Cap. 5: Coisas de Deanna!

Dean estava no banheiro, tentava desesperadamente colocar aquilo, mas como é que se fazia? Já tinha jogado dois absorventes no lixo porque eles simplesmente colaram e não queriam se desgrudar.

Suspirou fundo, precisava de ajuda.

_Sammy... – chamou, abrindo uma frestinha na porta e procurando pelo irmão. – Sam... Sammy...!

_Que é? – perguntou, olhando ao redor.

Estava parado na frente da porta, com se fosse um segurança, a verdade é que, tinha medo que algum cara pudesse chegar em Dean e fazer alguma coisa, tinha medo de não estar ali para protegê-lo.

_Preciso de ajuda aqui... Não sei por esse negócio, não!

_Dean, por favor! É um absorvente! Você simplesmente coloca na calcinha e pronto! – disse e um homem careca que passava ali ao lado, o olhou de um modo estranho. – Anda logo com isso! – e puxou a maçaneta fechando a porta na cara do irmão.

Dean bufou e tirou a película que ficava sob a cola, suspirou olhando pra calcinha que tinha comprado, por insistência de Sam, que disse que o absorvente não se encaixaria direito na cueca.

Sam tinha acertado, porque Dean bem que tinha tentado colocar aquela coisinha na cueca que usava, mas não deu certo, o absorvente simplesmente achava um jeito de enrolar e se grudar todo nele mesmo.

_'sa porra ta me incomodando. – disse, saindo do banheiro, a mão ainda arrumando a calcinha com o tal absorvente que a senhora tinha indicado na farmácia.

_Você é tão encantador, Dean, exala tanta feminilidade que nem dá pra perceber que era um ogro há dois dias atrás!

_Isso, vai rindo... Até acontecer com você! – e tentava a todo custo, pelo menos, se sentir confortável, mas não tinha jeito. – Porra! Eu não me lembro de ter incomodado tanto da ultima vez. – sussurrou para si mesmo, lembrando quando colocou a calcinha de uma menina que estava ficando, quando estava no colegial.

_Você devia comprar umas roupas. – Sam sugeriu, vendo alguns modelos femininos na vitrine da loja a frente.

_Tá louco é? Acha que eu vou andar por ai com saia e salto alto?

_Não, é claro que eu não disse isso... – corrigiu. – mas você podia tentar se arrumar, afinal, precisamos manter as aparências e você andando desse jeito, não vai conseguir enganar ninguém, imagino o quanto Lúcifer não vai gostar de saber que você virou mulher. – viu Dean torcer o nariz e fazer uma careta.

_Eu não vou virar uma mulherzinha, Sam, se contente com isso, você tem um irmão! IRMÃO! – reafirmou. – Hey, cadê o Cas? – e olhou em volta.

Sam passou os olhos pela loja, mas não conseguiu ver o anjo em lugar algum, de repente ele apareceu a alguns centímetros do corpo de Dean.

_Eu comprei uma coisa pra você, Dean. – ele disse, olhando para baixo, percebendo apenas naquele momento que Dean tinha encolhido, sentiu falta de quando podia olhar nos olhos dele sem tem que abaixar a cabeça.

_C-Cas! – arregalou os olhos e pôs a mão sobre o coração, como que impedindo ele de saltar do peito. – Não faz isso, cara...

_Desculpe, Dean. – e estendeu uma barra de chocolate para ele. – Eu comprei isso pra você, Sam disse... – e viu o moreno alto fazer que não com as mãos, por trás de Dean, para que ele não visse, então entortou a cabeça. – Quero dizer... Foi... – e Sam faz mais gestos. – Idéia minha. – disse por fim, vendo o mais alto concordar com a cabeça.

Os olhos verdes se fixaram na barra de chocolate e de repente ele precisou mesmo sentir aquele gosto em sua boca, como se o chocolate que Castiel lhe oferecia fosse fazê-lo feliz pelo resto da semana. Suspirou e olhou com adoração para o anjo, enquanto pegava a barra das mãos dele.

_Porra, Cas... Não precisava... Obrigado. – e sorriu pra ele.

Castiel sentiu as bochechas queimarem, não conseguia desviar os olhos 'dela', o modo quase infantil com que segurava o chocolate o olhando com adoração incomum, as mãos suaram e ele sentiu uma vontade estranha de curvar os lábios, foi o que fez, sentindo o estomago formigar com aquela sensação comum, que tinha descoberto, acontecia apenas quando Dean estava com ele. Olhou para Sam e o moreno alto apenas lhe deu uma piscada, saindo com uma cestinha depois.

Dean admirou o sorriso pequeno do anjo, terminou de comer o chocolate que ele trouxera e pegou na mão dele, o arrastando pelos corredores da loja, achando um monte de coisas que queria comprar.

