04. North Kyushu.

Meu corpo já pesava, e sentia o sono me consumir, mas um ruido de dedos martelando o teclado nervosamente não deixou que eu apagasse completamente. Logo senti a voz de Miki soar calma.

- Meninas, detectamos eles.

- Hm.

- 5 minutos até chegarem aí.

- Quem? - balbuciou Ruki.

- Seu marido e o marido da Sora.

Os olhos lilases da Ruki se abriram imediatamente.

- MEU MARIDO O ESCAMBAU! - Ruki esbravejou no comunicador. Eu não ficaria surpresa se a Miki ficasse surda.

E foi assim que todas acordaram.

- E aí, como vocês querem fazer? - Rei perguntou, esfregando os olhos

- Na boa, já fomos atacadas. Por mim eu ficaria e lutava. - Chikka disse, refazendo as trancinhas no cabelo.

- Uma fica.

- Ruki, são dois. - Sora disse, pondo o chapéu - E é o Taichi e o Ryou, pra variar.

- Dois sangues-quente de uma vez só... Dar-se por vencidos eles não vão. - completei. - Conheço aqueles dois, se falarem "você não vai" eles usam até a última queratina do último fio de cabelo do Taichi pra te parar.

- E haja poder naquele cabelo! - Juri complementou.

Permitimos-nos dar uma risada.

- Fazemos assim: eles chegam e eu e a Sora partimos pra porrada. Vocês usem o Phoenixmon e vão para o portão de Baihumon. Esperem as outras chegarem lá em um lugar seguro. - Ruki disse.

- Eles estão com a Airu - Alice disse - O que pretende fazer?

- O óbvio. - Ruki disse. - Quantos minutos mais, Alice?

- Dois.

- Vocês já sabem o que fazer. Recolham tudo. It's show time.

Vi um MetalGreymon ao longe. Ruki se sentou no terraço enquanto que Sora se esticava. Nenhuma delas se mostrava abalada.

- Sonhei que você caia num buraco do Paralelmon com o Kouji. Pode isso? - Sorra disse, tentando animar Ruki.

- Você e seus shippings impossíveis - Ruki sorriu e se levantou. Disse perto de Sora, e baixinho - Sora, use Garudamon. Eu sei que você não tá com saco pra lutar, então um Digimon grande pra fazer com que as meninas fujam sem serem notadas. Eu vou tentar me virar com Kyuubimon.

- Kyuubimon e Cyberdramon? Você tem certeza?

- Absoluta.

Os meninos estavam a menos de 50 metros.

- BOA NOITE, HOT BLOOD BITCHES - Ruki gritou, com um sorriso travesso e cara de quem tava tramando arte - ACEITAM MARSHMELLOWS?

Ryou somente pulou em Cyberdramon e partiu pra cima.

- Hohoho Boa noite, Rukinha. Eu aceito Marshmellows sim, se você vier até aqui me dar na boca.

Cyberdramon mandou um Erase Claw, e um segundo antes, Kyuubimon wildmente aparece e leva Ruki e Sora consigo. Havia asas brancas na raposa de nove caudas, e ela as fazer bater e voar o mais alto o quanto podia.

- Aqui tá bom. - Sora pula e Birdramon aparece, pegando-a no ar. Armou um gigante Meteor Wing e mandou direto pra Metalgreymon.

- AI AI SORA, ISSO QUEIMA, CARAMBA! - Dizia Taichi enquanto apagava rapidamente os focos de incêndio na floresta marrom em que ousava dizer "meu querido cabelinho".

Ambas haviam conduzido a luta de modo que ambos ficassem de costas pra nós.

- Subam, aquele ciborgue logo me notará - Disse Phoenixmon, parando ao nosso lado e dizendo com voz calma.

Quando íamos voando em direção ao portal de Baihumon, eu vi algo amarelo exageradamente rosa.

- ESPERA! A AIRU! - gritei desesperada.

E foi um erro: Metalgreymon lançou um torpedo em nossa direção. Um outro Meteor Wing atingiu o míssil.

- VÃO EM FRENTE, DA AIRU-SAN EU CUIDO! - Chikka gritou.

