Notas: As músicas escolhidas estão no meio da fic, dessa vez não vou colocar os links por o comeu os outros links com farinha. Espero que gostem.


Alla mia ettá - Tiziano Ferro

Um raio rompeu o céu da cidade de Nova York, anunciando que essa seria mais uma noite chuvosa. Entretanto, para Beckett, seria apenas uma noite qualquer em que ela esgotaria todas as suas forças no saco de areia à sua frente. Talvez nem tivesse notado a chuva se uma pequena, mas não imperceptível, queda de energia tivesse ocorrido. Ela segurou o saco diante dela como se assim pudesse colocar a sua linha de raciocínio no lugar novamente. Mais um raio, e as gotas que antes eram quase inaudíveis se tornaram mais fortes, e com isso mais uma queda de luz ocorreu, demorando um pouco mais, dessa vez, para que a energia voltasse.

Beckett ficou encarando o teto e próximo às lâmpadas como se assim apressasse o funcionamento do gerador de energia. Seu coração ainda batia rápido e sua respiração estava ofegante, e agora que havia parado de lutar, sentia levemente as mãos latejarem, mas sabia que isso era devido à intensidade com que havia deferido os golpes no instrumento, e que assim que voltasse a se movimentar essa dor estaria , pelo menos essa.

A luz voltou, e com ela a sombra de um corpo que estava encostado na parede em um canto pouco iluminado, que via e gravava cada movimento da policial.

Direita, esquerda, direita, esquerda, esquerda, desvia, agacha, direita de novo e chute!
Direita, esquerda, direita, esquerda, esquerda, desvia, agacha, direita, direita e gira chutando!

A cada golpe ele podia ver uma pequena expressão de ódio no rosto dela. Às vezes, também podia jurar que um pequeno sorriso se formava, principalmente quando ela acertava a sequência com mais intensidade do que a anterior. Não precisava ser um gênio para saber que no fundo, a cada soco e chute que Beckett dava naquele saco era a imagem dele que ela estava imaginando. Castle suspirou. Mais uma vez havia feito de tudo para protegê-la, e em momento algum se arrependeu disso. Não seria agora, que ainda tinha o cheiro dela preso em suas entranhas, que iria se arrepender de todas as suas ações.

Ele a observava já há um tempo razoável, vendo nitidamente que suas forças estavam esvaecendo, mas o seu ritmo continuava. Seria uma forma de ela punir o seu corpo? Isso era algo que ele não poderia afirmar, mas sabia que dali por diante o que era um exercício para pôr para foras as emoções contidas, agora seria uma forma de punição.

Direita, Esquerda, Direita e...

Ela parou. Respiração completamente desritmada, abraçando o saco de areia de onde buscava forças para não cair de joelhos no chão. Cansada de lutar contra o aparelho e contra si mesma, sentou-se sobre os próprios pés, suas mãos apoiando no joelho, e gotas de suor caindo em cima de suas mãos. Uma após outra, começava a encharcar suas luvas, escorrendo por entre seus dedos, revelando que o que antes era a transpiração de um corpo desgastado, agora eram lágrimas de um coração ferido.

Sim, lágrimas finalmente liberadas dentro daquele choro abafado que amenizava a dor que a dilacerava por dentro, e lhe dava apenas uma imensa vontade de gritar. E então ela gritou, e o choro se tornou mais violento, convulsivo, onde as mãos apertavam com força os próprios punhos, e o corpo arqueava em busca de ar.

Como se nada precisasse ser dito, e não precisava mesmo, ele entendeu do que aquilo se tratava, mesmo que ela ainda estivesse de costas para ele. Era perturbador vê-la daquela forma, sabendo que ele era o causador de sua ferida, e sabendo ainda mais que poderia curá-la se ela simplesmente o aceitasse, aceitasse a si mesma. Imediatamente Castle deu um passo à frente, querendo tocá-la, desejando ardentemente tomá-la em seus braços, mas seu corpo parou ao vê-la se levantar.

Tentando se recompor e procurando desacelerar os batimentos, Beckett caminhou a passos lentos até sua bolsa e, pegando uma garrafa de água, degustou devagar o liquido jogando um pouco sobre sua nuca, refrescando-se.

- Isso deveria ser um treino privado, sabia? – disse ela, irritada ao perceber que ele permanecia lá e olhando para o outro lado da sala, tentava disfarçar sua expressão afetada pelas emoções.

