ATENÇÃO GALERA: Para não gerar muitas duvidas igual o capítulo passado, eu vou explicar uma coisa: GENTE MUITA ATENÇÃO NO TEMPO DA FIC, POR QUE HOUVE UM RECUOU NO TEMPO DE UM SEMANA, ATÉ O DIA EM QUE ELA ESTAVA NA PORTA DO APARTAMENTO DELE, ENTÃO INICIA O CAPÍTULO A UMA SEMANA ATRÁS.


MÚSICA: WHERE I STOOD – MISSY HIGGINS


UMA SEMANA ATRAS.

"Os passos firmes de um homem que estava à sua frente era a única coisa que conseguia ouvir. Seu corpo sentia os pingos gelados da chuva e uma dor enorme o invadia por dentro. Podia sentir o sangue escorrendo do seu peito, mas a única coisa que o acalmava era o barulho daqueles saltos se aproximando. Os saltos dela..."

- Kate... – sussurrou ele, ainda ligado à máquina de eletroencefalograma.

Pelas últimas leituras que foram tiradas, suas atividades cerebrais indicavam que ele esteve sonhando e, pelo nome que ele chamava em cada um desses momentos dava muito bem a entender quem era a protagonista desses sonhos. Ela. Isso era algo que se repetia pelos últimos dois dias. Acordava, chamava por ela, e voltava a dormir.

Os médicos diziam que isso era "normal", pois o trauma que ele sofrera fora muito grande, e que cada paciente se recuperava de uma maneira, esboçava uma reação diferente. A única coisa que a família podia fazer era esperar, pois pouco a pouco Castle parecia estar se recuperando de seu coma. Mas Martha sabia que aquilo tudo não era apenas pelo trauma que ele sofrera. Era como se o subconsciente dele o avisasse do que estava acontecendo. Kate havia desistido deles. Era como se seu subconsciente estivesse preparando seu coração para ser partido mais uma vez.

"... Ele a viu colocando o casaco sobre o peito dele. Nesse momento ele teve certeza que algo estava muito errado. Os olhos dela eram de puro desespero, o mesmo desespero que ela tinha nos olhos quando teve atirar no único suspeito que encontraram há cinco anos atrás, quando o cara tinha Castle como escudo... O desespero de perder alguém".

- Richard... Sou eu, sua mãe... – disse Martha pegando a mão dele entre as mãos dela – Shh... querido, descanse – ela tentava calmar o seu filho.

Era a terceira vez naquele dia em que ele acordava com pesadelos a respeito do ocorrido, e mais uma vez, como em todos, os outros ele estava chamando pelo nome dela.

"Uma grama verde, um sol escaldante, uma confusão, pessoas gritando, o pânico no ar, mas algo estava errado. Ele estava no chão com Beckett sobre ele, vestida causalmente, mas em seus olhos as lágrimas, e as palavras que haviam sido sufocadas durante um tempo

Fique comigo Castle, fique comigo, eu te amo...

Mas, algo está errado, logo tudo para, congela e então essa não é ultima coisa que ele se lembra. Esse momento era da Beckett, quando ela foi baleada. E como se estivesse em um filme, tudo volta do início, ela no chão, e ele sobre ela estancando o sangramento..."

- KATE! - dessa vez o grito que ele deu fez Martha despertar no susto.

A respiração descompassada dele ainda fazia doer as recentes marcas da cirurgia e os aparelhos dispararam quase que imediatamente indicando que algo estava errado com ele. Alexis levantou da cadeira nesse mesmo momento correndo para o lado do pai. Ao contrário das outras vezes, ele não havia voltado a dormir. Castle se debatia de um lado para o outro e uma lágrima solitária escorreu de seus olhos, quando terminou de olhar o quarto e viu que ela não estava lá.

- Pai! – disse Alexis aflita. – O senhor precisa de acalmar.

- Senhorita, precisamos passar. – falou uma das enfermeiras, tentando medicar o paciente.

- Meu Deus, o que está acontecendo com ele? – chorou Martha apavorada.

O sedativo fez efeito e dentro de poucos minutos o escritor pareceu se acalmar. Ele bem que queria responder algo para a filha, saber o que estava acontecendo, mas com a droga tomando conta de seu corpo, as cordas vocais pareciam não reconhecer as coordenadas do cérebro. Com um semblante triste ele acenou para sua filha, temendo ser esta a última vez que veria sua garotinha.

