Musicas: When a heart breaks - Ben Rector.

Souber - Pink.


Os dias se passavam e cada vez que ela chegava à sua mesa, já encontrava aquele recipiente esperando por ela. Sempre havia um bilhete com o mesmo pedido de desculpas e de uma oportunidade para conversarem, que ela sempre insistia em ignorar. Mas nesse dia algo estava diferente. Não havia bilhete. Apenas aquele copo de plástico indicando que ainda mais uma vez ele se lembrou dela, enquanto que em mais um dia ela tentava esquecê-lo. Parecia estar sendo difícil para os dois. E aquele dia em especial, estava trazendo à tona tudo o que não deveria ser revivido.

- Eu te amo, Kate... – arfou ele contra seus cabelos, enquanto deslizava os dedos pelo suor do corpo nu dela, ainda sobre o seu. Ela também tremia, com a respiração entrecortada que espalhava o seu hálito adocicado pelo rosto dele, convidando-o à provar seus lábios mais uma vez. Trocaram beijos breves, suaves mordidas e então um sorriso se formou no rosto dois como um pedido simultâneo para o descanso, após aquelas horas de prazer ensandecido. Ele deitou-se lentamente trazendo-a com ele, não deixando de ter o contato da pele dela contra a sua, como se qualquer distância, ainda que mínima, fosse acordá-lo daquele sonho que era ter Kate Beckett em seus braços. Arrumaram-se entre os lençóis que os cobria pela metade e em silêncio, dentro de alguns minutos, cada um adormecia ouvindo a respiração calma do outro, embalando o repouso deles como amantes.

Já fazia uma semana desde a última vez que haviam se visto e não, ele não ligou. Apesar das dezenas de vezes em que pegou o telefone querendo apenas ouvir a voz dela. Também não apareceu no trabalho. Sabia que ela precisava de tempo, embora tudo o que ele quisesse fosse alimentar sua visão daquela beleza e seu olfato com o aroma dela. Sim, aquele cheiro que ainda permanecia impregnado em seu travesseiro, desde que a fez transpirar sobre ele. O doce aroma de cerejas que fazia todo seu corpo pulsar sem controle, sedento por tê-la em seus braços mais uma vez.

Maldita semana. Estaria tudo perfeito se não fossem aqueles últimos dias. Então ela não estaria agora num canto de um bar, depois do terrível dia de trabalho, tentando apagar o calor que percorria todo seu ser ao pensar no nome dele. Tentando evitar cada tremor que só a lembrança dos lábios dele em seu corpo disparava. A forma como o som da voz dele, gemendo seu nome, estava gravado em sua mente só fazia com que ela o odiasse ainda mais. E tudo por uma única razão.

- Ele mentiu, e não é um segredo qualquer – dizia ela com um copo de whisky na mão olhando para frente, como se houvesse alguém ali. – Ele escondeu evidências sobre o caso da minha mãe.

Beckett bebeu o último gole de álcool que descia rasgando sua garganta como se fosse uma navalha buscando assim uma forma de punir a si mesma por ser tão.. tão... Nem mesmo ela sabia o que ela estava sendo.

- Meu Deus, eu preciso esquecê-lo! – e assim ela baixou a cabeça tentando se convencer do que dissera.

Mas, cada vez que pensava nisso, ouvia a si mesma gemendo o nome dele, enquanto mordia os próprios lábios, em uma desesperada tentativa de impedir a assombrosa lembrança de todo o prazer que ele tinha lhe dado em apenas uma noite. Precisava aprender a odiá-lo para não cair de novo em seus braços, para não ofegar seu nome quando despertava excitada no meio da noite, para não admitir a terrível maldição de que, apesar de tudo, ela ainda o amava.

Pagou a conta e voltou para casa dirigindo, após convencer a si mesma de que ainda estava sóbria. À medida que a bebida ia fazendo efeito no seu cérebro, Beckett pisava cada vez mais no acelerador e, após percorrer alguns minutos em uma velocidade que ela só usava pra perseguir suspeitos em fuga, parou em frente ao prédio. Desligou o motor do carro e, entrando no ambiente, apertou o botão do elevador, desejando o mais rápido possível afundar em sua banheira de espuma quente e cremosa. Seu corpo vibrava com aquelas recordações e a bebida, em vez de apagá-las, só as tinha deixado mais intensas.

- Merda. - pensou, brigando com a fechadura que teimosamente não aceitava sua chave.

Irritada, lançou as chaves do outro lado do corredor, jogando o corpo contra a porta ao mesmo tempo em que se deixava escorregar pela mesma, sentando-se ali. Misteriosamente ela ouviu a fechadura destrancando-se. Kate levantou-se rápido, virando-se para finalmente entrar em casa, quando se deparou com a figura que abrira a porta para ela.

- Castle? – falou ela, achando que estava vendo coisas. – O que está fazendo na minha casa?

- Sua casa? – disse ele, percebendo que ela estava alterada. – Beckett... você bebeu?

