EVERYONE'S WAITING – MISSY HIGGINS
CAPÍTULO QUATORZE.
FINAL DO 3° DIA.
"Ele caminhava à beira mar. Hamptons. Seus pés descalços junto à areia, sentindo a água do mar bater em seus pés. Sim, vestido completamente de branco, com a sensação de que havia saído de algo muito especial, mas não conseguia se lembrar do que era. Estava meio confuso, tentando lembrar por que agora em seu dedo havia uma aliança de compromisso. Colocava o seu cérebro para funcionar, tentando juntar informações, mas de nada adiantava. Olhou para frente e viu um píer com uma pessoa sentada em sua beirada. Conhecia bem aquela silhueta.
Como uma epifania tudo fez sentido. A cerimônia, ela de branco, assim como ele, em frente a um juiz de paz, dizendo que aceitava ser dele. Um pequeno e discreto buquê de rosas brancas, levemente rosadas, em suas mãos, e um sorriso que ele guardaria para todo o sempre."
Caminhou até aquela que agora era sua mulher, sentando-se atrás dela, que encaixou-se entre as pernas dele. Abraçando-a pela cintura, depositou um beijo em sua nuca, permaneceram olhando o grande oceano à frente deles. Finalmente nada poderia afastá-la de sua vida. Nem mesmo ela."
Era a primeira vez, desde o acidente, que ele tinha um verdadeiro sonho com ela, e não um pesadelo. Parecia que o seu subconsciente estava conversando com ele, dizendo a ele para carrega-la para longe da sua triste realidade, e juntos construírem uma nova, onde os dois são felizes, onde as idas e vindas teriam fim, e eles poderiam finalmente viver para eles, construindo um futuro. Juntos.
Um belo sonho, mas que infelizmente não estava a seu alcance mais. Depois de dois casamentos fracassados, era a primeira vez que ele cogitava casar-se outra vez, trazer alguém para a sua vida em definitivo, mas infelizmente para ele, a outra pessoa envolvida não queria a mesma coisa. Em sua ilusão ele até acreditava que ela também o queria, mas sua bagagem era muito pesada nesse momento.
"Juntos, sentados naquele píer, tudo se resumia exclusivamente aos dois. O aroma dos cabelos dela misturado à brisa do mar trazia uma sensação doce de paz e segurança. Ele retirou uma das rosas do delicado buquê e enfeitou os cabelos dela aperfeiçoando a beleza deles. Pronto, agora sua alegria estava realmente completa.
Ele apertou o corpo dela contra o dele, beijando o seu pescoço, e ela entendeu isso como um convite para beijá-lo. Os lábios moviam-se um contra o outro devagar, preenchendo cada espaço entre eles, entregando-se um ao outro em cada movimento. Intensificaram o beijo tornando-o cada vez mais excitante, trocando toques e carícias que a fizeram gemer. Mas ele percebeu que algo estava errado.
Aquele gemido não era os que ele estava acostumado a ouvir quando ela se entregava para ele. Era um gemido de dor. Castle quebrou o beijo para olhá-la a tempo de ver o suave buque descendo das mãos dela caindo de encontro à dança do mar abaixo deles. Os olhos verdes piscaram confuso, como se tentassem entender ou mesmo explicar o que estava acontecendo.
- Kate... O que houve?... – ele perguntou aflito, passando as mãos pelo rosto dela.
Ela abriu os lábios, mas no lugar de sua voz, veio o vazio de uma respiração sem ar. E ele se lembrava daquele som. Ah, sim, ele lembrava. Nunca poderia se esquecer do ecoar daquela falta de fôlego em seus ouvidos. E então ele viu, mas ainda assim não quis entender. Aquele vermelho tirava a brancura do vestido dela, e então escorria por entre os dedos dele cada vez mais à medida que tentava estancá-lo.
O semblante dela mudou e agora a dor e o medo davam lugar a uma serenidade mórbida e ela tocou o rosto dele lhe dando um último afago. No desespero, a mão dele tocou o rosto dela manchando-o de sangue enquanto ela lhe dava o seu último sorriso. Os lábios dele ainda encontraram os dela, buscando um último adeus, mas eles já estavam completamente sem vida.
- Não! Deus... por favor, não!"
Castle acordou gritando em seu quarto vazio. Sem que ele se desse conta, as lágrimas rolaram por sua face enquanto ainda procurava se localizar. Ela não estava lá, não estava morta nos braços dele. Oh, Deus será que ela estava bem?
