Cap. 2: Dean está... Diferente!
O loiro abriu os olhos e encarou o teto, aquilo era estranho, de repente se sentia pequeno e frágil, como uma donzela em perigo. Virou o rosto para o lado, estava tudo muito quieto, mas tudo parecia igual, mas... Espere aí.
_O que é isso? – uma voz baixa e aguda encheu seus ouvidos e ele se sentou na cama em um salto. – Essa é minha voz? O que aconteceu com a minha voz? – e colocou as mãos na cabeça. – Peraí isso é...? – e olhou aqueles fios de um loiro reluzente, eram ondulados e macios, exatamente como os cabelos de Lisa, só que mais compridos.
Se desesperou ao notar que suas mãos não eram mais calejadas, não tinham dedos grandes, muito pelo contrário, eram pequeninas e delicadas, com unhas compridas e bem cuidadas.
_Ah, não... – e desceu os olhos para baixo.
Arregalou os olhos e quase enfartou ao ver os seios firmes e empinados que agora possuía.
_Caralho, eu tenho peitos! – e abriu a boca espantado, ainda sem entender totalmente o que tinha acontecido, apalpou-os, apertou. – São de verdade, meu Deus, são de verdade... Peraí. – e arregalou ainda mais os olhos, se é que isso era possível, levantou as cobertas e encarou a cueca box sem nenhum volume.
Levantou da cama e puxou a cueca o suficiente para ver o porquê de não ter um enorme volume ali, a pele lisinha da barriga arrepiada, o umbigo com imperceptíveis pelos amarelados e então mais embaixo... Nada.
_Cadê meu pintooooo? – gritou, horrorizado, aquele era o pior pesadelo que estava tendo. Definitivamente.
Sam, Bobby e Castiel olharam para cima no exato momento em que ouviram o grito agudo, correram todos escada acima, a fim de saber o que estava acontecendo. Sam escancarou a porta e seus olhos quase pularam para fora da órbita.
_Uma garota... – sussurrou, ainda encarando a moça.
Ela tinha a pele branca demais, tinha longos cabelos loiros que chegavam até altura da cintura, mesmo de longe dava para ver os cílios longos e a boca bem desenhada e carnuda, não dava para ver os olhos porque ela continuava olhando para dentro da cueca, como se devesse ter algo lá dentro que ela não tivesse achando, era baixa, pelo que pôde calcular, não passava de 1,71.
_Uma garota! – disse mais uma vez.
_O caralho. – ela respondeu, focalizando os olhos extremamente verdes em Sam. – o caralho, que eu sou uma garota! Eu sou bem macho ta legal, Sam! – ela tinha a face retorcida por causa do ataque de fúria, a voz aguda quase fez Sam sorrir, porque ela tentava parecer durona.
Perguntou-se como ela sabia seu nome, por que ela estava com a cueca de Dean e como tinha entrado ali, olhou em volta, mas não viu o irmão.
_Olha, me desculpe, moça, mas...
_Caralho Sam, eu não sou uma moça ta legal!
Castiel estivera esse tempo todo atrás de Sam, os olhos vidrados na face da jovem, tirou a camisa que vestia e se aproximou dela com cautela.
_Vista-se por favor, não queremos desonrá-la por estar com seus... – e olhou os seios que estavam parcialmente cobertos pelos cabelos. – Ah... Bem... Por estar exposta.
_Do que está falando Cas? Até parece que não me conhecem! – disse, achando que agora queria acordar.
Sam trocou olhares com Castiel, não sabiam o que tinha acontecido ali.
_Você... Você sabe onde está o Dean? – foi o anjo quem perguntou e o olhar enraivecido que recebeu dela o deixou amuado.
_Eu sou o Dean seu imbecil! – disse e chegou mais perto dando de dedo no rosto dele, percebendo que diferente das casuais vezes em que Castiel era mais ou menos de seu tamanho, agora ele parecia uma muralha pela altura.
_O quê?! – Sam ainda estava parado na porta.
Os olhos verdes se fixaram nos seus e Sam reconheceu aquele olhar. Bobby chegou nesse momento e arregalou os olhos da mesma forma que os outros dois tinham feito quando entraram no quarto.
_Céus! Pensei que seu irmão estava desmaiado, mas aí ele aparece com uma mulher?! Onde ele está, afinal? – perguntou.
_Isso não está acontecendo... Isso não está acontecendo... – a voz melodiosa soou pelo quarto e toda a atenção foi parar nela, que andava para lá e para cá enquanto se agarrava na camisa que o anjo lhe dera. – Eu tinha meu pinto até ontem e então acordo e tenho peitos e não tenho meu pinto! Por que comigo? Tantas pessoas querendo ter peitos e um cabelão como esse, – e puxou alguns fios para trás, já que quase lhe cobriam o rosto. – e é para mim que você dá? – e olhou para cima, como se pudesse ver além do teto.
