Nota: Eu tô amando a dinâmica entre Carol e Tyreese hehehe. Acho que eu criei uma expectativa tão grande em cima daquela garota loira do trailer que vou me decepcionar! Ou não! Haaaa.
A música de Carol é "Long Hot Summer do Keith Urban". Ela não é boba nem nada. Ela é bem espertinha e curte um Keith Urban. Eu recomendo escutar, fico cantando igual a Carol kkkkkkkkk
"Será um verão longo e quente, deveríamos estar juntos,
Com os pés em cima do painel"
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Entrelinhas
Parte 5
Sarah Taylor era a sombra de Carol Peletier. Sarah tinha medo, e não tinha mais ninguém no mundo. Após o falecimento de seu avô, algumas semanas atrás, a garota loirinha não confiava em mais ninguém. Ninguém, além de Carol Peletier.
A órfã de doze anos observava Carol com admiração, com estrelas no olhar. Sem rádio, televisão, internet ou revistas adolescentes, ela tinha encontrado em Carol sua heroína, embora lhe faltasse super poderes.
Na visão de Sarah, aquela mulher, forte, porém delicada e feminina, com seus cabelos prateados, podia fazer de tudo. E sempre com um sorriso no rosto, e sempre com uma palavra de carinho. Carol Peletier era sua heroína prateada. Saída de um desenho animado japonês para enfrentar zumbis.
Enquanto as outras mulheres se preocupavam com elas mesmas, suas fofocas, e seus olhares maldosos, Carol se preocupava com as crianças.
E a rotina agora era diferente, as crianças passavam toda a tarde estudando. Matemática, Geografia, História, Facas. Carol Peletier não permitira que a nova geração fosse composta por ignorantes, pelo menos aquelas crianças da prisão teriam uma chance. Ela faria o possível para garantir um futuro, seja lá qual fosse. Sarah Taylor queria ser a melhor aluna que Carol já teve.
Carol imaginou que as crianças estariam relutantes em voltar a escola, mas para a sua surpresa, não. Quando contou a novidade, o entusiasmo não teve fim. De certo estavam cansadas das férias apocalípticas.
Rick, Tyreese, Daryl e Michonne enfrentaram walkers em um supermercado para providenciar material para as aulas. Cadernos, canetas, lápis, livros. Cada folha de papel agora fazia a diferença. Carol mal acreditou nas crianças festejando uma caixa de giz de cera. Uma coisa tão simples, agora seria capaz de colorir o mundo desses pequenos.
"OK, agora vamos falar sobre facas."
Os olhos de Sarah se iluminaram, era a melhor parte do dia. Mostrar para Carol que ia ser tão forte quanto ela, a menina queria uma machete, para imitar os movimentos de sua mestra e partir a cabeça de um walker no meio.
"Voluntários?" Carol perguntou, abrindo a caixa das facas. Todas as mãos levantaram. Carol sorriu para Sarah, que pulava dizendo. "Eu, eu, eu..."
Foi a melhor idéia que Carol Peletier teve... As aulas garantiam segurança, e menos tempo livre para crianças espalhadas pela prisão. Não foi fácil para Carol estabelecer uma linha de ensino, afinal as idades eram variadas. Porém, através de muitas conversas e trocas de experiências, estava conseguindo ensinar quem estava aprendendo a ler e escrever, e quem já tinham avançado.
Carol tinha certeza, onde quer que ela estivesse, naquela praia, no céu...Sophia estava orgulhosa de sua mãe.
Persistência, esse era o nome de Carol Peletier.
O dia que Sarah descobriu sobre Sophia, a filha perdida de Carol, ela correu para o Bloco C, e se jogou no colo de Carol, chorando copiosamente, mesmo sem saber os detalhes. "O que foi Sarah?" Ela escutou a voz suave de Carol em seu ouvido, enquanto a mulher passava delicadamente os dedos em seu fino cabelo loiro.
