JUST A FOOL - CHRISTINA AGUILERA
Capítulo 13
Kate não dava notícias há mais de dois dias. Esposito ainda estava no distrito quando seu celular tocou com uma nova mensagem. Ryan já havia ido pra casa, estava apenas os policiais encarregados do plantão daquela noite, mas ele não conseguiu sair dali. Tinha tentado falar com Beckett o dia todo a mando de Lanie que também já estava preocupada.
O apartamento estava vazio, a bolsa dela no chão, as chaves jogadas em um lugar qualquer. O celular também estava ali, descarregado e os sinais de embriaguez eram visíveis por todo o lugar. Além disso, tinha papéis com anotações dela e as pessoas ali tinham quase certeza de que ela havia ido atrás das pessoas que atiraram em Castle. Bem, eles estavam quase certos.
DOIS DIAS ANTES.
Beckett acordou se sentindo miseravelmente mau. Sua cabeça pesava toneladas e nem mesmo abrir os olhos ela conseguia. Acontece que ela já estava de olhos abertos. Piscou algumas vezes até se dar conta disso. Onde ela estava era escuro, não havia diferença entre luz e sombras. Que droga de lugar era aquele?
Kate não conseguiu raciocinar direito. Além de sua cabeça estar matando-a aos poucos seu estômago lutava contra si mesmo e ela se remexeu um pouco procurando um lugar para vomitar. E assim pouco a pouco a maioria do whisky ingerido ia sendo expulso de seu estômago. Que delícia de ressaca.
Ainda atordoada pelo imenso mal estar Beckett percebeu que em meio a escuridão seus movimentos além de lentos estavam contidos... e ela sentada... Oh droga, ela estava amarrada a uma maldita cadeira. Suas mãos presas para trás e seus tornozelos amarrados aos pés da madeira, a deixava quase sem movimentos e aliado ao peso da bebida em seu corpo, faziam dela a pessoa mais vulnerável do planeta.
Se remexeu o pouco que conseguia, tentando se soltar, sem sucesso claro. Como raios ela havia parado ali, e quem a levou para lá? Novamente uma onda de vômito impediu seus pensamentos e ela achou que fosse desmaiar ali mesmo. Realmente sua condição era muito boa.
- Sabe... para uma policial você não deveria beber tanto assim...
Ela tentou ver quem falava, mas estava escuro demais para reconhecer alguém. Kate estava cansada, fraca, ainda entorpecida pelo álcool, mas mesmo assim não tentava transparecer isso. Afinal se ela não podia vê-lo, talvez ele também não pudesse vê-la.
- Q-uem é você?
- Eu acho que você sabe quem eu sou. Sou aquele que tentava te proteger. Mas vejo que não adiantou. Você nunca desiste mesmo não é?
- Smith! - a voz de um homem aparentemente mais jovem o interrompeu.
- Você... - Beckett estremeceu.
Sim, ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
- Olá detetive Beckett, sentiu minha falta?
Kate não sabia o que dizer. Na verdade, não tinha forças para falar nada além de palavras soltas.
- Seu silêncio me diz que sim. – Maddox riu.
O que Kate sentia nesse momento era algo que lhe revirava as entranhas. Mas ela não sabia dizer se essa sensação era causada pelo excesso de bebida ou pela voz do homem que ecoava pelo recinto.
- O que você quer? – bradou ela olhando por todos os lados, procurando saber de onde vinha aquela voz.
- Essa pergunta quem faz sou eu. – disse Maddox se divertindo com o que ele via.
- Maddox, seu bastardo! Venha até aqui. – gritou ela. - Apareça na minha frente se você for homem!
Maddox inclinou seu corpo em direção ao dela.
- Seu desejo é uma ordem – disse ele ficando bem na frente dela, muito próximo. – Por que detetive? Precisa de um homem de verdade na sua vida? – completou ele pegando no rosto dela com uma única mão e com um exagero de força.
Definitivamente a ânsia que ela sentia vinha do cheiro daquele homem. A presença dele trazia uma mistura de medo, mistério, adrenalina e tudo isso combinado com as longas doses de whisky que ainda fazia efeito sobre ela era o pacote perfeito para fazer sua mente desabar.
- O que foi? Aquele escritorzinho não está dando conta desse corpo todo? – disse ele, passando uma das mãos pela lateral de seu corpo, terminando no meio de suas pernas.
Em um movimento involuntário, Kate apenas forçou o encontro de suas pernas, fechando a mão de Maddox ali mesmo, um movimento de repudio ao ato que ele estava cometendo. Mas isso só o atiçou ainda mais.
