Mas Hermosa Que El Cielo, by Zoalesita

Título Traduzido: Mais bela que o céu

Autora: Zoalesita

Tradutora: Rosa Scarcela

Sinopse: Te amo... Meu coração se partiu em pedaços quando ele disse "Eu não"... mas ainda assim decidi lutar por um amor que já tinha dona. E me perdi no caminho enquanto tentava fazer com que Edward visse o quanto eu o amava. A amizade em sua expressão mais real: o amor...


Disclaimer: Essa história pertence à Zoalesita, que me autorizou a traduzir, e os personagens pertencem a Stephenie Meyer.

This story belong to Zoalesita, who allowed me to translate, and the characters belongs to Stephenie Meyer.

Esta história pertenece a Zoalesita que me permite hacer la traducción. Los personages pertenecen a Stephenie Meyer.


Devo sorrir porque somos amigos ou chorar porque não seremos mais que amigos.

-Anônimo-

Música: Sognare – División Minúscula(youtu . be / DVBgt4vYGPU)


Capitulo 1: Uma palavra que muda a vida

Me olhei em frente ao espelho uma e outra vez. Me sentia a mulher mais bela do mundo e eu nunca tinha sentido tanta confiança em mim mesma. Meu reflexo mostrava uma garota linda e feliz. Meu cabelo achocolatado caía em cachos abaixo dos meus ombros, meus olhos estavam delineados, fazendo um lindo contraste com o tom da minha pele. A blusa roxa com manga ¾, junto a um par de jeans escuros e justos, combinava com as sapatilhas escuras.

Quando me olhei em frente ao espelho de corpo inteiro só um pensamento passou pela minha cabeça: perfeita. Não tinha medo. Tinha que ter confiança. Ele não podia me rejeitar.

— Bella — gritou minha mãe no cômodo de baixo. — Edward já chegou.

— Já vou — gritei.

Peguei minha bolsa de cima da cama e me olhei uma última vez. Meus olhos brilhavam como eu nunca tinha visto, meu sorriso era enorme e em frente ao espelho me vi como nunca tinha me visto. Era eu, era Bella, uma Bella cheia de ilusões e esperanças, com o coração batendo mais do que poderia bater por uma única pessoa, por aquele que eu considerava que era o amor da minha vida, pelo menos da minha curta vida.

Quando desci, minha mãe me viu com um sorriso de felicidade, já que cada vez que eu saía com Edward, eu me arrumava muito e ficava mais alegre do que nos outros dias. Minha mãe sabia, mesmo que não me dissesse... Ela sabia que eu o amava. Eu gostaria de ter dito que hoje confessaria meu amor, mas não me atreveria a dizer algo assim para a mamãe. Ela pensava que nós, garotas, tínhamos que nos fazer desejar e ser as que sempre esperavam que os garotos chegassem. E eu também pensava isso, mas com Edward minha paciência já tinha chegado ao limite. Para que perder tempo? Talvez ele tivesse vergonha de dizer que me amava.

— Volto à noite — dei um beijo nela e sai de casa.

Lá fora, em todo seu esplendor, estava meu Edward... Em seu Volvo prateado, com seu cabelo acobreado e despenteado, camisa azul de botões e jeans. Sua beleza era opressora ou talvez eu dizia isso porque estava apaixonada por ele. Bom, eu o tinha visto em cada uma das etapas de sua vida e não existia uma em que me recordava que ele estivesse mal, seus genes eram perfeitos.

— Mas como você está bonita, Bellinha — caminhou até mim.

— Não me chame de Bellinha – resmunguei me aproximando para beijá-lo na bochecha.

— Você sabe que sempre será minha pequena amiguinha Bellinha – me devolveu o beijo.

— Vamos, Eddie — destaquei o apelido para incomodá-lo.

— Concordo. Assunto esclarecido. Você não é Bellinha – me apontou com seu dedo – e eu não sou Eddie, estamos entendidos? – apontou-se com cara de raiva me fazendo rir.

O caminho até Port Angeles foi tranquilo como sempre quando estávamos juntos. Era como saber que estava no lugar certo com a pessoa certa. Falamos das aulas, do clima e de um encontro que ele teve, tema que tratei de mudar rapidamente.

