09. A BRAND NEW DAY.

- Cinco minutos, você disse. - Masaru gritou para Mystimon - Mais do que isso não tem como.

Mystimon acenou com a cabeça, e voltou a andar. Logo foi seguido por Masaru e seu Risegreymon. E depois outros foram seguindo, até que novamente o comboio de escolhidos voltou a correr em direção à inimiga.

- Me diz que eles vão ficar bem, Minerva. - Venusmon dizia, em soluços - Só me diz isso.

- De verdade? - a digimon empunhou a espada e se levantou - eu não sei. Mas parada eu não vou ficar. - e correu atrás do povo.

BOOOOM, uma explosão aconteceu. Um tiro acertou o Brahmastra de Aldamon..

BOOM

BOOM

BOOM.

Mystimon corria a toda velocidade, desviando de tudo e qualquer coisa que atravessasse seu caminho. A espada, brilhante, deixava um rastro em azul-claríssimo aonde passava, quer seja na terra, quer seja em bombas.

Vários digimonz caíam. Me lembro de quase ser pega por um tiro de Ceresmon quando Shutumon o interceptou. Gritei um obrigada em italiano, e ela saiu, ao mesmo tempo em que eu me abaixava e cuidava dos ferimentos de Ravemon.

O céu explodiu em um arco-íris de explosões. Lembro que o Omegamon cortou uma bola gigante de luz, mas foi surpreendido por uma rajada de surpresa. Quando de repente tudo parou. O Céu mudou de um azul-enegrecido para um verde-claro.

- Eles conseguiram. - Jou andava lento, com o braço esquerdo em sangue. - Entraram na Ceresmon. O Tempo está se distorcendo.

- Não vai ser que nem aquela vez, certo?

- Espero que não... Ah, me empresta o algodão e o esparadrapo?

- Ah, claro - E comecei a fazer os curativos.

...

- Ruki, me prometa uma coisa: depois dessa você casa comigo. - Ryou disse, movendo os braços para a esquerda.

- Eu vou lá te prometer alguma coisa, moleque - movi minhas pernas e chutei algo - se liga, sou apenas uma criança!

Eles giraram juntos, movendo a espada e matando todos os kuramons alí.

- Mas uma hora você vai deixar de ser. - ele disse ofegante. - E eu vou esperar ansioso por isso.

- Qual que é mesmo o número da polícia? Acho que temos um caso de pedofilia aqui. - ironizei, igualmente ofegante.

Fato inegável que preciso admitir, mesmo não querendo: somos uma boa dupla. Em pouco tempo, aprendemos aas manhas da evo, e conseguimos nos mover melhor.

Não gostei do acordo, mas ele ficou responsável pela espada e movimentos dos braços, e eu pelas pernas. Quando precisávamos de um movimento mais forte, nos empenhávamos em fazer-lo juntos. Reforço a palavra empenhar, porque não é nadica de nada fácil lutar sendo constantemente assediada. E o pior: se desfizer a evo, game over pra todos. Mesmo eu não gostando, fiquei calada.

Ah, sobre como entramos na Ceresmon? Pata esquerda e dianteira, ela é furada no meio. Entramos por ali e saímos numa sala (?) e demos de cara com um Diaboromon e vários Kuramons. Sim, o derrotamos, mas não sabemos a menor ideia de onde ir.

- Hm... Que tal a esquerda? - ele comentou, e me movi pelo lado contrário. -Ei ei ei, wow wow wow, Ruki, é PRAQUELE lado!

- Vamos pela direita. - eu disse - Acho que há algo aqui.

Caminhamos por um tempinho, e chegamos numa grande porta.

- Excelente sexto sentido, Ruki. - Ele ironizou.

- Finca a espada no chão.

- Como é? Pra que iss-

Sabe aquele momento de extrema raiva que você só faz o ato e ao inferno o resto? Foi o que eu fiz: me mexi até ficar na frente dele, agarrei os pulsos, fincamos a espada no chão e empreguei toda a minha força na voadora que dei na porta.

- Da próxima vez, me obedece. - caminhei irritada.

- Falow, chefia. - ele respondeu sério.

Estava certa, tinha mesmo algo lá dentro. Uma esfera gigante, em inúmeros tons de verde, e um Paralelmon, a digitar alguma coisa, freneticamente;

- E não é que os consentes são bons, mesmo? - Parallelmon dizia, focado no teclado - embora tenha mandado um kyuukyokutai da ralé até aqui...