Sim, ela havia notado a presença dele. Kate agora estava ali sozinha, ironicamente, com quem mais procurava evitar. Ela tentou ignorá-lo como alguém que ignora uma assombração até que ela simplesmente desapareça, mas não foi o que aconteceu.

- Não precisa ser... – disse ele com a voz suave, tentando se aproximar.

- O que você quer, Castle? – ela o interrompeu, guardando a garrafa em sua bolsa.

A distância entre eles era pouca. Rick podia sentir o sangue dela pulsar dentro de seu corpo e, por mais que estivesse suada, a única essência que ela exalava era de cerejas. Pelo menos era a única que ele sentia, provavelmente porque ainda conseguia sentir cada parte do corpo dele vibrando com os toques dela da última noite.

I won't give up - Jason Mraz

As gotas de suor ainda passeavam pelo corpo dela como as gotas de orvalho sobre a fruta madura, convidando a boca faminta para a degustação. E então sem cerimônias e ao mesmo tempo sem pressa nenhuma os lábios dele provaram novamente o sabor daquela pele quente e macia.

Ele depositou um beijo no ombro esquerdo dela e Kate estremeceu. Logo as mãos dele estavam na cintura dela, enquanto ele subia beijos pelo pescoço fazendo-a gemer mesmo contra sua vontade. Castle a pressionava com o seu corpo e ela podia senti-lo pulsando de desejo, e isso só aumentava ainda mais a sua própria necessidade. A boca dele agora estava a milímetros dela, mas não, ele não a beijaria. Ele queria que ela o beijasse, e assim utilizava outras formas de provocá-la. Kate tentava impedir as mãos dele, mas falhava miseravelmente, pois cada movimento brusco dela só tornava o toque dele mais firme em seu corpo.

- Castle... – ela gemia, na intenção de protestar.

- Eu não vou parar... – falava ele, dominando-a cada vez mais. – Nem você... – arfou ele, sentindo o calor úmido do centro dela entre os seus dedos.

- Vai me forçar, Castle? – disse ela, em tom de desdém.

E então ele parou encarando-a desacreditado e, finalmente, se afastando dela. Sim, dessa vez ela havia ido longe demais.

- Castle...

Ele não respondeu, apenas continuou caminhando para fora daquele ambiente.

- Castle... – ela o alcançou fazendo-o parar.

- O quê? – disse ele livrando-se dela com raiva.

- Me desculpe... Eu... Eu não quis dizer isso...

- Ah, não? Pois eu acho que você quis dizer exatamente isso. – ele falava profundamente enojado por ela cogitar tal possibilidade. – E se você acha que eu sou esse tipo de homem, você realmente não me conhece e então acabamos por aqui.

Castle virou as costas para ela outra vez e bastou apenas um segundo para ela puxá-lo de volta. Sem mais argumentos Beckett esmagou os lábios dela contra os dele em um beijo furioso cheio de paixão e desejo. Aquilo também representava um pedido de desculpas, um grito de socorro, o início de um adeus. Se encararam por poucos segundos, milésimos até que ele correspondeu na mesma intensidade e logo ela envolveu a cintura dele com as pernas rendendo-se a todos os toques que ambos precisavam desesperadamente ter.

Encostando-a na parede, ofegaram juntos e aproveitando que a boca dela estava ansiando por ar ele a tomou novamente em um beijo frenético e desesperado. Os dois sentiam o corpo um do outro como se dependessem urgentemente daquilo. Castle começava a percorrer o pescoço de Beckett com lábios e dentes, que daqui algumas horas demonstrariam mais uma vez a intensidade do amor que eles sentiam.

- Está sentindo isso Kate? – perguntava ele ainda beijando o colo do pescoço , com suas mãos passeando pelo corpo dela e indo a caminho da camiseta que usava. – seu corpo se curvando ao meu? Se rendendo aos meus beijos? Isso é o seu corpo, dizendo que eu mando nele, assim como... eu mando no seu coração.

- Cala a boca... – falou ela, não querendo ouvir nem admitir sua própria verdade.

Nesse exato momento a camiseta de Beckett fora jogada do outro lado do salão, normalmente ela não permitiria isso, uma vez que a qualquer momento alguém poderia entrar ali, mas esse jogo perigoso de serem pegos, fazia com que o tesão de ambos aumentassem.

