05. Listen.

- Ruki cadê você - Murmurei enquanto via um céu repleto de estrelas brilhando acima de mim enquanto tentava me mexer e sair das cordas.

Quando a Ruki e o Ryou desapareceram pro cantinho de amor deles (desculpa Ruki), fomos pegas por Taichi e um repentino Masaru e seu Shinegreymon. Agora cá estamos, acorrentadas, num lugar que eu mesma não tenho a menor ideia de onde seja, os comunicadores não respondem e não tenho meu digivice comigo, assim como não tenho o brasão. Isso sem contar que uma de nós, Juri, está com a perna quebrada.

- Você está bem? - Uma voz doce entrou na cela ao ar livre. Só reconheci seu dono quando ficou alguns centímetros longe de mim, contra a luz da lua.

- Matsuda...

E é agora que eu não tinha me dado conta de quanto tempo eu apaguei.

- Mimi-san, está machucada?

- Não, não, aquele "Gaia Burst" não me feriu muito, mas a Juri...

- O que houve com ela? - a voz dele ficou mais grave.

- Se chocou contra uma pedra e quebrou a perna. Como fomos separadas, não sei como ela-

Schhhw. A corda frouxou das minhas mãos. E foi com movimentos nervosos que ele me entregou uma faca e meu brasão.

- Ouça, saindo daqui, vire à direita. Vai encontrar algumas celas, as meninas estão lá. Se Katou-san ainda estiver lá, use seu brasão pra curar a perna dela.

- E você?

- Vou matar aqueles dois.

Essa frase saiu com um efeito pesado demais para o Matsuda de 10 anos, fofo e amável de quem ouvi falas, entretanto quando olhei seus olhos, deixaram de ser um vermelho-amável para se tornar um vermelho-sangue, quase um "vermelho de morte". Ele falou sério.

- Matsuda, isso é loucura, não-

Ele me abraçou.

- Pra falar a verdade eu não queria esta guerra, e deixei bem claro que se alguma de vocês se machucasse, em especial a Katou-san, eu iria matar o autor disso.

- Não faz isso... É loucura...

Ele não me disse mais nada além de um sussurrado "Tire a Katou-san daqui" e saiu correndo.

...

Depois de comer, me ofereci pra lavar a louça. E procurei não me distrair com as fotos que tinham alí perto. E perco as contas de quantas vezes fiquei absorta em meus pensamentos que não notei que seria atacada (porque outra palavras não define o que acontece a seguir).

- Gyuh.

- Me solta. Agora.

Tradução: fui abraçada.

- Akiyama, me solta.

- E se eu não quiser?

Abri a torneira, coloquei minha mão embaixo de forma que o jato de água fosse reto sem pausas no rosto de Akiyama. Imediatamente ele me soltou.

- Isso foi cruel Makino. Fazer isso com quem te acolheu com tanto carinho...

- Ao inferno você e sua hospitalidade.

Mais uma vez ele me abraçou.

- Homem me larga, não quero terminar como as suas figures!

- Só um abraço Makino, um-

Não o ouvi mais, tentando escapar dele, olhei pro lado e uma grande área perto da mesa começou a tremeluzir. Por um segundo eu vi Mimi me chamando.

- Ryou, olha.

- O quê?

Virei o rosto dele.

- "Só juntos é que sairão da armadilha do mesmo" né?

- Foi o que ela disse.

Ele sorriu de forma maldosa.

- Pois nem ouse.

...

Um das mansões da cidade de "DigiShimane" (culpem Alice pelo nome) foi tomada pelos meninos. E era lá que estava como prisioneira.

O sótão da casa, uma sala gigante, era ocupada por dois dos legends da linha de frente, Yagami taichi e Daimon Masaru. Ambos estavam calmos quando do nada as portas foram abertas com um violento chute.

- Takato!

- Iaê rapaz! - Masaru erguia um copo de coca cola, com um sorriso no rosto - Viu o que fizemos? Pegamos todas el-

Sem ao menos deixar Daimon terminar a frase, Takato desferiu um soco na cara do King Banchou. O mesmo caiu para trás, e antes que suas ações tomassem as rédeas do seu pensamento, o menino de dez anos subiu no seu corpo, e começou a estrangular o mais velho.