Em um momento da viagem ficamos calados e eu agradeci muito. Uma coisa era ter coragem no meu quarto, outra era armar-me de coragem com ele em frente a mim. Deixei que minha mente vagasse por várias recordações, por exemplo, muitos jantares em minha casa, filmes na dele, conversas telefônicas ou as vezes que entrava pela janela do meu quarto, segundo ele, "às escondidas", mas no final Renée entrava e dizia para ele ir antes que meu pai chegasse. Minha mãe sempre nos acobertando.

Bom, esta era minha vida. Dividia cada segundo com ele e não era para menos. Estávamos juntos desde pequenos e com o passar do tempo ocorreu o inevitável. Me apaixonei por ele, mas era impossível não me apaixonar. Ele era tudo que uma mulher podia pedir: atento, cavalheiro, educado, culto, filho exemplar e amigo incondicional.

Eu era sua amiga. Ele cuidava de mim como se fosse o mais precioso para ele e dizia que assim o era: — Você é o mais belo que já passou pela minha vida – dizia algumas vezes, para depois completar: — a melhor das amigas.

E aqui é onde começava a principal razão de nossa ida ao cinema. Ele e eu éramos acostumados ir a cada quinze dias ou, se ele não tivesse encontros, íamos jantar e ao cinema a cada semana, mas hoje eu tinha pedido que cancelasse o encontro que teria porque eu precisava dele. Obviamente ele aceitou, mas não imaginava para que eu precisava dele.

Eu me declararia... Declararia meu amor à ele, abriria meu coração e demonstraria que o amo com loucura, e isso de guardar o amor não era algo fácil, muito menos lindo, já que estava me matando a cada dia. Até que cheguei à conclusão que era melhor dizer à ele; Eu era linda, educada e estava pronta. Tinha meu ponto de vista para defender. Não podia ver qualquer razão pela qual ele não me escolheria... Eu tinha que tentar, tinha que pelo menos confessar e se ele não quisesse meu amor, bem... Isso eu veria depois.

Mas esta era uma opção que eu não considerava. Ele e eu éramos perfeitos para estar juntos, então não teria porque não me aceitar. Eu ofereceria amor incondicional.

Chegamos ao nosso restaurante favorito, de culinária italiana. Ele, como sempre, abriu a porta do carro e com sua mão nas minhas costas entramos no lugar. Todo mundo pensaria que éramos namorados. Pedimos rápido já que não precisávamos olhar o menu – o conhecíamos de memória.

— Sabe, eu tenho pensado seriamente no que você me disse há alguns dias — disse para romper o silêncio, não porque era incômodo, mas porque o sentia um pouco distante, como se estivesse pensando em outra coisa.

— Pode-se saber o que exatamente? — soltou um charmoso sorriso de lado... meu favorito — Você e eu falamos sobre muitas coisas.

— Você me aconselhou a me declarar ao cara que eu gosto — seu rosto ficou desconcertado.

— Você vai se declarar?

— Sim – sussurrei.

— Fico feliz por você. Você sabe que vai ficar tudo bem. Ele seria um idiota se dissesse não à você.

— Espero que sim—

Eu tinha contado que estava apaixonada, que o garoto era a melhor coisa da minha vida, mas parecia que ele não me enxergava, ele me incentivava e essa era uma história sem fim: eu sem dizer o nome, ele gemendo e reclamando que um Neandertal (1) tiraria sua amiguinha de perto dele.

— É por isso que viemos jantar? — ele sabia que havia algo que eu não estava dizendo. Se acomodou melhor sobre a cadeira para sentar ereto em frente a mim.

— Edward — o olhei fixamente no rosto e agradeci que estávamos em uma das cabines privadas do restaurante, assim ninguém nos veria.

— Fala — se inclinou um pouco sobre a mesa, apoiando-se em seus braços.

— Você acredita que ele vai me aceitar?

— Com certeza.

Suspirei e me armei de coragem. Em um segundo vi meus momentos com ele, meus sorrisos, seus sorrisos, nossos abraços, nossos segredos e minhas lágrimas por ficar quieta passarem em minha mente e me dei conta que era o certo a fazer, agora seguia a melhor parte de minha vida, ele me amaria do mesmo jeito.

