Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto.
Cap 04 – Fingimentos
Por Kappuchu09
- Desculpe, mas este número não existe mais.
Naruto arqueou uma das sobrancelhas e olhou atônito para seu celular. Como assim não existe mais? Os irmãos Uchihas mantinham o mesmo número telefônico há dez anos, era simplesmente impossível o número não existir mais! Suspirando o loiro apertou o número dois e ativou a chamada, se não podia falar com o Sasuke pelo telefone residencial, seria pelo celular e ponto final.
- Desculpe, mas este número não existe mais. – Naruto arqueou novamente a sobrancelha e rediscou - Desculpe, mas este número não existe mais.
- Como demônios esse número não existe mais?! O bastardo não iria trocar de número sem me avisar... – o loiro olhou para a cama desarrumada e lembrou-se que há cinco horas atrás o namorado havia estado com ele ali, portanto não tinha como ele ter trocado o número tão depressa.
O relógio apontava três da manhã, tarde demais para ir até a casa do namorado.
- Bem, se não dá por telefone, vai ter que ser por e-mail.
Naruto ligou o notebook, conectou-o a internet e em menos de dez minutos estava no facebook a procura de Sasuke.
"Com certeza o idiota está jogando." Pensou consigo mesmo enquanto digitava o nome do outro.
"Usuário inexistente, verifique se está escrito corretamente".
- O que?! Como assim, o bastardo deletou o facebook dele? Fala sério, eu disse para ele não fazer isso... Pff, o jeito vai ser mandar um e-mail.
"Sasuke-teme, cê trocou de telefone e deletou o facebook e nem pra me avisar? Imbecil, 'tá tentando fugir de mim? Liga para mim assim que receber isso, eu preciso falar contigo sobre o trabalho de amanhã. Até!"
- Agora sim, é só esperar e...
- Naruto, o que você está fazendo acordado, moleque?! Se você estiver vendo pornô na internet a essa hora da manhã... – soou a voz de Minato do outro lado da porta, fazendo o mais novo arregalar os olhos e fechar o notebook ao perceber que era a luz do aparelho que chamou a atenção de seu pai.
Entretanto o que o loiro não visualizou foi que sua caixa de entrada havia recebido um e-mail...
"O destinatário não existe mais, verifique se os caracteres estão corretos".
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- E então, gostando do novo colégio? – questionou a voz rouca do outro lado da linha.
- Hm, é bem legal. Tem bastante gente diferente, eu acabo nem chamando tanta atenção pelas minhas roupas laranjas. – respondeu Naruto em um muxoxo deanimado, enquanto equilibrava a cadeira em seus dois pés traseiros e depositava os próprios pés sobre a escrivaninha.
- Pessoas diferentes ou estranhas?
- Um pouco das duas...
- Naruto?
- Uhn?!
- Está tudo bem?
- Sim.
- Mesmo? – Naruto podia imaginar a sobrancelha avermelhada do amigo se arqueando e seus olhos verdes o fuzilando. Maldita percepção.
- Uhum.
- Naruto, o que houve?!
- Eu sou tão transparente assim? – questionou com um sorriso sem ânimo.
- As vezes. Então, vai me dizer ou não?
- Eu... Eu vi ele.
- Ele? Você quer dizer o Uchiha?
- Sim, ele é meu colega de classe.
- Merda, Naruto.
- É, eu sei...
- E vocês conversaram?
- Não sei ao certo. – o silencio se fez do outro lado da linha e Naruto sabia que o amigo estava esperando uma resposta completa. – Não sei, Gaara, se conversar envolve briga e beijo, bem talvez...
- Vocês sempre brigam isso não é novidade, – e Naruto novamente teve a sensação de ver o amigo rodar os olhos - mas beijo? Ele te beijou?!
- Não, fui eu.
- Naruto, você é um idiota. – disse o homem friamente, mas Naruto sabia que ele estava revoltado consigo, por ter caido novamente.
