O dia ainda nem havia terminado de nascer direito no céu e Regina já estava de pé. Naquele momento a rainha estava em seus aposentos reais se preparando para alguns compromissos reais que ela tinha que cumprir com o inútil de seu marido. Ela mesma fez questão de se arrumar sozinha para o compromisso real e havia proibido a presença de qualquer empregado real dentro de seu quarto. Regina podia admitir para ela mesma que estava feliz. Há muito tempo que ela não se sentia assim. Ela ficava tantos dias presa naquela vida entediante que ela levava dentro daquele maldito castelo que quando ela tinha oportunidade de sair para algum lugar que não fosse os jardins reais do palácio ou algum castelo de alguma esposa inútil de algum aliado de Leopold ela se sentia livre como há muito tempo ela não se sentia. E ela estava repleta de compromissos para aquele longo dia, mas a verdade é que Regina nem ligava para esse mínimo detalhe já que ela ficaria horas longe daquela casa que a sufocava por dentro.

E já que aqueles momentos eram um dos raros em que Regina colocava os pés para fora daquele palácio maldito ela costumava aproveitar muito aqueles momentos de liberdade e sempre fazia questão de colocar um sorriso no rosto. Muitas vezes Regina se considerava como se fosse uma prisioneira de guerra, já que ela não tinha liberdade para fazer nada sobre a sua quanto mais tomar algum tipo de decisão sobre ela. Mas eram nesses raros momentos de liberdade que Regina costumava ser bem tratada pelo marido, já que Leopold prezava a aparência acima de tudo. Não gostaria que os plebeus vissem a sua esposa andando triste e cabisbaixa pelos cantos então naqueles momentos costumava tratá-la com mais respeito e carinho que como geralmente a tratava no castelo.

Apesar de ainda não ter conseguido a magia que tanto ansiava para se vingar de Snow, Regina sentia que a sua vida estava prestes a mudar e isso que a dava toda motivação de continuar a viver. Regina não tinha magia ainda, mas ela sempre sentia quando algo ia acontecer em sua vida e hoje ela estava certa de que alguma coisa ia acontecer para ela. Ela só não conseguia se perdoar de não ter sentido absolutamente nada quando Daniel morreu. Talvez sua mãe tivesse mesmo razão e o amor não passaria mesmo de uma fraqueza. E essa fraqueza havia tirado de sua vida a pessoa que ela mais amava.

Regina logo tratou de afastar estes pensamentos de sua mente:

- Hoje não é dia para sentir nenhum tipo de tristeza. Vou sair e aceitar o meu destino seja ele qual for.

Regina estava vestida esplendorosamente bem. Usava um vestido preto que marcava toda a sua silhueta e para calçar optou por um par de sapatilhas vermelhas cravejadas de rubis. Haveria muita caminhada pelo povoado e ela não queria sentir dor em seus pés. Ao invés da tradicional coroa ela optou por uma simples tiara. E logo ela estava pronta. Desceu as elegantes escadas do palácio e ficou contemplando algumas obras de arte do marido enquanto o esperava.

Os empregados que viram a rainha naquela manhã estranharam porque nunca haviam visto Regina tão bem e disposta. Sempre viam a rainha triste e deprimida andando pelo castelo e alguns empregados até juravam que ela estava sorrindo.

- Hoje a rainha parece estar bem disposta. Eu nunca a vi tão feliz deste jeito. - falava uma jovem feliz e serelepe

O rei logo desceu de seus aposentos e falou rispidamente com a esposa:

- Vamos logo que não podemos nos atrasar. Quanto menos tempo ficarmos naquele povoado será melhor para mim.

- Já estou pronta meu senhor. É impressão minha ou não está muito animado para ir ao povoado? Eu sempre gosto tanto dessas visitas. Costuma me fazer tão bem.

- Se faz bem para você não posso dizer o mesmo da minha pessoa. Só quero voltar para casa o mais rápido possível.

Ao dizer isso o rei puxou a esposa sem nenhum tipo de carinho para fora de casa. Leopold certamente não reparou na felicidade da esposa. Mas geralmente ele não se importava com nada que era referente à Regina. Ele apenas se importava com Snow e com mais ninguém. Regina poderia estar chorando lágrimas de sangue que ele não seria capaz de notar. O caminho até aquele pequeno vilarejo foi feito em um silêncio enlouquecedor. Leopold lia um pergaminho onde estava descrito todos os lugares que ele tinha que visitar e Regina estava comtemplando a estrada e deixando o vento daquele ambiente entrar em contato com seu rosto. Logo Leopold quebrou aquele silêncio e disse:

- Será que não poderíamos deixar a casa daquela senhora insana por último?

- Vossa majestade, eu receio que não. Aquela parte do vilarejo costuma ser muito violenta a noite. Vocês poderiam ser atacados por algum camponês descontente da vida. - respondeu o cocheiro

O rei não gostou de ser contrariado pelo cocheiro, mas não podia arriscar a sua vida. Se algo acontecesse a ele Snow ficaria totalmente desamparada e ele não queria tal destino para a filha. Já Regina preferia ignorar tudo o que rei dizia. Ela detestava tudo o que existia nele: modo de falar, de se vestir, de andar, de tossir e de pensar. Mas o que ela mais odiava no rei tinha apenas dois nomes: Snow White. Aquela garota insuportável conseguia tirar Regina do sério. Tudo nela soava perfeito demais. Ela era branca demais, era boa demais, se vestia linda demais. Leopold fazia de tudo para a filha dele ser perfeita e isso enchia Regina de ódio. Tamanho ódio que Regina só conseguia imaginar o dia da morte da garota.

