Capitulo 18

MUSICA: IMPOSSIBLE - JAMES ARTHUR

- Kate, está acordada? – perguntou ele entrando no quarto ainda com as luzes apagadas – Venha comer, antes que isso daqui esfrie...

Continuou ele esperando uma resposta, uma resposta que não veio.. Ela poderia até estar dormindo, porém cedo ou tarde teria que levantar para comer. Sua saúde ainda necessitava de cuidados, e por mais magoado que estivesse com tudo que havia acontecido, ele continuaria zelando pela saúde dela. Deixou as sacolas em cima da mesinha improvisada ao lado da porta, acendeu a luz, que iluminou todas as coisas dentro daquele pequeno quarto, e então entendeu o porquê de todo aquele clima pesado que começava a lhe sufocar.

Ali estava a resposta à sua pergunta anterior, e isso não o agradava, muito pelo contrário, só o apavorava ainda mais. O que poderia ter causado toda aquela destruição no pouco tempo que passara longe dali? Peças de roupas espalhadas por todos os lados, pílulas dos medicamentos espalhadas pelo chão, todo um cenário terrivelmente montado como se tivessem procurado por algo em específico e, não encontrando, saíram às pressas abandonando o lugar daquela terrível maneira.

Toda uma rajada de emoções tomou conta do corpo de Castle, fechou os olhos para ver se assim conseguia colocar os pensamentos em ordem. Sua mente fértil de escritor rodava velozmente pensando uma multidão de terríveis coisas que variavam desde a possibilidade de Kate ter contrariado as ordens de Gates e ter ido para o seu próprio apartamento, ou até mesmo do ressurgimento de seu algoz, levando-a cativa para longe e para sempre dessa vez... Bem... Ele preferia não cogitar essa hipótese.

Conseguindo raciocinar que nada daquilo o ajudaria a entender o que estava se passando naquele momento, Castle começou a tentar analisar friamente o quarto a sua frente. Além da enorme bagunça, aparentemente nada dos poucos bens materiais que eles tinham ali estava faltando. A mala de Kate estava quase vazia sobre a cama, e como ela também não estava lá, possivelmente seria ela quem havia saído às pressas. Mas não havia um bilhete, não havia um recado, nada. E ela, conhecendo ele, não sairia simplesmente assim.

Uma forte chuva começou a cair subitamente e ele estremeceu. Pegou o celular com suas mãos aflitas e instantaneamente ligou para ela, na esperança de que ela atendesse e dissesse a ele que tudo estava bem, fazendo com que todas as cenas que seu cérebro teimava em criar para atormentá-lo se desfizesse de imediato. Ao ouvir o primeiro toque, um som peculiar, mas meio abafado pelo som da água que jorrava contra o vidro da janela, ecoou pelo quarto vindo do banheiro. O aparelho de Beckett estava caído naquele chão de cerâmica e Rick amaldiçoou-se por ter deixado Kate sozinha.

Não devia ter ido tão longe ou talvez isso não passasse de um ataque de pânico por parte dele. Ataque de pânico ou não, não deveria ter demorado tanto e ele não conseguiu evitar a jorrada de palavras de baixo calão que saíram de sua boca enquanto ainda tentava achar uma explicação para tudo aquilo. Pegou o celular dela em suas mãos, buscando as últimas ligações, pois talvez tudo aquilo não passasse de um mal entendido. Talvez alguma ordem de última hora de Gates, pedindo para que Beckett fosse ao distrito, afinal ela ainda tinha que prestar depoimento. O barulho do trinco da porta sendo aberta impediu Castle de completar a ligação.

- Aonde você esteve? – disse ele, ouvindo o ecoar de um trovão abafando sua voz.

"Mais uma vez ela acordou estremecida pelas suas lembranças. Aquele primeiro dia fora daquele hospital estava sendo terrivelmente pior que os outros dias. O medo, a insegurança, a presença constante de Castle ao seu lado... Sim, ele esteve com ela todos os quatro dias que ela passou no hospital, mas agora ali, tão mais próxima dele e sem testemunhas já que ela mesma havia despachado a polícia que fazia sua proteção, ela precisava focar na única coisa que realmente pretendia fazer com ele: protegê-lo de si mesma.