_Dean? – Castiel foi o primeiro a ver um pouco do caçador naquela moça pequenina que caminhava para lá e para cá como se não pudesse parar um só momento se quer, ela finalmente olhou para ele e sorriu pequeno.
_Eu sou uma garota agora, Cas. – e fez um bico, como se fosse começar a chorar. – Eu adorava ser homem, por que eu tenho que ser uma garota?
_Você acha que isso tem algo a ver com as palavras de Gabriel? – o anjo perguntou, a cabeça pendendo para o lado.
_Mas é claro! – ela disse, os olhos faiscando ao se lembrar do arcanjo. – Só pode ter sido macumba dele.
_Não fazemos macumba, Dean...
_Você entendeu. – ela disse, fechando os botões da camisa que Castiel lhe dera e enfiando as botinas que Dean sempre usava nos pés pequeninos. – Eu vou ao banheiro, preciso mijar. – e saiu, tirando a cueca do meio da bunda.
Bobby ainda de boca aberta, olhou para Sam e ergueu as sobrancelhas.
_Mas que modos! – o moreno alto disse. – Só pode mesmo ser o Dean. – e girou os olhos.
_Mas como...? – o caçador mais velho não parecia entender.
_Gabriel falou alguma coisa sobre Dean precisar aprender a respeitá-lo.
_E como vai ajudar transformando-o em uma garota? – o velho colocou as mãos no quadril.
_Eu definitivamente não quero saber.
Saíram todos do quarto para deixar o loiro, ou melhor, a loira se vestir sozinha. Estavam na sala quando ouviram os passinhos dela que tentava desesperadamente domar os fios loiros que teimavam em se enrolar nos dedos finos de suas mãos.
_Sam... Hey, Sammy...
Sammuel voltou seus olhos para a figura que descia as escadas. Dean usava um calção preto enorme, que ficava caindo, mostrando a cueca vermelha que usava por baixo, estava com uma camisa ridícula que Sam se lembrava de ter comprado na sétima série e nos pés estavam as botinas de sempre.
Seus olhos finalmente foram parar no rosto jovem e delicado que o irmão ganhara, ele tentava desesperadamente achar um jeito de amarrar o cabelo enorme, mas sem sucesso algum.
_Sammy... – a voz manhosa fez os três olharem para Dean. – Eu não consigo prender essa droga! – e xingou o tal arcanjo por transformá-lo 'naquilo'. – Você sabe onde está a máquina do papai? Eu passar à zero nessa maldita cabeleira que não me deixa ver nada.
_O que?! – Sam e Castiel tinham os olhos arregalados.
_O que 'o que'? – perguntou, os dedos ainda enrolados nos fios loiros.
_Você não pode cortar, está bonito assim, Dean. – e todos os olhares foram para Castiel.
_O que quer dizer com isso? – os olhos de Dean se apertaram e ele encarou Castiel.
_Quero dizer que se você cortar os cabelos, não vai mudar nada, vai continuar uma garota, mas uma garota careca.
Dean ergueu uma das sobrancelhas, soltou o cabelo e foi para frente do espelho.
Era a primeira vez que se olhava, os cabelos caiam ao lado do rosto, como uma imensa cascata loira, ondulados e macios, contornando o rosto, dando a ele um ar angelical, os enormes olhos verdes pareciam ainda mais expressivos do que antes e os longos cílios completavam o olhar meigo, a boca continuava sendo a mesma, cheia e vermelha, talvez melhor desenhada agora, a pele estava mais sedosa, branca e as pequeninas sardas estavam mais visíveis.
Torceu os lábios e olhou mais embaixo, o busto cheio e firme, sentiu falta do peitoral largo e masculino de antes, tinha um quadril largo, totalmente proporcional, uma bunda durinha, coxas grossas e definidas, pernas compridas e lisas, sem nenhum pelo.
_Caralho! Eu sou muito gostoso! – disse e sorriu malandro, do mesmo jeito que costumava sorrir quando estava paquerando alguma mulher.
Sam girou os olhos, Bobby apenas voltou seus olhos pra TV, mas ninguém reparou que o anjo não havia tirado os olhos do loiro em nenhum segundo sequer.
_Cacete, eu me pegaria se fosse homem. – disse, agora apertando a bunda e ainda olhando-se no espelho.
_Tá Dean, pode parar de se admirar agora, – e acrescentou, com um risinho. – parece até que está gostando de ser garota!
_O que? – o loiro se virou para o irmão, a expressão de pura fúria foi seguida de um ataque pra cima de Sam.
