Mas Hermosa Que El Cielo, by Zoalesita

Título Traduzido: Mais bela que o céu

Autora: Zoalesita

Tradutora: Rosa Scarcela

Sinopse: Te amo... Meu coração se partiu em pedaços quando ele disse "Eu não"... mas ainda assim decidi lutar por um amor que já tinha dona. E me perdi no caminho enquanto tentava fazer com que Edward visse o quanto eu o amava. A amizade em sua expressão mais real: o amor...


Disclaimer: Essa história pertence à Zoalesita, que me autorizou a traduzir, e os personagens pertencem a Stephenie Meyer.

This story belong to Zoalesita, who allowed me to translate, and the characters belongs to Stephenie Meyer.

Esta história pertenece a Zoalesita que me permite hacer la traducción. Los personages pertenecen a Stephenie Meyer.


Você será o céu que eu jamais poderei tocar Que apenas você me dá A vida que eu sempre quis para mim Mas eu sei que é impossível me perdoar Por pensar apenas em mim Por não te dar mais do que te dou Por simplesmente te amar [Não me peça para fazer] O que não posso fazer Se você quiser, se puder, me esqueça você

Tan solo tu – Franco de Vita com Ale Guzmán (youtu . be / HfOsu6Lvi6A)


Capítulo 2: Amar por Dois

EPOV

Girei sobre minhas costas para ficar de barriga para cima e, por mais que tentasse dormir, não podia. Minha mente não permitia. Era uma tempestade de pensamentos, minha cabeça doía de tanto pensar. Queria encontrar uma imagem, um gesto, um sinal em todos estes anos em que Bella me fizesse dar conta do que ela sentia... mas não conseguia encontrar nada.

Eu pensava que a atenção que recebia dela era a mesma que Emmett e Jasper recebiam. Agora sabia que não, que essa atenção toda era para mim, os rubores, os olhares, toda ela era por mim.

E eu me sentia pior porque, mesmo sabendo de tudo isso, ainda vendo em minha mente as imagens de umas horas atrás quando ela se declarou a mim, eu não correspondia. Não conseguia me imaginar beijando Bella, não me imaginava em mais que um abraço; e isso também me matava, porque eu queria consolá-la. Sabia que ela estava chorando. Eu a conhecia como a palma de minha mão e tinha certeza que nesse momento ela chorava e se sentia morrendo, e talvez não quisesse mais falar comigo por um bom tempo.

O destino era um desgraçado. Por que justo hoje? Hoje eu sairia com Tanya, mas cancelei dizendo que tinha surgido um problema quando Bella me chamou para sair para falar de um assunto importante. Tanya entendeu e sabia que eu sairia com minha amiga...

Eu gostava de Tanya já fazia algum tempo. Primeiro a tinha visto na escola, depois, pouco a pouco, fui me aproximando discretamente até que chegou o primeiro encontro, mas fiquei viciado nela. Tanya era linda, educada, culta, refinada, tinha uma boa conversa, era charmosa. Era tudo o que eu buscava. Foi assim que me envolvi nesta história toda e o inevitável aconteceu: me apaixonei.

Não queria comentar com ninguém pelo medo da rejeição, mas pela manhã, quando fui vê-la para cancelar o encontro de hoje, não pude evitar e a beijei. Em nossos encontros anteriores, já tínhamos dado um ou outro beijo, mas este foi o decisivo. Eu disse que gostava dela e que não sairia de sua casa até que aceitasse ser minha namorada; quando ela aceitou, quase pulei de alegria. Me sentia feliz. A linda garota, a que eu amava, havia me dito "Sim". Neste momento, a única coisa que pensei foi que à noite comentaria com Bella e lhe diria que ela já tinha uma cunhada.

Mas as coisas nunca saem como a gente quer.

Parei de me remexer na cama e saí do quarto. Buscaria algum remédio para resfriado, o que fosse necessário, mas tinha que dormir, mesmo que precisasse me dopar. Tinha dado alguns passos no corredor quando escutei o telefone de casa tocar. Dei um pequeno pulo de susto. Quem ligaria às 3h?

Fiquei quieto esperando escutar algo, mas não aconteceu nada. Deste lado da casa, no 3º andar, dormia apenas eu. Do outro lado dormiam Alice e Emmett porque lá era maior e cabiam dois quartos espaçosos. Desci as escadas e, então, escutei murmúrios. Fiquei quieto até quase chegar ao térreo, quando a porta do quarto dos meus pais foi aberta. Vi reflexo da luz passar pela fresta. Logo chegaram até mim nas escadas e minha mãe gritou de susto.