— Edward... eu estou apaixonada por você. Esse homem de quem eu tanto te falo é você — as palavras abandonaram meus lábios, quase acariciando e saboreando este doce momento. Meu coração bateu tão rápido que começou a doer.

Meu sorriso decaiu enquanto deixei de pensar nos meus estúpidos sonhos e realmente o vi, observando o que seu rosto me gritava.

Seus olhos se abriram, eu via profundamente, sua cara não era agradável, porque não mostrava a felicidade que eu esperava, apenas mostrava tristeza e algo mais... Talvez vergonha.

— Bella, eu... — passaram-se eternos segundos em que eu quase podia ver sua mente tratando de organizar as palavras que seriam ditas.

— Você? — pressionei.

— Bella... — disse em tom de súplica antes de abaixar a cabeça e enterrar o rosto em suas mãos — não faça isso comigo.

Isso estava fodido!

— Eu gosto de você como amigos, como irmãos, não posso corresponder — seu olhar era triste e falava como se não quisesse me ferir com as suas palavras.

Mas isso já estava feito, eu havia sido sincera e não era correspondida. Teria que aguentar e não chorar até chegar em casa, ainda que quisesse chorar neste momento, e muito.

— Não tenho nenhuma chance? — perguntei.

— Bells – repetiu meu nome em súplica.

— Te amo, Edward — minha voz saiu entrecortada.

— Eu não, pequena. Me perdoe, mas eu não te amo e...

— E?

— Hoje de manhã pedi Tanya em namoro—

Foi como um balde de água fria. Edward estava sem namorada há um ano – saía com algumas, mas nunca formalizou nada – e justo hoje decidiu se aquietar e não foi comigo.

— Oh, eu entendo — baixei meu olhar. "Não chore, Bella!"

Ele puxou sua cadeira, sentou-se ao meu lado e levantou meu queixo para que o visse.

— Sinto muito, juro que sinto e daria o que fosse para que você e eu não estivéssemos tendo esta conversa bem agora. Você sabe o quanto eu gosto de você — seu olhar era de agonia, eu me sentia tão mal.

— Não se preocupe, Edward. Só necessito de um pouco de ar fresco e podemos fingir que nada aconteceu.

Me levantei e caminhei até a saída, pegando minhas coisas. Ele me deteve no meio do caminho.

— Você não pode sair assim... Como vai voltar para casa?

— Edward, você não precisa se preocupar. Sou uma menina grande e sei me cuidar. Apenas, por favor, eu preciso desta noite — como minha mão, soltei seus dedos que me apertavam o braço. Não queria senti-lo.

— Bells – agarrou meu rosto entre suas mãos. Uma lágrima traiçoeira escorreu por minha bochecha e ele se apressou em limpá-la, como se não quisesse deixar o rastro da minha dor.

— Não consigo entender você... Você me prometeu que ele não me ignoraria e não foi assim. Eu tenho tudo para te dar, mas se você não quer aceitar não posso obrigá-lo. Não vou perdê-lo como amigo, mas realmente necessito sair daqui e me afastar de você por umas horas... Entretanto, você pode salvar seu sábado, fale com a Tanya.

— Iasbella – me disse em tom de censura — Não vou correr para ela. Nós precisamos conversar.

— Você não percebe que eu não quero conversar? Vai me falar que a ama? Ou me obrigará a não amá-lo mais? Neste momento, não temos mais nada para conversar sobre esta situação.

— Preciso de uma boa razão para deixá-la ir – me advertiu.

— Edward... Suas mãos no meu rosto estão matando meu coração e a minha alma está se quebrando ao vê-lo aqui e saber que nunca poderei tê-lo... Essa é uma boa razão para você?

Pareceu como se minhas palavras tivessem-no queimado, porque me soltou e me olhou impressionado.

Sai rapidamente do lugar e comecei a caminhar. Não sabia para onde ir, mas encontraria um lugar. Graças aos céus nada estava fechado – nem eram 19h ainda. Fui até o porto e sentei à beira do cais, deixando que minha vista se perdesse no mar. Oxalá choraria tanto que me fizesse deixar de amar Edward... Ou oxalá saísse um tubarão e me comesse, acabando com tudo.