- VOCÊ VIU O QUE VOCÊS FIZERAM NELA? HÃ? VIRAM? ELA ESTÁ COM A PERNA QUEBRADA!

- Takato solta ele, vai matá-lo assim! - Taichi tentava encostar no loiro, que lhe deu um safanão.

- EU DEIXEI BEM CLARO: UM FIO DE CABELO QUEBRADO DELA E EU MATARIA QUEM QUER QUE FOSSE O AUTOR DISSO!

E foi neste ataque de fúria que Takato começou a bater no Daimon. Um, dois... quatro socos antes que o rei das lutas acertasse o menino e começassem a lutar no mano a mano.

Eu tive de pedir ajuda ao Guilmon para achar ele, e quando estávamos a menos de dois quartos de onde eles estavam, Guilmon parou.

- Guilmon-chan o que foi? - Juri perguntou.

- Takato... com raiva... eu vou... Megidramon... - E o dragão vermelho se contorcia.

- Guilmon-chan aguenta, por favor! - Juri correu até o dragão, que tentava de todas as formas não evoluir para Megidramon.

- Katou-san... Encontre o Takato... Antes que ele faça algo ruim...

- Guilmon, aonde ele está? - Perguntei?

Ele apontou com as unhas. Era a única porta aberta.

- Antes... que seja tarde... antes.. que a Katou-san chore... - Guilmon se contorcia, mas era claro que não aguentaria mais.

Eu peguei a mão de Juri e saí correndo rumo àquela sala, e me assustei com o que eu vi.

Já havia vários pingos de sangue no chão, Taichi tentando deter ambos, Masaru com o rosto machucado e Takato com a calça em sangue.

- NÃO! - Juri gritou. E saiu correndo em direção à luta

- JURI PARE! ELE VAI TE MACHUCAR! - Gritei e segurei sua mão. Era inútil, pois ela conseguiu se soltar.

Katou mergulhou de joelhos no chão e abraçou Takato por trás, que tamanha força, o fez parar. Masaru também parou quando viu os braços finos e brancos da menina.

- Por favor Takato-kun pare, eu estou bem!

- Katou-san? - Takato olhou pra trás. Lágrimas já se formavam no rosto machucado do menino.

- Pare com essa loucura! Vê? Estou bem!

- Ele tinha quebrado sua perna, Katou-

- Guilmon erstá sendo forçado a virar Megidramon. Isso iria me machucar mais do que qualquer coisa. Eu te imploro - Ela chorava - eu te imploro, Takato-kun, pare. Por favor...

As lágrimas dela pingavam de uma forma que a camiseta azul de Takato ficasse molhada. Ele se soltou do abraço dela e abraçou do jeito certo, delicado, porém fazia-a sentir segurança nos braços. E com delicadeza, ele passava a mão nos cabelos dela, e chorava, sussurrando o quão preocupado estava com ela. E Katou o abraçava mais.

A cena era de cortar o coração. "Yamato, você faria isso por mim, né?" Pensei comigo.

Não tinha visto, mas os dois que estavam antes tentando deter a fúria Matsuda agora tocavam meu ombro e falavam baixinho.

- Vamos deixar eles a sós, Mimi-chan. - Taichi falou.

- Admiro este moleque. Nunca tinha visto homem nenhum levantar os punhos por uma mulher. - Masaru completou.

Não precisei completar a frase, até porque todos nós ja sabíamos a resposta praquilo tudo. "Ele fez isso porque precisava proteger alguém que ama. E não existe nada mais poderoso que o amor."

...

Freetalkin': Chapter curtinho. Eu tava com as ideias de colocar a Makino voltando neste chapter, mas iria cortar todo o Jurato, então... Deixei-os no canto deles, no próximo chapter eu os trago de volta.

E eu tava com vontade de escrever esta cena ontem, domingo, o único problema é que eu acabei tendo uma crise violenta de enxaqueca, e acabei perdendo um bocado de ideias. Mas quero compensar a falta de Jurato e Mimato nesta história. E não, eu não sou a favor dos random shippings, que é o "MiTaka" ou "TakaMi". Chame como vocês acharem melhor, mas só apostei uma ceninha deles nesta fanfic porque eu precisava dramatizar um pouco. Acho eu que eu consegui.