Eu juro que não sei qual o problema do FF com a minha pessoa, já tentei postar lindo, já tentei colocar símbolos, até pacto com demônio eu estou quase tentando, mas o FF continua comendo os meus links com farinha, então na música estará apenas em negrio seguido de Itálico, para vocês sabem, espero que curtam...
Parte: 8
9 Crimes - Damien Rice.
As horas se passavam e Kate continuava sentada naquela sala de espera. Sua reação era a mesma desde que chegou ali: as duas mãos segurando o casaco manchado com o vermelho do sangue de seu parceiro e o olhar perdido entre o final da parede e o início do chão. Ela não sabia quem havia avisado a família de Castle, que já estava de volta à cidade. Talvez tivesse sido ela mesma ou apenas tivesse fornecido os telefones, mas o fato é que agora elas estavam ali ao seu lado. Entretanto, Kate não conseguia encará-las.
Nem mesmo quando misteriosamente Esposito e Ryan chegaram Beckett falou algo. Seus pensamentos rodavam assim como sua cabeça e estômago e ela se esforçava para se concentrar na tentativa de não descompensar ali mesmo. A situação já era tensa demais para que alguém adicionasse uma carga dramática a mais na cena.
Beckett odiava hospitais, e esse em particular. Era o mesmo no qual ela havia sido atendida há quase um ano atrás e agora, ironicamente ela estava sentada no mesmo lugar onde Castle havia ficado enquanto esperava notícias sobre o estado dela. Literalmente, Beckett estava no lugar de Rick.
A aflição da falta de informações assombrava a sua mente que lhe remetia àquele terrível dia. Sim, ela ainda se lembrava, mesmo que em seu subconsciente do som das ambulâncias, daquelas vozes que a incentivavam a não desistir. A confusão tomava conta dela e por um momento ela se sentiu entrar em um túnel onde tudo o que o podia ouvir era o barulho das sirenes e o toque da mão de Rick segurando firme a sua mão, entre o vai e vem dos paramédicos, como a única forma que ele tinha de não permitir que ela partisse. O pânico se apoderava cada vez mais dela, até que uma voz masculina clareou a sua visão.
- Família Castle? - disse um senhor aparentemente velho, vestido ainda com a roupa cirúrgica.
- Sim... - a mãe e a filha disseram em uníssono.
- Como meu pai está? Ele já saiu da cirurgia? O que aconteceu? Nós já podemos ir vê-lo? Porque ninguém nos diz nada? - Alexis perguntava desenfreadamente.
- Eu sinto muito, mas seu pai ainda não saiu da cirurgia. Estamos fazendo de tudo para estabilizá-lo, mas ele perdeu muito sangue e... Ainda corre risco de vida. - o médico fez uma pausa. - Precisamos saber se vocês conhecem alguém que tenha sangue "O negativo"...
- Eu tenho... - Martha e Esposito logo se prontificaram em doar o sangue.
Ambos seguiram o médico, que prometeu aos outros mais notícias, deixando apenas Ryan, Alexis e Kate.
- A culpa é sua! - falou Alexis sabendo exatamente o que falava.
Aquelas palavras atingiram Kate em cheio.
- Alexis... – disse Ryan tentando amenizar a situação, mas Alexis de desviou dele, parando na frente de Beckett.
- Você como policial deveria protegê-lo - a menina apontava o dedo na cara da mulher, se esforçando para não aumentar o tom de voz. – Você devia estar do lado dele e não deixá-lo por ai sendo vítima do mesmo psicopata que matou sua mãe... Era você que deveria estar lá dentro...
- Alexis, já chega! – Ryan finalmente conseguiu puxar Alexis para o lugar dela.
A ruiva se sentou, colapsando em lágrimas enquanto o policial loiro tentava descobrir o que fazer. Kate, que ainda não havia tido nenhuma reação, continuava sentada enquanto digerindo tudo o que Alexis tinha acabado de dizer. Sabia que em partes ela tinha razão, por que ela o tinha pressionado a dizer a verdade e o envolvido em toda essa situação. Se ela não tivesse forçado...
- Eu vou consertar isso, Alexis. - disse com a voz rasgando sua garganta. - Eu realmente sinto muito.
Beckett esperava que a menina, apesar de toda a dor na qual estava mergulhada, entendesse que aquilo não era uma desculpa automática de alguém cheio de culpa. Alexis sabia que Kate podia ser boa com as palavras uma vez que o trabalho dela exigia isso, mas essa era a única forma que a detetive conseguia se expressar naquele momento. Usando aquelas palavras gastas, tanto quanto seu relacionamento com Richard. Tão gastas agora quanto seu coração.
Era muito difícil para Beckett ver a dor nos olhos de Alexis. Queria poder abraçá-la e dizer a ela que tudo ia ficar bem, mas como fazer isso se nem mesmo ela conseguia acreditar nessa possibilidade?
Beckett conseguiu levantar-se, mesmo sem confiar nas próprias pernas, mas não podia ainda encarar Alexis. Seguiu cambaleante para a porta do hospital ignorando o amigo que tentava chamar o seu nome. Na porta do prédio o vento frio lhe assombrou mais uma vez e ela não soube mais o que fazer. Ficou parada ali até que uma voz amiga lhe surpreendesse.
