DISCLAIMER: Esses personagens não me pertencem, embora eu adoraria ter todos eles para mim ^^
Tan'ni Aishiteru
Por Hitachiin Pepper
Capítulo – Um bom dia
A moeda de ouro rodava habilmente nos dedos masculinos. Com o cotovelo apoiado sobre mesa e a outra mão segurando o revólver, Sakurazaki Doumeki falava em um timbre baixo, porém perigoso.
- Você sabe o que fez? - O subordinado tremia diante das palavras do chefe. Consentiu com a cabeça em meio a alguns gemidos abafados de medo. – Sabe. Muito bem. – A figura altiva levantou-se cadeira, ficando na frente do homem ajoelhado. – Perdemos aquelas vadias por sua culpa. Agora elas estão mortas. Sabe o quanto isso custa?
O empregado soltou um soluço diante do medo. Sabia o que acontecia com os cães desobedientes de Doumeki e tinha certeza que não estava em uma situação boa no momento. O empresário agachou na altura do homem e bateu devagar com as costas da mão nas bochechas molhadas pelas lágrimas.
- Implore. Vamos lá. Quero brincar um pouco. Vamos ver o quão bom é seu poder de persuasão.
- Sa-Sakurazaki-Dono... eu... me perdoe... foi um erro... – As lágrimas escorriam incessantemente enquanto os soluços não eram mais contidos – Por favor... eu lhe peço, senhor...
Uma risada maligna explodiu na sala. A cara de deboche de Doumeki era visível. Olhava para aquele verme como a criatura mais nojenta do universo. Virou de costas.
- Pare de implorar por sua vida. É deplorável... – Sem se virar, acenou com a mão para que o homem se retirasse da sala. Não acreditando no que via, piscou algumas vezes atônito e por fim, virou-se rapidamente e engatinhou até a porta, sem nenhuma força nas pernas que tremiam de pavor – É deplorável e inútil.
Antes que o empregado alcançasse a maçaneta, seu sangue já escorria pelo assoalho de luxo. As duas balas que atravessaram o peito eram do rifle VO Vapen Royal. Uma arma feita sobre encomenda e herança dos Sakurazaki.
- Ei, ei, ei. O que foi isso, Doumeki? - Sakurazaki Dokushin saía pela porta do elevador com um amontoado de pastas. O irmão mais novo tinha os cabelos castanhos e ondulados na altura do pescoço. Os olhos amendoados e a pele um pouco morena davam um charme de galanteador ao rapaz. Poderia ser considerado irresistível se suas roupas fossem menos extravagantes. A camisa laranja com detalhes verdes o deixava "colorido" demais. A arma pendia no cós da calça e ele parou a alguns metros de onde o corpo jazia no chão. – Quanto sangue. As faxineiras não gostam desse tipo de trabalho, sabia?
- Cuide de seus assuntos. – Sentou-se de maneira rude na cadeira, fechando os olhos com força. – Este desgraçado nos deu prejuízos ontem. Tivemos que apagar algumas de nossas prostitutas por saberem demais. Isso custa dinheiro.
- Ai, ai. – Dokushin andou até a mesa do irmão e depositou as pastas em cima da mesa, suspirando – Você só pensa em dinheiro. Tem que relaxar mais, sabia? E não estou falando desse tipo de diversão – Apontou para o corpo no chão – Poxa, você é um homem até que bonito. Se não fosse seu irmão, te pegaria!
De fato Doumeki era o mais belo de toda a geração. Alto, o semblante sério, músculos definidos, cabelos dourados e bem curtos. Tinha os mesmos olhos amendoados do irmão, mas se vestia muito mais elegante. Sempre de terno, chamava a atenção de muitas mulheres que não passavam de um joguete para ele.
- Já chega de suas piadas. O que trouxe pra mim? – Pegou as pastas com pressa. O irmão lhe causava dor de cabeça.
- Ah, são uns papéis que a Haru-Chan pediu pra você entregar. Não sei direito. – O mais novo deu de ombros e começou a andar pela sala luxuosa da mansão. Desde que seu irmão contratara Haruhi, Dokushin tentava fazer amizade com ela. Sabia que ela era uma boa pessoa e ele certamente a apreciava.
As paredes vermelhas e acolchoadas possuíam detalhes dourados que cintilavam ainda mais com o grande lustre no centro. As janelas eram enormes, mas estavam ocultas pelas cortinas, fazendo o local parecer um pouco mais sombrio do que era.