"Tia Carol, eu quero ficar sempre com você . Aqui!" Sarah declarou entre soluços sentidos, Afundando o rosto no ombro de Carol, abraçando forte. "Eu não quero mais ficar no Bloco D. Posso vir morar aqui com você. Por favor? Por favor?"
"OH" Carol estava pasma, pega de surpresa. Claro, a garotinha estava sozinha em um mundo destruído. Seu ultimo laço familiar se rompeu com a morte do avô. Obviamente procuraria por uma figura feminina, materna para se espelhar.
Carol estava realmente surpresa com a escolha da criança. Michonne, Maggie até mesmo Karen eram muito mais duronas, chamavam muito mais atenção que ela.
"Por favor. Eu juro. Eu não vou te atrapalhar... Tia Carol, me deixe ficar com você." Sarah soluçava e se jogava no colo de Carol. A menina nem ligou para todas aquelas pessoas que pararam de almoçar para assistir a cena.
Na lógica de Sarah, Carol não merecia ter perdido sua filha, Carol não merecia sofrimento. Era injusto. Injusto como a morte de seus pais, e de seu avô. Sarah decidiu que daquele momento em diante não deixaria mais o lado de Carol Peletier.
Por nada, nem mesmo com aqueles olhares estranhos vindo do tal Daryl Dixon. ...Eu tenho medo dele. Eu não gosto dele. Sempre tão bravo. Sempre olhando pra Carol de um jeito estranho. Eu não vou deixar esse cara machucar a Carol...
Sarah sentia que havia algo errado entre Daryl, Beth e Carol, obviamente a menina ficaria do lado de Carol. Sarah não queria Beth por perto, quanto mais longe de Carol melhor. A verdade? Sarah não queria que ninguém tirasse Carol dela.
"Rick?" Carol olhou para Rick, franzindo um pouco a testa, pedindo socorro. Sem entender muito bem de onde vinha tudo aquilo. Na verdade era uma situação delicada. Outra criança sobre seu cuidado? Ela não foi capaz de proteger Sophia... E se ela se apegar a essa garotinha e acontecer tudo de novo? Carol conseguiria se recuperar se tudo acontecesse de novo? A responsabilidade era grande demais.
Porém, Carol sabia, ela era outra pessoa agora. Tinha finalmente quebrado aquele casulo sufocante que vivia, sob o olhar feroz de Ed... Hoje, certamente correria atrás de Sophia no meio da floresta, arriscaria e faria de tudo para matar os walkers que perseguiram sua filha... Procuraria por Sophia, mesmo que sozinha, mas pensar nisso agora não adiantava mais nada.
"A decisão é sua..." Rick balançou a cabeça e sorriu. "Você tem uma fã."
Glenn não agüentou e riu, a cena era sim muito tocante, mas um tanto quanto engraçada. "A menina grudou em você, pior que aqueles carrapatos da fazenda do Hershel."
Carol colocou a mão no rosto de Sarah, fazendo com que a menina levantasse o rosto. Ela correspondeu. "Ok pequena, se você prometer se comportar...Se você prometer não se meter em confusão." Carol olhou fixamente para a menina, para que Sarah entendesse que o assunto era muito serio. Sarah acenou positivamente e logo soltou um grito esganado.
"YEAH" Sarah deu um pulo. Ela se desgarrou de Carol, e correu feliz para o Bloco D, para trazer suas coisas para cela de Carol.
Todos caíram na risada.
"Que diabos aconteceu aqui?" Carol fez uma careta e soltou uma gargalhada.
"Carol, você acabou de ser adotada." Maggie acompanhou as gargalhadas. "Mas quem não quer adotar Carol como mãe, não é?" E as risadas prosseguiram, até mesmo Michonne esboçou um sorriso.
"Se Carol quiser me adotar..." Tyreese levantou as duas mãos, fazendo sinal de que se rendia. Ele piscou para Carol, tinha uma malicia zombeteira na voz.
"Parem com isso. Todos vocês." Carol escondeu um pouco o rosto, absolutamente vermelha com o flerte de Tyreese. "OK , o show acabou. Vocês não tem walkers pra matar não?" As risadas só aumentaram. Carol ficou vermelha como um pimentão.