Sam arregalou os olhos ao ver aquela cabeleira loira correr em sua direção, se jogando com ele em cima do sofá e esbofeteando-o onde podia.
_Pede penico! – a voz aguda dizia, enquanto tentava acertar o irmão.
_Nunca. – Sam retrucava, segurando os punhos frágeis de Dean, mesmo que não machucasse quando ele o acertava.
Castiel olhou preocupado para Bobby, mas o velho apenas suspirou fundo e bebeu mais um pouco da sua cerveja, habituado demais com brigas como aquela para se importar, mas o anjo preocupado que Sam pudesse machucar o irmão, mesmo que sem querer, tentou chegar perto e acabou levando um chute no estomago.
Se ainda fosse um anjo completo não sentiria dor nenhuma, mas um dos pezinhos de Dean acabou por acertá-lo em cheio no meio do estomago e o anjo se dobrou de dor, sentando no chão enquanto segurava a barriga.
O grito agudo de Dean fez os ouvidos de Bobby doerem e ele se virou para os 'meninos'. Dean tinha a face afogueada, provavelmente pelo cansaço, arfava enquanto tentava tirar as enormes mãos do irmão de seu cabelo, em dado momento na tal luta para ver quem pedia penico, Sam agarrara-lhe os fios e não soltara mais.
_Penico. – pediu, mas as mãos do irmão continuavam puxando-lhe o cabelo. – Penico, caralho! – gritou mais uma vez e Sam finalmente tentou se soltar, mas não estava conseguindo, os fios tinham se amarrado no relógio que usava.
_Acho que vamos ter que cortar mesmo, Dean. – disse o moreno, foi só ai que viram Castiel sentado no tapete, os olhos marejados e as mãos ainda na barriga.
_Cas?! O que aconteceu? – Dean foi rápido ao sair do sofá, mas então o relógio segurou-lhe o cabelo e ele voltou para trás, massageando o couro cabeludo. – Droga, Sam! Dá pra tirar essa porra daí?
_Eu estou tentando!
Demorou alguns segundo até que Sam finalmente livrasse os cabelos do irmão, a primeira coisa que Dean fez foi ir até Castiel lhe perguntar o que tinha acontecido e porque ele estava daquele jeito. Bobby tentava ignorar tudo, sua cabeça já latejava só de pensar no fato de que Dean agora era uma moça e tinha aquela voz fina.
_Eu preciso beber mais um pouco e dormir. – disse e se levantou, saindo dali. – Só espero que quando eu acordar, Dean volte a ser o de antes, eu não sei criar uma menina!
_Bobby... – ele parecia cansado daquilo também. – Eu não sou uma menina, bem, talvez só por fora, mas por dentro não.
_É pode ser, mas ainda me dá dor de cabeça pensar que você ficou assim, eu acho que nunca vou me acostumar. Se por acaso isso desaparecer e você voltar, vamos fingir que isso nunca aconteceu, tudo bem?
_Claro. – Sam disse, sorrindo e Dean olhou com cara feia para ele.
O velho subiu, a garrafa na mão, enquanto entrava em um dos quarto de cima e se jogava na cama. Teria que preparar sua espingarda, não teria que proteger só a casa de todos aqueles monstros, teria que proteger Dean de alguns marmanjos também e Sam que lhe ajudasse, porque se não, não daria conta.
Sam olhava para Dean de um modo estranho, o loiro decidira que ia fazer o anjo se sentir melhor e agora, lá estava ele, o anjo deitado no chão a face afogueada e os olhos fixos nos movimentos das mãos delicadas do loiro.
_Desculpa, Cas, eu não queria mesmo fazer isso com você... – dizia, lamentando toda hora sobre o ter acertado. – Mas você vai ficar bom, essa massagem vai ajudar, minha mãe sempre fazia em mim quando eu estava com dor de barriga... – e continuou tagarelando com a voz aguda, Castiel achando tudo muito bom.
Sam revirou os olhos e saiu dali, foi pra cozinha, mas é claro que ainda estava de olho, ou o anjo achava que ele era bobo demais para não ter notado os olhares que tinha dado para Dean?! Definitivamente não deixaria Castiel se aproveitar do irmão, mesmo que provavelmente fosse acontecer o contrário, dado a má fama do irmão.
A casa estava em completo silencio a noite, Castiel tivera que sair para algum lugar que ele não disse qual e Sam tivera que ficar ajudando Dean, que definitivamente não conseguia controlar o cabelo.
O loiro tomou um banho demorado, vestiu uma camisa velha rasgada e enorme para o corpo que tinha agora, colocou uma calça de moletom e sentou pacientemente, esperando Sam vir para arrumar seu cabelo.
