Todas as palavras ditas pela velha anciã ainda ecoavam na cabeça de Regina. Ela saiu da casa da senhora mais confusa do que tinha entrado. Ela sentia que aquela senhora estava tentando transmitir algum tipo de recado, mas ela não era capaz de compreender naquele momento sobre tudo o que estava acontecendo em sua vida. Se já tinha a confusão dentro de seu coração aquela conversa com aquela velha não havia ajudado em nada. Certamente a senhora havia conseguido apenas plantar mais dúvidas na confusa cabeça de Regina. Ela se encontrava sozinha em seu quarto onde procurava formular em voz alta algumas perguntas que surgiam em sua mente ao mesmo tempo em que queria encontrar respostas para todas as dúvidas que habitavam seu turbulento coração.
- Por quê? Por quê? O que será que eu vou encontrar? E de que maneira irá mudar a minha vida? Por que esses videntes sempre gostavam de falar em código? E por que eu fui à escolhida? – eram perguntas formuladas por Regina que ficavam sem respostas.
Regina escutou algum barulho do lado de fora de seu quarto, mas nem fez questão de esboçar nenhum tipo de reação. Estava mais concentrada em seus pensamentos do que ir atrás de alguma arrumadeira que certamente gostaria de fazer alguma fofoca sobre a sua vida. Mas aquele barulho não foi feito por nenhum dos serviçais do castelo e sim pelo próprio marido. Logo em seguida, rei Leopold entra em seus aposentos reais. Ao entrar encontra a esposa absorta em seus pensamentos.
- Vejo que todo esse silêncio hoje tem haver com aquela senhora? O que aquela velha insana te disse Regina?
- Nada demais meu marido. – respondeu Regina querendo cortar qualquer tipo de diálogo insuportável com seu marido.
- Eu sinto que está escondendo algo de mim. O que está querendo esconder de seu marido Regina? Eu sei que ela sempre fala alguma coisa para todas as pessoas que ela faz previsões. Geralmente são tolices, mas ela sempre fala.
- Se tudo o aquela senhora para você signifique tolices por que o interesse tão repentino em querer saber o que ela me disse? –retrucou Regina.
- Quem você pensa que engana Regina? Ela deve ter te falado algo no mínimo interessante, já que depois daquela visita você não falou uma palavra no caminho de volta e ainda se recusou a jantar.
- Ela falou para mim as mesmas futilidades que ela costuma falar sempre. Eu que não estava me sentindo bem disposta no caminho de volta da viagem. – mentiu Regina.
- É impressão minha ou você não esta querendo dialogar com o seu marido. Eu ainda tenho muitos assuntos para conversar com você minha esposa. – diz Leopold com sarcasmo.
- Eu já percebi que você irá me torturar até quando eu resolver falar o que aquela senhora disse para mim. Se estava tão interessado no diálogo por que não ficou e participou dele? – responde Regina na mesma moeda.
- Você irá me contar tudinho com os mínimos detalhes se não você já sabe o que te aguardará durante essa noite maravilhosa. Posso te garantir que será muito de seu agrado.
- Mais algumas de suas velhas ameaças. Felizmente eu perdi o medo que eu tinha delas. Vai ser o que dessa vez? Vai me trancar no calabouço? Me deixar a pão e água? Ou vai querer inovar e partir para tortura? – sarcasticamente Regina responde.
- Está se tornando uma esposa muito bem comportada. Se você falar minha querida esposa você poderá se livrar destes castigos e poder desfrutar de uma noite bem agradável.
- Noite agradável? Sabe que eu chego a achar até engraçado. Noite agradável eu tenho quando eu não estou com você e não sou obrigada a ficar olhando essa sua cara de desdém pelo quarto. Mas eu acabei de resolver que eu vou te falar. Não porque eu tenha medo de você meu querido. Muito pelo contrário. Quem sabe eu me sentiria melhor que alguém como você entenda menos ainda do que eu entendi. Sabe que seria perfeito isso.
- Vamos! Estou aguardando sua resposta.
- Está bem meu querido. Eu irei te contar o que a senhora me disse. Ela disse que eu encontrarei algo em meu caminho e que seria futuramente obrigada a tomar uma decisão muito importante da minha vida. Será algo que ela me disse interfere nos interesses do seu reino? – pergunta Regina com sarcasmo.
Leopold ignorou a ultima frase dita por Regina e saiu do quarto deixando sua esposa sozinha. Regina então se prepara para dormir com todas aquelas dúvidas martelando em sua cabeça. No dia seguinte ela teria que levar a insuportável da Snow para fazer um passeio pelo reino. Era isso que mais indignava Regina. Ela nunca tinha liberdade para fazer nada se quisesse, mas se a preciosidade da Snow quisesse fazer qualquer coisa o rei dava autorização no exato momento. E quem teria que levar a praga para passear seria Regina.
No dia seguinte, ao se arrumar, Regina tornou a colocar o mesmo par de sapatilhas vermelhas cravejados de rubis e saiu do castelo acompanhada de Snow.
- Eu estou tão animada em conhecer melhor o reino e os súditos do meu pai. – disse Snow animada
Regina esboçou um sorriso de má vontade para a enteada e ambas seguiram andando até a carruagem que as levaria para o povoado. Chegando lá Snow encontrou uma amiga que estava acompanhada por sua mãe. Insistiu para que Regina a deixasse passear com elas.
- Por favor, Regina! Posso andar pelo povoado com minha amiga?
Regina que não estava com a menor disposição de servir como cicerone de Snow disse que ela poderia ir sim passear com a amiga.
- Que tipo de madrasta você acha que eu sou Snow? Pode ir com sua amiga, mas, por favor, volte em duas horas.
Regina aproveitou que estava sozinha e resolveu se sentar perto de uma árvore para ler um livro. Adorava poder ler sentindo o vento em seu rosto. Esses raros momentos davam para ela uma pequena sensação de liberdade que ela procurava aproveitar os mínimos detalhes. Depois de algum tempo lendo, Regina escutou um som e ficou totalmente maravilhada com que estava escutando. Era o som mais lindo que Regina havia escutado em toda a sua vida. Seus olhos se encheram de lágrimas que insistiam em cair nas paginas amareladas do velho livro que ela retirara da biblioteca real. Essas lágrimas, pelo contrario, não eram de tristeza e sim de reconhecimento. Ela podia se reconhecer no som daquele belíssimo pássaro que voava pelo céu. Alguma coisa em sua cabeça dizia que ela tinha finalmente encontrado o que a velha anciã lhe disse no outro dia.
