Pesadelos
Joanne Salgado
Cap 6 - Futuro
Draco acordou sentindo dores no corpo e fome. Ao abrir os olhos reparou que estava na enfermaria, não conseguia lembrar porque estava lá. Percebeu um movimento, olhou para o lado e viu Blaise o analisando.
- Enfim, acordou. Estava ficando preocupado.
- Blaise? O que aconteceu?
Blaise explicou e depois ficou em silêncio.
- Eu te avisei Draco, seu corpo já não aguenta mais.
- Olha eu...
- Nada de olha Draco, você sabia que você podia ter morrido? Madame Pomfrey falou que seu corpo está terrivelmente debilitado, frágil e que pode facilmente desenvolver uma doença. Seu corpo não tem como se defender do que está fazendo com ele.
- Desculpe Blaise. Eu só... Ele precisava de mim. Entende?
- Por que tinha que ser você? Ele nem mesmo sabe que você existe Draco.
Sentiu seus olhos começarem a arder, engoliu a dor respirando fundo.
- Não me importa.
- Importa sim, você é meu melhor amigo, e não vou mais deixar que continue a fazer isso.
- Você não pode me impedir!
- Tenho meus meios. Não me obrigue Malfoy.
Respirou fundo novamente, agora para acalmar a raiva súbita. Não podia esquecer que Zabini era, além de seu amigo, um Sonserino e um bem inteligente.
- Ok Blaise, posso apenas pedir uma coisa?
- O que? – perguntou Blaise desconfiado.
- Um último dia. – falou simplesmente. – Depois não vou mais continuar com isso.
- Draco...
- Estou falando sério Blaise, só quero uma última noite, e não irei mais discutir.
- Ok. Só mais uma!... Certo?
- Certo...
Sentia-se triste mas sabia que o amigo fazia aquilo para seu bem. Desde a morte de Pansy na guerra Zabini não era mais o mesmo. Sabia que os dois haviam começado um relacionamento, lembrava como o amigo sofrera. Só estava cuidando para que Draco não quebrasse o coração como aconteceu com ele.
Encostou-se nos travesseiros.
Blaise se despediu, levantou um dos braços e deixou-o cair em seguida.
Era sua última noite com o dono de seu coração. Sentiu seu peito doer e descobriu o que era ter um coração quebrado.
Harry estava com a capa da invisibilidade ao lado da cama de Draco havia muito tempo o observando. O amigo do loiro entrou para visitá-lo e resolveu ficar. Em silêncio escutou a conversa. Ficou surpreso, emocionado, triste e esperançoso.
Saiu do quarto junto com Blaise para assim abafar seus próprios passos e, assim que pode, tirou a capa guardando-a em sua mochila. Estava na hora de tomar conta dessa situação. Era sua chance de fazer algo pelo loiro.
Conforme analisava o que ouvira, parecia que Draco correspondia aos seus sentimentos, não queria ter muitas esperanças e ao mesmo tempo seu coração disparava enlouquecido com a mínima chance de suas suposições estarem certas. Há muito tempo abrira mão do Sonserino e agora tinha medo. Ao mesmo tempo lembrava que Malfoy arriscara a vida para cuidar dele.
Precisava mostrar ao loiro que as horas ao seu lado não foram em vão!
Precisava fazer algo para descobrir se tinha chance!
Naquela noite conversou com seus amigos contando tudo que vinha acontecendo. Até sobre suas mentiras. Hermione parecia, como sempre, já saber. Já havia falado sobre seus sentimentos com eles, precisava colocar para fora mesmo que nunca fosse fazer nada. Rony não aceitara bem no começo, mas eram amigos de verdade e tudo que queria era vê-lo feliz nem que fosse com o "cara de fuinha". Já Hermione falara que, se era o que ele queria, ela estaria do seu lado.
Hoje ele iria precisar de alguma ajuda. Resolveu fazer valer a pena cada momento dessa noite.
Mesmo um pouco contrariado Rony saiu com a capa para a cozinha. Foi buscar tudo que Harry pedira enquanto Hermione o ajudava a usar o feitiço de remover a barba de forma correta e aparava seus cabelos, magicamente, claro.