- Algumas doses, mas não mude de assunto. O que faz aqui? – falou ela cruzando os braços, tentando manter a compostura.

- "Aqui" é a minha casa. Mas parece que alguém está bêbada demais para perceber isso. – disse ele, em um tom ironicamente divertido.

Ela revirou os olhos, enquanto ele tentava não sorrir do estado em que sua parceira, ex-parceira nem mais ele mesmo sabia, se encontrava. Kate, no entanto, não estava achando graça nenhuma de ter sido enganada por sua própria mente e então, como se nada tivesse acontecido, deu as costas para Castle. Pegou as chaves do chão e, ainda um pouco tonta pelo movimento brusco, apertou o botão do elevador apoiando a mão na parede, esperando que Castle não tivesse notado seu momento de fraqueza devido à bebida. Mas foi em vão.

- Ei, aonde a senhorita pensa que vai? – falou Castle, segurando no ombro de Kate fazendo-a virar- se para ele.

- Pra minha casa. – disse ela, tentando não assimilar o cheiro dele que invadia suas narinas.

- Nada disso, você não vai sair assim. – protestou Rick, conduzindo-a para dentro de seu lar.

- Porque não? – argumentou ela. – Eu já dirigi até aqui. Posso muito bem chegar até lá.

- O único "lá" que você vai conseguir chegar nesse estado é no cemitério, e sinceramente, não tenho boas recordações de lá. Entre, eu vou lhe preparar um café.

Ela poderia dizer que não precisava, mas afinal ele tinha razão, jogou-se no sofá soltando um suspiro frustrado, escondendo o rosto entre as mãos perguntando-se ainda como diabos havia ido parar ali. Parecia uma grande brincadeira de mau gosto do tal "universo" que Castle sempre mencionava. Castle. Seu plano original era nunca mais vê-lo, mas agora ela ainda estava ali, esperando ele lhe trazer um pouco de café. Que grande ironia.

- Aqui, beba. – disse ele, colocando a xícara bem diante do nariz dela para ter certeza de que ela veria o recipiente.

- Argh, Castle! – reclamou ela, quase cuspindo o café de volta. - Isso está doce demais!

- Tome tudo. – ele empurrou a xícara nas mãos dela. – No estado em que você está, glicose é tudo que você precisa, vai te fazer bem.

Beckett tentou engolir tudo de uma vez só para que aquela tortura terminasse mais rápido, e por pouco não vomitou aquela porcaria que Rick havia lhe servido. Parecia que ele havia feito de propósito. Ambos esperaram alguns minutos e então ele puxou assunto.

- Precisa de um remédio pra dor de cabeça?

- Não, obrigada. – disse ela, levantando-se agora menos desorientada. - Preciso ir pra casa.

- Kate... – ele tocou em seu braço. - Por favor... Espere...

Era isso. A mesma cena se repetindo bem diante deles. Aquele toque que a deixava vulnerável, gerando uma energia maior do que ela podia suportar. Aquela troca de olhares que o deixava confuso, refletindo a sombra de uma grande mágoa, ao mesmo tempo em que emitia o brilho de alguém que cobiçava o objeto de desejo à sua frente. E então, sem aviso prévio, as duas bocas se encontraram. Castle puxou-a pela cintura e ela o prendia pela nuca aprofundando o beijo, fazendo os dois gemerem um contra o outro, sentindo toda a vibração daquele desejo que tentaram abafar durante aquela terrível semana.

Um fio de lucidez passou pela mente de Castle e, mesmo a desejando com uma voracidade incrível, ele tentou parar. Beckett ainda estava meio alta e ele não queria que ela pensasse que se aproveitou da situação para tirar vantagem dela, mas quando ela meteu a mão por dentro de sua calça, pressionando-o, ao mesmo tempo em que sugava seu pescoço, ele sentiu sua sanidade se esvaindo por entre os dedos dela.

Kate, em sua inconsistência alcoólica, também achou que deveria se afastar. Precisava na realidade, mas tudo o que ela conseguia raciocinar naquele momento era o quanto sentia falta do corpo dele em contato com o dela e então, o provocou fazendo com que agora as mãos de Rick percorressem o corpo dela, colando-o ao seu, na tentativa de evitar que ela pudesse sair de seu alcance. Sentia falta daquele homem tomando-a para si, possuindo-a daquela forma que só ele sabia fazer. Foi só uma noite, apenas uma noite, mas ambos sabiam que um pertencia ao outro. Sim, ela também desejava aquilo tanto quanto ele.

Era como uma luta de forças em que não haviam opostos se atraindo, mas duas pessoas regidas pelo mesmo sentimento buscando receber e dar o máximo de si uma para a outra. Castle dançava suas mãos por debaixo da blusa dela, sentindo a carne quente e macia, enquanto ela retirava o próprio casaco. Ela queria ser dele, tanto quanto ele a queria novamente.

Felizmente, estavam sozinhos mais uma vez naquele imenso loft. As mulheres daquela casa haviam ido passar o fim de semana em Hamptons enquanto Rick permaneceu em casa tentando escrever alguma coisa. Mas agora ele estava fazendo algo infinitamente melhor do que escrever sobre ela.