- Que força entre as pernas... – disse Maddox, movendo sua mão até o lugar exato onde ele queria. - Imagine o que você não deve fazer na cama?
Beckett se sentiu enojada e sem pensar duas vezes cuspiu diretamente na face do homem que estava agoniantemente próximo a ela. Ele rangeu os dentes e imediatamente sua mão encontrou o rosto da detetive com tamanha força que a teria derrubado da cadeira se não estivesse fortemente amarrada a ela. Antes que pudesse se recuperar da tontura, sentiu seu cabelo ser puxado fortemente para trás enquanto Maddox esmagava novamente o seu rosto com apenas uma de suas grandes mãos.
- Tem certeza de que quer elevar as coisas a esse nível, detetive? – falou ele admirando o sangue que escorria por entre os lábios dela. – Eu posso ser um homem muito, mas muito, violento.
- E-u... não tenho medo de você... – falou ela, tentando não se concentrar na dor.
- Eu sei que não... – ele riu. – E você não tem ideia do quanto isso me deixa excitado. – disse ele passando a língua pelo rosto dela, fazendo-a se debater inutilmente e então ele a deixou, com uma gargalhada.
- Você nem mesmo treme! – disse o homem, quase em êxtase. – Eu adoro essa fúria em você! Mas sabe, Kate... Já que vamos ficar um pouco mais íntimos vou lhe chamar de Kate, eu não tenho certeza se aquela linda estagiária ruiva do seu necrotério também não teria medo de mim.
Pela primeira vez, Beckett realmente sentiu medo. Não, não poderia permitir a filha de Castle cair nas mãos daqueles bandidos.
- Se você ousar chegar perto dela, eu juro que...
- Você o que, hã? Está mesmo achando que pode fazer algo para impedir isso? Devo lembrar que você está de mãos e pés atados... er ...Literalmente?
- Por enquanto... – ela ameaçou, cuspindo o excesso de sangue que estava em sua boca.
- Sei entendo. Você é forte, resistente, assim como eu você é muito bem treinada. Mas me diga, Kate, quanto tempo você acha que aquele seu parceirozinho pode aguentar em uma sessão comigo?
- Ele é mais forte do que você imagina...
- Claro que é... Surpreendendo Lockwood pelas costas, resistindo ao gelo naquele freezer... Mas eu não quero que você esqueça, linda, Kate que você também estava com ele ajudando-o a manter-se aquecido, mas agora... Você faz ao menos alguma ideia de onde seu amiguinho possa estar?
Kate sentiu seu coração pular mais forte dentro de seu peito. Aquilo era um jogo, só podia ser. Castle estava bem, com sua família, provavelmente em Hamptons. Nada de mal podia acontecer com eles. Sim, tudo isso não passava de um blefe de Maddox.
- Eu achei bem bonita aquela mulher que ele levou pra Hamptons. – disse o homem, fazendo-a arregalar ainda mais os olhos. – Gina o nome dela não é, Kate? Sim, é esse mesmo o nome dela. Linda casa, linda mulher.
Beckett não tinha palavras para falar nada com sentido. Sua expressão era de alguém que não estava acreditando em nada do que estava sendo dito, mas o ex-militar sabia que ela pouco a pouco estava caindo em toda aquela conversa. Droga. Ela estava nas mãos deles. Precisava pensar rápido, tinha que encontrar um jeito de sair dali.
- Sim, linda bonequinha. – disse ele se curvando mais perto dela. – O seu belo namoradinho deve estar agora mesmo rolando na cama a sua ex-mulher. Quer dizer, não tão ex-agora não é mesmo? – ele riu. – Mas não se preocupe. Ninguém deixa Kate Beckett para trás não é? Ele vai pagar por isso e você não terá ninguém mais para se importar.
- Maddox...Você não se atreveria... – disse ela olhando-o nos olhos.
- Ao quê, Kate? Eu não me atreveria ao quê?
A próxima coisa que ela sentiu foi uma pequena picada na altura do pescoço e viu um sorriso divertido na face de Maddox. Em segundos ela sentiu sua cabeça pesar sobre os ombros, sua mente apagando devagar, enquanto o estrondo de uma imensa porta de ferro se fechando ecoava pelo lugar. Ela havia sido dopada.
Kate sentiu um grande calor vindo com um vapor por de baixo de deu corpo. Lá estava ela, pendurada em um gancho que a mantinha suspensa em cima de um grande caldeirão. O que era aquele líquido, era algo que ela não queria saber.
