Capítulo 6
Desperate - Stanfour
Kate após vestir-se, desceu correndo pelas escadas da delegacia praticamente deserta. Mais uma vez tinha fraquejado, feito algo que não deveria apesar de querer com cada célula do seu corpo. Ela sempre soube que se relacionar com Richard Castle seria complicado, mas jamais imaginou algo nesse nível. Oscilava entre o amor e o ódio em questão de segundos e o que ela lutava desesperadamente para consumar, era exatamente o que a consumia segundos depois.
Castle ficou ainda perplexo tentando encontrar o resto da sua dignidade que ele havia acabado de jogar fora mais uma vez. Recolheu suas roupas amassadas que estavam espalhadas pelo chão e, ao vestir de volta sua camisa, fechou os olhos amaldiçoando-se a si mesmo. O cheiro dela estava impregnado ali, assim como em todo o seu corpo. Furioso, Castle descontou sua raiva no armário que estava à sua frente machucando-o com seus punhos assim como estava machucado o seu íntimo.
- Até quando? – murmurou ele, irritado consigo mesmo e com toda aquela situação.
Sua mente o torturou trazendo à memória a resposta que ele mesmo tinha dado a ela por tantas vezes. Always.
Suspirando fundo, Rick saiu apressado, se controlando para não gritar o primeiro nome dela em seu ambiente de trabalho. Ele a seguiu até o estacionamento semi - deserto e pode vê-la parada ainda tentando destrancar o próprio carro. As mãos dela tremiam muito sacudidas pelo seu corpo que se abalava pelas lágrimas que rolavam por sua face.
O temporal havia dado uma trégua e agora uma chuva fina caía delicadamente por toda cidade, ao mesmo tempo em que o vento frio cortava a noite. Ele se aproximou devagar, com seu casaco ainda por vestir, magoado por ainda estar ali, mas sabendo que doeria muito mais simplesmente deixá-la ir embora e, talvez, para sempre.. Castle a tocou e então ela estremeceu afastando-se dele e resmungando baixinho.
- Castle, vá embora.
- Não... – lamentou ele.
- Vai me dizer o que eu quero saber? – falou ela encarando-o.
Ele sabia que aquela era a pergunta que sempre seria a recepção dela para ele. Uma pergunta apenas e várias respostas poderiam ser dadas. Porque ele estava ali, porque tinha mentido para ela, porque simplesmente não ia embora, porque ainda a amava.
- Não vou dizer nada, minha posição continua a mesma. – desse ele de forma firme e ríspida. - O que eu fiz foi pelo seu bem, e que fique bem claro que em momento algum eu me arrependo disso...
- Meu bem, Castle? – ela o interrompeu novamente. - Você entrou na minha vida do nada, mexeu no caso da minha mãe, fez todo esse sentimento ressurgir, esse sentimento que eu lutei – ele pode sentir a voz dela falhar por um leve momento – para guardar por que estava acabando comigo, um sentimento que vocêfez voltar, e agora que eu tenho uma pista segura, que finalmente vai colocar um ponto final em tudo...
- Um ponto final em sua vida! – foi à vez de ele a interromper - Por que é isso que o que vai acontecer com você Kate! Se eu lhe der essa pista isso vai colocar um ponto final na suavida!
- Você sabe o quanto eu venho me preparando pra isso, você melhor que ninguém sabe o quanto!
- Kate... Entenda de uma vez, isso é muito maior do que eu havia imaginado quando mexi no caso de sua mãe. Maior que você, maior que Montgomery... Não faça a morte dele ter sido em vão...
Rick estava cansado de argumentar. Ela podia sentir esse cansaço na voz dele, Mas se desistisse fácil, essa não seria Kate Beckett. A ardente necessidade de descobrir o real assassino de sua mãe a consumia de tal forma que ela não conseguia nem queria pensar direito.
- Você não pode entrar na vida de alguém, mudar tudo a sua volta e pensar que está tudo bem! Você foi quem abriu essa ferida, você me trouxe informações, você com esse seu jeito egoísta de viver e achar que o mundo deve girar ao seu redor por que é um rostinho bonitinho e famoso! – ela caminhou próximo a ele olhando fundo em seus olhos, sem desviar ou menos piscar – Eu avisei pra você ficar fora, mas você não me escutou, agora você me deveisso!
As coisas pareciam estar se repetindo mais uma vez, mas agora, tudo estava tão imensamente diferente entre eles que não saberiam até quando poderiam suportar as investidas um do outro. Kate Beckett estava conseguindo deixá-lo louco. As palavras eram fortes. Impensadas ou pensadas demais onde as grandes mentiras se misturavam com meias verdades e tudo o que era dito se tornava uma poderosa arma de destruição. Porque era tão difícil que ela entendesse. E se fosse ele? Ela o deixaria correr para frente de batalha, entregando sua vida em uma causa que ela sabia que era perdida?