"Ótimo" Com tom de ironia, Daryl não riu, não sorriu, não achou engraçado. Ele simplesmente terminou seu almoço, largou o prato na pia, e saiu chutando a porta. A expressão amarrada. Cada dia ficava mais e mais difícil ter um momento com Carol. Ele simpatizava com a situação da garotinha, mas todo esse apego era exagero, e mais uma responsabilidade nas costas de Carol. E agora Tyreese, todo dia o maldito se engraçando pra cima dela. Na frente de todo mundo. ...inferno... "Pfff. Tá cada dia melhor."
Do canto do seu olho, Carol observou Daryl jogando o prato vazio na pia, e indo embora, fumegante, furioso, chutando a porta. Carol balançou a cabeça.
Enquanto recebia amor de uma garotinha que conheceu há poucas semanas, recebia ódio de Daryl que estava com eles há quase dois anos? Por que? ...Ele devia estar feliz, com a Beth...Eu tô ficando fora do caminho dos dois o máximo possível...Pra que toda essa estupidez?...
Daryl e Carol, não era pra ser. Nunca foi...Carol entendeu isso agora..
Sentiu um nó na garganta e uma lágrima querendo escapar, apesar do sorriso nos lábios. Mas ela tinha que ser forte, ia ser forte e provar seu valor. Viveu a vida toda abaixando a cabeça para a grosseria de Ed. Carol não queria mais isso pra sua vida. Balançou a cabeça e seguiu em frente.
~.~. ~
Três semanas passaram, e Carol, focada em outros assuntos começou a sentir bem. Focada nas aulas, focada nos estudos, focada nos planos para melhorar a vida na prisão, ela começou a se sentir viva, útil, importante.
Ela já não procurava tanto por Daryl. Ela já não se preocupava em saber se ele tinha jantado ou não, se ele estava dormindo bem ou não, se ele tinha frio ou não. Alguns dias nem cruzava com ele pela prisão, nem com Beth. Carol não sabia dizer se o relacionamento de Beth e Daryl tinha avançado ou não. Não precisava saber. Não queria saber.
Carol notava o olhar triste e magoado de Beth. ...Não é meu problema, não é meu problema... Carol repetia, educadamente refutava a jovem quando vinha conversar, ou perguntar alguma coisa. ...Beth viveu com a gente um inverno inteiro, Beth sabia como eu me se sentiam, e mesmo assim... Em sua cela, Beth chorava a noite, por causa da mudança de comportamento de Carol.
Beth sentia falta de Carol, e tinha ciúmes de Sarah. Sarah tinha toda a atenção de Carol agora. Era como perder uma mãe novamente.
Hershel consolava a filha, dizendo que Carol estava atravessando uma fase importante de auto conhecimento. Carol estava evoluindo, talvez Beth precisasse fazer o mesmo. O que Hershel não sabia, era que existia um enorme mal entendido, e uma a enorme falta de dialogo entre as duas mulheres.
O veterinário teria uma longa conversa com Carol, assim que surgisse uma oportunidade
Mas Carol precisava de espaço... e Beth nem sabia o por quê.
Com a ajuda de Sarah e Tyreese, Carol passou a sentir mais confiante. Sarah era adorável, porém o oposto de Sophia, que era calma e calada. Sarah era intensa, extrovertida, ativa, tinha o jeito de Carl, opinando sobre tudo. Querendo estar ciente de tudo. Querendo estar no meio de tudo. Sarah estava ansiosa em matar seu primeiro walker. ...E pensar que algum tempo atrás as meninas de doze anos estavam ansiosas pelo primeiro beijo...
Carol encontrou em Tyreese um grande amigo. Apesar do tamanho e do porte intimidador, ele era diferente dos outros homens que conheceu. Paciente, atencioso, amoroso. Ty escutava o que Carol tinha pra dizer, realmente se importando com as opiniões dela. Porém Carol não queria cair na armadilha de se apaixonar por um amigo novamente. Mesmo porque, o sentimento que ela carregava por Daryl ainda era muito intenso.
