Regina estava deitada em sua cama perdida em seus devaneios. Sua mente viajava numa espécie de buraco negro que a puxava sempre para o lado mais negro de sua existência. Já havia anoitecido e toda aquela escuridão inspirava mais ainda tudo o que pensava. Todos os acontecimentos de mais cedo povoavam sua cabeça. Sua vida ficara marcada para sempre. Ainda não sabia como explicar a aparição daquele pássaro tão misterioso. Aquelas imagens passavam em forma de flashback pela sua cabeça e ela tentava formular teorias mirabolantes sobre a origem daquele pássaro. Mas, apenas dúvidas restavam em seu dilacerado coração.
Perguntas e mais perguntas surgiam ao mesmo tempo e não tinha as respostas necessárias para respondê-las. Como seria possível um pássaro que passara tão rapidamente por sua vida ter tido a capacidade de bagunçar o seu coração de uma forma tão devastadora? Afinal o que faria de sua vida naquele momento? Tramaria sua vingança com aquela ingrata da Snow White ou se esqueceria de tudo e passaria a viver uma vida? Viver uma nova vida acarretaria superar a morte de Daniel e isso Regina não queria. Ela apenas queria vingança. E Snow pagaria por toda a dor que ela lhe causou. Regina prometera isso para si mesma. Queria dor e sofrimento na medíocre vida de sua enteada. Ela não a quebraria novamente.
A raiva existente em seu coração naquele momento estava ganhando em disparada e as formas que Regina mataria Snow não saíam de seus pensamentos. Teria que pensar muito bem na forma perfeita de acabar com a vida daquela menina insolente. Mas, afinal, como ela faria isso? De que forma ela eliminaria sua enteada de sua vida sem despertar nenhuma suspeita? Magia! A resposta veio tão naturalmente que Regina deu uma leve mordiscada em seu lábio superior pensando no que poderia fazer. Seus olhos castanhos estavam puro veneno. Sentia que a maldade estava lhe dominando. Mas, isso não lhe assustava como antes. Sentia certo prazer em sentir tudo aquilo. Como se movimentasse a sua vida. Como se sua vida tivesse adquirido um novo sentido. Foi à única coisa que conseguiu pensar naquele momento conturbado, e em seguida um olhar vingativo se apoderou do rosto de Regina.
- Aguarde Snow White! Sua traição não ficará impune. Sua hora chegará minha querida. Se achou que eu deixaria passar impune a sua traição, vocês está completamente enganada. Irei me vingar, nem que seja a última coisa que eu faça em minha vida. Pagará por todo sofrimento que causou. – diz Regina soltando uma risada em seguida.
Em seguida desceu as escadas do castelo, com feições no olhar que assustariam a todos que a vissem naquele momento. Foi em direção à adega da família. Precisava de uma bebida para que pudesse selar um acordo que iria fazer com ela mesma. Iria acabar com a vida de Snow White, nem que fosse a última coisa que ela fizesse em sua vida. Pegou uma taça de cristal, uma das mais caras do enxoval de casamento. Queria celebrar em grande estilo. Poderia odiar o seu casamento, mas só de tocar aquela taça Regina sentia que era um cristal dos melhores já produzidos. Passou seus pelas várias garrafas de vinho que possuíam na adega e escolheu a garrafa da safra mais antiga, pois seria o vinho mais refinado e com melhor gosto. Encheu sua taça e saboreou com vontade aquele vinho. Como se naquele brinde estivesse celebrando a sua vitória por antecipação.
Regina nem sabia do que era capaz de fazer com tanto ódio armazenado em seu coração. Lembrou-se de Rumpelstiltskin. Nem tinha ideia se conseguiria encontrá-lo novamente. Mas, no fundo tinha esperanças de entrar em contato com todo o poder que ele disse que ela possuía. Não tinha nem ideia se seria capaz de usar mágica. Mas, ainda se recordava como se fosse ontem, de quando havia entrado em contato com magia pela primeira vez. Queria de alguma forma se livrar de sua mãe, para que assim não precisasse engatar um casamento com o rei. Um casamento obrigado e sem amor poderia estragar sua vida. Rumpelstiltskin havia lhe presenteado com um espelho que levaria sua mãe até outro reino, de onde ela não poderia mais controlar sua vida. Havia lançado sua própria mãe contra um espelho, achando que assim se livraria de todos os seus problemas.
