Disclamer: Inuyasha não é meu, pois se fosse eu estava casada com o sesshomaru.

Ok, cá vamos nós ao segundo capítulo de "Meu adorado herói".Desculpem ter demorado tanto tempo a postar esse capítulo, mas tive exame intermédio de filosofia (odeio filosofia!).Vou tentar postar mais rapidamente os capítulos, pois tenho a historia toda adaptada, mas estou no final do ano escolar e tenho seis testes e seis trabalhos para entregar em quatro semanas, tentem compreender.

Ao longo dos próximos capítulos vão surgir novos personagens, por isso se tiverem duvidas, já sabem, review.
Vamos ao que interessa!

Capítulo II

— Espero que não apanhe um resfriado.

Ele se preocupava com ela! Tentou lançar-lhe um olhar sedutor, sem sucesso.

— Está bem longe de Wedgfeld Hall — comentou, apenas.

— Verdade.

— Eu também. — Notando-lhe a expressão intrigada, ela acrescentou: — Longe de minha casa, eu quis dizer.

— Ah. — Inuyasha a fitou com uma expressão estranha. — Desculpe, srta. Higurashi, mas tenho de ir.

— Espere! — Erguendo-se na ponta dos pés, Kagome o segurou pela lapela e o beijou no rosto. A pele dele era quente e um tanto áspera. Respirou fundo, inalando a fragrância máscula que ele exalava.

Enquanto decidia se deveria sentir-se mortificada ou feliz, passou a língua nos lábios, saboreando seu gosto. Inuyasha não se afastou. Começou a inclinar-se!

— Sei que você é o mais honrado... e o mais desejável dos homens — ela completou num murmúrio, certa do que estava por vir.

Esperou pelo que lhe pareceu uma eternidade. Enquanto esperava, imaginou o que Inuyasha faria se ela o enlaçasse pelo pescoço e beijasse a força aqueles lábios entreabertos de espanto.

Finalmente, ele se manifestou.

— Aposto como Rumiko não planejou esta cena.

— Rumiko? O que ela tem a ver com...

— Por acaso Rumiko sugeriu que você teria um papel importante nesta história? Confesso que não acho que seja possível.

Kagome soltou uma exclamação. Como Inuyasha ousava pronunciar o nome de outra mulher num momento como aquele? Um herói que se prezasse deveria reconhecer tal indelicadeza.

Colocou as mãos na cintura. O torpor que a envolvera, começava a desvanecer.

— Vamos nos concentrar, por favor. Eu estou aqui e não Rumiko.

Ele assumiu uma expressão solene.

— A saúde dela é precária. Temos de nos comportar como ela deseja.

Kagome pensou que gostaria de trocar algumas ideias com a escritora sobre desejos. Os dela quase tinham se tornado realidade. Inuyasha, sem dúvida, estivera perto de fazer um movimento... ou de permitir que ela mesma fizesse.

— Lamento saber que ela está doente, mas isso não impede que passemos algum tempo juntos.

Os lábios dele se curvaram quase imperceptivelmente.

— Desejo-lhe uma boa noite, srta. Higurashi. — Com outra mesura, Inuyasha se afastou.

Abanando o rosto afogueado com a mão, Kagome deu um suspiro.

— Bem, pelo menos, eu o beijei.

Mesmo sem a participação de Inuyasha, o breve roçar de sua pele na dele superara todos os encontros românticos que já tivera na vida. E Inuyasha não ficara indiferente ao beijo. Ela ouvira sua respiração mais forte, sentira-o começar a inclinar o corpo na direção dela... Se tivesse a sorte de continuar sonhando, mesmo depois do toque do despertador, Inuyasha Taisho notaria o coração apaixonado que batia em seu peito quase desnudo.

Retomou o caminho de volta. Andava devagar, pensativa, até que se deparou com alguém bloqueando seus passos. Após um suspiro exasperado, ergueu os olhos e encontrou o olhar furioso do pai de Sango .