Kate arfou quando sentiu as mãos de Rick passeando pela sua pele nua e inevitavelmente gemeu ao sentir um de seus seios ser envolvido pela boca esfomeada daquele escritor. As mãos dela o traziam pra perto e o corpo dela roçava no dele cada vez mais excitando-o e incentivando-o a prová-la. Novamente ele mergulhou nos lábios dela enquanto ela desabotoava o zíper de sua calça jeans e então foi a vez de Castle gemer quando sentiu aquela mão macia e habilidosa tomando conta de si mesmo.

Ele precisou se apoiar com uma das mãos contra a parede para não sucumbir aquele toque perfeito e com dificuldade
conseguiu dizer.

- Não podemos continuar isso aqui... – disse ele se afastando muito pouco daqueles lábios vorazes. – Alguém pode aparecer e...

Beckett o calou passeando a sua língua pelos lábios dele e, sem quebrar o beijo, conduziu-o para o vestiário feminino que ficava convenientemente próximo dali. Antes mesmo que ela pudesse terminar de trancar a porta pelo lado de dentro, Castle a segurou por trás mordendo a ponta de sua orelha e fazendo-a gemer outra vez quando uma das mãos dele a tocou por entre suas pernas. Uma das mãos dela o puxou pela nuca e o beijava com fome ao passo que a outra mão dela conduzia a mão livre dele para tocar em seu seio.

Os toques eram complementares e não demorou muito para Beckett sentir sua pele arrepiar e sua carne tremer diante do modo preciso que Rick tocava seu corpo. Ela gemeu alto quebrando o beijo e expondo a pele do pescoço ao jogar a cabeça levemente para trás, pele essa que ele tratou de devorar enquanto sentia uma a uma as contrações dela através de seus dedos.

Castle esperou que ela se recuperasse um pouco, mas não muito. Ele precisava dela urgente e então ele a virou para ele, sem deixá-la longe de seu corpo. Os olhos dela vibravam de desejo e sua respiração ainda estava confusa quando ele perguntou.

- Me diga o que você quer, Kate. – disse ele, tentando domar o seu próprio desejo.

- Eu quero mais... – sussurrou ela antes de beijá-lo outra vez.

Com apenas um movimento ele a depositou num lugar alto livrando-a finalmente das últimas peças de roupa enquanto Kate retirava sua camisa e calça. Ele tomou os lábios dela mais uma vez e com as duas mãos, uma de cada lado de seu rosto aprofundou o beijo. Kate usou suas pernas para trazê-lo para mais perto e com uma das mãos o guiou para dentro dela, surpreendendo-o e fazendo ambos rirem.

- Eu senti sua falta... – disse ele, encostando a testa na dela, sentindo o enorme prazer de tê-la outra vez.

- Eu também... – gemeu ela, incentivando-o a começar os movimentos.

Castle começou devagar, como se degustasse de cada milímetro daquele corpo em contato com o seu. As mãos femininas passeavam pelas costas dele e vez por outra o puxavam contra ela numa forma silenciosa de dizer que o queria completamente. E então cada vez mais fundo os toque se tornaram mais confusos e ao mesmo tempo mais ritmados, os gemidos mais altos e também mais abafados, e o prazer daquela alegria se perdia na dor daquela tristeza que fazia os dois ter a certeza de que aquela seria a última vez.

Ambos tremiam ainda colados e os suores molhavam os dois corpos deixando as marcas e a essência daquela paixão na alma e na mente daqueles amantes. Beckett se mexeu e Rick ainda tentou mantê-la no lugar, mas ele sabia que não seria assim. Mais uma vez ela iria embora, como se outra pessoa assumisse sua identidade. A Beckett cheia de vida e de paixão que acabara de se entregar a ele, agora dava lugar a uma Beckett fria, de olhos vazios e semblante pesado.

- Kate... - chamou ele, enquanto ela juntava a própria roupa do chão. – Eu não vou desistir da gente.

Os olhares se encontraram devagar, mas rapidamente a resposta dela ecoou baixo pelo lugar.

- Mas eu sim.

Lentamente ela se afastou e mesmo sem olhar para trás destrancou a porta, deixando apenas o som metálico quebrar o silêncio e o coração dos dois.

Continua...


Nota das Autoras: Peço desculpas pela demora, final de semestre em faculdade, e uns encontros e desencontros entre eu e a JustforStana, na hora de escrever, mas os outros caps não demoraram tanto assim, espero que gostem. e comentem.