Logo Regina e Leopold estavam na casa de Laura, a senhora que todos afirmavam ser maluca. Estavam com uma cesta cheia de frutas para a senhora. Aliás, esse era o principal objetivo que o rei queria. Que todos do povoado o vissem como um rei bom e justo. Laura era uma senhora de no máximo uns sessenta anos de idade e que havia ficado cega aos vinte anos de idade. Os mais antigos afirmavam que foi a partir desta data que a senhora ficou maluca e sempre dizia coisas sem sentido.

- Eu sei a verdade sobre tudo! - a senhora abriu a porta de seu casebre vociferando

- Hoje é o dia de visita ao povoado e estou ofertando frutas a todos os meus súditos. - disse o rei

- Eu não preciso. Eu sou mais que um número. Eu me recuso a fazer parte dessa sociedade que se entrega de corpo e alma a uma vida de aparências. E como você consegue viver assim? - diz institivamente apontando para Regina.

- Desculpe minha senhora eu não entendi a sua pergunta. - Regina diz

- Eu vejo muita dor e sofrimento em seu coração. Vejo que perdeu uma pessoa muito importante em sua vida.

- Como você sabe sobre isso?

- Eu sei das coisas minha querida. Eles me chamam de maluca, mas o fato é que eu posso ver a verdade que todos se negam a ver.

- Que verdade?

- Rainha, apenas você pode chegar nessa verdade. A vida que você leva eu sei que é dura e chega a ser torturante muitas vezes.

- Regina, vamos embora daqui imediatamente. - vociferou o rei

Regina tomada por um âmbito de coragem pela primeira vez na vida ousou desrespeitar o rei.

- Meu senhor! Eu vou ficar e querer saber o que essa senhora tem a dizer para mim.

- Vamos agora ou...

- Ou vai me prender no calabouço? Ou vai me humilhar na frente de todos os criados? Vamos me responda o que vai fazer? Porque se quiser me surpreender você terá que pensar mais. Porque com esses castigos eu já me acostumei.

O rei ficou sem palavras e disse a contragosto:

- Volto em meia hora para te buscar! Sem nenhum minuto a mais. Espero que seja breve minha senhora. E não encha a cabeça de minha esposa com bobagens.

- Eu não falo bobagem! Eu falo a verdade.

O rei nem esperou a senhora terminar de falar e saiu em direção em sua carruagem. Regina havia ficado sem ar, mas estava sentindo uma paz que ela não sentia há muito tempo.

- Entre rainha! Espero que aceite um copo de água desta humilde anciã. Creio que está precisando, pois está sendo um dia de grandes emoções.

- Eu disse o que estava preso em meu coração. Pela primeira vez em muito tempo eu consegui ser eu mesma.

- Nunca se esqueça de quem você é. Em breve você terá que fazer uma escolha que mudará a sua vida para sempre.

- Escolha? Que tipo de escolha?

- Não se preocupe. Algo aparecerá para você. E dependerá apenas de você saber como lidar com toda a situação.

Regina estava confusa, mas continuava a prestar atenção em tudo que aquela senhora estava falando para ela. Nem parecia a primeira vez que Laura a estava vendo. Ela a conhecia tão profundamente que Regina chegou a ficar toda arrepiada.

- Perder alguém minha querida é muito difícil. É triste e dói que eu sei. Mas será que deixar a raiva e o ódio em seu coração vai te fazer bem?

- Se vai me fazer bem ou mal eu não sei. Mas eu não consigo sentir outra coisa em meu coração, Desculpe, mas eu não consigo suportar mais isso. Está sendo tão difícil. Ela foi responsável por tudo. Ela matou o meu Daniel! Ela é uma assassina e vai pagar por tudo o que ela fez.

- Tem certeza que apenas é a Snow a culpada de tudo?

- Sim, ela é a única culpada e eu vou acabar com a vida dela nem que seja a última coisa que eu faça.

- Lá dentro de seu coração você sabe que não é apenas ela a culpada. Mas o amor dificulta tudo né minha querida? Você não suportaria ficar com raiva de uma pessoa que você ama.

- Do que a senhora está falando?

- Estou falando da sua mãe. Da Cora. É sua mãe não é?

Regina não conseguiu falar nada, mas as lágrimas que ela deixou escapar estavam dizendo mais que mil palavras.

- Chore minha rainha! Desabafe!

- Eu só que quero que ela pague. Ela não pode ser feliz nunca na vida tendo causado a minha infelicidade! Snow vai pagar por tudo que ela me fez.

- Quero apenas que você saiba que tudo da vida tem uma consequência. Se você aceita o bem em sua vida o seu coração fica em paz. Mas se aceitar o mal pode ser o fim de sua alma. Você gostaria de deixar ser quem você é.

- Talvez... Eu não sei! Sinceramente eu não sei. Eu só sei que eu odeio aquela garota com todo o meu coração.

- Receio que ainda não está preparada para a verdade! Mas em breve você terá que fazer uma grande escolha em sua vida. E que pode resultar em consequências ruins para você minha jovem. Vá agora minha jovem porque você tem muitas coisas para refletir agora.

Regina saiu da casa da senhora totalmente atordoada. Algumas lágrimas caiam livremente pelo seu rosto e sua vida estava passando em uma cabeça feito um caleidoscópio. Mas Regina percebeu que estava certa. Alguma coisa ia acontecer para ela hoje. Aquela mulher a conhecia perfeitamente todos os seus defeitos e qualidades. Ela sabia exatamente tudo sobre a sua vida e dentro de sua mente Regina tentava formular algumas perguntas.

- Que escolha é essa que eu tenho que fazer? Com certeza deve ser a forma que eu vou escolher para matar Snow. - pensava Regina

Mas o que a mais intrigava era o algo que ia aparecer em sua vida. O que seria? Essa pergunta martelava na cabeça da rainha. Seja lá o que fosse ela só saberia no momento certo.