Tyreese avançava, Carol recuava. Ele a respeitava, passou a tratar o assunto com humor. Flertando com Carol o tempo todo, porém, mais como brincadeira do que outra coisa. O olhar enfurecido de Daryl o fazia rir. Tyreese gargalhava quando via Daryl indo caçar, fumegante e furioso, após testemunhar alguma brincadeira entre ele e Carol. O ex jogador de futebol americano sabia que estava cutucando o tigre com uma vara curta.
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Finalmente o dia tinha chegado, Tyreese e Carol finalmente viajariam até sua cidade natal, até a empresa onde trabalhava Ed Peletier. Atrás das benditas placas de energia solar. Energia elétrica auto-sustentável, um grande avanço para a prisão.
Carol não estava tão ansiosa assim quando acordou, mas a imprevista companhia de Daryl tinha tirado Carol do eixo.
...Isso não vai dar muito certo...
Mas estava lá ele, Daryl Dixon... Parado do lado da caminhonete azul, esperando Carol e Tyreese. Crossbow nas costas, cara fechada, expressão amarrada, braços cruzados. E as pernas de Carol Peletier firmes como gelatina ...Três semanas fugindo de Daryl, e bastam três minutos desse olhar para me fazer derreter? Como agüentar quatro horas de viagem do lado dele?...
"Como lidar?" Colocar um sorriso no rosto e fingir. Fingir que não significa nada, fingir que não sei importa...Fingir que Daryl é só mais um no grupo de sobreviventes...
"Oh, por favor." Carol colocou as mochilas no bagageiro. Quando percebeu o que estava acontecendo, rolou os olhos, cruzou os braços, e batendo o pé no chão. Ela cobriu as mochilas com comida, água e munição com um cobertor bem pesado. E abriu a porta de passageiro da caminhonete, esperando que os homens se decidissem.
Daryl e Tyreese engataram um debate sobre quem deveria dirigir a pick-up. "Francamente... Me dá a chave que eu dirijo." Carol gritou.
"Nem fudendo..." Daryl esbravejou, jogando os braços para o alto. Nem para salvar sua vida de todos os walkers do mundo, Daryl aceitaria ficar duas horas espremido contra Tyreese. Coxa contra coxa com outro homem? Ele dirigiria a maldita caminhonete. Ou acertaria uma flecha na cabeça do ex jogador, ali mesmo, naquele momento, naquela hora.
Depois de muita discussão, e muitos xingamentos por parte do Dixon. Eles decidiram no par ou impar. "Claro, muito maduro!" Carol não conseguiu evitar, ela gargalhou. Daryl dirigia a ida, e Tyreese a volta. Com Carol espremida entre os dois, obviamente.
O motor da caminhonete ganhou vida, Tyreese abriu o portão e fechou rapidamente depois que o carro saiu. Eles estavam tão entretidos com a discussão sobre quem dirigia, que nem perceberam uma criatura loira. Que com seu pequeno corpo de doze anos de idade, se escondeu na carroceria, embaixo do cobertor junto a mochilas de armas e comida. Sarah Taylor não deixaria o lado de Carol Peletier, mesmo que ficasse de castigo para o resto de toda a eternidade.
Sarah não perderia mais ninguém. Ela salvaria a vida de Carol, se fosse preciso. As aulas com as facas finalmente valeriam a pena.
Dois anos sem manutenção tinha deixado a estrada toda esburacada, a caminhonete pulava. Carol estava preocupada. "Espero que a caminhonete não quebre, não tem amortecedor que agüente isso."
"Se quebrar a gente procura outra" Daryl parecia não se importar, ele acelerava e ia embora. Ignorando os walkers que surgiam no acostamento.
Tyresse começou a mexer no porta luvas da caminhonete, procurando alguma distração. O coração de Carol pulava no peito cada vez que sua perna encostava com a perna de Daryl. O calor quando os dois se tocavam irradiava, não podia negar.. ...Uma adolescente...