Ajeitando a arma na cintura, Doumeki levantou e agarrou seu terno, pronto para sair do escritório.
- Acho que está na hora de fazermos uma visita para a Fujioka.
- Ahhh, posso ir? Quero ver aquela loira gostosa que trabalha com ela! Cara, não penso em mais nada a há dias.
O loiro não respondeu, apenas atravessou a porta com pressa. Precisava acertar algumas coisas com uma certa advogada.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Assinava alguns documentos em sua mesa tranquilamente. Bom, seria tranquilo se não estivesse tentando evitar a pessoa da mesa da frente. Lá estava ela; os olhos verdes arregalados e brilhando, as mãos apoiando o rosto e o sorrisinho ocupado por um alcaçuz quase inteiro, que ia de um lado para o outro na boca da loira. Haruhi abaixou discretamente os papéis e olhou pra Jullie, constatando que a garota não havia se mexido um milímetro sequer nos últimos vinte minutos e isso estava incomodando a Fujioka de uma maneira que nem ela conseguia expressar. Voltou a olhar para seu trabalho procurando mais alguns documentos enquanto tamborilava os dedos na mesa.
- Hummm humm hu huum – A loira começava a cantarolar o Hino dos Estados Unidos tentando chamar a atenção de Haruhi. Foi em vão, pois a garota não se afetava com o barulho – Hummm hum hum HUUUUMMMMMMM HUUMMM HUMMMMM – E o som continuava aumentando, cada vez mais e mais.
- Argh, já chega! O que foi? – Largou os papéis na mesa e olhou irritada para Jullie.
- Nada. Só estou esperando o horário de almoço que começa 13h30. – A voz saiu totalmente embolada devido ao alcaçuz que ainda estava presente.
- Eu sei muito bem a que horas é o almoço.
- Então tá.
Haruhi desviou o olhar novamente para seus papéis, mas antes que pudesse ler algo ouviu o Hino dos Estados Unidos muito mais forte na sala. O suspiro de rendição de Haruhi finalmente apareceu. Fechou os olhos derrotada e então resolveu conversar com a criatura irritante.
- Fale. O que você quer? – A resposta de Jullie saiu em um gritinho animado. Bateu as mãos eufórica e em um salto parou em frente à mesa da morena.
- É hoje, é hoje, é hojeee! Vai se encontrar com seu amor! Não sabe o quanto isso é excitante? Hááááá! – Pulou na cadeira de rodinhas que começou a girar descontroladamente. Pegou uma ponta de seu cachecol rosa e jogou por cima do próprio ombro – Depois de um jantar romântico, ele te leva para passear na praia...
- Praia? Aqui nem t...
- Shii! E aí... ele te leva pra um apartamento lindo! – Os olhos brilhavam enquanto falava para o além – Ah, posso até ver. A cama coberta com pétalas de rosas e velas acesas pelo quarto! AHHHHH que coisa linda! Depois disso vocês saem casados e fiiiiim!
Era impressionante como ela conseguia pular os fatos como se tudo fosse simples! Fechou o notebook, pegou os relatórios e os organizou na gaveta.
- Olha, não sei por que você está tão empolgada. Vai ser só um reencontro de amigos. Na verdade eu nem sei se eu vou. Acho meio cara de pau chegar lá e dizer 'oi, lembra de mim?'. É piegas Jullie-San...
Como se a sala esfriasse repentinamente, Haruhi sentiu a aura matadora de Jullie em sua frente. A loira curvou-se para frente, colocou uma mão em cada braço da cadeira da Fujioka e a encarou nos olhos.
- Você chega aqui dizendo que sonha com o cara perfeito. Você consegue marcar um encontro com o cara perfeito. Você está a alguns minutos de se encontrar com o cara perfeito. E ainda tem a ousadia de falar que não vai? – A voz saiu baixa e sombria, Haruhi tremeu.
- Ah... é... eu. Hum, na verdade...
- Se você não for, vou te amaldiçoar. Seus dias serão nebulosos e frios, não vai conseguir sair de casa de tanto medo e todo sorvete que você tomar vai te congelar por dentro até que você tenha uma hipotermia. Então me prometa Haruhi. Não importa o que aconteça... você vai se encontrar com Morinozuka Takashi. Você entendeu?
As últimas palavras saíram em um sussurro mortal acompanhados de um olhar digno de um Rei dos Demônios, fazendo uma certa Fujioka soltar um gritinho de desespero.