"Ele corria até a estação de trem. Kate estava lá, com alguma pequena mala ao lado de seus pé e um bilhete de passagem nas mãos. Ele corria até ela, mas a multidão à sua frente não o deixava passar. Última chamada do trem e ela entra antes mesmo que ele pudesse fazer algum sinal para ela. Desesperado, ele tenta recuperar um pouco de fôlego com a cabeça entre os joelhos e percebe o toque de um celular que estava esquecido no chão. O aparelho trazia uma assombrosa mensagem: "Atrasado de novo Mr. Castle". Confuso, ele olha para o trem que já estava em movimento tornando-se a principal testemunha daquela enorme explosão.

- KATE NÃO!

E foi assim, febril e ao mesmo tempo suando frio que ele acordou de mais um sonho, ou melhor pesadelo. Nada daquilo fazia sentido. Antes os sonhos eram como o fatídico dia, mas agora era como se ela estivesse sendo tirada dele à força.

Dessa vez não havia ninguém eu seu quarto. Pela primeira vez não teria ninguém ali para escutar ele chamando por ela. Ele observou o quarto em silêncio. Ele queria tanto vê-la. Respirou fundo e seu peito já não doía tanto por causa da cirurgia. Os médicos diziam que em pouco tempo ele seria liberado.

Três dias depois, quando voltou ao hospital, Martha parou por uns instantes na porta do quarto. Castle já havia acordado, e estava lendo os cartões deixados para ele. Conhecendo o filho como conhece, sabia que ele ia responder um por um daqueles cartões. Mas ela também sabia que faltava um cartão ali, o dela. E esse ele trataria de cobrar pessoalmente.

- Honey, você já está acordado, como é bom ver isso – disse Martha, estampando um sorriso, para ver se assim conseguia quebrar o clima pesado que estava no quarto.

- Oi mãe... Os efeitos dos remédios começaram a diminuir. – disse ele dando um sorriso curto para ela, e voltando a atenção os cartões que estavam em suas mãos. – Acho que logo-logo vou ter alta.

Martha estava parada aos pés da cama dele, olhando para o filho que estava se recuperando de um atentado. As notícias sobre Beckett talvez fizessem mais mal a ele do que aqueles dois tiros.

- O que você pensa em fazer querido? Depois que sair daqui? – perguntou Martha meio temerosa pela resposta.

- Kate, preciso falar com ela. Que horas normalmente ela vem? – perguntou ele colocando dos cartões na mesinha ao lado da cama.

- Querido, temo que ela não deva aparecer – disse Martha procurando as palavras... Droga, quem tinha o dom de escrever era ele, não ela.

- Ela está em algum caso? Ela ainda não sabe que eu acordei não é? Cadê meu telefone, vou ligar para ela. – disse ele, olhando em volta a procura do aparelho.

Martha fechou os olhos por uns instantes, ela teria que quebrar o coração de seu filho. Logo ela, que sempre incentivou eles ficarem juntos, agora seria a portadora daquelas duras palavras.

- Beckett não vem, kiddo. Nunca mais. - ser direta às vezes era o jeito mais fácil, quebrar tudo de uma vez, depois juntar os cacos de uma vez só. Era assim que ela ajudaria o seu filho curar o coração partido.

- O QUE? – Castle falou atônito, não deixando de se exaltar. – Mãe, que tipo de brincadeira é essa?

- Ela decidiu se afastar de você. – continuou ela sem conseguir encará-lo. – Disse que desistiu do amor de vocês por que não aguentou ver você em uma cama de hospital, estava se martirizando por fazer você sofrer, por fazer nós sofrer com tudo isso. Ela disse que seria melhor assim.

- Beckett desis...tiu? De nós? Quando? – perguntou ele ainda tentando processar toda a informação que havia recebido.

- Quando você estava em coma, ela veio lhe visitar, mas não aguentou ver você preso a esses aparelhos.

Castle estava com o semblante decaído e inacreditado. Depois de tudo... Mesmo depois de tudo..

- Querido dê esse tempo a ela. Você deveria ver o sofrimento dos olhos dessa pobre garota ao ver você nessa cama, eu também fiquei assustada. – disse Martha implorando com os olhos para o filho atendesse a esse pedido de Beckett, principalmente por saber o que Kate estava sentindo, quando viu ele no hospital sem dar resposta alguma.

Castle ficou calado, pensativo, e em choque. Depois de tudo que eles haviam passado, de todas as noites que compartilharam juntos, de todos aqueles os momentos, Kate insistia em tira-lo da vida dela. Insistia em fazer uma opção por ele, uma opção que não o agradava em nada. Ele sabia de todos os riscos, mas principalmente sabia que ela valia todo esse esforço, e que um dia tudo isso acabaria e que finalmente poderiam curtir a vida deles, juntos.

