Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto.
Cap 05 – Deixando para trás
Por Kappuchu09
Ding, dong.
Naruto torceu os dedos e respirou fundo. Faziam seis dias que Sasuke não dava as caras, nem no colégio, nem em sua casa, nem no telefone, nem em lugar algum. No princípio o loiro achou que Sasuke pudesse estar querendo ficar um tempo sozinho, afinal de contas o moreno tinha como traço marcante em sua personalidade a constante solidão. Porém depois de seis dias, uma prova trimestral e três ensaios da banda perdidos... Naruto começou a desconfiar.
Seja lá o que estivesse acontecendo, por mais orgulhoso que Sasuke fosse, ele nunca deixaria o loiro tanto tempo sem saber nada dele. Havia algo acontecendo, algo grave, e Naruto sabia, só não sabia exatamente o que.
O loiro trocou o pé de apoio e olhou para cima, em direção à sacada do quarto que Naruto sabia ser de Sasuke. Aquela casa era uma das mais antigas da região, gigantesca, artisticamente gótica, um verdadeiro mausoléu, ainda mais depois da morte do senhor e senhora Uchiha. Fazia cinco meses e Naruto entendia que a dor ainda estava fresca e palpitante, mas também sabia que não seria motivo para esse afastamento todo. Afinal, cinco meses antes Naruto estava naquele mesmo quarto acompanhando a dor de Sasuke.
Por que tanto isolamento? Os professores não sabiam –ou não queriam dizer nada-, os colegas de classe olhavam Naruto e perguntavam em um silêncio mudo e sem intimidade onde ele estava, os companheiros de banda perguntavam abertamente, seus pais olhavam para si com uma eterna expressão de tensão no ar, como que esperando que uma bomba fosse explodir.
Os números de telefone já não existiam mais, os e-mails voltavam e Naruto a cada dia começava a se preocupar mais e mais.
- Em que posso ajudá-lo? – Naruto acordou de suas divagações em um pulo. Finalmente haviam aberto a porta, já não aguentava mais esperar, pareciam séculos. Ao olhar para a pessoa na comarca da porta suas sobrancelhas loiras se franziram. Aquela era uma mulher de longos cabelos vermelhos e doces olhos achocolatados, de forma alguma uma Uchiha. Uma empregada? Não, não com aquele porte de dona da casa.
- Com licença, eu poderia falar com o Sasuke?
- Sasuke? Desculpe, acho que se enganou aqui não mora nenhum...
- Claro que mora, essa casa pertence à família dele há dois séculos. Ele deve estar...
- Ahhh, você diz a família Uchiha? – eu acenti com a cabeça e ela esboçou um sorriso de desculpas – Receio que você chegou tarde demais, eu comprei a casa do senhor Uchiha Itachi há uma semana.
Barulho de folhas farfalhando, esse era o único barulho que Naruto podia ouvir, folhas que farfalhavam como vidros que despencavam e caiam sobre um piso de cristal, quebrando em um silencioso estrondo todo seu chão.
- Eles venderam? – perguntou com a voz rouca. A mulher lhe olhou e mostrou uma expressão de pena.
- Sim, sinto muito, mas eles não estão mais aqui.
- Vo...você sabe... Eles comentaram para aonde iam? – até mesmo o loiro sabia que aquela era uma pergunta idiota, afinal Uchihas nunca dão satisfações a ninguém.
- Bem, não sei ao certo, quando eu questionei o porquê vender este casarão com todos os móveis dentro pelo preço que me venderam, o senhor Itachi apenas me disse que ele e o irmão precisavam recomeçar a vida longe daqui então... Hey, menino, você está bem? – questionou a mulher amparando o jovem loiro pelos ombros. O menino estava pálido, os olhos azuis desfocados e estranhamente úmidos.
"Precisavam recomeçar a vida, precisavam recomeçar a vida, precisavam recomeçar a vida..."
- Menino! – gritou a ruiva chamando a atenção do outro, fazendo Naruto piscar e por fim uma primeira lágrima correr por sua bochecha. – Você está bem? Quer entrar? – Naruto balonçou a cabeça e sem dizer mais nada se virou e foi embora, deixando a mulher sem saber o que fazer.
Embora, embora, embora... Sasuke foi embora, Sasuke o deixou, Sasuke deixou o colégio, a banda, a casa, a cidade, toda uma vida...