Não hesitamos. Corremos e tentamos cortar ele, mas a velocidade com que ele se moveu era algo sobre humano.

- Não me subestime, ralé. - ele sussurrou perto do elmo e abriu um rasgo na perna de Mystimon.

Meu grito ecoou. Minha perna esquerda começou a doer, tal qual doeu minhas feridas quando estive na casa do Ryou.

- Ó QUE VOCÊ FEZ COM ELA, SEU MALDITO! - Ele não pensou e passou a espada em Parallelmon, abrindo um rasgo gigante no braço direito do Parallelmon.

O digimon pulou para o lado.

- Ruki, sei perfeitamente que você odeia se segurar em mim, mas, por favor...

- Eu sei... Fico com o direito.

O braço direito dele se envolveu na minha cintura e me ajudou a ficar de pé. Ele manipulava o braço esquerdo de Mystimon, eu ficava com o direito. Nossa sincronia aí não é boa, mas precisávamos improvisar.

- Não os entendo. - sua voz ficou estática - Uma evo kyuukyokutai comum com duas almas... E duas databases diferentes...

- Isso não é algo que você possa entender! - dissemos e corremos em direção aa ele.

Por muitas vezes ele defendeu a espada. Demos e recebemos golpes, e como ele praticamente me carregada, os nossos movimentos eram lentos.

Houve um momento em que o Ryou errou um movimento na espada, e o Parallelmon passou ao meu lado, pronto para nos cortar ao meio. Não sei como, mas roubei a espada da mão dele e a fiz atravessar Parallelmon. Ele se desintegrou. Corremos para o painel e...

- Não entendo porra nenhuma disso! - ele disse.

- ... - passei meus olhos correndo pela tela - hm... Não tenho certeza...

- Quié?

- Já que você não entende nada, apenas me segure. Do resto cuido eu.

Ele fez um barulho esquisito e depois me segurou com os dois braços. Me inclinei um pouco e comecei a digitar um código que me ensinaram muito tempo atrás (na realidade foi até a Minami quem me ensinou). Até que de repente aparece um ecrã. "Reset?"

- Cadê o botão de yes daí? - ele perguntou, estressado.

- Botão... - me lembrei de relance o que a Dianamon me falou. "Não se preocupe, o Corel Dart deve dar jeito" - O COREL DART!

- Mas mulher, a espada tá meio complicado de alcançar, e você É as pernas!

Ignorei e juntei as mãos. Uma luz foi crescendo mais e mais, e quando ficou mais ou menos do tamanho de uma bola de basquete, coloquei sobre o painel. O painel o absorveu e tudo começou a brilhar. Logo ouvi uma voz metálica dizer "warning" incessantemente.

- Vamos sair daqui.

- Como se você não pode correr?

Me soltei dos braços dele e comecei a correr. Doia, claro, mas era mais importante salvar nossas vidas primeiro.

E quando conseguimos sair de dentro dela, a xros-matriz se desfez. O rasgo tinha sido pior do que eu tinha imaginado, ele realmente conseguiu cortar minha perna.

Porém... Mais alarmante que isso: Ceresmon foi diminuindo ao ponto de um digitama. Arrisquei uma olhada para o céu. Era o mais puro azul do dia.

- Parece que acabou... - ele desabou.

- Ruki, como está a perna - Renamon me perguntou, mas não deu tempo de responder.

Desmaiei. Eu estava no limite.

oOo Alguns dias depois oOo

- Ruki, melhor?

Seguinte: Tava num hospital, com a perna cheia de curativos e cheia de machucados. E vocês NÃO TÊM NOÇÃO do quanto eu odeio hospital. Sério.

- Só minha cabeça que dói... E a propósito, que raios tô fazendo aqui?

- Corte profundo na perna. Não deu em nada, mas vai ficar aqui até que se cure por completo.

- Ah ótimo - resmunguei - amo hospital mesmo...

- Mulher, pare de reclamar, ele poderia ter feito de nós dois um misoshiro!

- Não me fale em misoshiro, estou morrendo de fome...

Ele suspirou.

- Mas olhe pelo lado... ahn... Mediano: você não tá aqui sozinha. Muitos se machucaram feio.

- Alguma baixa?