— Explique-se — ele ordenou, os lábios tão contraídos que quase desapareciam. — Nunca tive a infelicidade de testemunhar um comportamento tão desprezível.

— Não sei do que está falando.

— O sr. Taisho vai se casar com a minha filha. Seus atos são uma traição à minha família e à sua também.

Com as mãos na cintura, Inuyasha o enfrentou.

— Vou repetir: não sei do que o senhor está falando. E mesmo que soubesse, o meu comportamento é problema meu. Agora, por favor, deixe-me passar.

As narinas do homem inflaram-se de raiva.

— O casamento será anunciado em breve e não irei tolerar esse seu comportamento reprovável! — Em vez dar-lhe passagem, ele avançou um passo. — Não fosse seu pai, meu amigo, eu a expulsaria imediatamente de minha casa!

O pai dela? Ele não o conhecia e, além de tudo, o pai dela estava bem vivo!

Kagome abriu a boca, tentando se defender, mas o homem odioso afastou-se com passos rápidos, aparentemente acreditando que a assustara. Atrás dele, uma porta bateu ruidosamente.

Ela estremeceu com o frio da noite, sentindo-se sozinha e longe de casa, mesmo sabendo que se tratava de um sonho.

Entrou e subiu o primeiro lance da escada. Estava decepcionada e confusa. Nem mesmo em um sonho, onde supostamente ela daria as cartas, conseguiria conquistar um homem decente?

Kagome acordou no salão de baile com o mesmo vestido dourado, e ainda impecável embora tivesse dormido no sofá. A dor nos pés não deixava dúvida de que calçara de novo os sapatos apertados.

Olhou ao redor. O salão estava iluminado por candelabros e repleto de pessoas elegantemente vestidas. A um canto, os músicos tocavam uma canção alegre. Os casais saltitavam na pista de dança, as mulheres com passos pequenos e afetados, o braço enluvado estendido no ar. Os homens, vestindo casaca, acompanhavam com passos largos e mesuras.

Kagome se retesou. Já estive aqui antes.

De repente, sua respiração se tornou fraca e a pulsação descompassada. Não conseguia desviar os olhos do piso de mármore.

Com dificuldade, obrigou-se a erguer o olhar. Midoriko estava novamente a seu lado. Sua consternação era visível.

— Você tem de se aproximar dele. Eu soube que a fortuna do sr. Taisho é substancial... Seis mil libras por ano! Ele é o segundo filho, mas parece que o irmão mais velho foi banido, o que o faz herdeiro da propriedade. O irmão tem apenas uma filha.

— Seis mil libras por ano? — Kagome repetiu com uma voz estranha e infantil.

— Há rumores sobre a situação atual da fortuna da família, mas decidi não dar ouvidos a falatórios. Na verdade, foi somente a sra. Kaede que fez tal comentário, e creio que suas informações não são dignas de confiança. Basta um olhar para perceber que o sr. Taisho é um cavalheiro de posses. E isso, minha querida, será bom demais para você.

Outros tempos, outras maneiras de falar, mas os sentimentos maternos eram comuns em qualquer época... e nunca apreciados por Kagome. Sua boca permaneceu fechada, impedindo-a de emitir qualquer opinião.

Seguindo o olhar de Midoriko, viu Inuyasha Taisho conversando com uma mulher que transpirava elegância, desde o corte perfeito do vestido até os cabelos loiros, presos por uma fivela brilhante.

— Ele é obrigado a conversar com Sango Arakida — Midoriko continuou.

Kagome olhou com interesse para a heroína do livro de Rumiko Takahashi. Nascida e criada na riqueza, emocionalmente marcada por um amor trágico e mal sucedido. Refinada, mas triste. Forte, mas obediente e fiel ao dever.

E, de acordo com o livro, destinada a se unir a Inuyasha.

Em outras palavras, sua rival.

— Essa não! — Midoriko resmungou. — Lá está Kikyou Arato , com a filha desengonçada, implorando a Osao Arakida para apresentá-las ao sr. Taisho... Temos de agir.