— O que você está fazendo aqui, Edward? — disse sustentando a mão em seu peito.

— Ia até a cozinha... O que aconteceu? Aonde vocês vão a esta hora? — a encarei percebendo que estava com uma blusa de frio.

— Vamos ao hospital. Seu pai tem uma emergência.

— Desde quando você o acompanha nas urgências?

Neste momento, meu pai chegou ao nosso lado colocando sua jaqueta.

— É a Bella. Lilly Hale acaba de telefonar.

— A mãe de Rose e Jasper? — as palavras de Jasper demoraram um segundo para me golpear, dizendo que a levaria para sua casa.

— Sim. Bella ficou doente e acabaram de levá-la ao hospital. Dizem que ela está fervendo de febre e começou a convulsionar.

— Ela vai ficar bem? — sussurrei.

— Não sei, Edward. Não a vi — disse exasperado —, mas acredito que é claro que se ela está tendo convulsões é porque não está bem. Tentaram baixar a febre, mas, até onde sei, não conseguiram. Jasper, em seu desespero, se enfiou embaixo do chuveiro com ela, mas nem assim funcionou.

— Vou com você.

— Te dou um minuto para que vá até seu quarto e vista algo. Não podemos perder tempo.

— Sim, papai. — Corri escada acima e ainda o escutei sussurrar para minha mãe.

Tenhamos fé, Esme. Assim que chegar ao hospital eu vou curá-la antes que uma temperatura tão alta afete seu cérebro. Me preocupa que não tenha baixado com o banho...

Não. Não podia acontecer nada com ela. Era minha amiga, minha irmã... Corri para cima ainda mais rápido - cada segundo era um minuto roubado dela.

Me vesti com o primeiro que encontrei e, antes de cinco minutos, estava fechando um suéter enquanto subia no carro do meu pai.

Chegamos rápido ao hospital. Na sala de espera encontramos toda a família Hale e os Swan. Reneé estava muito nervosa e meu pai apenas parou para saudá-los antes de correr às portas da área restrita do hospital.

Em Forks havia outros dois médicos, mas meu pai era o diretor do hospital e, além disso, todos sabiam da grande amizade entre as três famílias. Me sentei ao lado de Jasper, que tinha a preocupação gravada no rosto.

— O que aconteceu, Jasper? — ele me observou um momento. Não é que não éramos amigos, mas desde que aconteceu o que aconteceu com Alice e Maria, eu não falava muito com ele. Me doía ver minha irmã no estado em que se encontrava, mesmo que ela tivesse pedido a mim e a Emmett que não rompêssemos nossa amizade de toda vida com Jasper. Ainda assim, a convivência era um pouco tensa.

— Não sei, Edward. Estávamos dormindo e entre sonhos escutei Bella falar. Primeiro pensei que estava conversando comigo, porque antes de dormir estivemos conversando, mas quando abri os olhos, me dei conta que ela também dormia e estava encharcada de suor e dizia... — me olhou por um instante e suspirou. — Quando a toquei, percebi que estava muito quente. Tentei acordá-la, mas não consegui. Avisei meus pais e minha mãe tentou baixar a temperatura dela com compressas frias, mas foi em vão. Ela estava chegando aos 40 graus então a peguei nos braços e nos enfiei na ducha — abaixou a cabeça para apoiá-la entre as mãos. Ele parecia cansado, preocupado e tenso. — Sua temperatura baixou apenas até 38,5 e minha mãe me ajudou a tirá-la da ducha e trazê-la ao hospital.

— Delirava?

— Muito.

— O que ela falava? Por que não conseguia acordar?

Ficou calado por um longo tempo no qual esteve meditando se me respondia ou não. O dilema era notável em seu olhar perdido.

— Não entendi o que ela dizia enquanto estava dormindo.

— Me diga, Jasper. Eu sei que você escutou. Não existe nada que faça eu me sentir pior neste momento.

— Não tem porque se sentir mal, Edward. Ela entende o que aconteceu. Ela está, obviamente, triste, mas compreende que você não a ama.

— Me sinto mal porque Bella é uma garota grandiosa, linda, divertida. Quando ela tiver um namorado, eu sei que ele será um cara que terá muito sorte por tudo de bom que ela tem...

— Mas você não será este cara.

