Parte 2

Castle acordou sentindo falta dela ao seu lado. Levantou-se ainda zonzo à sua procura, achando que Kate havia mudado de idéia e ido embora no meio da noite. Porém ao sentir a doce amargura do aroma de café vindo até seu quarto, sabia que ela estava lá embaixo. Vestiu um hobby azul marinho, sorrindo ao perceber que as roupas dela ainda permaneciam no chão onde ele as havia abandonado. Uma onda de excitação percorreu o corpo dele ao imaginá-la andando sem roupas pela sua casa e então decidiu ir ao seu encontro com aquelas imagens em sua mente.

...Subi uma de minhas mãos até a altura do zíper do vestido. Por mais que fosse do estilo "tomara que caia" nada é mais sensual que descer um zíper lentamente e assim sentir a pessoa que você gosta se entregando a você, principalmente quando ela virou as costas para mim. Foi naquele momento em que eu sabia, this girl is mine...

...Lentamente deixei o vestido escorregar até o chão, e sobre cada ombro despejei um beijo. Era o meu modo de dizer obrigado. Quando ela se virou, seu rosto estava um pouco ruborizado, e com uma das mãos e parte do braço tentava cobrir os seios. Era como se ela tivesse tentando esconder a cicatriz de mim, a cicatriz que ao mesmo em que me amargurava por ela ter sofrido tanto, me lembrava de que não era apenas ela quem escondia um segredo. Talvez eu devesse contar a ela, mas não era hora pra isso. Não agora que eu tenho essa mulher a minha frente...

Ao terminar de descer as escadas percebeu que ela não estava na cozinha e que certa claridade vinha do seu escritório. Por um breve momento, ao ouvir o som da porcelana quebrando-se ecoar pelo apartamento, Rick sentiu suas pernas fraquejarem, mas imediatamente elas o guiaram para lá, enquanto rezava para que aquela tragédia não tivesse acontecido.

- Kate...

Foi tudo o que Castle conseguiu dizer, ainda parado próximo à porta, contemplando Beckett analisar o último slide de seu quadro, que havia acabado de se abrir. Ela continuava de costas para ele, olhando a foto do senhor de certa idade naquele esquema, querendo saber quem era ele e qual sua ligação com o caso de sua mãe, gravando cada linha de expressão de seu rosto, para procurá-lo e fazer, ela mesma, as perguntas que se formulavam em sua cabeça como uma avalanche.

- Kate... – falou ele mais uma vez, indo na direção dela, mas parou ao se assustar com o tom daquela voz.

- Me diga que você não fez isso...

Era um tom vazio, mecânico, amargurado e desacreditado. Kate apertava os próprios punhos como se tentasse puxar as rédeas de si mesma, ao mesmo tempo em que, com dificuldade, conseguiu expulsar aquelas palavras de sua boca. Ela ainda encarava o quadro eletrônico, mas, agora, observava o reflexo de Castle no mesmo. Os olhos dele com uma expressão de surpresa misturada com espanto, e ela podia vê-lo mover os lábios, mas nenhuma palavra saia. Pela primeira vez alguém que dependia das palavras para viver, não conseguia encontrar nenhuma.

- Kate... Eu... Eu... Posso explicar...

A voz dele desferia pequenos golpes em sua alma e ela fechou os olhos impedindo algumas lágrimas de cair. Era tudo verdade. Castle havia feito coisa bem pior do que mentir para ela. Ele havia lhe traído de uma maneira suja e egoísta, omitido informações. E tudo isso enquanto a via definhar dia após dia atrás de respostas. Respostas que ele tinha em mãos. Sua realidade não fazia mais sentido, muito menos suas lembranças.