- Eu fui um egoísta? Sim, eu fui! Um egoísta, que achava que podia lhe ajudar, e sou mais egoísta ainda ao dizer que não vou entregar a pessoa que eu amo de verdade nas mãos de um lunático, que não tem medo de suas ações. Sou egoísta por não lhe dar a informação, mas sou egoísta por que te amo. - ele arfava nervoso. - Então se você quer se matar, pegue a sua arma e enfie uma bala na sua cabeça, e talvez eu aprenda a viver com isso, mas não peça para que euenfie essa bala por você, por que é exatamente isso que eu estarei fazendo se falar algo.
As palavras dele doíam e, além disso, trouxeram lembranças daquela terrível noite no hangar onde o Capitão Montgomery se sacrificou por ela. Estas foram exatamente as últimas palavras de Roy antes de entregar a sua vida por essa causa. Isso em vez de fazê-la pensar em desistir, pelo contrário, só aumentou a sua necessidade de vingança e o seu desejo de fazer justiça. Como uma detetive de homicídios ela não conseguia aceitar que um assassino ficasse solto por aí protegido pelo simples medo de que matasse mais gente. Mesmo que pudesse ser ela a próxima vítima, Beckett tinha que fazê-lo pagar.
Castle agora tremia, assim como ela, com o semblante decaído, frustrado. Aproximou-se um pouco mais, lutando contra a vontade simplesmente esquecer tudo e arrancar a mulher que amava de seu coração, mas sabia que não era isso que ele realmente queria. E mesmo se quisesse, não conseguiria.
- Você vai mesmo insistir nesse caso, Kate? – sussurrou ele, ainda sem acreditar. – Vamos ter de novo essa conversa?
Kate parou e ficou encarando-o com uma cara de incrédula. Ele sabia melhor do que ninguém o quão importante é para ela desvendar todo esse mistério. Por causa disso, ela mudou toda a sua trajetória, para ter a paz que os investigadores da época não tiveram como lhe dar.
- Sim. De novo. SEMPRE, Castle. Isso sempre vai ser a conversa entre nós dois até que você decida ser transparente comigo. Porque, caso contrário, eu não posso confiar mais em você! – ela bradou. – Eu não posso ficar ao lado de alguém que esconde as coisas de mim. Você não pode ser meu parceiro, você não pode ser meu amigo, você não pode ser nada para mim Castle!... – Ouve uma breve pausa, um suspiro que só ele escutou, uma busca por uma força que ela não tinha... uma tentativa de.. – Acima do que eu posso sentir por você, precisa haver confiança entre nós dois. E se nós não podemos ter isso, então não podemos ter nada. – Ali estava, mais uma vez , ela simplesmente desistindo de tudo.
Era difícil para Beckett falar aquilo. Deus, como doía ter que se negar repetidas vezes ao que ela sentia por Castle. Não era um sentimento comum, uma simples paixão adolescente, não. Ela o amava e agora cada vez mais sabia que era recíproco. Kate o amava, antes mesmo de conhecê-lo, quando era apenas o autor dos livros que a ajudaram a superar o caso de sua mãe. O que ela sentia por Castle era forte e tinha aumentado durante esses quatro anos juntos, mas aquela tragédia marcou a sua vida por trezeanos e definiu quem ela era. Ela não saberia nem mesmo como caminhar sem esse propósito e se Castle não conseguia entender isso...
- Kate... – disse ele, segurando o rosto dela entra as mãos e milagrosamente ela não se afastou. – Vamos esquecer tudo, colocar uma pedra em cima disso e deixar no passado. Me deixe ficar ao seu lado por favor. Eu sei que você também me ama.
I need to know - Kris Allen
Castle parecia estar se tornando repetitivo, mas essa era uma verdade a qual ele não poderia negar. E nada do que ela fizesse parecia que iria mudar isso, mas, no pensamento dela, ela precisava afastá-lo e sabia exatamente como.
- Amor? – ela riu, utilizando o ataque como defesa. - O que você entende de amor? Um cara que se envolveu com mulheres fúteis, que a única coisa que estavam querendo era um capítulo em seu próximo livro, um papel no seu filme, ou uma noite na sua cama?
Beckett se desvencilhou dele, aumentando a distância. Tê-lo próximo a ela, o calor da discussão não estava fazendo com ela conseguisse argumentar sem ter as suas lembranças remetidas as noites anteriores... a momentos anteriores... as palavras e gemidos pronunciados...
- E o que você, Katherinne Beckett entende de amor? Você já realmente amou alguém na sua vida? Alguém que quanto mais você tenta esquecer, mais essa pessoa impregna na sua mente? Alguém que faz todo o seu corpo pulsar em desespero quando está dormindo e pior ainda quando está acordado? Alguém que faz você querer viver mais um dia apenas pelo simples fato de saber que essa pessoa existe e que ela ainda está... viva?
Houve então silêncio. Castle olhava nos olhos dela, mas Beckett não expressava nenhuma reação. Fora a vez de a detetive ficar sem palavras, mas ele ainda esperava que ela dissesse algo. Ele precisavaque ela falasse algo.
