Tudo errado. Tudo certo.
Joanne Salgado
CAPÍTULO II
palavras: 758
Harry acordou em um quarto estranho e sentindo sede. Seu corpo doía tanto que não conseguia se mexer direito.
Aos poucos sua memória começou a voltar. Estavam em alerta pelo recado de Snape, um ataque a uma comunidade trouxa começou, muitos foram ajudar. Lutou com várias comensais da morte. Lembrava de ter recebido vários feitiços, deviam ser esses os culpados de sua dor, e um especifico pelas costas.
- Covardes! – exclamou junto com um gemido de dor por ter se movido de repente.
Sentou-se com cuidado e olhou em volta. Um quarto simples, sem grandes enfeites. Uma mesa no canto chamou atenção pelos itens de poções, mas sua atenção foi dispersa pelo barulho no corredor.
Tentaram abrir a porta, forçaram. Podia escutar os feitiços para tentar entrar. Sentiu medo, sabia onde estava agora. Reconheceu a voz de Amico Carrow. Um sádico de primeira, conhecia muitas histórias do que ele fazia com suas vitimas.
Procurou sua varinha, mas não estava em nenhum lugar. Desarmado sabia que seria presa fácil para as perversões do comensal.
Amico socava a porta com violência e gritava.
- POTTER! JÁ ACORDOU PRINCESA?
A risada que o homem deu alarmou ainda mais Harry. Sem vida, cruel.
- Vou entrar aí Potter, não adianta se esconder. Vou fazer tantas coisas com você que vai pedir pra morrer depois. – Carrow falava baixo, mas Harry escutava como se ele ainda estivesse gritando – tão jovem, aposto como ainda é virgem. Vai ser uma delícia te arregaçar inteiro, te rasgar todo...
Novamente a risada.
Harry Potter não era um covarde, mas em sua situação qualquer um teria medo. Principalmente se você já conhece as maldades que uma pessoa é capaz de fazer com outra.
Ainda lembrava-se do garoto resgatado de uma casa vazia. Ele fora violentado diversas vezes, torturado. Tentaram de todas as formas recuperar sua mente, mas já estava destruída, assim como seu corpo. Conseguiram recuperar algumas das memórias e o que viram não foi nada bonito.
E exatamente por saber o que o esperava, Harry teve muito medo.
Então de repente o barulho parou. Escutou uma voz que reconheceria em qualquer lugar. Snape o estava protegendo. Ficou aguardando enquanto passos se distanciavam.
Algum tempo depois a porta foi aberta. Severus entrou em silêncio, fechou a porta lançando os feitiços de proteção de volta e aproximou-se sério encarando o garoto encolhido no meio da cama.
- Ele já foi. – Severus falou.
Ainda assim Harry não relaxou, mas acenou a cabeça confirmando ter entendido.
Severus suspirou e sentou em uma cadeira ao lado da cama.
- Você entende sua situação Potter? – perguntou após um tempo em silêncio.
- Fui capturado. – Harry respondeu.
- Não é tão simples – Snape falou recostando-se na cadeira – Você esta preso na mansão do lorde das trevas. Não será fácil tirar você daqui. – ficou em silêncio algum tempo antes de continuar – eu consegui você como prêmio – disse sarcasticamente – mas os outros comensais da morte não ficaram felizes e vão tentar a todo custo pegar você.
Harry estremeceu lembrando-se da visita de Amico Carrow a pouco tempo atrás. As coisas que ele falou, as coisas que sabia que ele podia fazer voltaram a sua mente.
- Eu vou proteger você – Severus continuou notando o estado do garoto – não tente fugir, você vai ser capturado de novo, e não sei se conseguirei te proteger de novo. Fique aqui enquanto tento descobrir uma forma de te levar para casa. – continuou sério – existem muitas pessoas dispostas a tudo para salvar você.
Snape não falou o que estivera fazendo.
Narcissa o havia encontrado fora da mansão e após algumas condições, uma aliança foi formada com a ordem da fênix. A primeira exigência era pegar Draco Malfoy como prisioneiro e assim tirá-lo das garras do lorde das trevas.
Mesmo que a prioridade fosse Harry, precisavam da ajuda de Narcissa quando Snape rompesse com Voldemort para fugir com o eleito.
Levantou andando pelo quarto para pensar. Não era a melhor ideia do mundo, mas naquele momento era a única opção.
Harry olhava para Severus andando de um lado para o outro. Já fazia muito tempo que as inimizades foram deixadas de lado. Descobrira um lado completamente diferente do que conhecia, o verdadeiro lado do mestre de poções. E agora todas suas chances de sobrevivência estavam nas mãos de Snape.
Ele era seu carrasco, aquele que deveria mantê-lo preso, aquele que provavelmente teria que fazer algo para provar que não estava apenas cuidando do bem estar do garoto. E Harry deveria estar totalmente a sua mercê.
Não era a melhor opção, era a única.