Preso às regras de boas maneiras, Arakida forçou um sorriso para as duas mulheres recém-chegadas. Ninguém sabia que ele já considerava Inuyasha Taisho comprometido com sua filha. Provavelmente a notícia ainda não circulara pela sociedade.

— Ahn, mamãe... Estou começando a me sentir indisposta. Talvez não seja o momento certo de nos apresentarmos.

— Bobagem. — Midoriko segurou o braço dela. — Como você quer encontrar um marido se não for apresentada aos bons partidos? Você é uma jovem muito bonita. Só precisa dignar-se a manter a cabeça erguida.

— Está bem. — De novo aquela voz infantil.

Isto é ridículo, Kagome pensou. Sou a mesma pessoa que beijou o Inuyasha ao luar.

Suspirou. Seria mesmo? Confusa, não sabia mais de nada. O salão, as pessoas ao redor, tudo parecia embaçado, as cores se mesclando pálidamente. Os acordes da música se tornaram estridentes demais, insuportavelmente altos.

Concentre-se, Kagome. Não perca o controle!

— Vamos — Midoriko ordenou.

Seus pés, apesar da dor e do inchaço, a fizeram seguir a mulher que se proclamava sua mãe. Midoriko sorriu para Osao, empurrando sutilmente a filha da Sra. Arato, que, assim como Kagome, se mantinha de olhos e ombros baixos.

Abrindo caminho entre os convidados, Inuyasha conduziu Sango à pista de dança. Kagome os observou. Pelo que já lera do romance, sabia que Inuyasha tentaria consolar o coração ferido da jovem sem mencionar sua reputação comprometida.

Muito nobre... Mas revoltante.

Os passos dele eram hábeis e precisos, e seu corpo se distinguia dos demais pelo corte perfeito da roupa. Com a evolução da dança, ele se aproximou de onde Kagome estava. Ela o viu sorrindo para Sango. Um sorriso, sem dúvida, encantador. Era apenas impressão, ou o sorriso não se refletia em seus olhos?

Eles seguiram adiante, mas ela ainda pôde ver Sango piscar e sorrir timidamente para Inuyasha.

Estava tudo errado, pensou, franzindo a testa. Ela não teria muito tempo para reivindicar um abraço ou um beijo de Inuyasha Taisho. Aquela era sua única oportunidade para vivenciar alguns momentos de carinho que alimentariam suas fantasias românticas por muitas noites.

Sango bem poderia sair temporariamente de cena. Afinal, ela o teria pelo resto do livro.

A dança terminou e os casais se dispersaram, alguns rindo, outros cheios de empáfia, o que era muito comum na época.

Midoriko apertou novamente o braço da filha.

— Levante a cabeça, menina! Não é sempre que aparece uma oportunidade assim. — Ela mesma ergueu o queixo de Kagome , segurando-a firme pelo cotovelo, conduziu-a até Osao, que agora conversava com Inuyasha .

As apresentações foram feitas, embora Kagome não tivesse ouvido nem uma palavra. Ele estava perto dela de novo. Muito perto.

— É um prazer conhecê-lo, senhor. — De novo, a voz infantil com sotaque britânico.

Céus, não sou nenhuma garotinha! Respirou fundo, mas as palavras ainda pareciam presas na garganta:

— Acredito que já nos conhecemos.

— Está enganada, srta. Higurashi — Inuyasha respondeu, educado. Seus maxilares se contraíram e os olhos transmitiram uma espécie de aviso.

Kagome franziu a testa. Ele não poderia ter esquecido os breves momentos ao luar!

— Claro que minha filha está enganada. — Midoriko sorriu, sem graça. — Ainda não tivemos o privilégio de conhecê-lo.

Osao observava tudo em silêncio.

— Mas... já nos conhecemos! — Kagome insistiu, esforçando-se para pronunciar claramente as sílabas. — E a impressão que me causou não será esquecida facilmente. — Endireitou os ombros para que Inuyasha tivesse uma boa visão daquilo que o decote não escondia. Quem sabe o gesto reavivasse sua memória.