Logo Rony estava de volta e Harry estava pronto. Sorriu para os amigos com as duas mochilas nas costas, jogou a capa sobre sua cabeça cobrindo seu corpo e saiu do salão comunal.
Draco olhou o relógio. Harry já deveria estar dormindo. Suspirou e levantou-se da cama em silêncio. Madame Pomfrey não poderia saber que estava saindo da ala hospitalar.
Saiu da sala e andou vagarosamente para onde que Harry estava. Queria correr para lá e aproveitar os últimos momentos com o moreno, mas seu corpo inteiro doía, então andou devagar para aguentar a caminhada.
Parou em frente à porta fechada e respirou fundo. Era a última vez. Sem deixar as lágrimas escorrerem abriu-a e parou estupefato com os olhos arregalados.
A sala estava completamente iluminada por velas que flutuavam próximas ao teto. A mesa do canto estava coberta por uma toalha e em cima vários doces, salgados e bebidas. No colchão Harry estava sentado e o olhava sorrindo.
Ia balbuciar uma desculpa qualquer para o porquê de estar ali àquela hora quando o moreno falou:
- Entre Malfoy.
Sem pensar entrou na sala fechando a porta atrás de si e andou até o do colchão ainda encarando o Grifinório sorridente à sua frente.
- Sente-se, por favor, acho que precisamos conversar.
Sentou-se na ponta do colchão sem saber o que fazer.
- Eu queria agradecer.
- Pelo que Potter? Essa testa rachada finalmente perdeu a noção? – isso, ofender, claro... Por que não. Começou a se movimentar para sair dali o mais rápido possível. – Posso ir embora agora?
Harry apenas o ignorou.
- Queria agradecer por cuidar de mim durante estes últimos meses à noite. Por ter me ajudado com meus pesadelos.
Draco congelou e ficou parado, sentiu seu o rosto queimar. Merlin... Ele sabia? Como?
- O que... ?
- Ontem.
- Huh? O que tem ontem Potter?
- Você veio ontem.
- Eu... Não... Eu estava na enfermaria...
- Você veio. Parecia estar em algum tipo de transe sabe? Nem reparou que eu estava acordado, só deitou do meu lado e ficou cuidando de mim a noite inteira.
Ok! Um buraco. Precisava urgentemente de um buraco. Ia se jogar dentro dele e talvez saísse daqui a uma vida... Ou duas.
- Foi a coisa mais gentil, carinhosa, protetora e linda que já me fizeram.
Olhava pasmo para o moreno, estava ciente de sua boca aberta em surpresa. Só pensava em sair dali correndo, mas seu corpo não querer mais lhe obedecer e se inclinava vagarosamente em direção do moreno.
- Então eu queria agradecer. Estava esperando que aparecesse hoje, para poder falar isso.
- Bom – aprumou-se se afastando dolorosamente do grifinório. Sua voz voltara... Graças a Merlin – Ok... É... Vou embora agora.
Já ia se levantar quando Harry se adiantou e segurou sua mão.
- Eu queria retribuir...
- Hein? – Pronto! Estava perdido de novo! Por que ele tinha que ficar segurando sua mão daquele jeito... E porque ele tinha que fazer carinho na sua mão daquele jeito?
- Sei que está meio doente por minha causa. Então... Posso cuidar de você hoje?
Antes que conseguisse tomar qualquer atitude, Harry o puxou para seu lado, no colchão. Draco abriu mais ainda os olhos sem conseguir esboçar qualquer reação. Ficou encarando aquelas orbes verdes brilhosas... Sua cor favorita havia mudado de azul para verde por causa daqueles olhos. Mas nunca admitiria isso!
- Potter... O que... O que está fazendo?
- Harry...
- Hã? – "Cérebro, porque você não funciona?" Draco estava ficando irritado por não conseguir articular nenhuma frase direito.
- Me chame de Harry... Quando está aqui comigo, à noite, você sempre me chama de Harry... Eu gosto.
- Ah, é? Ok... Eu... – "Funciona merda... para de gaguejar, isso não é nem um pouco digno!".
- Posso te chamar de Draco?
Apenas assentiu com a cabeça. Sua voz resolvera que não ia funcionar tão cedo de qualquer jeito.
- Draco, quer ir embora?
Viu uma leve tristeza passar no rosto do rapaz.