Estava sendo drástica e dramática, mas a única coisa que queria era despertar deste pesadelo e voltar à minha vida de antes onde tinha esperança que ele me corresponderia. Uma vã esperança, mas mesmo assim, esperança. Agora eu não tinha nada, porque ele tinha sido claro. Me queria como amiga, já que como mulher não era suficiente boa.

As nuvens ficaram espessas e o ar mais frio que o normal. Peguei meu celular e liguei para Jasper. Pedi que viesse e ele prometeu chegar em um minuto. Guardei meu celular ignorando as chamadas perdidas. Quando Jasper chegou não chovia tão forte, mas foi o suficiente para que minhas roupas estivessem encharcadas.

— O que aconteceu? – sentou ao meu lado.

— Me declarei para Edward — comecei a chorar e me apoiei nele. Era tão bom amigo que estava disposto a me escutar ainda que fosse embaixo de chuva. Me envolveu em um abraço.

— Te rejeitou — confirmou.

— Sim – chorei mais forte. — Me rejeitou. Não me quer.

— Fica tranquila, querida. Eu já estou aqui — as lágrimas se perdiam entre a chuva e meu pranto, e meu celular voltou a tocar.

— Não vai atender? — perguntou.

— Não. É o Edward. Esta me ligando há um tempo, mas eu não quero falar com ele.

— Deixe que eu falo com ele — me pediu e para mim tanto fazia. Passei meu celular.

— Edward — respondeu.

— Onde está Bella? — o ouvi falar e sua voz me fez chorar ainda mais.

— Está comigo — Jasper respondeu.

— Passa para ela. Preciso falar com ela — o ouvi dizer, porque escutava toda a conversa já que estava abraçada a Jasper.

— É melhor que você não fale com ela agora... Ela está indisposta.

— Passa para ela — exigiu.

— Não – Jasper usou seu lado mais formal e ríspido. Eu amava meu amigo por isso. Era capaz de me defender e me proteger diante de seus próprios amigos

— Jasper – urgiu — precisamos conversar. Você não sabe...

— Claro que sei, senão não estaria aqui com ela — o cortou.

— Eu preciso... por favor, diga que irei vê-la à noite.

— Não. Vou levá-la para minha casa e não quero vê-lo por lá. Somos amigos, Edward, mas você deve respeitar o espaço dos outros. Se ela não está pronta para conversar, não apareça, por favor.

— Diga que eu gosto muito dela.

— Não mais que ela – e desligou.

Apertei meu rosto em seu peito e deixei seus braços me apertarem ainda mais. Estava dolorida, triste, decepcionada e, pior, estava envergonhada, e isso era o que mais doía. Meu amor era puro e o único que tinha conseguido com isso era passar-me por oferecida, fácil e, para completar, deprimente (pacote completo).

O vento se tornou gelado, ou talvez era o fato de que estávamos molhados até o cérebro, não importava muito. Jasper não disse nada depois de desligar a ligação e eu agradeci. Eu só queria que ele me abraçasse.

Quando se tornou suficientemente escuro, me ajudou a ficar em pé e me carregou – não porque eu não podia andar, talvez apenas quisesse evitar o incômodo disso. Eu não queria pensar em ter que mover meus pés, só queria dormir, cair nos braços de Morfeu (2) e esquecer, fingir que este dia não aconteceu.

Me colocou em seu carro e o assento de couro chiou ao entrar em contato com minha roupa molhada. Ele entrou em seguida e colocou o veículo em movimento. Não disse nada, não fez comentários e era bom. Ele era, depois de... Depois "dele"... Jasper era meu melhor amigo. Nós dois éramos sérios e podíamos ser considerados como centrados e ele sabia que neste momento eu não queria conversar.

Eu devia ter dito que ele me deixasse em casa, mas não mencionei nada. O nó em minha garganta era tão grande que não me deixava falar. Me enfoquei nas árvores que passavam ao nosso lado na estrada à caminho de casa, até que se tornaram uma mancha borrada e minha mente foi trazendo lembranças que, no momento, queria esquecer. Me vi com Edward em meu quarto enquanto eu tocava alguma peça em meu violino, ou enquanto cantava alguma música no dia de seu aniversário. Ele dizia que gostava de minha voz, mas ele era a única pessoa para quem eu cantava.