- Oh, minha menina, eu vim o mais rápido que pude. Como nosso menino está? – disse Lanie agoniada.
- Ele...ainda está...na cirurgia. - respondeu Kate mecanicamente.
- Oh Deus... – a ME deixou escapar entendendo a gravidade da situação. - Como você está?
A legista já conhecia muito bem sua amiga para saber que ali não havia mais ninguém, só um corpo cansado precisando urgentemente de repouso. Beckett tinha o olhar perdido e o casaco de Rick ainda em mãos, segurando-o com força, como se de alguma forma aquilo criasse uma conexão com o escritor e o mantivesse vivo.
- Kate, você precisa soltar isso. – falou Lanie, tentado tirar a roupa de Rick dos punhos de Beckett, sem sucesso. – Okey, então, pelo menos me deixe levar você pra casa. Você não está em condições de dirigir.
Recebendo um quase imperceptível aceno de cabeça ela conduziu Kate até o seu carro. Antes que entrasse no veículo Beckett se apoiou na porta do passageiro suando frio em desespero e tremendo muito. Vomitou ali mesmo. Depois, chorou. Um choro sofrido, magoado que lhe roubava o entendimento, o ar, as próprias forças.
- Oh Kate... – falou Lanie, tentando consolar a amiga. - Você precisa ser forte. Ele vai sair dessa você vai ver.
Lanie conseguiu colocar Kate no carro e depois mandou torpedo para Esposito.
[i]"Estou levando nossa menina para casa. Kate não está nada bem. Mantenha-me informada. - Lanie."[/i]
Ao chegarem em casa Lanie organizou o banho para a amiga e logo em seguida foi até a cozinha tentar fazer algo para Kate comer. Não havia muita coisa já que Beckett sempre preferia comer na rua ou pedir a comida pronta, mas ainda assim conseguiu encontrar um pacote de chá e algumas bolachas. Arrumando tudo em uma bandeja a médica voltou para o quarto onde encontrou Beckett de cabelos molhados vestida apenas com um roupão de banho sentada com as costas na cabeceira da cama.
O tecido marrom ainda sujo de sangue estava em cima da cadeira em frente à sua cama, e Kate olhava para ele com seus olhos fixos. Aquelas manchas vermelhas eram as marcas de sua sua própria teimosia. Agora ela acariciava o lençol branco de sua cama, aquele mesmo lençol que ainda possuía o cheiro de Castle, ou talvez fosse ela que não tivesse conseguido tirar o cheiro dele de seu corpo. Uma mistura de colônia e sangue.
- Você precisa comer alguma coisa. - disse a médica ao ver a policial rejeitar o alimento.
- Eu não consigo comer nada, Lanie... – falou ela, mergulhada naquela deprimente situação.
- Beba pelo menos um pouco de chá... Vai fazer você se sentir melhor...
Beckett finalmente pegou a xícara em suas mãos mas logo seu celular vibrou com uma sms. Inconscientemente o recipiente com o chá tremia em suas mãos antes mesmo de ela conseguir clicar para ler a mensagem e por pouco o aparelho não caiu de suas mãos desgovernadas. Lanie logo depois pegou o telefone para saber do que se tratava já que Kate não conseguia pronunciar uma só palavra.
"A cirurgia acabou, mas o estado dele é delicado e será internado na UTI. Visitas só amanhã. Tente descansar um pouco. Nos falamos depois. - Javi."
- A culpa é minha. - a detetive murmurou baixinho encarando a porcelana com o líquido já frio.
- Menina você sabe que não é assim. – Lanie a impediu de se culpar. - Castle parece uma criança às vezes, mas ele sabe o que quer. E quando ele quer algo ninguém tira isso da cabeça dele. Ele sabia dos riscos, mas mesmo assim ele escolheu ficar lá. Por ele mesmo.
Lanie ainda não sabia toda a história. Ninguém sabia ainda, e isso é o que fazia exatamente Beckett ter certeza de quer era responsável por aquilo.
- Vamos tome o chá e tente dormir. Amanhã nós vamos vê-lo bem cedo e chutar o traseiro dele por nos ter assustado desse jeito.
Beckett tomou o líquido adocicado e logo depois adormeceu pelo efeito do sedativo, que a amiga tinha colocado secretamente em sua bebida. Lanie saiu do quarto sem fazer barulho e mandou um sms de volta para seu colega.
- O quão grave é o estado dele? Não me esconda nada... Beckett dormiu.
Cinco minutos depois veio a resposta.
"Ele está em coma."
Continua...
Notas das Autoras: Gente acreditem, esse capítulo foi mais difícil de achar uma música do que escreve-lo, então espero que realmente tenham escutado com a música, para poder entender como estava a mente da Becks naquele momento, Obrigada por todos os comentários até agora. e continuem comentando, semana que vem tem mais! Beijos. ah! Bom surtos com a premier de Castle 5x01
