Nota: Esse capitulo é dedicado a minha adorável amiga Andressa Moraes. *o*

CARYL, forever!

"Um amigo em necessidade é um amigo de verdade" Pure Morning- Placebo

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"Entrelinhas"

Parte 3

Triste fato sobre a vida de Daryl Dixon, foi preciso o fim do mundo para que ele fizesse do apocalipse poucas pessoas importavam. A verdade? Somente Merle importava. Ele estava acostumado com isso, estava bom assim, era o que conhecia . Agora o número aumentou, embora ainda pudesse contar nos dedos da mão quem importava. Mas "se importar" era trabalhoso, era desgastante.

Mesmo com a limpeza do Bloco D, os moradores vindos de Woodbury lotaram a prisão. Pessoas esbarrando nele o tempo todo, pessoas olhando para ele o tempo todo. Era irritante. As mulheres olhavam com curiosidade. Algumas com medo, outras pareciam querer pular em seu colo .

E crianças. Crianças correndo e gritando o tempo todo.

Daryl gostava de crianças,ou melhor, tinha maior tolerância a elas, mas tinha vontade de arrancar os cabelos quando aquelas pestes chegavam perto demais das cercas. Um dia, sua paciência esgotou. Daryl partiu em direção ao menino, gesticulando e gritando obscenidades para o garoto de cabelo encaracolado. Claro, ele não encostaria um dedo na criança, nunca, mas precisava assustar o garoto, para que parasse de brincar tão perto da maldita cerca. "NÃO TEM UMA MULHER CAPAZ DE CUIDAR DESSE MOLEQUE?" Daryl esbravejou.

O caçador quase causou uma nova guerra entre prisão e Woodbury por conta disso.

"Você é um grosso" Uma das mulheres gritou para Daryl, apontando o dedo para ele, e uma discussão enorme sobre responsabilidades femininas e masculinas se iniciou. Ambas as partes exaltadas. Rick solicitou uma reunião. Ele sabia o que era ter uma criança no meio do apocalipse. Carl o enlouquecia com seus sumiços e suas birras. Provavelmente Judith encheria sua cabeça de fios de cabelos brancos assim que começasse a andar. E Judith já estava quase conseguindo.

"A questão aqui não é sobre tarefas das mulheres ou dos homens. Ninguém é escravo de ninguém aqui. A questão é sobre garantir a segurança das crianças!" O ex policial pediu para que as pessoas se revezassem no controle das crianças, antes que o pior acontecesse. Perder mais uma criança para os walkers seria inadmissível.

Quando a reunião terminou, Rick chamou Daryl em um canto, pedindo para que o caçador evitasse os novos moradores, pelo menos até que tudo tivesse mais tranqüilo. As mulheres estavam realmente ultrajadas com o linguajar usado por ele para lidar com o garotinho. ...Bando de gente fresca... Ele pensou.

"Que se foda! Quando alguma criança for atacada, vocês vão ter motivos para ultraje." Daryl jogou os braços para o alto. A verdade é que para Daryl era um alivio, se ver livre de todas aquelas pessoas, longe dos esbarrões e olhares.

Carol ficou calada durante toda reunião, ela conhecia bem o temperamento dele. Daryl explodiu desse mesmo jeito depois do funeral de Sophia. Mais tarde teria uma conversa particular com Daryl. Quando estivesse no quarto dele, sentada naquela cadeira...

"Nós vamos organizar isso, ok?" A voz de Carol segura, acalmando as mulheres de Woodbury, reunindo o grupo para conversar em outro lugar.

Daryl quase podia visualizar as engrenagens se movendo dentro da cabeça dela. Carol certamente tinha alguma idéia rolando dentro de sua mente, algo para evitar o desastre eminente. ...Ela é especial assim, calma, sem alarde, sem pânico, sem gritaria...

Definitivamente, Carol fará alguma coisa para ajudar os órfãos. Daryl se acalmou um pouco, só de olhar para ela.

Daryl saiu para o pátio, encontrando o único ex-moradorados de Woodbury que fazia alguma diferença para ele.

"Mulheres..." Senhor Taylor tragou o cigarro, ex combatente da segunda guerra mundial. Ele era bem velho, com muitas historias para contar, e um entusiasmo hilariante. As conversas sobre aviões de guerra, corridas de carros antigos, mulheres, sempre eram interrompidas por fulminantes ataques de tosse, fumante inveterado, Senhor Taylor estava pagando pelo seu vicio.