Ele a contemplou longamente. Claro que se lembrava.

Kagome notou o brilho divertido nos olhos dele. Inuyasha abriu a boca e seus dentes reluziram à luz dos candelabros. Um sorriso tênue curvou-lhe os lábios e, quando os olhares se encontraram, o coração dela quase parou. Foi como se uma câmera cinematográfica fizesse um close de ambos, e todas as pessoas ao redor desaparecessem numa confusão de cores.

— Pode ser... — ele começou, hesitante. — A senhorita me pegou de surpresa.

Alguém emitiu um som estranho e tudo o mais parou. A dança, a música, a conversa.

O sorriso de Inuyasha desapareceu.

— Não diga nada, por favor.

— Outra vez! — Midoriko murmurou, revirando os olhos. — Por que tem de ser sempre tão difícil?

Inuyasha soltou os braços ao longo do corpo.

— Parece que um de nós está disposto a complicar tudo. — Ele encarou Kagome.

Mordiscando o lábio, ela olhou à direita, depois à esquerda, esperando que alguém a incentivasse a dizer tudo que queria. Ninguém se manifestou.

— Rumiko fechou a escrivaninha... Vamos fazer uma pausa — Inuyasha anunciou, dirigindo-se a todos os presentes. Depois, voltando-se para Kagome, segurou-a pelo cotovelo. — E eu e você, srta. Higurashi, precisamos conversar.

Segurando com firmeza o braço dela, ele a conduziu em direção ao jardim. Todas as cabeças se voltaram, mas Kagome não se preocupou.

Suspirou, aborrecida. As coisas não estavam transcorrendo como desejava.

— Há algum problema em dizer o que penso? — foi logo perguntando, assim que chegaram ao jardim.

Com as mãos nos ombros dela, Inuyasha a forçou a encará-lo.

— Srta. Higurashi...

— Kagome, por favor.

Ele soltou as mãos ao longo do corpo.

— Muito bem, Kagome . Você precisa permitir que a autora continue sem a sua interferência.

Ela torceu o nariz. A situação estava começando a incomodá-la. Começos e interrupções, pensamentos que lhe vinham à mente, palavras que não podia dizer. Nada colaborava com sua campanha por um beijo de Inuyasha.

— Veja bem — ela começou. — Talvez eu tenha sonhado com você porque tenho um pequeno problema com relacionamentos que estou tentando resolver. — Revirou os olhos. — É o que minha mãe diria, mas ela não está sempre certa. Tudo o que ela quer é me ver casada, a qualquer custo, com um sujeito rico, membro do country clube.

— Desculpe, não estou entendendo.

Kagome respirou fundo.

— Eu acredito no amor sincero e verdadeiro. Creio que posso me apaixonar à primeira vista pelo homem a mim destinado e viver para sempre com ele. Gosto de pensar que envelheceremos juntos e que eu sempre vou sentir meu coração bater mais forte ao vê-lo se aproximar. — Após uma breve pausa, perguntou: — Isso é tão estranho assim? É pedir demais?

Um sorriso brincou nos lábios dele.

— No seu caso, foi à primeira leitura e não à primeira vista.

— Eu sei. Quando li a seu respeito, senti que tinha o direito de desejar algo melhor, alguma coisa mais... — Fez um gesto evasivo no ar. — Quero um homem de princípios, alguém que saiba lutar por suas convicções. Um homem que me ame pelo que sou. — Ela refletiu por instantes, buscando as palavras certas. — Pense em Cathy e Heathcliff. Romeu e Julieta.

Inuyasha não reagiu. Na verdade, mostrava-se ainda mais perplexo.

Ela tentou novamente.

— Quero um homem que queira saber ao menos meu nome do meio antes de perguntar se quero ir para a cama com ele!

Inuyasha começou a andar de um lado para outro com uma expressão reprovadora, as mãos cruzadas nas costas.