E quanto mais pensava, mais o colar em seu pescoço pesava e queimava o seu peito. O Uzumaki puxou o colar de debaixo da blusa e o apertou fortemente.
...Sasuke havia abandonado ele, para sempre.
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Este era o quarto dia que a carteira atrás de si permanecia vazia. E estranhamente Naruto começava a sentir a mesma dor que sentira quando a mulher – há tantos anos atrás – havia lhe dito que ele se mudara. Era estúpido, era masoquista, afinal havia dado um basta em todo aquele ciclo de dor. Havia devolvido o colar, havia encerrado o assunto Sasuke.
E por mais que a mente do Uzumaki repetisse aquelas palavras, elas não surtiam efeito. Pois, por mais que quisesse dar um basta naquilo, ele não conseguia, estava além de sua perseverança, estava além de suas vontades. Pois pensar em Sasuke, remoer aquela dor, lembrar-se de todos os anos como amigos e depois amantes, lembrar de todos os anos de sofrimento, lembrar de como foi descobrir que o Uchiha o abandonara... Lembrar e remoer aqueles momentos eram a única forma que Naruto encontrou para se manter são. A única forma que Naruto encontrou para não esquecer. Pois Naruto não queria esquecer, não poderia. Sasuke foi e sempre seria a pessoa que mais lhe foi importante e se sofrer fosse a única forma de manter sua memória fresca, então Naruto sofreria.
Vários psicólogos já haviam lhe dito que esse tipo de filosofia seria autodestrutiva ao longo dos anos, todos lhe aconselharam a se livrar daquele colar e começar uma nova vida. E agora que Naruto havia tomado coragem de encerrar o ciclo, devolvendo o colar ao Uchiha e finalmente poder recomeçar... Quando finalmente havia tido a coragem, Naruto descobre que acordar pela manhã, virar o rosto para o criado-mudo e não encontrar o pingente de cadeado sobre ele era um dos maiores suplícios que existem. Pois aquele cadeado era o símbolo de que não estava sozinho, de que pertencia a Sasuke e este a ele.
Mas agora Naruto não pertencia mais a ninguém, assim como Sasuke. E o loiro sentia um gosto acre na boca toda a vez que percebia isso. Obviamente não correria atrás de Sasuke, nem pediria o colar de volta, Naruto ficaria quieto, na sua, e esperaria que o tempo sumisse com esse gosto de sua boca.
- Desculpe o atraso, professor – falou uma voz áustera e conhecida ao loiro, fazendo o mesmo olhar para a porta, apenas para encontrar Sasuke entrando na sala.
Foi como se seu coração parasse de bater por alguns segundos e depois voltasse a toda força. Sasuke não o havia abandonado... Não novamente.
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Se havia algo que Itachi realmente odiava era gravatas. Pior que gravatas somente o nó da gravata. Era como se o destino deles – os nós – fossem dar errado e fazer com que o moreno tivesse que ficar mais dez minutos na frente do espelho para tentar acertar ao maldito sádico, no final a vitória era de Itachi. Porém ainda havia o fardo de ter que aguentar aquele tecido preso em sua garganta ao longo do dia.
Itachi fora criado para ser o perfeito homem de negócios, com seu terno preto e sua gravata sem nenhuma marca. Desde seus quatorze anos a gravata e o terno eram uma constante em sua vida, seja em jantares duas vezes por semana, seja dentro da faculdade para apresentar algum trabalho, seja no escritório de advocacia. O terno era suportável, afinal era com um blaiser, agora a gravata... Ah, a gravata era outra história.
O moreno bufou e atirou a gravata longe. Fazia vinte e oito minutos que estava tentando dar o nó e parecia que tudo dava errado. Hoje iria sem a bastarda e pronto, afinal não pareceria menos elegante e profissional por causa dela. Suspirando o homem lembrou-se que quando mais novo havia sido sua mãe a lhe ajudar, logo após Temari. Sim, estas haviam sido as únicas duas pessoas no mundo que sabiam de sua dificuldade com aquele acessório. Nem mesmo Sasuke sabia de seu problema, afinal Uchiha Itachi era o primogênito Uchiha, o gênio perfeito que nem ao menos sabia fazer um nó de gravata? Por favor, seria humilhante. Itachi invejou Sasuke quando aos seus onze anos o irmão já sabia dar três nós diferentes e ele...
