Cap. 10: Reencontros

_Sam! Você... Como você achou ele? – e olhou curioso para o homem que o irmão tinha colocado deitado no sofá.

_Pura sorte! Ou azar dele, talvez. – disse dando de ombros, olhando com atenção para a face angelical de Gabriel. – Hmm... Seria melhor acordá-lo de alguma forma, mas... Eu não sei como fazer isso.

_Deixa ele aí. – Bobby resmungou, dando de ombros e então indo para a cozinha.

Sam suspirou sentando na frente do corpo do arcanjo, vendo como o peito dele subia descia demoradamente, como se descansasse apenas agora em todos aqueles anos. Tinha pena dele, entendia, de certo modo, como ele estava se sentindo.

Quer dizer, pensa bem, sua família em guerra, você amando todos de um modo irracional, sem poder tomar partido em um dos lados. Arqueou as sobrancelhas, não queria estar na pele dele, isso sem falar que tinha certeza absoluta que aquelas constantes pegadinhas e brincadeiras eram só um modo de não ter que pensar e confrontar esse pensamento constante.

_Você acha que quando ele acordar, ele vai me transformar de volta?

_Claro, se não fizer por bem, vai fazer por... – foi de repente.

A luz pareceu se extinguir lá fora e o barulho do trovão fez a casa tremer, um raio cortou o céu quando Sam levantou da cadeira que estava sentado, pronto para sair, quando Dean o puxou e se enfiou em sua frente, chegando a porta mais rápido e saindo para o quintal.

_Mas o que é isso? – Dean tinha os olhos voltados para cima, procurando por algo que Sam não conseguia saber o que era.

O céu começou a se abrir, uma luz intensa e então ele viu algo cair e a marca da mão de Castiel em seu ombro queimou, doeu de um modo que nunca tinha feito antes, como se Castiel estivesse lhe queimando novamente para gravar sua palma ali.

_Cas...? – seus olhos brilharam e de repente sentiu uma dor forte no peito, algo que o sufocava e ele só queria que aquilo passasse, seu ar parecia faltar e ele só não conseguia se manter em pé. – Cas! – colocou a mão sobre o coração e caiu de joelhos na terra.

Sam foi até ele e passou as mãos pelas suas costas.

_Dean? Você está bem? O que aconteceu? – Sam perguntava coisas sem parar, mas Dean não parecia ouvi-lo.

O corpo pequeno parecia convulsionar e Sam encarou os olhos esverdeados desfalcados, ele chorava, entre gemidos e soluços repetia o nome 'Cas' sem parar, as lágrimas caiam de maneira tão dolorosa que Sam sentiu o próprio coração apertar.

_Dean? O Cas vai voltar ta bem? Vai ficar tudo bem. – e então olhou para o céu, vendo o dedo do irmão apontar para algo que caia de cima em alta velocidade. – Mas o que...?

Dean se desenroscou dele e entrou no Impala, dando a partida e seguindo em disparada para fora da propriedade de Bobby. Olhava para cima, tentando raciocinar em que área cairia, sabia que era Castiel. Tinha que ser, ele tinha caído, ele tinha deixado o céu. E Dean achava que era um milagre ele ainda estar vivo.

Lembrava de ter rezado para ele.

'Cas... Onde você está? Estou preocupado, precisamos conversar, você sabe! Eu.. Não agüento mais, preciso que você volte, preciso de você aqui... Do meu lado. Eu não quero que você fique no céu, Cas, e eu sei que é egoísmo da minha parte, você é um anjo, mas é que... ' – lembrava de ter pensado se não era egoísmo seu, pedir para o anjo deixar a família para ficar consigo, mas ainda assim, continuou. – 'Eu preciso mesmo de você Cas, bem você sabe sobre meus sentimentos... Ah... Cas...' – sentiu o coração quase arrebentar-lhe o peito, estava ansioso. – 'Eu amo você, te quero de volta.'

Olhou mais uma vez para o feixe de luz que riscava o céu e então sentiu o impacto com o solo balançar o carro. Pisou mais forte no acelerador, o motor roncando enquanto ia mais rápido.

Pôde ver ao longe a cratera que tinha se formado e de repente seu coração se comprimiu ainda mais. Anna perdeu a memória quando caiu do céu, e se Cas tivesse se esquecido de tudo? E se tivesse se esquecido dele? Mordeu os lábios.

_Castiel? – saiu do carro e correu em direção ao homem caído no meio do campo. – Cas! – gritou.

Chegou perto e ajoelhou-se ao seu lado. Os olhos fechados e a boca entreaberta do anjo fizeram o loiro se desesperar. E se ele não estivesse respirando? Fechou os olhos e encostou o ouvido no peito do anjo, pôde ouvir o coração dele bater devagar e isso só ajudou para aumentar seu nervosismo.

