Cap. 4: Coisas de Irmão e de 'Amigo'
_Dean? – a voz de Sam se aproximava cada vez mais da porta. – Dean, você está bem aí? O que aconteceu? Abra a porta... Eu quero ajudar.
_O Dean está bem, Sam... Ele só está... Sangrando um pouco. – a voz de Castiel soou abafada por causa da porta.
Sam esmurrou a madeira com raiva.
_Castiel! Eu disse pra não subir aqui! Eu vou... Você vai ver quando o Dean abrir essa porta! Eu vou... Eu vou...
_Ele não vai abrir, Sam.
_Castiel seu puto! Eu juro que te mato seu desgraçado! – e chutou a porta, fazendo Bobby arregalar os olhos ao se deparar com a cena do moreno completamente ensandecido chutando a porta do banheiro. – Eu vou te matar! Se você tocar no Dean se considere um anjo morto, Castiel! – berrava.
_Sam! – a voz de Bobby se sobrepôs a dele e Sam parou, prestando atenção no velho caçador que tinha a postura cansada e a cara carrancuda. – Você está na minha casa, chutando a minha porta e berrando aos quatro ventos que vai matar um anjo, posso perguntar o por quê? – a voz dele era mansa agora, mas Sam sabia que isso não queria dizer que o velho estava calmo com toda aquela gritaria.
_Ele está com o Dean, lá dentro. – respondeu, como se fosse motivo suficiente para ter surtado daquela forma.
_Sim, e daí? – retrucou.
_O Dean agora é uma moça, Bobby, estava tomando banho e provavelmente está pelado lá dentro, o Cas está lá e...
_Ele é um anjo, sem sexo, Sam!
_Não! Eu ouvi ele dizendo que era indiferente a opção sexual, o que você acha que isso significa?
Bobby girou os olhos.
_Eu acho que ele quis dizer que não liga a mínima para quem dá o rabo e para quem come o tal rabo, será que dá pra você se acalmar?! Dean está bem, está com o anjo dele, ou será que você ainda não percebeu que Castiel nunca o machucaria? Pelo contrário, daria a vida por ele e já fez isso.
_O Dean é uma moça Bobby, isso muda as coisas!
_Isso está parecendo coisa de irmão ciumento e... – Bobby parou de falar ao ouvir a maçaneta da porta do banheiro girar.
_Eu estou melhor agora, Sammy. – a voz aguda de Dean estava mais baixa, como se o fato de falar doesse demais.
Dean passou por eles, o cabelão loiro molhado pingando enquanto ele apertava a barriga, estava doendo. Demais. Fez um bico enorme antes de sentar na cama e então deitar devagarzinho, como se qualquer coisa que fosse fazer, o destruísse em milhões de pedacinhos.
Sammuel correu para ver o irmão, sem prestar atenção no anjo que saiu do banheiro depois do loiro, parando ao lado de Bobby, que olhava a cena, compadecido.
_Dean, o que aconteceu? Me conta o que foi? – perguntou, passando as mãos nos cabelos do irmão.
Viu os olhos verdes dele se encherem de lágrimas e sentiu seu coração doer, nunca tinha visto o irmão daquele jeito. O irmão se contorcia e apertava a barriga, como se o mundo fosse sair de dentro dele, fazendo-o explodir.
_Tá doendo Sammy... – falou baixinho, as lágrimas agora escorriam. – Minha barriga dói tanto que eu acho que vou morrer.
_Mas... Por quê? O que você fez? Comeu o quê?
_Eu estou... – nunca uma frase foi tão estranha de se falar. – Menstruado, Sam.
_O que? – Sam engasgou e deu um passo para trás. – Você está...? – e piscou varias vezes, ainda assimilando a informação. – Bem... – e tentou pensar de forma racional. – Primeiro de tudo, precisamos... Comprar umas coisas pra você... Quer vir junto? – perguntou olhando para o irmão.
Dean olhou para Castiel parado ao lado de Bobby, que tinha os olhos tão arregalados que a qualquer momento pulariam para fora da orbita.
_O Cas vai junto.
Sam ignorou a voz manhosa e fechou a cara.
_Não, ele não vai.