... Castle empurrou para a lateral a renda preta daquela peça íntima e, lentamente, introduziu um dedo, depois dois, fazendo com que Kate se movimentasse em direção a ele, arfando sob os ombros largos, enquanto suas unhas desenhavam pequenos riscos nas costas dele, incentivando-o. Sua boca passeava sobre seus seios, sugando-os e deixando-os ainda mais estimulados. Era incrível o que aquele homem sabia fazer com a boca. Lentamente ele começou a descer os beijos em direção à barriga dela, trilhando para um caminho mais perigoso e, agora, onde antes haviam dedos brincando, uma língua incrivelmente sedosa e habilidosa trabalhava, fazendo-a gemer quase que instantaneamente. Era tudo o que ele precisava ouvir. Em algum momento ela ficaria um pouco envergonhada de seu pequeno gemido, mas agora... Agora não... Agora era hora de aproveitar cada instante que ele estava lhe proporcionando. Com movimentos circulares Castle começou a estimular ainda mais o seu clitóris, alternando com pequenas sugadas, e era nesse momento que ela se entregava ainda a ele...

Reunindo alguma força que ela não tinha, Kate saiu apressadamente do escritório em silêncio. Não ousaria olhar para ele. Não queria encarar a face de um mentiroso que dizia que a amava quando escondia dela o que era de mais importante em sua vida. Subiu pelas escadas correndo, entrando no quarto dele, batendo a porta com força em busca de alguma privacidade. Arrancou a camisa dele de seu corpo, sentindo-se enojada e vestiu sua própria roupa, enquanto lutava contra as lágrimas que, mesmo sem permissão, escorriam por sua face.

Ao abrir novamente a porta, quase esbarrou nele que falava volumosamente algo que ela não entendia, nem queria entender. Ele andava atrás dela esbanjando explicações, mas o som da voz dele só estava deixando ela ainda mais nervosa. O fato de estar na casa dele, e de ainda sentir o peso do corpo dele sobre o dela estava simplesmente enlouquecendo-a. Precisava sair dali, precisava de ar. O último lugar que queria estar era com ele, ou com algo que se relacionasse a ele, e nesse momento tudo o conseguia pensar era como nunca mais queria ver Richard Castle em sua frente outra vez. Ela já ia em direção à porta quando o braço dele a impediu de continuar.

- Kate... Por favor...Espere...

O mundo dele parou no momento em que Beckett observou a mão dele sobre o seu braço e lentamente elevou os olhos para encará-lo. Seus olhares não desviaram nenhum instante, elevando a tensão entre eles a um nível sufocador. Pela segunda vez, não era a tensão sensual e sim aquela mesma tensão como se mais uma bomba fosse explodir. A mesma tensão do dia em que ele falou sobre ela se esconder no caso de sua mãe. Beckett manteve aquele olhar e então Rick não conseguiu dizer mais nada. Não adiantaria, não naquele momento. Ela ainda não estava pronta para entender que, apesar de tudo, ele havia se afundado nisso muito mais do que ela.

Beckett saiu pela porta sem expressar absolutamente nada. Não esperou o elevador e assim ele a viu desaparecer descendo as escadas. Ele poderia ter isso atrás dela, mas sabia que tudo que ele fizesse naquele exato momento só serviria para piorar qualquer coisa. Era muita informação para um único dia, ela precisaria de tempo.

Castle encostou a porta, frustrado, jogando-se no sofá, pensando no que faria a partir de agora. Esfregou um pouco o rosto para tentar entender o que havia acabado de acontecer. Pelo menos os segredos estavam todos revelados, não no momento em que ele havia planejado, mas... O pensamento dele se perdeu quando percebeu que o casaco dela ainda estava ali, e inconscientemente trouxe-o para perto de si respirando o aroma dela impregnado naquele tecido. Rick suspirou fundo e esperava sinceramente que aquele último olhar não fosse um olhar de adeus. Já estava sentindo falta dela.

...Kate estava quase entrando em seu clímax quando o puxou para cima novamente. Ela queria beijar sua boca, ansiava por sentir seus lábios novamente e, enquanto o beijava, foi invertendo as posições. Hora de ela ficar por cima, afinal ela era a policial ali. Beckett o beijou mais uma vez , descendo os seu beijos em direção ao membro pulsante que ela sentia abaixo dela. Ela estava completamente nua, mas ele ainda tinha algum tecido, e ele, por baixo dela, em sua cueca boxer, não passava de um cordeirinho... Ela riu. Usaria essa jogada depois e então, após livrá-lo daquele pedaço de pano, tratou de se deliciar com o instrumento à sua frente, em movimentos frenéticos e alguns truques que apenas ela sabia fazer com a boca. A cada movimento diferente que ela fazia, um suspiro a mais era dado por ele e isso e dava a ela a certeza que precisava para saber que estava indo no caminho certo. Por mais que ele estivesse maravilhosamente adorando, ele sabia que a noite não era dele. Mesmo sabendo que era de ambos, ele queria que fosse dela, então lutou contra todas as suas forças e a trouxe para cima invertendo a posição enquanto a beijava outra vez.