Mais uma vez a enfermeira vinha para ver como ele estava, e dar mais uma dose de seu remédio, era hora dele descansar.

Dois dias se passaram e quando Martha chegou no quarto de seu filho, viu que algo estava errado. Castle não estava mais deitado na cama, e agora a mesma estava arrumada com apenas uma pequena mala em cima. Martha ainda tentava entender o que estava acontecendo até que seu filho saiu de dentro do banheiro já barbeado e arrumado. Quem visse pensaria que ele estava pronto para viajar.

- O que está acontecendo querido? – disse ela colocando sua bolsa ao lado da dele – Desde quando você pode ficar caminhando pelo quarto desse jeito? – Martha estava olhando para o filho que ia de um lado para outro do quarto, guardando as suas coisas dentro da bolsa.

- Mãe, eu conversei com a Drª Aristóteles, e ela me deu alta, desde que eu prometesse ficar longe de preocupações e stress. – disse ele parando em frente a ela, pousando as suas mãos nos ombros dela.

- Ok, eu e você sabemos que você não vai cumprir isso, uma vez que você vai sair daqui correndo para Beckett, e isso não vai fazer bem a você – ela o olhava, aflita, na esperança dele mudar de ideia, ou simplesmente raciocinar melhor e dar um tempo a eles dois.

- Mãe, eu pretendo cumprir essa promessa. Estou indo pra Hamptons. – disse ele. – Não vou mais correr atrás de Beckett.

Sim, essa era a maneira que ele encontrava em colocar uma barreira entre eles, chamando-a pelo sobrenome.

– Você mesma me disse que ela desistiu de tudo, que iria se afastar, então vou atender o desejo dela.

- Quer que eu avise a ela? – perguntou Martha, ela sabia que ele estava ferido demais para fazer algo nesse sentido.

- Não. Acho que é o momento de seguirmos nossas vidas. – disse caminhando para a cama para pegar a mala, não queria que Martha visse os seus olhos ficando vermelhos. - Se for pra um dia nós ficarmos juntos, esse dia chegará... E não terá um passado tão pesado nos separando...

Nem ele acreditava que estava abandonando Kate, deixando todo o passado deles para trás. A única coisa que ele sabia era que havia chegado o momento de virar a página desse livro, mesmo sem saber se haveria continuação ou não para ele.

Ele pegou a sua bolsa que estava sobre a cama e assim ele e Martha saíram do hospital, de braços dados. Apesar de tudo a senhora Rodgers estava feliz por que o filho havia tomado uma decisão sensata, mesmo sabendo que por dentro ele estava arrasado, tentando convencer a si mesmo que essa era a melhor decisão a ser tomada.

Mais um capítulo concluído nessa louca história. Uma história mais mirabolante do que ele mesmo havia escrito ao longo desses anos, cheia de altos e baixos, de alegrias e tristezas, prazeres e dores. Agora ele estava dentro de um carro à caminho de Hamptons, deixando tudo para trás. Apesar de ter sido uma decisão só dela, dessa vez ele respeitaria, não por não amar mais a ela, mas pelo fato de seu amor ser maior do que ela pudesse imaginar. Um amor que o martirizava por dentro, que não suportava simplesmente saber que ela estava sofrendo sem que seu coração ficasse doído. Mas dessa vez, ele deixaria a decisão ser dela e só dela. Era hora de começar um novo livro em sua vida, mas de agora em diante, nada de amores não correspondidos.

A NOITE ANTERIOR.

"- O que você está fazendo com você? ... O que você está fazendo com a gente? ... Kate...

- Rick... Como eu sinto a sua falta...

Ela gemeu ao sentir o hálito quente daquele homem passeando sobre os seu lábios, Kate não resistiu mais e tomou aquela boca tão próxima para si. Os lábios se encaixavam, colidiram, brincavam entre si e o sorriso de ambos se fez presente.

- Eu também sinto a sua... pare de fugir de mim Kate. – disse ele puxando-a para próximo e beijando-a novamente."

Rick acordou tremendo em sua vazia e enorme em Hamptons. O cheiro dela estava ali com ele e mesmo ainda nunca tendo estado com ela ali na sua casa de verão, ele podia ver claramente a imagem dela passeando pelos cômodos do lugar. Ele ofegou, seu corpo todo em chamas, o gosto dela ainda presente em seus lábios como se acabasse de ter tido o sonho mais real de toda a sua vida.