Ninguém saberia, visto que ele guardava isto no fundo de sua alma, mas mesmo após tantos anos Itachi ainda sentia falta do sorriso doce de sua mãe – tão diferente do rígido de seu pai! – ao lhe ajustar o nó Windsor.
"Meu menino grande ainda não conseguiu ganhar a guerra contra essa simples gravata?"
Simples... De simples não havia nada naquilo. A morte de seus pais apenas foi o princípio de suas lamúrias, das quais apenas se intensificaram quando se viu obrigado a ir embora e deixar tudo para trás, a deixar Temari para trás.
A mesma Temari que logo de manhã cedo enrolava seu corpo nu no lençol da cama do moreno, caminhava sensualmente até ele com aquele sorriso de eterno deboche e lhe fazia o perfeito e preciso nó duplo, que ela tanto havia praticado com seus dois irmãos menores.
"Quem diria, o prodígio dos Uchihas ainda não consegue se vestir sozinho, espere só até eu contar para as meninas"
Itachi esboçou um meio sorriso torto com a lembrança, não era necessário dizer que ela nunca contou nada. O moreno suspirou com suas divagações sentando-se em sua cama e abrindo a última gaveta de seu criado-mudo, retirando de lá uma série de revistas.
Sasuke estava certo, Itachi guardava como um obssecado – e porque não dizer um doente? – todas as fotos de Temari que saiam em revistas de moda, assistia todos os desfiles que a televisão exibia, absorvia a imagem de sua deusa.
Abrindo uma das revistas, Itachi se deparou com uma temari sorrindo enigmaticamente, com seus cabelos louros sustentados por um chapéu de largas abas roxo, enquanto pousava com uma minissaia roxa, uma blusa tomara-que-caia preta, com meia-calças arrastão vermelho sangue e uma sandália – também vermelha - com um salto gigantesco para uma coleção francesa. Ela estava de arrasar, sexy como sempre. Itachi odiava pensar que assim como ele guardava essas imagens obssessivamente, outros também o faziam.
Sabia que não tinha direito de exigir nada, mas desde que havia encontrado seu irmão bêbado e sangrando que não conseguia tirar de sua mente a pergunta de seu otouto: o que eu faria se a encontrasse? Teria sangue frio o suficiente para fazer o que aconselho Sasuke a fazer? Seria forte o suficiente para deixá-la ir novamente?
Não sabia, mas com certeza precisaria ser. Forte para enfrentar as consequências de seus atos. Fizera o que fizera para manter Sasuke seguro, para cumprir com o último pedido de seus pais, para cumprir com seu dever como irmão mais velho, para cumprir com suas responsabilidades. Não poderia perder mais ninguém, não poderia perder Sasuke.
- Você é passado, Temari. – disse pelo que parecia ser a centésima vez nos últimos três anos, enquanto guardava as revistas na gaveta novamente e se levantava, pegando a gravata e novamente tentando ganhar a primeira batalha do dia.
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Semanas depois...
Naruto riu com vontade quando Shino repreendeu – novamente – Kiba por sua inveja desmedida. Contudo, até mesmo o loiro concordava que desta vez o outro tinha razão, afinal ao olhar mais para o fundo do pátio Naruto poderia observar uma sorridente – e corada - Hinata de mãos dadas com um sério e frio Neji.
Quem olhasse de fora não veria nada mais que um casal bonito, porém totalmente incompatível, mas Naruto, como amigo de Hinata, sabia que ali havia muito mais. Eles eram – apesar de tudo – um casal perfeito. A garota era a doçura e humanidade que o Hyuuga precisava, e nisso ninguém podia discordar.
Naruto gostava de Hinata. Realmente gostava. Nesse quase um mês em que o loiro estava naquela nova cidade, naquele novo colégio havia conhecido e estruturado vários laços de amizade, mas com certeza de todos esses laços o que o Uzumaki mais prezava era o da menina de olhos perolados.
Hinata era calma, complacente, sempre disposta a ouvir as reclamações do loiro sobre as notas baixas em física, estava sempre lá para lhe dar um ombro amigo quando Naruto, inconscientemente, caia em mais uma de suas divagações do passado.
Sim, com certeza Hinata era a pessoa que mais prezava desde que chegou àquela cidade. E por isso mesmo Naruto sempre estava de olho no tal Neji, não como Kiba que esperava que o moreno morresse engasgado com um pedaço de maçã, mas sim como um amigo zeloso. Nunca poderia permitir que ele machucasse o coração da doce Hinata. Entretanto, algo dentro de Naruto lhe dizia que isso não aconteceria, na verdade Neji olhava para o loiro com o mesmo propósito e isso bastava para Naruto saber que Hinata estava segura.