Beckett saiu daquele prédio completamente atordoada. Como alguém que age mecanicamente entrou em seu carro, ligou o motor e acelerou, sem se importar em dar ao veículo um destino apropriado. As ruas estavam desertas e os semáforos desligados permitiam que a detetive seguisse sem rumo entre as ruas, deixando que o ronco do motor forçado cortasse o silêncio da madrugada. A visão dela era confusa, embaçada pelo líquido salobro que banhava seus olhos e alguns metros ela se permitiu percorrer de olhos fechados apenas apertando o volante com força, na tentativa de fazer seu corpo parar de tremer.

Em algum lugar parou o carro, desligando-o e finalmente se permitiu chorar. Abraçou o volante em desespero e quando o ar começava a lhe faltar, tentava voltar à posição anterior para voltar respirar. Os pensamentos estavam confusos, sem sentido e tudo o que ela podia fazer era esperar que aquela crise de nervos passasse. Talvez estivesse exagerando reagindo daquela forma, mas ele sabia como aquilo era importante para ela, o quanto o fato de nunca ter pego o assassino de sua mãe a maltratava dia após dia. Egoísta ou não ela preferia morrer de uma vez por todas, do que ver sua vida consumida dia após dia por esse caso sem solução. Achou até que havia conseguido superar, mas agora, todo seu esforço havia ido por lágrimas e mentiras abaixo.

- Sentir o seu gosto é muito bom... - disse ele sussurrando em seu ouvido. - Mas sentir o meu gosto em sua boca a torna ainda mais especial. – continuou dando- lhe uma leve mordiscada no lóbulo de sua orelha.

Castle posicionou-se entre as pernas de Kate introduzindo-se nela devagar e sem se desviar um segundo dos olhos dela. Ele a viu ruborizar com um novo tremor e então, com movimentos leves, ele começou suas investidas sobre ela. Por mais que ela quisesse ficar a noite toda olhando para aquele mar azul a sua frente, seus olhos a traíram se fechando para se deliciar ainda mais com o momento. Castle aumentava a sua investida, causando uma onda de prazer cada vez maior para Kate, e se maravilhava ao vê-la se entregar mais e mais. Era como se ela possuísse uma expressão diferente a cada segundo.

- Mais forte Cas... – ela tentou pedir, mas ele a impediu descendo sua boca sobre a dela.

- Shhh... Apenas aproveite o momento minha querida... - disse ele, beijando-a enquanto aumenta gradativamente o seu próprio ritmo.

Ela sorrira entre seus lábios quando o ouviu dizer "minha querida" era um sorriso de satisfação, um sorriso que ele se acostumaria facilmente a fazer ela lhe dar, um sorriso diferente dos outros, um sorriso dele, apenas pra ele...

Agora, ela se sentia como uma idiota, como uma menina que havia sido enganada pelo homem mais velho. Ela também havia mentido para ele, mas o caso dela era diferente ou, pelo menos, era o que ela tentava se convencer. Não saberia dizer quanto tempo passou ali, mas logo o sol do amanhecer cortava o céu de Nova Iorque, indicando que mais um dia de trabalho começava. Ironicamente, na tentativa de se afastar de tudo que lembrava o escritor, seu cérebro a traiu e ela se encontrou com o carro estacionado no mesmo píer, onde há alguns meses ela quase teria morrido afogada, se não fosse ele ter salvado sua vida. Mais uma vez.

