**Tava ouvindo a música Heart Attack - Demi Lovato e acho que combina muito com o que o Dean está sentindo, sendo uma garota e querendo agradar o Cas, usando salto e vestido e... Bem, só estou divagando porque fiquei mesmo pensando nisso, enfim boa leitura –doisbejo.
Cap. 8: Em Busca da Aceitação
_Hey, Sam.
O moreno levantou os olhos ao ver Dean parado na porta de seu quarto, os pés descalços, o cabelo emaranhado, a cara amassada e... Deus! Ele nunca se acostumaria com aquilo!
_O que foi?
_Eu preciso conversar... Sobre umas coisas. – disse envergonhado e Sam só queria que aquilo não tivesse acontecendo porque pela primeira vez ele não sabia o que dizer ou como se comportar, porque ele sabia que não era mais o mesmo Dean. – Sabe? Aquelas coisas que você sempre quer que eu diga, Sam... Como eu estou... Me sentindo. – disse e assoprou uma mecha de cabelo que lhe caia no rosto.
_Ahh... Ok. – e arrumou-se melhor na cama, para que o irmão pudesse sentar-se também. – Venha aqui.
_Isso vai ser estranho demais? – perguntou, chegando perto e sentando devagar, quase com medo.
_Acredite, nada é mais estranho do que você sendo uma mulher.
_Humm... Sei lá, acabei me acostumando até. – disse, balançando os ombros e Sam riu.
Arrumou-se ao lado do irmão, puxando a coberta até o queixo e encostando a cabeça no ombro de Sam, o moreno se perguntava se devia acariciar-lhe os cabelos, porque normalmente era assim que ele fazia com Jéssica, mas não sabia ao certo se Dean aprovaria aquele comportamento, decidiu-se então apenas esperar que ele começasse a falar.
_Então...? – perguntou, depois de um tempo em que ficaram em completo silêncio.
_Sam... Eu estou confuso... Eu quero dizer... Sabe... Sobre o... Cas.
Sam engoliu em seco, talvez porque nunca pensou que teria aquele tipo de conversa com Dean.
_Tá confuso? Ah... Em que sentido... Confuso, Dean? – perguntou.
Dean suspirou, colocou o cabelo para trás da orelha, mas desistiu de arrumá-lo depois que ele voltou a cair sobre o rosto pela terceira vez. Não sabia como começar a explicar para o irmão, quer dizer, nem mesmo ele sabia o que queria dizer.
_Olha, Sam, eu não sei ta legal?! – e fechou os olhos tombando a cabeça para trás. – Eu só... Sabe, é uma coisa estranha, não sei te explicar.
_Oras... Comece pelo co...
_Ele me incomoda. – cortou-o.
_É claro que incomoda. Ele é o Cas! – disse e só faltava girar os olhos. – Desde que ele te tirou do inferno e se aproximou de você que ele te incomoda, você sempre deixou isso claro, com todas aquelas reclamações.
_Sim, quero dizer, não desse jeito. – bem que tentou se expressar melhor. – Ele me faz ficar desconfortável.
Sam levantou bem as sobrancelhas, é claro que desde o começo sabia o que o irmão queria dizer, mas queria que ele chegasse à conclusão sozinho, se é que já não sabia que estava apaixonado pelo anjo, porque até mesmo Sam já tinha percebido.
_Ele sempre chega bem perto e o perfume dele entra no meu nariz e eu sei lá, às vezes quando ele já foi embora, sabe... O cheiro dele continua e... E... E eu gosto! Por que é que eu gosto? Ele é homem, é cheiro de homem que ele tem, então por que eu gosto do cheiro dele?
Sam não sabia responder a isso.
_E também tem a voz dele! Por que as frases dele tem que ficar se repetindo incessantemente na minha mente? E quando ele não aparece e nem dá noticias... Eu... Eu fico quase louco, eu tenho medo que ele vá embora e... Me deixe, eu não quero que ele vá embora pra sempre, Sam, eu não quero que ele me abandone.
_Eu sei, Dean. – Sam suspirou fundo, encostando-se ao lado do irmão. – Eu sei... E você sabe também não é?
O mais velho encarou os olhos de Sam, ele sempre foi tão mais esperto e perceptível que si, naquele momento teve absoluta certeza de que o irmão já sabia o que o estava perturbando.
_Como eu vou fazer isso dar certo, Sam? – perguntou baixinho. – O Cas foi embora, ele foi mesmo sabendo que era arriscado... Ele foi assim mesmo, eu pedi pra ele ficar, Sam, eu disse que ele não precisava ir. – e baixou a cabeça, sentindo os olhos arderem. – Mas ele foi assim mesmo.