A segunda Birdramon voou em direção ao Metalgreymon. Na luta, Sora havia feito a sua Birdramon chegar ao Kanzentai.

- Excelente hora em que o Yuu pediu pra trocá-la de prisão METALGREYMON, É FORÇA TOTAL! - Taichi gritou.

Chikka e sua digimon desviavam de qualquer golpe lançado por Taichi e seu Metalgreymon. Um ataque perdido - Um onibidama - atingiu as costas de Metalgreymon, fazendo com que o mesmo perdesse um pouco de altitude e Airu caísse. Mesmo se afastando, eu consegui ouvir nitidamente os gritos de desespero da Suzaki. E numa rasante, Birdramon a salva. A Daimon voltou para o nosso lado e juntas fomos em direção ao portal.

- NÃO PERAÊ, A LUTA É AQUI! - Ryou Gritou e até mesmo cogitou em se virar e correr atrás de nós, mas outro onibidama passou muito perto do seu rosto.

- Ô KING DE MERDA, A LUTA É AQUI E COMIGO! - A kyuubi alada partiu pra cima

De repente todo o céu noturno da Cidade ficou amarelo com um raio.

Isso foi em direção à luta Ryouki.

E no momento seguinte nem Ryou nem Ruki estava lá. Só uma Renamon desmaiada nos braços de Cyberdramon.

...

A primeira coisa que eu vi quando abri os olhos: um poster de uma Playboy do ano passado.

E leitor, devo logo te avisar: seria mesmo a Mimi a fazer a narração desta história, mas como ela não foi sugada para um lugar altamente estranho que nem mesmo eu faço ideia (ainda) de onde estou, portanto eu, Ruki, farei o papel dela enquanto não voltarmos ao nosso lugar.

- Aonde estou...? - balbuciei.

- Meu quarto, Norte de Kyushu. - uma voz que eu sei bem de quem é falou.

Meu instinto de sobrevivência disse: CORRE.

E por mim eu faria isso, mas assim que eu me sentei na cama, um braço moreno foi estendido com tudo, me fazendo chocar com ele e recuar com a dor (que pra quem está naquela fase de crescimento sabe muito bem o quanto dói).

- Calminha aew, queridinha - Ryou disse - Você ainda está fraca. Faça menos esforço, ou sua ferida vai abrir.

Senti um ventinho frio e logo após um calorzinho, como se algum líquido quente escorresse pelo meu obro esquerdo.

A minha camiseta estava rasgada nesta altura, e logo foi empapada pelo meu sangue.

- Ah esquece. - Ele virou o rosto pro lado.

- O que foi que você fez comigo?

- Você caiu numa pedra e se machucou. Eu só dei jeito no seu ombro.

- O que foi que você viu? - E eu senti meu rosto esquentar.

- Nada. Eu juro. Ainda tem uma ferida na sua perna que eu não arrumei. Vou buscar uma toalha e roupas limpas. E preparar um banho pra você. Aí você se vira.

E ele saiu.

Um dia se você quiser, visite um quarto de um garoto de quinze anos. A coisa é tensa.

A cada figure que eu via minha mente soltava essa pergunta ma-ra-vi-lho-sa: "Como foi que você parou neste lugar, Ruki?". E as roupas jogadas? E logo senti ânsia e saí do quarto. A dor era insuportável, mas me mantive andando até chegar numa cadeira e sentar. A tal ferida da perna se abriu, empapando meu jeans. Acho que nem um minuto depois ele veio até mim com algumas roupas limpas, uma toalha e um kit de primeiros socorros.

- Porque você saiu da cam... - ele fechou os olhos e murmurou alguns palavrões. - Primeira porta a esquerda. Se precisar de ajuda grite.

- Não vou correr este risco. - Meu nojo ao lembrar daquele quarto típico de macho estava estampada em rosa-choque na minha testa, eu aposto.

Ví uma ruga de raiva surgir e ele me pegou no colo e me deixou dentro do banheiro.

E eu a tranquei. Olhei ao meu redor e senti alívio ao notar que o banheiro era parecido com o da minha casa.