_Ah, Cas...? – começou devagar, envergonhado por perguntar aquilo ao anjo.

_Sim? – e olhou para ele.

_Sam acha que eu devo comprar roupas... Sabe? – o anjo tombou a cabeça. – De mulher. – completou. – Você acha que eu preciso.

_Bem... Você não é uma mulher, mas está... – e apontou para o corpo feminino. – não seria uma má idéia, mas só se você quiser. É que, normalmente, os humanos... Eu acho que eles não estão familiarizados com uma mulher... Assim. – e apontou de novo para ele.

_O que você quer dizer com isso? Que eu não sou uma boa mulher? – e levantou uma das sobrancelhas encarando Castiel do mesmo jeito como tinha feito antes.

_Não, não. – e gesticulou negativamente com as mãos. – Eu só quero dizer que tem que se adaptar... Pelo menos por enquanto. – disse, recuando.

_Huummm. – e ergueu as duas sobrancelhas enquanto fazia um biquinho. – É... Faz sentido, vamos lá então, me ajude a escolher. – e o puxou mais uma vez, para dentro de uma loja com a fachada dourada. – Eu não levo muito jeito.

Castiel abriu a boca, voltou a fechar e abriu de novo.

_Eu... Eu também não. – sussurrou, os olhos arregalados, mas Dean nem ao menos o escutou.

Dean olhou por todos os lados, tinha tanta coisa, pensou em só comprar uma calça jeans, uma blusinha amarela e pronto, já estaria feminino o suficiente. Viu Castiel olhar para algumas roupas com desinteresse, mas então a atenção dele foi capturada por um vestido vermelho, com brilho... Dean tinha que admitir que era até bonitinho.

_Ahh, Cas? Você gostou daquele? – ele deu de ombros. – Acha que vai ficar bom em mim? – perguntou, tentando notar qualquer sinal no rosto do anjo, mas ele apenas encolheu os ombros, como se não soubesse dizer.

Não demorou para uma moça vir atendê-lo, era uma japonesinha robusta e baixinha, de óculos e um terninho preto, tudo muito formal. Ela sorriu e perguntou se Dean desejava algo em especial, ele respondeu que não sabia e ela sorriu, mostrando várias roupas, vestidos e calçados.

Castiel resolveu sentar enquanto esperava o loiro se decidir.

_Prova este. – a moça indicou, e Dean olhou o mesmo vestido vermelho que Castiel tinha visto ao entrar na loja.

_Tudo bem. – e entrou no provador.

Se olhou no espelho do provador e sorriu, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. Estava bonito, por um momento lhe passou pela cabeça que aquele vestido tinha sido feito para ele, sentiu as bochechas avermelharem, não era aquele o caso, não é que o tal vestido tinha sido feito para ele, era porque Castiel tinha gostado, e Dean queria agradar o anjo.

_Eu vou levar esse. – disse entregando pra mulher. – Com certeza. – e sorriu, as bochechas vermelhas ao ver ela olhar para o anjo e então sorrir, como se entendesse.

_Tudo bem, quer ver algumas calças agora?

_Pode ser. – disse, acompanhando-a.

Castiel olhava para todos os lados, se sentia desconfortável ali, não entendia nada sobre aquilo, mas ver Dean se movimentando e experimentando todas aquelas roupas, pedindo sua opinião e rindo para ele... Bem, como os humanos diziam, ele já tinha ganhado o dia.

Sam estava encostado no Impala quando Dean e Castiel saíram da loja, o queixo do moreno só faltou cair ao ver o modo como o irmão estava vestido.

O loiro sorria ao lado de Castiel que carregava varias sacolas de todos os tamanhos e cores, o anjo parecia abobalhado com tudo aquilo, mas parecia não se importar, Sam achou bizarro, definitivamente, aquela ali, não podia ser seu irmão.

Não com aquela saia preta curta e de cós alto, não com a blusinha de renda rosa bebê e com aquela rasteira, azul. Se bem que, julgando pelas roupas, provavelmente não tinha sido o irmão a escolher.

Dean estava com o cabelo liso agora, e passava um pouco da cintura, estavam aparados e ele tinha os olhos maquiados e um brilho labial na boca, Sam achou que provavelmente, Gabriel tinha aparecido novamente e tirado o pouco de sanidade que tinha em Dean. Pensava isso até ver o irmão tropeçar e quase ir ao chão, desajeitado como só ele conseguia ser e praguejando como o ogro do pântano que costumava ser.

Achou que a cena não conseguia ser mais hilária, até que Dean viu um senhor olhando em sua direção, Sam viu as faces do irmão se afoguearem e ele apertar os olhos na direção do homem.