— Não, Jasper, eu não serei este cara, porque não a amo. Quem dera as coisas fossem como nos filmes em que você se apaixona por sua melhor amiga e quando ela te diz isso, você corresponde, mas aqui as coisas não são assim. Eu teria gostado de me apaixonar por ela, mas eu gosto da minha namorada e estou muito apaixonado por Tanya — quando eu disse isso, um duro silêncio nos inebriou. Reconheci em voz alta que eu não correspondia à Bella e mesmo que o peso destas palavras fosse muito grande, não pensava em mudar, porque eu havia lutado, conquistado e ganhado o coração de Tanya, a garota que eu gostava, e era por isso que estava disposto a suportar tudo.

— Quando Bella delirava estava te pedindo perdão... Não sei exatamente por que, mas dizia "Edward, me perdoe" e também dizia que te amava.

Cada palavra era uma nova dor, não por amá-la como mulher, mas por amá-la como irmã e sua dor também me doía e me doía ser o responsável por esta dor, mas existiam coisas com as quais teríamos que aprender a viver.

— Ela é uma garota forte, Edward. Seguirá em frente.

— Sei que é forte, mas às vezes é como uma boneca de porcelana que eu não quero que aconteça nada... Vai ser muito difícil quando tiver que vê-la.

— Ela seguirá adiante, porque essa é a Bella que conhecemos. Eu a conheço o suficiente para saber que ela é frágil por fora, mas é uma guerreira por dentro. Isso a devastou e pode ser que vá chorar por algumas semanas, mas ela vai se reerguer.

— Eu sei. Vai se colocar em pé dentro de pouco tempo e outra vez será minha Bella.

— Seria melhor se você já não utilizasse mais o "MINHA" com ela. Não abra mais uma ferida que ela vai ter que curar sozinha.

— As coisas vão ser tão fodidamente difíceis agora — meu amigo me sorriu de lado ao escutar dizer essas más palavras, já que eu costumava falar muitos palavrões em minha cabeça, mas quase nunca em voz alta.

— Se você gosta tanto dela, se aprecia um pouco o que ela fez por você hoje, mas, sobretudo, pelo respeito que o amor que ela tem por você merece, você a ajudará a se curar.

— Eu ajudarei, Jasper. Às vezes é bom falar com um amigo sensato. Amo meu irmão, mas há momentos de lucidez em que Emmett é um espírito livre demais e, além disso, não contei para ele o que aconteceu hoje com Bella. O mais certo é que queira me chutar a bunda. Alice também — depois que pronunciei o nome da minha irmã, ficamos em silêncio. A cara do meu amigo voltou a ficar pensativa e me perguntei "Realmente sei o que Jasper sente?"

— Como ela está? – sussurrou.

— A verdade?

— Sobre ela sempre quero saber a verdade.

— Já passou um mês que ela descobriu que você a traía com Maria... Nunca pensei que uma pessoa poderia chorar tanto como ela tem chorado. Me preocupa. Ela está pálida, quase não come, sua depressão é muito forte e às vezes tenho medo que não supere, mas sei que Alice está vivendo sua dor e também sei que vai sarar sozinha. Lhe daremos o tempo que precise para voltar a ser minha Alice... Tem coisas que não te perdoo, Jasper. Uma delas é arrebatar o sorriso da minha pequena, mas também compreendo como são as coisas de casal, coisas que só interessam a vocês. Seus pais e os meus pensam que você apenas terminaram e que ela está triste por isso, mas se chegarem a se inteirar do que aconteceu, Carlisle bateria em você, sem dúvidas.

— E eu deixaria ela me bater.

— Eu sei, mesmo que isso não resolvesse nada.

— Deveríamos ter uma vida mais simples e fácil como nos filmes. A vida real é tão complicada. Não importa a idade que tenha sempre tem alguma coisa que te fode.

— Profundas palavras — soltei uma risadinha. Era bom saber que eu não era o único que pensava que a vida se complica antes de melhorar.

— Edward... eu amo Alice.

— Eu, neste momento, não quero falar disso. Arruma suas coisas, Jasper, mas não comigo e sim com ela. Para que os dois deixem os problemas para trás e se deem conta de uma vez por todas que vocês não estão destinados a ficar juntos.

— Me recuso a pensar que...

— Olá, Edward — a voz de Reneé interrompeu nossa conversa. Fiquei em pé para cumprimentar a mãe de Bella.

— Olá, Reneé. Alguma novidade?

— Seu pai ainda não saiu para nos dar qualquer informação. Só quero falar um momento com você.

— Claro — a segui até um extremo da sala onde não tinha ninguém. Rosalie me viu de longe e seu olhar me deu medo. Rosalie é uma garota lindíssima e que eu gosto muito, além disso, é minha cunhada, e como Bella estava em sua casa, suponho que saiba o que aconteceu.

