Tudo errado. Tudo certo.
Joanne Salgado


CAPÍTULO IV
palavras: 569

Quando finalmente pode fugir com Harry, Snape não teve muitos problemas. Narcissa tomou conta de tudo mandando um recado para Draco em uma memória. Agora que seu filho estava em segurança, a senhora Malfoy se mostrava uma aquisição perfeita para a ordem da fênix.

Por ser a mulher de Lucius muitas vezes não lhe prestavam atenção, conseguira diversas informações importantes, seu único pedido era que cuidassem de seu garoto.

Snape chegou à sede da ordem com Harry desmaiado em seus braços.

Um pouco antes de conseguirem fugir tivera que torturar o garoto na frente de Amico novamente. A excitação do comensal era visível. Fora um prazer para Snape assassinar o desprezível enquanto saia da mansão de Voldemort. Matara dois outros enquanto se afastava daquele lugar, mas saber que nunca mais teria que ver a cara de Carrow novamente lhe dava um prazer enorme.

Mesmo sem querer havia desenvolvido sentimentos profundos por Harry. Não deveria ter feito isso, era doentia a situação dos dois, mas não pode evitar que acontecesse. Não podia perdoar aqueles que o obrigaram a fazer tanto mal para o garoto. Sabia qual o termo psicológico pra o caso de Harry, mas qual era o seu?

Assim que chegou à sede da ordem Harry Potter foi levado para ser atendido por medibruxos, era visível o sangue grudado em sua blusa. Snape ignorou as perguntas sobre o estado de Harry. Respondeu as outras, contou sobre a fuga e o número de comensais mortos. Após horas de conversa e estratégias finalmente foi para o quarto que seria seu a partir daquele momento.

Ficou sem ver o garoto por quase três meses, sabia que ele estava bem, mas a vontade de vê-lo e tocá-lo só aumentavam a cada dia que passava. Conversava diariamente com Draco, que estava preso na sede para sua própria segurança, sobre a situação, sobre sua mãe e tudo que ela arriscou para salvá-lo. Era uma distração para sua cabeça, para que Potter não estivesse em todos seus pensamentos.

Com o resgate de Harry as forças da ordem estavam renovadas. A guerra estava cada vez mais acirrada, mas começaram a ganhar. Ficaram sabendo por Narcissa que sua fuga com o menino-que-sobreviveu causou revolta e em sua raiva Voldemort matou alguns comensais deixando os outros temerosos.

Diversas vezes lutara no campo de batalha, fora machucado, mas nada que não pudesse lidar. Nas últimas vezes pode ver Harry de longe enquanto lutava. Parecia muito melhor do que antes, sadio, recuperado.

Tudo voltara ao normal como deveria ser. Então porque sentia o vazio?

No fim daquela semana Potter finalmente voltara para a sede da ordem da fênix. Estivera em outros lugares se recuperando, fazendo tratamentos e lutando.

O tratou como sempre, nada mostrava que o que aconteceu entre eles continuaria. E Snape fez o que sabia fazer melhor. Escondeu tudo dentro de si.

Quando se retirou para o quarto não conseguia dormir. Saber que estava sobre o mesmo teto de Harry não estava ajudando. Talvez fosse sua hora de ir embora.

Escutou uma leve batida na porta.

Ao abrir deparou-se com Harry parado olhando-o com adoração. O mesmo olhar de quando estiveram juntos na mansão de Voldemort.

Deixou-o entrar, fechou a porta e sentiu os dedos de Potter puxando seu rosto para um beijo.

- Senti tanto sua falta... – Harry falou quando se afastaram.

Snape sorriu de lado envolvendo o garoto e levando-o para a cama.

Provavelmente não iria embora.