MÚSICA: THE RED JUMPSUIT APPARATUS - YOUR GUARDIAN ANGEL
Tudo em sua mente girava como flashs de uma vida passada. As lembranças trazidas à sua memória relembravam-na do que ela muito queria, mas não conseguia esquecer. Castle.
Lembrou-se daquela noite no barzinho onde ele arrancou toda sua verdade pressionando-a contra a parede em um beijo sofridamente sensual. Lembrou-se de como abandonou o detetive londrino Colin Hunt naquele lugar sozinho, assim como Castle deixou aquela flight attendant mofando à sua espera, enquanto ele finalmente seguiava para o seu loft com o amor de sua vida. Beckett.
A noite de sexo fora inesquecível e ainda mais inesquecível foi à maneira como aquele maldito controle caiu no chão daquele escritório revelando para ela a verdade que ele não teve a coragem de dizer. Ela deveria saber disso.
A dor contida na face e no peito de ambos era intensificada com a distância e a ausência deles dois da vida um do outro. Ela queria assim, e era o que ele tentava fazer, mas nunca era o que conseguiam. Sendo em uma bebida amarga que traíra a mente dela levando-a para a casa dele e para cima de um piano ou pela chuva que os deixara presos no precinto promovendo o pós treino de boxe mais excitante que ela já tinha tido, algo sempre os trazia de volta para eles mesmos. Seja para todos os cafés não tomados e bilhetes não lidos, o universo sempre lhes trazia de volta ao ponto crucial da situação. Eles.
E então, houvera mais testes quando ele fora baleado na frente dela ou ela desaparecera por dias ficando nas mãos de um homem muito, muito violento. Tudo sempre acontecia de uma forma que os levasse a acreditar que ao mesmo tempo em que deveriam estar separados pelas mentiras e traições, a única forma de se manterem sãos e vivos era essa. Juntos.
Agora ela estava em seus braços, desacordada, ardendo em febre, delirando coisas sem sentido e sua mente fervilhando lembranças desconexas de uma verdade que ela não aguentava não mais admitir. Katherine amava Richard.
- Kate?... – falou ele horrorizado, vendo-a completamente desacordada enquanto a apoiava com as duas mãos. – Kate, fale comigo...
Nenhuma resposta, e o coração dele disparou a bater mais rápido enquanto a colocava adormecida sobre a cama. A febre estava alta, realmente muito alta e Castle sabia que tudo aquilo não passava de delírios do seu estado debilitado que a levara à inconsciência. Ele passou as mãos pelos cabelos de um jeito ansioso e decidiu fazer a única que podia, já que não havia medicamentos apropriados e qualquer transporte para o hospital mais próximo demoraria mais do que ela aguentaria esperar.
Rick começou a desfazer-se das roupas dela de maneira urgente, fazendo-a gemer aleatoriamente, deixando-a apenas de calcinha e sutiã. Tomou-a no colo, esclarecendo a ela o que estaria fazendo, caso pudesse ouvi-lo, indo em direção ao banheiro. Depositou-a no chão segurando-a com uma das mãos, apoiando-a contra o próprio corpo, e com a mão livre ligou o chuveiro de água fria.
Devagar e com cuidado, ele colhia a água em suas mãos trazendo-a sobre o corpo da detetive na tentativa de diminuir a febre e fazê-la melhorar. Ela gemeu ao primeiro contato, esquivando-se do toque, mas ele insistia molhando-a cada vez mais até finalmente fazê-la despertar.
A água descia sinuosamente das mãos dele pelo rosto e pescoço da detetive deslizando até o encontro de seus seios e escorrendo por todo seu corpo, fazendo a pele dela arrepiar e a dele voltar a estar aquecida. Como ele sentia falta de tocá-la, de ter aquele corpo esbelto apertado contra o seu, possuir cada centímetro daquela pele macia como seda, mas ele não podia pensar nisso. Não ali. Não agora.
- H-mm...– ela arfou, tremendo o próprio corpo. - p-are...
- Shh...tenha calma...já está acabando...você já vai melhorar...
Ele falava sussurrando, devagar, marcando cada ponto em sua voz, mas ainda assim ao abrir os olhos Kate se assustou, afastando-se repentinamente do corpo dele, batendo o corpo contra a parede gelada daquele pequeno banheiro.
