Nota: Minha música nesse é "Cary Brothers - Can't Take My Eyes Off You"
"Meus braços vão crescer, Expandindo o peito De todos os garotos que você poderia ter. Por que é que tem que ser eu?
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Entrelinhas
Parte 6
"HEY, espera aí, você não manda em mim não Dixon. Tá pensando que ta falando com quem?" Carol também alterou o tom de voz. "Eu não sou mulher não. Eu não sou seu problema. ESQUECEU?" Carol gritava, ela não era mais um ratinho assustado.
"MULHER..."
Daryl meteu o pé no freio com tudo, parando o carro, fazendo com que Tyresse e Carol fossem lançados para frente, eles precisaram se segurar no painel do carro. Da carroceria da caminhonete veio um estrondo, seguido de um grito e um choro, todos se calaram. Os três se entreolharam, Daryl colocou o dedo na boca, pedindo silêncio. Tinha alguém, ou algo na carroceria da caminhonete.
Com a marreta na mão, Tyreese desceu do carro. Ele caminhou silenciosamente para a carroceria. Daryl e Carol fizeram o mesmo, armados com suas facas. Tyreese contou até três, preparando Daryl e Carol, e puxou a coberta da carroceria,. Uma garota loirinha, com olhos cheios de água, passava a mão em um enorme calombo na testa ."Ops."
"Sarah Taylor."
E Carol Peletier estava irremediavelmente enfurecida.
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"Cara, eu nunca vi essa mulher tão brava." Tyreese e Daryl estava na frente da caminhonete, observando enquanto Carol gritava com Sarah na carroceria da pick-up. Carol gesticulava, gritava e perguntava o que a garota tinha na cabeça. Como ela podia fazer isso com ela. Como podia se arriscar tanto. Sarah chorava, pedia desculpas e dizia que não queria ficar sozinha. Que Carol havia a abandonado na prisão, assim como todas as outras pessoas que ela amava.
"O que você quer fazer agora?" Mesmo sabendo que não duraria muito, que logo as duas estariam abraçadas uma na outra, Tyresse estava assustado com a explosão de Carol.
"Como assim o que eu quero fazer?" Daryl fez uma careta, e se encolheu com os gritos de Carol. Realmente, ele nunca tinha visto Carol tão brava antes. "Voltar pra prisão, sem chance de continuar com isso..."
"Senta nesse banco, e não diz uma palavra Sarah. É uma ordem." Carol apontou para a cabine da caminhonete, observou enquanto a menina obedecia o que ela tinha falado. Em seguida caminhou na direção de Tyreese e Daryl.
"Carol, ela é só uma criança..." Tyreese tentou apaziguar a mulher furiosa na sua frente.
"Para o seu bem Tyreese..." Carol levantou a mão, um alerta para que Ty se calasse. "Vamos logo, já perdemos tempo demais." Tyreese entendeu o alerta. Ele entrou na caminhou, junto com Sarah. Carol seguiu pelo lado do motorista, Daryl atrás dela, mas antes que ela pudesse entrar, Daryl fechou a porta. Deixando os dois para fora do carro.
"A gente vai voltar." Daryl virou Carol, fazendo com que ela olhasse para ele. Daryl não gostou de ver Carol tão perturbada, mexida. Uma garota loira, uma estrada, cercada por árvores... Lembranças demais. "Com essa pirralha junto não tem como... "
Carol suspirou, balançando a cabeça. Colocando as idéias em ordem. Já tinha chegado tão longe.
"Não, a gente vai seguir. Nós estamos à uma hora e meia da prisão, e meia hora da minha casa. O que é mais lógico Daryl? Não temos combustível pra desperdiçar. Eu não vou deixar nada acontecer com essa garotinha..." A última frase foi quase um murmúrio.
"Esse que é meu medo... Qualquer distração pode custar caro. Uma mulher e uma criança? Sem chance." Daryl estava preocupado com Carol. E se acontecesse alguma coisa com a garota, e Carol resolvesse se sacrificar pela menina. Daryl visualizou o cenário, e mesmo tão durão, ele teve medo . "Nós vamos voltar antes que aconteça alguma coisa com você."
"Eu não sou um fardo Daryl." Carol estava frustrada.
"Eu nunca disse que você é." Daryl colocou a mão no ombro dela. Foi natural, automático.