Ofegante e irritada, acima de tudo, pela enorme sensação de impotência ela se levantou apressada e caminhou de um lado para o outro dentro do pequeno ambiente, ignorando as dores de seu corpo ainda presentes, embora que amenizadas. Pegou sua mala com algum esforço e começou a procurar uma roupa mais decente do que a que estava usando. Uma a uma as peças de roupa foram sendo lançadas ao chão, pois a pressa de sair dali antes que Castle chegasse era prioridade máxima.

O quarto começava a atingir um nível caótico de desorganização e o excesso de movimentos pelo cômodo fazia as partes de seu corpo voltarem a latejar.

- Não, agora não... – ela murmurou estressada ignorando os alertas de mal estar.

Foi até a mesa de cabeceira e pegou o frasco de medicamentos para uma nova dosagem, mas suas mãos trêmulas não conseguiam abrir aquele maldito tubo de plástico. Ela puxava com raiva e de qualquer maneira aquela pequena tampa até que finalmente ela sacou, espalhando mais comprimidos do que ela precisava pelo chão. Pegou dois deles, do chão mesmo, e renovou sua dose, drogando-se outra vez à procura de seu celular sem se importar com toda aquela enorme bagunça.

Digitou alguns números enquanto engolia um pouco de água e informando o local do encontro decidiu que já era hora de sair do quarto. Jogou o celular em cima da cama, mas ele quicou em cima do colchão caindo mais longe do que deveria, mas ela não se importou, pois não queria aquele aparelho a incomodando com ligações que ela não iria atender. Casaco vestido, um cachecol para abafar ainda mais o frio, ela se dirigiu à porta tateando como de costume sua cintura em busca de sua arma, mas ela não estava mais lá. Suspirou. Nessas horas ela realmente se arrependia de ter abandonado seu cargo na delegacia.

Voltou-se para dentro do cômodo pensando onde poderia estar sua arma reserva. Castle não deixaria à mostra, mas também não esconderia tão bem assim, para o caso de uma emergência. Caminhou até a pequena mesinha que se localizava entre as duas camas de solteiro deles.

- Bingo! – ela moveu apenas os lábios. – Clássico Castle...

E então, colocando a arma no cós de sua calça, liberando um pequeno sorriso, e dando uma última olhada em todo o quarto, simplesmente sai, pensando consigo mesma ao fechar a porta.

- Depois eu arrumo toda essa bagunça."

- Aonde você esteve? – perguntou ele novamente, olhando para Kate que caminhava lentamente até a cama, com suas roupas encharcadas que ainda molhavam o chão do quarto. Ela o ignorou, limitando-se a não responder, apenas tirando sua pistola e colocando em cima da mesa, começou a tentar arrumar todas aquelas coisas.

- Mas o que... - Castle observou atordoado o fato de ela ter encontrado aquela arma, saído com ela e voltado naquele estado. - O que você fez? Onde você estava? Você não vai me falar?

- Estava por aí, Castle... - disse ela não dando tanta importância, ficando impaciente com o excesso de perguntas dele. - Não aguentava mais ficar pressa nesse quarto.

- Kate... Você sabe das ordens de Gates. – perguntou ele ainda falando com as costas dela, esperando uma resposta meio sensata da boca dela. – Por que não me esperou, ou... me avisou?

- Por que eu queria sair! - ela gritou, estressada. - Precisava ver pessoas, ouvir os barulhos de uma cidade, precisava de espaço! Eu não sou seu cachorro que você pode manter trancado em um quarto e levar para passear quando você bem quiser!

Ele não acreditava que ela realmente havia dito disso.

- Meu cachorro?! – disse ele inconformado. - Você ainda não percebeu o que está acontecendo à sua volta? Você acha que eu estou adorando essa situação?

- Tenho quase certeza! – disse ela virando bruscamente de frente para ele. – Acho que está adorando o fato de ficar escondido, o submundo... Não é você que adora brincar de ser policial?! Não é você que adora passar na pele aquilo que deseja escrever em seus livros?! - despejou ela, e pode ver perfeitamente a expressão dele mudar.

- V-o-c-ê realmente acha que eu estou contente de ter que ficar longe da minha família? – respondeu ele um pouco surpreso pelas palavras dela. - Você realmente acha que eu estou adorando ficar aqui? Nesse hotel ba-ra-to?

- Então por que não vai embora? - bradou ela, jogando o resto de suas coisas em cima de sua cama. - Não é atrás de você que estão mesmo!