- Oh, vejo que a bela adormecida acordou. Achei que teria dar uma de príncipe encanto e subir, e lhe despertar com um beijo meu. - Maddox estava se divertindo, deixando isso muito claro no modo em que falava com ela.
- Maddox! Seu bastardo! Me tira, daqui! – disse ela mexendo do seu corpo e olhando como poderia sair dali, sem cair naquele caldeirão.
- Se eu fosse você detetive, não me mexia tanto... Sabe, as instalações aqui são meio antigas... Não gostaria de saber como você ficaria depois de cair ai dentro... – falou ele, com sua falsa preocupação. Em momento algum ele disse para ela o que tinha ali em baixo, o que a deixava ainda mais temerosa.
- Maddox, Me tira daqui! – disse ela agora parando de se movimentar. Não sabia até qual parte tudo aquilo seria verdade ou não.
- Quais são as palavrinhas mágicas detetive? – disse Maddox, o tom de zombaria era presente em todos os momentos.
Kate pensou em um monte de palavras de baixo calão que poderia usar nesse momento, palavras que em outros momentos até ela se surpreenderia em pensar, mas apenas voltou o seu olhar pra cima novamente. Seus pulsos pesos em uma corda e um grande gancho que a suspendia, sabia que não poderia ficar naquela posição muito tempo.
- MADDOX! Desça-a dai já! – a Voz de Smith ecoou pelo grande galpão, e segundos depois, Kate pode sentir o seu corpo sendo abaixado.
O pânico tomou conta dela ao perceber que seu corpo se aproximava ainda mais do caldeirão. Rodou o olhar pelo galpão à procura de Smith, à procura de alguém que a pudesse salvar. À procura de Castle.
- Maddox... – o tom que Smith usou dessa vez era algo imponente e repreensivo ao mesmo tempo, sim ele continuava ali, apenas não a vista de Kate.
Mais uma vez ela sentiu um tranco e sentiu-se parar no ar. Sentiu as mãos de Maddox pegando em suas pernas, e por instinto começou a debater para afasta-lo dali.
- Quieta! Ou vou deixar você cair ali dentro!
Kate parou, e sentiu Maddox puxando o corpo dela próximo a ele, enquanto ele a soltava do gancho, ele tirou um trinco do gancho ela caiu ao lado dele na plataforma que havia próximo ao tanque, por pouco ela não cai de costas no grande tanque atrás dela.Ele a puxou pela cintura de encontro ao corpo dele. Sim, ele podia sentir o hálito dela misturado ao whisky, o que o deixava ainda mais louco. Uma mulher como aquela e uma grande apreciadora de bebidas destilada... Se eles não fossem tão "gato e rato", ele com certeza adoraria descobrir algumas coisas a mais sobre ela.
- Calma bela adormecida, não foi o príncipe encantado que a ajudou, está mais para a madrasta cruel... – ele debochou. -
Afinal nem você nem seu querido namorado sabem do que somos capazes...Ele levou os longos cabelos dela para trás novamente, deixando o longo pescoço exposto, ao mesmo tempo em que ela tentava se equilibrar sobre as próprias pernas. Maddox deu um pequeno beijo ali, e, após tirar mais uma seringa do bolso, ela apagou.
SILENT NIGHT - DAMIEN RICE
Kate acordou assustada, tentando se sentar rapidamente, mas seu corpo desobediente a levou de volta à posição inicial. Já não estava mais no galpão, e sim uma espécie de quarto. Havia apenas uma cama no meio e ela estava sobre a mesma. Não havia amarras, nem correntes, apenas uma latrina no quanto do quarto.
Sua cabeça dava voltas, latejando terrivelmente, provavelmente agora mais pelo efeito da droga que da bebida em si. Seus olhos imensamente pesados, estava morrendo de sono e por um momento permitiu-se dormir, ou pelo menos tentar.
Um barulho ensurdecedor tomou conta do quarto, fazendo com ela acordasse com um sobre salto da cama. Na porta do quarto, uma pequena janela, e ali a face estampada de Maddox.
- PARE! PORQUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO? – gritou ela em meio ao barulho todo.
O barulho parou. E logo passos sombrios foram ouvidos do outro lado da porta. Um homem apareceu onde antes estava Maddox, mas Kate não conseguia reconhece-lo, mas aqueles olhos. Era como se ela tivesse olhando para o próprio demônio.