"Ninguém está do meu lado e de Tanya? Merda! Nem sequer sabem que ando com Tanya".

— Edward, aconteceu alguma coisa com ela? Desculpe-me por perguntar assim, tão diretamente, mas nunca, em tantos anos que vocês saem juntos, ela tinha ido com Jasper quando poderia estar com você.

— Eu... — passei os dedos entre meu cabelo da nuca — Reneé, acredito que quando meu pai sair e nos deixar vê-la, você deverá perguntar à ela.

— Aconteceu... Meu bebê — Reneé foi embora me deixando ali parado e sozinho.

Vi Reneé ir até Charlie e abraçá-lo enquanto minha mãe e Lilly falavam com eles.

Sentei em uma incômoda cadeira da sala de espera e decidi me empenhar em buscar uma solução. Não tinha nada mais para fazer, não queria falar com ninguém, não queria que ninguém falasse comigo. Só queria vê-la e dizer "Bells, tudo vai ficar bem"

Às 7h, meu pai saiu parecendo cansado, mas relaxado. Todos nos reunimos rapidamente com ele.

— Bella está bem.

Três simples palavras que trouxeram a calma de volta ao meu corpo.

— Fizemos os exames necessários, tivemos que enfiá-la na ducha de água fria e administrar soro e medicamentos.

— Mas a temperatura tão alta afetou seu corpo?

— Felizmente não. Devemos a vida de Bella à Jasper. Quando ele a colocou na ducha em sua casa, conseguiu baixar a temperatura e, mesmo que tenha sido apenas um pouco, ajudou para que Bella aguentasse chegar até aqui. Só gostaria de saber se ela já estava resfriada ontem.

— Não — respondeu Jasper. — O que aconteceu é que, ontem, Bella e eu andamos no cais de Port Angeles e a chuva nos pegou desprevenidos. Bella quis ficar um pouco mais e nos molhamos. Não pensamos que uma coisa dessas ia acontecer.

Eu deveria ter ido buscá-la no cais.

— Realmente não deveria, mas Bella está com a imunidade baixa. Devem cuidar do que ela come e, principalmente, que ela coma bem e nos horários corretos — disse aos Swan. — Ela está um pouco anêmica, mas com vitaminas e repouso se recuperará. A febre só piorou por causa da baixa imunidade, mas não é algo com que se preocupar.

— Podemos entrar?

— Filho, Charlie e Reneé devem entrar primeiro. Bella ficou um pouco histérica quando acordou, mas quando me viu e expliquei onde estava e por que, ficou mais calma, mas é preferível que seus pais a vejam primeiro.

— Está bem.

Vi Charlie pegar a mão de sua esposa e seguir minha mãe. Me sentei na cadeira incômoda outra vez.

"Preciso falar com meu pai sobre estas cadeiras. São uma tortura".

Minha mãe sentou ao meu lado e apoiou sua cabeça em meu ombro.

— Às vezes, quando alguém que amamos muito está em uma situação de risco, nos damos conta do valor que eles têm em nossa vida.

— Tive medo por ela.

— Quando entrar para vê-la, se sentirá melhor.

— Preciso falar com Tanya — fiquei em pé para sair.

— Tanya?

— É minha namorada. Depois te falo.

— Mas e Bella?

— Bella é minha amiga e isso nunca vai mudar.

— Nunca diga nunca, Edward — minha mãe suspirou triste. — Pensei que vocês tinham alguma coisa...

— Não temos nada mais que amizade e sempre vai ser assim.

— Nunca diga nunca, Edward. Você é jovem e ainda tem um caminho muito longo a percorrer. Você não sabe o que acontecerá lá na frente.

— Eu só estou dizendo que quero minha namorada — sussurrei para que os demais não me escutassem, ainda que estivessem falando entre si.

Minha mãe ficou em pé. Mais baixinha que eu, ela tinha uma personalidade tão envolvente.

— Não fique na defensiva. Eu gostaria de saber que você amava Bella, mas se não foi assim, não podemos fazer nada para mudar isso. Apenas entenda algo: quando eu te falo uma coisa é porque já percorri este caminho. Seu pai não foi meu primeiro namorado. Tive uma vida antes dele e amei outros homens, tanto que fiz coisas estúpidas que nunca poderei esquecer, mas é disso que se trata. Viver e provar. Se um dia quiser saber quem realmente foi sua mãe antes de ser Esme Cullen, eu posso contar à você. O coração de uma mulher é um grande mar de segredos.

— Não entendo porque está me falando isso.

