Cap. 1: Encontro Com Gabriel
_Onde você sentiu a aura dele, Cas? – Dean entrou na sala meio cambaleante.
_Você... Você está bem? – o anjo perguntou, levantando rápido quando viu o loiro se escorar em uma das cadeiras. – Devia estar deitado, eu disse que vai se sentir mal por alguns dias.
_Nhá. – e fez um gesto com as mãos, para que o anjo não se preocupasse. – Eu sou o Batman, esqueceu? – brincou, vendo a face do anjo se contorcer por não ter entendido o que aquilo significava.
_Ah... Esse é o momento em que eu pergunto se isso por acaso tem algo a ver com o fato de eu ser o... Superman?
Dean deu um sorrisinho de canto e ia responder com alguma das clássicas cantadas que tinha, mas Sam entrou segurando uma pilha de livros, sendo seguido por Bobby, que assim como ele, carregava mais do que alguns exemplares.
_O que é tudo isso?
_Queremos achar algo para ajudar na busca... Sabe?... Pra pegar o tal arcanjo. – respondeu o velho, deixando os livros empoeirados em cima da mesinha onde já haviam mais outros, se tratando todos do mesmo assunto, anjos.
Castiel olhou com curiosidade para todos aqueles exemplares e Dean se pegou admirando a face do anjo enquanto este se mantinha concentrado encarando um livro qualquer.
Sorriu sem perceber ao se deixar encantar pelos movimentos dele, o modo como os dedos alcançaram um dos livros, pegando-o e abrindo com cuidado, como se ele fosse se desintegrar em suas mãos.
O modo como suas roupas pareciam tão perfeitas no anjo, mesmo que a calça estivesse caindo e a camisa fosse dois números maiores, Dean se pegou admirando a pureza que havia naqueles olhos, a curiosidade quase humana que o anjo deixava escapar em ocasiões como aquela.
Encolheu-se mais no sofá de Bobby e pensou que aquilo tudo era uma loucura de se pensar, porque Castiel era seu amigo, Castiel era um anjo e ele com certeza não estava interessado em experiências sexuais, mas ainda assim, não pode evitar que seu olhar fosse parar na boca do moreno, imaginando mil coisas.
_Dean... Dean! – o moreno bufou, irritado pela constante falta de atenção do irmão, foi apenas quando os olhos de Castiel fixaram-se na face do loiro que ele resolveu erguer as sobrancelhas, um modo de mostrar que queria saber do que falavam.
_O que? – perguntou, meio incerto se devia responder alguma coisa ou se nem ao menos tinham notado sua falta de cabeça para aquele tipo de coisa.
_Vamos conjurá-lo. – Sam informou, afastando um pouco os cabelos dos olhos, mais ainda assim, alguns fios teimavam em voltar para frente, quase tampando sua visão.
_Ah, tudo bem, vamos conjurá... O que? Como a gente vai fazer isso? – perguntou, finalmente se dando conta do que aquilo representava. – Precisamos de algo dele para...
_Eu tenho.
_Você tem? – Dean e Sam perguntaram em uníssono.
_E o que é? Um fio de cabelo por acaso? – Bobby não parecia animado com a idéia, mas é claro que sempre apoiaria seus garotos.
_Melhor do que isso. – disse o anjo se levantando do sofá, as mãos no cós da calça que vestia para que não caísse, já que ela praticamente deslizava por suas pernas sem dificuldade. – Tenho uma pena.
Sumiu por alguns instantes enquanto todos se olhavam entre espantados e admirados.
Dean se perguntava mentalmente o que ele fazia com uma pena de Gabriel, mas achou melhor não se ater a essa pergunta, na verdade, ultimamente, estava evitando pensar tanto assim em Castiel, já estava ficando embaraçoso ter que explicar por que, às vezes, ficava com o olhar parado na face dele.
_Aqui está. – disse aparecendo de novo, fazendo Dean ter um mini ataque do coração por ser arrancado de seus devaneios tão rapidamente.
Castiel segurava uma pena reluzente, como se mini partículas prateadas fizessem ela ser tão brilhante que ofuscava os olhos, era branca, do tamanho de uma pena de ganso e parecia ser tão macia que Dean teve de conter o impulso de ir lá e roubá-la de Castiel.
_As suas são assim também? – deixou escapar, ainda encarando a pena, como se nunca tivesse visto algo tão bonito quanto aquilo.