- Eu sei, merda, eu sei. – os pés foram ao chão e o loiro arrumou sua postura na cadeira, apoiando o braço que segurava o celular na escrivaninha. – Mas quando eu vi ele, eu... Merda, eu vi tudo em vermelho. Ele estava lá, diante de mim com aquela maldita cara de indiferença dele e eu... Eu...
- E você não pôde aguentar a indiferença dele para ti.
- é...
- Vocês se reconcilhiaram então?
- Não, claro que não! Eu tenho um orgulho...
- E o que você pretende fazer agora? Vai voltar?
O loiro sacudiu a cabeça em negação, como se o amigo pudesse ver o gesto.
- Não. Meu pai me quer aqui para acompanhar as obras e eu... Eu não vou fugir, acho que minha 'conversa' com ele ontem serviu para mim perceber que está na hora de realmente seguir em frente.
- E você vai conseguir fazer isso com ele no mesmo ambiente que você?
- Eu preciso, Gaara. Eu preciso...
- ...
- Você não vai contar para a sua irmã, ou vai?
- Acho que não, a louca seria capaz de ir até aí e armar todo um escândalo, e eu também não quero que ela se envolva mais com o bastardo do Uchiha.
- O Itachi era legal, apesar daquele jeitão dele.
- Naruto, o cara era bizarro.
- Você é bizarro, Gaara.
- Sim, e por isso mesmo eu reconheço psicopatas quando vejo um. – disse o homem seriamente, arrancando risos do loiro.
- Só você mesmo, cara. – Naruto até podia imaginar o meio sorriso torto do amigo. – Gaara, eu vou indo, senão vou me atrasar para a aula. Te ligo mais tarde. Até.
- Se cuida, Naruto.
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Branco, branco era tudo o que os olhos ônix viam diante de si. Um branco puro, perturbador e inquietante. Um branco que represnetava muito mais do que a cor do teto de seu quarto. Um branco que o perseguiria para sempre, nublando sua vida. Nublando o azul e o amarelo. Nublando Naruto.
O moreno cerrou os olhos com força, enrrugando todo seu rosto. Como pudera deixar o loiro escapar? Como pudera deixá-lo ir embora, como pudera... Como pudera... Como viver sem ele?
Antes Sasuke sabia onde ele estava, sabia que estava junto da família, sabia que longe de si o loiro estaria em segurança e isso era o suficiente. Saber... Imaginar que Naruto sofreria no começo, mas sempre resguardaria as lembranças de uma época feliz com ele... Isto era o suficiente para Sasuke saber que tinha feito o certo. Era o suficiente para Sasuke aceitar os fatos e continuar aos trancos e barrancos com sua vida.
Mas agora, agora que veria o loiro todos os dias, ouviria seu nome sendo chamado pelo professor, ouviria sua voz, seu riso, agora que teria a certeza de que Naruto não precisava dele para viver, que não precisava dele para lhe passar cola, ou para lhe mandar calar a boca, agora... Agora já não era o suficiente. Nunca seria.
A morte seria melhor que viver sem ele. Qualquer coisa seria melhor que viver sem os sorrisos dele, os brilhantes olhos dele, as trapalhadas dele...
O moreno ergueu a mão que sustinha o colar que Naruto havia lhe devolvido e abriu os olhos.
O colar brilhava, brilhava e ofuscava o branco. Naruto ofuscava o branco. Mas Naruto não existia na vida de Shin Sora, só na de Uchiha Sasuke. E para o bem de todos, Uchiha Sasuke estava morto. Logo, Naruto era inexistente.
Com sorriso irônico o moreno sentou-se na cama, tomou mais um gole direto da garrafa de whisky que estava em sua mão esquerda. Abriu uma das gavetas do criado mudo e de lá retirou um livro vermelho e dourado, cuja capa dizia: "Harry Potter e a câmara dos segredos". Sasuke sorriu verdadeiramente ante a lembrança.