— Eu sei o que aconteceu ontem.

— Mas...

— Bella me contou há uma semana. Estava muito emocionada e preparou um jantar especial em casa. Eu a ajudei. Preparamos tudo, mas quando vi você chegar, soube que algo estava mal. Nunca recebi a ligação de Bella que me diria que estavam indo para casa.

— Não entendo porque ela contaria para você.

— Você quer entender tudo em cinco minutos. Não dá. Você não tem que saber de tudo. Se não aconteceu, não aconteceu.

— Quero saber por que não me disse nada se você sabia — apertei minha mandíbula. Eram muitas emoções e a última era coragem.

— Não me venha como um touro bravo para cima de mim. Concentre sua ira em outro lado, Edward, porque eu não sou Bella, nem Rosalie, muito menos Alice. Chamarei seus irmãos para virem e, depois, quando esteja mais calmo e tenha pensado em tudo, poderemos falar disso, mas agora não é o lugar nem o momento.

Minha mãe pegou suas coisas e saiu para falar ao celular.

Estava cansado, irritado, esgotado, mas, sobretudo, estava decepcionado comigo mesmo. Bella me amava. Me amava de uma maneira tão linda, tão dedicada que me doía tanto saber que eu NÃO. Nada mudaria.

Só havia uma coisa que eu poderia fazer e era minha forma de pedir desculpas à ela.

BPOV

Depois de receber a visita de todos, por fim, me deixaram sozinha. Meu pai teria que ir à delegacia e minha mãe tinha ido para casa buscar a roupas para que eu pudesse sair do hospital.

Ainda tinha a agulha intravenosa em minha mão e me sentia muito cansada, com um pouco de calor e resfriada, mas bem. Rosalie e Jasper também tinham passado para me ver e seus pais e todos os Cullen, até Alice e Emmett que tinham acabado de acordar. Todos exceto um e eu sabia que ele estava lá fora. Ali tinha me falado e eu sabia o que estava fazendo. Ele esperava. Queria ser o último porque fosse o que fosse que quisesse me falar, não gostaria que ninguém o interrompesse.

Arrumei meus cabelos com as mãos e tomei um pouco de água para tirar o gosto ruim da boca. Arrumei a camisola e as almofadas. Morreria de vergonha se Edward me visse em um estado tão deplorável. Pelo menos não poderia dizer "Viu? É por isso que não te quero"

Senti as lágrimas se formando em meus olhos quando pensei na noite anterior, mas teria que ser forte. Eu podia mostrar para ele que eu era um "bom partido", muito melhor que a bonita e divertida Tanya.

"Caralho, Bella. Você deveria ter um pouco de ódio por ela". Mas não posso. A desgraçada me cai bem e sempre foi amável comigo.

Eu ia agarrar uma almofada para abafar o grito que queria sair de minha boca. Era impossível. Minha Bellaciência (1) e eu nos chocávamos muito.

Estava à ponto de gritar quando...

— Oi, oi — enormes palhaços entraram no meu quarto.

Se acomodaram em frente à minha cama, me encarando intrigados e olhando-se entre eles.

— Não tinham dito que a pequena Swan estava aqui? — disse o palhaço que estava vestido como um policial e com um enorme revólver de algodão pendurado no braço.

— Supus que era uma criança. Escutei falarem isso no corredor — respondeu o palhaço que estava vestido como uma versão renovada do Tio Sam (2).

— Estúpidos, se apresentem. Estão a assustando — falou o que estava vestido com muitas cores e uma grande peruca encaracolada com as cores do arco-íris.

— Jake?

— Olá, Bella — respondeu tímido, aproximando-se de mim. — Não se assuste. Somos nós, os caras de La Push.

Os demais tiraram as perucas e os grandes narizes e fui reconhecendo cada um: Paul, Sam, Embry, Seth, Quil e, por último, Jake.

— Que diabos? — quase gritei antes de começar a rir como louca. Sempre os via como os garotos maus, mas vê-los vestidos como palhaços era uma grande diversão.

— Poxa, Bella. Não ria de nós. Estamos fazendo um bem para a comunidade. Levamos diversão aos doentes — Sam se defendeu, tirando o revólver de algodão.

— Me empresta ele — estiquei a mão, enquanto me acalmava. — E sim, acabam de me divertir muito.

— Você é perversa, Swan — disse Paul, enquanto se sentava pesadamente na cadeirinha ao lado de minha cama. As bexigas que estavam em sua roupa não o deixavam em paz até que se levantou. — Tira, Quil. Estas bexigas idiotas mão me deixam.