Quando se deu conta do que tinha falado, olhou para o irmão e para o velho, eles lhe encaravam com uma expressão confusa no rosto.
_Eu quero dizer... Sabe, a de vocês são todas iguais? – e limpou a garganta se sentindo desconfortável.
_Sim, Dean, as minhas também são exatamente como essa, elas são todas iguais. – o anjo respondeu, saciando a curiosidade do caçador, ou assim pensava ter feito.
Bobby resmungou alguma coisa sobre não saber o que fazer com aquilo e Sam se ofereceu para procurar algum feitiço de conjuramento forte o bastante para prender um arcanjo.
Passaram a tarde inteira pesquisando, mas não acharam nenhum que dava certo, como arcanjos eram de uma casta mais forte, não teriam como prendê-lo em um feitiço simples.
Dean estava jogado no sofá, a cabeça para trás enquanto enrolava a língua, cantando alguma canção do Kansas, que Castiel podia jurar ter ouvido antes, Sam virava mais uma xícara de café, já tinha perdido as contas de quantas daquelas tinha tomado, Bobby xingava nervoso, assim que descobria que mais um dos feitiços que tinha ali, não era forte o suficiente. Castiel permanecia quieto, alternando seus olhos entre uma virada de pagina e o rosto do caçador loiro, que tentava se distrair do que parecia um dia enfadonho para ele.
_Vocês deviam parar um pouco... – comentou, tentando manter os olhos no livro. – Eu posso continuar, vocês precisam descansar e...
_Eu achei! – Sam levantou do sofá apontando uma página, chamando a atenção de todos.
_Vai chamá-lo aqui? – perguntou o loiro, as sobrancelhas arqueadas.
_Claro que não, na verdade, esse feitiço mostra a localização da pessoa que você quer encontrar, no nosso caso, o arcanjo.
_Você acha que isso vai dar certo?
_Não tem como não dar. – disse, esperançoso.
Levou algum tempo para que pudessem encontrar todos os ingredientes que o feitiço exigia, Castiel tentou ajudar, mas por alguma razão não estava conseguindo se teletransportar e isso o estava fazendo se sentir inútil.
_Já temos tudo... – Dean disse olhando todas aquelas coisas que estavam na mesa. – A pena, o mapa, o óleo sagrado... Mais alguma coisa? – e olhou para o irmão.
_Não, está tudo certo, agora é só falar as palavras certas.
_E quais são as palavras?
Castiel abriu o mapa, banhou a pena no óleo sagrado e a jogou em cima do papel, sussurrou algumas coisas em enoquiano que ninguém na sala, além dele mesmo, entendeu e então a penas queimou.
Dean arregalou os olhos ao ver as cinzas se movimentando pelo mapa dos EUA, parou em um lugarzinho afastado demais, nunca tinham passado por lá e Sam calculou imediatamente, que de carro, demorariam mais ou menos dois ou três dias para chegarem.
Era tempo demais, todos ali sabiam. Gabriel era esperto demais para ficar em um lugar só.
_Não sei como vamos para lá. – disse o loiro desanimado, torcendo os lábios em desagrado com a situação.
_Tem alguém... Tem alguém que pode nos levar. – disse o anjo. – É de minha inteira confiança, a minha Tenente nos levará. – afirmou e Dean mordeu o interior da boca, pensando se o fato do anjo se referir a ela como 'minha', queria dizer algo a mais.
_Mas ela não está aliada a Miguel ou qualquer outro, Cas?
_Não, eu tenho certeza, Sam. – respondeu o anjo e então o olhar ficou parado, encarando o nada.
Dean olhou para Sam e então de volta para Castiel, passou a mão na frente do rosto dele, mas não houve sequer um movimento por parto do anjo. Não demorou muito para que ele retornasse ao normal, uma moça loira de olhos curiosos surgiu atrás deles.
_Sial. – disse o moreno se virando para ela. – Obrigado por vir.
Ela andou devagar, como se um passo seu pudesse por a casa abaixo, chegou perto o suficiente do anjo e suas mãos tocaram de leve o rosto dele.
_Sinto muito pelo que aconteceu, Castiel. – disse, os olhos nunca se desviavam da face dele. – Foram ordens que todos deveriam seguir ou então eles fariam o mesmo que fizeram com você.
_Eu sei, a culpa não foi sua.
_Mas, eu falhei na minha missão, eu devia ter...