Sentou-se em sua cama puxando o ar com força na tentativa de fazer aquele peso em seu peito se esvair. Céus, ele estava ficando louco ali. Precisava dela, da pele dela em contato com a sua. Do calor que só a vida daquele corpo trazia. Olhou o celular em cima da mesa de cabeceira e o pegou em suas mãos. Ainda era a mesma proteção de tela que ele usava. Uma foto que ele havia tirado dela em um momento de distração de sua musa. Ela sorria, alegre, livre e feliz. Ainda que não fosse com ele.
Pensou em ligar, queria falar com ela, ouvir o som da voz dela em seus ouvidos mesmo que fosse só pelo telefone. Queria tirar aquele vazio que existia dentro do coração dele com o som daquele sorriso que só ela era capaz de dar. Ouvir novamente a voz dela, falando o nome dele naqueles diversos tons diferentes e cheios de significados. Queria acima de tudo ouvi-la chamando-o daquela forma que só ela fazia, quando estava com ele, em seus braços, dissipando toda solidão e o medo de perdê-la que agora dominava sua alma.
Subitamente ele se levantou da cama com raiva, apertando o celular forte contra os dedos. Ele queria odiá-la, nunca mais pensar nela. Sim, ele queria poder sair outra vez com outras mulheres sem ter aquele sentimento de culpa de estava traindo-a. Afinal, eles não tinham nada mesmo. Tudo aquilo que aconteceu entre eles... não ia mais voltar a acontecer.
Como uma leitura de pensamentos do Universo o celular dele tocou entre suas mãos. Depois de três longos dias longe de New York, essa era a primeira vez que recebia uma ligação. Pelo menos daquele número que ele tinha gravado não só no aparelho, mas também dentro de sua alma. O número da mesa dela.
Seu coração bombardeou emoções atropeladas por todo o corpo. Pensou em não atender, era ela ligando, com toda certeza, mas ele não queria atender. Sabia que todo o seu esforço de nada valeria, por que assim que falasse com ela, seu corpo iria se jogar dento do carro e dirigir de volta para sua detetive.
O telefone tremia em suas mãos, chamando insistentemente, fazendo o rosto sorridente brilhar em sua tela, e a sua vontade era de pegar o celular e jogar em direção ao mar. Infelizmente, seus dedos lhe traíram, e quando se deu conta já tinha atendido.
- Beckett, o que você quer? – respondeu ele, com raiva de si mesmo.
- Castle, sou eu Esposito...
Silêncio. A voz do outro lado do telefone não era a esperada.
- Desculpe Espo, achei que era Beckett. – falou envergonhado.
- Pela sua resposta, acredito que minha ligação foi inútil – disse o policial do outro lado da linha.
- O que está acontecendo, Javi? – o tom de voz de Castle havia mudado, a preocupação presente em cada palavra.
- Kate está sumida há 3 dias, bro... – sussurrou o detetive, cuidando para não chamar atenção das pessoas que estavam próximas a ele no distrito. - Não consigo localizar o celular dela, o carro ainda está estacionado na garagem do prédio e...
O coração de Castle pareceu parar de funcionar. Ele sabia que algo estava terrivelmente errado, mas sua voz não saía então ele apenas esperou o amigo terminar.
- Dentro do apartamento... Está tudo revirado, garrafas de bebidas espalhadas pelo chão, e tem... também...
- Tem o que, Esposito? – perguntou ele sem saber mais o que pensar.
- Achei uns papéis, umas anotações dela. Ao que parece ela estava procurando quem atirou em você.
- Isso é loucura! – disse Castle levando uma das mãos à cabeça.
- Eu sei, bro. Mas é da Beckett que estamos falando, sabemos como ela é.
O escritor se amaldiçoou contorcendo-se por dentro em silêncio. O detetive hispânico prosseguiu.
- Achei que ela tivesse ido atrás de alguma pista nova, mas ontem... Recebi uma mensagem, de um pré-pago, desativado claro, que dizia para não continuar a procurá-la, pois só a encontraríamos quando ele quisesse. Achei que fosse algum trote, mas dado às circunstâncias... – Esposito desabafou, esperando uma reação dele.
- Eles a pegaram... – Castle lamentou, odiando-se. – Estou voltando pra cidade agora.
Rick colocou a chave no trinco e estranhou quando a porta abriu facilmente. Por um momento pensou que algumas delas poderiam ter deixado a porta aberta, mas elas não cometeriam esse erro. Não diante de toda aquela situação.