- Hey, Naruto! Naruto pra terra! – gritou Lee
- Hã?! Desculpa, estava pensando em outras coisas. O Kiba já acabou com o drama de hoje? – questionou o loiro com um meio sorriso sarcástico e uma das sobrancelhas arqueadas, um gesto que lhe era muito Uchiha, porém preferiu ignorar tal fato... por enquanto.
- DRAMA? Que drama? Pff, aquele nojento do Hyuuga que faça o que quiser, babaca.
- Isso responde a sua pergunta?! – indagou um cansado Shino em um pleno suspiro, o que apenas fez o loiro recomeçar a rir.
- Ahh, vão à merda também e ainda mais essa! – bufou um chateado Kiba – olha lá, como se não bastasse o imbecil do Hyuuga ficar marcando território, agora até o metido do Shin veio pra importunar a Hinata...
Diante daquele nome Naruto quase que automaticamente virou o rosto e se deparou com Sasuke conversando despreocupado com Neji. Se Naruto estivesse prestando atenção teria percebido que Hinata corou e se despediu dos rapazes dando um beijo na bochecha do namorado, antes de ir ao encontro de seus amigos.
- O-oi Naruto, tu-tudo bem? – questionou uma Hinata extremamente corada.
- Uhn? – piscando repetidas vezes o loiro abaixou o rosto e finalmente percebeu que Hinata estava na sua frente. – Desculpa, falou algo?
A menina sorriu docemente.
- Eu perguntei se está tudo bem?
- Ahh, sim. Ótimo, na verdade.
- Ihh, Hinata cansou de ficar com os caras populares. – esnobou Kiba.
- Na ver-verdade eu deixei o Neji e o Shin-san conversando.
- Pff, teu namorado – começou Kiba praticamente guspindo a última palavra – deixa aquele babaca do Shin te esnobar?
- N-não, é só que o Shin-san pre-precisava conversar sobre o time de basquete então eu...
- Ahh sim, daí o panaca te manda sair correndo com o rabo entre as...
- Kiba chega! – exclamou Naruto irritado – Você está insuportável hoje. Porra, te liga. Vamos sair daqui Hina.
Naruto puxou delicadamente Hinata pelo pulso e a levou para baixo de uma das árvores de cerejeira do pátio, onde poderia desfrutar de uma sombra.
- Esse ciúme do Kiba está indo longe demais.
- E-eu sei, m-mas logo ele percebe que o Neji é uma pessoa bondosa. – Naruto sorriu com a frase da amiga, só mesmo Hinata para acreditar nisso.
- Se você diz...
Os olhos azuis do loiro se desviaram automaticamente para o outro lado do pátio, onde Sasuke ainda conversava com Neji, ambos em tom de voz baixo e em uma conversa claramente monossílaba. Naruto quase sorriu com o pensamento, anos atrás era ele no lugar de Neji. Apenas com a diferença de Naruto falar tanto que ficava com a boca seca, mas Sasuke sempre escutava, mesmo que reclamasse de segundo a segundo ele escutava e respondia e...
- Naruto?
- Uhn?
- Você já está assim há semanas.
- Assim como, Hina? – questionou o loiro, finalmente olhando para a amiga.
- Com essa expressão de devaneio e com uma forte inclinação para me perguntar algo.
- Eu...
- Naruto, pode ser que nos conheçamos há pouco tempo, mas eu já posso dizer que conheço muitas das tuas expressões, então seja o que for: pergunte.
- É que... Eu não sei se é correto eu...
- É sobre o Shin-san, não é?
Os olhos azuis se arregalaram.
- O-o que, e-eu n-não...
Hinata sorriu docemente diante do constrangimento e do tom avermelhado do amigo.
- Naruto, eu que gaguejo e coro não você.
- Hinata, sério eu...
- Naruto, eu sei que está acontecendo algo com você e que tem relação com o Shin-san. Eu vejo a forma como vocês se olham quando um acha que o outro não está olhando. – Naruto engoliu em seco, e ele que sempre pensou estar sendo discreto – Eu vejo como você parece se perder em lembranças quando ele está por perto.
- Eu não posso...