- Saia de perto de mim! – gritava ela, encolhendo-se e escorregando ao chão, ficando quase em posição fetal, o medo estampado em seus olhos.
- Kate... – Castle levantou as mãos de um jeito inofensivo. – Sou eu, Rick. Não vou machucar você.
O pânico tomava conta de Castle, ele não sabia que o que estava acontecendo, e nem por que dela estar reagindo dessa maneira. Ela tremia. Medo, frio, fraqueza, os olhos selvagens fixados à figura de um homem imponente à sua frente que calmamente tentava se aproximar.
Uma imagem turvada por suas lágrimas e ainda mais desfocada pela sua memória. Ele percebeu os olhos vermelhos dela, a respiração temerosa, o olhar assustado como uma presa sentenciada diante de seu predador e seu coração desmoronou.
- Kate... – sussurrou ele, colocando as mãos no rosto dela de um jeito que ela não se viu permitir. – O que fizeram com você? – Castle havia igualado as alturas, abaixado diante dela, tentando entender o que realmente estava acontecendo ali.
A voz daquele homem era macia, cuidadosa, segura e a respiração quente dele afagava o rosto dela cujas mãos dele passeavam sobre. Encostou sua testa na dela, demonstrando dessa maneira que ela agora estava com ele, protegida. Pegando-a pelos ombros a ajudou levantar de forma suave, puxando-a novamente para seu abraço protetor, sentindo ela se debater contra o seu peito à procura de uma saída que ela não acharia tão cedo. A única coisa que restava a ele era esperar que ela desistisse de lutar e cedesse. Depois disso, ele cuidaria de tudo para que ela ficasse bem, e ali ficaram até que ela finalmente desistiu.
- P-orque você esta fazendo isso? - ela chorou contra o peito dele - Você quer se vingar de mim? Você me odeia não é?
-Não Kate... eu não te odeio.- sussurrou ele afagando os cabelos dela - Por mais que eu tente ódio é o único sentimento que não consigo ter por você.
Castle se afastou um pouco levantando o rosto dela para encará-la e prosseguiu.
- Eu... amo você Kate...já tentei não amar, tentei te esquecer mas, não consigo...
- Castle...eu estou tão... cansada e... confusa...eu não sei o que fazer...eu...
- Diga que você me ama. Eu sei que você também se sente assim eu só preciso ouvir isso..."eu amo você"
Ela se inclinou para beijá-lo, mas, ele a deteve mais uma vez com um semblante decididamente sério.
- Diga, ou eu saio por aquela porta, e juro que nunca mais eu volto. Eu desisto de algo que pelo visto existe apenas em mim...
E nesse momento ela quebrou a pequena distancia que os separava, decidindo finalmente se render a tudo. A ela mesma. A ele. Acariciou o rosto dele com cuidado fazendo seus dedos roçarem a forma de seus lábios devagar contornando enquanto seus olhos devoravam aquela carne macia com um intenso desejo.
- Eu amo você Castle... – sussurrou ela levantando os olhos para fitá-lo. – Mas tenho meus motivos para acreditar que esse amor vai apenas nos machucar e...
Os lábios dele calaram os dela buscando-os com urgência. Os dois braços dele envolveram-na pela cintura colando-a novamente a seu corpo fazendo os dois gemerem sentindo as línguas dançarem uma contra a outra num ritmo hipnótico e arrebatador que regeria os próximos movimentos, sentimentos e sensações.
Richard pressionou o corpo dela contra a parede e as mãos de Kate puxaram a camisa encharcada dele rapidamente jogando-a num canto qualquer do banheiro. Ele avançou novamente faminto sobre a boca dela e as mãos dela desceram em sentido à calça dele fazendo ele quebrar o beijo deixando os dois ofegantes, insatisfeitos e sedentos por mais.
- Kate... Não...- falou tentando assumir algum controle. - Você está doente... Nós não podemos...
- Faça amor comigo Castle...- sussurrou ela beijando os lábios dele torturantemente devagar. - Aqui...agora...eu amo você...eu sinto sua falta...