"Eu quero que saiam do país pelo menos até as coisas se acalmarem. Essas pessoas são perigosas e não sei até que ponto poderei protegê-las. É mais seguro assim."
As palavras dele se despedindo de sua família no dia anterior ecoou em sua mente e então o medo se apoderou dele quando adentrou em sua casa foi maior. Sofás virados, vidros quebrados, todas as suas coisas completamente destruídas. Subiu os degraus correndo chamando pelo nome das duas, mas o grande e pesado silêncio que estava no recinto já antecipava a resposta. Não havia mesmo ninguém em casa.
Um assombro lhe atravessou violentamente quando viu uma enorme mancha de sangue interligando os dois quartos. Tentou ligar para elas, mas ambos os celulares estavam na caixa postal. Seu tormento ficou ainda maior quando chegou em seu quarto e um recado tinha sido deixado escrito na parede atrás de sua cama:
"Procurando por alguém, Escritorzinho?"
Ele ficou estático apenas olhando, encarando as letras escritas com sangue e suas marcas escorridas ao longo do percurso. Sua família estava em perigo.
MY IMMORTAL – EVANESCENCE
COMEÇO DO 4° DIA.
"... As costas de Kate levemente inclinadas no piano, e Castle entre as pernas dela, fazendo movimentos circulares com a sua língua... As mãos dela sob a cabeça dele, fazendo do cabelo dele um grande emaranhado. Ele adorava o jeito que ela se entregava a ele. As mãos dele passeavam sobre as pernas dela enquanto sua boca e sua língua a dominavam intimamente..."
- SOCORRO! – uma voz ecoou interrompendo o sono de Beckett - Não! Não! Não! Saia daqui!
Uma pessoa gritava em desespero ao fundo do corredor. Um grito de dor. Kate levantou da cama, ainda sonolenta, pisando em mais um caco de vidro, mas ignorando a dor, caminhou com dificuldade até a porta. Apenas uma fraca luz no corredor.
"BAM!" – fez o estrondo na porta e Kate se assustou, vendo Maddox aparecer no vidro à sua frente.
- Finalmente acordada, Cinderela? – disse ele divertindo-se com a cara de assustada dela.
- Ainda não cansou desse joguinho Maddox? – ela retrucou afastando-se, tentando se mostrar forte.
- Joguinho? Aposto que você acordou com os gritos do final do corredor, não?! – disse ele procurando nos olhos dela uma resposta. – Caso não tenha escutado direito, acho que posso lhe mostrar com mais clareza... Afinal, eu fui o responsável por aquilo.
As pupilas de Kate de dilataram, sua expressão revelando que aquilo havia mexido com ela. Era isso que Maddox queria. Ver o pânico se formar em sua face, e Kate podia apostar que ele sentia o coração dela bater em ritmo acelerado.
Ele ergueu a mão até altura do vidro, mostrando um pequeno controle remoto, e em questão de segundos um grande grito ecoou na quarto em que ela estava. A única reação de Kate foi erguer as duas mãos colocando no ouvido tentando assim abafar o grito esganiçado. Desespero, dor e sofrimento emanavam do fundo da garganta daquela pobre mulher.
- Sabe Kate, achá-las foi muito complicado. Essa ruivinha é uma pessoa muito esperta...
- Maddox, você não se atreveu... – ela o interrompeu, mas não conseguiu continuar a frase.
Mais um grito ecoou no quarto, sim Maddox havia se divertido em gravar cada grito.
-Socorro! Alguém me ajude! Por favor! – um suspiro – pai... me ajude...
O coração de Beckett perdeu o compasso, era a voz de uma outra mulher, aparentemente mais jovem que outra. A essa altura do jogo, Kate não sabia se podia confiar em seus instintos, nem em sua memória, mas no fundo, tinha a nítida impressão de conhecer essa voz.
- Sabe Kate... Os olhos azuis dela, perdendo a vida... Confesso que foi divertido, mas achei que ela iria lutar mais pela vida...
Kate estava encolhida sobre a cama, apenas observando a movimentação de Maddox. Suas forças estavam esvaecendo, a cada dia que passava aquele brilho no olhar que ela carregava a cada vez que o encarava não estava mais ali. Ela temia se alimentar de qualquer coisa que oferecessem ali. Água, comida, tudo isso ficava de lado enquanto ela apenas sentia seu estômago contorcer-se faminto, mas se a comida estivesse contaminada poderia ser muito pior. Kate se fazia de forte, mas, tinha muito medo do que poderia acontecer com ela se a drogassem outra vez. No entanto, pouco a pouco seu corpo ia lhe traindo.