- Eu não vou exigir que você me conte nada, porque eu sei que quando você precisar, você virá até mim e me contará tudo. Quando você estiver pronto e quando você achar que está na hora de dividir esse fardo.
- Eu... Obrigado, Hina. – foi tudo o que o loiro disse antes de envolver a cintura da morena e abraçá-la. Hinata corou fortemente, porém retribuiu o abraço. – acho melhor nos separarmos, se você visse a cara do Hyuuga – falou Naruto sorrindo, enquanto se afastava de Hinata. – eu poderia jurar que já estaria morto.
Para ser sincero, não era apenas o Hyuuga que estava com o cenho franzido e um olhar mortal, Sasuke também esboçava uma expressão bem parecida, porém Naruto preferiu não pensar sobre o assunto, fato que estava se tornando uma constante em sua vida: não pense e tudo ficará bem.
"pff, belo lema" pensou consigo mesmo.
- Então Naruto, me fale o que anda te perturbando tanto nessas últimas semanas.
Naruto respirou fundo.
- Hinata, eu sei que não deveria perguntar isso e também não sei se você sabe, então eu...
- Naruto, direto ao ponto. – ordenou Hinata, corando fortemente no processo.
- Você sabe por que o Shin ficou sem vir pra aula por quase uma semana? – falou tudo de uma vez, sem respirar.
Hinata arregalou os olhos diante da rapidez das palavras, para logo em seguida expressar indecisão em seu rosto ovalado.
- Naruto...
- Você sabe, não é?! – Naruto conhecia a amiga, sabia que toda aquela embromação significava que ela sabia, mas não tinha certeza se podia contar.
- Você jura que não vai contar isso para mais ninguém?
- Sim.
Hinata suspirou.
- Neji me pediu para guardar segredo, mas eu sei que você nunca faria nada que prejudicasse o Shin-san, então...
- Então...? – incentivou o loiro.
- Neji me contou que a professora pediu para ele levar as atividades dos dias que o Shin-san havia perdido na casa dele, então... Bem, o Neji me contou que ele tocou várias vezs a campainha do apartamento, mas como ninguém atendia...
- Hinata?
- Neji sabia que havia gente em casa, porque por baixo da porta havia luz, então ele me contou que praticamente esmurrou a porta e então quando o Shin-san abriu... – Naruto engoliu em seco, algo dentro de si lhe dizia que não iria gostar do que ouviria. - ... O Neji se apavorou, disse que o Shin-san estava vestindo uma roupa totalmente suja, tinha o aspecto de alguém que não tomava banho há dias e também...
- HINATA! – exclamou o loiro nervoso, chamando a atenção para si e para a morena.
- Quando o Neji encontrou, ele encontrou espalhadas pelo chão do apartamento várias garrafas de bebidas vazias, além do forte cheiro de wisky que o Shin-san tinha...
Naruto deixou de ouvir o que a amiga lhe dizia. Os olhos turquesa se fecharam com força. Sasuke bebendo... de novo. Ele não podia ter feito aquilo, ele havia prometido ao loiro que nunca mais tomaria.
Naruto sentiu como se estivesse sendo arrastado por uma enxurrada para o passado, mais especificamente para um mês após a morte dos pais do Sasuke.
Sasuke se encontrava cada vez mais distante. Faltava com frequência as aulas e quando ia nunca ficava até o último período. Para o loiro era óbvio que algo de muito errado estava se passando. Afinal, Naruto entendia que Sasuke afastasse todos de si, mas não conseguia conceber a ideia de Sasuke o afastando. O Uzumaki era muito mais que um simples amigo ou colega de classe. Naruto – junto com Itachi – era tudo o que havia restado a Sasuke.
Naruto não poderia dizer que não chegou a desconfiar de nada, quer dizer, os sinais estavam ali, porém o loiro não quis acreditar. Sasuke não era fraco o suficiente para se deixar envolver por aquilo. Mas o loiro se enganara e tudo se comprovou em uma tarde.
A banda havia decidido retomar os ensaios e lá estavam todos, inclusive Sasuke. Um Sasuke extremamente calmo. O que Naruto havia notado – e apenas Naruto, pois ninguém prestava tanta atenção ao moreno quanto ele – é que Sasuke tremia. Não apenas as mãos, mas sim o corpo todo, assim como as costas da camiseta azul marinho estavam molhadas por suor e o rosto do moreno se contorcia em suavez espasmos, algo não estava bem.