Por alguns momentos chegou a pensar que teria se livrado do triste destino imposto por Cora, mas nada do que havia feito adiantou. Da mesma forma foi obrigada a se casar. Mesmo sem a presença de sua mãe o casamento foi realizado. Casou-se sem ter nenhum tipo de amor por seu marido. No momento em que teve que dizer que aceitava Leopold como marido deixou escapar algumas lágrimas em seu rosto. Lágrimas que os convidados pensavam que eram de felicidade, mas que eram retrato da mais profunda tristeza. E a dor passou a acompanhar Regina todos os dias. Doía ser casada com alguém que não amava, mas a dor pior era saber que nunca mais escutaria palavras sinceras de amor, já que Leopold havia se casado com ela apenas para dar uma mãe à mimada Snow White. Mãe que Regina nunca poderia ser, já que nutria ódio pela insuportável garota.
Mas, não era momento de remoer e nem se lembrar de todas as dores de seu passado, mas sim de planejar todos os triunfos de seu futuro e isso enchia de esperança o rosto de Regina. Afinal, para planejar um assassinato era necessário ter muito foco, e isso Regina tinha de sobra. Pela primeira vez em muito tempo podia-se notar um sorriso no rosto da jovem. Era um sorriso diferente, de quem iria vingar a morte do amor de sua vida e que em nenhum momento se preocuparia com os obstáculos que tivesse que superar para isso. Levaria sua vingança até as últimas consequências. Nem que para isso ela precisasse matar. Se precisasse levar dor às outras pessoas, ela levaria. Queria se vingar e era apenas nisso que Regina pensava.
Depois de saborear aquele delicioso cálice de vinho, Regina foi em direção à biblioteca do castelo. Foi em direção em uma estante onde acionou uma pequena passagem secreta. Assim que entrou, encontrou um velho baú que ficava escondido de todos daquela casa. O baú estava consumido pela poeira. Há muito tempo que ele não era usado pela dona e isso se evidenciava pelo estado em que se encontrava. Regina com um pano de seda cuidadosamente retirou todo o excesso da poeira e de lá retirou o único objeto que havia dentro daquele baú. Era o livro de magia que pertencera a sua mãe, e que fora dado por Rumpelstiltskin. Passou os olhos pelo livro e não sabia o que fazer. Ela sabia o que tinha que fazer.
- Rumpelstiltskin! – disse Regina timidamente.
Do nada Rumpelstiltskin se materializou onde Regina se encontrava. Fazendo suas reverências de sempre falou com a rainha.
- Que honra! A rainha ter desejado a minha presença! – disse Rumpel ironicamente fazendo uma reverência exagerada em direção a Regina.
- Eu preciso usar magia Rumpelstiltskin. E preciso começar a praticar desde já. Será que pode me ajudar? – disse Regina de forma convicta.
- Pra que my dear? Na última vez que nos encontramos disse que nunca mais usaria magia, pois não queria se parecer como sua mãe.
- Apenas mudei de ideia. Quero aprender toda a arte da magia negra. Temos um acordo?
- Eu já lhe disse que posso te ensinar tudo o que eu sei. Porque no futuro você fará algo muito importante para mim. Mas quero saber o porquê de mudar de ideia tão rapidamente? – diz Rumpelstiltskin em meio a sua risada maléfica.
- Quero me vingar de Snow White! E destruir sua vida para sempre. – afirma Regina.
- Quero que saiba antes que você possui uma magia muito poderosa e se souber ser usada, você se tornará a feiticeira mais temida de todo o reino. – explica Rumpel.
- Até mais que a minha mãe? – questiona Regina.
- Será mais poderosa que Cora. Mas, para isso acontecer será necessário muito treino e pratica. Será mais poderosa que sua mãe.
- Bom saber disso! – diz Regina com um sorriso satisfeito em seus lábios.