Aquele era o livro que Naruto havia lhe dado quando ambos tinham doze anos. Sasuke se lembrava como o loiro queria lhe fazer ler a saga e como se empenhou para fazer o amigo ler o primeiro livro, se empenhou tanto que acabou lhe dando o segundo livro da saga. O moreno abriu o livro e na primeira página viu os garranchos, que o Uzumaki costumava chamar de letra.
"Neh, bastardo, vê se aprende a gostar das coisas boas! Começa a ler porque no final quando o bas... Certo, eu não vou te contar o fim. LÊ! Ass.: Uzumaki-rei-do-mundo-Naruto"
O moreno sorriu, passou os dedos sobre a assinatura e tomou outro longo gole da bebida.
Sasuke nunca lera o livro. Assim como nunca perguntara a opinião de Naruto sobre seu desaparecimento. E certas coisas não se pode voltar atrás, Naruto já não existia... Mas o livro, este existia e se Sasuke não poderia ter o atual Naruto consigo, então teria o Naruto de doze anos, seu velho e inseparável parceiro.
O Uchiha colocou o colar com o pingente de cadiado e a garrafa de bebida sobre o criado mudo e voltou a deitar-se, folheando as páginas do livro e finalmente, depois de cinco anos começando a ler o livro que o seu Naruto tanto adorava e o colégio que se explodisse.
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- Hey NARUTO! – gritou Lee do outro lado da sala ao ver o loiro passando pela porta.
- Porra, sobrancelhudo. Estourou meus tímpanos. – exclamou Kiba, enquanto dava um soco na cabeça do outro.
- Aii.
- E ai gente. – cumprimentou o loiro.
- Pensei que você não fosse vir, sempre chega cedo. – disse Kiba dando de ombros, enquanto via o loiro sentar na cadeira e começar a tirar o material da mochila.
"Bem, o Sas... O Sora ainda não chegou" pensou ao olhar a carteira atrás de si vazia.
- Hm, fiquei falando com um amigo no telefone e acabei perdendo a hora.
- Alguém que a gente conheça?
- Não, acho que não. Era da minha outra cidade.
- Hm.
- Olha a Hinata chegando com o Hyuuga. – apontou Kiba para a janela, de onde podia-se visualizar o portão de entrada e por ele Neji abrindo a porta do carro para que Hinata, totalmente corada, pudesse sair. – Cara, não sei como ela aguenta ele.
- São primos.
- Fala sério, Lee. Nem que fosse o papa esse imbecil seria suportável.
- Kiba, uma palavra: inveja. – comentou o calado Shino
- Eu? Dele? Fala sério!
- Pff, vai me dizer que você não adoraria estar no lugar dele!
- Ehhhh, a Hinata é namorada dele? – exclamou Lee
- É óbvio que não! – exclamou Kiba ofendido – A Hinata nunca ficaria com um cara como ele.
- Como ele como?
- Pff, 'cê sabe: frio, calculista, hipócrita, egocêntrico, narcisista... Fala sério, a Hinata é meiga, bonita, gentil, timida. Tipo, ela namorar o Hyuuga é o mesmo que namorar, sei lá... o Shin. É estúpido e masoquista. – Naruto arqueou a sobrancelha e, pela primeira vez desde que discutiu com o Uchiha, prestou atenção em algo.
Estupidez e masoquismo, neh? Naruto parecia reconhecer a si próprio naquelas duas palavras. Estupidez de acreditar nas profundezas dos ônix, masoquista de se prender ao passado como a única forma de se manter sã. Mas agora tudo acabou, finalmente o loiro dera seu último adeus, entretanto não era para ele estar se sentindo aliviado? Sim, era. Então por que essa corda em seu pescoço que cada segundo parece lhe sufocar mais e mais?!
- Além do mais os dois são primos, fala sério!
- Kiba, tudo isso é inveja e ciúmes, admita. – resmungou Shino.