Levantou até a sua janela em busca de ar, em busca de alívio para sua guerra interior. Passou uma das mãos pelos seus cabelos e ficou perdido ali olhando o brilho da lua refletido sobre as ondas do mar.

- Me ensina a te esquecer, Kate... – suplicou ele, pro vazio à sua frente, apoiando-se na varanda e escondendo a cabeça entre os cotovelos. – Me ensina a te esquecer... como você esqueceu de mim...

O DIA DE HOJE

-Ele não está. Viajou, parece que com a família...

A voz daquele faxineiro ainda ecoava em sua mente. Castle havia viajado, e pelo que o senhor havia dito parecia que isso tinha acontecido a quase uma semana, mas... isso não era possível, ele esteve ali com ela, ela pode sentir cada toque dele em seu corpo, cada investida dentro de seu ser, eles haviam feito amor como a muito tempo não tinham feito, e...

Um arrepio lhe correu a pele enquanto o coração gelado bombeava frieza em seu sangue. Talvez fosse melhor assim. Já estava tudo acabado mesmo e o fato de ele ter ido para outra cidade poderia ser um sinal do universo dizendo que para os dois já era tarde demais. Castle precisava de repouso e poderia recomeçar com sua família. Para Kate, apenas restaria um apartamento vazio e uma imensidão de lembranças.

Kate chegou em seu apartamento ainda atordoada, sentindo um incrível peso em si mesma, correu os olhos pelo seu apartamento vendo o caos que tinha se tornado sua vida refletido naquele lugar. Soltou a bolsa no chão, jogou as chaves em um lugar qualquer percebendo ao lado da porta uma garrafa de uísque vazia no lugar onde normalmente teria o jornal da manhã. Pegou a garrafa e ficou olhando, nunca fora fraca para a bebida, não seria apenas uma garrafa que faria isso, mas quando olhou para a sua sala, ao lado do sofá, onde ele estaria ajoelhado havia mais duas garrafas de bebida assim como a outra vazia.

Fechou a porta do apartamento com o peso do seu corpo, e assim deslizou até o chão, foi quando tudo fez sentido. Jogou a cabeça algumas vezes contra a porta e de seus olhos as lágrimas finalmente começaram a descer. Sim, tudo aquilo havia sido um sonho, uma alucinação. Chorou o que seu sistema conseguia gerar de lágrimas, e quando não tinha nada mais a derramar, chorou internamente por ter chegado ao fundo do poço.

Algum tempo depois, finalmente conseguiu que seu corpo respondesse ao sinal de levantar do chão, apesar de todos os instintos dizerem para ficar ali. Era como se sua vontade de viver tivesse ido embora juntamente com ele. Ela levantou, juntou todas as garrafas vazias que estavam no chão e caminhou até a cozinha.

Apoiou-se na mesa e fechou os olhos. Ainda podia sentir o cheiro dele na casa dela, cada toque em seu corpo, cada entrega do corpo dela a ele, ela pode sentir tudo, até uma dor em seu coração. Seus olhos agora abertos imediatamente observaram que em uma das garrafas ainda havia uma certa quantidade de bebida. Encheu um dos copos, convenientemente abandonado próximo a ela e virou a bebida queimando suas entranhas com aquele liquido âmbar. Seu fôlego se perdeu em algum momento e ela quis gritar, mas ela não seria mais capaz disso. Um corpo sem vida não tem voz.

Encher o copo demorava então o gargalo daquele recipiente começou a providenciar seu consolo de forma mais rápida. Beckett apoiou-se na bancada da cozinha bebendo seguidamente até onde seu limite aguentava como se bebesse desesperadamente um veneno para levar embora a si mesma. Não demorou muito para que os efeitos do álcool começassem a serem sentidos e então todos os seus fantasmas vieram lhe visitar mais uma vez. Ela não reagiu, não se defendeu, e quando todo seu mundo pareceu ficar preto, apenas se deixou cair lentamente, de encontro ao chão, onde agora ela repousava completamente desacordada.

- Pobre Beckett... – uma voz sarcástica ecoou pelo lugar, enquanto seu corpo era removido dali.


Nota das Autoras: Mais um capítulo para alegria de vocês, agradecemos a todos os comentários já feitos, e como sempre COMENTEM MAIS, por que precisamos saber o quanto vocês estão gostando disso aqui, se é que estão gostando u.u - bom, por hoje é só, até semana que vem ;)