_Que é que foi? Nunca viu não, caralho? – perguntou, meio cambaleante. – Que é? Perdeu o cú na minha cara? – e fechou o cenho andando desajeitado na direção de Sam.

Castiel se desculpou com o homem, sabendo que ele não era má pessoa, estava apenas especulando. Sam ainda boquiaberto, viu o irmão gritar por Castiel, dizendo que o deixaria ali se não viesse logo, o mais novo dos Winchester's tratou logo de entrar no carro, antes que o irmão começasse a reclamar dele também.

_Dean... – chamou, cauteloso.

_Que é? – e olhou pra ele pelo espelho retrovisor, ainda esperando Castiel se arrumar com aquele monte de sacola, no banco ao seu lado.

_Está tudo bem? – perguntou, já prevendo a enxurrada de palavrões que viria ao ver a expressão no rosto do irmão.

_Tá. Por quê? – e ergueu as sobrancelhas loiras.

_Nada, nada. – respondeu, encolhendo-se e pedindo mentalmente para Gabriel fazer aquilo passar logo.

'Sam não agüentava mais. E o que dizer de Castiel? Coitado!' Era o que Bobby pensava ao vê-los tendo que lidar com Dean naquele período, sentia-se culpado por estar fugindo, mas preferia mil vezes enfrentar um ninho de vampiros sozinho, do que ter que ficar cuidando do loiro.

_Bobby...! Me deixa ir... – Sam tinha os olhos suplicantes, como se não fosse agüentar mais nenhum dia. – Por favor...! – pediu baixinho.

Castiel, que estava atrás dele, tinha os olhos arregalados ao ouvir que o velho caçador ia para Boston. Como eles iam ficar ali sem Bobby?! O caçador mais velho era quem tinha segurado as pontas durando os últimos três dias, Dean estava simplesmente insuportável, sempre andando pelos cantos de pijama, comendo alguma coisa doce (geralmente torta de chocolate), assistindo novelas mexicanas e filmes românticos.

Castiel o tinha visto chorar por causa do tal príncipe que tinha morrido em algum filme qualquer que agora ele não lembra o nome, mas o fato é que, Dean no corpo de mulher o assusta, ele nunca sabe o que vai acontecer, isso o deixa desconcertado e faz suas pernas virarem gelatina cada vez que o loiro pega suas mãos e o puxa para ver um filme qualquer que esta passando.

A única coisa a qual o anjo se acostumou (e particularmente está adorando) é o fato do caçador cair no sono às vezes, e então é Castiel quem tem que levá-lo para a cama. Geralmente Dean apenas sorri assim que o anjo o coloca na cama, depois de subir as escadas com ele nos braços, mas Castiel gosta mais das vezes em que ele abre os olhos, sorri e sussurra 'Obrigado, Cas.' ou 'Valeu, Cas.' e então fecha os olhos, voltando a dormir. O anjo acha isso meio bobo e estranho, uma coisa que ele não faria se fosse outra situação, uma coisa que não faria se Dean fosse homem.

Suspira, finalmente se dando conta que não pode pensar que algo vai acontecer entre eles depois que Dean voltar, ou até mesmo agora que Dean está no corpo de mulher, nada pode acontecer entre eles, mesmo que se sinta desse jeito.

Porque Dean não vai aceitar, Dean não gosta de homens, não sente atração por homens, e querendo ou não, Castiel assumiu uma postura masculina que não deveria ter como um ser alado.

Castiel aperta os olhos deixando os devaneios de lado assim que escuta o ronco do motor do carro de Bobby, vê que Sam está na varando agora com as mãos nos cabelos, gesto que o anjo interpreta como desespero, como se Sam não soubesse o que fazer, e ele sabe como é se sentir assim, ele sente isso toda vez que encontra aqueles olhos verdes.

Estava começando a pensar nele outra vez quando uma mãozinha quente aperta seu ombro.

_Cas... – e lá estão aqueles olhos. – O Sam está bem? – ele pergunta vendo o irmão agora esfregar o rosto com as mãos.

O anjo acha melhor confortá-lo.

_Está sim.

_Então deixa ele pra lá.

Dean não parece mais tão interessado no estado do irmão, ele simplesmente pega nas pregas do sobretudo do anjo e o puxa para dentro da casa, fazendo-o sentar no sofá enquanto liga o dvd, colocando mais um daqueles filmes que Castiel acha melhor não prestar muita atenção.

Tem medo de algum dia se pegar imaginando como seria ele e Dean vivendo aquela historia, é por isso que ele tenta ao máximo não olhar muito para a tela e tenta achar algo que prenda sua atenção, mas a única coisa que encontra é Dean.

Dean encolhido no sofá, a blusa do pijama com uma gota de chocolate, os cabelos presos de um jeito que Castiel não tem certeza se entraria algum pente ali, os olhos fixados na TV, a boca entreaberta que às vezes esboça um pequeno sorriso.