Se inclinou um pouco e Quil, com seu grande sapato, deu chutes em seu traseiro fazendo com que as bexigas estourassem causando um forte barulho.

— Muito melhor — se sentou com gosto.

— Garotos, vocês são loucos. Mas falem sério: O que vocês estão fazendo às 8h de um domingo no hospital?

— Não contou para ela, Jake? — Seth se acomodou na cama vazia ao lado.

— Bom, digamos que Bella tem me ignorado.

— Não ignorei você. Apenas protejo minha saúde mental. 67 ligações telefônicas em um dia foram suficientes. Estive à ponto de pedir para meu pai te dar um tiro — peguei a arma de algodão que Sam tinha e apontei para Jake.

— Que gracinha. Ha-Ha.

— Muito bem, senhorita. Proteja sua saúde mental e os garotos de La Push que carreguem a merda com este emo.

— Não sou emo.

— Perdão. Emo/Apaixonado.

— Fica quieto. Enfim...

— Enfim nada. Não inventa. Bella, por favor, apenas saia com ele uma vez. Não aguento mais ele falando de você. Digo, eu gosto de você e tudo, menina, mas não quero escutar seu nome o dia todo. Estive a ponto de dizer seu nome à Emily quando estávamos juntos — Sam balançou as sobrancelhas sugestivamente.

— Ai, Sam, isso foi... — apontei o revólver — Pena que não tenha balas — suspirei dramaticamente. — Não quero escutar outra vez que pensa em mim quando faz coisinhas com Emily.

— Bom, você entendeu o que eu quis dizer.

— Sim, entendi e prometo em algum momento pensar sobre Jake.

O olhar de Jake se iluminou. Acredito que disse que pensaria porque, mais que nunca, entendia como ele se sentia já que eu sempre dizia "não". Era exatamente a mesma história. Jake e eu éramos amigos desde crianças, meu pai era seu padrinho e ele estava apaixonado por mim e eu por Edward.

Definitivamente o Cupido precisa de fraldas tamanho GG (3).

— Mas me contem. O que estão fazendo aqui?

— É que... Há algum tempo sofremos um acidente. Batemos o carro enquanto estávamos bêbados e destruímos uns carros que estavam estacionados na rua que passávamos. Nossos pais pagaram o conserto dos carros e estivemos prestes a ser processados.

— Mas...

— Chegamos a um acordo com as partes afetadas. Como pagamos os carros, eles não nos denunciariam, mas temos que fazer serviço comunitário. É uma merda fazer serviço comunitário na rua já que sempre chove, então chegamos a um acordo com seu pai. Fazemos visitas aos doentes e damos alegrias a eles. As primeiras vezes nossas visitas eram supervisionadas, mas já perceberam que somos inofensivos e estamos vendo a possibilidade de fazer um programa voluntário. Estamos arrumando os últimos detalhes com o doutor Cullen – Jake terminou de explicar.

— Oh, isso é genial, quero dizer, o serviço comunitário. Ainda que tenha sido uma grande estupidez dirigir embriagados. Vocês poderiam ter morrido.

— Sim, nós vimos. Passar tanto tempo em um hospital faz você ver as coisas de outra maneira. Não digo que não beberemos mais, mas pensaremos antes de pegar a estrada sem um motorista sóbrio – suspirou Paul.

— Isso é o mais sensato. Um dia eu gostaria de vir com vocês.

— Claro, garota! Você é bem vinda, mas tem que se disfarçar assim como nós. Bom, você usa um disfarce mais bonito porque é mulher.

— Você está louco, Embry.

— Já sabe... Quando quiser... Olha — se aproximou de mim e me mostrou a flor de sua lapela.

— Que linda.

Tinha acabado de elogiar quando um jato d'água molhou todo meu rosto.

— Embry!

— Bella, não posso acreditar que você caiu nesta brincadeira. É de criança – Seth riu.

— Vou tirar minha agulha e furar você, Embry.

— O cisne (4) assassino.

— Fica quieto.

Jake se aproximou e muito delicadamente limpou meu rosto. Seu gesto me entristeceu. Ver ele era como ver a mim.

— Obrigada — sorri.

— Quando quiser — me imitou.

— Posso?

Apenas sua voz fez meu sorriso desaparecer e meu coração bateu tão forte que até doeu.

— Claro, Edward. Entra — tratei de tirar Jake da frente. Ele estava tampando a vista do meu amor.

— Vamos, caras. Temos mais gente para visitar — Sam ficou em pé e devolvi seu revólver.