"Algumas delas não fazem porra nenhuma...Jogam a responsabilidade em cima da Carol." Daryl gostava do Senhor Taylor, definitivamente era um velhinho maluco. Pelo menos de acordo com as historias, podia ser considerado um herói. Ajudou os aliados no final da guerra em 1945, e tinha tatuagens para lembrar-se de seus atos de heroísmo.

"Carol, Humm? Rapaz. Se eu fosse uns trinta anos mais novo, você teria um oponente forte" Senhor Taylor cutucou Daryl, ele era quase uma versão octogenária de Merle, não que Merle fosse um herói, mas o jeito era o mesmo. Com mais de oitenta anos, ele ainda conseguiu matar walkers, salvar a vida de sua neta, Sarah e fugir para Woodbury. Infelizmente sua filha e genro não tiveram o mesmo destino.

"Cala a boca, seu velho tarado." Daryl escondeu os olhos debaixo das franjas. Ele sabia que o Senhor Taylor sabia...sobre seu sentimento sobre Carol.

"Mas você tem razão, uma hora ou outra vai acontecer alguma merda com uma dessas crianças. E essa prisão vai virar um inferno. Depois do que o Governador fez... Essas mulheres estão a beira de um colapso, muitas perderam seus homens, seus filhos..." Senhor Taylor sempre desconfiou que o Governador tinha um parafuso solto, mas eles tinham estabelecido uma vida naquela cidade, precisava garantir a segurança de sua neta, Sarah. O velho faria tudo por ela. Ir contra o Governador era o passaporte para a morte, e o Senhor Taylor não era tão maluco assim. "Tenha calma meu jovem" Senhor Taylor deu dois tapas, no ombro de Daryl, e voltou para o Bloco D. "Mas se você não atacar logo, eu ataco. Carol é bem gostosinha."

"Seu filho da puta." Daryl rosnou, e suspendeu a mão, com o dedo do médio levantado para o homem. E o velho gargalhou, interrompido por um acesso de tosse. Foi a última vez que Daryl viu senhor Taylor com vida.

Novamente, sem aviso, tudo mudou...

"Daryl?" Beth o seguiu para dentro do Bloco C, todos, com exceção de Carol, estavam lá fora, aproveitando o sol naquela manhã. "Eu..." A jovem tinha lágrima nos olhos. Ela era tão sensível. Daryl não sabia como essa garota tinha chegado tão longe nesse mundo de morte.

O que parecia um dia calmo e ensolarado tinha se transformado em um dia triste. Senhor Taylor não acordou naquela manhã, e não acordaria mais. Durante uma crise de tosse, no Bloco D, ele veio a falecer. Provavelmente enfisema, o câncer no pulmão, Daryl escutou Hershel dizendo. A netinha estava desolada, chorando copiosamente. Rick pediu para que levassem a criança para longe, e um tiro ecoou pelo Bloco D. Senhor Taylor estava em paz.

Daryl veio até o Bloco C para contar para Carol, pedir para que ela cuidasse de Sarah, a neta loirinha do Senhor Taylor. Carol não tinha idéia do que estava acontecendo no outro lado da prisão. Ela estava reunindo as coisas para levar para o sol. A prisão estava cheirando ruim, mofada, como a vida nesses dias. Ele queria ficar sozinho por uns minutos, tinha acabado de perder um amigo.

"Olha Beth..." Daryl não teve tempo de reagir. A garota o abraçou, e fez o movimento para beijar sua bochecha, mas Daryl se mexeu a cabeça ao mesmo tempo, surpreso com a atitude de Beth, e as bocas acabaram se encontrando.

Daryl paralisou. Beth paralisou. A sorte é que não tinha ninguém por perto, qualquer um tiraria conclusões precipitadas. A cena realmente era bizarra. Tudo que Daryl queria era um momento sozinho antes de contar para Carol sobre a morte do senhor Taylor. Tudo que Beth queria era confortar Daryl, ela percebeu que o caçador estava sofrendo.

"Oh meu Deus..." A garota se afastou imediatamente, colocando a mão sobre a boca, vermelha como um tomate. "Eu não tive a intenção... Eu só vim dizer que sinto muito... Oh meu Deus! Como eu vou olhar para a Carol agora?" Beth começou a chorar.