Durante os primeiros acordes da guitarra que a confirmação veio. Sasuke e sua guitarra se chocaram com o chão e o primeiro começou a convulsionar.
Naruto puxou ar para dentro dos pulmões. Hinata arregalou os olhos e segurou seus ombros preocupada. O loiro começou a hiperventilar e a tremer.
Naruto fora quem acompanhou o moreno na ambulância, também fora ele o primeiro a ouvir o que o médico que atendeu e internou Sasuke lhe disse naquele frio corredor de hospital.
- Seu amigo sofreu um coma alcóolico.
O loiro não queria acreditar naquelas palavras, mas como negar quando ele mesmo já havia percebido os pequenos detalhes. Naruto só não acreditou que Sasuke fosse escolher logo a bebida para desafogar a perda dos pais.
Duas semanas, duas semanas foi o tempo que Sasuke demorou para acordar. Acordar para a vida, acordar para a realidade crua e sóbria. Acordar para o soco que recebeu de Naruto.
- Nunca, está me ouvindo bem, nunca mais eu vou te deixar beber, seu estúpido.
E Naruto se lembrava dos olhos ônix de Sasuke, dos olhos que absorviam a sua dor, que percebiam que ele – Naruto – sofria, sofria por ele. E desde aquele dia Naruto soube que Sasuke nunca mais havia posto um pingo de álcool em sua boca...
... Pelo menos até algumas semanas atrás.
- Naruto, NARUTO! Fala comigo! - gritava Hinata em plenos pulmões, cada vez mais preocupada com o amigo que, além de hiperventilar, simplesmente não respondia aos seus chamados. – Naruto, por favor, responde!
Hinata notou que os lábios do loiro estavam se tornando azulados. Também notou como Shin Sora a puxava para longe e colocava uma bombinha na boca do loiro.
A morena não havia percebido, mas em torno de si estavam Kiba, Shino, Lee, Neji – que agora a segurava pela cintura – e Shin Sora que tinha uma das mãos repousando sobre as costas do loiro, enquanto a outra sustentava a bombina na boca do mesmo. A face de Shin estava contorcida em uma preocupação que Hinata nunca pensou ser possível ver naquele rosto frio.
A Hyuuga percebeu que alguns segundos mais tarde Naruto havia parado de tremer e de hiperventilar. Mas Hinata só teve a comprovação de que tudo estava bem quando os olhos azuis voltaram a ter foco e olharam muito profundamente os ônix de Shin.
No mesmo instante o sinal tocou e os alunos começaram a entrar, deixando apenas Shin, Naruto, Neji e Hinata – esta última havia convencido os meninos a entrarem -.
- Naruto está tudo bem? – questionou a morena aflita, porém não houve resposta. O loiro ainda olhava fixamente Shin.
- Você é um completo imbecil, Naruto. Sabe que tem que ter a merda da bombinha sempre junto – exclamou em um tom perigosamente baixo, porém não menos furioso o moreno. Tom de voz esse que parece ter ativado um gatilho no loiro, fazendo-o se afastar quase que imediatamente do outro.
- Não me diga o que eu devo ou não fazer! – exclamou Naruto em um tom de voz muito parecido com o do moreno – e para a tua informação fazem mais de dois anos que eu não tenho mais crises.
Sasuke estreitou os olhos, fora jogo baixo do loiro pontuar exatamente a época em que ele havia ido embora.
- Estou pouco me fodendo pra isso, se eu não estivesse carregando essa bombinha, você poderia ter...
- Eu sei o que poderia ter tido e isso não é teu problema, Shin.
O moreno arqueou uma das sobrancelhas pela resposta recebida.
- Engraçado que eu não sabia que você era asmático, Shin. – comentou Neji como quem não quer nada.
- Não sou.
- Ele não é. – responderam Naruto e Sasuke ao mesmo tempo, fazendo ambos se olharem.
- Mas que sincronia. – zombou o Hyuuga.
- Vá à merda, bastardo. – insultou Sasuke.
- M-mas en-então como que você tem uma bombinha, Shin-san?
- Esqueçam. Isso não é importante agora.
- A não? – comentou o Hyuuga, com um meio sorriso nos lábios.
- Não. O importante é o babaca aqui ir pra casa descansar. – demandou Sasuke.
- Pff, como se eu fosse...