_Eu não estava pedindo, – disse levantando, com as mãos ainda na barriga. – eu não preciso pedir, eu ainda sou o irmão mais velho! – foi até Castiel e olhou fundo nos olhos dele. – Vamos, Cas! – e foi descendo as escadas.
_Dean... – Castiel se sentia desconfortável ao falar aquilo, mas precisava avisá-lo. – Dean...
_O que é? – e se virou parcialmente para ele.
_Talvez você deva... Sabe? – e apontou para as pernas tortas dele.
Dean teve vontade de pular e esbofetear alguma coisa ao ver o sangue escorrendo pela perna esquerda, tinha acabado de tomar banho e teria que tomar outro para tirar aquilo dali.
_O que eu faço pra isso parar? Droga! – e então uma idéia lhe passou pela cabeça. – Cas... Você pode...?
_O que? – o anjo por um momento arregalou os olhos, mas então conservou a face séria. – O que você quer?
_Você não pode fazer isso passar?
_Bem... Como eu disse antes... Apenas Gabriel tem poder sobre as alterações que ele faz.
_Aí que ódio, vocês não prestam para nada! Porque vocês têm a varinha angelical então? Pra enfeite? Isso é inútil! Se eu pudesse eu esmagava vocês com as minhas mãos! – e fez o gesto de esmagar o pescoço de alguém com as mãos.
Sam olhou para Bobby e o velho retribuiu o olhar, ambos sabiam o que era aquilo. Castiel olhava para Dean entre espantado e confuso, não sabia o que fazer. Uma hora Dean estava chorando, dizendo que preferia morrer a sentir aquela dor, e no outro minuto já estava querendo matar um. O que era aquilo afinal?
_Dean, eu...
_Você o que, Cas? – ele gritava agora. – Você não sabe o que dizer? Não sabe o que fazer? Qual é cara você é um anjo e não pode nem ao menos parar uma maldita menstruação! – definitivamente não parecia Dean falando. – Filho da puta! – e subiu de novo, ia se lavar.
Sam olhou com pena para Castiel, talvez estivesse pegando pesado demais com o anjo, qualquer que fosse o interesse dele em Dean agora, com certeza tinha se evaporado depois de ver as oscilações de humor que vinham com a menstruação.
_Puxa Cas, você descobriu a TPM da pior forma, se bem que é meio estranho o Dean só ter manifestado isso durante o ciclo e não antes.
_Antes eu não era mulher! E eu não estou de TPM, Sam! Você quer morrer é? Ta me achando com cara de quê? Mulherzinha? – gritou ele, enquanto levava as pernas.
Sam, Castiel e Bobby, preferiram não responder, afinal, poderia mesmo acontecer um homicídio ali e Dean seria o autor do crime.
_Vamos logo, já está pronto não é?
_Sim, estou. – e rolou os olhos, indo na frente, Bobby tinha lhe arranjado uma roupa da esposa falecida e Dean nem ao menos reclamou quando ele apareceu com um vestido azul claro sem mangas e que ia até um pouco acima do joelho.
_Ahhh, Dean o que você colocou no meio das pernas para não... Vazar? – o loiro já estava passando pela porta, quando ouviu Castiel perguntar.
_Eu coloquei... – e então fechou a cara, encarando Castiel de um jeito assassino. – O que você tem a ver com isso? Pra que quer saber? Quer uma dica pra quando seu irmão fizer isso com você é? Pois eu não dou dica nenhuma! – e virou o rosto, pegando a chave do Impala e saindo porta afora.
Castiel abriu a boca e fechou de volta. Não tinha o que falar, aquilo tudo estava estranho demais. Sam passou por ele e bateu de leve em seu ombro, rindo internamente.
_Você vem também, Bobby? – perguntou, olhando para o velho.
_Com certeza não. – respondeu, sentando na poltrona e esticando as pernas.
Sam deu de ombros e saiu, sendo seguido por Castiel.
_Você quer que eu dirija Dean? – se ofereceu, mas o irmão nem chegou a olhá-lo.
_Eu ainda tenho duas pernas, Sam, então se acomode no banco de trás.
_O que?
_O Cas vai do meu lado, na frente, você sabe a regra, mais velhos na frente. – e entrou, tomando a direção.
Sam emburrou a cara e se apertou no banco de trás, enquanto via Castiel se aproximar com cuidado do carro, sentando no banco, Sam teve vontade de rir quando o anjo fechou a porta e fez uma careta, porque tinha batido com certa força.
