado de seu aniversário. Pelo contrário recebeu o desprezo daquele inútil que tinha como marido. Mas se Daniel estivesse vivo com certeza ele não se esqueceria dessa data e a presentearia com belíssimas flores que ele mesmo colheria com todo o amor do mundo.
Ao mesmo tempo em que queria apagar todos os sentimentos de seu coração Regina nutria e guardava em um lugar bem especial de seu coração toda a história que viveu com o grande amor de sua vida. Quando deixava uma lágrima escorrer por seu rosto foi surpreendida pelo mensageiro real com uma carta endereçada a ela. Regina imediatamente dispensou o mensageiro e se trancou no quarto para ler a carta. Seu coração se encheu de felicidade ao ver que era uma carta de seu pai tão amado.
- Ah, meu querido pai! Sabia que você nunca se esqueceria desta data!
Minha querida filha! Mesmo eu não podendo estar aí hoje com você eu quero que você saiba que seu pai a ama imensamente e que eu nunca me esquecerei da data mais linda e importante do mundo para mim que foi quando eu fui agraciado com a linda benção de ter uma filha doce e amorosa como você. Foi quando realmente eu descobri o sentido do verdadeiro amor. Eu não sabia que seria possível amar tanto uma pessoa como eu amo você. O amor que eu sinto por você ultrapassa todas as barreiras que eu seria capaz de dar a minha vida somente para ver a sua felicidade. Beijos de seu pai que a ama muito.
Henry
Aquela carta fez Regina chorar como uma criança indefesa. E um pouco de amor adentrou o coração da rainha. Ela sentia por seu pai um amor que ela também descreveria como incondicional, pois ele sempre a defendia dos excessos que Cora impunha na criação de Regina.
- Pena que aquela garota dócil, amorosa, sensível e sonhadora morreu! Ela simplesmente deixou de existir quando eu vi a minha própria mãe arrancando o coração de Daniel. Eu senti a dor que ele sentiu como se meu coração também tivesse sido arrancado junto com o dele. Aquele dia simbolicamente eu perdi a minha vida, pois quando eu vi o coração do grande amor da minha vida sendo transformado em pó pelas mãos da minha própria mãe foi como se eu tivesse perdido o meu coração. O meu coração foi arrancado naquela noite melancólica e partir daquele dia decidi colocar um pedra fria em seu lugar. Queria não ter mais sentimentos para não sofrer novamente tudo o que eu sofri. Meu pai infelizmente aquela Regina que você conheceu não existe mais porque ela morreu.
Ao ver toda a felicidade tirada de sua vida Regina afirmava mais para ela mesma do que para as pessoas de que o amor era uma fraqueza. No caso dela tinha sido uma enorme fraqueza e ela pagou da pior maneira possível. Regina sempre pensava como seria sua vida se ela não tivesse planejado a fuga com o Daniel. Talvez ele ainda estivesse vivo e os dois estariam apenas vivendo vidas diferentes, mas quando Regina quisesse ver o amor de minha vida ele estaria ali para ela poder olhá-lo mesmo que fosse de longe. Mas a vida gosta de pregar peças nas pessoas e Regina estava ali no dia do seu aniversário chorando todas as tristezas de sua vida. Logo tratou de limpar aquelas lágrimas que cismavam cair e que a desnudava e mostrava suas fraquezas para todas as pessoas verem.