_Sammy... Não demora, não! – reclamou, vendo que finalmente o moreno alto tinha entrado.
_Pare de ser tão reclamão ou eu não vou mais arrumar nada.
Dean fez uma careta e virou a cara para ele. Tentando se comportar para que ele prendesse logo aquela juba que ganhara, para então ele poder dormir em paz e acordar no outro dia sendo o homem que sempre foi.
Sam pegou a escova e passou nos cabelos dele, na primeira escovada os dentes da escova não conseguiam passar e logo Sam se irritou, puxando o cabelo com mais força para que finalmente desembaraçasse, Dean gritava pedindo socorro enquanto a cabeça ia para trás a cada puxão de Sam.
_Sam... Eu não gosto de pentear os cabelos. – disse, os olhos marejados enquanto o irmão mais novo trançava os fios.
_E eu não sei disso?! – retrucou, girando os olhos e amarrando um elástico na ponta do cabelo.
_Seria melhor cortar tudo de uma vez, não acha?
_Não, você não sabe o que pode mudar na sua outra forma, imagina que cada coisa que você muda enquanto está mulher continua quando se transformar de volta em homem?!
_O meu Deus! Isso é mais horrível do que eu tinha pensado. – disse colocando os dedinhos em frente a boca, fazendo Sam rir do quão adorável o irmão tinha ficado. – Do que está rindo? – e colocou a mão na cintura, apertando os olhos na direção dele.
_Nada, não... Mas você é uma irmã fofa, Deanna. – e riu baixinho, logo levando uma travesseirada na cara.
_Eu vou quebrar a sua fuça, Sam, aí você vai ver a minha fofeza! – disse enrolando-se nas palavras enquanto levantava e arrumava a cama para dormir.
Sam jogou o travesseiro de volta na cama e sorriu.
_Boa noite, Dean.
_Oh, você não quer vir me contar uma história primeiro? Idiota! – xingou aborrecido e então agarrou um dos travesseiros, fechando os olhos para finalmente poder dormir e acordar daquele pesadelo.
Acordou no outro dia e se espreguiçou, levantou e foi tomar banho, nem mesmo se olhou no espelho, com medo do que encontraria. Se vestiu com uma das roupas de quando Sam era menor e desceu as escadas.
Parou no batente da porta e olhou para Bobby e Sam que estavam tomando café, Castiel apenas olhava para tudo, sem comer nada, parecia mais uma estátua.
_Já sei... Não voltei a ser lindo, não é? – e suspirou, sentando de frente ao irmão.
_Ei, se isso te anima, eu não esqueci a torta. – e empurrou para ele uma enorme torta de limão.
_Obrigado. – disse e então abocanhou um pedaço, pedindo para Sam colocar um pouco de cerveja para ele.
_Já de manhã? – perguntou, a sobrancelha erguida em reprovação.
_Eu estou no corpo de uma mulher! – disse. – O que pode ser pior? Se eu sair daqui para ir à esquina quantos idiotas você acha que vão mexer comigo? Pode ser pior do que isso, Sam? Não! Então me dê logo uma garrafa dessa.
_Eu não deixaria eles mexerem com você, Dean. – o anjo entrou na conversa e Sam virou-se para ele.
_Oras, o Dean pode se defender. – retrucou, enquanto via o irmão abocanhar mais um pedaço da torta.
_Mas ele está mais frágil agora, precisa de proteção.
_Ei! – Dean interrompeu, falando de boca cheia enquanto colocava o garfo na mesa. – Eu não sou uma donzela em perigo!
_Não mesmo, parece mais uma donzela mal criada! – Sam retrucou, repudiava os modos do irmão.
Bobby girou os olhos e bebeu mais um gole de sua cerveja, era a única coisa que podia fazer, afinal, se Dean ainda não tinha percebido ele era sim, talvez não uma donzela em perigo, mas ainda assim, uma donzela, mesmo que odiasse a ideia.
_Eu sei me cuidar sozinho! – disse o loiro, e voltou a comer.
Castiel sorriu de lado, não importava se ele sabia se cuidar sozinho ou não, se Dean precisasse, no corpo de mulher ou homem, ele sempre estaria ali, zelando por ele, cuidando dele, porque não eram mais ordens que precisa seguir, era apenas... Necessidade de mantê-lo a salvo, de monstros, de anjos, de demônios e agora, Castiel incluía mais um item nessa lista.
Homens.
N/a: Olá povo amado, idolatrado, salve, salve! Mais uma cap. pra você =) Quero aproveitar aqui para agradecer todos os review's, pedir desculpas por não estar respondendo a todos eles individualmente, mas é que minha vida anda maio corrida e se eu não for atrás dela vira um auê! Então.. . Obrigada mesmo e até o próximo, beijos.