MÚSICA: MATTHEW WEST - SAVE A PLACE FOR ME
Como resistir aquilo? Ele não queria, ainda mais com ela suplicando para ele daquela forma. Finalmente Kate havia admitido, havia falado o que verdadeiramente sentia por ele, mesmo que fosse uma única vez. Não era somente mais um daqueles momentos que estavam entorpecidos pela paixão de seus corpos. Naquele momento, Kate Beckett baixou as armas, a heroína se tornava agora apenas mulher... E sim, ele a queria tanto ou mais do que ela.
O beijo recomeçou lento e as mãos dele correram ao longo do corpo esbelto encontrando o fecho do sutiã molhado. Jogou a peça íntima para longe liberando os seios para suas mãos enquanto permanecia navegando na boca daquela mulher que afagava seus cabelos aprofundando cada vez mais o beijo. Kate gemeu sentindo as mãos dele movendo-se contra o toque gerando mais intimidade e aumentando o estímulo de ambos.
Os lábios dele desceram saciando sua sede ao sentir o gosto dos seios dela em sua boca aumentando ainda mais o seu desejo, fazendo sua excitação pulsar forçando o jeans de sua calça repleta de água. Ele queria degustá-la devagar e assim a saboreou com vigor e muito prazer até ficar semi-satisfeito e levá-la à beira da loucura.
- Cas-tleh... - ela gemeu fora de si.
Ele ainda se lembrava de todos os sinais do corpo dela. Voltou a beijá-la sentindo o corpo dela contorcer-se reagindo à ereção dele completamente perceptível. Kate retirou o resto de roupa que ele vestia liberando-o, tocando-o, estimulando-o, e fazendo-o mordê-la de maneira dolorida e deliciosa. A eterna mistura de sentimentos e emoções que apenas os dois conseguiam compartilhar apenas provocava um ao outro. Ela voltou as mãos para o próprio corpo retirando a calcinha sinuosamente roçando-se nele, fazendo-o se sentir ainda mais vivo, quebrando o beijo em busca de fôlego mas gemendo outra vez ao senti-lo sugar o seu pescoço.
- O que você quer? - sussurrou completamente louco por ela, passeando as mãos pela pele macia e carnuda até chegar ao encontro das pernas dela.
- Você... - gemeu ela ao senti-lo friccionar seu clitóris. – Você... dentro de mi-m...
Subitamente deslizou os dedos, torcendo-os dentro dela provocando-a e fazendo-a ofegar. Movimentos ágeis, e precisos que a deixavam louca de prazer. Ele não podia evitar de sorrir sabendo que aquilo não seria o suficiente nem para ela muito menos para ele.
Rick apoiou as duas mãos na cintura dela erguendo-a e Kate rapidamente envolveu as pernas no corpo dele descansando os pés machucados que ainda doíam, mas que agora simplesmente não importavam mais.
- Olhe pra mim... - disse ele por um momento e encarando-a.
Os olhos dela se abriram fitando-o e então ele a penetrou lentamente sentindo cada músculo dela se amoldar ao dele e a expressão dela se desfez e se refez sentindo o prazer de tê-lo dentro de si. Ele adorava vê-la assim. Entregue, sem medos, e sem desculpas, simplesmente... Dele. Castle se retirou e a invadiu novamente de uma vez fazendo-a jogar a cabeça pra trás em um sorriso malicioso.
Mais um encontro de corpos e os lábios dela buscaram os dele sedentos, as duas mãos apoiadas nos ombros dele enquanto ele a mantinha suspensa e totalmente preenchida por ele. A língua de Beckett o provocava imitando os movimentos dele. Kate o arranhava, mordia e cada ação refletia em mais forca, mais intensidade, mais prazer até que ele a viu gritar, alto, livre, satisfeita e ele realizado a seguiu enterrando-se impiedosamente nela ate o fim do orgasmo dos dois.
Os dois pararam por um momento. Plenos, saciados, desfrutando daquela doce fraqueza que os deixava mais fortes, mais próximos, unidos, um. Rick ofegava, aspirando o cheiro molhado de Kate beijando vez por outra o pescoço de sua musa enquanto ela acariciava os cabelos dele sem pressa nenhuma. Castle envolveu os braços ao redor de Kate descendo-a levemente sem, contudo, soltá-la, seus pés apenas roçando o chão e seu corpo ainda colado ao dele. Ficaram abraçados um pouco mais, temerosos de qualquer coisa que pudesse afastá-los até que Kate estremeceu. Passada a adrenalina, seu sangue voltou a circular devagar por seu corpo revigorado mais ainda fragilizado trazendo ambos de volta a realidade.