- É exatamente isso! Há um louco atrás de você! – gritou ele bem mais alto que ela, se aproximando de Beckett. – Não sei se caiu ainda a sua ficha a respeito disso! Tem um psicopata, bandido, assassino que pelo estado em que ele te deixou já demonstrou que é capaz de tudo! Mas ele poderia parar, ele poderia se você desistisse de tudo, porque esse louco só está atrás de você por que a sua teimosia é maior que a dele!

- Volte para sua casa, Castle! - falou ela, esbravejou ela. - Volte para sua família, para sua vida! Volte para a sua realidade, ou melhor, sua ficção, volte a fazer tudo que fazia antes, e tenha sua vida "normal" de volta, com festas e pessoas fúteis!

- Eu não posso voltar pra minha casa porque por que um lunático, psicótico e quase mais louco do que você, destruiu tudo que estava a sua frente, jogando sangue para todos os lados. Esse mesmo cara que quase matou você transformou o meu lar em uma cena de crime!

Ela tentou caminhar para longe dele, mas dando um passo em falso a dor não permitiu, obrigando Castle a segurá-la para impedi-la de cair a seus pés. Agora que ele a estava segurando, forçou-a a olhar para ele vendo o medo, a mágoa e a fúria brilhando naqueles grandes olhos verdes.

- Olhe para você, mal consegue ficar sobre os dois pés sem vacilar! – ele soltou uma risada debochada, que ocultava sua verdadeira preocupação. - ACORDA BECKETT! Desiste de tudo isso! Vá viver a sua vida, enquanto você ainda tem! Pare viver do passado!

As palavras apenas saíram de sua boca, sem medo, sem peso, sem hesitação. Essa conversa estava há muito tempo sendo adiada, mas pelo que parecia, hoje era o dia de colocar os pingos os "i's"

- Castle chega!... – disse ela com um tom de desprezo, desviando o olhar dele. - Eu realmente estou cansada.

- É claro que está! – bradou ele nervoso ao extremo, soltando o corpo dela que imediatamente caiu de encontro ao colchão da pequena cama. – Katherine Beckett, eu queria pode não me importar mais com você! – ele se afastou, indo em direção ao banheiro – Talvez um dia seu simplesmente consiga!

Dito isto, ele bateu a porta daquele banheiro fortemente e ela fechou os olhos em um susto que a fez suspirar, talvez fosse melhor assim, de verdade. Ela o amava, mas tudo isso chegou a um nível em que realmente não importava mais. A família dele esteve por um breve momento em risco, e ela iria dar um fim nisso tudo, mesmo que isso significasse por um fim também no relacionamento deles, ou quem sabe ate mesmo a sua vida.

MÚSICA: I WILL WAIT - LITTLE MIX

- Você sabe muito bem que não deveria estar aqui... – disse Esposito, sentando no banco ao lado dela na cafeteria que há quase ao lado do Hotel em que ela e Castle estavam hospedados.

- Eu não sabia que você havia se tornado meu pai – disse ela baixando o jornal que segurava à sua frente – e você sabe muito bem que não sou de ficar escondida – respondeu ela pegando a xícara de café a sua frente e degustando aquele sabor único.

- Eu sei, mas o susto que você nos deu... Ainda estamos tentando nos recuperar...

- Sinto muito... - ela baixou o olhar.

- Lanie está louca querendo vir ver você. - disse ele não querendo deixar o clima tenso ali e ordenando outro café para ele. - Mas precisou viajar a mando de Gates.

Kate suspirou. Também sentia falta da amiga, mas com a ordem de Gates em ficarem escondidos no quarto de hotel, sem visita, estava matando-a e matando o Castle ao mesmo tempo.

A mão de Kate estava sobre o balcão brincando nervosamente com as folhas do jornal que estava a sua mão. Um jornal antigo, que em sua capa tinha a fatídica matéria sobre o dia em que ela havia sido encontrada no beco, trazendo todas as lembranças à tona, e cada vez que isso acontecia, era como se fossem mais dolorosas. A foto que estampava a matéria era dela sendo colocada na cama, totalmente desacordada, e com a mascara de oxigênio em sua face com o semblante cadavérico.

Esposito notou que ela estava perdida em seus próprios pensamentos e quando constatou o real motivo daquele silêncio não conteve o movimento de segurar a mão dela, na ânsia de demonstrar algum conforto. Pode sentir logo que de imediato o refugo dela ao toque que ele havia realizado. Um movimento involuntário, mas que havia se tornado cada vez mais constante em sua vida após o ocorrido com ela.