- Quem é você?
- Alguém que você não quer conhecer realmente. – respondeu ele – Mas me permita te perguntar detetive Beckett. O que você tanto quer investigando o caso de sua mãe?
- Quero a verdade! Quero colocar atrás das grades quem fez isso com ela, você não entende? – disse Kate caminhando em direção à porta, pisando em um caco de vidro e segurando um grito de dor.
- Cuidado querida, há alguns presentes no quarto para você – disse ele ligando a luz e ela pode ver.
No chão todo havia alguns cacos de vidros, ripas de madeiras com pregos virados para cima, tudo limitando ainda mais o espaço dela. Segundos depois ela voltou a ficar na escuridão, tento com luz apenas a do corredor ao qual estava o homem misterioso.
- Vê? Acho que eu estabeleço os termos aqui agora. Além disso, meu amigo aqui tem minha permissão para fazer o que quiser com você. E você sabe não é? Ele é homem, e você, uma bonita mulher.
Beckett estremeceu podendo ouvir a risada de Maddox do lado de fora como se já saboreasse o seu gosto em antecipação.
- Eu não me importo com o que ele pode fazer comigo. – disse ela voltando para cama e sentando, cuidando a onde pisava. – Acredite. Eu ainda vou sair daqui, eu ainda vou colocar você e todas essas pessoas atrás das grades.
- Eu entendo, você tem um belo discurso como todo mártir. – falou ele com um sorrisinho de canto. – Você não se importa com o que aconteça com você desde que aqueles que você ama estejam em segurança. Mas me deixe esclarecer uma coisa, detetive. Eles nunca estarão em segurança.
- Então eu irei caçá-lo até o último dos meus dias. – ela devolveu a ameaça.
- Me diga apenas uma coisa, detetive? – falou ele demonstrando alguma curiosidade. - Vale a pena? Correr todo esse risco e perigo por alguém que não vai voltar? Lutar pela honradez de alguém que já não está mais aqui? Vale a pena lutar por uma causa perdida?
Kate temia em pensar onde ele queria chegar com aquilo.
- Sabe Kate, eu observo você há algum tempo e eu realmente te admiro. Essa sua força, sua determinação, sua capacidade de focalizar o alvo e persegui-lo até que consiga alcançá-lo. Você é uma excelente inimiga, uma presa que adorei caçar. Mas você já parou pra pensar que em meio a tantos segredos e conspiração, pode ter algo muito pior esperando por você? – disse ele de forma dura.
- O que você está querendo dizer com isso?
- Eu também já perdi muitas coisas na minha vida, detetive. Mas sabe o que eu penso? Eu penso que não há porque lutarmos por aquilo que já perdemos. No seu caso, você já perdeu sua mãe, boa parte da sua vida, e pelo visto sua carreira. O quanto mais você está disposta a perder? - dessa vez não era o tom torturador falando, Kate sentia isso, era outra coisa que impulsionava aquele discurso todo. – O que quer que você esteja disposta a perder, não vai trazer o que já não existe de volta.
INICIO DO TERCEIRO DIA.
Esposito começou a fazer uma lista mental de lugares que ela poderia ir. Tentou seguir a linha de raciocínio dos rabiscos encontrados no apartamento dela, mas só uma pessoa era boa o suficiente para acompanhar a linha de pensamento de Beckett. Castle. Ele ainda não sabia que ela havia sumido. Na verdade, ninguém havia tido notícias dele também há algum tempo. No momento em que ele ia pegar o celular para contactar o escritor, percebeu a nova mensagem de texto. Olhou a mensagem e se assustou, alguém estava fazendo uma brincadeira de muito mal gosto.
"Não adianta você procurar por ela, não até eu achar que você deve encontrá-la!"
A mensagem não estava assinada, e o telefone desligado, era um telefone pré-pago, ou seja, não tinha como achar a pessoa. Esposito ficou preocupado, mas não queria demonstrar, principalmente quando Lanie apareceu perguntando se tinha alguma noticia de Beckett. Afinal ter que explicar pra Lanie que ele tinha falhado na sua tarefa seria algo mais complicado do que achar ela. Ele disfarçou bem, respondeu que não, mas não deveria ter acontecido nada de ruim. E mais uma vez prometeu a ela que iria encontrar Kate. Uma promessa que ele iria cumprir.
Notas das Autoras: Galera demorou mas chegou, mais um capítulo para vocês, espero que vocês gostem, não preciso dizer nada sobre escutar as músicas né?
até a proxima.
