08. Do you see Ceres?
Enquanto eles conversavam, resolvi ir dar um passeio perto do prédio. Nessa loucura toda, não tive tempo de pensar muito.
E enquanto eu chutava pedrinhas rumo a qualquer lugar perto de uma moita, ganhei a companhia (inesperada) do Yamato.
- Mimi.
- Ah, Yamato... - senti meu rosto esquentar - Bom ver você bem.
- Digo o mesmo. - ele pegou uma pedra e atirou, muito mais longe que eu - Queria te perguntar uma coisa.
Senti um calafrio.
- c-Claro... o que quiser...
- O que foi que os Di Consentes falou pra vocês?
- Bem... Uma delas nos deu uma grande ajuda profetizando o futuro, outros nos dando poder de fogo.
- Só isso?
- E Minervamon disse que não confiava num bando de testosterona ambulante, que nem vocês. - terminei a frase com um risinho quase sem graça.
- Ahahaha Maldita aquela lá.
- Credo, por quê?
- O nosso lado também ganhou apoio dos Di Consentes, mas ao que me pareceu, eles estão divididos.
- É, teve uma parte que elas comentaram que estava metade-metade. Dianamon, Minervamon, Venusmon e Apollomon supostamente apoiavam nosso lado.
- "O bando de amazonas ensandecidas" como diria Neptunemon...
- Ahahahah - eu ri com escárnio.
Foi a minha vez de atirar uma pedrinha.
- Mas o que faria oito digimons poderosos assumir um lado?
- Boa pergunta, Mimi. Eu ouvi boatos que uma nova Di consentes iria surgir...
- De onde?
- Paralelmon, creio. - Ele perdeu o olhar na moita - Nem quero imaginar no que vai virar a luta...
- Somos dois.
Suspirei. Algo apertou minha mão de leve, e logo descobri o que acontecera.
- Tenho um favor pra te pedir, Mimi.
Acho que sei como se sentem as mulheres quando são pedidas em casamento.
- c-cl-claro... - respondi com dificuldade.
- Se eu tiver que ir pra linha de frente, você pode proteger o Takeru por mim?
- Acho que ele não vai precisar de proteção...
- Ele vai estar na equipe médica.
- Me quer na retaguarda, em poucas palavras?
- Sim e não.
- "e não"?
- Não digo retaguarda porque vai ficar a segunda linha de frente. Você ficando com o Takeru e a equipe médica, vai ficar o mais longe da batalha.
- Eu vou ter que lutar, quer eu queira ou não.
- Mimi - ele me fitou - Ainda não entendeu? Te quero longe da batalha pra não te ver machucada.
Dá uma paradinha aí no mundo, que eu vou descer.
Digo... As palavras fugiram da minha boca.
- Eu não entendi...
- Lerda - e me beijou na testa - quero que me ajude a me declarar pra Sora!
Não, agora PÁRA O MUNDO QUE EU VOU DESCER MESMO.
Ele acenou e foi embora. Assim que saiu da minha vista, desabei por terra e comecei a chorar, em silêncio. E repentinamente uma mão me ofereceu um lenço.
- Eu vi tudo. É melhor aceitar. - Era Yoshino.
Engoli o choro e a abracei.
...
- Tá claro, gente? - Taichi disse.
Anunciado o resultado daquela conferência, ficou decidida a primeira linha de frente, segunda, retaguarda e comissão médica.
Estávamos prontos para o combate.
- Mimi - ele tinha dito perto de mim - você vai me ajudar, né?
- Desculpa, mas a segunda linha e a comissão médica ficam longe demais. - Eu disse ríspida.
Logo nos deram a ordem de separar e avançar. Pedi a Lillymon que me levasse para junto dos outros médicos e fiquei esperando os outros partirem para começar segui-los.
- Tem certeza de que quer ficar aqui, Mimi? - Yoshino me perguntou, me entregando um jaleco e uma bolsa branca.
- Uni o útil ao simples e agradável. - Eu disse.
- É, contando com o fato de que você encheu tanto os pacová do Taichi pra trocar as posições...
- Quié? Rosemon pode ser poderosa, mas o Angemon é mais.
- Honre nossas digimons, Mimi - Yoshino fechou a cara.
- Sim, o farei. Mas deixarei por sua conta, já que vai pra linha de frente.
Ela sorriu.
- Ok... - E foi embora, com Lalamon nos braços.
oOo
- Chegou a hora... - Ryou falou com o rosto sério.
A Ruki ficou com uma cara de profunda tristeza. Para ela, tava ótimo sair toda esfolada, sangrando, faltando pedaço, mas fazer uso da xros-matrix não era algo que quisesse. Mas era necessário.
- Que foi?
- Nada, tô de boa - respondeu Sakuyamon, triste. - Vamos acabar logo com isso, tô cansada, já.
Desconfiado, ele aceitou. Em poucos minutos, Mystimon estava na dianteira.
- AVANÇAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA R! - a voz dupla de Mystimon esbravejou ao vento e a corrida começou. Tendo destino um grande morro com nuvens muito escuras em volta, e um ar digno de ser chamado de inferno, avançamos.
Quando a equipe médica começou a se mover, uma conhecida minha nos parou.
- Eu acho melhor vocês esperarem aí. - Venusmon me tocou no ombro.