_Você já pensou no motivo de ele ter ido? – e viu os olhos verdes o encararem.
_Como assim?
_Ele foi por você. – disse.
_Eu falei pra ele que me virava sozinho. – disse cruzando os braços. – Queria que ele ficasse aqui, Sam. – o irmão riu.
_Ahhh, Sam?
_Sim? – tinha se levantado da cama e agora dobrava algumas roupas que estavam bagunçadas por ali.
_Teria algum problema se a gente ficasse junto? – viu Sam erguer as sobrancelhas o mais alto que pode, com se não tivesse entendido a pergunta, então limpou a garganta. – Quero dizer, eu e o Cas, juntos mesmo sabe?
Sam deu de ombros.
_Dean, lembra quando éramos pequenos e eu te perguntei se teria algum problema eu ficar com o Rufus, aquele cachorro amarelo, e você disse que você não se importava se eu quisesse ficar, contanto que eu estivesse feliz?
_Ah, ta falando daquele pulguento que comeu meu tênis novo?
Sam riu.
_Sim.
_O que ele tem a ver com isso Sam, por Deus, o Cas não é nenhum cachorro! – disse levantando, como se a conversa tivesse ficado desagradável de repente.
_É o mesmo principio, Dean. – Sam sorriu para ele, pousando as mãos nos ombros do mais baixo. – Se você estiver feliz, Dean... Pra mim é o que importa, antes ele do que qualquer outra pessoa que você vai ter que abandonar por causa dos monstros. – Dean mordeu os lábios. – Ele já é um guerreiro, ele já conhece esse mundo em que a gente vive, ele combate ao nosso lado.
_Bem, sabe... Tem caçadoras por ai e eu nunca...
_Porque o Cas é mais do que um caçador e um guerreiro. – disse, sabendo os argumentos do irmão. – Eu também não sei o porque disso ter acontecido, quero dizer, você podia ter se apaixonado por qualquer pessoa, então por que ele?
_Exatamente! – disse alto apontando para o rosto do irmão. – Peraí e por que não podia ser ele?
Sam riu.
_Viu como você aceita bem a idéia? Não é como se fosse estranho pra você, é porque é o Cas e bem... 'Vocês compartilham um laço mais profundo'. – disse fazendo aspas com os dedos e sorrindo em seguida. – Acho que encontramos um nome para dar a esse laço hein?!
Dean sorriu tímido.
_É.
Dean ia começar a falar mais alguma coisa, mas então o ronco do carro de Bobby o fez voltar-se para a janela. Droga, tinha esquecido isso. Tudo bem que o irmão aceitasse, isso era uma coisa, mas não tinha certeza quanto a Bobby, quer dizer o velho era com um segundo pai, se ele lhe chamasse de aberração e lhe jogasse água benta nas fuças, bem... Seria o mesmo que seu pai o estivesse fazendo.
_Sam... – chamou quando viu o irmão ir para a porta do quarto, em direção as escadas.
_Que foi? – perguntou, voltando parte do tronco para encará-lo.
_Não conta nada pro Bobby, não. – disse e seus olhos continham um medo que fez Sam querer abraçá-lo e dizer que sempre estaria ali para ele. – Eu não quero que ele saiba agora, eu converso com ele e explico tudo depois, então se ele não quiser mais que eu fique aqui então eu...
_Dean, cara, é o Bobby! – Sam viu os olhos do irmão se encherem de lágrimas.
_Eu sei, Sam, é por isso que eu preciso conversar com ele e ver se ele ainda vai querer olhar pra minha cara... Uma reprovação dele, seria o mesmo que uma reprovação do papai.
_Ele não vai te rejeitar... Não por causa disso, ele não teria como te rejeitar por nada Dean, ele ama você, quantas vezes ele já não disse o quanto ele queria ter um filho e o quanto nós significamos isso para ele?
_Talvez ele não queira um filho que ama um anjo homem.
Sam riu.
_Se esse for o caso, então nós arrumamos as mochilas e vamos embora, não voltaremos a ter contato com ele. – disse. – Mas relaxa, eu duvido muito que isso aconteça. – Dean baixou os olhos, como se não acreditasse que tudo fosse dar certo. – Vai ficar tudo bem.
_Espero que sim. – disse e seguiu o irmão que já descia as escadas.
Bobby colocou a mochila no chão e sorriu grande ao ver Sam descendo, logo atrás Dean, ainda mulher. Achou engraçado, era impressão sua ou ele estava... 'Pegando o jeito?' – riu com esse pensamente e assim que eles chegaram perto, os abraçou.
_E aí? Ficou tudo bem por aqui? – perguntou, olhando em volta.