- Eu quase te perdi naquele dia Kate... – disse Rick, cortando o silêncio que o devorava. - Foi uma dor que nunca senti antes. Quando Josh veio me acusar no corredor e querer me bater, eu... – disse ele pausadamente suspirando – Eu não iria revidar, deixaria que ele me batesse, por que ele estava repleto de razão. Se eu não tivesse feito nada daquilo, você não teria ficado na mira e ido parar naquela mesa de cirurgia. Eu pulei na sua frente, na intenção de levar o tiro por você. Eu fiquei com você nos meus braços, enquanto esperava a ambulância chegar. Eu vi você fechar os olhos e vi o meu mundo desmoronar quando você chegou ao hospital desacordada, por que o meu mundo... – ele suspirou novamente, indo na direção dela, a emoção presente no seu tom de voz.- Meu mundo é você, Kate. Como você acha que eu me senti, pensando que se eu não tivesse remexido no caso de sua mãe e descoberto pontos que você nem sabia que existia, você poderia estar viva, e não correndo risco de morte em uma sala de operações?
Por um momento, Beckett se viu baixando a guarda. Toda aquela história de tiros e a morte de Montgomery ainda mexiam com ela e querendo, ou não, tudo aquilo estava de uma forma ou de outra relacionada à Castle. Ele e a mania que ele tinha de querer ser uma espécie de super-herói que a protegia dos bandidos e de todos os risco, quando na verdade, ela era a policial de arma nas mãos. Esse dever era Castle iria entender que ela poderia se virar sozinha?
- Por favor... - Castle ainda se esforçava para tentar reverter a as coisas. - Entenda que existem coisas que eu não posso falar. Não sem colocar em risco a sua segurança.
- Pro inferno com a minha segurança! – ela gritou, virando-se para ele. – Essa é a minha vida, Castle! Minha vida!
Bastava. Isto já havia passado dos limites.
- Não, não é a sua vida! – disse ele, enlouquecido. - É a minha vida também! Você me lançou uma espécie de maldição quando eu te conheci e eu não consigo mais respirar direito sem pensar em você. – Castle levava as mãos à cabeça. - Passei um ano como um cachorro que abana o rabo pro seu dono, na esperança de que você me desse a resposta do que eu havia dito a você! – ele disse, magoado. - Meu Deus, eu disse o que eu sentia, mas você mentiu para mim e se escondeu mais uma vez. Porque é isso que você é, Kate, uma mentirosa que se esconde das oportunidades que a vida te dá para ser feliz. A grande detetive Beckett não passa de uma covarde egoísta...
Ele parou de falar quando sentiu uma das mãos de Beckett atingir com força o seu rosto. Ele não sabia de que forma a distancia diminuiu entre eles, mas quando ele sentiu a mão dela em seu rosto, foi como esse tivesse voltado para a realidade.
Para Kate fora um impulso, fora um ato impensado, onde os nervos estavam à flor da pele e aquela tapa, que ainda ardia suas finas mãos, doeu muito mais em sua própria alma d
o que na face daquele escritor. Quando Rick virou o rosto e conseguiu ver a dor nos olhos dela. Viu a mágoa, a fúria. Viu também a paixão que fazia as palavras dele cortarem como navalha, fazendo com que ela tremesse, enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto ao mesmo tempo em que não controlava a própria respiração.
Castle, movido por um impulso, devolveu o ataque beijando-a com violência contra o carro, envolvido por aqueles mesmos sentimentos. Era um beijo sofrido, cheio de rancor, mas também repleto de desejo. Kate pensou em mordê-lo para que se afastasse, mas no momento em que seus lábios se entreabriram, a língua dele procurou a dela preenchendo sua boca por completo. A próxima coisa que Beckett se deu conta foi de estar gemendo contra os lábios dele puxando-o contra ela pelo cinto da calça jeans.
Sua mente processou devagar e ao mesmo tempo rápido que estavam em um lugar público, em especial, no estacionamento do local de trabalho deles. Beckett o empurrou com força.
- Eu odeio você! – disse ela, ao contrário do que seu coração mandava, olhando com raiva nos olhos dele.
- Não, você não odeia! E você sabe disso!
Kate não aguentaria mais uma discussão e se afastou, saindo rapidamente dali, deixando a chave de seu carro ainda pendurada na fechadura. Castle ainda tentou mas não conseguiu ter mais argumentos. Apoiou-se no carro dela, e antes que a chuva engrossasse uma lágrima rolou por sua face. Dessa vez ele não iria atrás. Parecia finalmente ter desistido.
Poucos minutos haviam se passado, quando um raio anunciou a chegada de mais horas de tempestade, e trovejou misturando-se ao som de um tiro que ecoava pelo lugar. Meio segundo depois, outro tiro rasgava o silêncio da noite de Nova Iorque.
Continua...
Nota das Autoras: Desculpas pelo atraso galera, é que vida de estudante e trabalhadora não esta muito fácil, e acaba faltando tempo. mas o outro capítulo está quase pronto já! logo logo nós postamos!
Mas músicas estão no meio novamente! espero que gostem... e COMENTEM!