- Si-sim!
- ÓÓÓTIMO! – Sorriso radiante – Bom, agora eu tenho uma audiência. Eu espero que quando eu voltar, a senhorita não esteja mais aqui. – Pegou a bolsa e uma pasta em cima da mesa. Só nesse momento Haruhi percebeu o quanto a amiga estava elegante com uma saia justa preta e a camisa social laranja. O cabelo preso em um coque e os óculos realçando as orbes verdes. Sempre tão linda e confiante.
- Está bem. –Finalmente suspirou vencida – Eu irei. Boa sorte pra você.
- Ehehe. Essa eu já venci, bonitona. – Dando uma piscadela, saiu da sala, atravessou o longo corredor e entrou no elevador.
Haruhi voltou sua atenção para os relatórios. Ouviu a campainha do elevador de Jullie. Alguns segundos depois ouviu novamente o som, mas passou despercebido pela morena, assim como o barulho dos sapatos que batiam contra o piso de mármore. Passos firmes e fortes atravessavam o corredor com rapidez. A porta se abriu antes mesmo que ela pudesse se dar conta de quem entrava em seu escritório. Facilmente reconheceu os olhos cruéis e os lábios finos que esboçavam um sorriso convencido.
- É de boa educação bater na porta antes de entrar senhor Doumeki.
O homem puxou a cadeira para si e sentou-se jogando bruscamente alguns papéis em cima da mesa da garota. – Não seja atrevida, Fujioka. Não perderei mais tempo do que já perco com você. – Sakurazaki apoiou um dos cotovelos na mesa e continuou – Sabe que contratei você para que cuidasse dos meus assuntos obscuros. Limpar a sujeira, assim dizendo. E não estou vendo progressos.
- Não é tão simples, senhor Doumeki. – Disse Haruhi com firmeza sem desviar o olhar. – Parece que o senhor tem sujeira demais para ser limpa.
A arma estalou quando foi colocada com força sob a mesa. Ele olhava ameaçadoramente para ela. – Não perco nada se minha advogada se machucar por acidente.
- Se a advogada for eu, pode ter certeza que o senhor perderá muito mais do que imagina.
Os dois se olharam por alguns segundos. Pareciam minutos. Haruhi sentia a pressão dos olhos sóbrios em si, mas não deveria mostrar fraqueza em hipótese alguma. Não para ele! Ele recolheu a arma e caminhou até a porta. Antes de sair deixou uma última ordem.
- Espero que comece a se mexer, Fujioka. Poderá não ter tanta sorte assim da próxima vez.
Ele se foi. E uma figura imediatamente o substituiu.
- Ei, eei! Haru-Chan! A Julie-Chan está por aí? – Dokushin colocou a cabeça na porta procurando uma certa loira – Meu irmão chegou aqui tão rápido que tive que esperar o outro elevador.
Haruhi conhecia os irmãos Doumeki. Conhecia muito bem para saber a diferença entre os dois. Não poderia dizer que gostava de Dokushin, mas tinha pena do mais novo. Crescendo no meio daquele inferno, sem bons exemplos e ninguém para lhe orientar na infância. Aquela boa alma não tinha escolha a não ser partilhar daquele caos.
- N-não, Dokushin-San. Ela já se foi por hoje. – Escondeu as mãos trêmulas debaixo da mesa.
- Ahhh que pena. – Suspirou o rapaz. – Bom, pelo menos pude te ver, ehehe. Espero que o Sakurazaki não tenha sido um idiota com você. – Ela negou gentilmente com a cabeça e ele sorriu. – Ótimo. Então qualquer dia apareço aí. Já né, Haru-Chan.
Ela ainda olhava a silhueta masculina quando ele saiu da sala. Aí sim, ela desabou na cadeira. As mãos tremiam e ela tentava controlar o nervosismo. Talvez não fosse um bom dia para ver Mori. Talvez não fosse um bom dia para nada.
Yoooo! [Leva pedradas] Ehehe, me desculpem meeeesmo pela demora. Minha vida anda muito corrida. Mesmo.
Eu sei que não é nada legal ficar tanto tempo sem escrever, mesmo porque também sou leitora e me sinto muito mal quando alguma história que acompanho simplesmente não vai pra frente. Mas tentarei atualizar o mais rápido possível, ok? ^^
Peço desculpas mais uma vez e espero que aproveitem o capítulo. Obrigada a todos que me enviam reviews =D
Beijocas, Hitachiin Pepper =*