Quando mergulhei meu corpo na banheira, mordi os lábios para não gritar com a dor. Era atordoante. Lavei-me rapidamente, me sequei e fiz os curativos. Antisséptico? Acho que acabei com o tubo quando eu praticamente afundei o algodão nele.

Quando eu vesti as roupas, me senti aquelas meninas de animes que realizam o desejo mais fanservice dos fãns [Oi LiiM-chan]. Sim, as roupas que ele me trouxe eram sim confortáveis e não eram muito maiores do que eu. E não demorei ao sentir o cheirinho dele.

E VAMOS DEIXAR AQUI BEM CLARO: EU QUERO MUITO, DESESPERADAMENTE, INCONDICIONALMENTE, MUITO RAPIDAMENTE VOLTAR PRA SHINJUKU, TOMAR UM BANHO NA MINHA CASA, VESTIR AS MINHAS ROUPAS E NÃO DAR MAIS CORDA NOS RYOUKISTAS, OK? Eu sei o que vocês estão pensando, e aviso logo: pode esquecer.

Com relação à dor, até que melhorou bastante depois que fiz o curativo. Eu ainda mancava um pouco, mas deu pra andar bem.

E logo senti o cheiro de comida.

- Com fome? - Ele perguntou.

Fiz com que sim. E segundos depois uns bolinhos de arroz estavam na minha frente. Eu peguei um e ia comer, mas logo lembrei.

- Você lavou as mãos antes de fazer isso, né?

- Não que eu me lembre. - ele disse rindo

Ugh. Devolvi o bolinho pro prato e o empurrei delicadamente pro meio da mesa.

- Muito obrigada Akiyama, mas isso eu não vou comer.

- Rainha fresca, você...

Dei um sorriso um irônico.

- O que tem na geladeira?

- Ovos, arroz... Molho de soja, missô frio, carne, uns cogumelos e frutos do mar, além de Coca-Cola...

- Perfeito.

- Vai fazer o quê? - ele me seguiu com os olhos.

- Zousui com ovos. - e peguei o avental.

Pra uma menina burguesa que nem eu, saber cozinhar é de causar espanto nas pessoas. Mas eu aprendi porque se há uma coisa que todas as Makinos concordam é: nada de empregados lá em casa, se queremos, nós vamos atrás.

E se tem algo que faça você pensar mais no seu dia do que estender roupas é cozinhar. Sério.

Enquanto eu fazia a comida sob os olhares pasmos do Akiyama, as coisas faziam sentido pra mim.

"A escolhida a matar o Paralelmon vai cair numa armadilha com um escolhido." Confere.

Armadilha do Paralelmon: confere.

Só nós dois (para a minha infelicidade): confere.

E eu não notei o quão pensativa eu estava, só quando ele comentou sobre a minha lerdeza pra comer.

- Ha ha ha Akiyama, muito engraçado, mas eu tô pensando em como eu faço pra dar um jeito no Paralelmon.

- Ué, nós, rapazes fortes e poderosos, damos um fim nele e as princesinhas podem voltar pra casa com a maquiagem intacta. - ele ironizou.

Até dez, Makino. Conte até dez.

- Venusmon nos deu uma profecia, disse muitas coisas.

- Tipo...? - ele falou com a boca cheia.

- Os escolhidos à matar Paralelmon irão cair numa armadilha do próprio e só juntos vão vencer ele. E se ambos aceitarem, dois mundos devem se juntar, uma espada empunhar, zerar o jogo e tocar os créditos.

Ele deixou os talheres cair no prato.

- Você não tá querendo dizer que...

- Isso aí. Este super jantar romântico na realidade é uma parte de um destino nem tão fofo assim.

Freetalkin': compensei o chapter anterior. Escrevi tudo o que eu queria!

Eu gostaria de postar esta fanfic no Digital Zone, mas sei que se eu postar é pedir pra ser linchada verbalmente. E eu só tenho 16 anos, não quero ir pra cova agora.

A propósito, sobre o quarto do Akiyama: se eu não me engano, ele mora só com o pai, e... Sendo ele um autêntico japonês que conhece Tóquio e que tem 15 anos, não seria estranho se de fato ele tivesse isso no quarto (Se bem que eu exagerei um pouco...).