Inveja e ciúmes, estão aí as outras duas palavras que Naruto pode se encaixar. Ciúmes daqueles que podem estar com quem querem. Ciúmes de Hinata por poder sorrir e dizer o nome de Neji, sem que uma orla de confusão se instale em sua mente. Inveja daqueles que puderam estar com Sasuke por todos esses anos em que ele próprio não pode.
Ciúmes, inveja, estupidez, masoquismo... Quantos mais adjetivos daqueles o Uchiha conseguira implantar no coração e na mente de Naruto? Por quanto tempo mais iria ter que permanecer aquelas lembranças? Porque simplesmente não esquecer? Por quê?!
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A porta se fechou e um suspirou escapous dos lábios finos do moreno. No mesmo instante as mãos voaram para a gravata desfazendo o nó, para logo após atirá-la sem cuidado algum sobre o encosto do sofá, sendo seguida pelo terno e a pasta.
Se havia algo que Itachi odiava era reuniões que iam até após o expediente e ainda por cima com serem ignóbeis e incapazes de amarrarem os próprios sapatos sem ajuda. O moreno estava verdadeiramente ficando farto disso, talvez se ele e Sasuke se mudassem novamente, encontrar outra cidade, recomeçar... Novamente.
Não. Melhor permanecer, Sasuke precisava ficar e enfrentar seu passado, precisava encontrar um ponto de equilíbrio ou então mais cedo ou mais tarde iria desabar. Itachi suspirou novamente e começou a abrir os primeiros botões da camisa social, talvez um banho lhe livrasse daquela intensa dor de cabeça.
Ao ir em direção as escadas, Itachi percebeu que a mochila do irmão mais novo permancia sobre a mesa da sala, sinal que Sasuke matou, mais uma vez, a aula.
"Desse jeito ele não se forma" pensou o mais velho com um longo suspiro. O moreno subiu as escadas rapidamente e ao se encontrar no segundo andar foi direto em direção a porta do irmão e sem cerimônia alguma abriu a porta para se encontrar com uma das cenas mais exasperantes de sua vida.
Sasuke sempre fora o tipo de criança que nunca deixava ninguém vê-lo transtornado. Se o moreno estivesse vomitando no banheiro, a porta estaria trancada. Se houvesse quebrado um brinquedo os olhos ônix olhariam com tédio e jogaria na lata do lixo o que restara. Se tivesse ralado o joelho, passaria o remédio e engoliria as lágrimas de dor.
Sasuke nunca, baixo hipótese alguma deixaria alguém vê-lo diferente daquilo que ele queria esboçar. Ninguém sabia o que se passava por trás daquela eterna expressão de desinteresse, ninguém exceto Itachi e Naruto.
E Itachi sabia, sempre soube de tudo, mas também nunca se interpusera. Nunca tentara ajudar, pois todo o Uchiha deve saber se virar sozinho, todo Uchiha é incapaz de pedir ajuda. Mas Naruto, Naruto não era um Uchiha e também ignorava esses preceitos que antigamente regiam o respeitável clã. Naruto era a luz do sol que brilhava nos olhos ônix de seu irmão mais novo e o induzia a fazer caretas pelo intenso brilho do sol.
Naruto era o menino que conseguia ultrapassar as barreiras do irmão, e Itachi agradecia tal fato, pois se não fosse ele Sasuke teria explodido. Itachi ainda se lembrava da inexpressividade do irmão desde o dia em que foram embora de sua cidade natal e deixaram para trás o sobrenome Uchiha. Interessante que o sobrenome e todos os pesos que o nome Uchiha trazia não abandonou nenhum dos irmãos e os preceitos continuaram, assim como a eterna distância tensa que existia entre os dois, mesmo quando o nome Uchiha já não existia.