Quando eu olhei, uma horda de pombos brancos cobria o céu escuro e ia rumo a linha de frente. Não muito depois, um "LOVE YOU!" ecoou e todos pararam. Não me segurei e fui rumo à dianteira. Estava com algo me dizendo que eu precisava ir vê-la (Assim como Minervamon tinha dito uma vez: "Se ela tá aqui, a coisa ficou feia"). Pouco tempo depois, estava ao lado de MetalGarurumon.
- caham caham - ela pigarreou - Desculpa atrapalhar a batalha de vocês, escolhidos, mas achei que seria no mínimo legal vocês saberem do que nós, Di Consentes, sabemos.
- Venusmon! - gritei
- Ah! Mimi! - Ela juntou as mãos, sinalizando felicidade - É de você mesmo que preciso! Venha cá, querida.
Não me perguntem como, mas eu flutuei até ao lado dela.
- Mimi, tem como seus amigos recuarem? - Ela disse, baixinho
- Dificilmente.
- É que sabe...
- Ô SRA. BOOBS, DÁ PRA CONTAR PRA GENTE TAMBÉM? TEMOS UM PARALLELMON PRA VENCER, E ESTAMOS ATRASADOS! - Gritou Masaru.
Ela suspirou.
- SUA MÃE NÃO LHE ENSINOU A NÃO INTERROMPER OS OUTROS ENQUANTO ELES CONVERSAM? - Ela gritou de volta. Ele iria responder, mas uma faixa branca o amarrou e fechou a boca de Masaru - Fica quietinho, olhos verdes, eu já explico.
- Ahn...
- Voltando: Mimi, aquele lá não é Paralelmon, e sim uma nova Di Consente, sabe...?
- Como?
- Vou simplificar: O inimigo de vocês não é um paralel e sim uma consente, e se vão peitar ela, vão precisar reencarnar como escolhidos durante duzentas vidas! - Disse Minervamon, abrindo caminho no grupo.
- É... Basicamente isso - Venusmon disse, sem graça.
Minervamon foi até ao nosso lado - "Opa, me desculpa, Deusa passando! Ah, sinto muito Omega-chan, vou te usar como impulso, opa, licencinha, valeu, ooopa" - e usou os pombos de Venusmon como banco.
- Muito bem, escolhidos - Minervamon limpou a voz - Deixa eu realmente explicar a situação: A Di Consentes que está alí atrás é ninguém mais que Ceresmon. Ela é tipo... ahn... É o tipo de digimon que faz do Omegamon paninho de tirar pó, sacas?
- COMO É QUE É? - Taichi e Yamato esbravejaram, nos ombros do Omegamon. O mesmo sacou a espada.
- Bota o espetinho pra dentro, Omegamon. - Ela esbravejou - Mas voltando: Ceresmon é um bom digimon, mas Paralelmon alterou toda a Database dela, e agora ela tá agindo que nem o Garoto de cabelo azul-cobalto com roupas cinzas - era Ken -. E matemática básica: Kyuukyokutai mais kyuukyokutai é igual à...
- Kyuukyokutai II? - respondeu Koushirou.
- Hm, eu diria três. - a digimon respondeu com certo tom negativista.
- Então tá, como é que a gente derrota ela se nem tem como chegar dando pipoco? - Kendogarurumon rosnou.
- Alguém- Digo, o Mystimon, ou a, tanto faz, vai ter que entrar dentro dela, achar a database e botar em ordem.
- E se a gente não souber escrever database de Digimon? - a voz do Ryou ecoou entre nós.
- Se-Vi-Ra. - Ela soletrou para nós. - E você acha que nós sabemos?
- Não se preocupe, O Corel Dart dá jeito nisso. - Dianamon apareceu ao lado de Minervamon.
Assim, todos os outros consentes chegaram.
- Veio a trupe toda dessa vez... - Minervamon resmungou, surpresa.
- Ainda precisaremos de vocês todos. Ceresmon é grande, mas não besta - Neptunemon falou. - E qual o melhor jeito do que distrair com poder de fogo?
- Não fale asneiras Neptunemon, Ceresmon é muito para eles! - Venusmon protestou.
- Venusmon, não é asneira! - Neptunemon rebateu
- Deve haver outro jeito! Se eles forem, vão acabar... - sua voz ficou baixa.
- Venusmon - Apollomon disse - Sabemos de todos os riscos, mas não fizermos isso, não teremos mais lugar para voltar.
- Mas não... - ela começou a chorar.
- Briguinha de família boa, mas onde entramos nisso? - Takuya perguntou.
- Atacar ela enquanto Mystimon reseta a database.
- E quais são os riscos? - acabei perguntando.
- Pensa nela como um navio pirata com caralhocentos canhões e gente atirando flechas, sapatos, rum e o que mais quiser imaginar - Minervamon falou - É isso. É chegar perto e ser pipocado.
Nos calamos.
- Só mais uma pergunta: onde está a database? - Ruki perguntou
- Na testa humana dela. - Dianamon respondeu.
Mystimon começou a caminhar.
- Aonde você vai? - Taichi perguntou?
- Dar fim nessa palhaçada. Quero ir pra casa. - respondeu a voz dupla de Mystimon. - Se vocês me cobrirem, em cinco minutos eu termino isso.
...
Freetalking: Eu dividi o chapter porque tava ficando extenso demais e eu quero tomar banho.