— Venha, Bells — Jasper me tomou entre seus braços, distraindo-me um pouco de meus pensamentos. Não percebi em que momento estacionamos, mas me dei conta que não estávamos em minha casa quando subimos as escadas. Era a casa de Jazz, mas no final das contas dava no mesmo.

Quando entramos, escutei alguém me chamar, vi o rosto de Rosalie, mas me virei e escondi minha cara no peito de Jasper, que me levou até seu quarto e, dali, até seu banheiro.

— Tome um banho, não quero que você fique doente — pegou meu rosto entre suas mãos. — Bella, neste momento, talvez não haja muito que eu possa dizer para que você se sinta melhor e você sabe que eu ando na Rua da Amargura (3), mas eu quero que saiba que eu adoro você e que você é uma garota extraordinária. Talvez ele não esteja pronto o suficiente para ver isso, mas você é, não deixe que ninguém tire isso de você.

— Obrigada, Jazzy—

— De nada, Bells, mesmo que eu não goste deste apelido — beijou a ponta do meu nariz. — Pedirei à Rose que dê uma muda de roupa para você se trocar. Tenho certeza que ela tem algo aqui. Também vou me encarregar que ela não a incomode.

Apenas assenti. Não sei exatamente como tomei banho, mas o frio se fez presente quando sai para o quarto de Jazz enrolada em uma toalha. Me vesti de forma automática com a roupa que deixaram em cima da cama e, depois de pentear meus cabelos rapidamente, me deitei.

Tempos depois, Jasper entrou e se deitou comigo. Me enrolei ao seu lado para abraçá-lo... Não sabia quanto se poderia precisar de uma pessoa... Ele acariciou minhas costas e me acompanhou em um longo silêncio. Jasper era uma pessoa genial. Me tornei sua amiga exatamente como os demais, ou seja, ainda crianças, mas ele e eu nos entendíamos de uma maneira especial. Depois de Edward, Jasper era meu melhor amigo e junto à ele também me sentia segura. Era triste que nós dois estivéssemos tão feridos.

— Rose falou com sua mãe e disse que você ficaria aqui com ela... Já sabe, uma "Noite de Garotas".

— Amanhã eu a agradeço — sussurrei.

— Sim, seria bom. Ela está muito preocupada com você.

— Sim, eu sei e sinto muito que você se molhou por minha culpa — suspirei.

— Eu faria novamente, você sabe, apenas... não entendo porque ele rejeitou você. Se eu tivesse alguém que me ama como você o ama, eu não deixaria esta pessoa partir.

— Jasper, você tinha alguém que te amava mais que a própria vida... E mesmo assim não soube apreciar.

— Eu sei. Alice me queria mais que tudo e eu a perdi e você não sabe como me sinto por isso. Porque eu a amo e ela não quer me escutar.

— Por que você fez isso, Jazz? Por que você a enganou com a Maria? Simplesmente não entendo. Ela te deu tudo, se entregou a você da maneira mais sincera que nós, mulheres, podemos nos entregar, e você não percebeu... Realmente nunca entendi.

— Foi uma estupidez, não foi amor. Foi puro desejo. Me sentia um pouco sufocado com o compromisso que tinha com Alice. Tudo tinha que ser perfeito, tudo tinha que sair bem. Às vezes me asfixiava. Ela tem tantas manias que busquei uma saída rápida e pensei que ninguém ficaria sabendo. Pensei que seria uma vez, mas... — suspirou e me soltou para sentar-se na cama enquanto puxava os cabelos com as mãos — Se eu te contar tudo, você promete que isso ficará apenas entre nós?

— Claro, Jasper — me ajeitei sentada em frente à ele. Não o via muito bem, porque o quarto estava às escuras e atrás de sua cama tinha uma enorme janela que deixava entrar um pouco da luz da noite. Talvez eu não estivesse melhor, mas neste momento, nós dois precisávamos disso.