O escritor retirou a blusa que ela vestia, e antes mesmo que pudessem se livrar daquele sutiã branco, ele estava levando um dos seios dela à boca, fazendo-a ofegar e envolver ainda mais o seu corpo no dele. As mãos dela tremiam no desespero de tirar a roupa dele, e então ela simplesmente rasgou sua camisa, ao mesmo tempo em que Castle enrolava suas mãos em seus cabelos, puxando-a pela nuca de volta aos seus lábios para saboreá-los com fúria mais uma vez.

Com passos calmos, Castle a conduziu para próximo ao piano, como se de dançassem em meio a grande sala. Não desejava tomar aquela mulher no chão ou em um desconfortável sofá, mas a queria ali, em um lugar relativamente alto, em que pudesse vê-la com perfeição. As fotos que ali ficavam acabaram espalhadas pelo chão e nem mesmo o barulho de objetos caindo os atrapalharam. O que estavam sentindo, o transe em que se encontravam era maior do que qualquer outra coisa. Maior até, quem sabe, que eles mesmos.

Kate ainda lutava contra a calça dele, gemendo ao sentir a própria língua sendo sugada e antes que pudesse pensar em algo o sentiu abrindo o zíper de sua calça jeans procurando tocá-la urgentemente de todas as formas possíveis. Ela não reclamou, ao contrário. Permitiu que, lentamente, sua vestes deslizassem por suas longas pernas, apoiando-se nos ombros dele, dando um sorriso alto quando ele a elevou para posicioná-la sobre aquele instrumento.

A expressão "divina" seria quase um pleonasmo para ele, quando interrompeu o beijo e a viu sentada sobre o piano. Os olhos dela selvagens, brilhando de paixão e desejo e o corpo dele exalando a mesma essência. Ele ainda tentava entender por que essa pessoa que estava seminua em sua presença tentava lutar contra algo que seu corpo clamava, mas hoje, esse exato momento ele tinha a certeza de que tudo se acertaria.

Castle ainda tinha os braços dela em sua nuca, e os dele em volta da cintura dela. Ele rompeu o pouco espaço que havia entre seus corpos apossando-se de sua boca, e levando a mão que estava na cintura em direção a região mais baixa. Quando os dedos dele a encontraram molhada, movimentando-se agora dentro dela, ela arfou quebrando o beijo e ao perceber que ele deslizava sua língua pelo seu pescoço, sua única reação foi arranhar seus ombros puxando-o contra si mesma, buscando senti-lo em todas as partes.

Sim, Beckett estava lúcida, sabia de todos os seus atos, jamais poderia culpar a bebida por ter se jogado em seus braços. Isso é o que mais pesaria em seu coração. Em mais um breve momento de sanidade ela pensou, apenas pensou em afastar o corpo dele do seu. Para o seu subconsciente ela estava errada, não poderia se entregar daquela maneira, a uma pessoa que julgava não ser de confiança, mas todos esses pensamentos se afastaram quando Castle deitou o corpo dela sobre a tampa do piano, traçando um longo caminho de beijos e de sugadas até o fim de seu abdômen.

Beckett gemeu inclinando levemente o seu tronco diante da sensação de tê-lo sugando-a íntima e avidamente como tanto desejara sentir outra vez. Os movimentos dele eram ágeis e incrivelmente melhores do que ela se lembrava, e então ela cravou as unhas nos cabelos dele na tentativa de assumir algum controle, mesmo sabendo que já havia perdido há muito tempo. Seu corpo parecia adquirir vida própria seguindo o ritmo da boca de Castle e logo ela estava jogando a cabeça para trás colapsando em tremores e gemidos, enquanto Rick bebia do seu prazer com um sorriso nos lábios.

Ele a puxou de volta, segurando-a firmemente pela cintura, impedindo seu corpo amolecido de vacilar, enquanto voltava a beijá-la, dessa vez suavemente. Kate lançou os braços ao redor do pescoço dele escondendo o seu rosto e Rick deslizava os dedos pela carne macia das costas nuas de Beckett, trazendo um arrepio gostoso à pele da detetive que se permitiu sorrir. Ele soube naquele exato momento em que ela não lutaria mais contra o que surgia nas vidas deles, acreditando que a partir de agora lutariam por algo concreto.

Castle a tomou no colo, levando-a para o quarto, o mesmo onde se amaram pela primeira vez. Imediatamente ambos foram
levados de volta àquela primeira noite e a recordação foi igualmente dolorosa para os dois. Ele a depositou na cama, nua. Deitou-se sobre ela, e mesmo que ele ainda estivesse vestido com sua calça, Beckett podia sentir o quanto ele ainda estava ansioso por pertencer a ela. Respirando o aroma dos cabelos dela, Rick sussurrou em seu ouvido.

- Eu ainda amo você, Kate...

Continua...


Notas das Autoras: Espero que estejam gostando da fic, semana que vem tem mais.