Se preparou mentalmente para o discurso que Dean faria pelo anjo ter batido a porta daquele jeito, mas o loiro só olhou para ele, deu um risinho e ligou o carro, olhando pelo retrovisor para então sair do ferro velho.
Castiel fez questão de não falar nada no caminho inteiro, ainda mais depois de Dean ligar o rádio e sintonizar em uma música que ele nunca tinha ouvido, mas que com certeza não fazia o estilo do loiro.
Viu o irmão cantarolar a música da Adele, como se fosse a canção que ele mais gostava no mundo, não conseguia mais ver seu irmão ali, parecia que aquela moça de longos cabelos loiros, lábios cheios e grandes olhos verdes era um pessoa completamente diferente dele.
Ficou boquiaberto ao ver que uma lagrima rolou no rosto dele, conseguiu ver mesmo Dean tentando esconder, pensou em dar um desconto para ele, afinal, ser mulher não devia ser nada fácil. Não falou nada, não comentou, nem tirou sarro, mesmo que quisesse, muito, muito mesmo.
Ainda era cedo, não passava das 10 da manhã. Dean estacionou o carro na frente da farmácia e desceu, Castiel e Sam fizeram o mesmo, seguindo o loiro como guarda-costas.
_Hey, Dean?
_Hm? – mas não olhou para o irmão.
_Do que você precisa? – perguntou, seguindo o irmão para dentro da farmácia.
_Eu não sei. – disse, olhando as prateleiras para ver se encontrava alguma coisa que parasse aquilo.
_Podemos começar com um tampão.
Dean olhou para ele com o rosto retorcido em uma careta, uma careta que ficava engraçada por causa da feição feminina que tinha agora.
_E onde eu vou colocar isso? – Sam levantou as sobrancelhas.
_Achei que fosse óbvio.
_Eu não sei colocar um tampão, eu nunca usei um tampão, eu sou mulher apenas há dois dias, caralho! O que você esperava Sam? – gritou e todos que estavam na farmácia pararam para prestar atenção neles.
Sam olhou em volta, as bochechas afogueadas, Dean também sentiu as maçãs do rosto esquentar, então abaixou a cabeça e continuou andando, como se não tivesse sido ele a proferir a frase.
Castiel observava tudo de longe, estava meio confuso em relação a Dean, não sabia o que fazer pra agradá-lo, para, pelo menos, fazer passar um pouco a dor que ele estava sentindo.
_Puxa, aquela loira ali é bem gostosa.
Castiel olhou para dois homens que conversavam parados no caixa, eles olhavam para Dean de um jeito que não lhe agradou e o anjo fechou a cara.
_Eu comia! – disse um deles e o outro concordou com a cabeça.
_É, o que eu não faria com ela numa cama.
Castiel se irritou profundamente com aquilo. Quem eles pensavam que eram para falar de Dean daquele jeito?!
_Você não faria nada! – disse olhando para o homem, e viu ele corresponder seu olhar com ar de deboche.
_Como é branquelo? – perguntou, arrumando a postura e estufando o peito.
Sam viu a movimentação lá na frente e deixou Dean sozinho, mas o loiro não pareceu sentir sua falta. Viu quando o homem encarou Castiel o chamando para a briga, teria que intervir porque a cara do anjo não era das melhores e como Dean costumava dizer: 'O anjo fritaria alguns traseiros' se não interferisse.
_Cas? – chamou, vendo o moreno desviar os olhos azuis furiosos para si. – O que aconteceu aqui?
_Eles estavam falando do Dean!
_Que? – e se prostrou ao lado dele.
_Estavam dizendo que queriam se deitar com ele.
Os homens se olharam confusos.
_Acho que houve algum engano. – disse o que estava com a camisa xadrez. – Estávamos falando daquela loirinha gostosa. – e apontou na direção de Dean que encarava a prateleira cheia de absorventes.
Sam fechou a expressão e encarou os homens.
_Ela é minha irmã! – disse e o homem levantou uma das sobrancelhas.
_Bom, acho que vou ser seu cunhado então, cara! – e sorriu grande.
_Vamos arrebentar com eles, Cas. – o anjo concordou e avançou para cima do homem.