— Fui alguém desprezível. Não só enganei Alice naquela vez que ela nos descobriu e terminou comigo. Maria e eu já estávamos nos vendo há muito tempo. Ela aceitava, disse que tinha se apaixonado e eu fui deixando passar. Era mais cômodo para mim, mas as coisas saíram do controle. Às vezes, quando acabava de ver Alice, ia atrás de Maria e vice-versa, então me dei conta do que estava fazendo e já era muito tarde.

— Muito tarde — não significava que, porque ele era meu amigo, eu ia concordar. Aliás, no instante que comecei a saber mais coisas, fiquei irritada.

— Ver Alice tão destroçada foi muito para mim. Terminei minha relação com Maria na hora, mesmo sabendo que Alice não me perdoaria... Menos ainda depois de saber de tudo.

— Ela sabe que sua outra relação durou tanto?

— Por que você acha que ela não me perdoa? Eu sei que vocês não souberam, mas Alice pediu sinceridade, coisa que não pude negar. Ela não pôde suportar que Maria e eu estivéssemos juntos há dois meses. Disse que se tivesse sido a primeira vez talvez entenderia, mas tanto tempo... Então me dei conta do quanto ela me amava ao ponto de aceitar uma traição — abaixou a cabeça e vi uma lágrima escorrer por sua bochecha. — Eu a amo e ela não acredita em mim e eu não espero que ela acredite, eu não mereço que me perdoe, mas isso não impede que eu continue tentando. Eu a amo tanto, e sinto falta dela, de tudo dela... Sua risada, suas manias, seus gritos, sua pele... Eu falhei, mas não estou preparado para deixá-la ir.

— Você não acha que seria o melhor para ela? Você não tem ideia do que é para nós escolhermos alguém como o primeiro e saber que nos enganamos, mas, além disso, Alice tem aguentado todas as fofocas que fazem às suas costas... Nem sei se devo te dizer, mas ela se sente como se não tivesse sido mulher suficiente já que você buscou outra e essa é a pior humilhação que se pode fazer à uma mulher. Às vezes, eu a vejo chorar quando pensa que ninguém está olhando e ela está fazendo o maior esforço, porque está decidida a superá-lo.

— Mas eu...

— Você precisar se dar conta que está fora do jogo. Não se trata de você, se trata do que ela necessita para se curar.

— Talvez devêssemos dormir de uma vez, você parece acabada — quando Jasper terminava uma conversa não havia quem o fizesse falar sobre o tema novamente.

— Como queira, Jazz – me acomodei outra vez sobre a almofada e abracei meu corpo.

Jasper se deitou de frente à mim, me encarando, e tive certeza que seus olhos estavam vermelhos.

Não se preocupe, Bella, eu sei que você fará com que as coisas melhorem—

Era comum dormir com Jasper, era tanta confiança que eu sabia que ele não se excederia, só que desta vez não via o "meu amigo Jasper". Via o "Jasper homem" e eu estava com muita raiva de saber como tinham destruído o coração da minha amiga. Tal como ela, não estava disposta a amar outra vez.

Ainda que ele tenha dormido, eu não podia, minha cabeça estava começando a doer. Então, comecei a cantar uma música que Edward cantava para mim quando me sentia mal "Come Josephine, In My Flying Machine" (4), que havíamos escutado no filme Titanic há muito tempo e me encantava quando ele cantava para mim. Dizia que, um dia, eu também teria meu Jack... Depois deste dia, eu não queria meu Jack, queria meu Edward.

Lembrei de sua cara mais cedo, quão charmoso ficava quando ria, e seu olhar otimista antes de saber o que eu queria pedir. Esse Edward de hoje ficaria gravado na minha mente por toda vida. Seria como um antes e um depois em minha vida e a única coisa que eu esperava era algum dia voltar a tê-lo comigo; a cabeça doeu cada vez mais até que dormi vendo Edward rir antes de desaparecer.


(1) Neandertal: homem das cavernas

(2) Morfeu: deus grego dos sonhos

(3) Rua da Amargura: diz-se que a pessoa está na Rua da Amargura quando ela está sofrendo, abandonada.

(4) "Come Josephine, In My Flying Machine": youtu . be / 4f-UzJI2Eas (tirar os espaços)


Olá, pessoas!

Perceberam que teremos algumas tramas além de Edward x Bella? O que acharam deste capítulo?

Semana que vem tem mais...

Rosa