_Não, não estava escrito assim. – ele retrucou.- Mas já que se sente em falta comigo, pode nos levar até Gabriel.
_Descobriu o paradeiro dele? – ela perguntou, entre chocada e maravilhada.
_Sim, preciso que nos leve para cá. – e apontou no mapa, os olhos dela seguindo o dedo indicador dele.
_Tudo bem. – e levantou o dedo para tocar no braço dele.
_Dean e Sam, eles vão me acompanhar. – disse antes que ela o fizesse sumir.
Dean podia jurar que por um momento os olhos de Sial reluziram em ódio, mas achou que foi apenas impressão, porque no segundo seguinte ela os convidava a ficarem mais próximos.
_Você consegue mesmo levar todos nós? – Sam perguntou, preocupado, já tinha visto o estado em que Castiel ficava quando os levava em viagens no tempo.
_Isso não vai ser uma viagem no tempo, vai ser algo bem simples, comparado ao que eu posso fazer, garoto. – ela disse, lendo os pensamentos dele.
_Se não se importa, eu não gosto que vasculhem a minha mente.
_Então temos algo em comum, não gosto que duvidem da minha capacidade. – e então todos evaporaram da sala de Bobby, deixando o velho caçador com o coração acelerado de apreensão e cuidado por seus meninos.
Suspirou e sentou na grande poltrona que tinha por ali, ao invés de pegar o copo que sempre descansava ao lado na mesinha, pegou logo a garrafa de wisky e entornou, o liquido queimando sua garganta ao descer, mas aquilo era a única coisa que o acalmaria naquele instante, até Dean lhe telefonar avisando que estavam bem.
_Obrigado Sial, nós continuamos daqui. – disse o anjo e a mulher sorriu.
_Se precisar Castiel, sabe que pode me chamar, eu sou leal a sua causa, sabe disso não é?
_Obrigado. – e acenou para ela, que logo sumiu os deixando sozinho.
_Você está bem, Dean? – Sam se aproximou do loiro que apertava a barriga enquanto se mantinha de cócoras. – Dean? – chamou, colocando a mão sobre o ombro do irmão.
_Tudo bem, pelo menos é melhor que avião. – disse, levantando devagar, ainda massageando a barriga, se pudesse Sam apostaria que não ia demorar muito para Dean 'botar os bofes para fora'.
_Ah, Cas, como vamos achar Gabriel aqui? – e olhou em volta, não tinha nada, apenas algumas casas afastadas e uma velha estalagem caindo aos pedaços.
_Ele está aqui, eu posso sentir. – e começou a andar a passos largos em direção a estalagem.
Sam olhou para o irmão que fez uma careta.
_Ele pode sentir! – brincou e deu de ombros em seguida, copiando os passos de Castiel, Sam foi atrás. – Não é nada mal. – disse, assim que entrou. – Até parece limpo. – observou e Sam revirou os olhos.
Castiel escorado no balcão encarava um homem com cabelos vermelhos e olhar caramelo, ele vestia peças simples de roupa e Dean balançou a cabeça.
_Ele vai assustar o cara se comportando desse jeito. – e bufou, indo para perto do anjo e sentando ao seu lado.
Conversaram amenidades, enquanto Dean olhava em volta, tentando achar algo que indicasse a presença de Gabriel ali, mas não parecia haver nada. Castiel não parava de encarar o homem e Sam já estava se sentindo incomodado com aquilo tudo. Talvez tivessem errado, ou talvez Gabriel já tivesse deixado aquele lugar, afinal, não parecia o tipo de lugar que o arcanjo costumava freqüentar.
_Ei, seu amigo está com algum problema? – o ruivo perguntou e Sam franziu o cenho, olhando para Castiel que seguia o homem com os olhos, cada movimento dele.
_Ah, me desculpe por isso, é que... Ele é meio... Anti-social.
_Entendo. – retrucou e colocou três copos na bancada, enchendo-os com wisky. – É o melhor que tem aqui, por conta da casa. – disse, guardando a garrafa em seguida.
Foi quando Sam notou que não tinha dito que Castiel era amigo deles, reparou que o tal homem ruivo, estivera todo o tempo chupando bala. Procurou por ele e viu a porta bater.
_Ele fugiu. – informou e puxou Dean para segui-lo.
Gabriel era o homem que estava no balcão, quase tinha passado despercebido.