Dean olhava sem saber qual escolher, eram tantos! Como podia escolher apenas um se tinha um monte deles com várias opções?! Ele não tinha conhecimento sobre aquilo.
_Está confusa, querida? – uma senhora simpática parou ao seu lado.
_Sim, são tantos! – disse, sem olhar para ela. – Não sei qual levar... Com abas, sem abas, grande, médio, pequeno, interno, cobertura seca, extra seca... Pra que tantas...?
A mulher sorriu e pegou um sem abas, médio.
_Na duvida... – e deu para ele.
Dean sorriu agradecido.
_Obrigado, quer dizer... – e afinou um pouco mais a voz. – Muito obrigada, eu não sei o que faria sem a senhora!
_Tudo bem, eu tive duas filhas, e minha netinha acabou de menstruar... Tenho a impressão de que também é a primeira vez que isso acontece com você não é mesmo?
_É sim.
_Eu sou Vera. – ela disse, mas a atenção de Dean foi desviada para uma das prateleiras completamente destruída depois de um homem ser arremessado contra ela.
_Meu Deus, o que é isso? – a mulher colocou a mão no peito e olhou horrorizada para os homens que brigavam.
Dean foi ver o que estava acontecendo, a mulher o seguiu, curiosa demais para ficar espantada por muito tempo, mesmo que aquilo fosse raro por ali. O caçador abriu a boca ao ver o irmão e o anjo brigando com dois homens que estavam ali na frente quando entraram.
_Sam! Cas! – chamou.
Os dois se viraram para ele, parando de brigar imediatamente. Castiel era quem tinha arremessado o homem na prateleira, Sam esbofeteava o outro, mas parou ao ver o irmão lá, parado lhe olhando com cara de desaprovação.
_Você os conhece? – a mulher perguntou e Dean concordou envergonhado. – Um deles é meu irmão e o outro é...
_Seu namorado? – ela sorriu animada e Dean corou.
_Não, não... O Cas é só meu amigo. – disse.
_Bem... Os amores mais duradouros começam assim... Na amizade.
Dean não soube o que responder, sabia que aquilo era verdade. Sam e Castiel chegaram perto dele, Sam com um machucado no supercílio e Castiel com um corte na mão, o homem tinha pegado um caco da garrafa de cerveja para acertá-lo durante a briga.
_O que aconteceu? Por que fizeram isso?
_Estávamos defendendo a sua honra, Dean... – e sentiu Sam cutucá-lo. – na.
_Sam? – e levantou a sobrancelha.
_Eles estavam falando coisas muito baixa sobre você, irmã. – disse e Dean viu em seus olhos que era verdade.
_Estavam falando de mim? – perguntou e os homens olharam para ela, mas o que veio a seguir ninguém ali esperava.
Diante de todo aquele aglomerado de pessoas que havia se formado por causa da briga, Dean chutou o saco de um e deu um soco no outro. Cuspiu no chão perto deles e encarou todos ali antes de sair da farmácia, mas logo depois voltou.
_Obrigada pela dica, Vera. – agradeceu com o absorvente na mão, então olhou para Sam e Castiel. – Vocês vêm ou não? – perguntou e saiu.
Os dois foram atrás e a senhora sorriu, meio confusa, meio espantada, mas completamente fascinada com a personalidade forte da garota que não sabia escolher um absorvente.
_Encantadora. – disse para si mesma.
Dean entrou no Impala e bateu a porta, Sam e Castiel ainda estavam lá fora.
_Hey, Cas...
_O que foi, Sam? – perguntou.
_Quando Dean estiver com essas oscilações de humor, compre um chocolate pra ele. – disse e piscou. – É só uma dica. – e o anjo acenou com a cabeça, antes de entrarem no Impala.
Depois de presenciar Castiel defendendo seu irmão, Sam finalmente entendeu. Nenhuma Lisa, Cassie ou qualquer outra mulher, poderia conhecer Dean, compreende-lo, apoiá-lo e protegê-lo como o anjo fazia, então, por ele, se o irmão quisesse ter algo com Castiel, estava tudo 'ok'.
N/a: Demorou muito, eu sei. Culpa da inspiração! Não se preocupem, pode demorar, mas eu NUNCA vou desistir de uma Fic, ta bem?! NUNCA! Beijão e até o próximo.