- Não Pot... Harry. – Respondeu rapidamente. – Só... Me deixa pensar um pouco, ok?
Pronto, sua voz resolveu dar o ar da sua graça, obviamente ela também não queria se afastar dali.
O que estava acontecendo? Sentou e passou as mãos pelos cabelos respirando fundo conseguindo assim um mínimo de autocontrole. Melhor perguntar de uma vez.
- O que está acontecendo aqui?
- Eu estou agradecendo!
- Só isso? – perguntou meio irônico, levantando uma sobrancelha para o moreno.
- Gostaria que fosse mais?
- Não foi o que eu falei... – Respondeu ficando vermelho na hora.
- Você gostaria de algo mais Draco?
- Harry...
- Eu gostaria! – Harry falou antes que perdesse a coragem.
- Você... Gostaria? – o loiro não podia acreditar.
- Sim. Draco, - disse sorrindo - você quer uma declaração?
Derreteu-se com o sorriso que o moreno lhe deu.
- Vai à merda Potter! – irritou-se com sua própria fraqueza.
- Ah, voltei a ser Potter. Que pena...
- Harry...
O moreno riu.
- Não preciso de uma declaração Harry, eu preciso entender o que está acontecendo aqui.
- Estou cuidando de você e esperando que aceite meus sentimentos.
O loiro ficou vermelho novamente. Não gostava muito disso, mas os sorrisos que Potter lhe dava toda vez que isso acontecia, valiam a pena.
- Que sentimentos? – melhor perguntar antes que falasse besteira.
- Os meus... Oras.
- Palhaço.
- Draco, podemos tentar? Sabe... Ficar juntos. Eu gostaria...
- Harry, você esta me pedindo em namoro? – não cabia em si de felicidade só não ia deixar barato aquela vergonha toda que o moreno estava fazendo-o passar.
Foi agraciado com a visão de Harry Potter, o salvador do mundo mágico, corando.
- Bem... E se eu tiver? – viu o moreno falando sem graça.
- Se estiver, eu respondo... Que sim!
- Sim o que?
- Sim, eu aceito Pot... Harry.
E antes que perdesse qualquer coragem que seu corpo Sonserino tinha, inclinou-se e depositou um beijo nos lábios do moreno que correspondeu entreabrindo os lábios para aprofundar o beijo.
O sabor de Harry era uma delícia. Era único. Era seu.
Envolveu o corpo do moreno em um abraço enquanto continuava beijando-o.
Seu corpo dolorido protestava, mas não queria parar. Até que foi obrigado por uma cãibra em seu braço esquerdo.
- Dolorido?
- Um pouco... – admitiu o loiro.
Sem falar nada Harry apenas o deitou e ficou ao seu lado fazendo carinho em seus cabelos. Aos poucos Draco foi relaxando, fechou os olhos sentindo aquela carícia. Se isso fosse um sonho ia aproveitar cada segundo.
- Draco?
- Hum? – respondeu sem abrir os olhos.
- Nunca mais faça isso, ok?
- Fazer o que? – ainda permaneceu de olhos fechados.
- Arriscar-se assim.
- Por você eu faria tudo de novo.
E antes que pudesse falar algo mais sentiu os lábios do moreno sobre os seus novamente.
- Harry? – falou afastando-se do beijo.
- Sim?
- Isso é um sonho?
- Não. – A voz estava baixa, próxima ao seu ouvido. Sentiu um arrepio espalhar por seu corpo.
- Que bom. Deite-se aqui comigo.
Harry se deitou abraçando-o pela cintura. Logo o moreno ressonava, dormindo.
Sorriu. Blaise não ia acreditar quando falasse isso pra ele. Não quis pensar em como seria contar para seus pais ou como seria a escola saber disso. Não queria pensar em nada. Sabia que Harry estava do seu lado, e isso era tudo que importava.
Aos poucos foi deslizando para um sono profundo.
As velas foram se apagando, uma a uma.
FIM
N/A: Acabou... desculpem a demora, mas está aí. Gostei muito de escrever essa fic e colocar mais uma das minhas muitas idéias no papel.
Deixem review para saber o que acharam, ok?
E obrigada a todos que acompanharam, que leram e deixaram comentários.
bjus