- Nope. Mas os digimons ficaram no DW pra se recuperar.

Ele se levantou. Tinha algum curativo no braço dele.

- Espere, você também se machucou?

- Só um corte e um roxo gigante no meu pé.

- Roxo?

- Você pisou no meu pé enquanto mexia na database. E, para sua informação, você não é nada leve. Precisa emagrecer, viu?

Acabei me revoltando e joguei o soro nele. Não o acertei pois ele previu e saiu correndo. Assim que ele saiu, Mimi entrou.

- Vejo que você já está melhor, Ruki...

- Meus braços estão de boa, mas agora minha perna... - tirei o cobertor e mostrei pra ela, que fez uma cara de dor.

Ela se sentou na cama. Estava com a mão enfaixada.

- O que aconteceu depois que apaguei?

- Bom... Muitos se machucaram, e todos preferiram deixar os digimons se recuperando com Venusmon e... Parece que daqui alguns dias os teremos de volta. Quanto a Ceresmon... Virou um tama.

- Ficou algum resquício?

- O Wisemon ficou de fazer a varredura, e parece que não. Mas... Como vocês fizeram isso?

Respirei.

- tivemos que lutar contra o Parallelmon lá dentro, e depois dele quase amputar minha perna, reescrevi a database dela e usei o Corel Dart pra resetar tudo.

- Nossa... - ela mexeu as sobrancelhas - A coisa foi feia.

- Feia, mas fácil.

Nos calamos.

- E... O povo, como está?

- Muitos se machucaram, porém os mais graves foram a costela do Yamato, que quebrou, sua perna, o braço do Jou e o Takato que ficou com a bacia quebrada.

- Como isso?

- Teve uma hora que Ceresmon ficou louca e disparou bolas de luz. Uma delas ia pegar a Juri, ele se meteu no meio e a protegeu, mas ela pisou em cima dele. Ela tá bem, e ele... tá se recuperando.

- O que ele não faz por ela...

- E o Ryou?

Me engasguei.

- Que tem ele?

- Ele dormiu aqui desde que você deu entrada.

- E quantos dias faz?

- Dois.

Me lembrei de relance o que ele tinha dito sobre se casar e acabei nem respondendo ela.

- É, aconteceu algo.

- ahaha não, Mimi. Deveria ir cuidar do Yamato, não?

- Que é que vou fazer lá se a namorada dele est-

- Que namorada?

- Sora.

Me calei, ela baixou a cabeça.

- Ele não era algo pra você. Acho que você merece algo melhor.

- Hm - ela concordou e esboçou um sorriso - acho que sim.

Rimos. E alguém entrou correndo na sala. Alguém não, Ryou.

- Ruki, tinha me esquecido de algo.

- De qu-

Fiquei realmente surpresa quando, do nada, ele me beijou. Foi algo realmente rápido, nada tão invasivo quanto a gente vê em animes, sabe?

- Lembre-se, eu vou esperar, viu?

E saiu correndo, tão rápido quanto entrou.

E PRA NÃO DEIXAR A MIMI FAZER COMENTÁRIOS, a Ribbon War acabou assim: O tama entregue nas mãos de Dianamon, nenhuma baixa e... Laços rompidos ou feitos... Não entendi isso... Explica aqui, Mimi...

- "De vossa luta cria-se laços, de vossa luta desfaz-se laços, no fim são somente linhas em busca da mesma coisa".

- Isso não é um slogan de White Day?

- É... Mas nem passou o Valentine... - ela olhou no calendário.

- Que seja.

FIM.

...

Freetalking: Né que consegui terminar a RW? Final corridíssimo, mas olha... Não gosto de descrever lutas, e tampouco enrolar, então parti pro que mais interessa.

Sinto muito, mas não consegui arrumar o Mimato aqui. Pelo contrário, eu estraguei tudo. E quanto ao Ryouki... ah foda-se, ficou do jeito que eu queria.

Mais uma coisa: Se vocês repararam, eu não editei a história pra status "completed", isso porque quero fazer mais dois chapts extras, pós-RW. Vai parecer que não tem nada haver com eles, MAS quero trabalhar os laços que foram criados a partir dessa guerra. Eu foquei bastante na Mimi e na Ruki, mas não quer dizer que os outros não foram menos importantes. E foi por isso que decidi escrever eles, mas não sei quando os postarei.