_Cas? – suas lágrimas começaram a cair ainda mais, molhando o sobretudo do anjo, ou talvez ex-anjo, Dean ainda não sabia. – Cas, acorda, por favor, eu te amo.

Limpou as lágrimas e levantou o tronco, olhou para cima e o céu havia voltado a clarear, mostrando o sol de minutos antes da queda de Castiel.

_Eu... Eu vou tirar você daqui.

Levantou-se e tentou colocar um dos braços do anjo por seu pescoço, a fim de levantá-lo e levá-lo até o carro, puxou com toda a força que tinha e o máximo que conseguiu foi arrastar um pouco o corpo inerte.

_Arrrgh... Você é... Arrrgh... Pesado! – e desistiu, soltando ele e voltando a se sentar. – Droga de corpo fraco! Antes eu podia te levantar e pegar no colo sem o mínimo de esforço. – e cruzou os braços.

Pegou o celular que estava no bolso e discou o numero de Sam, não demorou pra voz do irmão soar do outro lado.

_Já estamos a caminho, Dean. – disse ele assim que atendeu. – Achou mesmo que ia conseguir colocá-lo no carro?

_Como... Como sabe que eu...?

_Você é meu irmão. – deu de ombros como se o mais velho pudesse vê-lo.

_Hump! Chega rápido e pare de se achar, Sam! – e desligou.

Ficou sentado ao lado dele e sorriu ao pegar nas mãos macias do anjo, estava feliz por tê-lo de volta, embora ainda temesse pela memória dele, mas sabia que podia conquistá-lo novamente se por algum acaso ele não se lembrasse.

_Hey, Cas... Vai ficar tudo bem ta?! Eu vou cuidar de você, não vou deixar nada ruim acontecer.

Abraçou ele e beijou-lhe a palma da mão, sorrindo e passando a boca pela pele branca, levantou o rosto até ficar de cara com ele, encarou as pálpebras e passou a língua pelos lábios antes de encostar a boca na dele.

Pressionou forte contra ele e suspirou, sem descolar-se. Ficou algum tempo assim, até ouviu o motor do carro de Bobby ao longe.

_Seria legal se você acordasse depois de eu te beijar, isso reforçaria a idéia de eu ser o corajoso cavalheiro e você a princesa em perigo. – e riu.

Acenou para o carro de Bobby e logo o velho estacionou ao lado do Impala.

_Então? Quantas vezes tentou levantá-lo e carregá-lo antes de ligar? – Sam perguntou rindo, levantando Castiel sem nenhum esforço e o levanto até o carro amarelo.

_Não, não. – Dean o parou no caminho.

_O que? – e se virou para ele, Castiel ainda em seu colo e Dean sentiu a bochecha arder de ciúmes.

_Coloca no meu carro. – e abriu a porta da frente para Sam colocá-lo no banco do passageiro.

_Está bem. – disse e colocou o anjo de qualquer jeito lá.

_Cuidado! Ele não é um saco de qualquer coisa! – brigou, empurrando Sam e ajeitando o anjo, colocando o cinto de segurança (algo que ele nunca usava e nunca pedia para ninguém usar).

_Uia. – e voltou para o carro amarelo. – Vem logo. Gabriel tinha acabado de abrir os olhos quando sai atrás de você, Bobby ficou para cuidar dele.

_Eu vou indo atrás de você. – e entrou no carro.

Sam sorriu sozinho, Dean estava com ciúmes dele e o anjo, o que era muito ridículo, nunca que ele se interessaria por um moreno de olhos azuis e pele de leite, isso sem falar que era um anjo, não que tivesse algo contra a espécie, mas se fosse se apaixonar por algum ser alado, seria... 'Opa! Nada de pensar nisso Sam Winchester!' repreendeu-se e continuou focado na estrada.

Dividia sua atenção entre a estrada e o moreno deitado no banco ao lado, conteve o ímpeto de colocar a mão em sua testa e verificar se o coração ainda batia, concentrou-se em manter os olhos para frente, olhado para a estrada e somente para ela, para não se distrair.

Sorriu lembrando dos momentos que passou com ele, dos dois ou três beijos que trocaram. Lembrou-se do ciúme que um sentiu do outro quando foram aquela boate, e de como o anjo defendera sua 'honra' na farmácia.

Estava tão entretido em pensamentos que não viu quando o anjo abriu os olhos e encarou-lhe a face, apenas se deu conta disso quando os dedos frios dele passearam por seu rosto, afastando uma mecha de cabelo que lhe escondia um pouco da face.