- Desculpe – disse ela afastando o jornal dela, com se assim sua mente fizesse o mesmo com as lembranças. – Ainda... É... Tudo muito recente.

- Então... O que tinha de tão urgente que não podia falar no telefone? – disse o detetive hispânico tentando quebrar o clima tenso da conversa.

- Javi... Você sabe que eu confio em você... E preciso que faça o mesmo comigo agora.

- O que você quer? – indagou Esposito, mas internamente ele já sabia do que se tratava.

- Preciso de todas as informações que vocês juntaram no distrito – a ela cabia a esperança de que fiel amigo a ajudasse. – Não faça essa cara de surpreso, eu sei muito bem que vocês estão investigando, e você sabe muito bem o que esse caso é para mim.

- Você está louca? Olha como que você está, olha o que esse filho da mãe fez com você! - falou ele meio alto, mas logo se acalmou. - Tenha paciência, Gates ainda vai deixar você voltar para o caso... – disse ele, na intenção de confortar sua parceira.

- Não Javi, depois do que eu vou fazer, ela não vai me deixar voltar – Kate sussurrou para ela aquelas últimas palavras, antes de voltar ao hotel.

Castle deixava que a água escorresse pelo seu corpo na intenção de acalmá-lo e de levar embora consigo todas as dores de suas lembranças. Nunca havia imaginado que seu relacionamento com Beckett acabaria dessa forma. Sim, ele estava preparado para tudo. Estava preparado para os riscos, para as dificuldades, para as ameaças de morte, sim ele estava preparado para todas estas coisas, menos para a dureza do coração dela.

Como assim depois de tudo que haviam passado juntos, ela conseguia ser tão fria? Será que todas as vezes que ela gemeu o nome dele foi uma alucinação travessa do destino que fazia com que ele acreditasse que ela também o amava?

- Idiota! – resmungou ele socando a parede fria do banheiro, enquanto a água escorria pelo corpo dele levando a espuma de seus cabelos de encontro ao chão.

– Idiota! –socou ele mais uma vez o azulejo molhado à sua frente deixando rolar por sua face lágrimas de uma decepção que demoraria a aceitar

- Idiota! –disse ele uma terceira vez, sem saber se agora se se referia a ele mesmo, ou a ela, diante de toda aquela carga de emoções angustiadas. – Eu ainda amo você...

Sua voz saiu estrangulada, abafada pelo soluço afogado pela água daquele chuveiro elétrico que já não liberava mais água quente. Sentada sobre a cama, Kate tremeu ao ouvir aquelas palavras vindas do banheiro. A chuva havia cessado tornando a noite extremamente silenciosa, fazendo um mísero suspiro soar como um estrondo pelo local. Fechou os olhos, deixando algumas lágrimas caírem enquanto retirava suas botas que massacraram seus pés. Vestiu uma roupa seca, e logo depois pegou os analgésicos renovando a dose, deitando-se imediatamente em seguida na esperança de fazer simplesmente tudo aquilo parar. As dores em seu peito, as brigas com Castle, o frio em sua pele e acima de tudo a dor em seus pés.

Castle saiu do banheiro enrolado na toalha, caminhou alguns passos na penumbra em busca de sua roupa, se vestindo grosseiramente ainda afetado pela raiva. A luz da rua pouco iluminava o quarto, mas ele percebeu que ela estava deitada, os pés em cima do travesseiro. Precisava relaxar um pouco então ligou a luz do abajur e pegou algumas folhas de papel para rabiscar as palavras que inundavam sua mente. A mudança na luminosidade fez com que ela se mexesse, encolhendo-se sobre a cama e ele teve a impressão de ouvi-la murmurar algo.

- Kate?– disse ele, sussurrando, mas mesmo assim ela estremeceu. - Fale mais alto, eu não entendi...

Os murmúrios continuavam palavras desconexas, aquele corpo sobre a cama tremia como se estivesse totalmente descoberto em um dos dias mais frios em Nova Iorque, algo que estava completamente errado, tendo em vista a grossa coberta que estava em cima dele. Castle tentou fazer com ela ficasse de frente para ele, mas cada vez que tentava fazê-la virar Beckett se encolhia mais e mais fazendo o usar um pouco mais de força.

- Kate, acorda... - falou ele com o coração mais brando. - Você está tendo um pesadelo?