— Se cuida... E você precisa nos dizer por que está no hospital.

— Eu vou dizer... Quando você vai contar para Emily o que me falou?

— Você é um cisne maldito.

— Claro – sorri inocentemente.

Todos se aproximaram de mim para se despedirem. Alguns me deram beijos na testa e outros na bochecha. Jake beijou minha mão.

— Não se esqueça de pensar – olhou rapidamente para Edward. — Você deseja este "Apenas uma oportunidade" tanto como eu.

Engoli em seco ao entendê-lo.

— Eu pensarei.

— Para mim é suficiente por agora, carinho.

Ajeitou sua peruca na cabeça e saiu cumprimentando Edward que estava parado esperando que eles se fossem. Jake era tão natural que não importava que o garoto que sua garota amava o visse vestido de palhaço. Eu queria ser forte como ele.

Edward fechou a porta quando todos se foram e o vi caminhar em direção à minha cama. Doía muito vê-lo. Com um grande buquê de rosas em sua mão direita e um bicho de pelúcia que eu não sabia qual era na esquerda e um montão de bexigas com gás hélio (5) que diziam "Recupere-se".

— Olá, Bells — se sentou na cama ao meu lado.

— Olá — minhas bochechas estavam ruborizadas. Ele parecia cansado, sem dormir e extremamente lindo e a única coisa que eu queria era beijá-lo.

— Eu... Isso é para você — me entregou as flores e as bexigas.

— Obrigada, são muito bonitas. Não deveria ter se incomodado.

— Você sabe que nunca será um incômodo para mim, pequena.

— Você pode colocá-las sobre a mesinha?

— Claro.

Ficamos uns minutos em silêncio e apenas se escutava a gota que pingava de meu soro. Queria ir embora. Era tão estranho. Queria estar com ele, abraçá-lo e tirar seu olhar de tristeza, mas também queria bater nele por não gostar de mim. Sou uma bipolar.

— Sinto muito que você passou por isso — disse em uma voz baixinha. — Se tivesse me respondido ontem poderíamos ter conversado.

— Realmente ontem eu não poderia aguentar outra conversa com você.

— Bells... Você não devia ter me falado o que falou... Foi um erro.

Meu coração se quebrou. Creio que escutei quando bateu no chão e espatifou em pedacinhos que eu sabia que Edward não recolheria.

— Olha, Edward. Posso aceitar que me diga que "não", mas não aceito e nem permito — minha voz foi ficando estridente — que me diga que foi um erro. Talvez para você tenha sido, mas não me insulte. Eu necessitava ser livre. Eu precisava tentar.

— Me refiro...

— Você quer dizer que somos amigos e eu fodi com tudo, sim, isso eu aceito, mas não podia esconder. Que culpa eu tenho de ter me apaixonado por você?

— Eu gostaria que você nunca tivesse me amado.

— Suas palavras me machucam. Você está envergonhado que eu te ame?

— Claro que não, Bella. Você é uma grande garota e eu sei que haverá um homem que-

— Não. Não me diga que haverá um homem que me amará, nem nenhuma dessas coisas estúpidas, porque não aceito. Não quero falar de outros homens quando eu amo você. Não tenho fé que outro aparecerá porque eu só tenho fé em você. Deixe assim, apenas. Não me ama e ponto final. Mas não saia com a desculpa de que o amor da minha vida chegará e blá blá blá. Não me interessa ouvir.

— Desculpe. Sinto muito por machucá-la.

Maldito coração mole este que eu tenho.

— Não se sinta mal, Edward. Venha aqui.

Ficou mais próximo de mim para que, ao sentarmos, ficássemos juntos.

— Te amo — coloquei minhas mãos no seu rosto — e isso nunca ninguém vai mudar. Sabe por quê? — Negou. — Porque existem amores que duram a vida toda. O meu durará toda a vida, ainda que você não o aceite, porque você não pode mandar no coração. Apenas não me mate, Edward. Me deixe ficar ao seu lado. Eu preciso de você de uma forma que nunca precisei de ninguém. Não serei um problema nem para você, nem para Tanya.

— Você é maravilhosa e lamento muito fazer isso, mas você também não pode mandar no meu coração — me encolhi diante de suas palavras.

— Eu sei e terei muita inveja de Tanya, porque ela está com o garoto que eu amo, que, além disso, é um grande garoto, mas eu juro que vou entender. Apenas não se culpe por algo que você não pode evitar.

— E as coisas entre nós...

— Seguirão iguais. Sigo sendo sua irmã e você meu irmão de alma.