Era exatamente pela sempre inexpressiva feição de seu irmão que Itachi estava naquele momento sem saber o que fazer com um Sasuke esparramado sobre a cama, com duas garrafas vazias de whisky jogados no chão, um livro de Harry Potter fortemente preso em uma de suas mãos, os olhos opacos olhando para o teto enquanto que a outra mão pendia para fora da cama, deixando-se entrever em sua palma – próximo demais do punho - um profundo corte, do qual escorria mais sangue do que deveria ser saudável, e entre a poça de sangue se visualizava um canivete que ostentava o símbolo do tão mal fadado clã Uchiha, o canivete que um dia pertencera ao seu pai.
Mas dentre toda a imagem macabra podia-se visualizar entre os dedos do moreno um indiscutível brilho que era ofuscado pela cor rubra do sangue: o colar que o irmão havia dado um vez a Naruto.
- Sasuke! – exclamou contidamente o mais velho, sem saber o que fazer. Gritar e socar o irmão por ter feito aquela besteira ou abraçá-lo?! – Merda, Sasuke. – exclamou novamente Itachi já caminhando em direção a cama e chutando para baixo da cama o canivete sujo.
- Itachi. – disse em um suspiro cansado, porém os olhos ônix opacos continuavam a olhar o teto, como se o branco da pintura o houvesse cativado. Itachi suspirou ao ouvir seu nome, seu verdadeiro nome, fazia tanto tempo.
- Sasuke, que merda é essa? – questionou o irmão, tirando o livro das mãos do irmão e o colocando no criado mudo. – Tentando se matar? Pensei que fosse mais esperto que isso. – disse friamente, enquanto emaranhava os dedo no pingente do colar, porém ao puxá-lo percebeu pela primeira vez que dentre todo o desastre a única coisa que o mais novo permanceia a segurar com força era o colar.
A corrente estava presa entre o indicador e o dedo médio, tão fortemente seguro que para ser retirado dali só arrebentando. Foi então que Itachi percebeu que o pingente manchado de sangue não era uma chave e sim um cadiado e então as coisas começaram a fazer sentido.
- Ele te devolveu. – foi tudo o que o mais velho disse em um suspiro cansado, enquanto soltava o pingente e com as mãos já sujas do sangue do próprio irmão.
Itachi passou um dos braços sob as axilas do irmão e o outro foi por baixo dos joelhos, de forma a carregá-lo para fora da cama e levá-lo diretamente ao banheiro acoplado ao quarto. Ao chegar no box, colocou o irmão apoiado na parede e ligou o chuveiro. Enquanto a água aquecia o mais velho retirou a roupa de Sasuke, deixando-o apenas de cuecas. Após despí-lo, colocou-o sob a água e a deixou levar pelo ralo todo o sangue seco e a letargia que o álcool havia causado.
- Há! Engraçado que depois de tudo, tudoooo o que eu fiz ele ainda teve coragem... Pff, coragem de me acusar. – Itachi permaneceu quieto, sabia que o irmão precisava desabafar, ou então voltaria amanhã do trabalho e encontraria a mesma cena. – Como se eu tivesse escolhido deixá-lo. Imbecil, dobe desgraçado, teve coragem de me beijar só para depois me expulsar... Será que ele não vê tudo o que eu fiz por ele? Merda... – exclamou apoiando a cabeça no ombro do irmão.
- Otouto... – ahh, aquelas palavras! Itachi se lembrava da última vez que as usara... As usara quando havia dado a notícia da morte dos pais.
- O que você faria se a encontrasse?
- ... – os olhos ônix do mais velho olharam fixamente para a parede do banheiro, o que responder? Se a encontrasse... Se a encontrasse nada aconteceria. Ele estava morto afinal.
- Me promete que se você ver ela de novo você vai...
- Sasuke...
- Sasuke está morto! Ele disse isso pra mim! – e de novo o assunto se modificou, como se o álcool em sua corrente sanguínea e a perda de sangue o fizesse alucinar cada vez mais. – Como se a morte de um nome fosse apagar tudo o que nós... O que nós... – e Itachi sabia, sabia que não era só a água do chuveiro que estava molhando sua camisa, haviam lágrimas, muitas lágrimas. Lágrimas que não foram derramadas no joelho ralado, que não foram derramadas na morte dos pais, que não foram derramadas dentro do avião enquanto o irmão lia sua nova biografia. - Droga, Itachi! A vida é uma baita de uma filha da puta! – gritou como se aquela fosse a solução de tudo.