_O que? – e derrapou pela pista, fazendo um circulo na areia com o pneu.

Encarou os olhos dele e quase não pode se conter.

_O-Oi, Cas. – e internamente implorava para ele se lembrar.

_Oi.

Dean suspirou aliviado e fechou os olhos, sorrindo em seguida. Segurou a mão dele que continuava em seu rosto e beijou seus dedos, mordendo os lábios em seguida, como se assim pudesse impedir que as lágrimas caíssem.

Castiel sorriu para ele e puxou-o em direção a si.

_Hey, tudo bem... Não precisa chorar Dean. – fechou os olhos, apertando-o mais contra si, o loiro soluçava e agarrava-se nele, como se nunca mais fosse soltá-lo. – Tudo bem. – e afagou os cabelos loiros enormes. – Eu senti muito sua falta, sabia?!

_Eu também senti, Cas. Muito. – ele ainda soluçava e os olhos verdes ainda estavam inundados pelas lágrimas.

Dean levantou o rosto e mordeu os lábios, encarando os lábios rachados do anjo.

_Me beija. – pediu.

Castiel sorriu e não demorou a colar os lábios nos dele. Foi calmo, como a brisa fresca em um dia quente de verão. O sentimento inundou seus corpos e não demorou para o loiro dar um jeito de sentar no colo do anjo, as mãos em sua face enquanto continuava lhe beijando com paixão.

Dean meteu a mão por dentro do sobretudo, mas antes que pudesse fazer mais algum movimento ouviu batidas no vidro e Sam e as grandes sobrancelhas arqueadas os encaravam, os olhos do irmão pareciam que iam saltar da orbitas e Dean sentiu que ia entrar em combustão espontânea por causa da vergonha que estava sentindo.

Sam bateu no vidro mais uma vez e Dean saiu o mais rápido que conseguiu do colo do anjo, foi só então que Castiel abaixou o vidro.

_Hmm. Oi, Sam. – estava com vergonha, mas diferente de Dean, seu rosto não estava parecido com um tomate. – Quanto tempo. – e deu um sorrisinho.

_Oi, Cas. – Sam queria sorrir para ele, estava mesmo feliz que ele tinha voltado, mas a cena de Dean no colo do anjo ainda estava atormentando sua mente. – Estou feliz que tenha voltado e que... Esteja bem, muito bem aliás. – e olhou para Dean que usou o cabelo para se esconder.

_Então Sam, vamos indo? – deu a partida no carro.

_Claro, só... Não rodopie o carro outra vez, sim? – se limitou a falar apenas isso e saiu.

Dean sorriu depois que o irmão saiu e então deu um rápido selinho no anjo.

_Senti muito sua falta. – e sorriu grande, acelerando e voltando seus olhos para a estrada, Castiel também sorria.

Bobby estava sentado na varanda quando estacionaram. O velho se limitou a acenar para dentro e Sam enfim notou que Gabriel gritava algo como: 'Eu preciso sair!' ou 'Mas o que é essa merda?'ou 'Como eu faço pra sair daqui?'.

_Então ele acordou?

_Quem? Quem acordou? – Castiel se intrometeu chegando mais perto de Sam e Bobby.

Dean correu até eles e por um momento Castiel não escutou o que Sam lhe disse, Dean sorria e enlaçou seu braço quando chegou perto, ainda que suas bochechas estivessem tão vermelhas.

Bobby se limitou a linear os lábios ao ver os dois juntos, não havia se acostumado ainda, mas Dean e Castiel com certeza estavam muito felizes, e isso o deixava feliz também.

_Eu quero sair daqui! – a voz de Gabriel gritou lá de dentro.

_Gabriel? – Castiel reconheceu imediatamente a voz do irmão e se desenroscou de Dean, subindo os degraus e entrando na casa.

Dean fez um muxoxo e Sam cutucou as costelas dele.

_Precisamos conversar, Dean. – disse sério.

_Sim, sim, mas bem... O Cas ele...

_Ele vai conversar com o irmão dele. – disse Sam e antes que Dean o interrompesse, porque o loiro já estava abrindo a boca, continuou. – E eu quero falar com o meu.

Dean fez um muxoxo e cruzou os braços, resmungou algo sobre Gabriel ter transformado em mulher o Winchester errado e Sam apenas revirou os olhos, pegando no pulso dele e puxando-o para mais longe da casa.

_O que foi hein, Sammy? O que você quer?

_O que foi aquilo no carro Dean? – viu as bochechas do irmão avermelhar.

_Sam, eu não fico xeretando...

_Eu não tava xeretando, você sabe disso, mas eu fico preocupado, quer dizer... Você é minha irmãzinha. Eu tenho que cuidar de você.