A frase de Naruto ficou suspensa no ar, quando os quatro adolescentes ouviram o ronco de um motor muito próximo, assim como várias exclamações de alguns alunos que ainda não havia entrado do prédio de aulas.
O loiro observou como um Lamborghini Reventon negro parou diante do portão principal do colégio. A porta do motorista se abriu e o loiro não pode visualizar muito bem o rosto do motorista, devido à distância, porém avistou cabelos vermelhos como o fogo.
Naruto arqueou uma sobrancelha e esboçou um meio sorriso torto, só havia uma pessoa que o loiro conhecesse que possuia suficiente dinheiro como para ter um carro como aquele, e esta mesmíssima pessoa possuia cabelos vermelhos como aqueles e também possuia uma boa razão para ir até um colégio como aquele e a razão era ele mesmo.
E o fato de Sasuke ao seu lado grunhir apenas confirmou ainda mais suas suspeitas. Sasuke sempre odiou ele...
Quanto mais o homem ruivo se aproximava, mais Naruto conseguia decifrar suas feições e foi com um amplo sorriso que Naruto afirmou com toda a certeza do mundo que entrando pelo portão do seu colégio estava ninguém mais, ninguém menos que Sabaku no Gaara.
Naruto sorriu abertamente. Gaara sempre fora um de seus grandes amigos, ficando apenas atrás de Sasuke. Porém quando o moreno se foi... Quando Sasuke se foi Gaara se tornou seu porto seguro. Fora quem segurou Naruto e o impediu de despencar em um abismo sem fim, fora Gaara que insistia para que comesse, que insistia que tomasse banho, insistia em fazê-lo passar de ano no colégio, fora Gaara que não permitira que Naruto se desfizesse em frente à janela a espera de Sasuke.
- Naruto. – cumprimentou o ruivo com sua voz ligeiramente rouca.
- Gaara! – exclamou o loiro extendendo a mão que prontamente foi pega e ambos se puxaram, fazendo os corpos colidirem em um abraço desajeitado. – O que faz aqui?
- Tenho um compromisso hoje à noite então decidi passar por aqui. – disse Gaara indiferente, obviamente aquilo não era de todo verdade. O fato de ouvir a voz do loiro tão desolada semanas atrás havia feito seu compromisso se... adiantar, mas isso não era necessário ser exposto.
Com um olhar de canto de olho Gaara reconheceu Uchiha Sasuke. O moreno poderia estar alguns anos mais velhos, mas aquele nariz empinado e aqueles olhos negros desafiadores nunca mudariam. O que Gaara se perguntava era: o que o bastardo estava fazendo tão próximo de Naruto?
Gaara sabia que não estavam juntos, sabia que Naruto não perdoaria, pelo menos não tão fácil. E se isso ainda não fosse o suficiente, ainda havia o olhar mortífero que o moreno lhe lançou quando puxou Naruto contra si.
Naruto nunca chegou a perceber, mas também como poderia quando estava tão encantado pelo Uchiha... Mas Sasuke sabia. Sabia que Gaara queria muito mais do que só a amizade do loiro, sabia que o Sabaku não exitaria em lhe tirar do caminho para conseguir algo com Naruto. E o Uchiha protegia, zelava pelo que era seu, tentando manter o Sabaku o mais longe possível de seu loiro.
O que Sasuke ignorava é que nesses anos em que esteve distante Gaara simplesmente aprendeu que não adiantaria tentar, Naruto nunca liberaria seu coração, então Gaara se conformou. Conformou-se como amigo, como ombro amigo, como quem segurava o tranco quando tudo parecia perdido.
Mas isso não quer dizer que o ruivo não poderia se divertir um pouco às custas do outro.
O Sabaku esboçou um meio sorriso torto. Estava na hora de brincar, na hora de realizar uma pequena vingança infatil.
- Então Naruto, a fim de dar uma volta? – questionou o ruivo passando os braços em torno dos ombros do loiro. Gaara percebeu que os olhos ônix se estreitaram e as mãos se fecharam em punho.
Ninguém havia mandado o babaca ter deixado o loiro.
- Claro que sim! – respondeu alegremente – Neh, Hina, você pode guardar as minhas coisas no armário? – questionou o loiro extendendo uma chave para a morena.
- C-claro. – aceitou pegando a chave.
- Então vamos. Até amanha Hina, Hyuuga. – não passou despercebido ao ruivo que Naruto nem ao menos se despediu de Sasuke.