_Aham, tudo certo. – e sorriu.
_Eu precisei cuidar de um caso aqui perto, coisa fácil, mas tudo estava normal quando eu voltei. – Sam informou e Bobby olhou em volta, como se procurasse algo fora do lugar.
_Cadê o Castiel? – perguntou, não vendo o anjo e lugar algum.
_Ele voltou.
_Voltou? – e encarou a face triste de Dean.
_Pro céu. – o loiro acrescentou, mordendo os lábios em seguida.
Um pensamento rápido passou pela cabeça do caçador, mas ele resolveu ignorar, pelo menos naquele momento. Disse qualquer coisa sobre ir tomar banho e subiu, dizendo que conversaria com eles mais tarde.
_Viu? Tudo na boa. – Sam cutucou o loiro, que ainda conservava a postura ereta, como se qualquer deslize seu Bobby fosse adivinhar.
Dean soltou o ar que estivera prendendo e relaxou, jogando-se de qualquer jeito no sofá, precisava falar com Bobby, explicar como aquilo acontecera, mas mais do que tudo, precisava que ele olhasse para si e sorriso, precisava que ele aceitasse.
Sam disse que ia ao mercado assim que Bobby desceu para a sala, Dean mais do que depressa se ofereceu para ir, mas o irmão negou, dizendo que precisava tomar um ar, cutucando o irmão sem que Bobby percebesse, dando a entender que queria que o irmão tivesse a tal conversa com o caçador enquanto ele estivesse fora.
Saiu batendo a porta e Dean encarou o velho com medo, mas ele não parecia tão preocupado, já que lia algum livro que não tinha nenhuma relação com o trabalho que exerciam.
_Bobby...? – parecia-lhe que sua voz estava mais fina que antes.
_Sim? – e levantou os olhos para ele.
_Ah... Sabe, eu preciso te contar uma coisa e eu, bem eu não quero que você pense que eu mudei por causa disso, quer dizer, eu ainda sou a mesma pessoa, só com idéias e algumas... Ah, preferências diferentes, quer dizer não tão diferentes, só uma na verdade e eu não queria que você...
_Tá tagarelando Dean. – o velho o cortou. – O que foi que você fez?
_Não foi minha culpa, eu não tive como parar... Aconteceu, Bobby. – e seus olhos marejaram.
Bobby já tinha visto Dean chorar, inúmeras, incontáveis vezes, mas ver aqueles grandes olhos verdes agora lhe mostrando toda aquela dor, sentia seu peito comprimir. Dean era seu garotinho, ainda guardava na memória o dia em que John o largou lá para ir caçar qualquer pista sobre o demônio de olhos amarelos.
Lembrava-se com exatidão do embaraço no rosto dele quando o levou para jogar beisebol, parecia-lhe que depois da morte da mãe, Dean tinha deixado de fazer coisas que as crianças normais faziam, isso o fazia odiar John Winchester, mesmo que entendesse a dor do patriarca.
_Dean, do que está falando garot... – parou antes de concluir a palavra, claro que Dean era um garoto, mas ainda assim, era estranho usar algo masculino para conversar com a moça fragilizada que via. – Sente-se aqui. – e apontou o lado do sofá em que estava sentado.
Sentou-se ao lado do homem, sentando-se em cima das próprias pernas, a cabeça baixa, fazia com que o cabelão escondesse parte do rosto. Estava envergonhado, não sabia por onde começar, Deus! Parecia mesmo uma donzela e isso era uma droga, porque não conseguia reprimir o que sentia.
_Eu... – não sabia se devia falar com todas as palavras, como tinha feito com Sam, ou se tinha que dar voltas para poder chegar ao assunto. – Bobby, eu... – resolveu ser sincero, puxou o cabelo todo para trás, embolando-o de qualquer jeito, fazendo um coque mal feito, que Sam tentara ensiná-lo no dia anterior. – Eu gosto do Castiel. – disse de uma vez, os olhos verdes encarando a face do homem.
Não saberia dizer o que estava passando pela cabeça dele, Bobby não parecia ter ouvido nada, continuava imóvel, como se ainda esperasse que ele fosse contar alguma coisa. Será que ele não ia mesmo gritar consigo? Lhe dizer que estava louco e lhe acusar de querer corromper um anjo? Suspirou, o que quer que fosse, estava demorando para o caçador falar o que pensava.
_Dean. – ele não parecia saber o que falar em seguida.
_Olha Bobby, acredite, eu sei que isso não é certo, o quanto meu pai ficaria decepcionado se me ouvisse falando isso, mas eu não consegui conter e eu descobri que isso não aconteceu agora, Bobby. – mordeu os lábios, antes de continuar falando. – Sabe... – e sorriu um pouco. – Eu sempre disse ao Sam que não me lembrava nada do inferno, depois acabei falando que me lembrava das coisas horríveis que fiz lá, torturando todas aquelas almas...