"Olha, ficar aqui no meio da estrada discutindo o que pode ou não pode acontecer não adianta nada. Precisamos ir até a minha casa para pegar a chave do Ed. Ninguém vai conseguir arrombar aquele portão, é enorme, é pesado. A gente coloca a caminhonete pra dentro da garagem, carrega com as placas e o resto do material, e volta pra prisão. Ok?... Sarah vai ficar escondida nessa caminhonete nem que eu tenha que algemar essa menina." Carol estava sim preocupada, mas foi-se o tempo que se via como um fardo. Ela não deixaria nada acontecer com ninguém, muito menos com Sarah. Provaria seu valor se necessário, estava pronta para todos os cenários.
"Eu não vou correr riscos, Daryl, mas também não vou voltar atrás. Olha, tão longe a gente já chegou?" Carol suspirou.
...Tão longe você chegou...
"Me promete que vai ficar a salvo? Não vai fazer nada estúpido?" A voz de Daryl era tão baixa, só para Carol escutar.
"Minhas nove vidas ainda estão valendo. Certo?" Carol queria bancar a durona, mas não conseguia por muito tempo, ela sorriu.
Carol se moveu, para abrir a porta do carro. Novamente Daryl colocou a mão, impedindo o movimento dela. O caçador deu um passo para frente, ficando cara a cara com ela.
"Carol..." Daryl se aproximou ainda mais, os narizes estavam a ponto de se tocar, olhos fixos um no outro, Carol perdeu a respiração. "Eu..." ...sinto sua falta, quero você de volta pra mim, seja lá o que aconteceu com a gente nas últimas semanas ... Daryl abriu a boca, nenhuma palavra saiu, mas ele foi se aproximando ainda mais. Carol umedeceu os lábios ressecados, meio que antecipando algo que desejava há dois anos.
Sarah apertou a buzina, fazendo com que Daryl e Carol acordassem do transe, e se afastassem. Carol finalmente soltou a respiração. O coração disparado. Os dois se afastaram imediatamente.
"Filha da puta..." Ele disse baixinho! Finalmente abrindo a porta da caminhonete para que Carol entrasse. Daryl e Carol nem perceberam os walkers que se aproximavam. A pequena cabine agora estava realmente apertada. Tyresse na ponta, Sarah do lado dele, e Carol quase no colo que Daryl, que dirigia.
"Jesus..." Daryl soltou um murmúrio, as pernas de Carol coladas as suas. O calor do corpo dela irradiando. Ele começava a duvidar se sobreviveria até o final dessa missão. Daryl deu partida, seguindo caminho, e deixando para trás o pequeno aglomerado de walkers no meio da estrada.
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A casa dos Peletiers era uma típica casa dos subúrbios americanos. Branca, com dois andares, uma varanda, um jardim na frente. Aparentemente a casa não tinha sido invadida por walkers, ou sobreviventes, tudo estava intacto com exceção do mato alto no jardim.
"Humm" Carol soltou um murmúrio dolorido ao avistar sua antiga residência. Tantas lembranças, tantas historias, tantas brigas...
"Você está pronta pra isso?" Tyreese sentiu a tristeza no olhar de Carol, que só balançou a cabeça. Sarah estava deitada, esticada em cima de Carol e Tyreese, a menina tinha adormecido depois de muito chorar. Como Tyresse havia previsto, Carol já fazia cafuné no fino cabelo loiro da menina.
"Sim" Carol não tinha muitas palavras.
"Ok, eu fico de vigília aqui. Deixa a Sarah dormir. Você e o Daryl entram pra pegar a tal chave e saem . Qualquer movimento, eu buzino de leve. Fiquem atentos. Cuidado" Tyreese tinha um plano. Ele achou apropriado que Carol e Daryl fossem juntos, dessa vez ele não ia competir.
Com o crossbow preparado, Daryl não disse nada, ela fez sinal para Carol o seguisse. Com a faca na mão, e arma na cintura, Carol entendeu e obedeceu. Entrar na casa não foi tão difícil, eles quebraram o vidro da porta da cozinha, e rapidamente já estavam lá dentro.
Carol soltou a respiração, era impossível evitar, as lagrimas surgiram imediatamente. Os recados e fotos de Sophia colados na sua geladeira... A prova da escola, que Carol com orgulho grudou no refrigerador. A! A melhor nota, Sophia estava tão feliz naquele dia.
"Desculpa. A gente precisa seguir..." Daryl sentiu a dor de Carol, todas as emoções ao mesmo tempo. Era difícil.
"Claro" Carol balançou a cabeça, enxugando as lagrimas. Ela respirou fundo e se aprofundou pela casa, seguindo um corredor. Enfeites, fotos, brinquedos, revistas, uma família normal, CDs, quem olhava uma vez não imaginava o que realmente acontecia dentro daquela casa. No gavetero dentro de um pequeno escritório estavam as chaves de Ed. Ela jogou a chave, e Daryl pegou no ar. "Ed levou tudo. Armas, munição, lanternas, coisas de acampamento... Acho que não tem muita coisa útil, além das roupas..." Daryl fez sinal positivo com a cabeça.