Kagome repetiu a velha rotina de recriminar-se por não ter conseguido medir as palavras.

De repente, ele parou de andar e a encarou:

— Rumiko tem dedicado seus dias, meses até, às personagens desta história. Todos nós — ele fez um gesto, incluindo os que estavam na casa — temos de ter permissão para continuarmos vivendo de forma satisfatória depois da conclusão do livro. Por favor, diga-me por que você está tão empenhada em impedir um final tão feliz?

Objetividade parecia o melhor caminho.

— Porque eu deveria ser a heroína. Eu seria uma boa heroína, eu juro.

— Com esse seu linguajar, só posso imaginá-la como heroína de outra história, srta. Higurashi. Outro livro, talvez. Não este. Esta história deve continuar como Rumiko determinou.

— Pode ser verdade, embora eu me pergunte se você realmente acredita nisso. Mas, desde que não estou realmente aqui, as regras são diferentes.

— Você não está aqui?

— Nem você. Existe apenas no papel.

Inuyasha refletiu alguns momentos antes de contestá-la.

— Está enganada, srta. Higurashi. Está aqui, sim.

—Não é possível. — Ela meneou a cabeça. — Estou sonhando com você. E vou acordar assim que o despertador tocar.

— Despertador?

— Como vê, não temos muito tempo. — Kagome tentou um sorriso provocante, mas os nervos de seu rosto pareciam mover-se em direções erradas. — Quero que saiba que nunca vou esquecê-lo, que me lembrarei de você por toda minha vida!

Ele não respondeu. Suas feições revelavam emoções contraditórias: desde incredulidade até velado interesse.

— Acordarei a qualquer minuto. — Havia uma nota de desespero na voz dela. — É melhor aproveitarmos a oportunidade enquanto estou aqui.

— Srta. Higurashi...

— Kagome.

Kagome... Sei que muitos de nós começamos como um sonho durante o descanso do escritor. Mas, a partir do momento que ele decide nos dar vida... — A frase não concluída sugeria que ela deveria saber completar o pensamento.

Do modo como falava, Inuyasha parecia acreditar que tinha algum tipo de existência.

Frustrada, Kagome tirou as luvas e as jogou na grama. Não precisava manter as mãos e os braços envoltos em tecido e nem de sapatos pequenos demais para seus pés. Inclinando-se, descalçou-os e os atirou longe.

O olhar dele acompanhou o trajeto dos sapatos antes de focalizá-la.

— Quais os fatos que a levaram a formar essa opinião? Ela encolheu os ombros.

— É apenas imaginação da autora. E minha. Você não pode realmente...

Inuyasha se aproximou dela e Kagome estremeceu. Como ele podia ganhar vida, conversar e dançar, ter olhos que a arrebatavam e exalar aquele perfume inebriante?

— Preste atenção. Um autor que dá vida às personagens de modo convincente só é capaz disso porque elas existem realmente. Mas a vida delas só é acessível ao leitor até o final da história.

— Que tipo de vida é essa?

— Uma vida inteiramente tolerável. Devemos acreditar que Rumiko permitirá uma conclusão muito satisfatória para todas as personagens.

O ar se tornou pesado, quase sufocante. Kagome sentiu uma leve vertigem, sua cabeça pendeu e os joelhos ameaçaram dobrar.

Num movimento rápido, Inuyasha a segurou pelos ombros, e meio que a arrastou pelo jardim.

Kagome gemeu. Pedras minúsculas e ásperas machucavam-lhe a sola dos pés descalços a cada passo.

A casaca dele roçando seus ombros, o calor do corpo musculoso sob o tecido era muito reconfortante.

Ela se apoiou nele e Inuyasha a segurou com um pouco mais de força. Sentou-a num banco de pedra e se afastou. A claridade dos candelabros saindo das Aiyalas altas iluminava suas calças claras e os cabelos escuros. Ele parecia estar refletindo muito sobre o que dizer... mas não falava nada.

O vento frio que penetrava pelo tecido fino do vestido de baile a irritou.