"Um cd!" Tyresse sorriu, e levantou o disco, mostrando para Carol e Daryl. "Uma estrada no interior. Um cd perdido em um porta luvas. Uma pick-up. Quais as chances de ser música caipira?"
"Hei, qual o problema com country?" Carol pegou o cd da mão de Tyreese e introduziu no radio. Sem tirar os olhos da estrada, Daryl sorriu, levantando o canto do lábio! "Qual o problema em ser caipira?"
"Nenhum. Eu imaginei mesmo que esse fosse seu estilo Carol." Tyreese piscou pra ela. Carol ficou vermelha, ele não estava falando só sobre música. Realmente, uma música country começou a tocar. Daryl conhecia porque começou a bater no volante acompanhando o ritmo.
"AHHHH eu conheço Keith Urban o marido da Nicole Kidman. Ed ficava louco quando eu escutava esse cantor. Ele morria de ciúmes! Mas também, esse homem é muito gato. Esse homem é...uma coisa!" Carol começou a acompanhar a música, com estrelas no olhar.
"I can't sleep, ain't no sleep a' comin' I'm just lying here thinkin' bout you…"
Ela cantou alto "It's gonna be a long hot summer, we should be together,
With your feet up on the dashboard now"
"Será que você pode me respeitar, e parar de ficar falando que fulano ou ciclano é gato?" Tyreese fez cara de magoado. "Provavelmente tá morto agora, é walker vagando por ai. Muito gato, NE CAROL?"
"Para! Não arruíne minha imaginação." Carol mostrou a língua para Tyreese, a facilidade com que eles lidavam um com o outro estava tirando Daryl de orbita.
"Vocês querem que eu pare e carro, e procure um quarto pra vocês. Ou o que?" Daryl estava a ponto de chutar os dois pra fora do carro. Carol ignorou totalmente o comentário de Daryl, virando-se para Tyreese.
"ENTÃO, na verdade, meu estilo é rock." Carol riu quando percebeu que Daryl e Tyreese olharam para ela com um jeito engraçado. "HEY, eu tava na faculdade na era grunge..."
"WOW. Já tinham inventado o rádio naquela época?" Tyreese se encolheu, já esperando o tapa.
"TYREESE! seu filho da mãe" Ultrajada, Carol deu um tapa no braço dele. Dessa vez Daryl riu alto. Isso foi engraçado, o tapa fez um estalo enorme.
"Assim que abrir o salão de beleza pós-apocalíptico eu dou um jeito nesse cabelo. OK?." Feroz. Carol disse entre os dentes. Tyreese riu ainda mais. Ela estava muito brava.
Daryl gargalhou. Finalmente sentia-se confortável ao lado de Carol. As vezes ela era tão engraçada, tão envolvente.
"Ninguém sabe o que o estresse faz com os cabelos não?" Carol deu um cutucão na costela dos dois, em Daryl e em Tyreese..."Homens..."
Daryl balançou a cabeça, ele nem percebeu as palavras saindo de sua boca. Foi tão natural que ele se assustou "Não. Você não precisa fazer nada com seu cabelo. Eu gosto assim...É Carol Peletier."
"Oh" Carol foi pega de surpresa. Sua bochecha ruborizou.
"Concordo. É diferente, eu também gosto assim! Você não precisa mudar." Tyreese sentiu-se vitorioso em ver o desconforto de ambos, Carol e Daryl. Carol engasgou, os dois homens estavam flertando com ela? Ou era impressão?
Ela se contorceu toda no banco do carro, envergonhada.
"De qualquer jeito, meu cabelo era enorme, na cintura, encaracolado..." Carol lembrou de outra era. E começou a rir alto. "Nossa, lembrei daquela vez que fui presa e passei a noite na delegacia. Eu tava tão louca, dei em cima do delegado." Ela engasgou de tanto rir.
"O QUE?" Daryl e Tyreese disseram ao mesmo tempo. Daryl quase perdeu o controle do carro.