"Quero pegar algumas coisas lá em ?." Carol subiu a escada em direção aos quartos, seguida por Daryl. O quarto de Ed e Carol, Daryl sentiu um desconforto ao entrar ali. Quantas coisas aconteceram dentro daquele quarto? Quantas discussões? Quantos tapas e socos?
Carol abriu o armário, puxando uma mala de viagem. Rapidamente começou a jogar algumas roupas e cobertores. Ela jogou algumas fotos, e uma caixinha de jóias. "Usar jóias no fim do mundo não é ideal, mas dois anos com o mesmo brinco está me deixando louca" Ela sorriu e logo passou para outro cômodo.
Daryl acompanhou, observando Carol entrar no banheiro e limpar o que tinha lá. Shampo, desodorante, cotonete, sabonete. "O bastardo do Ed não me deixou levar quase nada dessas coisas... No dia que a gente fugiu...Ele só se preocupou com comida e coisas de acampamento...No final não adiantou muito pra ele, não é?"
Daryl fez uma careta, e um pequeno sorriso, relembrando o dia que Carol meteu a picareta na cabeça do marido, varias e varias vezes. "Bastardo."
Carol se olhou no espelho de seu banheiro, e balançou a cabeça. Como tinha emagrecido, os fios prateados agora tinha tomado conta do cabelo, que estava bem mais comprido, com cachinhos formando nas pontas. "Quanta diferença em dois anos."
"Carol, a gente precisa ir..." Daryl não queria interromper esse momento, se pudesse deixaria Carol absorvendo o fato de estar em sua casa por muito mais tempo, mas ele não se podia dar ao luxo.
"Eu sei, só vou pegar algumas coisas da Sophia... para as crianças da prisão. E roupas pra Sarah." Carol sabia que esse era o momento mais difícil, entrar no quarto de Sophia... Para uma mãe que perdeu um filho, não existia coração forte o suficiente para isso.
Daryl pegou as malas de Carol, e a acompanhou. O quartinho de menina, cor de rosa, uma cama branca e uma penteadeira simples. Carol queria se jogar na cama de Sophia e chorar a sua alma pra fora naquele momento, mas não podia.
Engolindo seco, Carol rapidamente abriu o armário. Lágrimas corriam livremente pelo rosto enquanto ela separava as roupas de Sophia e colocava na mala. Alguns brinquedos, algumas bonecas, sapatos. E Carol começou a soluçar, o corpo tremia enquanto ela chorava.
A mão firme de Daryl em seu ombro fez com que Carol olhasse para trás. Sem precisar trocar uma palavra, ele ofereceu consolo, uma força extra para que Carol conseguisse terminar a tarefa dolorosa. Um abraço quente e acolhedor. "Vem cá" A voz rouca de Daryl em seu ouvido.
Carol correspondeu, passando os braços envolta do pescoço de Dary, apertado e suspirando profundamente no pescoço dele. Se existia um momento especial antes do fim, aquele era o momento de Daryl. O silencio na casa era absurdo, o coração batia tão forte dentro do peito, ele tinha certeza que Carol podia ouvir. Porque ele podia ouvir o coração dela, o sangue pulsando nas veias do pescoço dela. Daryl esperou a vida toda por um momento como esse. Finalmente um gesto de carinho. Sincero.
Um toque sempre foi sinônimo de dor na vida de Daryl Dixon. Ele nunca teve isso,nem sabia se era possível ter... Nunca do pai, irmão ou da mãe, que morreu prematuramente.
Carol em seus braços, e Daryl sentiu como se estivesse se expandindo para acolha-la completamente.
"Daryl..." Ela fechou os olhos, respirando fundo, sentindo-se segura envolvida pelos braços fortes de Daryl. Naquele exato momento Carol se esqueceu de tudo, walkers, morte, Beth, Tyresse, Sarah, tudo...
Uma buzina novamente fez com que os dois se separassem. "Qual o problema desse povo com essas malditas buzinas, que inferno!" Daryl disse um pouco sem graça. Daryl jogou as mochilas nas costas, segurou o crossbow e desceu rapidamente as escadas. "Ele deve estar com problemas, vem logo."
"Ok" Carol fez como Daryl, jogou as mochilas restantes nas costas. Antes de fechar o quarto de Sophia, ela disse. "Obrigada por tudo, meu amor."
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Obrigada por ler
Reviews sempre são bem vindos!
Que fofis! *o* Andressa, minha amiga Caryler kkkkk. Gostou?