Maddox abriu a porta, fechando-a rapidamente para evitar qualquer reação da parte dela. Olhou para a câmera que havia no quarto, e apenas com um sinal de cabeça a luz do quarto foi acesa. Ele estava vigiando ela, e pelo visto ele tinha companhia.
- Maddox, o que você quer? – disse ela se encolhendo ainda mais na cama.
- Acho que você deveria começar a se alimentar, nosso joguinho está começando a ficar entediante. – disse caminhando até ela, sentando na outra ponta da cama. – era tão mais legal quando você tentava se fazer de forte.
- Você que não me conhece...
- É verdade... Mas tenho que dizer que ficar te observando foi um aprendizado... Ver você e Castle então, me deixou ainda mais instigado em saber com que você é entre quatro paredes.
Ele levou uma mão ao encontro das pernas dela, e em um instinto ela se encolheu ainda mais. As mãos dele foram subindo pelas longas pernas e a única coisa que ela podia sentir era nojo daquele homem. Ao mesmo tempo seus pensamentos lhe remeteram às suas lembranças quando ele disse o nome de Castle.
Ele havia mesmo vigiado a vida dela? Ao longo desse ano? Mas até que ponto? Ou ele estava fazendo isso apenas para bagunçar ainda mais a mente dela? Novamente seu corpo se encolheu, se afastando dele, procurando por um espaço que ela já não tinha mais. As mãos de Madoxx seguiram a trilha até a barriga de Kate, erguendo a barra de sua camiseta, passeando os dedos leves sobre a pele dela. Era macia e sedosa, como ele já havia imaginado que poderia ser.
Kate fechou os olhos, ter as mãos daquele homem passeando sobre o corpo dela deixava enjoada, se tivesse comido algo, com certeza seu corpo teria expelido tudo. Os toques de Maddox continuavam, suaves para ele, pesados para ela. Ele tirou a mão de dentro da blusa, acariciando a lateral de seu corpo, deixando-a zonza. Sua vontade era de sair correndo, mas seu corpo não respondia, forças já não tinha mais.
- Por favor, pare. – disse ela sem olhar para ele, mas mãos dele continuando sobre o corpo dela a sufocava. – Por favor. – e adormeceu.
Maddox ficou algum tempo ali parado, apenas observando. Será que ela desmaiou? Ou apenas fingia para que ele saísse dali? Ele levantou calmamente da cama, caminhando pelo quarto dela, observando a comida do dia anterior, ela não havia tocado em nada, assim como as outras vezes. Seguiu até a porta e a deixou entre aberta, pegando a bandeja de comida.
- NÃO SE ATREVA! – Maddox gritou.
Kate se levantava da cama as pressas para tentar fugir, mas estava fraca demais e acabou caindo sobre os cacos de vidro machucando-se. Ele jogou as coisas no chão e agarrando-a pela cintura, a ergueu do chão jogando-a com força sobre a cama novamente. Mesmo com pequenos cortes espalhados no corpo Beckett continuava a gastar o que ainda restava de força em seu corpo, lutando com o homem que agora estava sobre ela. Tentava tirar o corpo dele dali, enquanto ele dominava facilmente a mulher rebelde que estava embaixo dele.
Suas mãos frágeis tentavam ficar entre o corpo dele e o dela empurrando-o com sua pouca força ao mesmo tempo em que ela procurava sua voz para gritar. Então ela sentiu uma das mãos dele deixando o corpo dela, e segundos de alívio a tomaram quando ela percebeu que agora ele estava segurando seu pescoço.
Maddox a apertava com força, seu corpo pesava sobre o diafragma dela, dificultando toda sua respiração. Ela tentava livrar o seu pescoço em busca de ar, mas cada vez menos fôlego ela tinha para fazer isso. A outra mão livre dele rasgou a blusa dela disparando ainda mais seu coração, lançando mais adrenalina em seu corpo, exigindo mais do oxigênio que ela não tinha. Assim, incapaz de dominá-lo, também tornou-se incapaz de mover-se quando seu corpo finalmente desistiu.
continua...
Notas das autoras: Demorou mas saiu, mais um capítulo para a alegria de vocês! Lado positivo, minhas aulas acabaram, o que indica de os próximos capítulos não demoraram tanto a sair, espero que gostem, mais capítulo feito para vocês! será que vale comentário?
até a próxima galera.