_Dean... – o loiro fez sinal para que o velho apenas ouvisse.
_Mas sabe, uma das minhas melhores lembranças aconteceu lá. – sorriu um pouco mais largo agora. – Eu me lembro de estar sofrendo mais uma das torturas de Alastair, mas então uma luz muito forte e uma paz imensa começou a tomar conta de lá, eu senti algo me puxar de lá, é claro que eu ainda não fazia idéia que era Castiel, mas... Quando ele tocou meu ombro, Bobby,era como se eu pudesse sentir a essência dele entrando em mim, curando os pedaços quebrados do que era a minha alma... O Cas me salvou tantas vezes que se eu tivesse que pagar a ele eu não teria como, ele me guardou, me colocou no caminho certo, ele... Ele deixou o céu, o céu Bobby, por mim, ele me devolveu a fé que eu tinha perdido e ele não se importa se eu sou quebrado, ele... – riu mais aberto. – Eu... Não tem mais ninguém no mundo com quem eu queria ficar além dele, Bobby.
_Dean...- a voz dele soou emocionado, mas o loiro fez sinal para que ele esperasse só mais um pouco.
_Eu entendo se você não puder, ou não conseguir aceitar, eu vou embora e nunca mais vou aparecer aqui se você quiser, mas eu quero que saiba... Você é como um pai pra mim, você fez coisas por mim que meu pai não pode fazer, sua aprovação é tão importante quanto a dele, se ele ainda pudesse falar o que pensa, o fato é que... Vai doer demais se eu tiver que me afastar de você para poder ficar com o anjo, mas acredite eu farei isso, mesmo que minha família não esteja completa, você vai continuar fazendo parte dela, Bobby... Eu só que... – sentiu os braços do homem passarem por seu ombros.
_Dean você chegou mesmo a pensar que algo assim fosse me decepcionar?
_Eu pensei...
_Por Deus garoto, – garotO, porque sim, ali era o seu Dean, seu filhinho, era tudo o que via agora. – você está feliz, o brilho em seus olhos não me deixa ir contra, eu seria um grandessíssimo filho da puta se fosse contra isso. Acredite, eu não poderia estar mais feliz. – e então o soltou.
_Bobby, o Cas é um homem anjo isso não te incomoda?
_Por que deveria? Ele alguma vez provou ser indigno de qualquer sentimento que você tem por ele? – viu o outro negar com a cabeça. – Então está tudo certo.
Dean sorriu, quase não se contendo no próprio corpo, quando ia dizer que tinha ficado com um medo tremendo dele não aceitar, Sam irrompeu pela porta, as sacolas nas mãos dele foram abandonadas de qualquer jeito na mesinha de centro que já estava repleta de livros.
_Sam?
Dean levantou do sofá junto com Bobby, mas o moreno alto não lhes deu atenção, voltou para fora e os outros dois caçadores o seguiram. Quando Sam se enfiou no carro mais uma vez, dizendo algo com quem quer que estivesse lá dentro, Dean sentiu o coração parar.
E se fosse Castiel? E se ele estivesse ferido?
Correu até lá e Bobby o seguiu, quando chegaram perto, Sam puxou duas pernas esguias para fora, enquanto pegava o tronco do homem. Dean ficou aliviado ao ver que não era calça social e nem o sobretudo habitual do anjo, mas então quem era aquele?
_Sam, quem é ele? – o irmão simplesmente o ignorou enquanto levava quem quer que fosse aquele, para dentro da casa de Bobby.
'Castiel.' – estava perto, podia sentir. – 'Castiel, você sabe que é errado.' – aquela força parecia dominá-lo quase por completo, ele não queria que dominasse, mas não podia evitar. – 'Por que fugiu de nós, Castiel?' – a voz tornou a perguntar e o anjo sentiu como se não pudesse esconder nada de quem quer que estivesse falando. – 'Deixou o céu por um humano.' – a voz condenou e Castiel sentiu-se minúsculo diante dela.
_Castiel! – conseguiu distinguir Balthazar em meio aos outros corpos de luz. – Nos diga o que você fez! Por que o céu está um caos!
_O-O q-ue? – balbuciou, tentando entender o que estava acontecendo.
Sabia que estava no céu, isso tinha certeza, a pergunta era: Em qual céu?
N/a: Eu sei que to demorando muito pra postar, mas espero que não estejam me odiando por isso... Ta, ta eu não tenho um motivo plausível, mas foi a imaginação, eu juro ó.ò
