Rhaegar Targaryen.

Milenna girava em volta de Cersei, conforme o cantor tocava uma doce melodia em uma flauta. Ela ria, quando Jaime abraçava seu delicado corpo e a erguia. E conforme o tom da musica se alterava, os seus movimentos mudavam também: lentos e delicados, para em seguida serem rápidos e animados.

Rhaegar a observava de longe, não se atrevendo interromper seus passos praticamente perfeitos.

A Lannister era bela, bela demais para sua idade, ninguém duvidava disso. Os longos cachos dourados, como um mar de ouro derretido, pareciam flutuar, conforme ela girava.

Mas Rhaegar se recusava a pensar nela da forma que pensava sobre outras mulheres, com quem passava as noites... Milenna era delicada, de um olhar inocente. Parecia errado, de todas as formas, pensar nela, como se já fosse uma mulher.

Entretanto, às vezes não podia evitar, e não foi em apenas uma ocasião em que chamou outra pelo nome de sua noiva. Sabia que não era certo, mas deuses, como poderia resistir?

Ela não tinha mais o corpo de criança, e isso era notável. Ele se odiava por reparar em suas curvas, ou no modo como seu decote mostrava mais do que deveria, cada vez que ela se inclinava.

Balançou a cabeça levemente, tentando se afastar desses pensamentos. Sentiu alguém se aproximar de si.

–Oberyn. –Cumprimentou. De um modo meio estranho, os dois se tornaram amigos, quando ele, juntamente com a irmã Elia, visitaram a Fortaleza Vermelha.

–Rhaegar. –Não eram necessárias cortesias entre eles. –Observando a garota Lannister?

–Me diga Oberyn: Como posso me casar com ela? És apenas uma criança. –Disse, dividindo suas preocupações com o dornes.

–Toda mulher é uma criança, até o momento em que encontra um homem em sua cama. –O príncipe poderia jurar já ter lido essa frase em algum livro qualquer, mas preferiu ficar quieto e se limitar a assentir. Enquanto o amigo se apoiava na parede, preguiçosamente.

–Leoas do Rochedo... –Comentou. - Todos dizem que devem ser difíceis de domar... Meu pai pretende me casar com sua cunhada, Cersei.

Rhaegar riria, se a situação não fosse quase trágica. –Cersei? Se dizem que Milenna é difícil, a irmã deve ser mil vezes pior.

Dessa vez, Oberyn deu uma alta gargalhada, que fez Jaime olhar em direção a eles, o menino nada disse, mas Rhaegar notava o olhar que ele lançava ao Martell, e parecia nada gostar do futuro cunhado; já Cersei e Milenna estavam entretidas demais na musica para prestar atenção.

–Bem, teremos cada um a nossa Lannister. –Ele sorriu de canto, e disse com um certo tom de ironia na voz: -Que homens sortudos somos.

Rhaegar se limitou a sorrir, pois, diferente de Oberyn, ele não via problema algum em tentar domar uma leoa.

Quando a música finalmente parou, Milenna girou graciosamente pela última vez.

Suspirando, cansada, se sentou ao lado de Cersei e Jaime, em um dos vários bancos espelhados pelo Jardim de Rhaenys. Rhaegar a observou mais atentamente, parecia uma donzela vinda das canções, com o rosto corado e os olhos brilhando...

Pela primeira vez no dia, a garota notou estar sendo observada, e quando olhou ao redor, procurando, se deparou com um par de olhos lilases, e sorriu. Disse algo aos irmãos e se levantou, caminhando até Rhaegar.

–Vossa Graça. –Rhaegar sorriu quando a noiva fez uma pequena reverencia.

–Apenas Rhaegar está bem? –Ela concordou de leve. –Danças muito bem, m'lady.

–Apenas Milenna... –Disse em um tom de brincadeira que fez Rhaegar sorrir. –E eu agradeço.

–Caminha comigo? –Perguntou Rhaegar, e ela prontamente aceitou.

Ele a conduziu em silêncio, até uma parte afastada do Jardim, cercada por árvores e quase na borda do Bosque Sagrado.

–Bem... –Começou a dizer, pegando um anel que estava guardado em seu bolso, quando finalmente pararam. –Sei que é um pouco tarde, e nosso casamento será amanhã, mas há algumas coisas que temos que esclarecer: eu serei seu marido, não seu pai. Ou seja, você não faz nada que não queira. Eu entendo que você tem suas vontades, e seu espaço, e pretendo respeitar isso. Se alguma vez eu fizer algo que você não gosta, me dirá. E se fizeres algo que eu não aprovo, lhe digo.

A garota não sabia ao certo o que dizer, e por um momento o encarou, confusa.

–Eu... Eu não sei. Não me ensinaram as coisas assim. –Disse, relembrando todas as lições sobre como deveria ser obediente, acatar as decisões, se submeter a suas vontades e prazeres e aceitar todas as traições... É claro que a Lannister não planejava seguir todas essas regras, afinal, era a filha de Lord Tywin, e não usa submissa qualquer.

–Bem, terás que aprender de novo. –Disse, se aproximando e tocando o braço dela gentilmente. –Temos um acordo Milenna?

–Hm... –Refletiu, se achando uma estupida por ainda pensar na resposta, mas o pai sempre a ensinara a desconfiar de qualquer proposta que parecesse boa demais. Mas não via nada errado ali, e até outras circunstancias, o certo parecia ser aceitar. –Sim.

–Ótimo. –Ele se aproximou, tocando sua mão, e colocando o anel. –Então, temos um acordo, querida.

Sua mão deslizou até um de seus ombros, enquanto a outra ia para a fina cintura.

Milenna prendeu a respiração, imaginando o que estava por vir.

Não era o primeiro beijo, é claro... Quando mais nova, Jaime e Cersei a ensinaram como isso funcionava, era o que eles chamavam de "beijos entre irmãos", mas após alguns meses, a garota entendera que aquilo não ocorria somente entre irmãos, e que o que faziam, deveria ser mantido escondido.

Então, não foi exatamente uma surpresa quando os lábios de Rhaegar tocaram os seus. Mas o sentimento era diferente... Fazia seu coração parar por alguns segundos, e sua respiração acelerar.

Ele a puxou para mais perto, colando seu corpo ao dele. Milenna abraçou seu pescoço, suas mãos envolvendo os longos cabelos platinas de Rhaegar.

Também não era o primeiro beijo dele, mas era completamente diferente dos outros... Ela tinha os lábios macios, e o seu beijo era, de certa forma, inexperiente, mas ela soube o momento exato de abrir a boca, quando Rhaegar pressionou seus lábios de leve, com a língua.

Ela tinha gosto de menta, e o seu desejo era aprofundar o beijo cada vez mais, mas sabia que se o fizesse, provavelmente perderia o resto de controle que lhe restava.

Apertava sua cintura, não o suficiente para machuca-la.

Suas bocas pareciam fazer uma dança frenética e perfeita.

Tiveram que se separar, infelizmente, quando o ar lhes faltou.

Milenna estava ofegante e fortemente corada, deu um selinho na garota, antes de se afastar por completo.

E parte de si, se perguntava se já não estava envolvido demais nas danças e sorrisos da leoa... Envolvido demais para conseguir escapar.