— Sei que não tenho o direito de perguntar — abaixou o olhar, entristecido —, mas faz muito tempo que você sente isso por mim?

— Não posso dizer uma data exata, mas uns dois anos... Primeiro me assustei ao perceber que precisava muito de você, depois vieram os ciúmes e então chorei por vê-lo beijando outra ou por imaginar o que você faria com elas, até que me dei conta que era amor.

— Isso é muito tempo.

— O amor não se deixa guiar por lugares ou tempo ou espaço. Simplesmente acontece e fica em seu coração para o bem ou para o mal.

— Obrigado pelo jantar de ontem e obrigado por me amar como você me ama — seus charmosos olhos verdes ficaram brilhosos. NUNCA tinha visto Edward chorar.

— Meu amor — acariciei seu rosto. — Você merece ser amado desta forma. Você é um grande garoto, um grande homem e um ser humano precioso. Quer que eu seja sincera com você? — assentiu. — Edward, algum dia você vai amar do jeito que eu te amo, vai querer que esta pessoa abrace você, te beije e console. Vai necessitar vê-la como se fosse um vício e apenas quando sinta isso é que você vai me entender.

— Eu queria tudo de você, Edward. Tudo. Se em algum momento você chegar a amar Tanya da forma que estou dizendo, você sentirá fogo em suas veias... Ansiava por seus "Eu te amo", que me olhasse com amor, que pegasse minha mão e dissesse orgulhoso "Ela é minha namorada". Não é um sentimento novo para mim, já que convivo com ele há muitos anos. Eu queria ser sua, Edward - completamente sua -, e você sabe que não tomo estas decisões sem motivo, mas existem coisas que não vão acontecer e eu vou aprender a viver com elas.

— Eu teria gostado de te amar.

— Mas você não pode e ninguém morre de amor — sorri para tirar sua cara triste.

— Eu sempre estarei ao seu lado, aconteça o que acontecer, e eu vou estar aqui para das as boas vindas para o cara que te ame, porque você merece.

— Em algum momento, se é que eu deixarei de te amar em algum momento.

Bella, você é uma garota jovem. Viverá muitas coisas, conquistará o mundo, ganhará muitos corações e o tempo fará você esquecer. Você tem um longo caminho para viver.

— Eu não acho...

— Você verá que é assim. O tempo fará você esquecer, mas me prometa que você vai tentar e não se deixará vencer como Alice. Você sairá e verá que o mundo fará você mudar a maneira como vê as coisas. Será uma nova Bella e dirá "Teve uma vez que amei muito um cara de cabelos acobreados" e recordará como uma piada porque sua ferida estará fechada. Vai viver mais, Bella, e vai me esquecer.

— Algum dia lembrarei destas palavras, Edward, e veremos quem tinha razão.

— Tudo o que você precisa é de tempo.

Me entregou o bicho de pelúcia que tinha em seu colo. Era um exemplar em tamanho médio do Ding Dong, o relógio de "A Bella e a Fera". Uma lágrima escorreu por minha bochecha. Edward realmente queria que eu o esquecesse.

— Tempo ao tempo, Edward.

Eu darei todo o tempo que você precisar até que volte para mim, Bella.

Se aproximou de mim e seus suaves lábios encostaram em minha testa. O abracei enquanto um soluço se escondia em meu peito.

Te amo tanto que posso amar por dois.


(1) Bellaciência: a consciência da Bella. É apenas uma voz, não tem forma.

(2) Tio Sam: personificação dos Estados Unidos. O personagem lembra pela aparência e homenageia Abraham Lincoln, ex-presidente do país. Suas roupas são em vermelho, azul e branco (pt . wikipedia wiki / Tio_Sam) – retire os espaços.

(3) Fralda Tamanho GG: porque ultimamente, o Cupido estava fazendo muita cagada /merda e fraldas pequenas não seriam suficiente.

(4) Cisne assassino: em inglês, cisne é Swan, assim como o sobrenome de Bella e a autora fez um trocadilho.

(5) Gás Hélio: gás mais leve que o ar e, quando utilizado para encher bexigas, faz com que elas flutuem.


Olá, meninas...

Estou chateada porque o último capítulo não agradou tantas pessoas assim, mas tudo bem... Não faço tradução em troca de reviews. Faço porque amo e, principalmente, porque esta estória é linda.

No próximo domingo, postarei um novo capítulo (do total de 19 e cada vez maiores). Posso adiantar que vocês descobrirão que Bella tem um talento lindo e que Alice tem uma bomba para lançar sobre os amigos e sobre a família.

Até lá!

Rosa