"Olha..." Daryl respirou fundo, a vontade jogar a garota para longe. Ele precisava de espaço. Essas malditas pessoas invadido seu espaço pessoal, toda hora. Mas Beth não teve a intenção, ele entendeu, ela queria confortá-lo. "Tudo bem, não foi nada..." Daryl disse, triste,derrotado, irritado.

"Por favor. Você promete? ...Nunca contar isso para a Carol ?! Ela não vai me perdoar, ela nunca mais vai falar comigo." Beth começou a chorar e tremer pra valer agora. Carol tinha se tornado a figura materna para Beth. Ela não podia perder Carol. Por mais que Daryl fosse o "rock star" do mundo pós apocalíptico, ela nunca poderia vê-lo assim, mesmo que suas opções fossem limitadas, Daryl estava fora de cogitação.

Beth na verdade ficava enervada com olhar de cobiça que outras mulheres jogavam pra cima de Daryl. Carol parecia não se importar, mas elas tinham que parar com isso.

Cobiça para cima de Daryl e inveja para cima de Carol. Beth odiava, ela queria que eles ficassem juntos, e agora tinha feito isso. Beijado Daryl mesmo que sem querer, abominável.

Todos sabiam que existia "alguma coisa" entre Daryl e Carol. Desde o começo. Na verdade, todos sabiam que eles se amavam, estava mais que subentendido.

Essas entrelinhas eram ridículas demais.

"Carol? Por que a Carol deixaria de falar com você Beth? Bateu a cabeça. Tá delirando? Que porra!" Daryl colocou a mão no rosto, ele estava cansado e triste. Ele não queria lidar com isso, não agora. "Carol e eu não somos assim..."

"Daryl...por favor..." Beth suspirou. A resposta era obvia demais, mesmo que o caçador insistisse em se fazer de desentendido, Daryl sabia. Sabia porque sentia o mesmo."Todo mundo sabe..."

"OK, CHEGA. TUDO BEM. Isso fica entre nós. Agora se manda garota. Eu tenho mais o que fazer." Daryl tava perdendo a paciência. "E não faça isso de novo" O tom dele era sério, um alerta. Da próxima vez não seria tão compreensivo. Chega desse povo esbarrando, invadindo, tocando, abraçando. Daryl não pediu por nada disso. Se tinha um pessoa que Daryl queria toque, essa pessoa era Carol, mas nem pra ela Daryl estava pronto. "Se manda. Vai logo."

"Me desculpe." Beth juntou as mãos, antes de sair, envergonhada, a garota quase voou para fora do Bloco C. Beth ia até o quintal, cavar um buraco e enfiar sua cabeça dentro.

"Era só o que me faltava" Daryl resmungou. Subindo as escadas em direção as celas. O andar superior estava silencioso. ...Imagina se a Carol desce as escadas bem na hora... "Carol?"

Nenhuma resposta, embora as roupas e sapatos estavam reunidos no corredor. "Carol?" Daryl começou a se preocupar. ...onde você se meteu?... "Hei, Carol?"

...Só falta Carol ter visto aquela cena ridícula com a Beth...

Aparentemente não, porque lá estava Carol, deitada de bruços em sua cama, dormindo. Os braços enlaçados ao travesseiro, sonhando. "Sophia..." Carol murmurou, e abraçou o travesseiro um pouco mais forte. Sua face estava tranquila naquele momento.

"Graças a Deus, um drama a menos" Daryl respirou aliviado. Se Merle tivesse ali, Daryl ganharia um tapa na cabeça. Ele estava sendo ridículo. ..Quando foi que você ficou tão suave? Tá parecendo coisa de novela! Deixa de viadagem. Seja homem e toma logo essa mulher pra você. ... "Cala a boca Merle." Daryl murmurou.

Ele sentiu o canto do lábio levantando em um leve sorriso. ...Pelo menos no sonho, ela estava em paz. Com sua filha. Daryl não ousou acordá-la. Tirar Carol do conforto da sua cama. Do abraço de Sophia, só para dizer que mais uma pessoa tinha morrido? Não era justo.

O caçador saiu da cela, olhando mais uma vez para Carol antes de descer a escada. Carol tinha encontrado conforto em seu sonho com Sophia, Daryl encontraria conforto na floresta. Ele saiu para caçar, quem sabe trazer alguma coisa diferente para o jantar. "Mais tarde a gente conversa."

O problema é que Carol não apareceu em sua cela naquela noite, nem nas noites seguintes . Ela estava sempre ocupada, e sua cadeira estava lá vazia. A espera...

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