— O que estou fazendo aqui, afinal?

— Você é uma personagem de menor importância.

O protesto foi imediato:

— Sou muitas coisas, mas nunca de menor importância!

— Eu nunca soube que você participaria da história.

— Na verdade, eu não fazia parte do livro. — Ela respirou fundo. — Estava no meu apartamento, lendo o livro Wedgfeld Hall. Tudo começou com a pedra dos desejos.

— Pedra dos desejos? — Um lampejo de compreensão iluminou os olhos de Inuyasha — Existem essas coisas, claro. Já ouvi relatos de desejos atendidos. Talvez seja esse o motivo de sua confusão... Parece que seu desejo tornou-se realidade.

De súbito, Kagome percebeu que era a primeira vez que via um sonho seu sendo realizado e riu sem muito humor.

— O fato de você estar na história não é relevante — Inuyasha continuou. — Entretanto, é de grande relevância sua determinação em decidir seu próprio papel na trama. Está colocando Rumiko numa situação difícil.

Ao longe, um cavalo relinchou. O cheiro das árvores, de terra, de flores, encheu as narinas dela. Nada dos sons onipresentes das buzinas e sirenes que pontuavam a vida na cidade grande. Era um mundo diferente.

Devagar, ela se levantou do banco e ficou de frente para ele, perscrutando-lhe o rosto. O que desejava tão loucamente podia estar mesmo ali, diante dela, fitando-a intensamente com aqueles olhos escuros? Se tivera a chance de entrar numa história em curso, seria justo ter a oportunidade de participar dela, de viver uma vida que só conhecia por intermédio dos livros. Deveria poder usar as roupas que tantas vezes se imaginara vestindo, aprender a tocar piano, bordar tranquilamente numa sala de estar, deixar de lado os modos e comportamentos urbanos. Deveria ter um cartão de visitas, escrever e receber cartas. E-mails não eram a mesma coisa.

E quanto às palavras? Queria usá-las solenemente nas conversas do dia-a-dia. Desejava senti-las deslizando de sua boca em outras situações e não apenas na sala de aula, onde acordava de seu quase-transe durante as explicações sobre a época da regência para ver seus alunos olhando-a entediados e desinteressados.

Pousou a mão no peito de Inuyasha, sentindo as batidas de seu coração. Ele a fitou com indisfarçável curiosidade.

— Confesso que você tem um modo peculiar de se expressar. Nunca conheci uma mulher que... — Ele se calou.

Kagome sorriu, pensando nas muitas possibilidades de terminar a frase. Uma mulher que não aceitasse o destino escolhido por outras pessoas. Que pudesse expressar seus pensamentos e opiniões. Que pudesse misturar prazer com a arte de cortejar. Uma mulher moderna, do século vinte e um, que poderia divertir-se num romance da época da regência inglesa.

— Você tem de deixar Rumiko escrever a história que tem em mente. — A voz dele soou meio rouca. — Se continuar insistindo... — Inuyasha engoliu as palavras ao sentir a mão de Kagome em seu pescoço.

— Se vou ficar aqui, há mais coisas interessantes para vivenciarmos.

Ele franziu as sobrancelhas.

— Se a história não transcorrer conforme a intenção da autora...

— As histórias mudam. Todo escritor, qualquer escritor, certamente, dirá isso. — Kagome suspirou. — Você acha que a autora ficaria contrariada se, de repente, desaparecêssemos numa nuvem de fumaça?

Uma expressão de pesar anuviou os olhos dele.

— Vou levá-la para sua mãe.

A decisão de Inuyasha a aborreceu.

— Mas não quero entrar.

— Por favor, diga-me o que pretende, srta. Higurashi .

— Poderíamos simplesmente desfrutar a companhia um do outro.

Mentira. Não era bem isso que tinha em mente: era algo que lhe renderia bons pontos num reality show do século vinte e um, mas que destruiria sua reputação na época da regência na Inglaterra.