- Sim, ela é. Ela é otouto.
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- Naruto, estou entrando, então cubra suas vergonhas! – disse a ruiva em um tom brincalhão.
A mulher abriu a porta do banheiro e se deparou com seu filho recém tomado banho e apenas com uma toalha enrrolada em sua cintura. Realmente, havia feito um bom trabalho, seu filho havia crescido e se transformado em um belo homem de músculos bem colocados e tonificados.
- Mãe! – exclamou ultrajado
- O que? Eu já limpei muito essa sua bunda, loirinho.
- Mas isso faz tempo.
- Pff, eu precisava pegar a roupa, ué. – disse como se aquela fosse a perfeita desculpa.
- Sim, claro. – respondeu sarcástico, enquanto se abaixava e pegava o monte de roupas no chão e o dava para sua mãe que o pegava prontamente.
- Se você aprendesse a lavar roupas...
- Ihhh, mãe, a última vez...
- Sim, eu sei. – a mulher simulou um calafrio – a última vez seu pai ficou usando roupas duas vezes menores que ele e rosas! – começou a rir, sendo seguida pela risada do filho.
A mulher se concentrou naquele timbre e na expressão do filho, se concentrou apenas para perceber aquela mesma expressão apática de sempre, aquela mesma gargalhada que não chegava aos olhos azuis, para perceber aquela alegria fingida e efêmera. Porém não foi só a risada falsa que a mulher reparou, mas sim no pescoço descoberto do filho.
- Naruto, meu anjo, onde está o colar?
- Uhn? – o loiro automaticamene levou uma das mãos ao pescoço, apenas para encontrá-lo nu.
Kushina arqueou uma das sobrancelhas e tentou ao máximo disfarçar sua expressão de preocupação. Naruto nunca tirava aquele colar, baixo hipótese alguma!
- Eu botei fora. Não fazia mais sentido usar aquilo. – disse ele em indiferença, mas ao virar a cabeça e olhar para o chão Kushina soube que não passava de indiferença fingida. Ele não colocaria aquilo fora, nunca.
- Mas meu anjo, eu pensei que...
- Aquilo é passado mãe, só esquece, tudo bem?! – questionou o loiro, enquanto passava pela mãe na porta e saia do banheiro.
Kushina suspirou em preocupação, não poderia esquecer. Só não podia. Aquele colar representava muito mais que só um colar para Naruto. Aquele cadiado fora como uma haste que o puxava para a sanidade desde que o Uchiha mais novo havia ido embora.
O sumiço daquele colar significava o que? Que Naruto finalmente havia virado a página e decidido voltar a viver ou então significava o último andar que faltava para afundar de vez?
- Seja o que for, por favor, que os Deuses não permitam que eu veja ele naquele estado novamente, por favor. – rezou baixinho, mais para si do que para os tais deuses.
A ruiva ainda se arrepiava ao se lembrar do estado do filho quando descobrira que Uchiha Sasuke já não existia mais. Era aterrador até mesmo pensar naquela época, porém tudo parecia ser tão, tão, tão recente, que Kushina ainda se lembrava de quando os olhos como o céu ensolarado, se tornaram duas esferas de tempestade...
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Notas da Autora: Olá! Eu sei que para variar eu sumi, mas como eu disse: não deixaria uma estória como essa sem desfecho. Hoje não poderei responder as reviews, mas prometo que o farei no próximo cap. Desde já agradeço a todos aqueles que mandaram reviews: poke, Meel Jacques, vivi, Lyra Kaulitz, Marina, super scar, Guest, J.M. Oliver, Gih Bright, lehay-san, Lari-thekilla, Pandora Beaumont.
Beijos,
Kappuchu09