- Você está bem? - disse ele analisando o rosto dela por onde passeava uma de suas mãos.
- Me sinto maravilhosamente bem. - respondeu ela com um sorriso fraco, porém genuíno.
Castle depositou um suave beijo nos lábios dela, conduzindo-a até debaixo do jato de água que continuava ligado.
- Fria demais? - perguntou ele.
- Não, está ótima. - respondeu ela fechando os olhos sentindo a agua cair sobre o seu rosto.
Ele passeou as mãos ensaboadas pelo corpo esbelto fazendo-a se contorcer e sorrir voltando sua atenção para ele com os olhos densos de desejo. Sim, essa era a Kate Beckett que ele conhecia. Forte, intensa, doce, sexy. Insaciável.
- Deseja alguma coisa? - disse ela inclinando-se para beijá-lo.
- Eu desejo tudo com você... - sussurrou ele aceitando o beijo. - Mas, agora você precisa descansar. Ainda estou preocupado...
Beckett fez menção de protestar, mas apenas se aninhou nos braços dele enquanto ele massageava suas costas. Terminado o banho, Rick a conduziu com cuidado até a cama, ajudando a se vestir com uma de suas próprias roupas, deitando-se ao lado dela.
- Te amo... - falou ele ao pé do ouvido dela.
A única coisa que ele sentiu foi o corpo dela buscando o dele para se aninhar, e sua cabeça mover em sinal de positivo para aquilo que ele havia acabado de falar. Castle puxou as cobertas para eles, aconchegando-a em seus braços e permitiu que sono tomasse conta de seu corpo também.
O sono e o cansaço haviam tomado conta do corpo de Kate, Castle saiba que ela precisava daquelas horas futuras horas de sono, para tentar recompor as suas energias, amanhã seria um novo dia, na nova vida do casal. Assim ambos dormiram quase que imediatamente.
Os raios de sol entravam pela desproporcional cortina que havia no quarto, informando aos dois, que ainda dormiam de corpos colados, que o dia estava começando a surgir. Hora de eles começarem a buscar uma nova realidade para ambos, essa vida de lutas e fugas, negações e aceitações acabava ali. Era chegada a hora de eles viverem para si mesmo, esquecerem o passado e começarem a planejar o futuro.
Passos foram ouvidos do lado de fora e prontamente ignorados pelos dois. O que estavam vivendo agora era muito mais importante do que qualquer atividade do mundo exterior. Castle era um escritor, o qual se voltava para o mundo das letras e das fantasias, mas sempre procura ver com realidade o seu dia-a-dia. Hoje ele se permitia pensar que o que estava vivendo agora era um conto de fadas, um daqueles onde o mocinho finalmente fica com a mocinha para "todo o sempre".
Aqueles passos continuaram e agora vozes cochichando também eram ouvidas. Castle continuava ignorando, com a certeza que nada poderia estragar esse momento ou poderia tirá-lo desse mundo de fantasias para onde ele se deixou levar. Apenas quando o forte estrondo de algo caindo ao chão o despertou de seus devaneios, o seu corpo reagiu, saindo imediatamente da cama.
Levou as mãos à cabeça em uma tentativa frustrada de arrumar os cabelos seguindo para a porta. Destravou a mesma e a abriu. a cena que se fez a sua frente, nem em seus melhores dias de escritor, não conseguiria descrever o que sentiu. À sua frente estava o corpo de seu amigo, Javier. Esposito estava morto.
Nota das autoras: Peço desculpas pela demora absurda na postagem do capítulo, é que imprevistos acontecem na vida de qualquer um, mas imprevisto com bloqueio é a pior coisa, mas finalmente saiu, vamos ver se conseguimos continuar com as postagens semanais, mas não prometo por que a vida das duas anda bastante "movimentada". A vocês que esperaram o capítulo, espero que tenha ficado do agrado de vocês. Muito obrigada mais uma vez pelos comentários, e por não desistirem da fic! Um grande abraço e até o próximo capítulo! ;) Ah! Comentem! kkkk