Dean não se deu o trabalho de retrucar o irmão, apenas bufou e afastou o cabelo dos olhos.

_Olha, Sam, eu sei que talvez você não entenda, nem eu mesmo entendo tudo ainda, mas... O Cas é meu, ele faz parte de mim de um jeito que ninguém foi capaz de fazer até agora, ele me completa.

_Você sabe muito bem quem é que ficaria por baixo lá não sabe? Porque você não tem mais um... – e olhou sem querer na direção da calça do irmão.

_Você se preocupa demais, Sam. – e riu. – Você acha mesmo que a gente ia se comer no Impala, no meio da rua onde qualquer carro podia passar a qualquer instante?

_Vendo por esse lado agora, eu me sinto um pouco idiota. – colocou as mãos nos bolsos.

_Se for pra acontecer Sam, eu vou me cuidar ta?! E vai dar tudo certo e vai ser perfeito. Você acha mesmo que teria alguma chance do Cas me machucar ou magoar?

_Talvez sem intenção, Dean. – disse, tentando não montar uma imagem do irmão e do anjo na cabeça. – Já pensou no fato dos irmãos dele não aceitarem isso? Quer dizer, você sabe muito bem que eu e Bobby vamos te apoiar, você mais do que todo mundo nessa família merece ser feliz, mas a família do Cas é diferente, você bem sabe.

Dean ficou pensativo.

_Vamos falar com ele, ver o que aconteceu lá em cima. Vem. – e puxou o irmão para a casa de novo.

_Dean. – tentou contê-lo, mas o loiro com a cabeleira esvoaçante não estava prestando atenção em si e continuava andando.

Entraram em silêncio, o que para Sam foi uma surpresa já que previa que o irmão entraria gritando porque diabos o anjo tinha demorado tanto e o que fariam sobre a relação deles.

_... Todos eles Gabriel, todos estavam apontando para mim, me fazendo sentir pior do que já me senti em toda minha existência. Me disseram que era minha culpa, que eu estava plantando duvidas e desejos em seus seres... Disseram que estavam pensando em cair e deixar o céu a fim de sentir... O que eu e Dean compartilhamos.

Gabriel revirou os olhos, visivelmente entediado.

_Castiel tem uma razão para eu ter transformado Dean em uma garota e não o irmão dele.

_E qual a razão? Pensei que fosse apenas para lhe fazer te respeitar.

_Acha mesmo que ele seria capaz de fazer isso?

_O Dean...

_Parem de falar de mim como se eu não tivesse aqui! – disse cruzando os braços com raiva.

Gabriel revirou os olhos mais uma vez. Encarou Dean e então sorriu grandemente, como se soubesse algo que mais ninguém ali soubesse, fazendo o loiro arquear as sobrancelhas.

_Hmm. Dean, Dean, Dean. – e levantou do sofá onde estava sentado. Castiel fizera a gentileza de lhe libertar dos selos enochianos usados para lhe prender. – Você está quase lá, com isso de aceitação. – e apontou para o corpo feminino do loiro.

_Ah, seu bastardo! – Dean teria rachado Gabriel no meio se Sam não tivesse segurado o frágil corpo dele. – Quando eu te pegar, você...

_Tem... Tem uma coisa que eu não te contei irmão. – Castiel falou cortando a discussão, olhando na direção dos três e eles se voltaram para o moreno.

_E o que é? – o arcanjo perguntou impaciente.

_O Pai estava lá. – disse baixinho. – Ele falou comigo.

_O que? Você viu Deus lá em cima? – Gabriel sorriu ao perguntar, sentindo o coração palpitar.

_Sim, Ele está de volta, irmão. – respondeu. – Papai voltou pra casa. – e viu os olhos de Gabriel encherem-se de lágrimas.

O Pai acabaria com toda aquela guerra. O Pai faria com que o céu voltasse a ser um lar novamente para todos os seres alados.


N/a: Olha só o que eu achei: http:**/theangeloflord**.tumblr**.com**/post/**523 97769779 (tirem os **, caso tenha algum erro, mandem uma PM que eu passo o link), é o post que eu me inspirei pra fazer a fic, eu finalmente consegui achar de novo *O*

N/a²: Obrigada pelos review's, desculpem a demora, prometo não sumir por muito tempo de novo =D Eu sei que não tem nada a ver com a fic, mas eu estava dando uma olhada no Face e vi em uma fã Page que a Danneel postou no twitter que a Princess Ackles nasceu no dia 30 de Maio, então, parabéns para o Papai Jensen.

O nome da bebê é Justice Jay Ackles! (meio impossível não pensar em Padackles – admito).