Ela se debatia de um lado para o outro e quando ele passou a mão em sua testa para tirar o cabelo que teimava em cair em frente ao seu rosto, descobriu a razão de toda aquela tremedeira. Kate estava ardendo em febre. Ele a deixou momentaneamente levantando-se da cama, indo com passos largos até o banheiro, em busca de um remédio, uma compressa ou qualquer coisa que pudesse diminuir a temperatura alta da detetive. Tantos remédios, tantos frascos de coisas diversas, mas nenhum antitérmico. Droga!

- Kate... –chamou ele sentando-se outra vez ao lado dela, com uma toalha molhada em água fria nas mãos. – Fale comigo... Sou eu... Castle...

- Cas-tle...? – a voz dela saiu frágil e indefesa. – Castle... onde você está?

- Estou aqui... – ele dizia, passeando a compressa sobre a testa dela. - Eu...

- Vem me buscar, Castle... – ela delirou outra vez. – Eu preciso de você...

O coração dele deu um golpe apertado em seu peito pela forma como ela chamava por ele.

- Eu estou tão assustada... - os lábios dela tremiam de medo e frio.

- Kate... – ele tentou virar o rosto dela para ele segurando-o com uma das mãos. – Olhe pra mim...

- NÃO! – ela gritou, sentando-se subitamente na cama e empurrando o corpo másculo que teimava em segurá-la. – ME SOLTA!

- Calma Kate, sou eu... – dizia ele esquivando dos movimentos bruscos que ela fazia para tentar se soltar.

- Pare! – ela continuava gritando, usando a pouca força que tinha, tentando afastá-lo de todas as maneiras inclusive com os pés.

- Pare Kate, eu não quero que se machuque...

Era a única do que podia dizer para ela, ele não entendia a razão de toda aquela reação. Será que ela o repudiava tanto assim?

- Me Solta... Por favor... – ela suplicou. – Por favor, por favor, por favor, M-madoxx... De novo não...

Então era esse o nome dele? Maddox. Era isso que a atormentava. Instintivamente ele a soltou colocando ela de frente a ele, tentando olhar dentro dos olhos dela. Ela não ousava olhar para ele. Ela balançava a cabeça em sinal de negação, agora não segurando as lágrimas que teimavam em sair descontroladamente.

- Kate... – ele a sacudiu. – Olhe pra mim! Sou eu, Castle!

Ele disse mais alto e o tom exasperado da voz dele conseguiu finalmente despertá-la daquele terrível transe.

- Castle!? – ela perguntou reconhecendo-o e quando ele afirmou com a cabeça ela se lançou nos braços dele. – Castle!

O corpo dela colado ao dele estava tão quente que chegava a incomodar. Tudo aquilo era um delírio do seu estado abalado de saúde, mas ele sabia que não era só aquilo. Também havia o trauma, o medo de tudo o que ela havia passado durante aqueles cinco dias, mas que ele não ousara perguntar, principalmente para não fazê-la reviver tudo aquilo outra vez.

Beckett se encolhia cada vez mais contra ele, até que literalmente estivesse sentada em seu colo, as pernas ao redor do corpo dele, os punhos fortemente apertados contra sua roupa e rosto que escondia os soluços na curva de seu pescoço.

- Já passou... - dizia ele, afagando suas costas e mexendo em seus cabelos. – Você está segura agora, está tudo bem...

Castle parou de falar sentindo os lábios de Beckett buscarem os seus. Ela tremia e sua respiração era extremamente quente por causa de sua elevada temperatura. Kate estava doente, precisava de remédio, precisava de um médico e ele precisava acima de tudo se conter.

- Kate... - ele se esquivou, contra sua própria vontade. – Você não está bem...

- Eu quero você... – dizia ela insistindo nas carícias que iam se tornando mais ousadas.

- Não... – disse ele tentando contê-la sem machucá-la. - Eu... Vou levar você para o hospital...

- Faça amor comigo, Castle... – sussurrou o vapor quente de sua voz em seu ouvido. – Eu sei que você me quer...

Castle fechou os olhos suspirando sentindo todo o corpo vibrar pelo dela, mas ele não podia ceder ao que ele ainda queria.

- Não. - falou ele segurando firmes os dois punhos dela, encarando-a.

Ela parou subitamente, piscando os olhos devagar para ele e, perdendo o ritmo da respiração, amoleceu nos braços dele, inclinando-se levemente para trás, desfalecendo inconscientemente.


tbc...

desculpa a demora meninas...commentem... *.*