Esperanza y Corazón


Marina, você levou tudo consigo.


Para PP, de aniversário antes do aniversário


Prólogo

Grandes Esperanças

Ainda que o tenha feito, esforço-me para recontar nossa história. Mas às vezes quando reflito, paro para pensar se apenas não inventei isso tudo por sentir-me sozinho demais. No final, seja qual for a resposta, Marina, eu não a tenho. E carrego você comigo como se fosse a luz de minha inspiração.

Minha promessa foi mantida até o fim. Durante o decorrer do dia em que me sentei na beirada daquele penhasco olhando para a praia onde eu e German jogamos suas cinzas (o seu lugar favorito no mundo) escrevi febrilmente cada detalhe da história que você não pôde terminar. Remontei os cenários pelos quais passamos, a sensação de choque quando senti seus lábios tocarem os meus pela primeira vez e o desespero de ter o mundo fugindo aos meus pés quando você partiu.

Embora não esteja presente de corpo, sinto que está em todos os lugares olhando por mim. A catedral que lhe prometi também foi construída. Deixou de ser uma maquete e tornou-se tão viva quanto sua presença em mim. Pensar assim é a única forma que tenho para viver. Acreditar que de alguma forma, aquele espaço de sete dias no qual desapareci do mundo, foi real.

Sua catedral foi minha primeira grande construção e depois dela, jurei a mim mesmo que jamais construiria outra novamente. Aquela seria única como você foi para mim, Marina. Pois em minha vida nunca existiu mais ninguém. Apenas espaços vazios, mulheres sem nome ou rosto. Nenhuma como você, com seu altivismo e força de vontade. Nenhuma com sua beleza ou com o brilho cinzento de seus olhos. Os olhos que, como você inteira, aprendi a amar.

Fechei o livro de nossa história e estava indo embora quando aquele homem apareceu. Tinha nos lábios o sorriso doce de um menino, mas em seus olhos queimavam um ódio que até então desconhecia. Vestia-se em um terno italiano recortado e seus pés calçavam mocassins de valor imensurável, como um verdadeiro cavalheiro da década de 50. Por um momento senti-me perturbado, como se ele tivesse invadido o espaço que deveria ser apenas nosso.

Pareceu ler meus pensamentos, pois sorriu gentilmente para mim enquanto aproximava-se em passos felinos. Passou pela minha mente que não havia ouvido barulho algum de automóvel ou de passos e um arrepio instalou-se em minha nuca, embora aquele estranho emanasse uma aura extremamente apaziguadora.

- Não se preocupe, amigo. Não estou aqui com a intenção de roubar seu espaço. – murmurou em um tom de voz cantado e olhou-me nos olhos. Senti que era devorado por aquele olhar e desviei o rosto para não ter que encará-lo.

- Não sou o dono desta praia. – respondi com um tom mais frívolo do que imaginava. O estranho apenas riu de maneira audível. A risada de uma criança, tão gostosa de ser ouvida.

- Certamente não, mas é um homem cheio de carisma e vontade de viver. – olhava-me novamente e eu outra vez não quis sustentar seu olhar, mas desta vez quem riu fui eu. – Disse algo engraçado?

- Deve estar me confundindo com outra pessoa, senhor... – apertei meus olhos e por um momento o sol me cegou. Somente então notei o broche de um anjo preso à lapela daquele misterioso estranho.

- Corelli. Andreas Corelli. – estendeu a mão enluvada para mim e apertei-a. Por um momento senti uma onda de choque percorrer meu corpo e afastei a mão instintivamente. Ele era frio como um cádaver.

- Oscar Drai. – murmurei baixo, ainda me recuperando do choque. Tentei me convencer de que aquilo era apenas minha imaginação.

- Amigo Drai, estou certo de que é sim a pessoa que procuro. Uma pessoa como você, tão cheia de vida, só pode carregar grandes esperanças. – olhava na direção do mar, mas tive a impressão de que olhava além disso. Como se fosse capaz de enxergar o mundo além do horizonte.

- Esperanças são para aqueles que ainda possuem desejos, senhor Corelli. E se me dá licença... – estava prestes a me retirar quando a mão dele tocou meu ombro. Novamente senti aquela estranha sensação de ter um calafrio percorrendo meu corpo e olhei em sua direção.

- Estou certo de que ainda possui algum desejo, Oscar Drai. E estou certo de que posso realiza-lo se fizer algo por mim também.

Antes que me desse conta do que estava acontecendo, já estava enfeitiçado pelo seu olhar. Mas não importava o quão rico aquele homem fosse ou quantas coisas pudesse me oferecer. A única coisa que eu queria, aquela que eu mais desejava eu não poderia ter.

- A não ser que tenha o poder de trazer de volta os mortos, não há negócios que eu possa fazer com você, Andreas Corelli.

Talvez meu tom tenha soado rude, mas Corelli não se deixou intimidar. No lugar disso, sorriu para mim e apertou-me o ombro como se entendesse minha perda.

- Grandes esperanças, amigo Drai. – entregou-me um cartão e deu as costas caminhando pelo mesmo lugar que eu havia vindo. Foi então que reparei no veículo parado mais adiante. Um Rolls Royce branco no mais perfeito estado. Uma relíquia em tempos como aquele.

Baixei meus olhos para o cartão e o li rapidamente.

ANDREAS CORELLI

Construtor

Construit de la Lumière

Boulevard Saint-Germain, 69, Paris.

No verso havia uma anotação escrita à mão.

Querido Oscar, a vida é feita de grandes esperanças. Quando estiver pronto para transformar as suas em realidade, entre em contato comigo. Estarei esperando. Seu amigo e admirador,

A.C

Olhei naquela direção, mas o Rolls Royce já havia partido.

- Grandes esperanças... – murmurei comigo mesmo. E por um momento, somente por um momento, acreditei que poderia tê-la comigo novamente, Marina. Mesmo que apenas em sonhos.

N/A:

Então, eu decidi que ia postar essa fic hoje, porque eu não sei se vou conseguir entrar na internet no dia do seu aniversário, filha. Eu venho planejando essa fic há meses e eu não tenho mais do que um capitulo - fora o prólogo - pronto, mas eu resolvi postar mesmo assim. A ideia é de uma fanfic que envolva personagens d'O Jogo do Anjo e de Marina, mais precisamente, o Oscar. Eu não sei se a fanfic em si é boa, mas eu espero que você goste. Eu me esforcei muito pra fazer ela, e eu só conseguia pensar em você enquanto escrevia, porque voce me trouxe pra esse mundo. Voce me fez sonhar que um dia eu poderia escrever de verdade. Eu te amo, filha. E eu gostaria de poder estar mais presente. Você é tudo de especial pra mim s2