Castiel virou o copo e sentiu o liquido descer a garganta, mais tinha que ser muito mais forte que aquilo para deixá-lo de alguma forma 'alegre', acompanhou os irmãos que seguiam o ruivo pela cidadezinha que parecia abandonada.
O ruivo se complicou ao entrar em um beco sem saída, ou pelo menos foi isso o que Sam pensou.
_Pare! Sabemos quem você é! – disse alto, Dean ao seu lado e Castiel logo atrás.
_Ora, ora... Dean, Sam... – e mudou sua forma, os olhos se focando em Castiel. – Irmão, soube o que aconteceu... Caiu, hein?! – e deu um risinho de deboche. – Eu nem posso imaginar o motivo.
_Gabriel, viemos aqui para te alertar, você precisa nos ouvir. – disse o anjo, ignorando a fala dele.
_Ah, eu preciso?
_Sim. – respondeu. – Miguel está...
_Sim, eu sei.
_Mas eu...
_Ele está formando um exército, é o fim do mundo, eles querem trazer poderio para seu lado, tanto ele quanto Lúcifer e me deixe adivinhar... Estão querendo que eu entre na briga?!
_Como você...?
Dean e Sam mantinham-se apreensivos, Gabriel parecia diferente, seguro demais com tudo aquilo, mesmo com cada ser do céu e do inferno lhe caçando.
_Eu sei, Castiel, obrigado por vir até aqui me avisar, mas não ajudou em nada, noticia velha não me favorece.
Dean sentiu a face afoguear ao ouvi-lo falar daquele modo com o anjo e se enfureceu, apertou as mãos até os nós dos dedos embranquecerem, fechou a expressão e levantou a voz carregada de um ódio que nem mesmo Sam tinha visto ele demonstrar antes.
_Ei, seu filho da puta, a gente se arriscou, Castiel muito mais, para vir aqui e tentar te manter atualizado, para tentar te ajudar e é assim que você agradece? Sério? Você é desprezível...
_Como eu disse, noticias velhas não me favorece.
_Seu bastardo como ousa? Eu não terminei com você ainda!
Dean queria partir o rosto dele, fazê-lo em pedacinhos, fazê-lo se ajoelhar em frente a Castiel pedir desculpas e agradecer, mas antes que pudesse agir, com qualquer plano que se formara em sua mente naquele instante, Gabriel sorriu sádico.
_Dean, eu gosto de você... Mas as vezes você é tão irritante que se assemelha a uma mulher histérica falando, daqueles que todos os dias quer discutir a relação. – e sorriu mais ainda. – Não concorda comigo Sammy? – e estalou os dedos. – Vai aprender a me respeitar seu macaquinho pelado, eu particularmente não tenho nada contra humanos, mas você pediu por isso. – e sumiu no ar.
Não demorou segundos e toda aquela cidade sumiu junto com ele, restando apenas o chão de terra e alguma vegetação que resistia ao intenso calor que começou a fazer. Dean ainda estava raciocinando para saber o que as palavras de Gabriel queriam dizer quando sentiu uma forte dor de cabeça, não resistiu.
_Cas... – e caiu.
Sam correu para o irmão e segurou a cabeça dele, levantou as pálpebras e os olhos dele estavam parados, colocou os dedos no pescoço do loiro e suspirou aliviado ao sentir a jugular pulsar.
_Ele esta vivo. – disse e a expressão de Castiel suavizou.
_Muito bem, então vamos para a casa do Bobby, Gabriel se foi e não há nada que possamos fazer quanto a isso, ele deixou bem claro que não precisa de nossa ajuda.
_Eu não estou nem aí para esse arcanjo bastardo, eu só quero que você tire a gente daqui, Cas. – disse.
Castiel mordeu os lábios.
_Eu ainda não consigo fazer isso, Sam, me desculpe.
_Fale com aquela mulher, peça para ela nos levar para casa, precisamos saber o que aconteceu com o Dean. – disse meio desesperado, Dean era seu irmão, a única parte da sua família de sangue que tinha sobrado e não deixaria ele morrer. – Isso só pode ser algo que o Gabriel fez, eu vou matá-lo quando vir de novo!
_Não se eu o fizer primeiro. – retrucou Castiel e então olhou para cima, chamando pela tenente.
N/a: Gente, que desgraça! Juro que eu pensei que já tinha postado esse capitulo O.O por isso demorou tanto! Bem, não vai mais acontecer, enfim... Deixem review, mesmo que eu não mereça .n.