Castiel não conta os minutos que se passam enquanto está admirando o charme incomum que 'ela' tem, mas se dá conta que já se passou algum tempo porque quando olha para a TV, finalmente conseguindo desviar os olhos do loiro, ele vê os créditos subindo.

Ele suspira e pensa que tem que resolver tudo aquilo, pensa que precisa falar com Gabriel para ele trazer Dean de volta. Aquele Dean que é safado e que vai para a cama com qualquer uma, aquele Dean que solta piadinhas aleatórias e que não se importa em ficar sem chocolate, aquele Dean homem que... Castiel suspira novamente, na realidade não importava, amaria e estaria apaixonado pelo caçador em qualquer corpo que ele estivesse.

Fecha os olhos aceitando sua sina e não percebe que começa a sonhar.

_Hey, Sam... – Dean o chama pela quarta vez seguida e finalmente o moreno levanta os olhos para prestar atenção.

_O que é Dean?

_Anjos dormem? – pergunta, já ao lado dele, espiando o que ele estava vendo na internet.

_Provavelmente não, Dean. – responde, pelo pouco que sabe sobre anjos. – Por que ta perguntando? – e vê o irmão sorrir, apontando para o sofá da sala onde Castiel está esparramado.

_Porque o Cas está dormindo. – e dá mais um risinho.

Sam acha aquilo meio infantil, mas não deixa de notar que Dean parece mais feliz, mais despreocupado, acaba sorrindo também.

_O que está pensando em fazer Dean? – pergunta vendo o rosto do irmão avermelhar.

_Nada.

_Sei. Fala, o que você vai aprontar com o Cas?

_Nada, Sam. – diz uma pouco mais alto, a voz ficando um pouco mais aguda à medida que a aumenta.

_Com certeza ia pregar uma peça nele. – o irmão acusa, lembrando das pegadinhas que acontecia entre eles nas viagens que faziam.

_Não, Sam, eu juro. – disse. – Na verdade... Eu queria um cobertor, está meio frio, – disse olhando pela janela a chuvinha fina que caia. – seria melhor agasalhá-lo.

_Eu não acho que anjos sintam frio, Dean. – retruca.

_Bem... Você também disse que anjos não dormiam Sam. – o moreno bufou ao escutar a resposta, Dean estava certo.

_Tá. – disse. – E o que eu tenho a ver com isso? É só você pegar lá no guarda-roupa, Bobby coloca as cobertas na parte de cima.

_Exatamente.

Sam ergueu as sobrancelhas, não estava entendendo, se o irmão sabia onde ficava então porque estava lhe perguntando todas aquelas coisas.

_Dean aonde você quer chegar. – o loiro avermelhou e se sentiu inútil, sussurrou alguma coisa que Sam não pode ouvir e o moreno piscou os olhos repetidas vezes. – O que? Eu não entendi.

Dean mordeu os lábios e olhou o irmão com vergonha.

_Eu não alcanço, Sam. – disse, ainda baixinho, mas desta vez Sam conseguiu escutar.

Engoliu o riso porque sabia que Dean lhe partiria ao meio se por acaso risse da cara dele, então como bom irmão que era, sugou a maior quantidade de ar que pôde e levantou da cadeira.

_Tudo bem, Dean, eu pego pra você.

Subiu as escadas, pegou o cobertor e entregou para o irmão.

_Obrigado, Sam. – disse, acanhado, voltando pra sala.

Sam queria rir, mas a vontade passou quando viu o irmão cobrir Castiel e então se enrolar com ele no sofá, mudando de canal, achando mais um daqueles filmes que ele estava assistindo recentemente.

Lembrou de Jessica, lembrou dos sábados à noite em que ficava assim com ela, isso o encheu de saudade e seus olhos marejaram. Estava feliz por Dean, mas se Castiel por acaso o fizesse sofrer, ele caçaria o anjo até o céu.

Voltou seus olhos para o computador, tendo a certeza que o anjo não faria nada de ruim para o irmão, o conhecia a tempo suficiente para saber que sua natureza era manter Dean a salvo e bem.

Isso confortava Sam e o deixava feliz, porque dentre todos da família Winchester, era Dean quem merecia um amor assim.


N/a: Não me matem ainda! Eu tenho uma boa explicação para os atrasos ó.ò To fazendo curso e trabalhando, ou seja, eu saio de casa às 7:30 e só volto 23:00 e aos sábados tenho curso de manhã. Vou tentar postar sempre aos sábados, domingos e nos meus horários de almoço. Rotina nova, pelo menos até eu me acostumar, vou postando quando der está bem?! Obrigada pela compreensão de vocês, mesmo, e não desistam da fic, nem de mim! Beijão, seus lindos *