Gaara e Naruto se viraram e foram em direção ao carro caríssimo do ruivo.
- Hey usuratonkachi! – exclamou Sasuke, fazendo com que Naruto se virasse rapidamente.
- Nunca mais me chame assim entendeu! Nunca mais, você não tem direito... não mais. – terminou a frase em um quase sussurro, audível apenas para Gaara.
Sasuke reprimiu a intensa vontade de gritar que 'Sim, ele tinha direito, porque Naruto era seu e de mais ninguém', mas se reprimiu ao ver um olhar que transitou entre raiva líquida, até uma onda de desamparo.
Recolocando sua máscara de indiferença, que parecia ter caído por alguns segundos o Uchiha respirou fundo.
- Acho que você devia levar isso junto. – disse mostrando a bombinha em sua mão.
Sasuke viu quando Naruto torceu os lábios e moveu o corpo em sua direção, até ser parado por Gaara. O maldito ruivo – na opinião de Sasuke – não tinha porque se meter, porém era isso que o ruivo fazia ao caminhara até si e extender a mão, esperando que Sasuke lhe desse a bombinha.
Gaara se inclinou na direção do moreno e em um quase sussurro, apenas ouvido pelo moreno disse algo que vez o estômago de Sasuke se remexer.
- Você perdeu, Uchiha. Ele é meu. – foi tudo o que Gaara disse, antes de pegar a bombinha e voltar a caminhar até Naruto. Poderia ser infantil o que fizera, mas o Uchiha merecia, merecia provar um pouco da desolação, do sofrimento que Naruto experimentara... Nem que fosse uma quinta parte da dor real.
- Está tendo crises novamente? – questionou indiferente o ruivo, quando chegou ao lado do loiro.
- Isso não importa, apenas me tira daqui... por favor. – e Gaara sabia que não precisava olhar o loiro para saber que ele esboçava o mesmo olhar que há tantos anos atrás havia visto: desespero, traição, angústia.
Gaara não queria mais ver aquele olhar, nunca mais. Principalmente depois daquele dia...
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Notas da Autora: Olá! Bem me desculpem pelo tempo sem postagem. Eu estive ocupada ao extremo, mas aqui vai mais um cap de PD para vocês. Porém eu tenho desculpas para essa demora, além da falta de tempo, do cansaço o meu pc decidiu que deletar 10 páginas do cap seria uma ótima ideia ¬¬ Enfim, quero agradecer à Lyra Kaulitz por sua disposição para betar este cap, muito obrigada!
Para aqueles que ainda insistem em ler esta fic... Espero que gostem e obrigada por continuarem a acompanhar. Beijos ;**
Kappuchu09
Resposta às Anônimas:
poke: Olá! fico feliz que tenha ocnseguido passra esses sentimentos! Acho
que a base toda aqui é isso 'traição e perda'. Por certo ponto de vista o
teme realmente foi um fdp - como vc mesma disse -, porém ele fez isso por
um motivo, que ele crê ser muito significativo. E concordo contigo, aqui é o
sasuke muito mais dependente do que o naruto. Pois, NAruto teve anos
para amargar e deixar crescer dentro de si esse sentimento de ter sido
abandonado, enquanto Sasuke usou esses anos imaginando que naruto
ainda era seu, a prova é o choque que ele sente quando o dobe devolve o
colar. Agora em algo eu chego a discordar de ti. NAruto pode ter devolvido
o colar, mas não conseguiu ainda colocar um ponto final em tudo. O dobe
QUER um ponto final, QUER parar de sofrer QUER esquecer o sasuke, o
problema é que ao mesmo tempo ele NÃO QUER. Ele de certa forma se
acostumou com a dor, como se ela fosse a única que lhe deixasse mais
próxima do sasuke. e sobre a covardia de sasuke, é bem questionável, por
um lado ele foi sim covarde em deixar tudo, pois se ele quisesse poderia ter
ficado e 'lutado', porém ele escolheu o caminho mais fácil, entretanto
devemos lembrar que quando ele fez essas escolhas ele estava em meio a
uma crise com a morte dos pais e tudo mais, então o discernimento fica bem
prejudicado D: Enfim, cap 5 no ar, espero que vc goste e me desculpe pela
demora abusiva na postagem. Beijos ;**
Marina: Olá! como pedido aqui está a continuação, perdão pela demora e
espero que vc goste do cap. beijos ;**