Ainda com o coração amargurado e as feridas pulsando em seu corpo, Beckett precisava voltar para casa, e seguir para mais um dia de serviço. Assim, voltou para o seu apartamento tomando um rápido banho e, trocando de roupa, dirigiu-se para a delegacia como se nada tivesse acontecido. Como se ele, nunca tivesse acontecido. Ela já estava acostumada a fingir. Era uma excelente jogadora de pôquer e uma detetive exemplar. Blefar era algo que ela sabia fazer muito bem. Conduzir uma boa história, fazendo com que todos acreditassem, forçando discretamente um suspeito a confessar um crime, era especialidade dela, mesmo sem a ajuda de Castle. Droga, Castle. Ela esperava que ele não estivesse lá. Aquele era um território dela e a partir de agora só dela. Não teria mais porque dividir absolutamente nada com ele. Esperava que ele entendesse isso sem que ela precisasse ser indelicada com ele.

Chegou ao trabalho super atrasada e, mesmo com sua incrível indisposição e magnífica dor de cabeça, sua postura parecia inabalável. Exceto quando viu... Ele... Aquilo... Lá... Em cima de sua mesa... Seu café... Droga...

- Yo, Beckett! – disse Esposito animadamente. – "Writer Boy" pediu pra avisar que não poderia ficar hoje, mas trouxe seu café. - falou ele sentando-se sobre sua mesa.

- Muito obrigada, mas pode ficar com ele. Já tomei meu café. - ela mentiu, tirando o copo da Starbucks de sua frente.

- Sei... - o detetive falou, tentando acreditar no que ambos diziam. - Posso ficar também com o bilhete?

- Que bilhete? - disse Kate, empalidecendo quando viu o pequeno papel chacoalhando na mão do amigo.

"Sinto muito por tudo. Por favor, precisamos conversar. Me perdoe. RC"

Esposito, que estava com uma expressão divertida no rosto, imaginando que teria algo sujo escrito naquele bilhete que não se atreveu a ler, preocupou-se ao ver as lágrimas que rolaram pela face de sua amiga, enquanto ela fechava os olhos amassando o papel, antes de jogá-lo no lixo.

- Vocês dois estão bem? – perguntou ele, ao vê-la sentar pesadamente em sua cadeira.

- Eu realmente não quero falar sobre isso, Espo. - disse ela, limpando os olhos e começando a remexer alguns papéis. - Eu preciso trabalhar.

- Claro, eu entendo. - falou ele entristecido, por saber que algo havia acontecido entre seus amigos.

Ele a deixou sozinha e foi então que Beckett olhou para a cadeira vazia de Castle, enquanto prendia um cacho de seu cabelo atrás da orelha e mais uma vez foi remetida as lembranças da noite anterior.

... Kate estava sobre ele, após trocarem de posição, e com as duas mãos soltou o coque que estava preso no alto se sua cabeça, deixando assim os cabelos ondulados tomar conta de seu pescoço. Quando uma mecha daqueles fios sedosos veio para frente de seus olhos, ele suavemente a pegou prendendo-a atrás da orelha dela, escorregando a mão para a nuca puxando-a para um beijo. Era incrível como ele não conseguia ficar muito tempo sem beijá-la. O prazer de saborear os seus lábios era simplesmente algo indescritível...

Com a outra mão que estava sobre sua cintura, começou um novo ritmo. Seus corpos ansiavam por mais uma aventura prazerosa. Eles simplesmente deixavam-se levar, hora com movimentos circulares, hora com movimentos suaves de ir e voltar. A cena que ele tinha à sua frente, com certeza seria eterna: ela posicionada sobre ele com as mãos sobre a sua barriga, com a cabeça jogada para trás, a boca entreaberta e os olhos fechados, seu longo pescoço o convidando-o a beijá-lo. E foi o que ele fez. Levantou o seu tronco para chegar mais próximo dela, e como se fossem um desenhado para o outro, Kate jogou suas pernas ao redor dele, cruzando-as em suas costas, trazendo-o para mais próximo...

Beckett podia lidar bem com os fatos, mas o que mais lhe afetava sempre eram as lembranças. Parecia que sempre o passado dela acabava sendo melhor do que o presente que sempre era a sombra de um futuro que ela tinha medo de enfrentar.

continua...


Notas da autoras: Músicas que acompanham com capítulo:

1° música: Greg Laswell - This Woman's work

2° música: Bethany Joy Galeotti & Tyler Hilton - When the Stars Go Blue