"Calma, calma..." Ela segurou o riso. "Bem. Era 1990 e alguma coisa. Eu fui em um show do Pearl Jam...Bebi demais, e eu e meus amigos resolvemos compartilhar um cigarrinho. Aquele cigarrinho, sabe?" Carol chorou de rir, ao ver o olhar de horror dos homens ao seu redor. Daryl estava mortificado.
"Carolina, você é muito cara de pau." Tyreese rindo, balançou a cabeça. Ele adorava Carol, definitivamente ela era sua pessoa preferida dentro daquela prisão. A competição ali era forte demais. Ele tinha plena ciência dos sentimentos dela por Daryl, mesmo assim não deixaria de ficar do lado dela, mesmo que nunca passasse de amizade pura.
"Argh, isso me lembrou de outra coisa. Nunca! NUNCA inicie um relacionamento em uma delegacia de polícia. É mau agouro." Carol fez uma careta de nojo.
"Carol, você conheceu Ed em uma delegacia de policia?" Tyreese olhou para ela com horror. Daryl fez o mesmo.
"Bem romântico, não é?" Carol suspirou. "Ok, o Ed era outra pessoa, ele era divertido naquela época. Acontece que ele estava no mesmo show. E uma coisa levou a outra e... Quando a gente chegar na minha casa, eu vou mostrar algumas fotos para vocês."
Daryl perdeu o sorriso, finalmente ele intercedeu.
"Opa, PERA AÍ. Ninguém disse nada sobre ir até a sua casa! No meio da cidade? Perdeu o juízo?" Daryl estava aproveitando para conhecer Carol de verdade. Dois anos convivendo, e ele não sabia nem metade da vida dela.
"Vamos deixar uma coisa bem clara." A voz de Daryl era firme. Ir até o deposito na periferia era uma coisa, se meter no meio da cidade era outra. "Você vai mostrar onde fica esse tal deposito, e só. Nem do carro você vai sair."
"Daryl..." Carol começou, mas foi interrompida.
"O QUE? Você não vai arriscar esse seu traseiro. Você não tirar o pé de dentro desse carro. Nada de querer bancar a amazona aqui. Não seja estúpida." Daryl se enervou.
"Tyreese..." Carol pediu ajuda.
"NÃO, nada de Tyreese. Eu que tô falando com VOCÊ." Daryl estava gritando.
Vendo que o clima tinha esquentado Tyreese interferiu. Daryl e Carol pareciam dois gatos arredios agora. Prontos pra pular um no pescoço do outro. "Espera ai. Vocês dois, calma!" Não adiantou nada, Carol enfezada quase voou no pescoço de Daryl. Muita tensão acumulada dentro da pequena cabine da pick-up.
"HEY, espera aí, você não manda em mim não Dixon. Tá pensando que ta falando com quem?" Carol também alterou o tom de voz. "Eu não sou mulher não. Eu não sou seu problema. ESQUECEU?" Carol gritava, ela não era mais um ratinho assustado.
"MULHER..."
Daryl meteu o pé no freio com tudo, parando o carro, fazendo com que Tyresse e Carol fossem lançados para frente, eles precisaram se segurar no painel do carro. Da carroceria da caminhonete veio um estrondo, seguido de um grito e um choro, todos se calaram. Os três se entreolharam, Daryl colocou o dedo na boca, pedindo silêncio. Tinha alguém, ou algo na carroceria da caminhonete.
Com a marreta na mão, Tyreese desceu do carro. Ele caminhou silenciosamente para a carroceria. Daryl e Carol fizeram o mesmo, armados com suas facas. Tyreese contou até três, preparando Daryl e Carol, e puxou a coberta da carroceria,. Uma garota loirinha, com olhos cheios de água, passava a mão em um enorme calombo na testa ."Ops."
"Sarah Taylor."
E Carol Peletier estava irremediavelmente enfurecida.
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Obrigada por ler
Reviews sempre são bem vindos!
Isa, Andressa, HowStrange, Manuella é uma honra receber reviews de vocês, suas lindas! Obrigada!