A voz dele saiu num murmúrio:

— Rumiko decide todos os passos, todas as cenas...

— Claro que decide. —Kagome semicerrou os olhos, antecipando o prazer de sentir os lábios dele nos seus.

Inuyasha endireitou o corpo e recuou. Ela abriu os olhos e seguiu o olhar dele, fixo em algum ponto distante.

— Ela voltou à escrivaninha. Vamos entrar.

— Não! — Kagome protestou. — Não temos de obedecê-la sempre.

— Ela é Rumiko Takahashi, autora de Wedgfeld Hall, e controla o destino de todos. — Impaciente, ele olhou para a porta de entrada e, depois, novamente para Kagome. — Apresse-se.

— Eu disse que ainda não quero voltar! Você é o herói! Deveria ter o poder de...

— Eu sei que tenho o poder. O segredo consiste em como usá-lo. Se Rumiko está satisfeita com a história que escreveu, temos de continuar fiéis ao seu desfecho. — Ele ergueu-lhe o queixo, obrigando-a a fitá-lo. Seus olhos brilhavam. — Há muito perigo na falta de colaboração. Personagens rebeldes são frequentemente eliminados da história.

Kagome piscou. Tantas vezes ela já fora considerada rebelde, principalmente pelo diretor da escola onde lecionava...

— Vamos. — Inuyasha ofereceu-lhe o braço, deixando bem claro que não havia opção. — Temos de voltar ao salão de baile. Por favor, lembre-se de tudo que falei e comporte-se.

Ele estava se recusando a admitir a eletricidade que havia entre eles? Oh, mas ele mal sabia o que era eletricidade!

Kagome soltou um gemido.

— O que era um pedido há um momento, agora é uma ordem. — Inuyasha a segurou pelo cotovelo, empurrando-a para a frente.

Ela não teve tempo de protestar. Caminhavam rápido, e a saia longa enroscava em seus tornozelos. Sem hesitar, ela a ergueu, deixando-os à mostra.

Se Inuyasha notou, não fez nenhum comentário. Na porta do salão, ele a endireitou. Não havia necessidade de chocar a todos, apesar de ela já tê-lo feito ao segui-lo até o jardim.

Assim que entraram, os rostos se voltaram ansiosamente.

— Desculpem-nos — Inuyasha pediu em voz alta. Todos assentiram e murmuraram algumas palavras, aliviados.

De novo, estavam em seus devidos lugares, Inuyasha parado diante dela. A música tocando e os casais dançando graciosamente, como se nunca tivessem sido interrompidos.

Fim do capítulo II

E aqui termina o segundo capítulo de "Meu adorado herói",espero que tenham algum tempo que não escrevo fanfics (3 anos),perdi a noção do que é um tamanho normal de uma fanfic,por isso se acharem que está demasiado pequeno ou grande,me avisem ok?

Não poderia escrever um comentário do género:"Nossa,o Inuyasha parece gostar da Kagome".Eu já li o livro,literalmente devorei o livro do Nathan e Andy (Inuyasha e Kagome) e sei o fim, é bastante típico de um romance histórico, mas vos garanto que vai haver muitas peripécias.

Um dos motivos que me fez decidir adaptar essa Historia foi o Nathan necessitar ser extremamente polido,ao contrario do que necessitava que o Inuyasha tivesse algo mais,não a estupidez que gerava cenas engraçadas no anime,mas a maturidade que era necessária no sé, que nos dá vontade de bagunçar o cabelo do nathan e tascar-lhe um beijo, só para ele calar a boca e deixar de ser tão correto.

Agora vamos as respostas das reviews.

Priy Taisho:Ainda bem que gostaste,espero que te apaixones por esse é bem diferente do original.

nane-chan3:continua a ler e depois me dizes o que mais gostas,ok?

Neherenia:bem,aqui está o segundo capitulo, mesmo fazer uma fanfic Kagome X Sesshomaru, mas so dará para fazer nas férias,tenho muitas coisas na escola agora, por isso só em julho, talvez agosto, ok?